Mais um capítulo do as coincidencias, espero que gostem, as revelações estão bem próximas agora.
obrigada por lerem... bjusssss
7
Era ele?
Quando Harry finalmente parou sua leitura sentiu-se frustrado, já era hora do jantar e ele ainda não descobrira quem era o dono do diário. Por mais que aquele parecesse apenas um caderno velho, Harry achou melhor guardá-lo dentro da mochila, não queria que o dono visse e desse um jeito de pegá-lo de volta sem se mostrar. Sem mostrar a Harry quem era a pessoa que tanto conhecia sua mãe.
Em sua mente só vinha a imagem dela no jardim, tão linda.
A noite já tinha caído e não havia mais ninguém no jardim, somente o grifinório que voltou direto para o castelo pensando agora no belíssimo banquete que o esperava. O que ele não contava era que outra pessoa também o esperava.
- HARRY THIAGO POTTER. – Harry congelou ao ouvir a voz de Hermione o chamando pelo nome completo. – Como ousa fazer isso com seus melhores amigos? – Gritou ela no meio do corredor ao avistá-lo entrando no castelo.
- Mas fazer o que? Eu nem te vi o dia inteiro!
- Exatamente! Você anda todo estranho desde o começo das aulas, não se alimenta direito, vive tendo pesadelos com Você-Sabe-Quem e com um armário, não conversa com a gente e agora some o dia inteiro. Como sua amiga eu exijo uma explicação ou vou direto falar com McGonagall sobre seu comportamento.
A amiga falou tão rápido que o menino teve que prestar muita atenção para poder entender tudo. Dentro de seu peito algo acendia com o entendimento de que Mione estava preocupada com ele. A menina chegou perto e cruzou os braços fazendo sua típica expressão de "quero satisfação agora" e ficou batendo o pé até que Harry finalmente não suportou o barulho no soalho.
- Olha Hermione, eu entendo a sua preocupação, mas não tem nada de errado comigo. Eu estou bem. Tenho alguns pesadelos, mas isso é normal, e eu me atrasei para a aula de Feitiços, mas estava o tempo todo no lago. Você não precisa incomodar a professora com isso, ela já tem coisas demais na cabeça, e se eu estivesse com algum problema pode ter certeza que você e Rony seriam os primeiros a saber.
Somente após terminar Harry percebeu que aquilo era pura verdade, se ele tivesse coragem de contar para alguém, Hermione seria a primeira pessoa que ele procuraria. Depois de alguns segundos Hermione, que parecia ter acreditado nas palavras do amigo, parou de bater seu pé e descruzou os braços. Harry sorriu de canto com a conquista e ergueu os braços chamando-a para um abraço.
- Ai Harry, por mais que você ache que não, eu me preocupo demais com você. Sabe que te considero como um irmão, eu não suporto ver que você está com uma carinha triste.
O amigo a abraçou mais forte sentindo o carinho da amiga percorrer-lhe o coração. Queria chorar, mas se segurou, não iria permitir que suas lágrimas o desmentissem, caso o contrário Hermione não descansaria até saber toda a verdade. Nem ela nem Rony, nem ninguém poderia ajudá-lo, sempre aconteceria à mesma coisa. Então porque preocupar os amigos? Eles estavam se dando muito bem, e estavam felizes, não queria deixá-los preocupados com sua vida, isso passa, sempre passou.
- Mas que coisa mais linda.
A voz arrastada de Snape era cruel. Harry se afastou de Hermione quando a ouviu e olhou para o professor parado no corredor. Snape estivera ali há algum tempo, vigiara toda a cena e aquilo de certo modo o incomodou. Ele nunca tivera um amigo que fizesse aquilo por ele. Mas Harry era diferente, ele tinha os dois irritantes amigos da Grifinória e aquela conversa era uma coisa que ele necessitava ouvir. Já fazia algum tempo que Snape ficava observando Potter, e ouvindo as conversas dele com qualquer pessoa, queria saber mais sobre o menino, o garoto já começou a trancar sua mente e isso impossibilitou o professor de saber mais sobre seu passado.
