Capítulo 5 : Enfim, informações, navios e Kurama!

Estávamos no fim do salão diante dos portões esquerdos e ainda não conseguia acreditar no que os meus olhos me diziam. O lugar estava muito cheio, uma multidão de pessoas nos pressionando por todos os lados. Mesmo assim, parecia que ele estava a dois passos de distância. Parecia até que ninguém mais existia.

"Gostaria de pedir desculpas aos senhores e senhoras pela longa espera. Nós trabalhamos ao máximo para que tudo estivesse a altura de vossas senhorias." Disse ele numa voz afável abaixando os olhos após o fim da frase, como se realmente estivesse se desculpando a cada um de nós pessoalmente. "Antes de prosseguirmos ao assunto de nossa reunião, gostaria de me apresentar e a minha equipe." Colocando sua mão no peito falou. "Meu nome, é Yoko Kurama. Eu sou um dos Generais Coloniais do novo Reinado da Terra e sou o responsável direto por essa missão." E, assim, apontou para Van, ao seu lado direito, e disse. "Essa é Van Hafada, ela faz parte do secretariado da nossa equipe…"

Não é que eu não conseguia enxergar direito, ou estava muito longe para escutar. Eu conseguia ver e ouvir bem tudo o que se passava no palco. Mas, simplesmente, eu continuava tão extasiada quanto no primeiro momento, com a mesma cara de abismada desde o momento que ele surgiu. A menininha de 10 anos dentro de mim havia tomado conta. E aquela voz só deixava meu transe pior. Eu só conseguia pensar, 'Ele é real. Ele, realmente, é real. E tem uma voz linda. Meu Deus! Ele é real.' E mais em nada.

"ACORDA MENINA!" gritou Jéssica sacundindo meus ombros.

"Hã? Quê?" Eu perguntei, em português.

"Ele já está explicando o que a gente está fazendo aqui! Não quer ouvir não é?" perguntou ela apontando para Kurama.

"Ah! Já é?" falei dando um sorrisinho envergonhado, "Eu acho que eu estou muito cansada! Nem tava prestando atenção!" Nessa hora eu estava procurando um lugar onde esconder minha cabeça já.

"Eu vi! Pois então pode parar de dormir acordada! Vai parecer bem mais um pesadelo do que um sonho isso aqui se a gente não se cuidar!" avisou Jéssica se voltando ao discurso de Kurama e me deixando sozinha me sentindo culpada por estar voando alto nos meus pensamentos de aficcionada por YYH.


"Então, se os senhores concordarem, irão passar por estes portões ao meu lado e embarcar num dos nossos navios para o destino seus respectivos destinos." Explicou Kurama. "Seus nomes já foram previamente selecionados para cada embarcação e lá terão uma cabine onde poderão se acomodar durante o percurso. Maiores informações sobre a travessia serão repassadas quando estiverem a bordo." Disse num tom de encerramento, finalizando com um sorriso no rosto.

Aparentemente, eu tinha viajado pela maior parte da explicação. Houve uma certa comoção ao nosso redor e Jéssica estava com uma cara franzinha ao meu lado. Aparentemente, seja lá o que ele tinha para falar, não foi coisa boa.

"Jéssica, desculpa perguntar, mas o que aconteceu? Ele falou algo de errado pras pessoas reagirem assim?" perguntei a minha pequena colega ao lado.

Ela inicialmente me deu um olhar de desconfiada. Depois, falou "É exatamente o que ele não falou que é preocupante. Em resumo, ele pediu para que embarcássemos rumo a uma missão que não saberíamos até chegarmos às embarcações." Voltou a olhar para frente e continuou a explicar, "Nem o local, nem a duração, nem a natureza da proposta ele revelou. Apenas disse que caso nós aceitássemos a missão, deveríamos fazê-lo com a maior seriedade possível." Estava com um rosto tenso, como se estivesse preocupada com mil coisas ao mesmo tempo, "Na verdade, o que ele está pedindo é para nós confiarmos nele, às cegas." E virando o rosto para mim, finalizou, "E o mais estranho de tudo, ele nos deu a opção de recusar a proposta. Agora, pelo menos." E continuou com um semblante pesado, como se estivesse esmiuçando todas as letras daquela proposta.

Processar tudo aquilo pós toda a viagem e o estresse de todo aquele luagr era pedir muito. Além da aparição do palco ter anestesiado um pouco meus sentidos, minha cabeça estava cansada demais de tudo aquilo para superanalizar a situação (mais uma vez).

