Num bar, Numa noite, Numa lágrima.

*** Cidade de Kuroishi, norte do Japão, alguns meses atrás ***

Num lugar escuro de um bar qualquer na zona rural da cidade, um homem afogava suas lágrimas em bebida. Ele havia chegado cedo ao estabelecimento e, agora, no meio da madrugada, encontrava-se em um estado quase comatoso, quase vegetativo, semi-deitado na mesa de botequim que tanto lhe servira de consolo.

O Bar Arukōru era um local onde os fazendeiros e granjeiros do campo paravam na ida e vinda da feira e dos seus estabelecimentos na cidade grande. O seu maior movimento era à tarde, reservando a noite para as pessoas que estavam à procura de companhia ou de se aventurar com um dos visitantes da cidade. Raramente, os clientes se alteravam na bebida, nessa época. Logo, foi com surpresa e apreensão que o dono do lugar, S. Nikko, tentou acordar o dito homem, sem obter sucesso. Não era dia de atender os Governadores, mas, a qualquer minuto, outro invasor poderia aparecer por ali para um drinque antes de se deitar. Não seria bom para o status do boteco servir de abrigo para beberrões embriagados. Após algumas tentativas, resolvera lhe deixar dormir em paz, visto que ele se encontrava no canto do local sem iluminação e que tinha ganhado uma boa quantidade de dinheiro com ele.

Em uma hora da calada madrugada, as portas se abrem. Ao espiar a entrada, S. Nikko e seus dois outros clientes acordados se surpreendem em vê-la vazia. 'Foi o vento' pensou ele e voltou a encher o copo de um dos homens sentados a sua frente com uma garrafa de saquê.

"Saudações a todos. Acredito que ainda estejam funcionando." Disse uma figura alta encapuzada aparecendo do nada dentro do bar.

O coração de S. Nikon quase parou de tão grande susto. Não só pelo aparecimento repentino, mas porque estava praticamente escrito em todos os lugares que aquele não era um cliente comum. E não era de fato.

"S-S-Sim, excelentíssimo. P-p-por favor, sente-se aqui!" disse o velho barman apontando para uma mesa no canto extremo ao do bêbado para o estranho visitante. 'Ao menos eu tenho que desviar a atenção dele daquele beberrão!'

"Muito gentileza sua, senhor. Mas eu prefiro sentar em outro lugar. Se me permite?" disse o invasor com uma voz acetinada, como se estivesse sorrindo dentro do capuz.

Suando frio, S. Nikko respondeu "Mas é claro! Onde vossa excelência preferir!".

Então, a figura alta direcionou-se para o lado da mesa do estranho apagado. E, a cada passo que ele dava, o coração do velho acelerava mais. Até que o visitante parou em frente à mesinha do beberrão.

"Então, é verdade." Disse o encapuzado, olhando o homem deitado em seu próprio vômito. "É mesmo Yusuki Urameshi."

"ruumm.. arummm.." resmungou o bêbado.

"Muitas pessoas me falaram da sua decadência, Yusuke. Logicamente, eu não consegui acreditar." A figura contou, com a mesma voz acetinada que falava com o dono do estabelecimento e continuou. "Somente quando Chu me contou que lhe viu pessoalmente..."

"E o que é que você tem a ver com isso?" respondeu irritado, o bêbado, que acordou e estava levantando o corpo da mesa, mas continuando sentado. Seu olhar era de fúria quando ele falava. "Responda! Ku-ra-ma." E disse a última palavra como se veneno saísse de todas as suas sílabas.

O visitante afastou o capuz do rosto e, retirando sua capa, deixou cair seus longos cabelos vermelhos. Um cheiro de flores tomou conta do local. Rosas e terra molhada, mais especificamente. O olhar de tristeza e arrependimento era uma sombra no rosto daquela pessoa que dificilmente a falta de luz conseguia esconder. Era quase uma pintura melancólica que os olhos não conseguiam desviar a atenção.

"Eu tive que vim aqui. Eu precisava lhe ver, meu amigo." A voz que antes era doce, proferiu as essas palavras de maneira duvidosa. Somente quando ele falou a última parte, pôde-se ver um brilho de esperança, talvez um esboço de um sorriso nas feições esculpidas daquele visitante.

