Oieeeee... gente mais um capitulo dessa fic... espero que gostem... reviews
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Uma leitura interessante
Harry jamais deixou de sentir a sensação de que alguém o observava e não estava errado. Snape estava sempre observando o menino, seja na aula, seja no salão principal ou até mesmo nos mínimos momentos em que o aluno estivesse no jardim ou outro lugar do castelo. Só poucas vezes o perdeu de vista como nos momentos em que estivera no dormitório e ainda assim, sem saber, teve o sono velado uma ou duas vezes pela figura negra de Snape.
Por mais que não entendesse o que estava acontecendo consigo, Snape não conseguia e nem queria parar de se preocupar com o menino, como ele se alimentava, como convivia com os outros alunos e como estava se sentindo. E nesse exato momento o que mais o incomodava era o fato do menino ainda permanecer mancando e se alimentando mal. Era um tormento vê-lo cada vez mais magro e abatido. Tinham-se passado apenas três semanas. Como ele estaria daqui a dois meses?
Harry, por outro lado, não parecia se preocupar tanto assim com a sua saúde, pelo menos não se visto pelos olhos de Rony e Hermione. Por mais que não comece e ainda estivesse mal, insistia que queria jogar quadribol e que estava muito bom para treinar novamente.
- Harry, você não pode jogar quadribol.
- Não é você quem decide Hermione. – Disse raivoso se levantando da mesa do salão principal e indo para a biblioteca, tinha que terminar um trabalho para entregar na aula de Transfiguração e MacGonagall não aceitaria atrasos.
Pela janela Harry podia ouvir a alegria dos jogadores indo para o campo treinar quadribol para o próximo jogo que seria breve. Sentiu uma raiva aumentar em seu peito. Não era culpa dele não poder jogar. Mas não iria até Madame Pomfrey, não iria mostrar seus ferimentos e muito menos responder perguntas embaraçosas que sabia que iriam aparecer. Era melhor se concentrar no trabalho e entender de uma vez por todas que não estava mais no time, não por enquanto.
O trabalho era extremamente difícil e pegou metade da manhã de Harry. Passou tanto tempo estudando e folheando livros que só se deu conta que estava atrasado quando resolveu esticar as costas doloridas e acidentalmente vira as horas em seu relógio. Tinha menos de cinco minutos para arrumar suas coisas e se dirigir para a aula de Feitiços. Rapidamente jogou todo seu material dentro da mochila e deixou os livros que estava usando em cima da mesa, Madame Pince poderia arrumá-los para ele. Colocou a mochila nas costas e se dirigiu até a porta.
Em sua mão estava um pequeno livro preto onde resolvera escrever logo que chegara a biblioteca, antes de fazer seu trabalho. Um livrinho antigo que Harry achou perdido no armário de vassouras do tio Valter onde dormia, o tinha desde os nove anos de idade e há muito tempo não mexia nele.
Andava com a cabeça baixa e por isso não viu por onde andava nem quem estava no caminho. Sentiu uma dor lancinante em seu joelho quando esbarrou em alguém e foi ao chão.
- Ai!
- Saia de cima de mim, Potter! – Rosnou Snape empurrando o garoto para o lado e se levantando.
- Desculpe senhor, eu caí. – Desculpou-se ao ver a cara de poucos amigos do professor.
- Aprenda a andar direito da próxima vez.
- Eu não caí em cima do senhor por que eu quis! – Respondeu zangado.
- Tenha modos, senhor Potter. Cinco pontos a menos para a grifinória. Agora saia da minha frente.
Harry recolheu o livrinho preto que deixou cair e saiu em direção contrária a de Snape, o que queria no momento era manter distância do professor.
Quando achou que já estava longe o suficiente parou para respirar e olhou por cima do ombro. Snape não estava à vista, provavelmente estaria na biblioteca e se estava tomaria outro caminho para ir para as masmorras ou para a sala dos professores.
