Capítulo 3
Choque... calor... indignação... leveza...
Sentimentos adversos dominavam, digladiavam na mente de Anna ao ser beijada de maneira tão atrevida por Sesshoumaru. Tentava se libertar, sua mente pedia isso...mas seu corpo estava se recusando a ajudar.
Não demorou muito e estava correspondendo ao beijo. Sentindo-a entregue sob seu corpo, a mão de Sesshoumaru soltou os pulsos que mantinha aprisionados e a mão livre desceu até atingir um dos seios da jovem. Roçou-lhe o mamilo com o polegar e sentiu o coração dela disparar. O polegar fazia círculos, em torno de seu mamilo, ainda cobertos pelo quimono.
Afastou-se dos lábios dela e mirou o rosto corado, os olhos semicerrados e afastou-se bruscamente. Anna sentou-se imediatamente e o encarava em um misto de raiva, indignação... principalmente por ter cedido.
—Saia daqui, chibiko. -avisou Sesshoumaru deitado em seu futton, mirando o teto. -Volte quando se tornar adulta.
Anna segurou a vontade de chorar e de avançar na garganta dele e dilacerá-la com as próprias garras. A meio youkai gato levantou-se e saiu rapidamente do quarto, humilhada.
Sesshoumaru deu um meio sorriso e pensou consigo mesmo. Ela era impertinente, atrevida, falava demais e não tinha os modos que uma dama nobre deveria ter. E não possuía os atrativos que para ele, uma fêmea teria que ter para excitá-lo. Mas provou aquela boca, e gostou muito.
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Anna entrou nos aposentos destinados a ela e ajoelhou-se permitindo-se enfim chorar. Como fora tola! Deixou-se ser pega pelo ser que mais desprezava, e o pior, permitiu que ele a tocasse, a beijasse! Era seu primeiro beijo, e com ele!
—Pai...perdoe-me...não sou forte o suficiente para vingá-lo. -murmurou antes de se entregar ao soluços que sacudiam seu corpo.
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Na manhã seguinte, Anna acordou sentindo o corpo dolorido. Havia chorado por muito tempo e adormecera naquele chão frio, em uma posição incomoda. Foi até sua espada e puxou a lâmina, não se sentia digna dela. Mirou-se no reflexo perfeito dela e gemeu. Estava com os olhos inchados, horrível!
—Agora pareço um monstro! -murmurou, antes de lavar-se e sair do quarto.
Para a sua surpresa e desagradável descoberta, encontrou Sesshoumaru no corredor. E ele absolutamente não parecia ter dormido tarde, mantendo o rosto jovial, sem marcas alguma.
"—Como ele consegue acordar e se manter tão lindo?" -pensou e corou com o pensamento. "-O que está acontecendo comigo?"
—Dormiu bem? -perguntou irônico, recebendo de Anna um olhar fulminante.
—Dormirei melhor e terei belos sonhos quando arrancar esse seu coração de pedra. -respondeu ácida.
—Então terá muitas noites insones. -disse-lhe passando por ela e depois acrescentou. -Mas pode sonhar comigo, não me importo.
—Seu...-Anna estava prestes a saltar em Sesshoumaru, quando deteve seu ataque ao ver Rin se aproximar sorridente.
—Bom dia, Anna-chan! -falou a menina. -Bom dia, Sesshoumaru-sama!
Sesshoumaru não respondeu, limitou-se a continuar andando.
—Aquele...cachorro! -resmungou Anna.
—Algo errado, Anna-chan? -perguntou a pequena ingênua.
"—Nada que uma adaga bem colocada entre as costelas de Sesshoumaru-sama não resolvam." -pensou com um sorriso, imaginando a cena.
—Anna-chan? -Rin insistiu.
—Ah...não é nada! -disse-lhe a youkai.
—Que bom! Vamos comer alguma coisa? Gostou do seu quarto? Eu adorei o meu! Nunca tive um quarto grande como aquele! As servas do Sesshoumaru-sama falaram que terá um festival na vila perto daqui. Querem comemorar a primavera e... -começou a falar sem parar.
—Espera, pequenina! -pediu colocando a mão na cabeça da menina. -Devagar, fale devagar. Que festival?
—Podemos ir nele? -foi logo perguntando feliz.
—Não. Acho que não. -respondeu meio triste. -Vou partir.
—Mas...já? não gosta daqui? Não gosta de mim? -com uma expressão chorosa. –Não gosta daqui?
