Olá pessoal, venho trazer mais um capítulo quentinho para vcs, infelizmente não tive muito tempo para poder revisar tudo e arrumar todos os erros de portugues e concordância, por isso peço desculpas.

Vamos aos agradecimentos

Ana Udinov - Nova Leitora, adoro... rsrsrs... seja bem vinda viu, fiquei muito feliz de saber que você leu todos os capítulos até o momento e que gostou deles, espero que continue gostando cada vez mais. Nossa acho que agora eu tenho uma responsabilidade muito grande para com vc já que essa é a única fic de drama que vc esta gostando de ler... Nikita, nunca li nenhuma fic de Nikita. Isso da luz no fim do túnel é verdade, eu gosto de mostrar que tudo pode dar certo no fim, que todos tem sua chance de ser feliz... sabe como é gosto do " e viveram felizes para todo o sempre" Obrigada pelo review xará. bjão

Deh Isaacs - A melhor coisa é interromper bem quando está ficando interessante, pq ai vc tem mais vontade de ler mais e mais... é tudo parte do plano... rsrsrs... Pois é voltaram e estão bem, mas algumas coisas mudaram nos dois, acho que vou deixar vc com curiosidade referente àquilo que ele assinou... não vou contar até o capítulo que mostrará o que é. Acho que vc vai gostar desse capítulo... rsrsrs... bjao

AB Feta - :D²

Agradecimentos feitos, fic postada... vamos para o que interessa

bjus

Capitulo 22 – Muitas coisas acontecem

Seus pensamentos estavam todos embaralhados, difíceis de entender, só uma coisa lhe era clara: ele não era mais sozinho, alguém o amava e melhor ainda, ele também amava alguém e sabia muito bem quem era a pessoa.

- Olhe para onde anda!

A rispidez de Snape sumiu assim que viu quem era a pessoa com quem havia trombado. Se soubesse antes quem era tal pessoa teria sido muito mais "delicado". As maçãs do rosto de Hermione ficaram vermelhas. Snape ficou maravilhado com tal visão e teve que se esforçar para afastar o pensamento de que aquilo era a coisa mais bonita que ele vislumbrou aquele dia, na verdade fazia muitos anos que os negros olhos não se deparavam com tal esplendor. Tentou fazer uma voz de indiferença, porém o que saiu foi uma voz calma, suave, doce e gentil. Tal sonoridade não passou despercebida por Hermione.

- Tente tomar mais cuidado da próxima vez, senhorita.

- Sim senhor, professor.

Ambos tinham noção de que estavam parados se encarando. Hermione fitava os olhos do homem de largos ombros e boca maravilhosamente contornada. Um leve calor subiu pelo seu ventre e então resolveu sair logo dali antes que não conseguisse se segurar muito tempo à uma distancia segura.

- Com licença professor.

Ela caminhou lentamente, passando ao lado do professor, porém as grandes vestes de Snape enroscaram em seus pés e quase a fizeram cair sentada no chão. Antes que isso acontecesse um par de fortes e definidos braços a seguraram ágil e delicadamente. Snape agarrou a menina antes que esta fosse ao chão e a apertou contra si, bem perto de si, tão próximo que era possível sentir a respiração da menina. Um calor indesejável, ou desejável o fez apertar mais ainda a aluna. Não tinha medo de que a menina caísse, mas sim de que saísse de seus braços.

Hermione estava com as mãos no ombro do professor e olhava em seus olhos. Aqueles braços fortes a envolvendo fizeram seu coração bater mais rápido e sua respiração ficar desregulada. Suas mãos suavam. Suas pernas tremiam. Seus olhos brilhavam. Mesmo que estivesse com medo resolveu arriscar um contato mais profundo. Levou sua mão ao rosto do professor.

