Agradecimentos super carinhosos para Dora Russel, Deh Isaacs, MCristal Black pelos reviews enviados, li e amei cada um viu... que bom que estão gostando do andamento da fic... aqui esta mais um capitulo, desculpem a demora viu
abraços
10
U ma conversa com o diretor
O sol da manhã entrava pela única janela no quarto, ficava logo acima do lago negro e atingia os olhos de Harry fazendo-o despertar lentamente. Sua visão estava embaçada tanto pelo tempo em que estivera dormindo quanto pela falta dos óculos, por isso era difícil dizer onde estava, mas claramente não era seu quarto. Tateou o criado mudo e colocou os óculos que ali estavam.
Definitivamente aquele não era seu quarto.
Aquele aposento era bem maior e amplo, com um toque de antiquado e robusto. Esfregou os olhos e se sentou sentindo as lembranças virem aos poucos. O diário, a verdade, Snape, o quarto dos dois, Malfoy e finalmente o sono.
Não havia mais ninguém no quarto, dessa forma Harry pôde ficar sentado um pouco mais só tentando digerir tudo que não havia acontecido. Toda a verdade, toda a dor.
Dor.
Isso era o mais estranho. Não havia nenhuma, ou melhor, quase nenhuma. Não sentia suas costelas doerem nem seu joelho estalar e arder. Seu corte no braço estava cicatrizado como constatou ao levantar a manga do pijama que estava usando, um pijama de seda negra com as iniciais SS em verdes na altura do peito. Ao lado da cama estava seu uniforme dobrado em cima de uma cadeira.
Receoso Harry se levantou temendo sentir as dores de sempre, mas elas não estavam mais ali, não o incomodavam mais, não o faziam gemer ao andar ou se vestir. Um pouco melhor em seu humor começou a se vestir e deixou o pijama dobrado na mesma cadeira em que estava seu uniforme.
Calmamente foi ao banheiro e se olhou no espelho, estava horrível, com olheiras e o cabelo todo bagunçado, mas não podia fazer muito além de se lavar. Após alguns minutos em silêncio sentado novamente na cama, se dirigiu até a porta e saiu.
A sala de estar de Snape tinha o mesmo toque antiquado e frio do seu quarto. A lareira estava acesa e havia uma garrafa vazia no chão ao lado de um grande sofá onde o próprio Snape dormia ainda com suas vestes, coberto apenas com sua capa. Seus cabelos estavam caídos em seu rosto e ele respirava profundamente sem fazer barulho como se receasse acordar o menino que estivera dormindo no quarto ao lado protegido por uma grossa parede. Em sua mão caída ao lado, estava a corrente de ouro com o pingente em forma de coração.
Harry permaneceu alguns minutos olhando o professor antes de pegar o seu diário e sair dos aposentos sentindo-se cada vez mais confuso com tudo isso.
Ao começar a subir as escadas o sol iluminava cada vez mais os corredores até que entrava completamente pela porta principal. No grande salão todos já estavam sentados e Harry se espremeu ao lado de Hermione louco de vontade de contar à ela tudo que aconteceu na noite anterior. Mas não foi Hermione que fez a primeira pergunta do dia
- Onde você estava? Eu não te vi no quarto. – Disse Rony abraçado com Hermione que não parecia feliz por isso.
- É, onde você esteve? Eu fiquei esperando você voltar da detenção e você não voltou, eu ainda estou com sua capa da invisibilidade. – Disse Hermione se desvencilhando do abraço de Rony. – E ai deu tudo certo?
- Deu sim, a poção funcionou e eu consegui entrar nos aposentos dele sem problemas e consegui trocar os diários.
- Espera um pouquinho ai. – Disse Rony olhando de Hermione para Harry. - Por que você está com a capa do Harry? Que poção é essa? E que diário é esse? O que é que eu não estou sabendo?
- Tudo Rony. – Disse Harry sentindo-se eufórico. - Mas calma que eu vou te contar e eu vou contar tudo que aconteceu ontem, inclusive a parte do Malfoy.
- Malfoy? O que tem ele? – Disse Hermione olhando para o sonserino sentado na mesa ao canto do salão sendo bajulado por Pansy Parkinson.
- Calma, vou contar tudo para vocês.
Rapidamente e tomando cuidado para ninguém mais ouvir, contou toda a história do diário para Rony e depois contou todos os acontecimentos da noite anterior. Também contou a verdade sobre as aulas de Oclumência.
- Eu sempre soube que Snape era um mau caráter, mas nunca imaginei que ele seria um assassino. Fez bem em não ter perdoado aquele seboso.