Por pura precaução abriu o mapa do maroto e viu o pontinho minúsculo indicando que Snape continuava na biblioteca. Com um pouco mais de alívio guardou o mapa na mochila e olhou para seu relógio. Já se passara mais de dez minutos do início da aula de Feitiços. Flitwick algumas vezes mostrava-se ser um professor tolerante e até mesmo gentil, mas não gostava de atrasos em sua aula. Por isso, cinco minutos depois Harry procurava uma sombra em baixo de uma árvore do grande jardim do castelo.
O tempo estava bonito e gostoso, o céu estava extremamente azul com algumas nuvens brancas. Estava um sol fraco para aquela hora da manhã. Fechou os olhos por alguns breves segundos sentindo uma leve brisa bater em seu rosto. Aquela sensação era gostosa, libertadora.
Parecia que ele não estava ali, que se transportara para outro mundo. O que o trouxe de volta foi o leve roçar de seu dedo na capa do livrinho que estivera segurando desde que saiu da biblioteca. O abriu devagar na primeira página e imediatamente percebeu que aquele livro não era seu, aquela letra não era a sua. Era muito diferente. A sua era grande e garranchada e aquela era levemente inclinada e minúscula. A contra capa não trazia nome algum e era difícil saber a quem pertencia se o dono não identificava suas coisas. Folheou até a última folha, a página estava levemente saltada revelando que se escrevera recentemente ali e a data no cabeçalho da folha lhe revelava exatamente a data. 22/09/1995.
- É hoje. – Harry apertou o cenho tentando imaginar quem era o dono daquele pequeno livro.
Sua curiosidade era tanta que começou a ler a pequena letra inclinada, mesmo sabendo que o dono poderia aparecer a qualquer momento e lhe lançar uma azaração por vasculhar sua vida pessoal.
"Não sei mais o que posso fazer para que essas imagens saiam da minha cabeça. Não posso deixar de imaginar o quanto ele está sofrendo e o quanto já sofreu. Já passei por tudo isso e você, um livro velho e empoeirado era meu único refúgio, jamais contarei à alguém o que já escrevi nessas páginas. A sua companhia sempre me foi reconfortante. Nunca precisei de ninguém, nunca tive amor, então nunca precisei de carinho, bastou-me algumas linhas em branco e uma pena, mas fico pensando se Potter..."
Harry parou de ler ao ver seu nome escrito ali naquela folha, será que aquele Potter era ele? Poderia existir outro Potter no mundo, não era o único. Quem havia escrito aquilo? E se era ele, como essa pessoa poderia dizer algo sobre sua vida? Só poderia ser alguém que o conhecia, nenhuma outra pessoa se daria o trabalho de escrever seu nome em um diário, muito menos depois das manchetes que saíram no Profeta Diário, as mentiras e calúnias de Rita Skeeter.
"... fico pensando se Potter não poderia usar do mesmo artifício para colocar suas angústias para fora, já que, como tenho percebido, ele não se abre com seus amigos, nem mesmo com Granger e Weasley"
Realmente era ele, mas como essa pessoa sabia que ele não se abria com seus amigos?
Ele o observava.
Estava sendo observado por alguém. Um medo se abateu nele, no ano passado uma pessoa observava cada passo seu, uma pessoa que todos pensavam ser o professor Moody, e que na verdade era um comensal da morte disfarçado. Tirando essas especulações da cabeça Harry começou a ler agora querendo saber bem mais do dono do livrinho.
"Ele sofre e eu sinto a tristeza que se apodera dele, já senti isso, já tive tal medo, já sangrei como ele. Eram tantas coisas cruéis que me aconteciam também.
Hoje me tornei quem sou por tudo que passei. Apesar desse moleque me dar nos nervos, não gostaria que ele acabasse desse jeito, se tornando uma pessoa fria e se arrependendo amargamente de muitas coisas que possa fazer, assim como eu me arrependi de várias que fiz, das crueldade que cometi, que fui obrigado a fazer, mas principalmente por Lílian Evans."
Lily Evans.
Harry não conseguiu continuar a ler. Seus olhos ardiam. Uma pessoa desconhecida conhecia sua mãe. Uma dor fez seu coração se apertar ao perceber que qualquer um conhecia mais sua mãe do que ele, do que o próprio filho dela. Era deprimente encarar a verdade cruel de sua vida. Mas o que ele podia fazer além de odiar cada vez mais o bruxo que a matou? Odiar Voldemort com toda sua alma.