Ele não conseguia mover um músculo sequer. Ao sentir o toque da menina só pôde fechar os olhos sentindo o leve toque e se deixando levar pelas delicadas sensações. Pensou que desabaria quando sentiu um dedo lhe acariciar as pálidas bochechas descendo para a boca entreaberta. Seus lábios se fecharam em um beijo quando o comprido dedo foi levado até eles. Beijou delicadamente aquele pequeno pedaço de pele.

O calor aumentava dentro de si. A vontade de explorar cada pedacinho daquele corpo era torturante. Queria aquele monumento todo para ele, somente para ele. Ele a trataria como uma princesa, uma digna princesa que teria um servo para lhe obedecer, lhe servir.

- Hermione! – Sussurrou abrindo os olhos e encarando uma aluna cheia de desejo.

Via-se fogo nos olhos dela. Seus cabelos soltos e mais domesticados deixavam seu rosto mais fino. Uma mecha lhe caia na face. Snape usou a boca para afastar aqueles poucos cabelos. O roçar de peles fez Hermione prender a respiração. Ela levou a mão à nuca do professor. Afundou os dedos nos cabelos muito pretos e o puxou para mais perto selando seus lábios aos dele.

O tempo parou. A racionalidade dava espaço à paixão. O calor aumentava entre os dois. Hermione puxava os cabelos de Snape, puxou tão forte que ele teve que abrir um pouco a boca, o que foi suficiente para que a habilidosa língua da menina o invadisse explorando cada lugar daquela boca deliciosa. Ficaram nesse baile de explosões contínuas até que Snape se separou fazendo Hermione sentir um vazio enorme em seu peito.

Snape sabia que se continuasse ali, continuasse sentindo aquela boca maravilhosa sobre a sua e aquela língua o explorando acabaria não se responsabilizando pelos seus próprios atos. A excitação era visível. Teve que usar a capa para esconder a alegria que estava destacada. Mas, não era só isso que o incomodava, não era só isso que o fez recuar e deixar a menina que muitas vezes o invadia os sonhos. Ele sabia que era errado, não podia fazer isso, não estava certo.

- Desculpe – Pediu pegando os ombros da menina e a afastando – Isso não está certo.

- Por quê?

- Porque sou seu professor e sou mais velho que você. Nunca daria certo. E assim posso acabar iludindo você.

- Você é tudo isso sim, mas me ama e jamais me iludiria.

- Como sabe se eu a amo? Como pode ter tanta certeza de que eu não estaria fazendo isso só para me satisfazer?

- Eu consigo sentir, sei que me ama e que me quer. Assim como eu também o quero Severus.

- Quem iria me querer? - Perguntou Snape rindo de si mesmo enquanto encostava-se na parede olhando para a janela do outro lado

Eu – Disse Hermione se aproximando devagar e encostando sua testa na dele, suas mãos emolduravam seu rosto e seus olhos penetravam os seus com intensidade – Eu quero você, e não é de agora, eu o quero há muito tempo. Já perdi a conta de quantas vezes sonhei com você, quantas vezes acordei no meio da noite chamando seu nome – Sussurrou roçando seus lábios nos dele novamente - Eu sonho com você, eu tenho fantasias com você, eu desejo você

A língua macia de Hermione traçou a linha dos lábios finos de Snape e a invadiram com fome. Um novo beijo mais profundo e calmo começou com toques quase tão intensos quanto a eletricidade contida em um raio em uma noite chuvosa. Snape apertava a cintura fina e macia por baixo da blusa da grifinória enquanto a menina lambia e mordia seu lóbulo da orelha arrepiando os pelos de sua nuca.

Eu quero você – Sussurrou a menina mordendo seu queixo e se apertando mais ao corpo de Snape

Não posso – Disse Snape tentando afastá-la com suas mãos trêmulas e inúteis

- Pode sim, você quer, eu também te quero

- Não posso – Disse Snape usando todo seu alto controle para afastá-la e indo embora quase correndo em direção as masmorras.

