Seis meses depois da revelação da existência vida extra-terrestre aos humanos...

O mundo espiritual era composto de vários níveis. Para adentrá-los, era necessário passar pelo senhor dos Portões, que conduziria, enfim, as almas ao julgamento final. O Rei Enma Daio tinha o poder de vigiar tudo o que acontecia em todos os lugares. É certo que seu poder não conseguia penetrar tanto no Mundo dos Monstros, quanto no dos Humanos, devido ao grande mal que sempre pairava sobre aquele lugar, mas, de certa forma, ele tinha uma visão geral do que acontecia por lá, também. Por conta dessa eterna vigilância, ele poderia ser o mais justo dos advogados ou o mais imperdoável dos promotores para os espíritos que procuravam um lugar no paraíso. O seu castelo ficava há milhares de Kilômetros de distância da Terra, num local em que nenhum avião ou objeto voador poderia alcançar, e somente seres com uma grande percepção espiritual poderiam conseguir avistá-lo. Esses seres, basicamente, constituíam-se nos espíritos que eles recebiam provenientes dos outros dois mundos, ou nos diversos funcionários que trabalhavam incessantemente a serviço da realeza. E assim, excluía-se todos aqueles que não eram convidados, de encontrar tal local...

"Demônios! Atencão, monstros a vista! Corram! Alertem a segurança interna! Temos intrusos no Reino!" gritou, no rádio, o guarda-ogro dos portões de fora da fortaleza espiritual, para os colegas de dentro.

"Ogro, acalme-se... Estamos aqui em paz... então, sugiro que nos trate de modo que não mudemos nossa conduta." Disse o líder do grupo com voz tão aveludada que seria capaz de colocar as crianças mais rabugentas de todos os mundos para dormir.

O grupo de intrusos continuava caminhando lentamente em direção aos portões do Rei Enma Daio, enquanto o "pequeno" guardinha tentava conter seu medo da melhor maneira possível e assumia uma posição de defesa desengonçada agarrando sua lança de ponta de unicórdio. Mal conseguia ele mantê-la apontada para os visitantes, de tanto que se tremia. Havia começado a trabalhar como guarda dos portões externos há menos de um mês e não estava de certo preparado para enfrentar nenhuma situação desse tipo. Antes, era apenas mais um dos vários funcionários burocráticos do castelo que preenchia papelada e servia as vontades da realeza. Entretanto, havia enfurecido o Príncipe Koenma quando um dia trocou seu sorvete de flocos por um de chocolate, pois o de sabor requerido estava em falta na cozinha, e, então, ele foi castigado ao cargo atual por cento e cinqüenta anos. Além de cem palmadas no bumbum. Naquele exato momento, os demônios do mundo das Trevas já haviam percorrido toda a distância do jardim de nuvens da fortaleza e estavam, assustadoramente, parados em sua frente, mas enquanto isso, ele só conseguia pensar 'NÃO! ME POUPEM! EU NÃO! SÓ ESTOU AQUI POR UM SORVETE DE FLOCOS! AHHHH!'.

"O q-que vocês es-stão fazendo aq-qui?" balbuciou o ogro, "C-Como vocês acharam o ca-aminho pro nos-sso mundo?" e apertou mais ainda a lança de unicórdio entre suas mãos, mantendo uma distância 'segura' das pessoas diante dele.

"Ogro! Abaixe a arma! Já dissemos que não vamos lhe matar!" disse um segundo monstro com uma voz bem mais ríspida que o primeiro e, como o guarda não abaixou a lança, começou a perder a paciência e se adiantar, "Ficou surdo, foi? Se quiser eu faço buracos maiores na sua cabeça pra que escute melh..!"