"Sabe… Pode parecer premeditado, mas eu vim até aqui sem saber nada sobre tudo isso. Não é agora que eu vou parar. Para mim, continua do mesmo jeito de antes." E comecei a pegar minhas malas do chão e iniciar a caminhada entre as pessoas para os portões quando notei que estava andando sozinha.

"Você vem?" perguntei girando meu tronco para trás chamando Jéssica.

E, depois de um momento de hesitação, ela confirmou com a cabeça, "Quem vai cuidar da senhorita Miss Brazil se eu não for?". E nós duas sorrimos e nos dirigimos a direção indicada.


Jéssica e eu nos dirigimos para a primeira embarcação que vimos, o navio Maria Antônia. Ao chegar perto do casco do barco com as pessoas que nos acompanhavam desde o salão, encontramos um membro da equipe do general checando as identidades das pessoas que já estavam embarcando.

"Identificazione Signora?" perguntou o rapaz com pele de escamas e garras nas unhas, ao extender uma mãos pedindo nossos documentos. Ao entregarmos nossos passaportes, ele acessou um programa em seu tablet e completou em inglês. "Prossigam até o salão de apresentações no quarto andar, onde realizaremos nossa reunião e partiremos, daqui a uma hora." Ambas assentamos com as cabeças e procedemos ao local indicado.

O interior do navio era masjestoso. Luminárias de cristal, um carpetado com gravuras magníficas no piso, paredes decoradas, escadas ornamentadas. Tudo no navio transpirava luxo. Um luxo que há muito tempo eu me desacostumei. Era como se estivéssemos inseridos no lugar dos invasores, agora.

O salão do quarto andar a mesma coisa. Um palco bem servido de luzes e som. Era bem grande, havia lugar para umas 400, 500 cadeiras. Dois pisos de poltronas confortáveis com mesinhas de apoio que pareciam lembrar os teatros dos transatlânticos pré-invasão, onde os ricaços do planeta assistiam seus shows em alto mar. 'Desse jeito, pode ser até confortável passar uma hora aqui', pensei. Em seguida, notei nossos 'seguranças', dois monstros brutamontes, em cada extremidade das poltronas. Ao todo, haviam em torno de 10. 'Acho que um só daqueles dali, já bastava para todos nós daquele galpão!'.

Depois de nos acomodarmos, minha mais nova amiga e eu ficamos conversando sobre como era nossas vidas em casa. Até que uma hora se passou e escutamos a vibração dos motores sendo ligados.

"Bom, eu acho que é isto então! Estamos finalmente partindo!" disse à Jéssica, com excitação.

"Acho que sim. Olha o General Kurama ali na porta!" apontando para a direção de onde viemos.

"Ai Meu Deus! Ele está vindo nessa direção!" retruquei escondendo meu rosto, para não deixá-la me ver enrubescida. 'Imagine só! Eu acabei de contar toda a história minha e do Caio! O que que ela pensaria de mim?'

"Ehhrr… Victoria? Pode deixar de se esconder… Ele passou já! Já está subindo no palco!" avisou ela, obviamente notando minha falta de destreza em esconder minhas bochechas vermelhas.

"Ele cheira bem, né?" completou dando uma cheirada barulhenta no ar onde Kurama tinha acabado de passar.

Eu não tinha notado antes, mas o ar do navio ficou cheirando tão fresco quanto o jardim de frutas que mamãe tinha em nossa casa de campo. Eu não sei bem identificar o que é exatamente. Mas era um odor revigorante.

"É… eu nem tinha notado antes!" respondi a ela, ainda sem graça. Depois disso, ela fez uma careta, como se não estivesse acreditando muito no que eu estava falando, mas pelo menos ela foi educada o bastante para deixar o assunto de lado.

Kurama estava conversando com algumas pessoas do staff do navio, quando pegou o microfone, e começou.

"É com grande admiração que lhes dou boas-vindas ao navio Maria Antonia. Estou bastante contente com o número de pessoas que aceitaram embarcar conosco. Nossa frota está composta de sete embarcações, totalizando aproximadamente dois mil convidados. " e limpou a garganta depois disso. "Além, de grande número de demônios envolvidos no processo de trânsito. " e deu outra pausa, olhando para a plateia atentamente.

"Sem mais delongas, estamos indo em direção a uma ilha." Sua voz suave estava mais grave ao falar sobre isso. "Nela, os senhores passarão por um treinamento rigoroso, composto por várias etapas." E limpando sua garganta outra vez, continuou. "Cada uma dessas etapas será revelada após ter sido concluida a etapa anterior."