—Não é isso. Gosto de você. -ficou sem graça. -Mas...percebi que não posso ainda cumprir uma promessa que fiz ao meu pai, então não há razão para que eu fique aqui. Preciso partir e ficar mais forte!
–Pensei que Anna-chan fosse ficar aqui para sempre!
—Mas não posso.
—Então, terei que ir ao festival sozinha? -queixou-se. -Acho que nem irei, já que o Sesshoumaru-sama não gosta de festas.
Anna olhou para os céus, e suspirou. Por que se importava com a menina?
—Se eu for nesse festival com você, para de fazer cara de choro mesmo que eu vá embora depois? -perguntou.
—Você vai? Que bom!- e a pegou pela mão, praticamente arrastando-a. -Posso te ajudar a se arrumar?
—O que disse?
Rin começou a rir, estava gostando muito de Anna e seria muito bom se ela ficasse com eles para sempre. Em sua mente começou a pensar em um jeito de fazê-la ficar.
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—Jaken!
A voz imponente de Sesshoumaru despertou o pequeno youkai, que veio correndo o mais rápido que suas minúsculas pernas permitiam, a ponto de perder o equilíbrio tentando parar e bater na perna de seu amo. Jaken estremeceu diante do olhar reprovador de seu amo.
—Es-estou aqui, Sesssssssshoumaru-sssssama! -respondeu, ajoelhando-se imediatamente.
—Vamos partir em dois dias. -avisou. -empo suficiente para resolver alguns problemas em minhas terras. Soube que alguns youkais inúteis acham que podem invadir esse lugar e fazerem o que bem entenderem.
—Ssssssssim! O Sesssssssshoumaru-sssssama vai punir esssssses vermes! -falou o pequeno bajulador. -Sessssssshoumaru-ssssssama?
—Fale Jaken.
—E quanto a... aquela hannyo que está em seu castelo? O sssenhor pretende...
Sesshoumaru toma o bastão de duas cabeças das mãos de seu servo e...POFTH! Jaken foi calado com um golpe na cabeça pelo seu senhor, usando o mesmo bastão.
—Isso é um assunto que não lhe diz respeito. -avisou o poderoso youkai.
—Sesshoumaru-sama! -a pequena Rin veio em sua direção, usando o quimono rosa novo que havia ordenado que lhe dessem, toda alegre, com os cabelos presos com uma fita. -Vamos ao festival. O senhor não vem?
—Não tenho tempo para festivais patéticos, Rin. -respondeu secamente.
—Que pena. -lamentou a menina. -O senhor Tomishiro vai, e Anna-chan também vai!
—Quem? -indagou encarando a menina.
—Anna-chan. -respondeu com simplicidade e olhou para trás. -Ela tá chegando. Eu a ajudei a escolher o quimono. Não ficou bonita?
Anna apareceu, e estancou ao ver Sesshoumaru e o olhou com ódio. Mas o senhor daquelas terras a encarou com seu rosto inexpressivo, e um brilho estranho em seu olhar. Mirou o quimono branco e azul, que a deixou mais feminina, os cabelos castanhos soltos, e adornados com flores.
"—Ela é minha!" -pensou no mesmo instante e se surpreendeu com o rumo deste pensamento.
—Eu arrumei os cabelos dela. São tão macios! -falou a menina.
"—E perfumados." -voltou a pensar, lembrando da noite anterior, depois ignorou a voz em sua mente. -"Maldição!"
—Partirei amanhã pela manhã. -Anna avisou, quebrando a linha de pensamento de Sesshoumaru, despertando-o.
—Partirá? Desistiu de tentar o impossível? De me matar? -indagou irônico.
—Não. -respondeu com sinceridade. -Retornarei quando ficar mais forte. Me aguarde.
—Faça o que bem entender, Onna. -respondeu dando-lhe as costas. -Vamos Jaken.
—Vamos Anna-chan! -chamou Rin pegando-a pela mão.
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No vilarejo próximo, onde o Festival acontecia, era só músicas e risos. Anna teve receio de entrar, parando nos limites deste, com Tomishiro e Rin, afinal como meio youkai nunca foi bem aceita entre os homens e muito menos entre os youkais completos.
—Não se preocupe, Anna hime. -falou o youkai idoso, percebendo a hesitação da jovem. -Todos nesta vila são servos de Sesshoumaru-sama e estão acostumados com os youkais que vivem no castelo. Ao verem que me acompanha nesse passeio, lhe tratarão com o devido respeito.
—Arigato, Tomishiro-sama. -agradeceu Anna. -É que sempre procurei evitar vilarejos.