"Hai! Não estamos aqui para isso! Guarde sua sede de sangue para quando necessário!" interrompeu bruscamente o líder, de uma maneira amedrontadora colocando a mão na frente de seu companheiro. O monstro esquentado parou de falar abruptamente e, claramente, engolia seu ódio garganta abaixo de uma maneira não muito bonita de se ver. Assim, o líder voltou-se para o guarda e continuou como se nunca tivesse levantado a voz na vida. "Ogro, diga aos seus superiores que queremos lhes falar de um assunto de interesse comum. Diga que é Faro quem está aqui. E que eu exijo ser levado diante do Rei Enma."

Nesse momento, o ogro estava numa situação complicada. Teoricamente, ele deveria ser a pessoa que protegeria a fortaleza e a vida dos que estavam dentro dela de todos os seres não-convidados que aparecerem nos portões. Mas, seria burrice confrontar um grupo desses, além do que, eles disseram que queriam apenas conversar... né?

"S-sim... senhor. Um minuto!" Então, Jino, o guarda, colocou de lado a lança e sacou, de novo, o rádio para transmitir as informações recebidas. Estava mais calmo, havia sentido um pouco de confiança na atitude do suposto líder do bando. Após ter escutado a resposta no aparelho, voltou a olhar para os visitantes e falou. "Senhor Faro, o Senhor Enma Daio não está agora, mas o Senhor Koenma está sim, se o senhor quiser pode ser levado pra ele." O homem apenas assentiu com a cabeça. Nessa hora, sentiu uma enorme satisfação em saber que estaria transferindo essa situação incômoda para o responsável por ele estar nesse lugar primeiramente. Além dele poder imaginar a cara do príncipe quando soubesse que ele teria que atender um grupo de monstros, aparentemente, bem fortes, já que haviam conseguido passar as inúmeras barreiras e obstáculos que circundam o mundo espiritual. Ele ficaria com tanta raiva que iria comer um avestruz inteiro, além de espancar uns dez ou doze ogros do setor burocrático.

De volta ao comunicador, avisou ao pessoal interno que os visitantes aceitaram ser recebidos pelo demi-deus sob ameaça de não respeitar a paz caso não escutados. Depois, desligou o aparelho e se voltou para o grupo. "Sua escolta vai chegar daqui a pouco. Por favor, espere aqui do lado preu abrir o portão."


A sala da gerência do mundo espiritual ficava no fim de um longo corredor no terceiro andar da ala leste da fortaleza. Para ter acesso a essa parte, o indivíduo teria que passar pelos portões externos, os jardins do castelo, a portaria interna e a ante-sala chegando até o grande hall. Ali, ele deveria escolher entre alas norte, leste e oeste. E cada uma delas se dividia em muitas e muitas salas, corredores, e uma infinidade de outros compartimentos. Em grande contraste com o exterior do local, que era em estilo japonês antigo nas cores azul e carmim, o interior possuía uma arquitetura moderna, com a maior parte dos móveis e pisos em aço inoxidável, uma modificação necessária por causa da enchente ocorrida no local alguns anos antes que destruiu boa parte da mobília antiga. Existiam computadores, câmeras e dispositivos de segurança para acessibilidade local na maior parte dos cômodos e corredores. Era como se eles tivessem incorporado tudo o que o homem criou de tecnologia a fortaleza. Ou será que foram eles, os criadores? A sala em que o príncipe se encontrava (na verdade era a de seu pai) possuía uma grande mesa de reuniões com diversas cadeiras, além de diversos projetores espalhados pelo teto e chão exibindo, sem interrupções, diversas imagens de cenas do passado e presente. Enquanto o grupo recém-chegado se encaminhava para a sala da gerência real, Koenma era avisado sobre as últimas notícias.

"O QUÊ? EU VOU RECEBER UM GRUPO DE ARRUACEIROS QUE INVADIU O MUNDO ESPIRITUAL? COMO PÔDE ISSO? QUEM DEIXOU ELES ENTRAREM? COMO? QUEM? ALGUÉM PODE ME DIZER?" exaltou-se o príncipe.