"E como saberemos se vamos querer nos submeter a essas provas, senhor General?" perguntou um rapaz gordinho em minha frente.

"Vocês já concordaram, senhor." E continuou. "Ao terem se submetido as normas da nossa proposta, vocês automaticamente concordaram de participar de todas as provas que por frente estiverem até que achemos que os senhores estejam preparados."

"Mas General, a minha pergunta, na verdade, é: SE, somente, SE não estivermos aptos para vencer essas provas? Por exemplo, eu não tenho disposição para correr! Se uma das provas for de corrida? O que eu posso fazer?" perguntou outra vez o gordinho.

"Senhor Muller, eu sugiro então que comece a correr." Disse Kurama num ar de seriedade. O gordinho engoliu nervosamente algo que estava em sua garganta e, pela sua cara, vimos que não desceu muito bem. No início eu achei que ele estava até brincando, colocando medo naquele homem. Mas, pensando melhor, ele nunca faria alguém sem graça desse jeito em meio a tantas pessoas.

"Meus senhores, os que não conseguirem completar as provas, serão cortados do programa. Eu sugiro a cada um de vocês, não se enquadrem nesse grupo." E terminou a frase num tom tão baixo que parecia uma ameaça para cada pessoa daquela sala.

Nesse momento, alguém gritou alguma pergunta não entendível do local onde estávamos e ele respondeu.

"Não temos ao certo uma previsão de quando essa missão estará terminada. Os senhores devem ter se preparado para a possibilidade de que ela dure um longo período. Na verdade, tudo vai depender do desempenho de vocês. Em relação a comunicação exterior, não haverá nenhuma. Assim que chegarmos a ilha, estaremos permitindo o seu último contato com seus entes através de diversos videofones instalados provisoriamente nos nossos alojamentos."

A mesma voz estridente perguntou outra coisa e ele continuou. "Sim, é possível que sejam anos. " E com isso, meu coração afundou.

"E o senhor acha certo nossas famílias passarem tanto tempo sem ter notícias nossas?" perguntou Jéssica, cujos olhos podiamos ver nitidamente que estavam se formando lágrimas. 'Ela chora? Tão valentona assim?''Ai Meu Deus! Ele está olhando para cá!'

"Não senhorita Destin. Seus familiares assistirão ao nosso programa de televisão para obter notícias suas." E obteve risadas com essa resposta, mas continuou. "No meu mundo, existe um pequeno ser voador que chamamos de Toransu. Eles são basicamente organismos mecânicos que tem o poder de seguir e transmitir imagens através de ondas eletromagnéticas." Quando cessaram-se os risos, concluiu deixando todos boquiabertos. "Em outras palavras, imagens suas serão transmitidas durante toda sua estadia na ilha. E seus familiares poderão lhe ver todos os dias, caso assim desejem."

"Então, eu posso mandar mensagens para eles? Só eles que não podem me responder?" retrucou Jéssica.

"Sim, de certo modo. Não estaremos transmitindo imagens de uma só pessoa, 24 horas por dia. Estaremos selecionando certas cenas. Seria como se fosse um dos reality shows que vocês assistem, mas que não fosse focado em cenas obscenas e confusões entre os personagens." Respondeu. "Essa é uma tentativa do nosso governo de melhorar a comunicação entre nossas espécies. E erradicar certos mitos." Explicou. "Aqueles que conseguirem se formar no campo de treinamento terão a oportunidade de trabalhar conosco, contribuindo para a melhoria da nossa coexistência na Terra." E fez um sinal de que tinha terminado, esperando a próxima pergunta.

"Obrigada" respondeu Jéssica ao meu lado. Assim que as outras pessoas começaram a fazer perguntas ela virou para mim e falou baixinho. "Eu não sei se eu devo me sentir feliz por minha família estar recebendo notícias minhas. A gente nem sabe como eles vão repassar as imagens da ilha!" parou um pouco, pensativa, e continuou. "Esse cara é muito meticuloso… Faz você parar e pensar se deve mesmo confiar em tudo que ele diz. É como se ele estivesse andando todo o tempo em cascas de ovos sem deixar ninguém perceber!" Por um momento, Kurama voltou seu rosto em nossa direção, como se pudesse ouvir o que Jéssica estivesse falando. Depois, voltou a se focar nas perguntas que estavam sendo feitas a ele sem parecer ter se importado muito com aquele segundo.