- Cala a boca Rony. – Disse Hermione dando um tapa no braço do ruivo. – Harry você tem que pensar bem antes de fazer uma escolha, não interessa o que eu ou Rony achamos, você tem que saber o que está sentindo.
- Ai é que está o problema Hermione, eu não sei mais o que estou sentindo. Antes eu só sentia ódio por ele, não queria vê-lo por perto e agora nem sei mais o que pensar. Quando ele falou comigo eu senti que era verdadeiro, senti sinceridade nas palavras dele. Eu não sei mais de nada.
- Então dê tempo ao tempo, pensa um pouco, inventa uma desculpa e pede ao Dumbledore para não ter aulas de Oclumência por um tempo, diga que tem deveres demais e não está mais conciliando as duas coisas.
- Tudo bem. Vou falar com ele após as primeiras aulas, que, aliás, são de Poções.
Os amigos se olharam e em silêncio terminaram o café, aquele seria um longo dia.
Snape acordou assustado por um pesadelo, ajeitou o cabelo e se sentou, sentia uma forte dor de cabeça causada pelas várias doses de firewisky que tomou na noite anterior. Levantou-se devagar tentando manter o equilíbrio e pegou o frasco de poção para ressaca que havia deixado próximo à mesinha tomando todo o liquido de uma vez. Logo estaria bom, só precisava de um banho.
Colocando sua capa novamente, foi até o quarto e encontrou a cama vazia, na cadeira ao invés do uniforme da grifinória o que tinha era o seu pijama já transfigurado para o seu tamanho original. Com um suspiro chamou um dos elfos de Hogwarts que apareceu imediatamente na sua frente.
- Chamou professor Snape, senhor?
- Sim, arrume meus aposentos, lave esse pijama ele está com medicamento e traga algo para eu comer logo após as primeiras aulas, eu não tenho tempo para comer agora.
- Sim senhor, professor Snape. – Disse o elfo fazendo uma leve reverencia e indo pegar o pijama na cadeira.
Enquanto o elfo arrumava o quarto, Snape se olhava no único espelho que deixou inteiro em seus aposentos, o do banheiro. Sua aparência estava horrível, suas olheiras cada vez mais fundas e sua pele cada vez mais pálida.
Em pensar que ainda tinha aulas a dar.
Ao entrar na sala todos se calaram como fazem em todos os tempos de poções, mas Snape não estava com humor nem para dar broncas nos cabeças ocas. Fez um sinal para o quadro negro e as instruções para terminarem uma poção que estavam fazendo há duas semanas apareceram.
- Quero essa poção terminada e a amostra em minha mesa antes de terminar a aula, todos em silêncio.
A aula correu como sempre, todos em silêncio ouvindo apenas o barulho da poção borbulhando nos caldeirões. Snape andava pela sala, mas não fez um único comentário, nem mesmo quando Neville quase explodiu seu caldeirão assim que o professor se aproximou. A única coisa que Snape fez foi limpar a sujeira sobressalente na mesa do menino e mandá-lo continuar. Neville quase desmaiou.
A verdade era que Snape estava o tempo todo prestando atenção em Potter, em seus movimentos, em seus olhos, em tudo. Estava vidrado no menino que estivera o tempo todo de cabeça baixa fazendo sua poção sem nem ao menos trocar uma única palavra com seu amigo ruivo. O término da aula chegou e todos arrumaram seus materiais saindo rapidamente das masmorras, inclusive Potter que foi de encontro à McGonagall pedir a senha da gárgula do escritório de Dumbledore.
A professora só deu a senha após Harry garantir que não iria atrapalhar o diretor com bobagens, que era assunto do seu interesse e que ela até poderia ir, mas que o diretor iria pedir delicadamente que se retirasse do escritório.
Depois de alguns minutos a gárgula em forma de Fênix saltou para o lado permitindo que Harry subisse em seus degraus. Dumbledore disse para Harry entrar e o mesmo vislumbrou novamente a sala do diretor. A um canto, em cima de uma estante cheia de livros e instrumentos que somente Dumbledore sabia para que era útil, estava o chapéu seletor velho e remendado. Perto estava o poleiro de Fawkes linda e bela com suas penas vermelhas como fogo e atrás da escrivaninha, guardada em uma redoma de vidro, estava a espada de Griffindor, reluzente como se jamais tivesse sido usada para matar um basilisco.
- Harry, que visita agradável. – Disse o diretor fitando o menino por cima de seus oclinhos de meia lua. – Sente-se, aceita um drops de limão?
- Não, muito obrigado. – Recusou o garoto sentando-se em frente ao diretor.
- Como está passando filho? Soube que não pode jogar Quadribol. Espero que esteja melhor.
- Estou sim senhor, foi só um contratempo, mas já estou pronto para a próxima partida.
