Deh Isaacs, obrigada pelo review, adorei, eu tb adoro esse lado paterno dele, pq eu faço ele com o Harry como casal, mas acho que ele tem muito o que dar como pai tb. Por isso estou fazendo assim, que bom que esta gostando

bjusssss

Pessoal obrigada por acompanharem minha fic, aqui esta mais um capitulo para não reclamarem que estou demorando de postar

bjussssssssss

Capítulo 18 – A hora da verdade

- Novamente terei que perguntar onde está a graça?

- É que eu nunca pensei que veria o meu Mestre de Poções quase se afogando. Vamos, sai daí logo, eu te ajudo.

Harry estendeu a mão, mas Snape era orgulhoso demais para aceitar a ajuda de uma pessoa que continuava rindo dele. Ignorando a mão estendida Snape saiu da piscina sozinho e espremeu seus cabelos até que a maioria da água saísse, infelizmente não tinha muito o que fazer com suas roupas totalmente encharcadas. Já Harry não se incomodou com a indelicadeza de Snape e lhe estendeu a toalha para que o professor pudesse se secar decentemente. Snape jogou a toalha encharcada no chão e tirou seu casaco, ficando somente de camisa

Por que você não tira a camisa e espera seu corpo secar? Juro que não vou contar para ninguém a sua verdadeira forma – Disse Harry em tom de brincadeira

- Ficarei com minha camisa e não me importo com o que o senhor queira falar com seus amigos

Tudo bem então

Quer dizer que agora o senhor me conhece?

Bom, faz cinco anos que te conheço e posso dizer que te conheço melhor que qualquer aluno, se me der a liberdade tenho que dizer que seus cabelos não são tão sebosos quanto comentam na escola e você não parece ser tão magro quando dizem

- Primeiro eu não lhe dei liberdade para fazer tais comentários, segundo eu tenho higiene ao contrário de você que nem ao menos penteia o cabelo Potter.

Apesar de tentar não demonstrar aquilo chocou Harry de uma forma inesperada. Quer dizer que agora era Potter novamente? O tom da voz de Snape havia mudado, não era mais baixa, doce e confortável. Era arrogante, cruel e irônica como sempre. Era o mesmo de antes.

O que foi? - Perguntou Snape vendo Harry com a cabeça baixa e os lábios franzidos

Nada importante

Após eu ter passado tudo o que passei aqui na sua mente, qualquer coisa que aconteça com você é uma informação importante.

Já disse que não é nada – Respondeu Harry antes de dar as costas para Snape e sair andando pelo piso molhado

Eu pedi para me falar o que foi – Disse Snape segurando Harry pelo braço e obrigando-o a olhá-lo – Eu não vou correr o risco de ficar preso em um pensamento seu porque o senhor não quer me dizer o que tem, a minha vida também corre riscos aqui dentro

Tudo bem, se quer tanto saber o que foi, eu falo. Você me chamou de Potter

Snape largou o braço de Harry e o olhou com a testa franzida. Jamais esperou que fosse uma coisa tão simples assim, era apenas uma forma de tratamento, nada mais que isso. Por que aquele menino se importava tanto assim com a forma como era chamado?

É o seu nome, por que isso o incomoda?

Não é simplesmente o meu nome, é a forma como ele fica quando você me chama assim. Eu pensei...

O que você pensou? - Perguntou Snape após um momento de hesitação do menino – Me fala

Eu pensei que éramos amigos, mas quando me chamou de Potter, era como se voltássemos a ser só aquele professor e aluno que se odeiam. E não, isso não me incomoda, mas me magoa... e muito

- Por quê? Você sempre me odiou e aposto que me odeia mais ainda depois que leu o meu diário. Por quê?

Finalmente aquela hora chegou, a hora em que enfrentariam suas diferenças, seu ódio e o sentimento novo que floresceu em seus corações. Ali não havia ninguém e nenhum lugar para fugir, ali era somente Harry e Snape.

- Tomo suas palavras como minhas, professor. Eu nunca te odiei. Confesso que muitas vezes me senti injustiçado e magoado, mas jamais te odiei Severus. Desculpe, eu ainda posso te chamar assim?