—A vida realmente não é fácil para ninguém nestes tempos de guerra. -falou o idoso caminhando ao vilarejo, tentando não perder Rin de vista quando ela se misturou a outras crianças. -Pior ainda para quem carrega o fardo de ter nascido meio youkai.
—Sim. -suspirou e observou Rin brincando. Sorriu triste ao lembrar que já foi como Rin, que brincou com outras crianças youkais feliz, na época em que seu pai ainda era vivo e se sentia protegida e amada por ele.
O dia passou depressa, e na metade daquela tarde a comitiva do Castelo do senhor daquelas terras retornara. Em silêncio, Anna foi até seus aposentos e pegou suas coisas, já iria partir.
Decidiu que não falaria nada com Rin, que sairia em segredo, mas...
—Anna-chan! Quer tomar banho comigo? -perguntou a menina toda feliz.
—Rin ...eu não posso...
—Vamos! -puxou a mão desta, sem dar chances de falar mais nada.
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Aquela tarde não havia sido frutífera para Sesshoumaru. Além de não ter encontrado os youkais que estavam vandalizando suas terras, ainda teve a mente invadida pela imagem de Anna, vestida como uma verdadeira princesa youkai, linda.
Estava perto das fontes termais em suas terras, havia ordenado a Jaken que voltasse mais cedo ao castelo, queria um pouco de paz. Por que não banhar-se naquela tarde tão cansativa?
Ouviu sons de risos e se aproximou de maneira silenciosa. Oculto pela vegetação, avistou Rin, sentada na beira do lago de águas termais, conversando com alguém. A menina estava com os cabelos úmidos, como se houvesse acabado de tomar banho.
—Eu volto com uma roupa seca para você, Anna-chan. Gomem por ter molhado as suas roupas. -pedia corada.
—Tudo bem, Rin. -neste momento a atenção de Sesshoumaru voltou-se para a voz de Anna.
A fitou erguendo-se das águas, completamente nua, coberta somente da cintura para baixo pelas águas das termas. Os cabelos castanhos, encaracolados e molhados caiam por sobre os ombros e seios de maneira displicente. Ela era o contrário das fêmeas com as quais estava acostumado a usar como companhia. Pequena, delicada, seios pequenos e firmes... absolutamente tentadora.
"—Ela é minha." -a voz voltou a ordenar em sua mente.
Só depois de longos momentos apreciando a jovem se banhar, Sesshoumaru se deu conta que estavam a sós, que Rin já havia voltado ao castelo. Foi então que resolveu sair de seu esconderijo.
Anna virou-se assustada ao ver Sesshoumaru e vermelha, tanto de raiva como de vergonha, ela cobre os seios e mergulha até o pescoço nas águas.
—Além de arrogante e impertinente, é um devasso? -perguntou furiosa.
—Hunf! Essas termas estão em minhas terras. Posso vir aqui quando desejar. -respondeu sentando-se na grama, diante dela com naturalidade.
—Saia imediatamente daqui, ou... -ela ameaçou.
—Ou?
—Entregue minhas roupas! -ordenou virando o rosto, não queria encarar aqueles olhos dourados novamente.
—Estas? -ele perguntou erguendo o quimono branco com a mão. –Estão molhadas.
—Sim. E não me importa se estão molhadas!
—Venha pegar. -ele ordenou, colocando a peça úmida sobre o colo.
—Como se atreve? -ela ficou realmente furiosa. -Entregue-me minhas roupas e saia daqui!
—Estou em minhas terras, chibiko. Aqui sou a lei, eu mando. -respondeu friamente, mas rindo por dentro. -Terá que se esforçar mais se quiser me tirar daqui.
—Seu...seu...cachorro! -vociferou pegando uma pedra do fundo do lago e jogando em Sesshoumaru, que desviou calmamente. -Vá embora!
Anna estava tomada pela raiva, nem ligava mais se Sesshoumaru pudesse ver seu corpo nu ou não, ergueu-se saindo das águas, e pegando seu quimono e puxando-o, mas o youkai o mantinha bem preso em sua garra.
—Larga isso, covarde!
Sesshoumaru deu um puxão, trazendo-a para perto dele, e em seguida e pegou pela garganta, imobilizando-a, forçando-a a encará-lo. Tolerava qualquer tipo de ofensas, menos que o chamassem de covarde.
—Tem uma boca suja, chibiko. Gosta de me ofender. Por ofensas menores já matei. -sibilou.