"Mas, Senhor Koenma! Não havia nada que pudéssemos fazer! Eles são muito fortes!" replicou George com medo antecipado da paulada na cabeça que levaria por ter sido ele o vetor das más notícias.

"MAS COMO ASSIM 'ELES SÃO MUITOS FORTES?' MAIS UM MOTIVO DE NÃO DEIXAR ELES ENTRAREM! E AINDA, TÃO SENDO TRAZIDOS ATÉ AQUI?" Koenma continuou exaltado, andando de um lado para o outro repetidamente como se estivesse pensando em uma maneira de fugir.

"Mas, Senhor Koenma! Fique calmo! Eles disseram que só queriam conversar! Só isso! Não tem por que ter medo!" pediu George, pois o príncipe estava se descontrolando de forma que não seria capaz atender os intrusos, o que não seria bom para ninguém. Quando, de repente, ele parou de andar.

PAFT!PAFT!PAFT!PAFT!

"CALMO? Ô ESTRUPÍCIO! VOCÊ TÁ FALANDO ISSO PORQUE NÃO É VOCÊ QUE VAI TÁ FALANDO COM ELES, NÉ? VAI APANHAR PRA APRENDER!" O príncipe havia pulado no pescoço de George e estava fazendo a cabeça do ogro azul de alvo com um chumaço de papel enrolado que estava em cima da mesa.

"AI! SENHOR KOENMA! PARE! AI! POR FAVOR! AI! AI! AHH!" choramingou George.

Depois de ter saciado a vontade de bater em alguém, que, nesse caso, foi o pobre George, o príncipe desceu da cabeça do ogro e suspirou fundo, "Ai... Você tinha razão, eu me sinto bem melhor! Eu tinha que me acalmar mesmo!" desabafou o principe soltando o fôlego que prendera durante a briga. "Ô, Diabo! Vai vê se tem um biscoitinho no armário pra forrar o estomago, vai! Tô achando que essa reunião vai demorar um bocado!" disse o príncipe sem nem parecer ter tido um surto psicótico há minutos atrás.

Enquanto George buscava o lanche e colocava curativos nos mais recentes machucados dados pelo seu chefe, Koenma pensava alto, "E agora, o que esses monstros querem mais? Já não bastam as coisas estranhas que estão acontecendo no Makai e no mundo dos homens... O que eles podem querer? Ai Meu Deus do Céu!"


Koenma havia terminado seu lanchinho quando ouviu batidas em sua porta. De fora, entrou outro ogro, bem parecido com George, mas empunhando um tridente e com duas facas na cintura.

"Senhor Koenma, os visitantes estão aqui. Permissão para anunciá-los?" disse o ogro.

"Sim, sim, menino... Anda logo com isso, vai!" respondeu Koenma ansioso em saber o motivo da visita.

"Perdão, meu príncipe. Senhor Faro e seus companheiros, entrem, por favor." Anunciou o ogro armado abrindo a porta com sua mão livre.