Ao entrar em seu quarto a primeira coisa que fez foi desabar em sua cama, com a cabeça enfiada no travesseiro.

"Meu Mérlin o que eu fiz? Beijei uma aluna, quase a tomei como minha ali mesmo naquele corredor."

As imagens do beijo e a sensação das mãos dela não saiam de sua cabeça, era um beijo, um toque doce, quente, envolvente. Eram iguais os de Lily. Não, não eram não. Eram diferentes, eram únicos, eram especiais, eram de Hermione. Tinham o gosto dela, da sua boca macia, aqueles lábios que o enlouqueceram.

Tentou inutilmente se levantar, mas suas pernas tremiam e bambeavam ainda tomados pela sensação de prazer que as mãos em sua nuca e os beijos em seu pescoço lhe causara. Não se atreveu a tentar uma segunda vez, apenas ficou deitado lembrando-se dos momentos de desejo e arrepios. Não foi possível dormir, não conseguia nem ao menos raciocinar direito. Depois de muitos anos aquela sensação de desejo o tomava novamente, era difícil segurar as emoções. A única mulher com quem Snape se deitou por vontade era Lily. É verdade que já esteve com mulheres e até mesmo com alguns homens, mas era apenas por não saber quando alguém iria querê-lo novamente. A sua alto-estima era tão baixa que ele não ligava para quem fosse, seja mulher ou homem, ele se entregava, se satisfazia e ia embora sem saber quando iria deitar-se novamente com alguém.

Ninguém o queria. Era um velho, carrancudo, seboso e feio. Sabia disso, por mais que brigasse e colocasse todos os alunos que o chamavam assim de castigo ele sabia que o que diziam era a pura verdade, eles só diziam aquilo que eles viam. Aquela era sua vida miserável já estava acostumado com ela. Lilly foi um sonho que não aconteceu, depois dela ninguém ocupou o seu lugar, onde quer que ia, com quem quer que ia, pagando ou não, mulher ou não, violento ou não, não era como com Lilly. Jamais era amor, nem ao menos sentia desejo pela pessoa que estava por baixo ou por cima dele, não beijava, apenas satisfazia a necessidade de seu corpo.

Agora, aquele desejo de mais de vinte anos o possuía novamente, o fazia sonhar, sonhar com aquela aluna que tanto o irritava. Sonhar com apenas um simples beijo e assim passar a fantasiar coisas a mais, desejá-la como não desejava alguém há tanto tempo.

Hermione

O sussurro de Snape não poderia ser ouvido por Hermione naquele momento nem depois de dois dias e à três andares de diferença, mas a sensação das mãos de Snape em sua pele ainda estava bem viva quando a menina abriu a porta da ala hospitalar para novamente visitar o amigo que não tinha ainda sido liberado pela enfermeira. Harry estava deitado em sua cama olhando para o teto com cara de tédio e Dobby estava ao seu lado sentado com as perninhas finas cruzadas enquanto abria um sorriso grande.

Senhorita Hermione! Bom Dobby ver a senhorita.

Obrigada Dobby – Respondeu Hermione sentando-se do outro lado da cama de Harry fazendo o amigo sentar-se também – Oi, como se sente?

Fora o tédio por estar aqui há dois dias sem nada para fazer, estou bem, Madame Pomfrey disse que logo eu estarei livre para ir embora daqui. Mas e você? Está tudo bem? Você saiu daqui correndo naquele dia quando voltei e não veio mais me visitar, fiquei preocupado.

- Ah, não foi nada, é que eu não me senti muito bem só isso e como estamos com exames para serem feitos eu não tive muito tempo livre, afinal preciso anotar tudo para que depois você possa não ficar tão atrás dos outros alunos. Mas já estou bem melhor, eu precisava só descansar e pensar.

Hermione suspirou e olhou para suas mãos apoiadas em sua perna mexendo-as em claro exemplo de nervosismo. Harry podia ver claramente em seus olhos marrons uma tristeza incomum em Hermione e infelizmente ele sabia de onde vinha.

