Capítulo 10
Em algum ponto da floresta, horas atrás.
—Vamos terminar isso logo, Inuyasha. -dizia Miroku, com ar tedioso. -Quero voltar para a casa da senhora Kaede, onde as meninas nos esperam. Sabe que serão dias de viagem até chegarmos lá? E a Sango está no oitavo mês, sabe que estou ansioso demais com a chegada do bebê! Meu primeiro bebê!
—Então levanta daí e faça algo de útil, Miroku! -resmungava Inuyasha, medindo forças com um oni gigantesco, usando sua Tessaiga. Este usava um tipo de martelo gigantesco.
—Você disse que cuidaria deste problema sozinho! Além do mais, eu não tenho mais o Buraco do Vento em minha mão, esqueceu? Com a morte de Naraku, sua maldição se foi.
—Maldito! Não pedi que me acompanhasse nesta viagem!- dizia desviando dos inúmeros ataques do oni, após se livrar do peso do martelo deste.
—E eu não queria vir...mas a Sango e a Kagome praticamente me obrigaram... -suspirou. -E como não bastasse estarmos longe, você provoca este oni. Aliás, como um simples oni pode ser problema para você? Tsk...está deixando o ócio te dominar meu amigo?
—Ócio? O único ocioso é você, seu monge folgado! Foi você quem ofereceu ajuda aos moradores da vila com o "problema com onis" deles! -o hannyo acusou, apontando o dedo acusadoramente para Miroku, esquecendo-se do seu adversário momentaneamente, e recebendo dele um soco que o joga longe. -Ouch!
—Fomos generosamente pagos pelo chefe da aldeia para isso. -sorriu, lembrando-se das belas jovens que o cercaram pedindo sua ajuda...depois suspirou com tristeza. Agora estava casado e não poderia cair nesse tipo de tentação, se quisesse permanecer vivo. -Vai demorar muito?
–—Filho da P...! -não completa a frase, desviando-se de outro ataque.
–Mas você não havia dito que não precisaria de ajuda para derrotar um oni fedorento? -dizia erguendo um dedo como se fosse discursar.
As palavras do monge enfureceram o oni que parece ter aumentado sua força e Inuyasha se viu forçado a ceder espaço.
—Cala a boca, Miroku! -gritou o hannyo, saltando para trás e evitando que o martelo o esmagasse.
—Está bem. Eu me calo. Mas a Sango vai ficar furiosa com a nossa demora! -suspirou e depois ficou observando Inuyasha desviando-se dos golpes do oni. -Vai demorar?
—Eu falei para você calar a boca, Miroku!
—Não estava falando do oni e sim de você e da Kagome. Vai demorar para se casarem?
—Desgraçado! Isso não é assunto seu!
—Desculpa aí... Só estava curioso. Está enrolando a moça? Que vergonha, Inuyasha!
Irritado, Inuyasha ergue sua espada, invocando o poder nela oculto e liberando-a em um golpe perfeito:
—Ferida do Vento!
O poder da Tessaiga atinge o oni que é reduzido a nada. Em seu lugar apenas o rastro deixado pela espada demonstrava que uma luta foi realizada ali.
—Precisou usar a Ferida do Vento contra um oni atrapalhado? -perguntou o monge em tom de deboche.
—Cala essa matraca, monge! Eu não teria que usar a Ferida do Vento se você não tivesse com tanta pressa de chegar em casa!
—Ora, eu só quero evitar problemas domésticos, Inuyasha. Sabe como a Sango e a Kagome ficam quando nos atrasamos...o que foi?
Inuyasha resmunga algo, continuando a fitar um certo ponto na floresta, não respondendo ao monge.
—Inuyasha...sei que não comentou nada, mas estamos próximos às terras de seu pai, não é?
—São as terras do maldito do Sesshoumaru agora. -resmungou Inuyasha, virando-se para caminhar até a estrada, mas parou sentindo-se incomodado. Suas orelhas mexeram-se involuntariamente. -Droga! Há algo errado por aqui!
