Olá pessoal, eu quero muito agradecer os reviews de vocês, gostei muito e fico muito feliz que vocês tenham gostado de como a fic esta.
Agradecimentos pessoais para Dora Russel, Tehru e Deh Isaccs... muito obrigada meninas pelo carinho e por terem lido e mandado reviews, fiquei muito feliz...
Bom o confronto dos dois enfim...
A partir de agora Snape estara tentando entender o que está havendo com ele... espero que gostem... bjussssssss
9
O confronto
- Por quê?
- Porque eu não sabia que era ela.
Ao saber que Dumbledore não o havia chamado como estava escrito no bilhete, Snape voltou o mais rápido possível para sua sala. Mas já era tarde. Ele não estava mais ali. O professor sabia, desde o momento em que Potter batera em sua porta naquela noite, que o menino o estava odiando. Por mais que tentasse disfarçar era possível sentir as ondas de raiva que emanavam de seu corpo.
Harry Potter era a pessoa mais transparente que Snape conhecia. E constatou a verdade quando entrou em seus aposentos e o viu sentado em sua cama com a caixinha de lembranças de Lily em sua mão. Por um momento ficou sem reação ao vê-lo chorar sobre a foto de sua mãe, não sabia o que dizer, era sua dor também.
A pergunta de Harry não foi uma surpresa para Snape, sabia que o menino já tinha conhecimento de tudo, ele estava com seu diário, sabia de tudo que ocorrera desde sua infância. Era apenas questão de tempo até que tivesse coragem para encará-lo e desafiá-lo. Cobrar-lhe a verdade que guardou por tanto tempo.
O homem foi até a janela e contemplou a paisagem que era o lago negro em toda sua profundeza. Sentiu sua nuca arrepiar com o vento frio que magicamente ventilava seus aposentos, parecia seu coração. Congelado.
- Se eu soubesse que o Lord das Trevas mataria Lily. – Explicou depois de alguns minutos decidindo como contar a verdade para o grifinório. - Eu teria me matado antes de contar, para que assim ninguém tivesse acesso às minhas lembranças. Arrependo-me todos os dias pelo que fiz, sinto vontade de morrer cada vez que lembro.
- Então por que não se mata?
Os olhos de Harry estavam brilhando de ódio entre as lágrimas que caiam. Ele se levantou e ainda segurava a foto de sua mãe, mas não a olhava, sua atenção estava voltada para o mestre de poções que se virava devagar e encarava o aluno com firmeza.
- Acha que devo morrer?
- Sim.
- Então pegue. – Disse estendendo sua varinha na direção de Harry. – Acabe com isso Potter, vingue-se, mate-me. Faça o que não tenho coragem de fazer.
- Não. – Respondeu automaticamente sem nem perceber que era verdade.
Snape parecia raivoso.
- Pegue.
- Não.
- Ande Potter, faça.
- Não sou um assassino.
- Eu estou pedindo.
- Se quer mesmo morrer, por que não se mata logo? Se você amou tanto minha mãe por que não morreu logo após sua morte?
- Exatamente porque a amo.
Snape estava tão perto de Harry que o menino conseguia ver com clareza que seus olhos não eram vazios. Eram pior que isso, eram cheios de remorso e tristeza.
Respirando com dificuldade, Snape o pegou pelo pulso e foi arrastando-o para fora de seus aposentos. Os quadros acordavam aos poucos ao ouvir os passos fortes e pesados de Snape, enquanto subia as escadas sem nem ao menos ligar para as reclamações de Harry que tentava a todo custo se soltar.
Mas somente quando estavam no sétimo andar, em frente a tapeçaria grande dos trasgos com tutus, que Harry teve seu pulso liberto. Queria ir embora, mas não conseguia, estava furioso e curioso demais para mexer um único músculo. Queria saber o que Snape faria naquele momento.
Foi com um pequeno susto e compreensão que Harry viu uma porta nascer do nada após Snape passar três vezes pela tapeçaria murmurando palavras desconexas.
Snape entrou e deixou a porta aberta, não precisava mais segurar Potter. Ele iria sozinho, sabia disso, e não estava errado. Harry entrou em um magnífico quarto, o mesmo quarto descrito no diário, exatamente como o professor descreveu há tantos anos atrás. Era a mesma cama, as mesmas almofadas em forma de coração. Tudo intacto, até mesmo o carrinho com morango e chantilly.
- É por causa disso, que eu não tenho coragem de tirar minha vida. – Disse Snape passando a mão levemente pelo lençol vermelho. – A verdade é que tenho medo.
- Medo? – Questionou Harry andando pelo quarto. - Você com medo? Vive ao lado de Voldemort e agora vem dizer que tem medo?
