CAPITULO 2

Sesshoumaru caminhava se afastando de seus companheiros e para diante de uma campina, bem longe podia ver a silhueta de um castelo...seu castelo.

—Estou de volta...embora não quisesse retornar ainda. -murmurou observando suas terras. -Mas só retornei pois me disseram que era seu desejo, pai. O que pretende agora, mesmo depois de morto?

O poderoso Youkai começa a relembrar de dias atrás. Havia retornado de mais um inútil combate com Inuyasha, quando um dos seus subordinados, encarregados de cuidar de suas posses o encontrou, com a missão de entregar uma importante mensagem.

Sesshoumaru deveria voltar para as Terras do Oeste para realizar um dos últimos desejos de seu falecido pai. Quando indagou o mensageiro, este muito trêmulo, com receio da reação de seu mestre, disse-lhe que só poderia ser revelada quando voltasse para casa.

E agora, lá estava ele de volta às terras de seu pai. Observou demoradamente a paisagem que conhecia tão bem, ao qual conviveu boa parte de sua infância e juventude, antes de sair deste lugar após a morte de Inutaisho.

Havia jurado retornar apenas quando tivesse suas Espadas em seu poder, mas agora estava ali.

—Espero sinceramente que não seja mais um de seus delírios, pai. –murmurou para si mesmo.

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Rin não havia ouvido o ultimo conselho de Jaken e para procurar lindas flores se afastou em demasia do local onde havia deixado seus amigos. Encontrou um belo jardim de flores silvestres e começou a colhê-las, enquanto cantarolava.

Estava tão absorta nessa tarefa que não reparou que outros se aproximavam até que de repente, percebeu que duas enormes sombras se projetaram sobre ela. Temerosa a menina se virou, e viu-se diante de dois horrendos youkais, gigantes, de caninos salientes e cornos que se projetavam de suas cabeças.

—Eu não te falei, irmão? Senti o cheiro de uma criança humana. -dizia um deles satisfeito.

—Mas é só uma, irmão. E tão pequena! Nem vai dar para saciar nossa fome.

—Não faz mal, irmão...nós dividimos essa aí e vamos até a vila próxima e comemos mais alguns humanos.

—Está bem, irmão. -concordou olhando para Rin. -Quero a cabeça. É crocante quando mastiga.

Assustada, Rin saiu correndo gritando, sendo perseguida pelos gigantescos youkais.

—Sesshoumaru-Sama! Socorroooo!

Próxima aquele local, Anna descansava na beira do lago onde se banhara recentemente. Foi quando apurou os sentidos ao ouvir de longe os gritos que pareciam ser de uma criança.

Normalmente evitaria conflitos desnecessários, como havia sido instruída por Sho durante anos. Mas, movida pelo instinto e curiosidade, colocou a espada novamente em sua cintura e corre na direção dos gritos.

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—Rin? -Jaken estranha a demora da menina em voltar, e tem um pressentimento ruim. – Aquela moleca está demorando... Eu tive a imprenssssssão que era a Rin que chamava Sssssssesssshoumaru-sssssama... Você não ouviu? -perguntou ao dragão e depois estremeceu. -AAAAHHHHH...se algo acontecer com a moleca, Sssssssesssshoumaru-sssssama vai me matar!

O pequeno youkai desesperou-se, correndo de um lado para o outro.

—Jaken! -chamou a voz grave e fria de Sesshoumaru, que literalmente o congela. –Vamos logo. Onde está Rin?

—Rin? A.. .A Rin? Eu...eu...bem...ela...eu...ela... -Sesshoumaru ergue a sobrancelha, impaciente com seu servo. -Ela...eu...bem...EU NÃO SSSSSSSEI!

O poderoso youkai nem mais prestava atenção ao seu servo, que se debulhava em lágrimas, ajoelhado pedindo perdão. Seu olhar estava direcionado para um certo ponto da floresta e em seguida, em uma velocidade espantosa, saiu correndo como o vento. Ele havia ouvido o pedido de socorro de Rin.

—Sssssssesssshoumaru-sssssama? -Jaken olhava para o seu mestre que já estava distante, respirou aliviado. -Hoje escapei.

Então, ouviu que alguém se aproximava, voltando seu olhar para trás.

—Você?!