- Dois grifinórios petulantes se agarrando no meio do corredor. Vinte pontos a menos para a Grifinória e eu avisarei a diretora de sua casa que seus alunos não conseguem segurar seus hormônios e saem como animais no cio pelos corredores dessa escola. Talvez assim vocês aprendam a ter mais respeito.
- Mas senhor...
- Sem "mas", Potter, vejo o senhor na minha sala as dez horas em ponto.
Ele saiu antes que os dois começassem a reclamar, mas não adiantou, os grifinórios estavam soltando varias maldições verbais contra Snape antes de entrar no salão principal. Isso fez com que os amigos relaxassem um pouco e Harry até conseguiu esboçar um sorriso para a amiga. Seu humor havia melhorado muito até mesmo se alimentou um pouco, sempre rindo com Hermione ao seu lado.
- Eu vou tomar um banho antes de ir para a detenção do Snape. – Disse Harry levantando-se a mesa.
- Mas você nem comeu toda sua comida, Harry. O Rony ainda nem voltou dos treinos de Quadribol também, não vai esperá-lo?
- Não Mione, tenho que ir mesmo, fiquei no jardim a tarde toda e quero tomar um bom banho antes de ir agüentar o Snape.
- Está bem, eu vou terminar meu jantar, depois acho que vou dar um pulo na...
- Biblioteca.
- Engraçadinho.
- Te vejo mais tarde, tchau.
- Tchau e boa sorte com o professor Snape
Harry não respondeu, ele não ia precisar de boa sorte com o professor. Tirando esse sermão de hoje, Snape parecia ter mudado com ele. Nas aulas de Oclumência que se passaram ele nem mesmo dera broncas em Harry por não conseguir impedir que ele entre, não estava tão rigoroso e Harry sempre via um brilho estranho em seu olhar, algo como pena que dançava por trás de suas íris.
Depois de realmente tomar um banho demorado e relaxante, Harry foi para a aula de Oclumência. Dessa vez Snape não foi tão caridoso, mas ainda assim não o maltratou como já fizera tantas vezes. O treino foi longo e cansativo. Harry suava e se sentia muito cansado quando voltou para a torre da Grifinória. Não havia ninguém no salão comunal e ele agradeceu mentalmente por isso. Largou-se em uma poltrona e respirou fundo. Apesar de o treino ter sido puxado, Harry sabia que estava melhorando e muito em Oclumência, uma prova disso foi conseguir impedir que Snape permanecesse em sua mente. Um feito que merecia um parabéns que Snape jamais daria, porém ainda não conseguia impedir que Snape entrasse em sua mente, isso o incomodava. Até quando Snape iria futricar em seu passado?
Como estava tão cansado e suado, Harry foi tomar outro banho. Seus colegas de quarto já estavam dormindo e Rony roncava alto. Após um banho rápido para não acordar os meninos, Harry se dirigiu mais uma vez para a sala comunal e tirou o diário de sua mochila. O abriu na página que estava lendo e mais uma vez se aventurou pelas letras pequenas.
"Falta apenas uma semana para começarem as aulas, mamãe me levou para comprar os materiais hoje de manhã. Passeamos bastante. Vi muitas vassouras legais, mamãe disse que eu terei a minha depois de entrar na escola, papai não permite que eu tenha uma porque ele diz que eu posso quebrar alguma coisa ou cair e dar trabalho a ele, mas mamãe disse que me dará uma para eu usar na escola.
Nós tomamos sorvete à tarde, eu nunca vi mamãe tão feliz assim, ela é sempre triste e nunca sorri, mas hoje ela sorriu e foi tão bonito. Nós brincamos no parquinho e eu fiz cosquinhas nela, ela gargalhou alto e foi muito gostoso".
Harry abriu um sorriso ao ver a inocência da criança ao brincar com a mãe. Algo que ele jamais poderá fazer.
"Eu amo a mamãe, ela sempre me dá carinho e cuida de mim, ela me ama também e quer sempre me proteger do papai, mas acho que papai não gosta dela assim como não gosta de mim.
