Capítulo 9:
Anna caminhava por uma trilha, voltando de um passeio que haviam feito ao vilarejo nas proximidades do castelo de Sesshoumaru, tendo Rin a sua frente que cantarolava toda feliz. Bem, ela não a censurava por isso. Havia cerca de vinte dias que estava casada com Sesshoumaru, seus parentes não o incomodavam durante todo este tempo, que partira poucos tempo após Muneyoshi e sua esposa pedante terem ido embora.
Eles haviam partido no dia seguinte ao casamento, dando um grande alívio a grande maioria dos moradores do castelo, que não simpatizavam com o primo de seu lorde e temiam que fizessem algo aos seus senhores.
Os criados, humanos e youkais, já estavam acostumados com a ideia de que seu senhor ficaria mais tempo entre eles, e que agora tinham uma senhora a quem deveriam obedecer e proteger na ausência de seu lorde.
Sesshoumaru não dava mostras que queria partir novamente em sua jornada para ficar mais forte, ele estava mais inclinado em cuidar de seu feudo durante o dia, e possuir apaixonadamente sua esposa todas as noites.
Pela primeira vez em anos, desde a morte de seu pai, Anna se sentia abençoada.
Os soldados youkais que guardavam os portões do castelo saudaram respeitosamente Anna, assim que ela chegou. A hannyo com um gesto de cabeça respondeu o cumprimento. Avistou a mãe de Sesshoumaru no pátio principal, esperando-a. Parecia que se preparava para partir.
—Esperava por você. -disse a matriarca, dispensando os servos com o olhar. -Pode me acompanhar em um passeio pelos jardins? Gostaria de conversar com a esposa de meu filho antes de voltar ao meu lar.
—Sim. -respondeu Anna, pedindo a uma serva humana que cuidasse de Rin.
—Ainda tentarei descobrir o que leva os homens dessa família a se afeiçoarem a humanos. -suspirou a matriarca olhando para Rin que se afastava. -Eu lhe contei a história sobre como meu filho arriscou-se para salvar aquela menina uma vez? Não foi a única. Havia outro humano com ele nessa época também... um menino... não interessa o paradeiro dele.
As duas se afastaram dos olhares curiosos dos demais e caminharam calmamente até um dos vários jardins daquele palácio. Pararam em uma pequena ponte vermelha, que fazia um arco sobre um lago, onde carpas coloridas nadavam tranquilamente procurando alimento. A Grande Matriarca parou um instante fitando as águas antes de dirigir a palavra a sua nora.
—Parecia de bom humor ao entrar no castelo, Anna. -comentou. -Agora me parece preocupada. Não está feliz?
—Eu estou.
—Queria lhe falar dos problemas futuros que terá ao ser a esposa do lorde deste castelo e líder de nosso clã. -começou a falar. -A todo momento haverá aqueles que irão tentar tomar o lugar de meu filho. E ameaçarem o legado que estão construindo. E claro, muitas de nosso clã almejam tomar seu lugar como esposa do senhor do clã.
Anna a fitou, espantada. A imagem da esposa de Saiko e a clara demonstração de que tinha interesse em Sesshoumaru veio a sua mente.
—Eu não me preocuparia com aquela fêmea. -disse a matriarca como se adivinhasse seus pensamentos. -Não da maneira que pensa.
—Como assim?
—Nada com que deva se preocupar. -ela sorriu demonstrando ternura raras vezes vista. -Meu filho possui algo que eu admiro. Ele é fiel aos seus princípios. -foi quando tocou no pescoço de Anna com os dedos e espantou-se. -Meu filho ainda não consumou a União de Sangue?
—União de Sangue? -Anna franziu a sobrancelha.
—Hmmm... creio que precisávamos mesmo desta conversa. Meu filho ainda não consumou o casamento? -perguntou sem rodeios.
—Foi consumado sim. -corou ao responder e ao se lembrar que ele a possuiu antes mesmo do casamento.
—E não lhe marcou como companheira?
—Marcar?
—Com uma mordida no pescoço.
—Hã? -mais espantada ainda.
A matriarca afastou o tecido que cobria seu pescoço revelando duas marcas que há muito haviam sido cicatrizadas.
—Uma fêmea Inuyoukai costuma exibir tais marcas com orgulho. -disse a poderosa youkai. -O pai de Sesshoumaru me marcou em nossa primeira noite juntos...e antes do casamento. -riu ao lembrar. -Ainda lembro da expressão de meu pai quando reparou nas marcas durante a cerimônia, e meu marido fingindo que nada aconteceu. Muitas raças youkais marcam suas fêmeas.
