Meninas quero agradecer os reviews de vcs, gostei muito, agradecimentos pessoais para:
Deh Isaacs - Pois é seu Lucius sedução que fez isso, acontece neh, não confie em um Malfoy
Dora Russel - Valeu pelo review, espero que continue gostando da fic. bjus
Capítulo 13 – O pedido de Dumbledore
Apesar da quantidade de pessoas que entraram pela porta dupla da ala hospitalar, o silêncio era esmagador. Não havia um único suspiro, um único falar. Era difícil até mesmo dizer se aquelas pessoas estavam realmente vivas. Mas estavam e isso era o que causava o silêncio cruel. Eles estavam vivos e ele não.
Sirius parecia um fantasma ao entrar carregando em seus braços o corpo mole e sem vida de Harry. O grifinório tinha um semblante leve e angelical, como se estivesse dormindo, como se não houvesse mal no mundo, como se nada mais pudesse afetá-lo.
Ele era finalmente livre.
Sirius o colocou delicadamente em um dos leitos, e mesmo que aquele cuidado não fosse mais preciso, afastou de leve os cabelos revoltos que caiam em seu olho, colocando os óculos redondos que o acompanhou desde criança sendo quebrado em cada aventura que tinha e reconstruído por Hermione quando o moreno não se lembrava qual feitiço usar.
- Por quê? – Perguntou Sirius ainda segurando a mão gelada de Harry. – Por que Alvo?
- Ele não está morto, Sirius. – Disse Dumbledore simplesmente ao lado de McGonagall que o olhou com surpresa e esperança por trás dos olhos lacrimejantes. – Ele ainda está vivo.
- Como está vivo? Todos o viram ser atingido pela maldição da morte, não brinque com essas coisas Alvo.
- Eu jamais brincaria com a vida de uma pessoa, principalmente de Harry que é de grande estima para mim. O que eu disse é verdade. Sei que todos vimos Harry cair após ser atingido pela maldição da morte, mas ele não está morto. Está, digamos, em um tipo raro de coma.
- Como os trouxas?
- Mais ou menos. Mas temos que levar em conta que Harry é um bruxo muito poderoso e que se sacrificou para salvar o professor Snape e o mesmo também se sacrificou para salvá-lo. Esse ato fez com que existisse uma ligação forte entre os dois, um laço tão forte que jamais foi visto ou documentado em lugar algum. É uma magia antiga da qual só se conhece a teoria. O professor Snape me contou que antes de chegarmos aconteceu algo inexplicável com o feitiço de proteção que ele lançou para proteger Harry. Creio eu que Harry estava sendo protegido, além do amor da mãe, pelo amor de Severus.
- O amor de Snape? – Riu Sirius saindo de perto de Harry pela primeira vez desde que saíram da floresta. - Snape nunca foi capaz de amar ninguém, ele é um assassino, seu coração é mais duro do que uma pedra. Snape é o mal em pessoa, chego a dizer que está quase igual à Voldemort.
- Não faça um julgamento de coisas que não sabe Sirius. Severus amou sim alguém e você sabe muito bem quem. – Olhou para Harry deitado no leito, não se movia, nem se quer respirava, estava ali e ao mesmo tempo não estava. – Severus se arrependeu do que fez e sempre jurou proteger Harry e pelo que eu sei, ele tentou afastar o menino de si para que não fosse capaz de lembrar-se de Líllian, mas isso não foi mais possível, a aproximação dos dois foi inevitável e agora Severus está se confrontando por um sentimento que antes não sentia por Harry.
- Que sentimento?
- Amor, Sirius. Ele está sentindo amor por Harry. Um amor fraternal. Está sentindo necessidade de protegê-lo, de ajudá-lo. Ele se sacrificou pelo menino, o protegeu, por isso a maldição da morte não o matou. Você sabia tanto quanto eu que isso iria acontecer um dia visto que Líllian transferiu para o menino todo o seu amor, o mesmo amor pelo qual Snape era apaixonado.
- Então o que está havendo com ele? O menino nem ao menos respira.
- Harry se encontra, nesse exato momento, preso em sua mente, mais precisamente em seus pesadelos, os piores pesadelos que ele já teve, as suas piores lembranças.
- E como podemos ajudá-lo? Como podemos trazê-lo de volta?
- Temo que seja quase impossível conseguir trazê-lo de volta à realidade.
- Então é isso? Você vem até aqui e me diz que ele não está morto. Me devolve meu afilhado, o coloca em minhas mãos novamente, ai quase no mesmo instante você vem e o arranca do mesmo lugar sem dó nem piedade dizendo que é impossível trazê-lo.