- É. – Snape sentou – se na cama e pegou uma das almofadas, era a primeira vez que falava sobre como realmente se sentia em referencia a tudo o que aconteceu após aquela noite fatídica, nem mesmo Dumbledore sabia. – Medo de esquecer tudo isso, medo de que após minha morte tudo isso vá embora da minha memória, tenho medo de esquecer Lily.
- Agora você sente medo de esquecê-la, mas não teve medo quando foi passar seja lá qual for a informação que você passou para Voldemort.
- Eu era jovem na época. Um jovem inconseqüente que não sabia o que estava fazendo. Eu recebi uma informação e a passei para frente. No fim eu queria status no grupo do Lord. Eu queria ser reconhecido.
- Mas afinal que informação era essa?
- Dumbledore nunca lhe contou?
- O que você acha?
Snape respirou fundo, nunca teve planos de contar sobre a profecia para Harry. Isso era trabalho de Dumbledore. Ele tinha apenas que sobreviver e fazer seu trabalho de espião muito bem, mas desde o começo do ano letivo, Snape sentia-se diferente com o menino. Mesmo agora com o grifinório desafiando-o sentia que não podia fazer mais do que olhá-lo duro e pedir mais paciência. Por mais que quisesse não conseguiria gritar como Potter estava esperando que fizesse. Estava no direito dele saber e já estava mais do que na hora de contar a alguém mais além de Dumbledore.
Sendo assim, Snape começou sua narrativa preenchendo os espaços em branco em seu diário dos tempos em que não podia escrever em suas folhas, nem desabafar em suas linhas. Tudo aquilo estava preso há anos e por mais infeliz que seja o fato de contar a verdade ao menino, vê-lo abrir a boca de incredulidade, ver o olhar de ódio aparecer aos poucos, era bom contar, era confortável tirar aquilo dele. Sentir-se leve.
Harry ouviu tudo calado, por diversas vezes quis falar, quis gritar, mas não havia palavras, não havia gesto, nem forças para se mover. Ele só podia olhar e observar o homem que entregou sua mãe para Voldemort. O homem que ouviu atrás da porta e o homem que pediu misericórdia à Dumbledore.
O que deveria fazer agora?
Como deveria sentir-se?
Com ódio, com raiva, com compaixão, com tristeza?
A única coisa que Harry sabia era que ele estava confuso.
- Por isso eu digo que não entreguei sua mãe. Eu jamais faria isso. Eu a amava, não sabia que era ela, nem que era você.
- Para! Chega, não quero mais ouvir você falar. É tudo mentira, é tudo mentira. Você a matou, eu sei disso. Você é um monstro, Severus Snape.
Snape não se moveu quando Harry começou a jogar as coisas do quarto no chão, quebrando vasos e quadros, rasgando lençóis e almofadas. Cadeiras estavam reviradas e espelhos trincados. Morangos rolavam pelo chão e chantilly manchava o tapete.
- Para, chega Potter, pare de ser criança. – Disse por fim, após permitir o acesso de raiva do menino. – Chega!
- Não chega perto de mim, me larga. – Gritou quando sentiu as mãos do professor fecharem-se como garras de ferro em seus braços segurando-o com força contra seu corpo. – Me larga.
- Escuta. Eu sei que você me odeia e sinceramente queria que fosse mais do que eu odeio a mim mesmo...
- VOCÊ É UM MONSTRO. ASSASSINO!
- Sim eu sou, sou tudo isso e muito mais, mas não tive intenção de matar Lily. Eu a amava, eu ainda a amo. Eu ainda lembro dos olhos dela, iguais aos seus, eu lembro do olhar dela me olhando estudar, me vendo andar e me observando me vestir. E cada vez que olho em seus olhos lembro-me dela, você me tortura.
- Eu nunca fiz nada, você é que sempre me odiou. – Disse o menino se debatendo, mas Snape o segurava com força, Harry era fraquinho e magrinho, estava em desvantagem.
- Não. – Disse Snape baixinho e naquele momento uma sombra passou por seus olhos, algo indecifrável. - Eu nunca te odiei. Eu jamais te odiei. Eu quis, mas nunca consegui de fato.
- Odiou sim, você sempre me maltratou, disse que me protegeria, prometeu a Dumbledore, mas só me fez sofrer. – Disse Harry soluçando de tanto chorar.
- Eu não agüentava ver o James em você. Vocês são tão parecidos que nunca reparei em suas diferenças e só fiz você sofrer para poder te afastar de mim. Juro que nunca soube que você era maltratado por seus tios, se soubesse não teria permitido.
Snape já não o prendia em seus braços, apenas o segurava. Harry também já não tentava fugir.
- Eu jamais teria permitido, não quero seu sofrimento, confia em mim.