—Como é isso de marcar o pescoço? Eu nunca soube disso! Os servos de meu pai que me criaram após a morte dele nunca me falaram disso!
De fato nunca falaram, mas Anna se lembrava de que Nanai nunca apareceu com tais marcas, mesmo após morar ao lado de Sho como um casal.
—Trata-se de um comportamento natural entre os membros de nosso clã. –dizia a matriarca. -A companheira escolhida é marcada, para que todos os demais membros do clã saibam que ela é casada e que deve ser protegida e respeitada por todos. E claro, que não possam almejar a esposa de outro.
Anna tocou em seu pescoço.
—Um Inuyoukai necessita se alimentar do sangue da esposa escolhida para consumar o casamento, e para isso lhe mordem o pescoço. Esta é a União de Sangue. A união se torna eterna, indissolúvel! É como se compartilhassem uma só alma.
—Mas no pescoço? Não pode ser no braço ou...
—Tal assunto a assustou? –Inu Kimi riu. -A união é feita no momento do clímax. Ele se alimenta de seu sangue, e coloca no ventre de sua esposa a sua semente.
—Todas às vezes? Acontece todas às vezes que o casal... -agora Anna estava realmente assustada.
—Não! Apenas uma vez! -ela riu do espanto de sua nora. -Acalme-se!
—É fácil falar, senhora. -meio indignada.
—Sei que não é fácil expor uma parte tão vulnerável do nosso corpo. Mas aí que reside a base de um casamento duradouro... a confiança. Se não confiar a seu marido sua vida, seu destino... como espera viver ao seu lado os séculos que virão? É a demonstração maior de amor que pode haver entre nós. No entanto, me preocupa que ele não tenha consumado isso até agora! Por que será?
—Talvez porque ele não me ame de verdade, e queira fazer a união apenas com alguém que ele ame.
—Ridículo! Não creio nisso. Talvez ele queira ter certeza de que o sentimento dele é verdadeiramente correspondido. -disse séria. -Não tenho dúvidas que meu filho a quer como companheira eterna.
—Ele não fez isso em nossa primeira vez... talvez não surte efeito.
—Claro que surtirá. Consumar a União de Sangue na noite de núpcias é uma tradição, mas não é obrigatória que seja assim. -depois a fitou intensamente. -Ele beber seu sangue não prejudicaria a criança que carrega. Não se preocupe.
—O que? -Anna engasgou com o último comentário da Matriarca.
—As youkais gatas são conhecidas pela grande fertilidade, não comentei isso? Deve ter herdado este traço da família de seu pai.
—Como...como pode afirmar tal coisa? Como pode ter tanta certeza?
A Matriarca apenas se limitou a sorrir e voltou a caminhar, de volta ao pátio principal, onde sua carruagem já a esperava para partir.
Anna a seguiu com passos apressados e parou ao ver no pátio Sesshoumaru, que parecia ter vindo para se despedir de sua mãe. Trocaram breves palavras e a dama entrou na carruagem, mas antes de fecharem a porta ela comentou:
— Está em seus olhos...até mesma você já sabia deste fato, Anna.
A carruagem seguiu seu caminho, e assim que atravessou os portões ganhou os céus, sumindo por entre as nuvens. O youkai olhou para a esposa, curioso com as palavras de sua mãe, mas notou que Anna parecia incomodada com alguma coisa e decidiu perguntar somente mais tarde.
E ninguém no castelo percebeu quando um enorme inseto saiu de seu esconderijo por entre as folhagens de uma árvore e voou para narrar ao seu mestre os mais recentes acontecimentos.
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Em outro lugar...em um castelo oculto por forças malignas, onde a morte há muito reinou ali, uma mulher idosa, caminhava devagar por entre seus corredores, até chegar a um amplo salão, onde alguém repousava por detrás de uma cortina fina.
—Então? -a voz do senhor daquele castelo se fez presente. -O tempo está passando...
A mulher nada respondeu, nem mesmo quando um tentáculo saiu por detrás da cortina, acertando violentamente o piso ao lado da idosa, deixando um buraco enorme no local. Era um sinal claro da impaciência dele.
–RESPONDA VELHA MALDITA! -ele ordenou, alterado. –Esse corpo... fraco está apodrecendo...
A velha reparou que o mesmo tentáculo que tentava intimidá-la estava se desfazendo, cheio de pústulas e ferimentos pútridos iguais à uma pele leprosa. Ela desviou o olhar para uma pequena janela de onde o inseto espião entrou e parou entre os dois. A atenção da velha foi para o inseto, como se pudesse ouvir o que ele dizia...talvez pudesse, pois ela sorriu satisfeita.