- Dobby você poderia nos dar licença, por favor?

- Claro senhor, Dobby vai sair e só volta quando mestre Harry chamar senhor.

- Obrigado Dobby – Agradeceu Harry antes do elfo estalar os dedos e sumir – Agora – Disse virando-se para a amiga – O que está acontecendo com você?

- Ora, não está acontecendo nada comigo.

- Mione vou te dizer uma coisa que ainda não contei a ninguém porque ainda estou me adaptando a tudo isso, é novo demais para mim. Você pode até dizer que não tem nada, mas eu sei que você está triste por alguma coisa e que está magoada e decepcionada. Você não pode mais me esconder seus sentimentos, eu posso senti-los

- Como assim?

- Eu não faço a menor idéia do que aconteceu ou como aconteceu, mas agora eu consigo sentir os sentimentos das pessoas quando elas estão perto o suficiente de mim como você está agora, eu sei quando elas estão tristes, magoadas, decepcionadas, alegres, apaixonadas, doentes, quando estão com dor eu sei qual é a dor. Resumindo, eu posso sentir as sensações dos outros. Eu estou muito mais sensível ao que acontece e sinceramente isso é ruim e bom. Não sei ao certo o que pensar.

- Harry você estar sensível é natural, você passou três semanas dentro dos seus pesadelos, é normal se sentir assim, como se pudesse saber o que os outros estão sentindo. Nós meninas sempre sabemos quando as outras estão tristes.

- Então você sabe do que estou falando, eu sei, eu sinto os sentimentos de qualquer pessoa. Por exemplo o Rony. Quando ele veio aqui, agora a pouco, estava totalmente sorridente. Sabe que para o Rony parecer triste é difícil, ele sempre está sorrindo feito um idiota. Mas mesmo ele sorrindo eu senti que ele estava muito triste, estava acabado, com o coração na mão.

Hermione sentiu-se mal, afinal fora ela quem causara esse sofrimento todo ao amigo. Não o tinha visto depois da briga na ala hospitalar. Rony não foi às aulas esses dois dias e só saia do quarto quando tinha certeza que não encontraria com a menina pelo caminho.

- O Rony veio aqui?

- Veio. Eu sei que vocês terminaram, ele me contou – Harry olhou bem para a amiga antes de continuar – Ele me disse como tudo aconteceu, a briga, o incidente com Snape, o tapa e o arrependimento.

É, foi uma briga feia. Eu ainda não falei com ele

- Por que exatamente vocês brigaram?

- Não estávamos mais dando certo juntos, brigávamos toda hora por qualquer motivo besta e...

- E você ama outra pessoa – Completou Harry fazendo a menina franzir o cenho.

- Você também consegue saber esse tipo de coisa?

- Consigo, mas isso é obvio e qualquer um consegue ver isso em seu rosto. Você está apaixonada. Eu até mesmo sei por quem é – Disse Harry sorrindo, como se fosse uma criança dizendo para a mãe que já sabia que iriam passear no shopping.

- Meu Mérlin Harry! Você consegue saber até o nome?

- Não – Respondeu Harry rindo da cara de espanto da amiga – Eu não consigo saber o nome das pessoas, mas não preciso disso para saber que você ama o nosso detestável professor de poções.

- Mas que loucura é essa Harry?

- Qual é Hermione, para de tentar mentir – Harry teve que aumentar um pouco a voz para mostrar que não estava brincando – Eu sei muito bem que você deixou Rony, pois amava o Snape e sei também que ele a ama. Não a condeno por amá-lo. Você ama quem você quiser. Fiquei chateado por Rony ter ficado tão triste, porém prefiro que ele fique triste agora e melhore depois do que ficarem os dois tristes, ou melhor, os três né, afinal de contas, Snape gosta de você.

- Não fale besteiras Harry.