Harry já não entendia mais nada do que estava acontecendo dentro de seu coração. Ele sentia a verdade nas palavras de Snape, acreditava no professor. Nunca ninguém falou daquela forma com ele, nem mesmo seu padrinho. Era difícil impedir seu coração de bater mais rápido e suas mãos de agarrarem o braço de Snape com força buscando um refúgio seguro, um lugar para não sentir mais dor. Devagar e inseguro, Snape pôs um dos braços na cintura de Harry e o puxou para um abraço desajeitado.
Os dois se afogaram em uma carência mutua. A saudade da compreensão que somente quem viveu o mesmo sofrimento consegue sentir. Snape permitiu que naquele momento todas as paredes firmes que ergueu em seu coração se soltassem e quebrassem enquanto apertava o corpo trêmulo, acolhendo-o em seus braços. Harry se prendia as vestes ásperas e negras tentando sentir a proteção que jamais atingiu sua alma. Aquela dada de bom grado e não por obrigação.
Após se controlar um pouco e apertar mais o corpo pequeno, Snape cerrou os lábios sabendo que precisava dizer as próximas palavras. Estavam engasgadas em sua garganta, pediam por liberdade.
- Me perdoa, Harry.
A menção do seu nome fez Harry chorar mais ainda. Snape pediu perdão.
O que deveria fazer agora? Perdoá-lo? Depois de todo o sofrimento que passou, depois de todos os dias em que chorou sozinho sem ter alguém para o puxar para um abraço como fazia agora, ele queria seu perdão?
- Não. – Sussurrou se livrando dos braços de Snape vendo a surpresa e a derrota em seus olhos. – Eu jamais perdoarei você, Severus Snape. Jamais. – Sentenciou antes de sair correndo da sala.
Snape ficou parado por um momento sentindo que mais uma vez seu coração fora massacrado.
O que estava acontecendo?
Por que esse menino estava mexendo tanto com ele? Que sentimento era esse que entrou de vez e o possuiu impedindo-o de olhar nos olhos verdes de Harry Potter e desejar-lhe que tenha péssimos sonhos? Por que ele?
A porta por qual Potter passou fechou com um estrondo tirando Snape de seus devaneios. Potter estava fora de si e faria alguma bobagem, Snape sabia disso e nesse momento não ligava para se algum outro aluno estava fora da cama, ele corria pelos corredores atrás de um único aluno. Enquanto isso Harry corria sem parar para pensar, queria apenas se distanciar de Snape.
- Onde vamos com tanta pressa, Potter?
Harry parou derrapando no chão ao ouvir a voz irritante de Draco Malfoy. O loiro vestido com as vestes da Sonserina sorria de canto encostado em uma parede logo adiante. Apesar de sempre tentar evitar Malfoy, Harry sentia no momento uma grande vontade de azará-lo.
- Saia da minha frente Malfoy. – Pediu sabendo que se fizesse algo se arrependeria depois. – Não me enche.
- Olha só, Potter está dando uma de corajoso agora. Que medo. – Disse o loiro se aproximando. – O que é isso? Está chorando Potter? O que aconteceu Pottinho? Seu namorado Weasley te deixou para pegar aquela sangue ruim da Granger?
Harry só conseguiu entender o estrago que havia feito depois que viu Malfoy levantar com a mão no nariz e as vestes sujas de sangue. Sua mão ainda em posição de ataque, trazia os nós dos dedos manchados de vermelho que tentou limpar em suas vestes com desespero. Mas antes mesmo que tivesse a chance de ver se sua mão estava definitivamente limpa uma varinha apontava diretamente para seu peito.
- Você me paga, Potter. Vai aprender a nunca mais mexer com um Malfoy. – Os olhos verdes de Harry perderam a cor quando ele soube o que o sonserino iria fazer. – CRUCIO!
Em um segundo toda a preocupação de Harry sumiu. Ele só sentia a dor, sua vida era a dor. A dor que subia por suas veias, queimava seus ossos, subia pela sua pele furando-o, devorando-o e o consumindo. Parecia que tudo se resumia a sentir as fisgadas em seus músculos.
Malfoy não era um bruxo excepcional, mas sua magia era forte o suficiente para Harry se tremer de dor. O loiro se aproximou devagar e se ajoelhou ao lado de Harry vendo-o abrir a boca e gritar. Os olhos verdes estavam intensos e repletos de agonia enquanto olhavam para os olhos cinza com uma sombra indecifrável que superava a dor, era magoa.
Malfoy a viu, no fundas das íris verdes, mas preferiu ignorá-la.
- Sabe, eu achei muito construtivo aquele comensal disfarçado de Olho Tonto nos ensinar as maldições imperdoáveis. Sei que muitos não a usam exatamente por ser imperdoável, mas eu não ligo, eu gosto de usá-la, gosto de ver as lágrimas saindo de seus olhos Pottinho. Pede para eu parar, pede.