—Finalmente...-ela disse. -Terá seu corpo novo para sua alma odiosa.
—Então, traga-o para mim agora!
—Sim. -ela abaixou a cabeça momentaneamente, e em seguida se ergueu. Diante dos olhos de Naraku, a imagem da mulher foi substituída por o de uma bela Inuyoukai de cabelos claros. -O trarei agora mesmo.
—Ninguém desconfia de você?
—Claro que desconfiam. Mas não imaginam sequer qual seja a minha real natureza. -ela riu. -Afinal, o único que poderia me reconhecer está morto há décadas. Agora com sua licença...trarei seu novo corpo, senhor Naraku.
E a Inuyoukai saiu do salão, para realizar seu intento maligno.
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Anna estava em seus aposentos, olhando para a espada de seu pai, com uma expressão preocupada. Quando Sesshoumaru entrou, e a fitou. Embora não demonstrasse com expressões ou palavras, era nítido que ele se preocupava com ela. E fora o fato de que bastasse olhá-la para que seu corpo reagisse, querendo possuí-la.
Embora Anna sempre correspondesse com a mesma intensidade a paixão que sentia, todas as vezes que a possuía, aumentava a sua necessidade de consumar a união de sangue.
—Vamos. -ele disse.
—Aonde? -ela olhou pela janela, a lua aparecia. -Já está tarde!
—Quero passar alguns momentos na companhia de minha esposa. -ele estendeu a mão para que ela se levantasse.
Anna aceitou a mão estendida e o acompanhou. Em minutos atravessaram o pátio em direção a saída do castelo. A lua cheia iluminava o caminho, e Sesshoumaru a conduziu por trilhas que parecia que somente ele conhecia. Chegaram após uma breve caminhada ao local que Anna logo reconheceu.
—Aqui é...
—Aqui estão os ossos de um amigo de meu pai. Alguém que respeitei -disse parando diante da rocha usada como lápide. -Nunca entendi o fascínio que os humanos despertavam em meu pai. Para mim...são seres inferiores...indignos. Mas mesmo assim, aprendi a respeitar o humano aqui enterrado.
—Quem era?
Ele a pegou pela mão e recomeçaram a andar.
—Era um ronin. Um samurai sem mestre. Até conhecer meu pai e passar a servi-lo. Foi o primeiro a me ensinar a empunhar uma espada e me ensinou muito. Graças a isso pude iniciar minha jornada para me tornar o que sou. Mas não era este lugar que eu queria que visse.
Pouco depois, eles atingiam uma clareira oculta por rochas, um lindo recanto com uma lagoa e vegetação rasteira. A lua refletia-se nas águas da lagoa.
—Um ancestral meu descobriu este lugar assim que o castelo foi erguido. Soube que era o seu local preferido.
—E com toda razão. -Anna estava admirada com a beleza natural daquele lugar. Não conseguiu conter um sorriso.
—Finalmente. -murmurou ele, bem próximo a sua esposa. -Sentia falta de ver seu sorriso. Cheguei a imaginar que considerava um fardo viver ao meu lado. O que a tem preocupado?
—Não era nada, Sesshoumaru. Apenas bobagem minha. -pensou na possibilidade de perguntar sobre a União de Sangue, ou lhe dizer que desconfiava que estava esperando um filho dele, mas achou melhor deixar esta conversa para outro momento.
De repente, ele pareceu incomodado com alguma coisa.
—O que foi?
—Sinto que não estamos sozinhos... -o olhar frio do youkai se movia de um lado para outro, tentando identificar um provável inimigo, que os espreitava.
—Não vejo ninguém...
Antes que pudesse completar a frase, Anna foi empurrada bruscamente por Sesshoumaru para trás, momentos antes que um inimigo quase arrancasse o braço do Inuyoukai, em um ataque direcionado a ela.
Mas Anna não teve tempo de se preocupar com Sesshoumaru, ocupada em se curvar em pleno ar, ao mesmo tempo em que protegia o ventre com um dos braços, como se protegesse a vida que sabia estar dentro de si.
Mal tocara o chão e sentia que algo a agarrava pelos braços, arrastando-a para a escuridão da floresta. Era como se as próprias sombras estivessem vivas. Gritou pelo nome do marido, que ao ver o que acontecia foi acometido por uma fúria intensa.
—Malditos. -sibilou empunhando sua espada e ignorando o sangramento que o corte em seu braço causara.
Deu um passo à frente e estreitou o olhar ao ver sombras a sua frente assumindo formas humanoides. Todos empunhando armas e se preparando para o ataque.
—Que tipo de embuste é esse? Não luto com alguém que usa truques idiotas! Apareça e me enfrente! -vendo que não obtinha resposta, apenas que as sombras se moviam em sua direção, se preparou. -Que seja. Vou acabar com isso logo.
—Sesshoumaru! -Anna gritou, tentando se soltar em vão.
O youkai com um movimento de sua espada cria uma poderosa pressão contra as criaturas feitas de sombras abrindo caminho. Ele tem a visão de Anna sendo arrastada por longos braços feitos de sombras para dentro da floresta. Ele se move a grande velocidade com a intenção de resgatá-la, mas para a sua frustração, as mesmas sombras que se afastaram com o poder da Bakusaiga voltaram a ergue-se e barrar seu caminho.
—Malditos! Saiam do meu caminho! -vociferou, os olhos tornando-se escarlates, um prenúncio de sua ira e que não iria conter sua força se fosse preciso para proteger Anna.
Não muito distante, observando a luta de um ponto estratégico, onde tinha ampla visão e a proteção natural da noite e das rochas, Suiko sorria ao ver os esforços desesperados de Sesshoumaru em alcançar a esposa.
—Lute...lute Sesshoumaru. -ela riu. -Mas é tarde demais. Em breve terei a minha vingança. Levem a mestiça para Naraku agora!
Como se houvessem escutado a ordem dada, as sombras envolveram Anna por completo jogando-a na escuridão sufocante de seu interior. Ela tentou gritar, mas a sua voz não saia, era como se uma mordaça estivesse em seus lábios. E então, o invólucro negro, feito pelas trevas, desaparece na floresta.
Ao ver a cena, Sesshoumaru foi tomado de grande ira e preocupação, algo que ele nunca pensou que sentiria nesta proporção por ser algum.
E o inevitável acontece.
Assumindo uma forma de uma fera, o cão monstruoso que raramente utilizava em batalhas, Sesshoumaru investe com toda fúria contra as sombras que tentavam barrar sua passagem, e adentra a floresta procurando Anna.
Após correr por um longo trajeto ele para, sentindo que este ato era inútil. Não sentia mais a presença de Anna, seu perfume...nada! Nem o odor pútrido que precedeu o ataque das sombras era sentido.
Sesshoumaru rosna e cerra as presas, numa clara demonstração de raiva e de um sentimento incômodo. Ele sentia que havia fracassado em protegê-la. Em ira, emitiu um uivo aterrador, anunciando que quem ousou atacá-los iria receber o pior dos castigos.
Recuperando a calma, voltou a assumir a forma humana, decidindo o que iria fazer. Passos suaves na relva foram captados pelos ouvidos sensíveis do youkai, que virou o rosto na direção em que eles vinham. Estreitou o olhar ao reconhecer aquela que dizia ser a esposa de Muneyoshi surgindo em meio a noite.
—O que faz aqui? -indagou com frieza. -É a responsável pelo ataque contra mim e minha esposa? Sinto o mau cheiro daquelas coisas em você, Suiko...não...é o cheiro nauseante de Naraku em você! Quem é você? Mais uma de suas criações?
Suiko apenas sorriu, mas de uma maneira diabólica que demonstrava que suas intenções não são as melhores.
–Não, eu não nasci de Naraku. Na verdade, poderia dizer que ele renasceu de mim. –ela riu.
—O que disse?
—Ele me serviu bem quando precisei. Digamos que temos uma aliança, contra um inimigo em comum. Ele te odeia Sesshoumaru, e eu odeio todos aqueles que carregam o sangue de Inutaisho nas veias.
—Quem é você? Onde está Anna? -perguntou novamente, desta vez a garra de sua mão esquerda pronta para rasgar a garganta de Suiko, caso sua resposta o desagrade.
Um vento gélido balançou as vestes e os longos cabelos de ambos, Suiko não tirava o sorriso vitorioso dos lábios, e não teve pressa alguma em responder.
—Você tentou recuperar seu braço comigo uma vez, Sesshoumaru. Lembra-se? Você veio a mim.
—Yamatai? -ele mesmo não acreditava no que havia dito, mas depois empunhou a espada, olhando-a com frieza mortal. -Não importa quem ou o que você seja, ao estar aliada a Naraku e por ter levado minha mulher, vai morrer.