- Que bom, mas então em que posso ajudá-lo?
Dumbledore sorriu e Harry se sentiu um pouco incomodado, o diretor era conhecido por saber muitas coisas sobre seus alunos, na verdade ele sabia demais de todo mundo.
- Eu gostaria de parar com as aulas de Oclumência por um tempo.
- Parar com as aulas? Mas por quê? – Questionou o diretor franzindo as sobrancelhas brancas. - O professor Snape me informou que você evoluiu muito e está quase conseguindo impedi-lo de invadir sua mente, por que parar agora?
Harry parou por um momento pensando se Snape não tinha contado para o diretor tudo o que viu em suas lembranças. Seus olhos tremeram ao olhar para o oceano que se apresentava nas íris cristalinas de Dumbledore. Como que lendo os pensamentos de Harry, Dumbledore disse calmamente.
- Tudo o que o professor Snape viu em suas lembranças são confidenciais. Somente ele sabe o que se passa na sua cabeça, ele não contou para ninguém, nem mesmo para mim. Mas diga-me por que parar as aulas?
Harry sentiu-se um pouco mais aliviado, saber que Snape não havia contado nada o confortava, já era ruim demais saber que Snape conhecia seu passado, Dumbledore sabendo seria um desastre.
- É que eu estou com muitas tarefas acumuladas e não estou conseguindo terminá-las, queria um tempo para poder fazê-las corretamente.
Harry sentiu os dois olhinhos azuis o analisando, teve medo. Dumbledore era um bruxo sábio, um dos mais inteligentes, conseguia saber se a pessoa estava falando a verdade só olhando em seus olhos. O menino desviou o olhar e encarou Fawkes.
- É só por isso? Não tem nenhum outro motivo?
- Não senhor, é só isso. – Disse o menino ainda olhando Fawkes limpar suas penas.
- Tem certeza Harry? Não tem nada que queira me contar?
- Não senhor, eu tenho certeza.
- Então você terá duas semanas, creio eu que será o suficiente. Precisa entender que essas aulas são muito importantes. Mas não posso exigir tanto de você nesse momento. Se precisa de um tempo eu lhe darei, mas depois de duas semanas o professor Snape continuará com as aulas, entendido.
- Sim senhor.
- Então não preciso dizer que nesse meio tempo você terá que treinar sozinho. Diga-me, você ainda tem tido pesadelos?
- Tive um no começo das aulas.
- Como era esse sonho?
- Iguais aos outros senhor, eu era a cobra novamente, mas desta vez eu não estava rastejando em volta de Voldemort, eu estava na casa de um homem chamado Macleyn. Voldemort estava buscando algo, mas não conseguiu e por isso ele matou Macleyn e eu acordei.
- Teve mais sonhos como esse?
- Não. Só algumas imagens que não consigo entender o que é, nada mais.
- Harry quero que entenda que Voldemort é poderoso demais, se ele entrar em sua mente o desastre será imensurável.
- O senhor acha que ele já sabe dessa ligação?
- Acho que ele desconfia, você não pode confiar em seus sonhos, eles podem ser falsos, tome cuidado.
- Sim senhor.
- Então pode ir, não quer mesmo um drops de limão? São uma delicia.
Harry cedeu e acabou aceitando o drops oferecido pelo diretor, ao colocar a bala na boca sentiu um calor confortável se espalhar pelo corpo, aquilo o deixou mais leve e mais calmo. Saiu da sala e respirou fundo sentindo uma paz que há muito tempo não sentia, desceu a escada em espiral e encontrou nada mais nada menos que Severus Snape à sua frente.
Era a primeira vez que olhava nos olhos do professor aquele dia. Snape retribuiu o olhar, Harry percebeu que ele estava inquieto, mexia muito as mãos, sentiu algo forte em seu coração que estava disparado, abriu a boca, mas nem uma palavra saiu.
- Sente-se melhor? – Perguntou Snape.
- Sim, obrigado.
- Tome mais cuidado na próxima vez que enfrentar alguém, eu nem sempre estarei por perto.
- Talvez o que eu precise é ficar longe de você.
Snape levantou uma sobrancelha, olhou os olhos verdes do garoto, abriu a boca, mas nada disse, apenas começou a subir os degraus em direção ao escritório do diretor, bateu e a porta novamente abriu sozinha.
- Severus meu garoto, eu estava mesmo falando com Harry sobre suas aulas.
- Eu mal posso esperar para saber o que é.
- Ele me pediu duas semanas sem aulas de oclumência para poder terminar suas tarefas escolares.
- Ele está quase conseguindo fechar a mente, daqui a duas semanas ele nem lembrará o horário das aulas. – Disse Snape sentando na cadeira em frente a mesa do diretor e franzindo o cenho.