—E como devo chamar alguém que se aproveita de uma situação como essa? -provocou.
—Que poder é esse que você tem Chibiko? -indagou se divertindo com o olhar confuso dela. -Por que me tenta assim?
—Do que fala?
O coração dela disparou, e teve a sensação de que iria parar, ao ver os lábios de Sesshoumaru tocando os seus mais uma vez.
Beijou-a e sentiu que desejava fazer aquilo desde a noite anterior. Era uma boca linda, polpuda e bem desenhada. Sentiu-a gemer de leve e intensificou o beijo, invadindo com a língua a cavidade úmida, explorando-a... degustando-a.
Ele a ergueu, segurando pelos quadris, pressionando seu corpo contra uma árvore. Queria resistir...respirava com dificuldade...
—Eu não...quero... -tentava dizer, quando a boca de Sesshoumaru sentia o gosto da pele de seu pescoço. -Lutarei contra...isso...
—Então lute.
Inclinou o rosto para tocar seus lábios novamente, mas ela retesou o corpo a fim de evitar o contato. Prevendo que ela faria isso, intensificou o abraço, prendendo-lhe os braços com tanta força que a fez sufocar e sentir-se a mercê de sua vontade. Sem a menor pressa, Sesshoumaru roçou-lhe os olhos e a boca de com seus lábios, e Anna sentiu o calor desta carícia percorrer seu corpo inteiro.
—Fique longe... -embora dissesse isso, queria que aquele abraço durasse sua vida toda.
—Obrigue-me. -provocou, deslizando a mão por suas costas nuas, sentindo a maciez de sua pele.
De repente, Sesshoumaru sentiu uma inesperada dor em seu baixo ventre, provocada pela joelhada certeira de Anna em sua masculinidade. Recuou surpreso por tal ataque, nenhuma fêmea resistia desta maneira ao seu jogo de sedução.
—Eu avisei! -ela o empurrou.
—Chibiko, você abusa da sua sorte! -Sesshoumaru disse já irritado, com as presas semicerradas. -Como ousa...?
Mesmo com as pupilas dilatadas e o rosto afogueado pelo desejo, ela disse com convicção, pegando suas roupas e voltando a pressioná-las contra o corpo.
—Não sou uma prostituta que se deita com o primeiro que aparece!
—Ainda é virgem? Ótimo! -ele sorriu. -Não me agradava a ideia de que outro a tivesse possuído antes de mim.
—Se aproximar-se de novo...diga adeus à sua descendência. Pois cortarei o mal pela raiz! Entendeu? -ameaçou.
—Domá-la será realmente divertido. -disse com um meio sorriso jocoso nos lábios, enfurecendo ainda mais ela.
—Vá pra o inferno. -ela murmurou antes de pegar sua espada, furiosa. E dando-lhe as costas.
—Você pode tentar negar, mas seu corpo não mente...Chibiko. -ele não perdeu a oportunidade de ter a última palavra.
Ele a ouviu rosnar e sorriu, depois decidiu retornar para onde deixou Jaken, mas parou ao notar que aquele vale lhe era familiar. Realmente queria matá-lo agora, mais do que nunca!
—Eu te odeio! -quase gritou em resposta, segurando as lágrimas. –Sua maldita raça destruiu minha vida! Ela era perfeita! Eu era feliz com meu pai! E você e seu pai o tiraram de mim, tiraram tudo o que eu amava! E agora zomba de mim? EU TE ODEIO!
Sesshoumaru a fitou longamente, voltando a sua expressão séria e fria. Realmente havia se esquecido de quem era a hannyo, deixando apenas seu lado primitivo falar mais alto por causa de um desejo lascivo. Ela o odiava com todas as forças, era fato. Sem dizer mais nada, ele se afasta dela e não a olha quando ordena:
—Vista-se, chibiko. Não tenho mais interesse em você.
Indignada pelas palavras dele, Anna teve ímpetos de dizer-lhe os mais baixos impropérios, mas se vestiu e saiu dali o mais rápido que pode. Ainda o faria pagar por mais esta humilhação.
Sesshoumaru ficou ali, sozinho com seus pensamentos. Seu corpo ainda ardia de desejo pela fêmea, mas sua mente tentava manter o controle de seu instintos. Tê-la tocado daquela maneira, o filho do assassino de seu amado pai, deve ter sido a pior das humilhações que poderia sentir. E Sesshoumaru, filho de Inutaisho, pela primeira vez em anos, sentiu vergonha de seus atos.