É hoje. Estou tão ansioso, meu malão já está pronto com todos os meus pertences. Daqui a pouco irei para a escola, eu não queria ir para não deixar a mamãe sozinha, sei que ela sofrerá. Mas tenho que ir, assim quando eu tiver idade suficiente poderei arrumar um bom emprego e tirarei a mamãe dessa casa. Eu comprarei uma casa nova e moraremos somente eu e ela. Seremos felizes para sempre. Faremos tudo que não fazemos agora, correremos pelo jardim brincando de pega pega, falaremos bastante durante o jantar, faremos bagunça e arrumaremos quando nos der vontade, vamos rir, dançar, cantar, faremos tudo que não podemos fazer. Quando eu tiver minha casa convidarei Lily para ir lá todo dia, podemos comer sanduíches e tomar sorvete, mal posso esperar esse dia chegar.
Estou na Sonserina, aquele chapéu velho me disse que o meu coração é bom, mas que o meu lugar é na Sonserina. A escola é bem legal, é bem grande também. O professor Dumbledore é bem velho e falou umas palavras doidas e sem nexos antes do banquete aparecer. Comi bem, estava morrendo de fome. Nossa, eu estou cansado, essa viagem de trem me cansou, eu fiquei em um vagão junto com a Evans, ficamos conversando a viagem inteira, ela foi para a Grifinória, não poderemos mais ficar tão juntos, eu bem que queria, ela é minha única amiga.
As aulas começaram já faz uma semana e eu não ando tendo tempo para escrever aqui, já tenho muitos deveres. Sempre termino tudo rápido, não tenho amigos e nem nada para fazer então faço lição e trabalhos, mas sempre fico muito cansado e acabo dormindo. A Lily está com novas amigas, mas sempre arruma tempo para ficar comigo. Mesmo com as amigas dela não concordando muito com nossa amizade, ela diz não ligar.
Mamãe sempre me manda cartas me perguntando como estou indo e pede para que eu mande noticias, não há muito que escrever, eu sempre faço minhas lições antes de qualquer um e já rendi cinqüenta pontos para a minha casa que está na frente para ganhar a Taça das Casas. Estou feliz aqui.
Harry sentia que aquele diário poderia ser o seu, tudo que ele escrevera parecia sua vida. O modo como era tratado pelos familiares, o jeito que se sentia quando estava em Hogwarts, tudo era igual ao que Harry sentia.
As próximas páginas estavam datadas com uma diferença de dois anos e Harry se perguntou qual o motivo dessa interrupção.
"Ela morreu, minha vida acabou, mamãe morreu para me salvar. É tudo culpa minha, ela me disse para não ir para casa no Natal, mas eu queria tanto ir, queria vê-la, estava com saudades. Por quê?
Por que ele tinha que fazer isso?
Não consigo mais chamá-lo de pai, ele não é nada para mim, nunca foi. Ele queria me matar, mas mamãe não deixou e ele a matou por isso e eu não pude fazer nada, eu não pude salvá-la, ela está morta, ela ESTÁ morta"
Um frio subiu pela espinha de Harry, agora sim os dois pareciam-se muito. Ambos órfãos, solitários e sofridos. Embaixo dessas palavras havia uma folha dobrada. Harry a abriu e viu um exemplar antigo do Profeta Diário, na frente tinha a imagem de um homem com expressões severas. O mesmo homem que ele vira nos desenhos que o menino fez. Logo em cima estava uma manchete "Homem bêbado mata esposa na véspera de Natal".
"Vespera de Natal.
Um dia muito esperado por muitas famílias, o momento de se juntarem e se alegrarem esperando a virada da noite para abraços, beijos, desejos de felicidades e os presentes. Muita alegria em muitas casas. Mas não em uma casa especifica, não em uma família. Ontem foi um dia cruel para uma antiga e prestigiada família bruxa.