- Ele disse que precisava desse tempo, mas Severo agora quero perguntar à você o que perguntei à ele. Mas quero que seja totalmente sincero comigo.
- O que quer saber?
- O que aconteceu entre vocês dois?
- Nada além do que deveria acontecer, eu dei aula e ele aprendeu ou pelo menos tentou.
- Severus meu filho, eu sou velho e minha barba branca não nega, mas não sou burro, sei muito bem quando algo o incomoda.
- É. Eu não consigo esconder nada de você, nunca consegui.
- É sempre bom desabafar.
- Eu tenho meus próprios métodos de desabafos.
- Pensei que havia esquecido seu antigo diário.
- Ele é um fiel amigo.
- Eu também sou um fiel amigo. Vamos, me conte o que está acontecendo.
Snape relaxou na cadeira, respirou fundo e levou a mão à têmpora.
- Potter leu o meu diário, ele sabe a verdade sobre a morte da mãe.
Dumbledore ainda mantinha o sorriso e olhava para o professor com certa curiosidade.
- E você está preocupado com os sentimentos do menino.
- Essa é uma pergunta que não consigo responder.
- Não é uma pergunta, é uma afirmação.
Snape arregalou os olhos diante da afirmação, não falou quase nada e aquele velho já sabia de tudo. Realmente sentia-se preocupado com os sentimentos do menino.
- Sinto-me responsável por ele.
Agora não adiantava mais esconder o que sentia e talvez fosse realmente bom desabafar.
- Eu levei a mãe dele à morte. – Continuou. – Eu o levei ao sofrimento durante esse tempo e eu mesmo o maltratei alguma vezes. Eu o fiz sofrer, o fiz chorar. Ele escreveu em seu diário sobre isso. Sinto dor ao vê-lo assim, quero fazer algo para poder me redimir, eu não sei mais nada, ele não quer falar comigo, eu não sei de mais nada.
- Um drops?
Snape pegou logo dois, estava mesmo nervoso demais, aquela situação toda conseguia tirá-lo de seu equilíbrio emocional, qualquer um que conheça Snape diria que ele estava sofrendo de grande estresse.
- Acalme-se Severus, o menino está confuso assim como você também está. Isso é natural, dê tempo ao tempo, às vezes precisamos ficar a sós para podermos nos encontrar. Espere esse tempo e depois vá falar com ele e tenha paciência, não vá brigar com ele, não se esqueça que ele é apenas um menino que está sem rumo e o que é pior, sem um orientador.
- Já não consigo mais brigar com ele, até isso está difícil para mim nesse momento. Ele estragou um poção que demorou duas semanas para ficar pronta e eu não disse nada.
- Então vejo que realmente você se apegou ao menino, não brigar com alunos da grifinória não faz bem o seu estilo.
- Obrigado pela parte que me toca.
- Todos conhecem a sua reputação e você terá que concordar de que não é a melhor da escola. Mas voltando ao assunto Potter, quando esse assunto todo entre vocês estiver resolvido venha me procurar, se tudo der certo eu terei uma novidade boa para os dois.
O diretor deu um sorriso satisfatório.
- Alvo sabe que odeio surpresas e odeio ficar à espera de uma resposta, me diga o que está tramando.
- Paciência meu caro, paciência. Você está parecendo uma criança ansiosa para saber qual será o presente que ganhará de aniversário.
- E você, uma criança travessa planejando assaltar o armário de doces quando a mãe sair para fazer compras.
- A geléia sempre fica na última prateleira.
Os dois riram e conversaram por um bom tempo. Snape pediu para seu almoço ser servido no escritório do diretor. Dumbledore conhecia Snape desde sua época de escola, o apoiou quando sua mãe foi morta e seu pai foi parar em Azkaban. O viu se tornar um homem, infelizmente também o viu se tornar um Comensal da Morte, estava ao seu lado quando se arrependeu e virou espião duplo.
Severus era como um filho que Dumbledore nunca teve, e Alvo para Snape era muito mais que um pai, era um amigo, um conselheiro. Depois do diário, Alvo era a única pessoa para quem Snape se abria.
Ao sair do escritório do diretor, Snape se sentia muito mais leve, realmente às vezes falar com alguém fazia bem. Foi para a sala dar o restante das aulas.
A noite chegou rápido e trouxe junto o frio, Snape se acomodou em frente à lareira, tentava ler, mas não conseguia ter concentração. Toda hora tinha que voltar e ler tudo novamente. Acabou desistindo e indo dormir. O quarto estava arrumado e o pijama do seu tamanho, como estava frio resolveu dormir de pijama, enfiou-se embaixo da coberta e se deixou entrar no inconsciente.