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Rin corria o mais que podia, com os youkais atrás dela, rindo e se divertindo com a perseguição. De repente, ela tropeça e cai. Virou-se a tempo de ver uma mão cheia de garras em sua direção. Fechou os olhos, e a próxima sensação que teve foi de ser erguida no ar por um braço forte, e ouvir o grito de dor do monstro.

—MINHA MÃO! CORTARAM MINHA MÃO!

—Sesshou... -a menina disse o nome sorrindo, certa de quem a salvara, mas olhou espantada para a mulher que a mantinha em seu braço e empunhava uma espada na outra mão.

A mulher era uma youkai, Rin logo concluiu pelas orelhas pontiagudas que ela possuía, que a faziam lembrar as orelhas de um gato, apesar da aparência humana. Com agilidade, ela saltava do chão para o alto de uma árvore, colocando a menina em um galho.

—Espere aqui. -pediu antes de descer novamente.

O youkai ainda chorava, segurando a mão ferida, enquanto o irmão deste olhava a tudo confuso.

—Ela cortou minha mão, irmão! -ele apontou para a sua agressora.

—Foi só um corte, idiota! -ela respondeu. -Não a arranquei de seu braço...ainda.

—Quem é você que machucou meu irmão?

—Não sei se duas bestas idiotas como vocês merecem saber meu nome antes de morrerem. Saibam apenas que detesto covardes! São dois covardes por perseguirem uma menina!

—Ah, vou moer seus ossos e comer sua carne, mulher! -o youkai ferido avançou sobre ela.

Em seguida, Rin apenas viu um brilho provocado pelos raios do sol batendo na espada que a mulher usava, e o corpo do gigante tombando sem vida ao chão.

—IRMÃO! -berrou o outro gigante, furioso. -Eu vou te matar!

Ela saltou a uma velocidade incrível, o gigante olhava para os lados confuso, tentando encontrá-la, mas a youkai felina estava em suas costas, agarrada em suas vestes. Tomou impulso e subiu para a cabeça dele, enfiando sua espada pelo crânio deste e atingindo o cérebro de seu oponente, usando o peso do próprio corpo para o feito.

Antes de ele cair ao chão, a youkai já limpava o sangue de sua espada com um movimento rápido, guardando a espada na bainha e caminhando até onde Rin estava.

A menina desceu da árvore, admirada com a mulher que a salvara.

—Tudo bem com voc... -a frase foi interrompida quando ela percebeu a presença de mais uma pessoa, tendo que saltar para impedir que uma espécie de chicote feito de energia a atingisse.

Caindo em pé, ela mostra suas garras, encarando-o.

—Sesshoumaru-sama! -Rin correu até ele, com os braços abertos e um sorriso.

—Rin. -ele olhou para a criança, analisou rapidamente os corpos dos outros caídos e em seguida para a youkai, tentando determinar se ela é alguma ameaça. -Não pedi que não se afastasse muito?

—Hai! Mas eu queria pegar flores para agradar o senhor. -respondeu com inocência. -Mas a moça bonita me salvou.

—Se afaste... -ordenou caminhando até aquela que considerava no momento uma ameaça. -Quem é você, youkai gato?

—Ela te chamou de Sesshoumaru-sama? É o filho de Inutaisho?

—Quem faz as perguntas aqui sou eu, Onna.

—Sou Anna, filha de Yamashura-sama. -disse com orgulho.

—Acaso esse nome deveria me dizer algo? -perguntou com sarcasmo. –Não sou obrigado a lembrar de todos os inúteis com quem encontrei.

—Meu pai e o seu foram inimigos. Inutaisho o matou quando nossos clãs lutaram! -respondeu nervosa.

—Ah...a hannyo. Lembro-me de seu atrevimento. –disse com desprezo.

—Vim vingar da morte de meu pai em você.

—Patético. -e deu-lhe as costas.

—O que disse? -Anna enfureceu-se.

—Patético é querer vingar a morte de um guerreiro que morreu em um combate honrado. -respondeu sem se dignar a fitá-la. -Seu pai deve estar se revirando no túmulo por sua filha agir assim.

—Como ousa falar dessa maneira comigo?! -ela desembainhou sua espada. -Quem pensa que é?

Anna saltou pronta a cortar Sesshoumaru ao meio, mas este se desviou com uma velocidade surpreendente. A hannyo tentava em vão acertá-lo, que se desviava de todos os golpes dados por ela, com uma expressão de total desinteresse no rosto.

—Pare de saltar e me enfrente!