- Ele a ama Mione, ele quer estar perto de você, quer tê-la para ele, protegê-la, amá-la. Deixa de ser idiota e se declara logo. O que tem a perder? Ele sempre te maltratou. Se você contar e ele não gostar disso, o que acho improvável, o máximo que pode acontecer é ele te pegar para Cristo o resto dos nossos anos escolares.

- Nós nos beijamos – Confessou não conseguindo mais segurar.

Harry parou de falar um minuto surpreso pela confissão.

- Nossa, você é rápida hein!

- Ai eu sei. Não devia ter feito aquilo, não devia tê-lo beijado. Pior é que eu não só beijei, eu o ataquei, eu disse que o amava e que o queria, que o desejava. Ai que vergonha. E agora o que faço, ele vai falar para todos os professores o que eu fiz, ficarei taxada como uma vagabunda atrevida como o Rony falou.

- Hermione para!

- Como para Harry? Como para? Eu beijei o professor, me atirei em cima dele, mais um pouco e eu teria tirado a roupa na frente dele e no meio do corredor que dá acesso ao gabinete de Dumbledore. Estou totalmente envergonhada, nunca mais poderei olhar para ele e nem para ninguém.

- Para Hermione – Harry segurou nos ombros da menina fazendo-a sentar-se novamente. Pegou um copo d'agua que Dobby colocou na mesinha ao lado para ele e a ajudou a tomar – Olha para mim. Já disse que não te condenarei por amá-lo.

- O diretor falou a mesma coisa para mim

- Você contou ao diretor e estava com vergonha de contar para mim?

- Desde quando Dumbledore precisa que contemos algo para que ele saiba.

- É verdade, aquele velho sempre sabe de tudo não é, ele deve ter roubado uma bola de cristal da Sibila.

Os dois caíram na gargalhada. Era bom ouvir o riso do outro, mostrava que estavam bem acima de todos os problemas em que seus corações os metiam. Após se controlar Harry pensou um pouco até que exclamou.

- Pêra ai! Quando foi que você beijou Snape?

- No dia que sai correndo daqui – Relaxada do jeito que estava, acabou contando logo tudo para o amigo. Sabia que não poderia contar a nenhuma das suas amigas sem ouvir um "Você é louca?" Então contou logo tudo para Harry que sempre escutava todo mundo – Quando eu sai daqui fui para o jardim e fiquei lá por um tempo, ao voltar eu não olhei para onde estava indo e acabei trombando com Snape pelo caminho. Pedi desculpas pensando que iria levar uma bronca enorme, mas ao invés disso ele me disse para tomar mais cuidado da próxima vez e percebi que a voz dele estava macia, doce e baixa, tão baixa que quase não consegui escutar. Fui saindo e acabei enrolando o pé na capa dele e quase cai no chão, mas antes disso ele me segurou. Os olhos dele pareciam pegar fogo sabe? Harry dá para parar de fazer careta?

- Ai desculpe é que é estranho ouvir alguém falando assim do Snape.

- Você não ficou amigo dele?

- Fiquei, quer dizer acho que fiquei, não sei ao certo, ainda não tive tempo para conversar com ele, mas mesmo nós dois sendo amigos eu não falarei desse jeito sobre ele. Mas pode continuar.

- Bom a coisa é que foi tão mágico, tão bonito e gostoso que quando vi eu já estava beijando a boca dele

- Nossa, deve ter sido bem mais que um beijo e uns amassos, você disse que se não tivesse parado ia acabar nua no corredor do diretor.

- Sim, foi tudo isso – Disse Hermione começando a chorar.

- O que foi? Ele foi cruel com você? Te tratou mal? – Harry sabia que Snape estava mais ameno, mas também sabia que se Snape quisesse machucar alguém ele faria da pior maneira possível – Me fala, ele fez algo com você?

- Não. Pelo contrário, ele foi muito gentil, carinhoso, me senti andando nas nuvens, foi mágico.

- Então por que está chorando?

- Porque ele disse que não podia, que era errado, que ele era meu professor e muito mais velho que eu.

- Pelo amor de Mérlin, aquele seboso quando quer é mais irritante que o zumbido de uma mosca. Será que ele não percebe que você o quer, ele sendo professor ou não, sendo velho ou não? Quem é que liga para essas coisas, você não vê Sirius e Remos, eles estão juntos e ninguém liga.

Nesse momento Hermione se mexeu incomodada e Harry sentiu que algo a entristeceu muito. Estava acontecendo algo, ele sentia uma enorme tristeza vindo do coração de muita gente ali, mas quando perguntava o que acontecia as pessoas mudavam de assunto ou iam embora. Ninguém lhe dava informações sobre nada. Aquilo o irritava

- Hermione o que está havendo?

- Por quê?

- Porque você ficou calada e eu senti uma tristeza em você, a mesma que sinto em todo mundo que entra aqui, até mesmo em Dobby, mas nem ele me fala o que está havendo. Continue sendo sincera comigo e me conte o que há de errado Mione.

- Não há nada de errado Harry, você está começando a ver coisas ou melhor sentindo coisas demais – Hermione tentou desconversar para não ter que contar a verdade, o diretor disse que não era a hora certa para isso e quando fosse ele mesmo diria – Tenho que ir Harry, tenho que fazer minhas tarefas, te vejo depois.

Hermione deu um beijo na bochecha do amigo e ia saindo quando as portas da ala abriram e por ela passaram Dumbledore, McGonagall, Rony, Pomfrey e por último com sua capa negra esvoaçando aos seus pés e os olhos mais intensos que nunca, Snape. O professor olhou profundamente para Hermione antes de desviar o olhar e ver Harry se ajeitando na cama.

- Vejo que já está bem melhor. Está pronto para sair daqui? – Disse Dumbledore.

- Não posso negar que quero muito voltar ao meu dormitório. Espero que não tenham vindo aqui para me dizer que tenho que ficar mais tempo de repouso – Respondeu Harry indo para trás do biombo para trocar de roupa como Madame Pomfrey indicou que deveria fazer

- Não Harry, não viemos deixá-lo mais tempo de repouso, mas preciso lhe contar algo. Quando terminar de se arrumar quero que se sente novamente

Harry saiu de trás do biombo vestido com sua calça e camisa do uniforme. Seus cabelos estavam bagunçados como sempre, mas ele não se importou com isso, nem ao menos se importou de estar sem tênis, ele só se importou com o que sentiu. Tristeza. Luto. Dor. Dumbledore se aproximou e Harry pôde ver seu rosto cansado e seus olhos opacos. Seu coração apertou, algo estava muito errado. Seus olhos finalmente pousaram nos negros olhos de Snape e sabiam que ali não haveria mentira. Viu o diretor aproximar-se e percebeu que os seus olhinhos azuis estavam cinzas de tanta tristeza. Olhou novamente para Snape, mas o professor desviou o olhar, ele sabia de tudo e era exatamente isso que o matava, Harry iria sofrer de novo.

- Eu estou bem em pé senhor – Disse Harry.

- Tudo bem então. Serei rápido.

- O que está acontecendo? Eu sei que tem alguma coisa errada, eu sei que vocês estão escondendo algo de mim.

- Acalme-se Potter! – Disse Snape vendo o menino começar a ficar nervoso.

- Harry – Continuou o diretor – Durante o tempo em que você e o professor Snape estavam inconscientes nós conseguimos a localização do Lord Voldemort. Os integrantes da Ordem junto com os aurores do ministério foram até o local – Disse Dumbledore antes de fazer uma pausa, o diretor foi em direção à cama e sentou-se fechando os olhos logo em seguida - Haviam muitos comensais da morte no local e logo uma guerra foi iniciada. