Capítulo 8:

—Tolo idiota! Quase estragou tudo! Sua inveja por Sesshoumaru quase colocou tudo a perder! -Suiko dizia com calma surpreendente, admirando a lua da janela de seu aposento, e depois olha para seu "marido" sentado no futton, imóvel.

Ela se aproxima dele, tocando seus cabelos e se ajoelha ao lado dele, abraçando-o como se fosse um bebê.

—Se já não estivesse morto, Muneyoshi... eu o mataria agora por isso. -os olhos de Muneyoshi são iluminados pela luz pálida da lua, mostrando-os sem vida como os de um cadáver. -Mesmo sendo um boneco, o ressentimento que carregava em vida por seu primo era forte... terei que ser mais cuidadosa. Afinal...Não podemos fazer nenhum mal ao futuro corpo de Naraku...-e sorriu dando um beijo no rosto frio dele. -Boa noite, "querido".

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Dois dias depois.

O monge que iria realizar a cerimônia não havia chegado. E este fato estava fazendo com que o senhor do castelo ficasse irritado. Sesshoumaru usava um quimono de casamento branco e azul claro, seus cabelos estavam presos por um rabo de cavalo e ele mantinha presas em sua cintura suas espadas.

—Hmm...eu não estranharia se o monge houver sido morto a caminho daqui. -comentou Tomishiro preocupado a Jaken.

—Sssseria posssssível que aquelessss que sssse opõem ao Sssssssshoumaru. -ssssama ousassssem tanto?

—Não creio. Mas não confio em Muneyoshi e nem na fêmea que o acompanha.

—Eu também não confio nela. -Jaken neste momento relata ao velho servo o que havia acontecido dias atrás na floresta e de ter visto Suiko por lá, e o arrepio que sentiu ao revê-la.

—Hmmmm. -Tomishiro ficou pensativo e preocupado. -Isso não é bom...

—Não messsssmo!

Os dois servos notaram a mudança de expressão em Sesshoumaru, por seus planos de desposar Anna naquele dia estarem sendo frustrados. Não estava acostumado a ser contrariado.

O castelo estava cheio pelos parentes de Sesshoumaru e nobres youkais, aliados e vassalos de sua família, que chegaram nos últimos dois dias para a realização da cerimônia. Alguns desgostosos pela escolha da noite, outros indiferentes, mas um número considerável era fiel ao seu senhor e suas decisões.

Olhou de relance Muneyoshi e Suiko, ele parecia não esconder o fato de que apreciava o fato de que a cerimônia não iria se realizar, ela parecia indiferente naquele momento.

Cerrou os punhos, se controlando.

Foi quando notou a mudança no ar. Como se um grande poder se aproximava. Poder este que era notado por todos no castelo, e fazia Muneyoshi estremecer e sua consorte não escondia a surpresa.

Sesshoumaru nem sequer se alterou.

Os céus se abriram, e uma carruagem atravessou as nuvens, puxada por youkais dragões, guiados por outros tipos de youkais. A carruagem pousou no centro do castelo. Os servos que o guiavam imediatamente abriram a porta para que a pessoa que levavam saísse. Curvaram-se em total respeito a ela.

Sesshoumau ergueu apenas uma sobrancelha diante da ilustre visita.

—Por que o espanto, Sesshoumaru? Seria algo extraordinário uma mãe aparecer para assistir ao casamento de seu único filho?

—Mãe...

Os longos cabelos prateados de Inu Kimi estavam presos em um elaborado penteado, ornado por joias. As roupas feitas da mais pura seda, colorida, poderiam fazer qualquer mortal desavisado crer que estava diante de alguma divindade. Servos olharam com admiração a mulher que ali estava, e todos os presentes, com exceção do senhor do castelo, se curvaram diante dela.

—Grande Matriarca! -Jaken curvou-se, após ter se perdido em sua admiração pela entrada triunfal da mais respeitável mulher daquele clã.

—Mãe. Realmente me surpreende que tenha saído de seu castelo para vir a este mundo.

—Sesshoumaru. -Ela fechou os olhos. -Eu não perderia o seu casamento por nada deste mundo ou do outro. Espero não ter chegado atrasada para a cerimônia.

—Ainda não houve uma cerimônia.

—A noiva desistiu? -ela o provocou, sorrindo com ironia.

—Acha que alguma fêmea fugiria do privilégio de ser minha esposa? -respondeu a provocação e o sorriso.