Em um dado momento, ele a pegou pelo pulso, apertando-o e forçando-a a soltar a espada. Mesmo desarmada, ela tentou acertá-lo, desta vez com as garras, e Sesshoumaru afasta o rosto, impedindo que ela o arranhasse.

—Desta vez não. Ainda me lembro de suas garras afiadas...chibiko.

—Não me chame assim, Cão! -disse furiosa, conseguindo o feito de acerta-lhe um chute na altura dos rins.

Sesshoumaru segura a vontade arrancar a garganta dela com as garras pelo atrevimento, e com um gesto, ele prende o braço que mantinha em sua mão, as costas de Anna, imobilizando-a com seu corpo contra uma árvore próxima, pressionando-a por trás com o próprio corpo e fala bem próximo ao ouvido dela, causando-lhe estranhos arrepios.

—Não deveria me provocar. Não seria saudável para você.

Nisso, a atenção de todos volta-se para um grupo de homens e youkais que se aproximavam em cortejo. Acompanhados por Jaken que vinha a frente com um outro de longas barbas brancas. Como se Anna não tivesse mais importância no momento, Sesshoumaru a larga com brusquidão, quase a fazendo perder o equilíbrio. Rin que até aquele momento ficou parada, quieta observando, correu sorrindo na direção de Jaken.

—Jaken-sama. Quem são seus amigos? -ela perguntou.

—Quieta, Rin. -pediu o outro.

—Tomishiro. -Sesshoumaru encara o idoso, que faz uma reverência diante dele.

—Sesshoumaru-sama. Bem-vindo ao lar.

—Poupe-me disso. Não vou ficar muito tempo. -e encarou o idoso youkai. -Você enviou um mensageiro que dizia que deveria voltar para realizar um desejo de meu pai. Voltei para dizer que não me interessam os desejos de Inutaisho.

—Vejo que conheceu Anna hime. -o velho se referiu a hannyo e fez um gesto cumprimentando ela com a cabeça. –O senhor Sho a criou bem. Estávamos esperando a senhorita também!

—Como sabe quem sou? -ela espantou-se. –E como assim me esperando?

—Assim como enviei um mensageiro em busca de meu lorde, fiz o mesmo com a senhorita. Tudo para realizar os desejos de meu falecido mestre. –explicou o idoso.

—Está claro que deve ser mais uma ideia sem sentido de meu pai. –Sesshoumaru estava impaciente, era previsível pelo olhar, embora ainda mantivesse a fala fria e impessoal. -Fale logo. Qual é o desejo de meu pai que foi preciso que eu retorne a essas terras.

—Tempos atrás, nosso venerável senhor fez uma promessa a um honrado rival. E nos deu instruções que assim que Anna hime fosse adulta e voltasse a essas terras...Sesshoumaru-sama deveria cuidar de seu futuro e bem estar.

—O que disse? -ele perguntou, o único sinal de que essa notícia o desagradava era o leve franzir de sua testa.

—O QUE DISSE? -Anna esbravejou, assustando Jaken ao seu lado.

—Que o senhor Sesshoumaru se tornou o guardião de Anna hime. De suas terras e de seu futuro.

—Ridículo! -e o poderoso Youkai se afasta do grupo. –Tenho mais o que fazer do que ajudar com os delírios de Inutaisho!

—Eu não quero que ele seja meu guardião. Não quero nada dele a não ser a sua cabeça em minha espada!"-Anna segurava o velho youkai pela gola do quimono.

—Com essa sua perícia em espada? -Sesshoumaru ironizou. -Nunca conseguiria sequer me incomodar.

—Maldito! -ela olhou furiosa para Sesshoumaru, ainda segurando o pobre Tomishiro pela gola.

—Mas o... O Inutaisho-sama se preocupou com seu futuro! -dizia tentando respirar. -É convidada a vir ao castelo do meu senhor... Até deixou...um dote grandioso para a senhorita, para que se case...

—O que? -ela ficou lívida. -E por que eu iria querer um marido?

—É mulher e as mulheres sssssão fracas e... -Jaken explicava, antes de ser interrompido com um chute de Anna.

—Eu não quero nada disso! -ela disse, soltando o idoso.

—Se a senhorita nos acompanhar. -pediu Tomishiro, se recompondo, voltando a respirar. –Podemos conversar melhor sobre isso... por favor... apenas cumpro os desejos de alguém que já está no outro mundo.

—Eu não preciso disso, de nada que venha de Inutaisho ou de seus filhos... nada!