Um pai de família chegou ontem, pouco antes da meia noite, bêbado. Sua mulher estava com seu filho na sala. Vizinhos dizem ter ouvido uma discussão, vozes alteradas e a mulher gritar. Aquela era uma rotina que eles já conheciam. Uma vizinha trouxa deu esse depoimento referindo-se à noite fatídica:
- Eles vivem brigando e o esposo dela vive batendo nela e no filho, então praticamente já estamos acostumados com isso. Já fizemos de tudo para ele parar, mas ele nunca parou com isso, já chamamos autoridades, mas nada aconteceu. Porém ontem era véspera de Natal então fomos tentar conversar de novo.
Mas quando a senhora Maine foi verificar o que estava acontecendo, tudo silenciou até que um grito de desespero foi ouvido e fez a vizinha voltar para casa e ligar para as autoridades trouxas. Claro que as autoridades bruxas chegaram antes no local para verificar o que aconteceu. O filho de apenas 13 anos foi a única testemunha do assassinato a sangue frio que seu pai cometeu. A mulher foi morta enforcada na frente do menino que agora está no Hospital ST'Mungus em estado de choque.
O Ministério da Magia abrirá um inquérito para saber o que realmente aconteceu e por qual motivo. Enquanto isso Thobias Snape permanecerá em Azkaban."
Thobias Snape?
Snape?!
Aquele homem era o pai de Snape, então aquele diário, aquelas confissões tão profundas, aquele garoto, era Snape.
Harry não conseguia raciocinar corretamente. Estava de boca aberta. Nunca poderia imaginar que Snape tivesse tido uma vida tão lamentável. Sentiu pena do professor, ao contrário do que pensava, o homem de gelo tinha sentimentos, ele já sofrera na vida, aliás, um sofrimento muito grande. É verdade que Harry perdera sua mãe quando tinha apenas um ano de idade, mas ele era muito pequeno para se lembrar e ela foi morta por Voldemort. Snape tinha treze anos quando viu seu próprio pai matar a sua amada mãe na véspera de Natal e agora entendia porque Snape nunca aparecia nos jantares comemorativos da escola e sempre tirava pontos de quem comentasse sobre o Natal na sala. Aquilo o machucava, o corroia por dentro, para ele, aquela data era uma maldição. Tentava imaginar o que se passava na cabeça do pequeno Severus Snape.
"Chega, não agüento mais. Chega de chorar feito um bebezinho, ela se foi e eu estou sozinho, não me humilharei chorando pelos cantos, segurarei cada lágrima, me concentrarei mais nas minhas lições e trabalhos e só. Sempre estive sozinho e agora estou mais ainda. Não será difícil, eu não tenho amigos aqui a não ser os meninos do meu dormitório e a Lily"
Em sua cabeça Harry ainda não conseguia associar o dono daquelas palavras angustiantes com seu professor de poções e agora treinador de oclumência. Era difícil ver esses sentimentos em um homem que até hoje só se mostrara frio e calculista, uma pedra aos olhos dos outros. Os desenhos de Snape quando criança não se diferenciavam com o de atualmente. Eram os mesmos cabelos pretos, lisos e escorridos escondendo seu rosto, o mesmo nariz grande e curvado. Parecia apenas que ele era menor naquela época, mas vendo mais de perto e analisando profundamente o desenho que mal se mexia mostrando um menino sentado em um quarto vazio, Harry pôde perceber que a única diferença eram as expressões, o Snape do desenho era depressivo enquanto o Snape de hoje era uma verdadeira máscara de desgosto e mau humor. Como poderiam ser a mesma pessoa?
Mais tempo sem que Snape tivesse escrito no diário, nem uma única palavra durante um ano inteiro. Seria por causa das provas? Ocupado demais? Ou nessa época já se tornara um comensal da morte e estivera ocupado aprendendo mais magia negra do que já conhecia?
"Ela aceitou" Estava escrito em letras grandes e garranchadas como se Snape estivesse com pressa de colocar aquela minúscula frase em seu diário. "Eu nem acredito que Lily aceitou namorar comigo"
Namorar? Como assim? Sua mãe namorando Snape? Não era possível de acreditar. Líllian Evans não poderia namorar Severus Snape. Nunca. Ele não era para ela, não era digno de seu amor, ele era apenas um velho boboca e amargurado. Como sua mãe pudera fazer isso?