- Eu disse que é "quase" impossível. Existe uma possibilidade de trazê-lo de volta, mas é muito perigoso. Se isso falhar pode matar não somente o Harry como a pessoa que tentará salvá-lo. Mas se der certo podemos ter o nosso querido menino de volta.
- Tudo bem. – Disse Sirius após um momento em silêncio somente pensando e olhando para Harry. - Me diga o que tenho que fazer, eu farei.
- Eu admiro o seu amor, a sua coragem e a sua vontade de salvá-lo Sirius. – Disse o diretor pousando uma mão em seu ombro. – Mas não será você a pessoa que fará isso.
- Não?
- Não. Você me ajudará a derrotar Voldemort, eu tenho a localização dele e teremos que juntar todos da Ordem e do Ministério para podermos ir em direção a batalha.
- Então se não sou eu, quem será a pessoa? Vamos me diga quem é?
Snape encontrava-se jogado em sua poltrona nas masmorras frias do castelo. Estava cansado, estava acabado, olhava para o nada, a cabeça encostada na poltrona, os olhos vermelhos, mas não saiam lágrimas deles.
Batidas leves foram ouvidas em sua porta, mas não se atreveu a se mexer, não levantou nem sequer disse para quem quer que fosse que poderia entrar, queria ficar sozinho.
- Severus, tomei a liberdade de ir entrando já que não me convidou. – Disse Dumbledore sorrindo no batente da porta que abriu sem esforço e sem barulho.
O diretor fechou a porta e olhou para o aposento que sempre teve como um exemplo de limpeza e organização. No momento aquele quarto só poderia ser exemplo de deploração e desleixo. O local estava totalmente revirado e se Dumbledore não conhecesse o seu mestre de poções diria que era uma bagunça normal, mas Snape tinha um ciúme imenso pelas suas coisas, pelos seus livros, suas experiências e poções, e, no entanto, naquele momento muitas delas estavam no chão, jogadas, quebradas e rasgadas.
Snape continuou imóvel enquanto ouvia o diretor caminhar até a lareira e acendê-la já que estava frio demais ali para ele. Já Snape, preferia sentir o pior frio que existisse, sentir seus músculos congelando aos poucos do que acreditar que aquilo fosse verdade.
Dumbledore suspirou cansado e olhou para o homem que tinha como filho e o viu chorar como quando perdera a mãe. Parecia que fora ontem que aquele menino magrinho o procurou para pedir que fosse a Azkaban, não para ver o pai, que era a pessoa que mais odiava, mas para ficar preso por levar a mãe à morte. Ainda podia sentir os bracinhos do pequeno garoto o apertando, buscando um abraço, um refúgio, um carinho que não tinha, buscando alguém, pois estava literalmente sozinho, não tinha mais ninguém na família, ele não tinha mais família. Hogwarts e Dumbledore eram sua família agora.
Após anos ainda via o mesmo menino angustiado e solitário.
- Severus. – Disse baixinho. – Não foi sua culpa.
- Nunca é minha culpa, não é Alvo? No entanto todos morrem por estarem tentando me ajudar igual a minha mãe, ou por eu falar coisas demais assim como aconteceu com a Lily, e agora Harry está como está porque tentou me salvar, mais uma vez por minha culpa. – Disse Snape levantando-se. – Ele estava tentando me proteger, está nessa situação por minha causa, sempre por mim.
Dumbledore, com toda a paciência que conseguia ter, chegou perto de Snape e segurou gentilmente o braço do professor fazendo-o olhar dentro dos olhinhos azuis, mas apesar de Snape tentar, ele não conseguia, não tinha coragem para olhar.
- Severus você sabe que te considero como meu filho não sabe? - Snape fez que sim com a cabeça. - Então me deixe te dar um conselho de pai. Não se castigue por seus atos, às vezes podemos ter uma segunda chance de arrumar a bagunça, nunca perca a esperança.
Snape o olhou e franziu o cenho.
- Eu te conheço Alvo, o que está tentando me dizer?
- Eu quero te dizer que Harry tem uma chance de sobreviver. Ele não morreu, está em um tipo estranho de coma. Ele está preso em seus pesadelos, não consegue voltar. Enquanto isso seu corpo está "morto", por assim dizer, mas sua mente vive. O que precisamos é trazê-lo de volta ao seu corpo.
- Essa história parece absurda, e mais absurdo ainda é eu querer acreditar nela e perguntar: Como? – Perguntou Snape.
- Existe um feitiço muito parecido com o de legilimência. No de legilimência você entra e lê a mente da pessoa. Harry está preso em sua própria mente, com esse feitiço a pessoa pode entrar e falar com Harry, ajudá-lo.