—Eu não faria isso se fosse você, Sesshoumaru. -ela mantinha a mesma expressão debochada em seu rosto. -Afinal...se me matar, não poderá trazer sua querida esposa de volta...e nem ao seu herdeiro.
—O que disse?
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Longe dali, em um salão escuro e cheirando a morte, Anna despertava de sua inconsciência, aonde havia sido lançada.
Apoiando em suas mãos, ergueu o corpo olhando ao redor, tentando avaliar sua situação, onde estava e se havia perigo próximo. Infelizmente seus sentidos não puderam lhe ajudar, e seus instintos lhe diziam que o perigo estava próximo.
Um ruído chamou-lhe a atenção para um ponto extremo ao que se encontrava no salão, onde parecia que alguém repousava protegido por uma fina cortina e emitia um silvo como o de um réptil. Ficou em pé, sem tirar os olhos do local, e ficou em alerta ao perceber que tal pessoa se movia.
—Não se preocupe, não irei fazer-lhe mal. Afinal, que tipo de anfitrião eu seria se machucasse uma mulher que carrega uma criança, não é?
—Como..?
—Como eu sei? -dizia o dono da voz, que causava em Anna um mal estar tão forte, como se alguém lhe apertasse o coração com as mãos. Ficou tensa ao vê-lo saindo por detrás da cortina. -Eu sinto o poder desta criança, mesmo sendo uma criatura tão pequena e frágil.
Anna arregalou os olhos ao fitar o ser que estava diante dela. Era uma massa disforme e putrefata, tentáculos, garras e membros brotavam de todos os lado, bem como um odor forte e nauseante. Um odor de morte e miasma.
E acima desta forma estava a forma desfigurada de um homem, na verdade apenas seu tronco, membros superiores e a cabeça lembravam um homem, mas seu olhar parecia o de uma serpente ao fitar sua presa antes do bote.
—Quem ... o que é você? Onde estou? Exijo que me leve de volta! -falou com uma falsa aparência de coragem, tentando esconder o temor que sentia. Não pela sua vida, mas pela aquela que agora tinha certeza que carregava em seu ventre.
—Hmm...quanta ousadia se referir a mim neste tom, mesmo sabendo que está diante de um ser superior a você em força e poder. -ele se move e fica diante de Anna, um dos tentáculos toca sua face como se fizesse uma caricia. Ela se encolheu enojada. -Eu fui Naraku...ah, não me olhe assim com tanto desprezo. Afinal, em breve seremos muito...muito próximos.
—O que?
Anna recuou um passo e Naraku ergueu seu enorme corpo disforme. Neste momento a hannyo percebeu que este gesto foi feito com esforço, e que Naraku parecia ter dificuldades em manter seu corpo monstruoso.
—Estou assim devido ao último encontro que tive com o maldito meio irmão de Sesshoumaru meses atrás. -dizia Naraku, percebendo o que se passava na mente de Anna.-O desgraçado do Inuyasha e aquela vadia humana que é sua companheira... destruíram quem eu fui um dia. Naraku morreu... mas seu ódio não. E eu que fui Naraku nasci desse ódio. Sou poderoso demais para que a morte me leve tão facilmente. Mas...até mesmo eu tenho limitações. A Shinko-no-tama não existe mais...Sem ela, não conseguirei sobreviver por mais tempo...a não ser...
—A não ser? -perguntou temerosa da resposta.
—Que eu una meu corpo e espírito a de outro ser. Um youkai tão poderoso, que me tornará o ser mais temido deste mundo! Com tal união eu serei invencível!
—Um youkai poderoso? -Anna estreitou o olhar. -Então me trouxe aqui para atrair Sesshoumaru, não foi? Esqueça! Quando meu marido aparecer, ele o matará. Não irá vencê-lo e muito menos se fundir a ele, maldito!
—Eu não disse que queria o corpo de Sesshoumaru para mim. –"Naraku" disse com um sorriso sórdido no rosto, e Anna estremeceu.-Eu já tenho aquele que está destinado a ser o mais poderoso youkai a andar por este mundo. O descendente de dois dos maiores youkais que já existiram... Yamashura, lorde dos youkais gatos e de Inutaisho, lorde dos Inuyoukai.
Anna recuou outro passo, por instinto colocou a mão sobre o ventre como se quisesse proteger o bebê ainda em formação dentro dela.
—Sim...é exatamente isso o que você finalmente percebeu. –"Naraku" se aproximava mais, sua sombra parecia encobrir todo o local e Anna. -Eu quero o corpo e a alma deste ser... o filho de Sesshoumaru.