"Amigo." repetiu Yusuke. "Amigo. Aami-iigo" Suspirou ele, puxando as lágrimas que já voltavam a descer nas suas bochechas.

"Sim, Yusuke." Respondeu Kurama, estendendo a mão para segurar a do seu companheiro. "Eu estou aqui para você, agora." E se achou segurando o ar ao invés da mão do meio-demônio.

"Amigo como você eu nunca precisei." Falou rispidamente como se toda sua tristeza tivesse se transformado em raiva, outra vez. "Você! Cadê você, no dia de nossa luta? Cadê, no dia que eu precisei? Cadê? Se você tivesse sido forte, como nós, nós teríamos vencido!" falou apontando o dedo para o rosto de Kurama. "Ou melhor, você até podia ter sido fraco. Por mim, pouco importa se você perdesse a luta! Mas tudo, tudo, tudo era melhor do que você é hoje."

"Yusuke, por favor, eu lhe rogo que ouça a razão." Disse o ruivo.

"Não existe razão, idiota!" gritou o bêbado, para desespero do S. Nikko, que já estava escondido atrás do balcão com seus outros clientes, temendo que o beberrão insultasse mais ainda o visitante. "Não existe mais razão para viver!"

"Meu amigo, eu sinto muito. Eu não pude ir com vocês." Disse abaixando os olhos, kurama.

"Ela morreu Kurama. Você sabe que ela morreu." Disse Yusuke, voltando a chorar. "E você sabe que foi tudo culpa sua!"

"Yusuke!" implorou.

"Não! Keiko foi morta! Ela foi morta por minha causa, Kurama! Ela, minha mãe e meus sogros morreram por nossa causa, Kurama!"

"Yusuke! Eu nunca quis que Keiko morresse! Eu não podia fazer nada! Eu estava de mãos atadas como você!" replicou a raposa.

"Mas eu não me juntei a eles!" e, se levantando da cadeira, agarrou os ombros do amigo no outro lado da mesa e gritou "Eu-não-me-juntei-a-eles!", ameaçando dar-lhe um soco.

"Mas eu o fiz para salvar os que eu amo." Falou Kurama, olhando nos olhos de Yusuke. "Me desculpe, mas eu não pude ajudar vocês. Não daquela vez." Terminou e uma lágrima escorreu pelo seu rosto e, Yusuke, vendo seu brilho, soltou seu ex-companheiro e andou em direção a saída, deixando o ruivo sentado naquela mesa suja do canto escuro.

"E eu ainda os amo." Disse Kurama, num suspiro, deixando outra lágrima cair.


Após algum tempo, S. Nikko saiu do seu esconderijo, estremecido e falou "O senhor está bem, excelência? Quer que eu chame alguém ou lhe traga alguma coisa?"

Kurama olhou para velho, levantou-se da cadeira e falou "Não, estou bem." Tocou no ombro do barman e completou "Somente, espero que vocês guardem esse episódio para si mesmo." E saiu em direção à rua.

"É muito tarde para se fazer o certo, kurama..." Ouviu assim que deixou o bar e virando-se, viu Yusuke apontando o Reigan para seu peito. Não se mexeu. Ele sabia que eles poderiam acabar com o continente se os dois estivessem compromissados numa briga, mas, apenas, virou-se para o amigo para que seu golpe atingisse diretamente o seu núcleo.

"Pra mim... E você ainda continua todo errado." engoliu algo que estava preso em sua garganta, a algum tempo, abaixou seus punhos e continuou, "Tenha uma boa vida, Kurama Yoko. E não me procure mais." Assim, Yusuke desapareceu na neblina da madrugada.

'Eu sei, amigo. Me desculpe por tudo, mesmo assim.' Mandou por telepatia para os arredores. Desse modo, abriu um portal na floresta e, voltou em direção ao mundo dos monstros.


Queridos!

Eis aí outro capitulozinho para a felicidade geral da nação! Eu sei deu uma quebrada na história, mas eu achei legal, pq, como apontado nas reviews, estava uma história muito sem os meninos do YYH! Lembrando, que isso ainda é background info! :P E o q vcs acharam? Keiko morreu! Será que Yusuke perdoa Kurama? Ou será que trair os amigos para salvar os que ele ama foi mto pesado p se perdoar?

Por favor, aceito reviews! tanto boas como más!

beijo a todos!