Porém, por mais que estivesse se concentrando em odiar Voldemort, Harry queria muito saber quem era o dono daquele diário, quem escrevera sobre sua mãe recentemente. Mas nada melhor para saber sobre o presente do que ver o passado, pelo menos era o que dizia a senhora Figg quando ele precisava ficar em sua casa enquanto seus tios saiam.
Por isso folheou as páginas escritas e abriu na primeira, a letra naquela página era feia e tremida, pertencia nitidamente a uma criança. Seus olhos se concentraram em ler o que parecia ser uma história interessante.
"Você parece ser um livro velho e esquecido, por isso acho que ninguém vai desconfiar que estou escrevendo em você. Mas ainda assim não posso deixar que papai te encontre, se ele soubesse que tenho um diário me mataria. Me chamaria de mulherzinha e me colocaria de castigo. Não quero ficar de castigo, eu acabei de sair de um por causa da comida que eu sem querer derrubei na roupa que ele tinha acabado de comprar.
Mas tem uma coisa, eu não vou chamar você de querido. Eu vou apenas escrever aqui porque preciso de alguém para conversar, mesmo que seja alguém que não vai me responder. Eu não tenho ninguém para nada, papai não me deixa sair e mamãe me disse que é por isso que sou tão pálido. Mas eu não ligo, já estou acostumado a não ter com quem brincar então eu fico no meu quarto com meus livros de poções. Papai disse que eu tenho é que ler os de magia negra. Mas eu não quero"
Harry folheou um pouco o diário, havia muitas folhas escritas e pelo que percebeu falavam praticamente a mesma coisa, a forma como o pai o tratava e como ele não tinha ninguém. Também havia alguns desenhos ali, pelo jeito o menino tinha o dom de desenhar. Em uma única página havia um rosto de mulher com os cabelos lisos até o ombro, os olhos eram grandes e bonitos, foi desenhada jovem e tinha uma beleza contagiante. Harry passou o dedo pela legenda espremida no canto da página "mamãe". Em outra folha havia outro desenho bem realista, parecendo quase uma foto em preto e branco de um homem que trazia feições duras e severas, seus cabelos eram ralos. A legenda dessa vez era menor ainda "papai".
O tempo estava passando e logo seria hora de entrar no castelo para o jantar, mas Harry não queria entrar. Aquele diário o mantinha preso a ele. Era como se fosse o diário de Ridlle, parecia amaldiçoado. Harry não estava pensando nessa maldição que o diário pudesse ter, ele queria saber mais sobre sua mãe e saber sobre a pessoa que a conhecia tão bem.
"Há muito tempo venho agüentando tudo calado, porém agora sinto que irei explodir. Mamãe disse que logo tudo iria passar, que eu me acostumo, mas não quero me acostumar a isso. Não quero ter que chorar escondido. Sei que chorar é coisa de menina, pelo menos papai sempre disse isso, mas não posso segurar, elas simplesmente saem"
Mais frases soltas, mais raiva, mais lágrimas e angústia. Aquele diário era o sofrimento em pessoa, o menino que ali escrevera tivera um passado cruel, parecido com o de Harry e por um momento parou para pensar se não era esse o real motivo de estar tão fissurado nesse objeto em questão. No meio de todas essas confissões havia mais e mais desenhos, as vezes eram só rabiscos, outras eram desenhos profundos como o coração quebrado e despedaçado que estava sendo pisado por um homem de costas.
"Meu aniversário é daqui a uma semana, mamãe disse que fará um bolinho e que posso chamar uns amigos, pensei em chamar a Evans..."
O nome da sua mãe novamente, seja lá quem for, conhecia sua mãe desde pequeno. Talvez algum amigo, algum visinho.