- Nunca. – Rosnou Harry entre os dentes travados.
- Então sofra.
- Pare com isso, Malfoy. – Disse uma voz arrastada vinda do fim do corredor.
- Professor Snape?
Apesar de parar com a maldição na hora em que ouviu a voz do professor, Harry ainda se tremia no chão sentindo os espasmos nos músculos devido às contrações que a maldição causava. Sua mente estava cansada, queria apenas dormir.
- Abaixe sua varinha.
- Ele começou professor, olha o que ele fez com meu nariz.
- Vá para a ala hospitalar cuidar desse nariz, você tem muita sorte por eu ser diretor da sua casa e velho amigo de seu pai, caso contrário já estaria arrumando seu malão. Agora vá embora antes que alguém lhe veja.
- Sim senhor. – Malfoy deu uma última olhada em Potter que continuava no chão tentando respirar e depois foi embora guardando a varinha no bolso.
Snape esperou que Malfoy sumisse para depois abaixar-se e ver como Potter estava. O menino era forte e agüentou até o seu limite. Mas as dores eram demais e seu cérebro precisava descansar por alguns momentos.
Harry se sentiu indo para o inconsciente. Não sentiu quando Snape passou um dos braços por baixo de seus joelhos e o outro pelas suas costas levando-o direto para as masmorras, novamente para seus aposentos particulares.
O menino era tão magrinho que não foi difícil levá-lo até seu quarto e colocá-lo em sua cama. Ele ainda tremia de dor e respirava com dificuldade. Rapidamente buscou um vidro de poção em seu laboratório e voltou para seu quarto.
- O que pensa que está fazendo? – Perguntou ao ver Harry acordado tentando levantar.
- Eu vou embora. – Disse com dificuldade pausando algumas vezes para tomar fôlego. – Não vou ficar aqui com você.
- Teremos tempo o suficiente para discutirmos o quanto gostamos um do outro, mas no momento tem que tomar essa poção e repousar. Você levou um cruciatus forte e se conseguir chegar até a porta sem cair lhe dou a nota máxima em poções. Apesar de ser apenas um adolescente, Malfoy tem muito poder e poderia ter realmente causado um grande estrago no senhor.
- Eu devia imaginar. – Riu Harry baixinho.
- Imaginar o que? – Perguntou Snape se irritando.
- Que iria proteger os seus "pupilos", seus queridos alunos. Malfoy poderia ter me matado que o senhor diria que era um ato de bravura.
- Não me culpe por reconhecer os poderes dos meus, como você mesmo disse, pupilos. Agora pare de falar e tome a poção logo, precisa descansar.
- Como posso ter certeza de que não está me envenenando?
- Não saberá, mas pedi que confiasse em mim e quem fez essa poção foi sua própria amiga. – Disse Snape mostrando o frasco com o nome de Hermione no rótulo.
- Pelo menos nela eu posso confiar. – Disse Harry pegando o frasco e bebendo.
Snape pegou o frasco da mão do garoto e o observou começar a ficar sonolento. Harry deitou e se cobriu adormecendo logo em seguida. O professor colocou o frasco no criado e sentou-se na beira da cama até que finalmente teve certeza de que o menino estava adormecido.
Suspirou de cansaço e foi até um armário, pegou um pijama e o configurou para ficar do tamanho dele. Voltou até a cama e devagar começou a retirar o uniforme de Potter. Tirou o casaco, o suéter e a camisa. Seus olhos esquadrinharam cada pedaço de pele branca do menino e sentia a raiva o consumir ao ver as marcas de machucados antigos, cicatrizes que não deveriam estar ali na pele de um menino de apenas quinze anos de idade.
Em seu braço tinha um corte não cicatrizado, era fundo e estava inflamado, não era um corte recente, mas jamais fora curado como se deve. Sentindo que logo perderia a calma, Snape voltou ao laboratório e pegou uma bacia com um medicamento e um pano. Devagar, como se tivesse medo de acordar Potter, que estava dopado pela poção, começou a passar o pano pelos ferimentos com delicadeza.
Após passar o medicamento pelo peito, costas e braços, vestiu a parte de cima do pijama e começou a despir a parte de baixo do uniforme. Tirou o sapato e a calça deixando o menino só de cueca. Passou o pano molhado nos ferimentos e murmurou um feitiço no joelho que ainda estava roxo, colocou a parte de baixo do pijama e o cobriu finalmente soltando a respiração sabendo que ele estava em um lugar seguro e agora estava bem cuidado.
Por que cuidar dele era assim tão importante? Por que saber que ele estava bem e seguro parecia ser a necessidade suprema de seu dia?
Snape se perguntava isso enquanto afastava o cabelo revolto do rosto do menino.
- Eu estou cuidando dele Lily, só não sei se faço isso por você ou por mim.