O grupo entrou na sala, um por um, até que, por fim, entrou o líder. O pequeno demi-deus, que estava na sua forma de criança, se sentiu mais diminuto ainda diante das formas de vida a sua frente. Ao todo, eram cinco. Dois deles eram, claramente, originários das áreas montanhosas do Makai. Eles eram demônios manipuladores de pedras e suas armas e adereços eram formados por tais materiais. Eram semi-gigantes, daqueles que faziam um jogador de basquete normal parecer um anão magricela. Possuíam uma pele acinzentada, como se não tivesse visto a luz do Sol por muitos dias e não tinham cabelos. Estavam bem vestidos e adornavam braceletes e colares, além de um deles ter um grande espeto no lábio inferior. Apenas nisso e nas armas eles se diferenciavam, pois, pareciam muito a ponto de ser confundido um com o outro. O sem "piercing" carregava um porrete de mais de um metro de comprimento, enquanto o com, postava-se com um machado tão grande quanto. Eles foram quem entrou primeiro. O terceiro era um monstro aparentemente "comum" (para os monstros). Muitos dentes, todos à vista (é claro), e extremamente pontiagudos. Não parecia ter nenhum tipo de poder especial. Cabelos pretos desarrumados, pele amarelada, orelhas pontiagudas, de tamanho e constituição normal para seres humanos e trazia consigo duas espadas finas e assustadoramente grandes. O quarto visitante a adentrar o salão era ainda mais intrigante. Ele não parecia um youkai de maneira alguma. Nem energia esse último emanava. Estava mais era parecido com um nerd escolar desnutrido. Não possuía nenhuma arma a vista. Era pequeno, magro e extremamente branco. Possuía círculos marrons ao redor dos olhos, como se estivesse há muito tempo sem dormir. Seu cabelo ruivo era oleoso e grudava em parte da sua cabeça. Era como se eles tivessem tirado esse menino da escola e feito de refém. Após ele, veio Faro. Esse era literalmente amedrontador. Possuía porte atlético e pose de general. Ele também era grande, maior que um homem normal, mas menor que os monstros das montanhas. Emanava uma energia estranha que causava uma sensação ruim às pessoas ao redor. Possuía presas do lado de fora da boca, como um buldog, e olhos amarelos. Sua pele era preta, mas não como os seres humanos de raça negra. Ele era preto feito carvão. Nas suas feições, as únicas coisas distinguíveis eram os olhos e os seus afiados dentes. Também carregava uma espada ao seu lado, uma katana na verdade. Tudo nele parecia ser voltado para luta. Realmente, não tem como defini-lo a não ser como amedrontador. Após a entrada do grupo, mais outros dois ogros-guardas se juntaram ao restante do pessoal e fecharam a porta da sala da gerência real.

Koenma estava intimidado em seu próprio território. 'O que será que estão fazendo aqui?' pensava o príncipe, 'Será outro acordo por causa do mundo dos homens?'indagava a si próprio, 'Não, não pode ser... Eles estão fazendo intercâmbios de tanto sucesso... O que será que eles podem querer a ma'

"Príncipe Koenma, enfim nos encontramos." Interrompeu Faro, quando percebeu a dispersão dos pensamentos do demi-Deus. Ele saudou o governante abaixando sua cabeça, e sinalizando para que os companheiros fizessem o mesmo (o que nem todos fizeram).

"Senhor Faro, gostaria de poder dizer que estive esperando tanto o nosso encontro quanto você..." disse Koenma, em tom que era notável o desgosto por ter recebido os intrusos.

"Sim, Senhor... E eu gostaria de ter tido oportunidade de mandar notícias de nosso futuro encontro... mas, infelizmente, não foi possível. Poderia o Senhor relevar esse ato de grosseria de nossa parte? Afinal, estamos aqui, como dissemos aos seus guardas, como embaixadores da paz para tratar de um assunto de interesse comum." Explicou Faro com a voz mais aveludada que ele possuía. E o príncipe se viu num impasse. Ele se surpreendeu pelos modos educados do monstro-líder, mas alguma coisa nessa história de embaixador da paz não estava cheirando certo.

"Por favor, podem prosseguir. Ficamos surpresos pelo modo que conseguiram chegar até nós, somente. Qualquer ser vivo que preze pela paz entre os mundos é bem-vindo no meu castelo." Replicou Koenma.

"Muito obrigado, vossa Alteza. Antes que cheguemos ao assunto, permita-me apresentar os meus companheiros." Pediu Faro, apontando para os monstros das montanhas. "Esses são os irmãos Gino e Geno." Em seguida, para o de cabelos pretos. "Aquele é Hai, meu braço direito e mais antigo aliado em todos os mundos." Hai assentou com a cabeça, mas o rosto dele parecia estar em um misto de sofrimento/raiva/angústia constante. Por último, apontou para o magro de cabelos ruivos "E esse é Pachaco, o caçula de nosso grupo." O ruivo abaixou a cabeça em gesto de respeito. "E, é claro, meu nome é Faro, primeiro oficial encarregado de serviço exteriores, e estou aqui a serviço da Rainha."