—Mas senhorita...

—Você não vem com a gente? -Rin perguntou meiga e sorriu. -Sesshoumaru-sama, a moça bonita não pode vir conosco?

—Não. -este respondeu ainda caminhando.

—Mas... –a menina insistiu.

—Não.

—Mas, meu lorde... –insistiu Tomishiro.

Anna sentiu o sangue ferver e sorriu de maneira sardônica. Talvez ali estivesse a chance que sempre sonhou de se vingar.

—Eu vou com vocês, Tomishiro-sama. -respondeu voltando seu rosto para o youkai, fazendo Sesshoumaru parar de caminhar e olhar sobre o ombro. Anna completou com ironia -Afinal...é desejo de Inutaisho que eu seja convidada ao seu castelo.

Sesshoumaru não disse nada ou expressou qualquer contrariedade, apenas retomou a sua caminhada de volta ao seu antigo lar, como se as palavras ou a presença de Anna não fosse dignas de sua preocupação.

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Naquela mesma noite, Tomishiro andava agitado de um lado para o outro, ordenando aos servos que cuidassem de todas as providências necessárias ao conforto do Príncipe youkai e de sua "convidada".

Parada no pátio central, braços cruzados, Anna viu Sesshoumaru entrar no castelo e sumir em seu interior, sendo seguido pela coisa verde de voz estridente que Rin havia lhe dito chamar-se Jaken.

A menina parecia ter se afeiçoado a Anna, fazendo-lhe companhia. Conversando sem parar sobre as suas andanças, as aventuras que viveu e de como conheceu Sesshoumaru. A hannyo estranhou de início, ouvira falar que ele possuía aversão aos humanos, e mantinha no entanto uma menina humana ao seu lado. Imaginou se ele se divertia mantendo humanos como bichinhos de estimação.

Aliás, Sesshoumaru era exatamente como se lembrava em muitos aspectos. Arrogante e cheio de si...essa imagem ela ainda mantinha dele, mas nunca sequer imaginou que ele fosse tão bonito, afinal era apenas uma menina quando conheceu e não se importava com aparência física naquela época.

Imaginou que uma mulher, humana ou youkai, se perderia facilmente naqueles olhos dourados. Ao se dar conta do que pensara, balançou a cabeça várias vezes e ser repreendeu silenciosamente.

—Não seja baka, Anna! -murmurou.

—Anna hime. -Rin a chamou empolgada. -Tomishiro-sama quer nos levar aos nossos quartos.

Algumas criadas acompanhavam o idoso youkai, levando ela e a menina aos seus quartos. Viu que um banho havia sido providenciado, bem como um quimono limpo. Aproximou-se da peça, tocando a seda azul com pequenas flores douradas.

—Não usarei isso. -anunciou jogando o quimono para uma criada, não queria presentes vindos do clã que assassinou seu pai. -Tenho minhas próprias roupas.

—Hai. - a criada concordou com humildade, se retirando.

Tomou o banho de bom grado, apreciou muito a água morna e perfumada. Desde que saira das Terras do Sul, não usufruía de um banho de verdade e sentia falta disso. Algum tempo depois, a criada retornara, para levá-la ao jantar.

Encontrou Tomishiro e Sesshoumaru sentados à mesa, o ancião a cumprimentou com educação, Sesshoumaru agiu como se ela não estivesse ali.

—Sente-se Anna-Hime. -pediu Tomishiro, fazendo com que ela se sentasse frente a frente com o seu desafeto. -Gostaria que durante o jantar falássemos de seu futuro e...

—Escute aqui, Tomishiro-san, meu futuro é ir embora daqui, levando a cabeça de Sesshoumaru como lembrança. -falou com um sorriso, encarando o príncipe youkai que bebia o saquê ofertado por uma serva com inabalável calma.

—Minha cabeça? -disse encarando-a. -Então sua estadia será longa demais.

—Eu não ficaria me gabando disso, verme.

—Se-senhorita... -Tomishiro tremia, certo que Sesshoumaru a mataria ali.

—Se não moderar sua língua, arrancarei sua língua. Mulheres bonigas devem ser apenas vistas, e não ouvidas. -bebeu outro gole com calma.

—S-senhor... –Tomishiro gemeu, suando frio.

—Somente um arrogante patético com ego inflamado diria algo tão desagradável! –ela retrucou mostrando as garras. –Eu deveria arrancar suas bol...