"...mas ela nunca viria, ela tem medo do meu pai, e com razão. No dia em que meu pai me viu conversando com ela no jardim, me deu um tapa e me pegou pelo pescoço para entrar em casa, Evans se assustou. Mas mesmo assim sempre nos falamos quando papai sai para ir ao Ministério da Magia. Como ele sempre demora, eu pulo a janela e vou até a casa dela para poder conversar. Sei que ela não viria aqui comemorar meu aniversário, por isso me deu o presente ontem, é uma corrente onde esta escrito "amigos para sempre". É um objeto trouxa já que ela é nascida trouxa, a corrente é bonita e dourada com pedras verdes. Mas não posso usar, se papai ver é capaz de me enforcar com ela. Por isso eu guardei no meu esconderijo onde coloco tudo que papai não gosta.
Bom como não tenho amigos mamãe convidou os amigos do papai, pois ela também não tem, papai diz que ela só teria amigos para ficar fofocando e isso a deixaria lesada da cabeça e preguiçosa."
"Ele sempre estraga tudo e eu sempre apanho mesmo sem fazer nada. Qual é o problema de eu não conseguir apagar todas as velhinhas?
Será que preciso apanhar por isso?
E não fui eu quem derramou bebida no tapete, foi ele, mas eu que apanhei. Meu rosto ainda está doendo e não consigo para de chorar. Como eu queria que a Lily estivesse aqui, sei que ela tem medo do papai, mas ela me acalma e sempre diz que tudo ficará bem. Mamãe disse que o papai bebeu demais e que por isso ele me bateu, mas que tudo isso vai passar e ele vai pedir desculpas.
Só que ele nunca pede desculpas.
Não me pediu desculpas no dia em que quase me matou afogado porque eu não queria tomar banho. Ou no dia que me bateu porque estava entediado. E muito menos quando fui parar no hospital com os ossos fraturados por ele me jogar escada abaixo.
Ele nunca me pediu desculpas, não será agora que começará"
Harry sentia um nó na garganta, por um momento pensou no seu passado e o quanto essa criança tivera uma vida como a sua. Cheia de maus-tratos. Mas saber é diferente de ler a confissão direta da pessoa. Era como se ele conseguisse sentir tudo que ela já passou, todos os tapas e todas as tristezas. Essa criança nem tinha entrado em Hogwarts ainda, não estava nem na escola e já carregava um vazio tão grande nos olhos como se fosse um velho. Parecia que Harry já o conhecia.
Folheou mais algumas folhas e leu mais algumas frases até que parou na primeira foto colorida que estava ali. Era uma menina muito bonita, era uma criança linda, e, nesse momento o coração de Harry batia tão forte que parecia que iria sair pela boca, na borda da foto lia-se "Lílian Evans". Harry retirou a foto que estava na folha e ficou olhando a menina que dançava mostrando seu vestido vermelho. Seus olhos eram iguais aos dele, verdes e grandes. Virou a foto e leu um pequeno recado, escrito com uma letrinha tão pequenina que Harry teve que apertar os olhos para conseguir ler direito.
"Guarde essa foto como lembrança da nossa amizade. Lily".
As lágrimas desciam pelo rosto do garoto, não conseguira nunca imaginar sua mãe criança e agora estava com uma foto dela em suas mãos. Ela estava linda, era linda. Queria saber quem era o dono do diário, para poder perguntar sobre sua mãe, saber mais. A pessoa a conhecia desde criança e até tinha uma foto dela guardada em seu diário, com certeza conhecia muito mais coisas sobre ela e poderia lhe contar. Em algum lugar o nome do dono do diário apareceria.
"Muitas coisas ruins me aconteceram, mas pelo menos eu irei para Hogwarts no mês que vêm, me livrarei por um bom tempo do meu pai, e o mais legal é que Lily vai junto. Espero que a gente estude junto, mas tem que ser na Sonserina. Papai disse que as outras casas são ruins e que a Sonserina é a única que ele aceitaria, se eu entrasse para a Grifinória ele me tiraria da escola no mesmo dia."
De uma coisa Harry sabia, sua mãe não foi para Sonserina e ele tinha certeza que o chapéu seletor jamais a colocaria lá. Ela era Lílian Evans, a mulher mais corajosa que Harry já conheceu.
