Capitulo 8

Meses se passaram, e eu me sentia cada vez mais fraca. Durante todos os dias que passara no hospital, eu escrevi tudo o que sentia em um diário, todos os meus sentimentos e no final o entregaria a Mulder. Todos esses dias eu lutei contra o câncer, mas de nada adiantava ele não houvera regredido nem um pouco tornando todo o meu esforço absolutamente em vão. Mulder e Sarah haviam marcado a data do casamento, que aconteceria hoje no final da tarde. Hoje eu me sentia exausta, não tinha forças para mover um único músculo de meu corpo mais quando vi Mulder passar pela porta do quarto eu sorri e me ajeitei procurando parecer melhor do que estava.

-Oi, Scully.

-Mulder!

-Como se sente? – ele perguntou sentando-se ao meu lado na beirada da cama.

-Estou bem. Hoje é grande dia, Mulder você irá se casar.

-Eu sei. Estranho eu nunca imaginei que fosse me casar.

-Mulder...

Parei um minuto, e respirei com dificuldade procurando fôlego para terminar a frase.

-Scully, está tudo bem? Você está sentindo alguma coisa? Quer que eu chame a enfermeira, eu...

Balancei a cabeça interrompendo-o, e segurei sua mão com força e disse em seu ouvido:

-Seja feliz.

-Scully...

Ele me olhou nos olhos, e beijou minha testa me abraçando eu o envolvi em meus braços ternamente. Sentia que aquele seria nosso último momento juntos, deixei que uma única lágrima caísse de meus olhos.

-Vá. Você tem que ir se arrumar.

Ele beijou minha mão e se foi. Quando abriu a porta minha mãe e Bill entraram, eles ficaram horas ali comigo.

-Mãe, eu... não agüento mais. Sinto que chegou a minha hora.

-Não diga isso, Dana!

-Não é verdade Dana você ainda vai ficar muito tempo conosco. – Bill disse

-Sim, Bill é verdade sim. Eu mal consigo respirar sem a ajuda de máquinas, não tenho forças nem para levantar da cama.

Eu parei por um momento e respirei fundo, olhei em seus olhos e peguei sua mão.

-Bill, eu sei que você o culpa. Eu sei que você acha que tudo isso é culpa do Mulder, mas não é e eu te peço que quando eu for embora, por favor, não o odeie.

Ele balançou a cabeça chorando, peguei a mão de minha mãe e usei toda a minha energia para dizer minhas últimas palavras a ela.

-Mãe... eu sinto muito que isso esteja acontecendo. Eu te amo. E tudo que eu te peço é que quando eu partir você entregue isso ao Mulder.

Eu levantei o braço e peguei o caderno ao meu lado e entreguei a ela. Eu estava lutando para me manter consciente, mas meus olhos estavam pesados e meu corpo cansado. Meus olhos foram caindo... lentamente eu fui perdendo o poder sobre meu corpo, a última coisa que vi foi uma silhueta entrando correndo pela porta.

(POV Mulder)

Havia passado o dia inteiro procurando a cura para Scully ainda não conseguia entender por que o Canceroso havia me ajudado, mas tudo o que conseguia pensar era em salva-la. Eu corri até o hospital com o misterioso chip que seria a cura para o câncer da Scully, quando entrei em seu quarto sua mãe e seu irmão estavam de joelhos ao lado da cama. A máquina que media os batimentos cardíacos dela mostrava o que eu mais temia. Seu coração havia parado de bater. Caí de joelhos ao perceber que a tinha perdido, eu não podia acreditar naquilo ela não podia morrer, ela não ia morrer. Virei-me para o seu médico que estava na porta e disse.

-Ressuscite ela!

-Me desculpa, mas ela se foi...

-Vamos a ressuscite! Eu tenho a cura para o câncer dela! Não vou a deixar morrer!

Eu peguei o desfibrilador, liguei e pus no peito de Scully. Seu corpo saltou da cama, mas seus batimentos ainda não haviam voltado então eu dei outro choque em seu peito. Nada. Bill segurou meus braços, eu me soltei e dei outro choque. Três seguranças me seguraram contra a parede, e tiraram o aparelho de minhas mãos.

Bip... Bip... Bip

Olhei para a máquina, ela mostrava que o coração de Scully havia voltado a bater. Os seguranças me soltaram.

-Doutor, você precisa colocar isso nela agora! – eu disse lhe entregando o pote com o chip.

- Mulder o que é isso? – a mãe dela perguntou

-Por favor, eu preciso que confie em mim. Isso é a salvação da Scully.

Ela fez que sim com a cabeça e o médico chamou as enfermeiras que levaram Scully a sala de cirurgia. Sentei-me na cadeira do lado de fora do quarto e pus a mão na cabeça tentando me acalmar.

-Ela disse para mim, que lhe entregasse isso.

A mãe de Scully disse me entregando um caderno. Eu levantei a cabeça e o abri, ali estava escrito tudo o que ela estava sentindo durante todos aqueles dias no hospital.

"Mulder acordou finalmente! Não tenho como descrever o tamanho da minha felicidade quando o vi, ver seu rosto foi a melhor coisa que podia ter acontecido, o abraçar e sentir o calor de seu corpo. Ele me contou que não se lembrava de nada que havia acontecido no dia. E eu havia decidido que não contaria a Mulder sobre o que aconteceu no avião pouco antes dele cair, pois ele ama Sarah e eu quero que ele seja feliz mesmo que não seja ao meu lado."

Ao ler aquilo, por algum motivo eu comecei a me lembrar do que aconteceu no avião.

Eu acordei Scully e disse a ela que o avião havia sido tomado por terroristas, ela se levantou e me perguntou:

- O que eles pretendem fazer com o avião?

-Nós não sabemos.

-Então nós temos que descobrir. Antes que seja tarde demais.

Ela olhou pela janela, pensativa.

-Nós estamos saindo do continente.

-Por que roubariam um avião para tirá-lo do continente?

Não fazia o menor sentido eles roubarem o avião para tirá-lo do continente. Scully olhou para mim seus olhos tinham uma expressão de terror.

-Eles vão jogar o avião no mar.

O mesmo terror que eu vi em seus olhos agora com certeza havia nos meus. Se eles jogarem o avião no mar nenhum de nós jamais sairá vivo.

-Vamos tentar falar com eles. – ela disse.

Eu assenti, nós andamos até a porta da cabine do avião, eu bati na porta e disse:

-Nós só queremos conversar.

Um homem abriu a portas, ele era moreno, alto, seus cabelos eram escuros e estavam presos. Ele saiu da cabine apontando uma espingarda para nós.

-Quem são vocês? O que vocês querem?

-Nós somos passageiros. Nós só queremos saber por que você está fazendo isso.

- Nós queremos chamar a atenção do seu governo.

-Por que matar todas essas pessoas, elas são inocentes. - eu disse.

-Nós vamos jogar o avião no mar em 10 minutos e vocês não podem fazer nada para mudar isso.

-Não faça isso... – Scully começou a falar

O homem deu um tapa na cara dela com tanta força que a fez cair no chão, eu não podia vê-la apanhar. Quando ela bateu no chão o distintivo caiu do bolso de seu casaco.

-Eles são do FBI! – o homem gritou.

Mais quatro homens saíram da cabine, e nos seguraram. O líder puxou o casaco de Scully e pegou sua arma, depois pegaram a minha. Ele se virou para Scully e pegou seu rosto com aquelas mãos nojentas.

- Você é muito linda, é uma pena que você vá morrer.

-Solta ela seu desgraçado!- eu gritei.

Ele a soltou e olhou para mim rindo. Ele veio andando em minha direção e me deu um soco, depois ele começou a me chutar. Tudo que eu vi depois foi Scully apontando duas armas para o homem que me batia, enquanto os dois homens que a seguravam estavam caídos no chão. O líder olhou para ela, e riu.

-São cinco contra um.

-Eu sei.

Ela atirou no líder antes mesmo que ele pudesse reagir. Então ela atirou nos homens que me seguravam, quando um dos homens que estavam no chão se levantou e pulou sobre ela. Eu peguei a espingarda caída no chão e atirei no outro homem que vinha em minha direção, quando olhei para Scully, o corpo do homem estava sobre ela sem vida então fui a sua direção e tirei o corpo de cima dela. Quando ela se levantou eu a abracei, ela enterrou o rosto em meu pescoço.

-Scully você está bem?- eu disse se afastando um pouco para olhar em seu rosto.

-Sim. Nós precisamos pilotar o avião.

Nós corremos até a cabine, o piloto e o co-piloto estavam mortos. Scully sentou na poltrona do piloto, ela ficou olhando para o painel meio perdida.

-Mulder está no piloto automático. Eu não consigo achar o botão para botar no controle manual.

Depois que ela terminou de dizer isso o avião começou a descer em direção ao mar.

-É tarde demais. – eu disse.

Olhei para ela e pus a mão em seu rosto. Eu não podia morrer sem antes dizer a ela o quanto a amava, o quanto sempre a amei.

-Eu te amo, Mulder. – ela disse entre lágrimas.

-Eu te amo, Scully.

Eu a puxei e a beijei apaixonadamente.

Scully havia dito que me amava. Agora que eu tinha acabado de perder ela por alguns minutos, eu percebi que na verdade eu não amava Sarah eu amava a Scully, sempre foi ela e sempre será. Agora tudo que eu esperava é que aquele chip desse certo, porque se não funcionasse eu a perderia de novo e eu não posso agüentar a dor de vê-la morrer novamente. Quando cheguei a última página havia algo escrito diretamente a mim.

"Mulder,

Eu espero que um dia possa me perdoar por ter partido, quero te dizer além de tudo que te amo. Agora que você está lendo isso imagino que eu tenha morrido, quero-te dizer que seja feliz, tenha uma família, viva por mim. Mulder continue sua jornada pela verdade, espero que um dia descubra toda a verdade sobre Samanta e que possa finalmente ter paz. Deve se perguntar por que eu não te disse isso antes, e aqui eu venho lhe dizer as minhas razões de ir embora sem te dizer. Eu não tive coragem de te dizer nada porque quero que seja feliz Mulder. E ao meu lado isso não seria possível já que estou com meus dias contados, saiba que meu coração sempre será seu mesmo quando eu já tiver partido meu coração sempre será seu. Espero realmente que possa me perdoar por não ter me despedido de você.

Com amor, Scully."

Lágrimas caiam descontroladamente de meus olhos, ao ler aquela pequena mensagem dela para mim eu me lembrei da última vez que falei com ela hoje. Ela estava muito fraca, seus olhos azuis haviam perdido o brilho e debaixo deles estavam grandes olheiras, sua testa estava molhada pela dor que sentia ela mal tinha forças para falar, mas ainda assim quando eu entrei ela me deu um sorriso puro e cristalino. Eu me sentei ao seu lado na cama, e perguntei como ela estava mesmo sabendo que sua resposta é sempre "estou bem" não importa o quanto ela se sentisse mal, ela respirava com dificuldade. Quando ela segurou minha mão e disse em meu ouvido para eu ser feliz, fui abatido por uma imensa tristeza eu sentia que algo ruim ia acontecer. E aconteceu. Ouvi alguns passos e pisquei algumas vezes para tentar enxergar em meio as lágrimas. Vi as enfermeiras levando Scully para o quarto e fui em direção ao médico.

-E então doutor, como ela está?

...