Depois de ter sido bombardeado de questões e indagações de todos os tipos, o general passou a palavra ao coordenador do navio, que começou a nos ordenar e entregar as chaves dos nossos quartos. Já que esse era um transatlântico convencional, a qualidade dos quartos melhorava a cada nivel que se subia e, obviamente, os extraterrestres estavam alojados nos andares mais altos. Eu e Jéssica ficamos em quartos vizinhos, num andar relativamente bom (quinto piso), já que fomos uma das primeiras a ingressar nessa jornada maritima (bem melhor que o gordinho medroso da nossa frente do anfiteatro, que iria dormir no -1, junto com vários outros num mesmo cômodo, pois foram os últimos passageiros a embarcar no Maria Antonia).


Era uma viagem de dois dias até nosso destino final. No diário de bordo que encontramos em nossas cabines, não existiria nenhuma parada em terra firme até desembarcarmos na Ilha. Era engraçado pois ninguém dizia o nome da tal ilha em que nós iríamos. Entretanto, essa era a menor das minhas dúvidas.

De acordo com o nosso cronograma pessoal, eu e Jéssica teríamos a tarde livre nesse dia. Após nos alojarmos decentemente, resolvemos explorar os decks da nossa embarcação e marcamos de nos encontrar na proa do deck mais alto, ou seja, no que estava acima da piscina.

Cheguei ao nosso local de encontro pontualmente na hora marcada, pra não deixar espaço pra reclamações. Todos os momentos que eu sentia que minha cabeça queria se deslocar ao mundo dos meus pensamentos, eu tentava focar no fato que eu teria que me aprontar rápido, para não deixar Jéssica esperando por muito tempo. Mas, no fim das contas, o lugar estava vazio e quem ficou esperando lá sozinha, fui eu.

O cheiro de água salgada estava inebriante. Acostumada a sentir esse cheiro todos os dias, nem que fosse do apartamento, ele estava me levando diretamente de volta para casa. E também para questões que eu precisava pensar antes de falar pela última vez com a minha família. E que eu realmente não queria pensar.

O Sol estava batendo nas mini ondas lá embaixo e sendo refletido num dourado magnífico em todas as direções. Pensando bem, parecia até como aquele fim de tarde que a gente viu tantas vezes no filme Titanic, quando Jack abraçava Rose por trás na mesmo lugar do navio que eu estava. Será que eu iria voltar a ver Titanic com Caio, quando nós estávamos entediados em alguma tarde de sábado, sem coragem de fazer mais nada a não ser ficar em frente a TV? Nos últimos tempos, esses momentos tinham ficado cada vez mais escassos… mas eu ainda me lembro deles como se fosse ontem. Será que Caio ainda vai me esperar? Será que ele vai querer me esperar? Eu sei que eu devia contar para ele sobre a quantidade de tempo que eu posso passar aqui… mas será que eu deveria mesmo?

O vento estava soprando rápido pelos meu cabelos. Tanto que eles estavam pingando de molhados quando eu tinha chegado aqui em cima e agora eles já nem estavam tanto. Era tão bom, tão refrescante. Tão excitante que dava vontade de pular nele e sair voando. Para onde eu bem entendesse. Minha mãe vai ficar arrasada. E meu pai vai se arrepender amargamente de ter me apoiado. Quanto tempo eu ficaria sem vê-los? Sem o colo de mãe nas horas que eu precisasse pensar direito? Sem meus irmãos quando eu precisasse abrir alguma tampa de jarro dura? Tá certo… Eles até que serviam para mais que isso! Mas e agora? O sentimento que eu tinha no começo era como se fosse um intercâmbio… Pouco tempo. E agora?

O que diabos seria esse negócio de provas? Que ti-…

"Você parece muito preocupada. É apenas o início da viagem." Disse uma voz masculina, suave, atrás de mim.

Virei para trás bruscamente, e dei de cara com ele. Ele. Ele. Kurama Yoko. Um dos meus sonhos de criança, estava a apenas quatro passos de distância. Provavelmente eu devo ter ficado com uma cara de horrorizada, porque ele logo completou.

"Desculpe, senhorita Arino. Eu não quis lhe assustar." Falou rapidamente abanando as mãos para que eu não caisse da parte mais alta do navio. "Apenas achei que precisaria de uma palavra de incentivo! Só isso!" completou.

"…" Foi apenas o que eu consegui dizer.

"A senhorita está se sentindo bem? Pode ser desconfortável ficar no alto dos navios para as pessoas que não são acostumadas a viagens aquáticas." Disse ele com ar de preocupado visto minha falta de reação. "Se me permitir, eu posso fazer um rem…"

"Não! Não precisa!" eu cortei.

