A história começa com uma moça – a história da moça começa
O tempo tinha parado no meu mundo. Levantei o rosto e encarei as centenas de pessoas passando naquela estação. Todos pareciam ter um destino tão certo. A maior parte delas andava num trote tão rápido que poderia ser considerado digno de corredor de maratona. Seria tão errado pensar mal daquelas pessoas, considerando o que eu ia me submeter? O que eu abri mão? Será que existia outra solução? Outra opção para mim? Me senti tonta. O meu tempo tinha parado, mas o mundo em minha volta continuava girando mais rápido que nunca. Eu não podia continuar, era fato. Quando girei meu corpo para tornar meu caminho de volta...
"PFATTT!" ... e cinco malas espalharam-se ao meu redor.
"Ragazza stupida! Guarda cosa hai fatto!" Um senhor de aproximadamente cinqüenta anos com uma barriga de, no mínimo, uns cento e cinqüenta, havia me atropelado no local em que eu estava delirando.
Meu italiano não chegava nem perto das coisas que esse homem devia estar me chamando. De tudo o que ele disse, o que eu entendi foi, basicamente, 'menina estúpida'. É certo que não podia duvidar dele sobre isso nesse momento. Se fosse um pouco mais esperta, tinha conseguido um jeito de sair da minha situação atual e continuar em casa com as pessoas que eu repente, Minha mente voltou ao planeta Terra, mais especificamente, ao homem buchudo e vermelho de raiva caído no chão, mas a única coisa que eu consegui juntar dos meus 'amplos' conhecimentos lingüísticos foi "Mi scusi! Mi scusi signore!".
"Ma non essere lì! Aiutatemi a raccogliere la mia roba! Essere utile!" latiu o italiano. E, obviamente, eu continuei com o "Mi scusi! Lo non parlo italiano!" com uma cara de turista arrependida.
O senhor levantou-se e recolheu suas duas malas gigantes com certa dificuldade. Assim, olhou mais uma vez com desgosto para meu rosto e disse "Gringo idiota! Torna al tuo paese, perché i turisti come voi stronzo a italia come hai abbastanza!"
Como vocês já devem imaginar, eu só entendi mesmo a parte do 'gringo idiota, volta ao seu país'. Aquilo me revoltou de uma maneira que eu gritei em português mesmo "Por que moço? O senhor acha que não vai sobrar pizza pra encher esse barrigão? Se preocupa não, que daqui há poucos anos o senhor tem um infarto de qualquer jeito, viu?".
...
Eu havia acabado de bater boca com um italiano só porque ele era estúpido? Essa não! Eu sei que sou melhor que isso! Meu Deus... tudo isso está me levando a loucura! E isso não pode acontecer. Eu tenho que voltar a me concentrar. E, principalmente, eu tenho que me concentrar para voltar viva no final. Apanhei minhas malas e tentei me ajeitar da melhor maneira possível. Procurei o quadro de horários e chequei rapidamente o número, a hora e o local do trem para Gênova. Então, me dirigi ao terminal.
...
Quando tudo começou, eu tinha vinte e dois anos... isto é, no dia da grande revelação. Eu lembro que foi na manhã pós-festa do meu aniversário, dia dois de agosto. Não posso dizer ter estado presente (ou melhor, acordada) em frente à televisão na hora exata do anúncio, mas fiquei sabendo logo em seguida. Foi uma surpresa. Uma surpresa boa. Lembro até de acordar na hora do almoço e minha mãe vir me dizer, toda aflita. "Viquiii! Você não vai acreditar! Os ETs existem!" Obviamente, eu fiquei com a maior cara de pastel não acreditando que minha mãe, uma das pessoas mais céticas do mundo, uma das pessoas que mais tirava sarro das minhas paranóias, estava me dando àquela notícia, aí ela complementou "Ai minha filha! Que bom que você sempre trancou as janelas dos banheiros! Imagine se eles resolvessem entrar aqui primeiro?" Só de lembrar isso me faz sorrir... bons tempos esse!
Em toda minha vida, tive a sensação que faltava alguma coisa... Que existia mais além de tudo o que o ser humano conhecia. Tanto acontecia na vida das pessoas que ninguém conseguia explicar. Tinha que existir mais. Os sonhos, aqueles pressentimentos, aquelas sensações atrás da cabeça que me faziam ir pelos caminhos certos, fazer tudo correto mesmo sem saber exatamente o que estava fazendo... Não podia ser só intuição. Em algum grau eu até me achava meio maluca por isso... Logicamente, essas coisas não deviam acontecer só comigo! Pelo menos isso eu aprendi direito na faculdade: por mais raro que um fenômeno fosse, tudo tinha um antecedente. E, assim, eu dava cabimento a minha idéia de achar minha vida incompleta... E, naquela hora, eu tinha certeza que existia mais. Pelo menos, havia um mundo inteiro que nunca encontramos... Com seres tão fantásticos que conseguiram chegar, até aqui, intactos.
Obviamente, eu me incorporei ao grupo do pró-integração. Nunca pude participar efetivamente dos comícios, passeatas e exposições realizadas, pois estava no início do meu terceiro ano de medicina, mas não por falta de vontade. Em minha cidade, Natal, capital do estado Rio Grade do Norte no nordeste do Brasil, não recebemos nenhum visitante oficialmente. Dos primeiros dezesseis, o único alocado na América do Sul foi para o Chile, pois os líderes mundiais alegaram que o Brasil tinha o sistema de defesa menos preparado que o do nosso vizinho. Mas esse pensamento logo mudou. Quando o número de aparições cresceu, houve uma busca desesperada por novos locais de moradia para os visitantes, e rapidamente as principais cidades do país começaram a servir de casa para os alienígenas...
Fiquei bastante animada no momento em que nomearam Recife, como uma das capitais sedes. Tinha grande interesse em ver "de perto" o ser destinado àquela cidade. Entretanto, uma prova de obstetrícia literalmente do outro mundo me manteve estudando durante sua chegada no aeroporto e, depois disso, ele ficou guardado tão secretamente que isolaram até seus cuidadores da sociedade, para que pudessem atestar que ele era seguro para vir ao convívio publico. No fim das contas, esse nunca chegou a sair às ruas, pelo menos até começarem os problemas. Então, só cheguei a "ver de perto" mesmo, um deles, quando as coisas já estavam fora do controle das autoridades, e eles apareceram de surpresa aqui em Natal. Foi bem assustadora, aquela época. As pessoas estavam com medo de sair e desaparecer como o povo falava... até eu cheguei a conhecer alguém que desapareceu sem deixar vestígios! Nosso professor de Ética Médica... ele sumiu na semana da revisão pré-prova, e todos nós pensávamos que ele estava se vingando com a turma pois fomos, realmente, bem cruéis com ele durante o semestre... Mas, na semana seguinte (no dia da prova), esperamos por mais de duas horas na sala, quando chegou o secretário do coordenador com a notícia que a mulher do professor havia entrado em contato com a universidade e contado do sumiço dele. O Resultado: não houve prova de Ética Médica, e o coordenador foi obrigado a passar todos com 10,00... Mas, até mesmo com a nossa nota, não ficamos tão felizes quanto o normal. Era como se tudo o que nós estávamos vendo pela televisão, em fim, houvesse nos alcançados. A maior parte das nossas atividades ao ar livre foi cancelada. Praticamente não comemoramos mais feriados ou datas no ano seguinte... Nossa vida se resumiu a lugares fechados, como faculdade, academia, clube indoor, hospital, por mais ou menos dois a três meses. Ninguém andava mais sozinho. E eu sentia falta do ar puro, do meu espaço, de meus momentos de reflexões no carro indo para o hospital, de tudo como era antes. Nesse estágio, eu não pertencia mais do grupo dos prós, mas o grupo dos contra havia sido muito visado pelos invasores e não havia mais passeatas, nem protestos, todos eram secretamente do contra... Resumindo, a vida estava uma droga. E continuou assim até eles tomarem o controle.