—Pelo visto ainda não aprendeu a ser humilde. Isso é bom! -a dama ficou séria. -Não é de todo parecido com seu pai então.

—Desculpe-me minha senhora .-Tomishiro apareceu ainda mantendo uma postura humilde. -Mas o monge que iria abençoar a união não chegou.

—Creio que nem aparecerá. -concluiu a senhora olhando para Muneyoshi. -Como a Grande Matriarca, basta que minhas bênçãos sejam dadas para esta união. Prepare a cerimônia.

Todos se surpreenderam com a decisão da senhora. Sesshoumaru sorriu e ordenou que todos se preparassem e trouxessem a noiva, depois ficou ao lado de sua mãe e cochichou:

—Por quê?

—O que? -ela pareceu se fazer de desentendida observando uma tapeçaria. -Feitos por mãos humanas, mas um trabalho razoável!

—Por que veio para realizar este casamento? Nunca saiu de seu castelo, nem quando seu marido a trocou por este mundo. -e frisou a frase. -E nem quando eu o segui quando criança.

—Não faça reclamações como se fosse um fraco, Sesshoumaru. Eu não dei a luz a um fraco, mas a um líder! -ela o repreendeu com delicadeza. -Fiquei feliz que tenha finalmente escolhido uma esposa para dar continuidade ao nosso clã.

—O que mais sabe sobre minha futura esposa?

—Que ela é mais do que aparenta. -a senhora dos Inuyoukai caminhou, seguida pelos servos, até o alto do salão principal onde iria ser realizada a cerimônia e aguardou, fazendo um sinal para que Sesshoumaru ficasse ao seu lado. -Como seu primo reagiu às suas bodas?

—Considero Muneyoshi orgulhoso e vaidoso demais para enxergar seu lugar.

A matriarca sorriu:

—Eu consideraria a precaução de jamais dar as costas a ele, meu filho.

O salão estava cheio, e os murmúrios se sobressaiam. Todos se perguntando os motivos de seus senhores estarem agindo assim. Foi quando os murmúrios cessaram, pois Anna adentrou o salão. Ela estava lindamente vestida com um quimono branco, com sakuras bordadas em fios de ouro, e os cabelos presos em um coque. Rin entrava com ela e a menina correu para ficar ao lado de Jaken, que fez sinal para que a menina ficasse quieta.

Sesshoumaru a fitou com admiração e não conseguiu deixar de sentir orgulho da sua escolha.

—Realmente, eu compreendo sua decisão. -a matriarca comentou.

Anna parecia tensa, e caminhou pelo salão com os olhos fixos em Sesshoumaru. Notou a bela mulher, parecida com ele ao seu lado e indagou quem seria. O senhor do castelo estendeu a mão para a sua noiva, e ela aceitou.

"—O que estou fazendo?"-ela se perguntava, enquanto ficava ao lado de Sesshoumaru. -"Que força é esta que ele possui que me faz querer ficar com ele, ao mesmo tempo que minha razão pede que eu corra para bem longe?"

A bela dama ergueu os braços, pedindo que os convidados ainda permanecessem em silêncio e começou. Ela disse algumas palavras, e o noivo fez os votos de eterna aliança e proteção. Quando Anna percebeu, já estava casada com Sesshoumaru aos olhos de seu povo.

Um murmúrio de felicitações entre os convidados fora ouvido, o que demonstrava que nem todos apoiavam tal união. Uma longa fila se formou para os cumprimentos quando os noivos se ergueram.

Se reuniram para um banquete de comemoração, mas a tensão no ar era visível. De um lado os que apoiavam a decisão de Sesshoumaru, seja por lealdade ou por obrigação polida. Do outro, os que estavam próximos a Muneyoshi e compartilhavam sua visão de que o líder de seu clã não estava tomando decisões acertadas.

—Devo mandar esvaziar o salão? -Sesshoumaru sugeriu a Anna, sem tirar os olhos de Muneyoshi e sua companheira.

Ao notar que Sesshoumaru estava ficando tenso e zangado, Anna sorriu, tentando tranquilizá-lo.

—Ordenar que partissem seria tomado como um insulto que poderia ser usado contra nós mais tarde.

—Tem razão.

—Tenho algo a perguntar. -comentou Anna e ele a fitou. -Quem é a senhora que celebrou o casamento?

—Minha honorável mãe. -respondeu com simplicidade, bebericando um gole de saquê.

—Sua mãe?! -Anna não escondeu sua surpresa com a revelação. -Por que não me disse antes?!

—Sesshoumaru. -a voz da Matriarca o chamou. -Devo dizer que o que me atraiu a seu casamento foi a notícia de que sua esposa seria uma hannyo gato. Mas confesso que me surpreendeu tanto a beleza dela quanto a sua sagacidade ao lidar com a situação de ódio entre os seus.

—Estas não são suas únicas qualidades.

—Sabia que as youkais gatos possuem uma alta capacidade de reprodução? -Anna engasgou com o comentário da matriarca. -Se já a levou ao seu leito, talvez ela até esteja esperando um herdeiro seu. -ela começou a rir diante do constrangimento da nora. -Você já adiantou as núpcias! Impaciente como o pai. Ele fez o mesmo comigo. Nem esperou a celebração do matrimônio.

—Acho que não preciso saber disso, mãe. -bebendo saquê, visivelmente constrangido.

O banquete transcorria "tranquilamente", chegou um momento em que Sesshoumaru se afastou com a mãe, para conversarem com mais privacidade. Anna passou a ficar apenas na companhia de Jaken e Rin. A menina não cabia em si de felicidade, e até mesmo o pequeno servo já estava se acostumando com a ideia, e sorria devido à ingestão do saquê que era servido. Foi quando o sorriso no pequeno youkai desaparecera.

Anna percebeu a presença de Suiko e ela sentou-se ao seu lado, dando um sorriso.

—Não sei se é corajosa ou tola, hannyo. Metade dos aqui presentes desejariam cortar sua garganta neste momento. -disse, se servindo do saquê especialmente selecionado para o senhor do castelo.

—Se eles o fizerem, encontrarão a morte logo em seguida diante da fúria de meu marido e de minha sogra, que abençoou a nossa união. -respondeu sem se alterar.

—Sesshoumaru não merece ser nosso lorde.- disse Muneyoshi aparecendo de repente diante de Anna, assustando-a. -Ele traiu nosso clã ao desposar uma mulher de sangue sujo como o seu!

Anna sentiu-se imensamente insultada! Como ele ousava falar desta maneira de sua família, de sua ascendência? Sem pensar, ela se ergueu e o enfrentou.

—O sangue que corre em minhas veias pertence a famílias poderosas e orgulhosas! Os ancestrais de meu pai eram os orgulhosos defensores de terras em toda a ilha! E os ancestrais de minha mãe eram poderosos samurais, que lutaram em guerras em nome do shogun! Meça suas palavras, cão sarnento ao se referir a eles!

Anna mal terminara de proferir estas palavras e o rosto de Muneyoshi transfigurou-se em uma expressão de fúria, que o fazia parecer um demônio. Muneyoshi a agarrou pelo braço e a ergueu do chão como se fosse leve como uma pluma.

A hannyo não conseguiu conter uma expressão de espanto e horror ao fitar aos olhos e as presas pontiagudas do Inuyoukai.

—Como se atreve a tocar minha mulher?

Anna mal tivera tempo de perceber que quem estava atrás dela, indagando Muneyoshi com tamanha frieza, e fúria, era Sesshoumaru. Muneyoshi a lançou contra o marido, que a amparou com facilidade e a depositando no chão com suavidade. Logo em seguida, os olhos de Sesshoumaru ficaram escarlates e suas faces transfiguram-se, tornando-o uma fera.

Em seguida, ele agarrou Muneyoshi pelas vestes e o jogou a metros de distância, fazendo-o voar sobre as cabeças dos convidados.

Então, os elegantes convidados do clã se transformaram em feras e avançaram uns contra os outros, lutando entre si, desferindo golpes que em homens comuns e youkais menos poderosos seriam mortais. Mas eles se erguiam e voltavam a avançar, lutando ferozmente.

Jaken e Tomishiro puxaram Rin e Anna para a segurança provisória embaixo das mesas, onde alguns servos já se encontraram, enquanto outros haviam sabiamente fugido.

—Isssso não é bom! -exclamou Jaken.

—Estou com medo, Anna-chan! -Rin abraçou a hannyo, tremendo.

—Não se preocupe pequenina. -dizia Tomishiro. -Há tempos que eu não via lutas assim, mas Sesshoumaru-sama sabe cuidar de si.