- Chame como quiser, aqui é sua mente, aqui você faz o que quiser, como quiser e quando quiser. Já falei que aqui você pode tudo, então quem sou eu para dizer como pode me chamar?

- Você é Severus Snape, não usarei seu primeiro nome se não me permitir. E ao contrário do que você diz, eu não posso fazer tudo aqui, não posso fazer o que eu quiser.

- Claro que pode, viu o que você fez com o labirinto?

- Sim eu vi e sei que fui eu que o destruí. Mas a verdade é que eu nunca teria conseguido sem você Severus.

As bochechas sempre tão branca de Harry tingiram-se de vermelho, o sangue parecia dançar debaixo de sua pele. O menino franziu a boca e desviou o olhar envergonhado

Você só precisava de confiança em si mesmo.

- Confiança que você me mostrou, confiança que eu só consegui ter porque você me deu. Vamos ser sinceros com o que nenhum dos dois está querendo ver – Disse Harry parando em frente à Severus – Eu gosto de você e você gosta de mim, compartilhamos o mesmo sentimento, sofremos com a mesma solidão.

- Você tem seus amiguinhos grifinórios e aliás sempre me pergunto o por que de você nunca ter contado a eles sobre sua infância, a sua real infância. Por que não procurou ajuda e cumplicidade deles?

- Você já teve amigos Severus?

Só... – Snape fechou os olhos e lembrou da menina de cabelos vermelhos e olhos verdes

- Minha mãe – Respondeu Harry antes mesmo que Snape conseguisse pronunciar o nome dela - Se você tivesse a chance de passar ótimos momentos com ela, se pudessem rir e se divertir. Iria tomar-lhe o tempo falando sobre os acontecimentos trágicos de sua vida sabendo que ela nada poderia fazer a não ser sentir pena de você? Ou iria aproveitar cada segundo ao seu lado, esquecendo as preocupações e prendendo-se na amizade?

Naquele momento Harry estava com uma mão postada no ombro do homem e o olhava com determinação, parecia até mesmo que conseguia ler os sentimentos mais profundos de Snape, os seus medos e sua vulnerabilidade. Naquele momento Harry não precisava de nenhum diário, Snape era um livro aberto para ele.

- Depois de um tempo sozinho eu percebi que a solidão sempre esteve comigo – Continuou – Todos se vão um dia, minha mãe e meu pai morreram me deixando nas mãos de meus tios, esses, mesmo me maltratando, vão embora da minha vida no dia que eu me tornar maior de idade e sair de casa, meus amigos seguirão suas vidas, casarão e terão filhos. É claro que iremos nos ver, mas mesmo assim eu estarei sozinho, como sempre estive.

Um sorriso torto apareceu no rosto do menino antes de levantar as pernas da calça e sentar na beirada da piscina com as pernas para dentro da água gelada, mas Snape continuou em pé analisando o garoto que agora mais parecia um velho experiente com muitos anos do que um menino que a pouco estava em seus braços chorando de medo de um armário.

- Agora você entende? - Perguntou Harry sem saber que Snape entendia bem até demais aqueles sentimentos – Tudo isso sempre vai continuar, eu sempre vou voltar para casa dos meus tios e tudo será da mesma forma, sempre estarei sozinho. E eu também nunca me senti bem em contar para ninguém, por isso eu sempre usei o diário, para falar a verdade você é o único que sabe tudo o que aconteceu e que ainda acontece.

- Nunca pensou em contar para a diretora da sua casa ou para o professor Dumbledore? Eles poderiam te ajudar.

- Você contou o que acontecia com você? – Perguntou Harry olhando diretamente para dentro dos olhos negros de Snape

Não – Disse Snape sentando-se ao lado de Harry – Eu tinha vergonha. Meu pai sempre me disse que eu não deveria contar a ninguém porque nenhum Snape ou Sonserino se rebaixa e nunca demonstra a sua fraqueza. Assim como você eu também era solitário.

Sonserinos e sua mania de orgulho besta, as vezes não consigo entendê-los. Mas tudo bem, no momento quero te pedir uma coisa.

O que?

Fale-me sobre minha mãe

Pensei que não quisesse me ouvir falar dela

Harry retirou as pernas de dentro da água e virou-se para ficar frente a frente com Snape.

- Eu senti ódio de você e não posso negar isso, senti vontade de matar você, de ficar longe de você. Aquele dia, antes de ir tentar devolver o diário, eu fui para o meu dormitório e tentei fingir que tudo era uma mentira, que você nunca havia amado minha mãe, que tudo que você escreveu eram meras palavras, mas depois você me levou até o quarto onde vocês dois ficavam e ali eu pude sentir que você estava falando a verdade para mim, demorei duas semanas para poder perceber que você a amava de verdade.

- Eu nunca enganei sua mãe Harry, sempre a amei, até mesmo quando ela estava com Potter. Eu sempre fiquei feliz com ela ao meu lado e quando ela me deixou ainda assim eu fiquei feliz porque ela estava feliz. A felicidade dela era minha maior prioridade, eu a queria feliz mesmo que fosse com outro homem. Eu a amava muito

- Eu sei, na verdade eu sempre soube, só que eu fiquei tão magoado por saber a causa da morte dela que fechei meus olhos para toda a verdade que dançava bem diante deles.

- E que verdade é essa?

- Que você foi tão vitima quanto eu, que você nunca teve culpa pelo acontecido, que você jamais deixaria que alguém a machucasse.

- Não, eu nunca a machucaria e nem deixaria alguém fazer isso, mas acabei levando-a a morte.

Severus sentiu uma grande e sufocante dor no peito, lembrar-se de Lillian e dos maravilhosos momentos juntos eram muito mais que dolorosos, pior era olhar dentro dos olhos dela, olhos pertencentes ao seu filho que o encarava não com ódio, mas com compaixão, assim como ela sempre o olhou. Ele sentiu os olhos molhados, mas não permitiu que as lágrimas caíssem. Viu quando Harry se aproximou e devagar colocou sua mão em seu ombro.

- Severus – Chamou Harry bem baixinho – Olha para mim

Snape não respondeu àquele pedido, só continuou com os olhos para baixo olhando o chão branco.

Você não tem culpa – Disse Harry colocando sua mão no rosto de Snape forçando-o a olhá-lo – Não se martirize por isso. Não se sinta culpado por uma coisa que Voldemort fez – Harry viu Snape estremecer ao ouvir esse nome, mas não deu importância – Você não sabia que ele mataria minha mãe, não podia saber e hoje ainda guarda essa dor em seu coração.

Nem mesmo o morcego das masmorras tinha força para lutar contra aquelas palavras, contra suas próprias lágrimas guardadas por anos e contra a verdade que aquele menino lhe dizia. Os dedos de Harry secavam algumas das lágrimas que caiam enquanto Snape somente se deixava ser lavado de toda a dor que sofreu, todo o martírio de sua existência. Snape não conseguiu mais segurar o choro e apenas deixou as lágrimas caírem. A mão de Harry postada em seu ombro o puxou para baixo até que sua cabeça encostasse-se ao ombro do garoto.

Então era essa a sensação de um abraço reconfortante? Era assim que as pessoas se sentiam quando tinham alguém ao seu lado no momento mais obscuro e triste de suas vidas? Perguntou-se Snape enquanto sentia o calor das mãos de Harry esfregarem suas costas e acarinharem seus cabelos.

Isso era ter um amigo?

Harry – Chamou depois de um tempo levantando a cabeça para olhar os olhos calmos e tranqüilos do menino. Olhos aparentemente tão sabeis e divinos quanto a luz mais pura – Por favor...me...

Não precisa pedir, eu já o perdoei – Respondeu sorrindo de leve e o abraçando novamente – Eu sei que você sente falta dela, sei que ainda lembra dela durante a noite em seus sonhos. Você é tão sozinho Severus, se esconde sob essa máscara e se faz de forte, mas no fundo está prestes a quebrar como se fosse um aquário fino e frágil – Snape se via em tudo o que Harry dizia e a verdade vinda dos lábios dele, com a voz dele era mais perturbador do que se ouvisse de outra pessoa, até mesmo Dumbledore – Mas você não está mais sozinho Severus, eu estou aqui, com você. Deixe-me entrar na sua vida, me deixe fazer parte dela. Me deixe ser seu amigo.

Snape não tinha condições de formular uma frase corretamente, sua mente ainda estava se recuperando das verdades ouvidas, das lembranças passadas e da dor presente. Ele não respondeu aos pedidos de Harry, apenas se aconchegou em seus braços e se encolheu em seu colo como uma criança assustada descarregando toda a dor acumulada e escondida em todos esses anos de reclusão.

Seria ele o adulto naquele momento, o sábio professor experiente ou apenas uma criança com medo? Aquela era uma inversão de papel que Dumbledore gostaria muito de ter visto, mas que Snape sabia, jamais sairia daquele lugar.

Após o que se pareceu horas, Snape, aparentemente mais calmo e controlado somente respirava ainda abraçado à Harry que em nenhum momento reclamou de seu peso em suas pernas ou de suas roupas molhadas. Era a primeira vez que se sentia bem, que sentia alivio, que sentia que aquele peso tinha ido embora. Harry o entendia como se Snape fosse parte dele, como se aquela fosse a sua própria vida.

Contra sua própria vontade levantou-se deixando a mão que lhe acarinhava os cabelos caírem nas pernas de seu dono. Snape colocou uma mecha de seus cabelos atrás de sua orelha e olhou para o menino que continuava com uma expressão tranqüila e serena o olhando com afeto.

- Obrigado.

- Por quê? – Perguntou Harry

- Por fazer eu me sentir bem como não me sinto há muito tempo.

Harry apenas sorriu diante da ingênua confissão. Severus sorriu de volta e olhou novamente para a sala branca onde se encontravam

- Onde exatamente estamos? Isso não me parece um pesadelo.

- E não é – Respondeu Harry

- Então? – Perguntou Snape erguendo uma sobrancelha esperando uma resposta.

- Aqui é um lugar que eu gosto de ir. Na casa dos meus tios eu não tenho nada para fazer quando termino as tarefas domésticas, não posso nem ao menos fazer meus deveres da escola, meus tios abominam tudo que se refere à bruxos e magia. Então para matar o tempo eu vou até um clube que tem ali perto, eu ajudo a limpar as piscinas em troca eu posso nadar quando não têm visitantes, foi lá que eu aprendi a nadar. Você não sabe nadar não é mesmo? Aquela tentativa de nado na hora de sair da piscina não conta

- Não, eu não sei. Meu pai nunca me deixou nadar no lago perto de casa e eu...

Severus parou de falar e fingiu terminar o assunto, mas esse gesto não passou despercebido por Harry.

- Fala

- Eu tenho certo trauma de água.

- Por causa do que seu pai fez com você não é?

Snape apenas assentiu.

- Sinto muito por tudo que você passou Severus.

- E eu sinto muito pelo que você também teve que passar, se tiver algo que eu posso fazer para me redimir você pode pedir.

- Eu acho que tem uma coisa que você pode fazer sim – Disse Harry fazendo uma cara de pensativo travesso.

- Eu conheço muito bem essa sua cara de grifinório quando quer aprontar alguma coisa. Fala logo.

- Eu só estava pensando em te ensinar a nadar algum dia desses.

- Você quer me ensinar a nadar?

- Exatamente

- Mas eu não gosto de água, e nem venha me falar que eu não tomo banho por isso.

- Eu não ia falar nada. E esse seu trauma passa quando você enfrenta seus medos, foi você mesmo quem me disse isso.

- Está bem, só que para podermos ter essas aulinhas torturantes primeiro precisamos sair daqui não acha? Para mim ainda temos alguns caminhos para prosseguir, se você tivesse enfrentado todos os seus medos já estaríamos de volta a realidade.

- Verdade.

Então melhor começarmos levantando desse chão gelado.

Os dois levantaram-se e caminharam até uma porta no fundo da sala, nunca mais os dois viram aquela piscina novamente