"Sim... primeiro, saudações ao grupo. Desculpe não tê-los recebido com mais conforto, mas isso é o melhor que pudemos fazer com tão pouco tempo de aviso. Mas me diga, que assunto é esse que a Rainha não poderia ter me avisado de antemão? Ou que a Rainha mesma não poderia ter vindo debater?" retrucou Koenma, já deixando aparecer sua desconfiança.

"Senhor Koenma, eu devo lhe pedir calma. Tudo será explicado a seu tempo. Se nós pudermos sentar e nos acomodar, eu começarei logo em seguida. " respondeu Faro sentindo que o príncipe estava começando a adivinhar a gravidade da situação.

"Sim... sim... sentem-se todos, por favor." Gesticulando à mesa e se sentando na cadeira de seu pai. "Por favor, não quero parecer indelicado, mas sei que deve ser um assunto de grande importância e não queria dedicar menos tempo a ele por nós nos preocuparmos com formalidades. Entendam que disponho de pouco tempo o bastante para isso. Vamos direto ao ponto, se não se importarem." Quando todos estavam acomodados, Faro sorriu e começou.

"É claro, príncipe. Vamos direto ao ponto." E antes de dizer uma palavra, a malícia de seus olhos amarelos penetrantes já dizia tudo.


Já havia passado mais de quarenta minutos desde que eles começaram a reunião. As telas ao redor da mesa e no chão agora mostravam diversas imagens, todas do presente, de diversos lugares do mundo: Pequim, Tókio, Nova York, Budapeste, Paris, Milão, Toronto, Rio de Janeiro, Joanesburgo, Berlim, Moscou, e muitas e muitas outras cidades do mundo. Nessas imagens, uma coisa incomum: Os Visitantes.

"O QUÊ? COMO PODE TER ACONTECIDO ISSO RAPAZ? COMO PODE?" indagou o príncipe exaltado de sua cadeira.

"Não há porque perder a calma alteza. Tudo isso é apenas um simples fato para o senhor constatar." Explicou Faro.

"MAS... MAS... ELA ME DISSE! ELA FALOU QUE IA HONRAR NOSSO COMPROMISSO! O PACTO! A IDÉIA DE INTERCAMBISTAS! FOI ELA MESMO QUE FEZ O NEGÓCIO FUNCIONAR! COMO PODE ISSO AGORA, MEU DEUS? DE ONDE SURGIU TANTA GENTE?" continuou exaltado o principe que pulou na mesa para ver melhor as imagens, boquiaberto.

"Sim, nossa Rainha fez tudo isso e muito mais. Ela aprimorou a idéia de Mukuro, sim. Os intercambistas foram um sucesso graças ao seu plano. Entretanto, ela nunca compartilhou dos mesmos ideais. São coisas bem diferentes. E o seu pacto foi feito, na verdade, com Mukuro. Ele não inclui ou diz respeito a nenhum outro rei posterior. E, se de 'tanta gente', o senhor está se referindo às pessoas nas telas, sim, são muitos monstros. Mas, Senhor Koenma, eu posso lhe garantir, existe muitos... mais... escondidos no planeta Terra esperando a ordem que está por vir. Depende, no fim de tudo, do senhor." A voz suave de Faro soou grave e sombria nessas últimas duas frases, o que gerou um calafrio na base da coluna do demi-deus. No fundo, ele sabia que isso podia ser verdade. Ele sabia que era verdade. E durante todo esse tempo, ele havia tratado a Rainha como todos os outros Reis. Ele havia confiado nela, e ela o traiu embaixo do seu nariz. Era certo que o serviço estava bem menor, ultimamente, com toda a politicagem positiva que foi feita com os Reis do Makai, desde Enki. Ele não poderia ter tratado a Rainha diferente. Mesmo ele desconfiando no clima dos dois mundos ultimamente, ele pensava que todos ou a maior parte daquele mundo estava começando a ver o valor que o ser humano tem. Ouvir essas últimas notícias foi como ser socado no estômago diversas vezes e só perceber quando já estivesse com hemorragia interna. No fundo, ele sabia que tudo aquilo foi produto de sua negligência. Ele sabia que foi sua culpa.