—Estas lutas acontecem com frequência? -Anna espantou-se.

—Bem...-Tomishiro parecia sem graça. -Há desafios constantes entre eles, para verem quem é o mais forte, mas lorde Sesshoumaru sempre venceu aqueles que o desafiavam com facilidade. Logo se acalmam e tudo volta ao normal.

—Tudo isso é culpa minha! Eu devia ter ido embora ao invés de ter ficado e aceitado a decisão de Sesshoumaru assim!

—Não é verdade. -a voz da Inu Kimi, que permanecia em pé inabalável, observando as lutas, era tranquila. -Eles temem as mudanças que os novos tempos trazem. Eles sentem que o tempo dos youkais reinarem soberanos por este mundo está com os anos contados.

—Como?

—Eles acreditam que mantendo a pureza de nossa raça, nós continuaremos a reinar absolutos. -ela fechou os olhos e sorri. -Há tempos meu falecido marido já percebia tais mudanças. E por isso tinha tanto apreço pelos humanos. Via na união entre youkais e humanos, a única maneira de sobrevivência das famílias de grande poder.

Ela observava a luta com ar de tédio.

—Infelizmente, caberá aos fracos a extinção ou o exílio se não se adaptarem a esta mudança.

Em seguida ela olhou discretamente a nora, que tentava acalmar a menina humana.

—Infelizmente estes tolos que não apoiam meu filho não perceberam que a prole nascida desta união, será forte o suficiente para enfrentarem tais mudanças e protegerem os seus. Mas, creio que devo parar estas lutas. -a Matriarca deu um sorriso discreto. -Não seria um sinal de boa sorte, o noivo matar seus convidados durante a celebração do casamento.

Anna, Jaken, Rin e Tomishiro a olharam com espanto. A poderosa Inuyoukai simplesmente afastou vários familiares com um gesto de sua mão, jogando-os contra a parede e ordenando com o olhar que parassem e sendo obedecida imediatamente.

Sesshoumaru estava a ponto de rasgar Muneyoshi com suas garras em dois, quando sua mãe se colocou entre os dois, com inabalável calma.

—Sesshoumaru...já chega. Já demonstrou a Muneyoshi o seu devido lugar. -ela lançou um olhar repreensivo a ele. -Creio que apesar de ter passado boa parte de sua vida por conta própria, sua noiva raramente deve ter sido testemunha de tanta infantilidade!

Subitamente, Suiko apareceu tocando o ombro de seu consorte e ordenando a servos que o levassem aos seus aposentos para que cuidasse dele.

—Assim que se recuperar, quero-o longe de minhas terras...primo. -disse Sesshoumaru voltando a sua fisionomia normal. Assim que eles sumiram, Sesshoumaru fitou a mãe. -Ele colocou suas mãos nela. Você sabe que ele poderia matá-la com apenas um gesto.

—Eu sei. E ela também sabe disso... -e acrescentou lançando um olhar para a direção de Anna. -Mas mesmo assim não rebaixou-se a ele. Gosto de sua esposa a cada momento! Imagino que sua vida dificilmente cairá no tédio ao lado dela.

—Hunf...vou me recolher. -caminhou até a esposa e estendeu a mão a ela. -Vamos.

Anna olhou para os convidados, que pareciam voltar ao normal e assumirem a aparência aristocrática de antes. Os servos tratavam de limpar a bagunça e a retirar os móveis danificados, agindo como se nada houvesse acontecido.

—Não era a celebração de casamento que eu almejava para nós. -disse o lorde.

—Isso é comum?

—Desde que assumi a liderança, não. -respondeu com sinceridade. -Ninguém é tolo o suficiente para me desafiar mais de uma vez.

A tomou pelo braço, conduzindo-a pelos corredores, em direção aos seus aposentos. Assim que as portas se fecharam, ele a tomou nos braços, beijando seus lábios com ardor.

Esperou muitos dias para possuí-la e estava ansioso demais para satisfazer o desejo que o consumia. E com satisfação, foi prontamente retribuído. Ele a amou e a possuiu com tanta intensidade e paixão, que Anna achou que iria enlouquecer de tanto prazer. Exausta, adormeceu profundamente em seus braços, pouco antes do amanhecer.

O que nenhum dos dois sabiam, e somente os deuses tinham conhecimento...era que esta união fora abençoada...com frutos.