"Sim, tem razão. Desculpe a intro…" replicou, com um ar de ofendido, virando-se para retornar a parte interna do navio.

"Não!" eu gritei. "Não é nada disso! Eu não fiquei ofendida! De maneira nenhuma!" falei após um certo esforço. "Eu não esperava encontrar o senhor aqui, General." E fiz uma pequena reverência com a cabeça, afinal, eu deveria fazer isso para um general, não deveria?

"Então, por favor, desculpe-me o susto." E falou terminando num sorriso. Nessa hora, eu consegui parar para ver bem de perto um dos meus ídolos infantis.

O anime tinha retratado ele todo errado. Primeiro, o cabelo. Não somente a cor, se bem que não era tão rosado quanto na televisão. Era um vermelho mais escurecido. Não dava a idéia de feminilização que o desenho passava. Ele era um ruivo natural. E belíssimo. Ele caía em ondas num repicado até aproximadamente a metade de suas costas. Agora, estava esvoaçado pelo vento, mas não chegava a ser tão longo quanto aparentava também. Sua pele também não era tão lisa quanto retratada no desenho. Possuia marcas e cicatrizes mais escuras no rosto, braços e mãos. E seus olhos eram esverdeados. Mas não de um verde com rastros de amarelo, e/ou cinza ou azul, como normalmente encontramos. Eles tinham a íria toda, toda, verde. Dava uma impressão de estar olhando para uma folha ao invés de uma esmeralda, como muitos falavam.

Na verdade, o anime tinha retratado uma coisa certa: ele era incrivelmente alto. Os meus 1,60 ficavam minusculos perto daquele ser. Ele estava vestido com uma jaqueta até os cotovelos que mostrava seus braços esguios e longos. De mais, uma calça escura e uma blusa de linho completavam seu figurino e não deixavam muito mais do seu corpo a mostra.

"A senhorita tem certeza que está bem?" perguntou novamente com ar de curiosidade, dessa vez.

"Sim, sim!" e notei que estava encarando ele por algum tempo sem falar nada, provavelmente. "Obrigada por perguntar, general!" e dei um sorriso sem graça no final, de certeza ficando enrubescida.

"Está certo, então." Respondeu ele com ar de malicioso. "Por favor, me chame de Kurama. Não me sinto tão general assim no comando dessa missão." Continuou com mais seriedade. "E ainda, vamos ficar juntos um bom tempo, não vejo porque tanta formalidade entre nós! Não é verdade?" voltando ao clima suave que ele trazia consigo sempre.

"Está bem, Kurama! Eu vou tentar, certo? Mas o sen- você, você pode me chamar de Victoria." Terminei.

"Muito prazer lhe conhecer pessoalmente, então!" falou ao estender a mão em minha direção.

Tenho que admitir que hesitei, inicialmente, de apertar sua mão. Simplesmente, não era normal estar apertando a mão de um desenho infantil! Mas, deixei o preconceito de lado e apertei a mão dele."P-prazer!" e sorri. Ainda bem que o cumprimentei de volta. Mesmo com as cicatrizes, era tão macia a mão dele!

"Victoriaaaa! ME DESCULPE!" eu ouvi Jéssica gritar atrás de Kurama. Nesse momento, nós dois soltamos as mãos rapidamente e ela surgiu atrás das portas de vidro fosco. "DESCULPAAA! EU DORMIIIII…!" e engoliu as palavras quando ela nos viu.

"Então, Victoria, eu sugiro você não se preocupar. Simplesmente isso. Não, agora, pelo menos." Falou direcionado para mim.

"Hã? Sim… obrigada." Compreendendo no final que ele estava de saída.

Cumprimentando-me com a cabeça virou em direção a Jéssica e falou "Senhorita Destin.". Após outro cumprimento, saiu pelas mesmas portas de vidro fosco que Jéssica entrou.

Durante esse tempo, Jéssica estava com espanto estampado no rosto. Quando o general desapareceu atrás das portas de vidro ela, finalmente, falou.

"COMO ASSIM? O QUE ACONTECEU? VOCÊS SE CONHECEM? COMO ASSIM, 'VICTORIA'? PODE FALAR!" gritou demandando uma resposta.


Pessoal!

Após muito e muito e muito tempo! Estou de volta! :P Não tenho desculpa dessa vez! Espero que vocês gostem desse capitulozinho! Estou cansadeeeerrrima, então, não sejam muito brutos nas reviews!

Um beijo a todos! E eu estou aceitando opiniões!

XXX