Hoje, eu tenho vinte e cinco anos. Nossa vida, impressionantemente, melhorou bastante desde que eles se declararam os novos lideres mundiais. O caos passou. A sociedade foi reorganizada da maneira que eles quiseram. Eles se tornaram os governantes de todas as regiões do mundo. Eles haviam se espalhado por todas as atividades econômicas do mundo. E, quando não fossem eles próprios os chefes e diretores dos diversos setores do nosso planeta, os humanos empregados deles ficavam com o peso dessa função. Virou comum encontrar um dos extraterrestres na nossa vida cotidiana. Eu, nem tanto, no máximo eu via um por semana, porque continuava na faculdade e a minha medicina era a de humanos, mas algumas pessoas tinham que conviver com esses seres diariamente.
Os humanos se tornaram parte-escravo. É meio difícil de entender, mas não é tão ruim como parece. Somos permitidos viver nossas vidas normais, exceto quando necessitem de nossa ajuda. Nessa hora, devemos obedecer, e todos vivem felizes para sempre desde que nós o façamos sem nos rebelar. Por exemplo, de mim, já pediram para ajudar a preparar uma das festas na casa do governador. Não foi nada muito pesado não, ficou até bem divertido o trabalho com o pessoal que estava lá. Eu era a responsável pela decoração e organização das mesas e cadeiras. Entretanto... existem histórias bem horríveis de como mães foram obrigadas a entregar bebês acima do peso para que eles fossem "curados", e nunca viram seus filhos de novo... também já escutei de como eles gostam de entrar em desfiles de moda e fazer "teste drive" nas modelos e nos modelos que vão se apresentar... E vários e vários outros boatos. Eu duvido muito que tudo seja verdade. Os desaparecimentos diminuíram... ou pelo menos, nós achamos que diminuíram. Em minha opinião, eu acredito, por diversos fatores, que alguns deles devem desejar carne humana, mas não todos. E, quando os que não desejam tomaram o poder, eles não deixaram mais os que comem humanos a solta. Ou pelo menos, restringiram a dieta deles... um pouco.
Voltando a vida de semi-escravo... acima de tudo, existem regras. Regras de comida, moradia, viagem, carros, ensino, etc. Dependendo da qualidade de vida que você tinha anteriormente, você era muito afetado. Alguns de nós fomos obrigados a doar nossas casas e carros aos demônios invasores. Nossa comida agora era racionada, e a quantidade de cada pessoa dependia de uma série de fatores como: exame médico, idade, sexo, filhos, profissão, comorbidades e se era colaborador ou não dos governadores. Muita gente passava fome, um pouco mais que anteriormente. Certo, então nossa vida não era tão normal quanto antes, mas ainda era algo tolerável, principalmente porque não mudou drasticamente nossa escala social, ou seja, os que passavam fome continuavam a passar fome, os que não passavam fome... A maior parte continuava sem passar fome. Minha família, antes da invasão, possuía uma boa quantidade de bens e nós vivíamos confortavelmente. Após, fomos obrigados a entregar alguns de nossos carros e casas, mas conseguimos continuar com três carros e nossa cobertura a beira-mar. A comida, entretanto, virou ração de cachorro para o que éramos acostumados... De nós cinco, meus dois irmãos e meus pais, quem mais sofreu foi meu pai. Ele era apreciador de bom vinho, queijos e tudo mais de importado. Nunca entendi como ele se mantinha magrinho quando só fazia trabalhar e comer. Eu, na verdade, estava bastante contente. Estávamos todos bem, com saúde e ativos, eu isso me mantinha feliz...
...
Até o dia em que uma carta chegou. Era uma convocação para algum tipo de centro de treinamento. E era para mim. Eu não havia me inscrito em nada nesse ano, nem no concurso de residência médica, ainda (já que eu estou no sexto e último ano)! Também tinha certeza que nem meu namorado, nem meus pais me inscreveram, visto que eles ficaram mais espantados com essa situação que eu. Na carta, não dizia muitos detalhes sobre como seria esse tal treinamento, nem onde era, nem por quê. Apenas que eu havia sido selecionada dentre vários candidatos pelo General Kurama Yoko e tinha trinta dias para responder e comparecer ao local da concentração dos selecionados no porto de Gênova, Itália. Havia anexada uma passagem de avião de ida Natal-Recife-Milão e outra de trem Milão-Gênova, datadas para um mês depois.
"Vitória! Lógico que você não vai! Ponto! É só reenviar a carta para esse tal General aí! Ele não pediu para responder, não foi? " disse minha mãe, D. Ruth.
"Mãe, calma... A gente precisa saber o que é isso primeiro. Se for alguma coisa importante? Que eu realmente não possa faltar!" falei na minha péssima tentativa de consolo.
"Mas, Velhinha... é seu penúltimo semestre de faculdade. Imagina se isso faz você perder sua turma!" meu namorado, Caio, indagou.
"Meu Deus! Vocês ficaram cegos? Vocês não conseguem entender? Nós não estamos vivendo como antes! Tudo mudou! Vocês querem arriscar toda a família agora? A gente não pode negar isso a eles assim! A gente precisa de mais informação sobre essa convocação, sobre tudo isso, pelo menos, antes de qualquer coisa." Disse meu pai, Dr. Alfrêdo.
"Ai de mim se alguma coisa acontece com essa menina, Ô Frê! Isso não é como as tarefas que eles dão pra gente não! isso é em outro país! Um que ela nunca foi sozinha ainda! Como eu vou mandar minha bebezinha por aí sem nem saber onde ela vai parar? O que ela vai fazer?" Mamãe continuava a surtar feito só ela.
"Mas mãe... nós temos que nos proteger. Se é uma coisa que eles estão requerendo, nós temos que fazer. É assim que conseguimos continuar a viver como nós temos vivido até hoje. É assim que vocês me ensinaram a ficar viva até hoje..." Expliquei pra mamãe que nessa hora já estava chorando. Papai foi tentar consolá-la, mas foi recusado, já que ele estava, no fundo, concordado com o meu pensamento. Virei para Caio e disse.
"Dedinho... vamos sair um pouco. Dar uma andada, sei lá. Você precisa voltar pro hospital agora?"
"Daqui a pouco... mas vamos sim... pra praia? Pode ser?" Caio, todo amoroso, sabe que eu sou apaixonada por andar na praia.
E assim caminhamos até a beira do mar em frente a minha casa. Tirei as sandálias e molhei os pés nos resquícios de ondas que vinham se derramar nas areias brancas das praias potiguares. O fim de tarde nunca tinha sido tão lindo quanto aquele. O céu era um dégradé de vermelho, laranja e azul, e a lua começava a fica visível transparente numa parte do espaço. Respirei o ar salgado misturado com o aroma de peixe fresco das barracas de praia e olhei pra Caio, que parecia digerir uma das piores refeições do universo.
"Meu dedo lindo... parece que você está sofrendo de um caso grave de indigestão!" brinquei.
Ele parou qualquer coisa que estivesse pensando, olhou para mim e sorriu "Então ainda bem que eu tenho minha médica particular pra cuidar de mim!" ele sempre era assim. Tão... agradável de se estar por perto. Eu o conheci num grande congresso de gastroenterologia que teve aqui em Natal, há um ano e meio. Ele foi um dos médicos palestrantes. Fiquei mais tarde para tirar algumas dúvidas, quando ele me confidenciou que tinha acabado de se formar, e estava no lugar de seu pai, mas ninguém tinha percebido porque eles têm o mesmo nome. Começamos a namorar logo em seguida e estamos juntos até hoje.
Abracei-o, emocionada com os meus próprios pensamentos "Você sabe que eu vou ter que ir, não sabe?" sorrindo, ele assentiu com a cabeça. "E você promete que não vai ficar chateado comigo por isso?" tirando o meu cabelo do rosto, ele disse "Eu não posso ficar feliz por isso. Mas, mesmo você parecendo até estar animada com essa viagem, eu também não posso culpar você por ela..." fez uma pausa, fazendo sinal que ia continuar, "o que me deixa mais chateado é porque não diz quanto tempo tudo isso vai durar nessa carta e..."
Nessa hora, eu me revoltei. Ele já tinha falado sobre esse negócio de tempo, faculdade, minha turma... Oras! O que me valia uma formação superior se minha família passasse necessidade por um capricho meu? A faculdade resistiu centenas de anos! Resistiu guerras, a ditadura, o ano maldito dos invasores! Ela iria resistir mais um pouco, durante esse treinamento... eu sabia disso! Como ele poderia encrencar com um problema desses?
"Caio Frota Souza! Sério mesmo, eu amo minha turma, eu quero ser médica, mas eu preciso fazer isso! E como você fica dizendo que eu to animada com isso tudo? Você não viu como tá as coisas lá em casa desde que chegou essa bendita carta não? Eu só ..." E uma mão veio na minha boca, me impossibilitando de continuar.
"E, como eu estava falando, eu estava planejando em lhe pedir em casamento na noite da sua formatura." Disse ele com um sorriso maléfico.
...
"Pelo menos, eu consegui lhe deixar sem palavras!" tirando a mão da minha boca, ele olhou nos meus olhos, e me abraçou pela cintura. "Eu não queria fazer isso durante sua faculdade porque sei o que você pensa sobre ser independente. Mas eu também quero muito começar minha vida de independência também... ao lado da minha mulher, eu digo..." outra pausa, olhou para o céu, fechando os olhos, como se estivesse se controlando pra não explodir. "Mas, se mais tempo é necessário pra isso... mais tempo será." Sorrindo, ele me beijou. Assim que eu recobrei meus sentidos, disse.
"Eu não t-tô animada para ir não!" com a cara franzinha.
"Meu Deus! Eu acabei de dizer que ia lhe pedir em casamento em alguns meses, e o que você fica na cabeça é isso?" e deu uma risada alta, agarrando meu rosto, "é por isso que eu lhe amo, minha pirralha mais idosa do mundo!" e me beijou outra vez. "E você está animada sim! Você vai pra Itália de graça! Pensa que me engana é? Você pode até estar com medo mais também está bem ansiosa com o que vai encontrar!"
No fundo, era verdade. Ele realmente me conhecia. E eu era extremamente sortuda por tê-lo encontrado em minha vida.
Sorrindo, eu disse "Você promete cuidar das coisas aqui até eu voltar?" Ele concordou com a cabeça. "Você promete que não vai se meter em confusão?" ele sorriu mas também assentiu . "E você promete que vai me esperar e me pedir em casamento na noite da minha formatura?" eu perguntei provocando ele com cócegas na barriga. Ele sorriu mais ainda, levantou meu rosto e me beijou. Infelizmente, o celular dele tocou logo após isso, e ele teve que voltar correndo para o hospital. No caminho para pegar suas coisas em minha casa, eu lembrei de algo que estava na minha mente desde a primeira vez em que li a carta.
"Meu dedo... você assistia a Yuyu Hakusho quando era criança?"
Me olhando estranho, ele respondeu "Na verdade não... eu só vi uns episódios, mas eu gostava daqueles de futebol mesmo... Supercampeões eu acho... Por que isso, de repente?"
"Porque... O ruivo, que era um dos personagens principais, se chamava Kurama Yoko."