—Pensando melhor...- Miroku sentiu a testa umedecida por suor, sinal de que seu corpo reagia a algo maligno no ar. Foi quando viu algo por entre as árvores e apontou entre elas. -Não acredito! Olhe!
O hannyo deu um salto em alerta ao aviso de Miroku e avistou o que o monge queria mostrar.
—Um inseto venenoso? Não pode ser!
–Estas coisas são criações de Naraku! Não deveria haver mais! -Miroku ainda não acreditava. -Será que...? Não! Me recuso a aceitar isso!
A pequena criatura desaparece entre as sombras da mesma, sendo perseguida por Inuyasha, que ignorou os avisos de Miroku para que o esperasse.
xxx...xxx...xxx...xxx...xxx...xxx...xxx...xxx
Em outro ponto da floresta...agora.
O sorriso vitorioso da mulher a sua frente o irritava ainda mais. Como se não bastasse afrontá-lo, ainda o ameaçava usando Anna como pretexto. E que história era essa de herdeiro? O que ela...será possível? Sesshoumaru estreitou o olhar.
—O que você realmente quer de mim, Yamatai?
—Os pecados dos pais... -ela ficou séria. -Por que os filhos devem pagar pelos pecados dos pais?
—Não sei do que fala.
—Claro...não poderia saber. Foi há tanto tempo! -ela colocou os dedos sobre a fronte, como se uma dor estivesse começando ali. -Mas eu me lembro disso...é um pesadelo constante que apenas me lembra de que estou neste mundo infernal para vingar a morte de todos.
Sesshoumaru naquele momento começou a duvidar da sanidade dela.
—Yamatai, não tenho tempo para jogos! -abriu a mão, preparando suas garras.
—Engraçado...aquele nome nos últimos trezentos anos este foi o nome que eu usei quando estava presa aquele corpo de bruxa humana decrépita. -ela riu. -Por ser uma bruxa, as pessoas ficavam longe de mim, me ignoravam, evitavam...até mesmo os Inuyoukais me evitavam. Foi fácil viver tanto tempo nestas terras, apenas esperando o momento certo.
O youkai olhou discretamente ao redor, imaginando se ela seria tola a ponto de estar ali sozinha após tanta provocação. Ele era um guerreiro experiente e sabia que covardes sempre se asseguravam de estar em vantagem em uma luta, mesmo que fosse por meios sujos.
—Yamatai não é meu nome. -ela continuava a falar. -Mas a forma de uma fêmea de Cão branco foi bem útil! Permitiu que eu entrasse em seu castelo e não fosse reconhecida pelos seus parentes mais velhos, que devem se lembrar da Guerra entre os Clãs séculos atrás. Confesso que fiquei com receio quando sua mãe apareceu, viesse a me reconhecer. -ela riu. -Mas a "Venerável Matriarca" é arrogante demais. Nem deve se lembrar de mim, afinal...era uma menina inconsequente naquele tempo.
—Você diz coisas que não me interessam. Para onde levou minha mulher? -indaga em um tom que exigia uma resposta, sem alterar a expressão indecifrável de seu rosto.
–Um dia fui chamada de Suiko... por um pai e uma mãe...por uma família. -ela pareceu distante, e realmente o Inuyoukai percebeu que ela estava realmente fora de seu juízo. -Eu tinha uma família. Até seu pai covarde ter matado a todos! -o tom de voz dela foi se alterando, o rosto assumia uma forma de puro ódio, os olhos dela cintilavam escarlates, as longas madeixas douradas iam assumindo uma cor escura. -Como não bastasse ter matado os guerreiros e machos de nossa família naquela guerra sem sentido, O MALDITO INUTAISHO ORDENOU A MORTE DE TODA FÊMEA E CRIANÇA DE MEU CLÃ!
Um ódio intenso emanava de Suiko, mas não era maior que a indignação de Sesshoumaru ao ouvir tais acusações sobre seu pai. Apesar de suas diferenças, ele sabia que o pai jamais faria algo assim. Jamais ordenaria um massacre contra crianças e fêmeas de qualquer clã indefeso. O olhar de Sesshoumaru tornou rubro como sangue, e sua mão estremeceu de raiva por isso.