—O JANTAR CHEGOU! -gritou o ancião com certo escândalo, tentando encerrar aquele assunto antes que se matassem ali. –Graças à Kami sama... chegou!

Anna bebeu um longo gole de saquê. E encarou o youkai diante dela com ódio. Como conseguia ser tão frio ante às suas provocações, até mesmo quando respondia...não perdia a pose!

Mas, naquela noite iria encerrar essa parte de sua vida. Teria o sangue do primogênito de Inutaisho. De um jeito ou de outro.

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Depois de todos recolhidos, Tomishiro cansado física e mentalmente se arrastou, praticamente, a um pequeno templo, onde rezavam pela alma do seu falecido mestre.

—Tomissssshiro-ssssssama. -Jaken apareceu. -Posssssso lhe falar?

—Claro, Jaken-sama.

—Essssssa história de Sesssssssshoumaru-sssssama sssssser o guardião de Anna hime, está muito estranha. Meu lorde odeia youkais gatos, e hannyos ainda mais... e uma hannyo dessa espécie só agrava seu ódio!

—Pensei que ele houvesse superado esse ódio por causa do irmão.

—Sesssssssshoumaru-sssssama apenas o tolera por terem o messssmo pai, agora.

—Confesso que até mesmo eu estou preocupado com isso. Mas era desejo de nosso poderoso lorde que... -olhou para os lados, como se não quisesse que escutassem e sussurrou o desejo de seu mestre nos ouvidos de Jaken.

—O QUE? -o pequeno youkai parecia a beira de um ataque de nervos. -Isssssso nunca acontecerá! Sssserá melhor livrar-se desssssa promesssa ridícula!

—Mas precisa. Ou a alma de meu senhor não descansará em paz. –Tomishiro suspirou. –Mas sou realista, Jaken sama. Sei que isso é praticamente impossível!

—Essssse Inutaisho...Sempre envolvendo Sesssssshouru-ssssssssama em seus delírios. -pensou Jaken desconsolado.

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Era alta madrugada. Todo o castelo estava adormecido, ou como Anna esperava, ele também estivesse. Caminhando silenciosamente pelos corredores, seus passos eram leves como plumas, próprio de sua ascendência youkai.

Não era um meio honrado de matar seu oponente, mas Anna desejava acima de tudo vingança. Não importava mais os meios que teria que se utilizar para atingir seu fim. Aproximou-se da ala onde ficavam os aposentos de Sesshoumaru e engoliu em seco, era o momento.

Espalhou pelos corredores um pólen de uma lótus que faria os guardas que faziam a vigília na ala adormecerem, e com sorte, tornar o sono de Sesshoumaru tão pesado que não notaria nada. Acordaria no inferno.

Depois de se certificar que os guardas estavam profundamente adormecidos, foi até o quarto dele, encontrando-o adormecido em seu futton. Com cautela, aproximou-se, retirando de seu cinto, uma adaga pequena e afiada, mirando o coração dele.

Seu olhar seguiu até seu rosto. Adormecido, parecia tão sereno...lutou contra a tentação de tocá-lo, voltando seus pensamentos em seu verdadeiro propósito. Quando levanto o braço para executar o golpe fatal, uma poderosa mão provida de dedos que pareciam de aço, a segurou com firmeza pelo punho, puxando-a com brusquidão.

Foi jogada com força ao chão, de tal maneira que perdeu o fôlego alguns instantes. A mão já soltara a adaga, que parou em algum canto qualquer. Sentiu seu corpo imobilizado pelo peso de outro, e os braços presos acima da cabeça pela mão de aço que ele possuía.

—Ora, ora...como é ardilosa! -Sesshoumaru disse, fazendo Anna encará-lo com um misto de ansiedade, medo e raiva. -O veneno do Lótus não tem efeitos sobre mim. Acho que não sabia que sou um youkai venenoso.

—Me solta! -ela pediu entre os dentes, tentando se livrar dele.

Mas os movimentos de seu corpo debaixo do dele, provocaram uma inesperada reação em Sesshoumaru. Ele estava se excitando. Anna parou o que fazia e o encarou corada, o youkai deu um meio sorriso sarcástico.

—Eu lhe avisei, Onna...que não deveria me provocar. Agora terei que fazê-la pagar o justo preço por seu ato. -falou e em seguida tomou de assalto e com certa brutalidade ao lábios de uma estática hannyo.