- Mas isso é o que o Lord faz, qualquer pessoa experiente o suficiente pode fazer isso.
- Sim e não. Em legilimência, um bruxo experiente, como você mesmo disse, pode ler a mente da pessoa, e pode modificá-la, torturá-la, controlá-la. A diferença nesse feitiço é que você poderá fazer tudo isso, no entanto, que Harry permita. Por exemplo, se eu entrasse na mente de Harry a única coisa que eu faria seria conversar com ele, nada mais do que isso.
- Conversar? Você entraria na mente dele para bater um papo. Não acha que teve tempo o suficiente para fazer isso?
- Na verdade não. – Respondeu Dumbledore sorrindo de leve por breves segundos antes de continuar a explicação do feitiço que Snape achava ser impossível. – Tem outra coisa, eu não poderia enfrentar os medos dele, as coisas que ele vai ver e passar só ele pode derrotar. Ele verá tudo aquilo que teme. O menino está sozinho enfrentando o que mais lhe dá medo. Severus, quero que se imagine com 15 anos preso em um pesadelo com a coisa que mais teme. Você teria coragem de enfrentá-la sozinho? Ou iria preferir que alguém estivesse ao seu lado nesse momento, te dando coragem e apoio?
Imagens de sua infância passaram diante dos olhos de Snape, seu pai, os gritos, o sofrimento e decepção. Imaginou-se em um quarto escuro, sem janela e com uma única porta por onde entrava um homem.
Seu pai.
Teria coragem de enfrentá-lo com 15 anos? Teria coragem agora que está mais velho?
- Não.
- Entende o que acontece com Harry? Ele precisa de um amigo, alguém que o incentive, que o ampare.
- Eu já entendi e por mais que eu já saiba a resposta da pergunta, ainda me prendo em uma tentativa vã de que eu esteja errado. Quem será essa pessoa?
Dumbledore sorriu novamente apenas confirmando o que Snape já sabia.
- Mas por que eu? O padrinho querido dele poderia fazer isso, eles são amigos. – Snape fez cara de nojo e Dumbledore deu uma risada percebendo que Severus não mudou tanto assim.
- Sirius está em uma missão para a Ordem, ele, junto com outros aurores, estão a caminho da Irlanda, onde Voldemort está escondido. E eu escolhi você porque a senhorita Granger disse que você leu o diário dele também.
- Antes que você diga que foi errado, eu quero deixar bem claro que eu sei que invadi a privacidade do menino.
- Severus eu não o condenarei por isso, primeiro porque curiosidade não é um pecado, segundo porque eu tenho que lhe agradecer por ter lido. – Mais um sorriso. Dumbledore parecia feliz até demais para quem se encontrava nessa complicada situação. – Por incrível que pareça você é a pessoa que mais o conhece, só você sabe os maiores temores do menino, só você pode salvá-lo. Mas devo alertá-lo de que caso não consiga fazê-lo vencer seus medos e voltar ao seu corpo, os dois morrerão.
Snape ergueu uma sobrancelha, claro que esse pedido tinha um porém. Um porém grande e perigoso. Algo que era preciso pensar e analisar. Não é como um pedido de presente de Natal. Aquela conversa já estava estranha por Snape já estar se sentindo acostumado com o fato de dizer em voz alta que gosta do menino, demonstrar em seus atos que sente falta dele e agora estava parecendo o trailer de um filme de terror.
Sem conseguir arquivar de uma única vez tudo que Alvo lhe dizia preferiu beber mais um gole de Firewisky, um gole grande e rasgante.
- É claro que te darei um tempo para pensar. – Disse Dumbledore sabendo que deveria dar um tempo para que Snape fosse capaz de entender o pedido que foi feito e o quão importante a resposta dele era. – Pense bem Severus. Eu não quero que ache que é uma ordem, é apenas um pedido. Quando estiver certo de sua decisão, me fale. – O diretor foi até a porta, mas antes de sair olhou novamente para o aposento bagunçado. - Se não se importa, eu pedirei para um elfo dar uma arrumada em seus aposentos, creio que poderá pensar melhor com seus pertences no seu devido lugar.
- Como queira.
Dumbledore saiu deixando o professor pensativo. Snape ficou por um tempo sentado na poltrona pensando em cada palavra dita e a esperança que Dumbledore queria plantar em seu coração, mas o cansaço o dominou e ele se jogou em sua cama, sem se importar em tirar a roupa ou de se cobrir, apenas fechou os olhos e deixou que a esperança de Dumbledore se plantasse de vez em seu peito.