—Meu pai...jamais faria isso! É uma mentira tão sórdida que merecia punição! -disse, com as presas já salientes.
—Não se iluda! Eu estava lá e vi os cães brancos massacrando minha família e que o faziam em nome de seu líder! -ela gargalhou quando percebeu a raiva em Sesshoumaru. -Ninguém lhe contou sobre a Guerra? Ou o que seu "nobre" pai havia feito?
Ele fechou o punho, tentando conter a sua ira.
—Os malditos cachorros brancos queriam dominar todos os clãs de youkais desta região. Houve uma guerra terrível! Inutaisho era jovem, e seguia ordens do pai...seu avô era um porco arrogante que se auto declarou dono destas terras! -dizia isso com desprezo. -Todos sucumbiram, por medo ou pela luta. Mas meu povo não. Nós, os Cães Negros sentimos orgulho de sermos livres e donos de nosso destino! Jamais nos sucumbiríamos a vocês!
—Maldita bruxa! -ele avança sobre ela, segurando entre as suas garras o delicado pescoço de Suiko, que sorria de modo insano. –Pare com suas mentiras!
—Me matando não mudará os fatos. -ela dizia sorrindo. -E nem trará sua vadia de volta.
Ele apertou um pouco mais os dedos, fechando-os naquele pescoço e em seguida a soltou. Suiko coloca a mão no local, sentindo que estava ferido pela força de Sesshoumaru e gargalha diante do gesto dele.
—Mas eu sobrevivi! Meus pais deram a vida para que eu vivesse! Eu esperei anos para me vingar. Quando tive a oportunidade, quis matar sua família. Mas eu não era forte suficiente. –enquanto falava, ela olhava a mão que aparentava ser de uma idosa por alguns momentos e depois voltava a ser jovem. –Seu pai não quis que me matassem, sentia culpa... –ela falou com desprezo. –Mas teria sido melhor se tivesse permitido! Fui amaldiçoada, aprisionada naquele corpo decrépito.
—Parece que antigos rancores entre famílias nos assombram...
—Eu consegui quebrar a maldição! Pena que só dura algumas horas a poção e precise tomar mais e mais... Os fios negros dos cabelos de um inimigo... –ela mostrava uma madeixa de seus cabelos. –Algo de um parente de sangue... –olhava para Sesshoumaru, estendendo a mão para tocar seus cabelos prateados e ele se afasta enojado. –Algo de um amigo querido... os ossos de seu professor...
Sesshoumaru com um gesto tento acertá-la com as garras em vão, ela desvia gargalhando.
—Chega de conversa. Venha, Muneyoshi. -declara a mulher erguendo a mão. Das sombras da mata, surge a figura de Muneyoshi armado com sua espada, e olhar sem vida. -Acabe com Sesshoumaru!
Ele avança contra Sesshoumaru que não encontra dificuldade alguma em desviar-se com um salto. Ele percebe o odor de morte vindo do corpo dele. Estreitou o olhar.
—Acha mesmo que uma marionete seria páreo para mim? Ridículo!
Uma risada de Suiko foi a resposta que obteve. O desmorto que um dia foi Muneyoshi atacou de repente, com uma força e rapidez que surpreendeu até mesmo Sesshoumaru que por pouco não escapava de suas garras, que cortavam suas vestimentas e arranhavam a pele de seu tórax.
Em seguida os dois se engalfinharam num selvagem e feroz combate corporal. Sesshoumaru conseguiu afastá-lo com um soco potente e se preparou para o próximo ataque dele, empunhando sua espada.
Muneyoshi começou a assumir uma forma mais bestial proveniente de sua natureza youkai, avançando com suas garras e dentes pontiagudos. Sesshoumaru revida com um golpe de sua espada, cortando o braço de seu oponente.
—Só lamento o fato de que já está morto e não pode sentir a dor. -novos ferimentos surgem no abdômen, profundos, de onde o sangue jorrava abundante.
Sesshoumaru ignora o ferimento, já havia recebido piores em seus anos de existência, mas ao se virar para acabar de uma vez por todas com o cadáver animado de Muneyoshi sentiu os ferimentos arderem e sua visão embaçar.
—Um presente de Naraku. -dizia Suiko. -Mesmo um youkai venenoso como você deve sentir os efeitos do veneno de Naraku. Feito só para você.
—M-maldita!
O suor frio começou a brotar da testa do Inuyoukai, e ele sentiu a boca seca, com um gosto agridoce desagradável. As sensações produzidas pelo veneno nas garras de Muneyoshi o deixaram mais lento, a ponto de não conseguir desviar das garras destes cravadas em seu peito.
Sesshoumaru sentiu o sangue subir em sua garganta e não conseguiu evitar de cuspi-lo. Suiko gargalhava.
–Mate-o!
Ela ordenou e o cadáver de Muneyoshi se preparava em dar um golpe mortal diretamente no coração de Sesshoumaru, mas um grito de alerta reteve o ataque, ao fazer Suiko desconcentrar-se.
—EI!
Suiko arregala os olhos diante do invasor. Aos pés dele um inseto venenoso recém cortado ao meio pela enorme espada deste que a mantinha apoiada sobre o ombro. Sesshoumaru estreita o olhar, visivelmente incomodado pela presença dele.
—Não me importo que mate este idiota do Sesshoumaru, mas está agindo de maneira covarde! -avisou Inuyasha. –Ei, Sesshoumaru! Vai deixar que te matem assim?!
—O filho bastardo de Inutaisho. -diz Suiko sorrindo. -Estava na região...Me poupou o trabalho de procurá-lo.
—Saia daqui, Inuyasha. -ordenou Sesshoumaru ficando em pé a muito custo, ficando a uma distância segura de Muneyoshi. -Esta luta não é sua.
—E quem é você para me dar ordens, Sesshoumaru? Eu faço o que bem quero! -replicou o mais jovem e depois ele apontou a espada para Suiko. -E quem é você para me ofender? Não ouse vomitar asneiras sobre mim, sua bruxa!
—Quanta petulância! -espantou-se a youkai. -Hunf! Como foi que Inutaisho pode gerar um filho tão sem nobreza quanto este?
—O que foi que disse? -Inuyasha pergunta furioso. -Sua...
—Muneyoshi. -o cadáver animado segura firme a espada em resposta ao chamado de Suiko. -Mate o bastardo. De Sesshoumaru cuido eu.
Em resposta Muneyoshi avança contra o hannyo que segura o ataque com sua espada, mas a força desferida o arrasta para trás alguns metros, fazendo-o praguejar.
—Você fede a cadáver! -resmungou Inuyasha e ele percebe que realmente seu oponente estava morto. -Mas que droga! Odeio lutar contra zumbis!
Suiko no entanto, ignora o embate entre eles determinada a matar aquele que considerava digno de sua atenção. Fitando Sesshoumaru, seus olhos assumem uma coloração escarlate e ela sente seu corpo mudar, liberando seu poder. Logo ela assume uma forma intermediária entre fera e "humana", as feições belas e delicadas são tomadas pelas as de um cão negro, mas que fica em pé pelas patas traseiras, exibindo garras e dentes afiados.
—Vai morrer, em nome dos Cães Negros!
Sesshoumaru apenas ergue uma das sobrancelhas, fitando sua adversária.
—Com este nível de poder? -desdenhou. -Seu poder é uma piada, Suiko dos Cães Negros.
A fera youkai solta um urro medonho e ataca Sesshoumaru que responde com suas garras.
A luta ali travada parecia equilibrada e que não haveria fim. Miroku chega ao local, ofegante pela corrida que fez para tentar acompanhar Inuyasha e se depara com a cena. De um lado, Inuyasha trocava golpes de espadas com um cadáver ambulante, do outro Sesshoumaru desviava dos ataques de um Inuyoukai negro e aparentemente sedento por sangue.
Em um dado momento, Muneyoshi consegue desarmar Inuyasha, pois apesar de ser uma marionete controlada por Suiko, ainda carregava as habilidades de séculos de luta e existência.
—Feh! Que droga! -Inuyasha exibe suas garras. -Vamos acabar logo com isso! Só para eu ter a satisfação de ver a cara de Sesshoumaru quando eu terminar com o zumbi que quase o derrotou!
Avançou contra a criatura, usando suas garras.
—GARRA RETALHADORA DE ALMAS!
As garras de Inuyasha retalham Muneyoshi, fazendo o hannyo sorrir confiante, mas o sorriso desaparece ao ver o cadáver se movendo mesmo com parte dele destroçado.
—Mas o que...?
—Entendi... -murmura Miroku com expressão séria.
—O que você entendeu? -pergunta Inuyasha.
—Seu oponente está morto, Inuyasha. -responde o óbvio.
—EU JÁ SABIA DISSO! -e desvia de outro ataque.
—Então por que perguntou? -expressão de tédio no rosto. -É a força espiritual daquele youkai que está lutando com Sesshoumaru que dá movimento ao cadáver. Ele continuará andando e te atacando, mesmo aos pedaços, até que seu mestre seja derrotado.
Miroku então passa a observar a luta entre Sesshoumaru e o inuyoukai negro. Os ataques da fera eram repelidos por movimentos sutis do irmão de Inuyasha. O monge sentia um grande ódio emanando da criatura e imaginou quem seria.
—É só isso? -perguntou Sesshoumaru. -Acha que estes ataques fracos podem me derrotar?
—Não importa como...eu o matarei!
Um urro feroz, seguido pelas presas que miravam o ombro de Sesshoumaru fechando na carne com ferocidade. O inuyoukai branco sente uma dor lancinante. Com um movimento rápido e com grande força, Suiko joga Sesshoumaru contra uma árvore, chegando-a a parti-la ao meio com o impacto.
—Que noite maravilhosa. O meu veneno te deixou mais lento, Sesshoumaru. Os anos que vivi naquela carcaça desprezível e a morte de meu clã serão vingados de maneira esplendorosa. -ela se vangloriava, vendo o corpo de seu oponente imóvel. -Os descendentes dos assassinos de minha família morrerão esta noite. E a sua cria que aquela hannyo carrega terá o destino de se fundir ao Naraku.
Ao ouvir estas palavras, Sesshoumaru abre os olhos e se levanta reunindo toda a sua fora.
—Ora, ora...ainda lhe resta forças? Posso acabar com ...
As palavras de Suiko foram interrompidas ao ver Sesshoumaru novamente em pé e os olhos inflamados pela determinação de não ser derrotado ali e por um ser que considerava indigno, movido pela loucura.
Com extrema velocidade, ele vence a distância que os separava desaparecendo do raio de visão de Suiko para reaparecer diante dela, apertando sua garganta com uma das mãos, que pareciam possuir dedos de aço, ao fazerem mais pressão a cada palavra que Sesshoumaru pronunciava, com calma assustadora:
—Para onde ela foi levada?
Um grunhido foi sua resposta.
—Onde?
Suiko produziu o que seria o som de uma risada em deboche.
—ONDE ELA ESTÁ? PARA ONDE NARAKU LEVOU MINHA MULHER?
—Se me derrotar, quem sabe eu direi?
Ela aperta com a garra o local onde havia o ferimento produzido pela sua mordida, fazendo Sesshoumaru gemer de dor e com força redobrada a lançar exatamente no local onde fora antes arremessado. O resultado não foi o que havia previsto.
Suiko teve seu corpo transpassado pelo tronco que havia sido partido ao meio por Sesshoumaru. O urro de dor da youkai ecoou no ar de modo assustador. Inuyasha e Miroku que até aquele momento se ocupavam com o zumbi presenciaram a cena com expressões de surpresa. Logo em seguida, Muneyoshi cai ao chão inerte, livre do poder de sua algoz.
Com expressão impassível no seu rosto, Sesshoumaru se aproxima de Suiko que ainda respirava com dificuldades, voltando aos poucos à forma humana que antes ostentava, ela o fitou com os lábios manchados pelo próprio sangue.
—Suiko...
—V-você sente...pena de mim...sinto em seu olhar... -ela ri. -N-não sinta...o meu veneno logo o matará... Vai morrer em poucas horas... -e ri. -Naraku trabalhou bem neste veneno...só para você.
—Aonde ela está, Suiko? -perguntou, ignorando suas provocações.
—Ali...-ela aponta na direção de um vale, com as poucas forças que lhe restam. -M-mas se você correr até lá, só fará o veneno se espalhar mais rápido...e se não correr, será tarde demais...
Sesshoumaru lhe dá as costas, caminhando na direção apontada por Suiko. Ciente de que ela não estava mentindo em seus últimos momentos.
—Suiko... meu pai não liderou o ataque ao seu clã. –ele falava para o espanto dela. –Ele condenou isso. Ele me contou sobre o destino de uma inuyoukai negra que tentou e vingar e foi punida por meu avô. E esses foram alguns dos motivos de meu pai ter se voltado contra meu ele e assumido a liderança do clã.
—Quer... que eu sinta... pena de seu pai? –ela riu. –Não importa... eu sou a última de meu povo... não muda nada. Vou sempre odiar sua raça... Nos veremos no inferno...Sesshoumaru...Uuurgh...-ela murmurou, antes de vomitar sangue e sua vida abandonar seu corpo.
Sesshoumaru dá alguns passos e para ao sentir o braço formigar e queimar pela ação do veneno.
—Sesshoumaru. -Inuyasha aparece diante do irmão.
—Vá embora, Inuyasha. Esta luta não é sua. Não preciso de sua ajuda. -diz arrancando a manga de seu quimono para analisar melhor o ferimento.
—Feh! E quem disse que quero te ajudar? -virando o rosto orgulhoso. -Vou atrás do maldito Naraku. Ouvi aquela youkai falar no nome daquele verme antes de morrer.
—Eu não entendo. Ele foi destruído! –Miroku afirmou tenso. -–Sesshoumaru-san, seu braço! Não é melhor procurar algo para curar o veneno e...
—Não tenho tempo. Preciso resgatá-los.
O Inuyoukai toca o local onde o veneno fora injetado em seu corpo, ele esperava que seu corpo de youkai completo iria curar o ferimento e expelir o veneno de forma natural, mas ele sentia o veneno se espalhando devagar. Não sabia se iria se curar a tempo, ou se o veneno lhe era fatal como Suiko havia dito. Só uma coisa em sua mente era mais importante que a sua própria integridade física. A vida de Anna e de seu filho que ela carregava.
Passa por ambos, e Inuyasha se virou para o irmão.
—Quem...quem você tem que resgatar? -fica irritado quando percebe que o irmão o ignorava.
—Deve ser alguém muito importante para que ele vá enfrentar Naraku nestas condições. -pondera Miroku.
—Sesshoumaru! Não me ignore! Quem você deve resgatar? -insiste Inuyasha.
Sesshoumaru para um instante e olha para o irmão por sobre o ombro antes de responder:
—Minha mulher e meu filho.
xxx...xxx...xxx...xxx...xxx...xxx...xxx...xxx
Um inseto venenoso atravessa a janela do aposento de um castelo oculto em névoas, ele paira por sobre um homem que permanecia deitado atrás de uma fina cortina. Ele começa a rir e olha para a mulher encolhida em um canto, que o fita com um misto de receio e ódio.
—Ele está vindo, como eu previa. -diz "Naraku".
—Aproveite seus últimos momentos. -ela sorri. -Sesshoumaru vai matá-lo.
A resposta dele foi uma risada que consegue arrepiar até mesmo a alma de Anna. A hannyo coloca a mão instintivamente sobre o ventre, como se desejasse proteger a vida em formação ali daquele ser movido pela vingança e loucura.
Em silêncio, ela orava para que Sesshoumaru chegasse logo, mas se preciso fosse, iria lutar por sua vida e de seu filho.