"Ela demorou um pouco para responder, só que quando eu já estava indo embora ela segurou meu braço, olhou em meus olhos e me beijou, foi maravilhoso. É verdade que sempre a amei, desde pequeno quando a vi pela primeira vez no parquinho. Ela modificou os nossos cordões, agora está escrito "Amor Eterno". Ela disse que não quer esconder de ninguém, contudo eu tenho medo dela fazer isso, não quero que zombem dela, afinal ela está namorando com o Ranhoso da escola. Ninguém gosta de mim, muito menos na Grifinória, ela seria descriminada e não quero isso para ela, preferia que ficasse tudo em segredo, porém Lily não é uma pessoa fácil e já saiu contando para qualquer um que quisesse ouvir. Aquele Potter não a deixará em paz."
Harry sabia que Snape não gostava de seu pai nem de Sirius, na verdade ele não gostava de ninguém, mas nunca imaginou que ele iria comentar algo sobre seu pai, nem que Snape namoraria com sua mãe, nem que teria um diário e que ele escreveria sobre sua turbulenta infância. A essa altura ele já não se surpreendia com nada que Snape escrevia. Contudo ele não sabia o que estava por vir.
"Estou em detenção, o professor de poções disse que eu não deveria ter feito aquilo, mas Potter mereceu, ele não parava de encher o saco da Lily. Vive dizendo que eu não sou bom para ela, que ela merece alguém melhor que eu, que ele é quem deveria estar com ela. Não pude ficar calado, mandei uma azaração que o deixou com furúnculos por todo o corpo e agora ele está na ala hospitalar. Sei que terei que agüentar ele e sua turma de desocupados me enchendo, mas não podia deixá-los fazerem isso com a Lily.
Meu Mérlin, foi mágico. Foi maravilhoso e romântico. Eu estou tão feliz, tão completo como nunca me senti. Ela é o amor da minha vida, nem consigo acreditar no que fizemos. Primeiro fomos para a sala precisa, eu sabia que tinha que ser um lugar onde ninguém pudesse entrar e que estivesse equipada com tudo que precisávamos. Ela chegou um pouco depois que eu. Nós entramos juntos, ela estava vendada. Queria fazer-lhe uma surpresa.
Quando tirei a venda ela pareceu gostar, tinha uma cama grande e redonda com espelhos em volta para lembrá-la o quanto é bonita. Ao lado estava um carrinho com morangos e chantilly que eu mesmo escolhi.
Ela parecia petrificada então fiz o feitiço Orchideus e um buquê de flores apareceu da minha varinha. Ela achou lindo e cheirou as flores. Ela é tão graciosa. Eu afastei uma mecha de seu cabelo que estava caída no rosto e senti o quanto sua pele é macia e hidratada. Ela sorriu e me olhou com aqueles olhos verdes que fizeram os pelos da minha nuca arrepiar.
Minha respiração estava alterada e meu coração disparado, mas só fico assim com a presença dela, quando não estou com Lily sou muito diferente. Quando estou com ela eu vejo estrelas por todos os lados, eu esqueço de tudo, principalmente dos grifinórios que não me deixam em paz, mas não vou falar do Potter e sua turma, agora vou falar só da mulher que mais amo.
Como era nossa primeira vez, tentei ser o mais gentil possível, o que não é nada difícil quando estou com ela. Nós namoramos um pouco, mas estávamos tão apaixonados que logo fizemos amor e foi uma explosão. Senti meu corpo tremer. Ela ofegava e gemia no meu ouvido, o que me levava à loucura, chegamos ao clímax juntos e foi delicioso. Ficamos ali horas e horas, na verdade passamos a noite juntos, dormimos agarradinhos, eu sentindo cada curva daquele corpo nu e ela com a cabeça relaxada no meu peito. Saímos da sala de manhã e juramos voltar mais vezes."
Parecia que alguém tinha petrificado Harry, o garoto não movia um músculo, não acreditava que estava lendo o relato da primeira vez de Snape e justo com sua mãe. Doce ilusão a do menino de pensar que sua mãe foi mulher de um único homem, seu pai.