"O que vocês estão querendo dizer?" indagou o Koenma, mas calmo, quase resignado. Hai soltou uma risada maléfica nessa hora, o que fez o governante baixar mais a cabeça e esperar o veredicto final.

"Exatamente o que estamos conversando na última hora. Nossa digníssima Rainha reuniu os povos do Makai em busca de um só objetivo. Hoje, possuímos força de combate suficiente para invadir o mundo espiritual e o dos humanos. Sem contar nos inúmeros soldados já posicionados em diversos cantos do planeta Terra. Caso nós soframos algum tipo de ameaça, atentado, ou caso a vida da nossa Rainha seja terminada por um dos seus servos, os monstros espalhados por lá tem ordem para acabar com aquele mundo. E, quanto ao resto de nós, temos ordens explícitas para acabar com o seu mundo. Ou seja, o que queremos que você entenda é que: agora, não existe mais como nos deter. A não ser que o senhor queira ser o responsável por acabar com a paz do universo."

O príncipe ainda não acreditava nas palavras que ele estava ouvindo. Ele havia perdido o controle do planeta Terra. Suas mãos estavam atadas. Não poderia recorrer a ninguém, nem seu pai... Muito menos ao seu pai. Ele provocaria outro dilúvio nos dois outros planetas e tudo estaria acabado do mesmo jeito. A única opção era concordar a fazer tudo o que eles quisessem. Quem sabe poderia salvar uma parte das pessoas no fim das contas.

"E então Vossa Alteza? O que vai ser? O Senhor vai honrar o compromisso que fizera há alguns anos de deixar o Rei do Makai governar? Ou o Senhor se opõe a nossa Rainha e prefere a destruição de tudo o que existe fora do Makai?" indagou Faro, quase dando um ultimato ao governante.

Koenma estava com a cabeça abaixada. Aquilo tudo era demais para se lidar. Naquele momento, o que mais desejava era não ser ele mesmo... Não precisar tomar essa decisão. Mas sabia o que tinha que ser feito. Era, de certo, a melhor saída a ser tomada, dadas as circunstâncias. Ao levantar o rosto, olhou bem no fundo dos olhos amarelados de Faro, como se pudesse jurar pela própria alma as palavras que sairiam da sua boca e disse.

"Eu me eximo de qualquer ação contra sua Rainha. O que vocês quiserem, eu farei. Vocês têm minha promessa." Faro já estava com um sorriso que mostrava todas as suas presas, quando Koenma completou, "Entretanto, rogo para proteger a vida humana ou, pelo menos, rogo para que vocês não a destruam completamente."

"Não se preocupe. Conservaremos a vida na Terra. Durante esse tempo, pudemos ver que eles possuem muitas descobertas e feitos grandiosos e, extremamente, úteis." Nesse momento, foi a vez de Koenma sorrir, quanto Hai completou. "Além do que, você acha que nós somos idiotas de esgotar nossa fonte de alimentos?"


Capítulo dois, leitores! Desculpem ter colocacado o outro capítulo de teste, mas eu não estava conseguindo postar o primeiro capítulo direito!

Espero que vocês gostem e podem deixar reviews, viuu? Mesmo que seja uma "está uma porcaria, pode apagar tudo!"! :P Se bem que eu espero que nao seja uma dessas! ;)

Beijao pra voces, até a próxima!