Era repugnante pensar que Snape namorava sua mãe e que sua primeira vez foi com ela. A única coisa que impediu que Harry vomitasse foi saber que pelo menos ele era gentil e que jamais a machucaria nem magoaria.
Ali no diário tinha algumas fotos dos dois. Em uma sua mãe repousava a cabeça nas pernas do professor e esse acariciava os cabelos vermelhos, em outra eles dançavam a beira do lago e a única foto ele não conseguiu ver foi a do beijo, uma coisa era ler outra era ver a cena. Harry folheou o livro deixando as fotos para trás.
"Aquele maldito Potter! Ele me paga. Como ousa me desafiar, como ousa querer brigar pelo amor da minha donzela? Nunca deixarei que ele faça isso, nunca permitirei que aquele mongolóide e sua turma façam algo com ela, nem que seja carinho.
Ela disse que não sabe se quer continuar, disse que está confusa quanto aos sentimentos, não sabe mais se é comigo que ela quer ficar. Isso me magoou muito, eu nunca fiz nada de errado, sempre a cortejei e a tratei com dignidade, eu não brigo com Potter por pedido dela. Então por que ela me falou isso? Ela é tudo na minha vida eu não tenho mais ninguém.
Ela me deixou. Ela disse que não iria dar mais certo, que gostava de mim, mas que amava outra pessoa. Disse que mesmo assim gostaria de continuar sendo minha amiga, não pude segurar as lágrimas e acabei chorando, como sempre ela foi carinhosa e secou minhas lágrimas com seus dedos macios, o que me deixou mais acabado ainda. A última vez que me senti assim foi na morte da minha mãe, agora perdi a segunda mulher mais importante da minha vida. Como posso agüentar isso? Eu a amo com todas as forças do meu coração, ela é única, é minha donzela. Jamais esquecerei aqueles olhos verdes, ou aqueles toques, muito menos nossas noites mágicas na sala precisa, eu serei eternamente dela e somente dela, jamais amarei alguém como amo a Lily.
Ele conseguiu. Potter conseguiu. Está namorando minha donzela. A minha donzela. A minha eterna Lily."
Em sua mente Harry tentava não sentir pena daquele menino, era Snape. Mas seu coração se apertava cada vez mais enquanto imaginava-se no lugar dele, vendo a pessoa que ele ama se entregar de corpo e alma para outro alguém. Era muita crueldade.
Ao virar a página, a data dizia que Snape estava em seu quinto ano.
"Nunca sofri tal humilhação em público, além de ser levitado na frente de toda a escola e ficar só de cueca pelo imprestável do Potter, chamei minha donzela de sangue-ruim por ela tentar me defender. ela nunca me perdoará, eu estava com raiva, falei sem pensar, mas agora ela não quer ser nem minha amiga. Ela me odeia"
Mais um intervalo sem nada escrito. Aquele diário era agora apenas um local para Snape descarregar o que lhe acontecia de mais importante, não era mais aquele diário de quando era criança que ele escrevia todos os dias, ali era seu antro de segredos, segredos como o que Harry jamais gostaria de descobrir, mas estava prestes a ler.
"Ele a matou. Eu não sabia que ele iria atrás justamente dessa família, eu teria morrido sem falar se soubesse. Ela morreu, eu o odeio mais que tudo nesse mundo. Eu pedi pela vida dela, mas ele não me atendeu e a matou.
É tudo culpa minha, é sempre minha culpa. Primeiro minha mãe, agora Lily, eu sempre mato quem me ama. Sou um monstro.
Dumbledore me pediu para ajudá-lo a proteger o filho deles, o filho do Potter. Eu me arrependi tanto do que fiz que aceitei, vou protegê-lo com minha vida se for preciso . Sei que o Lord ainda está vivo e que voltará, e quando voltar eu acabarei com ele. Depois disso posso morrer em paz, mesmo sabendo que eu não iria para o céu e sim para o inferno. Mas acho que até o inferno é melhor do que viver com essa culpa no peito."
- Foi ele!
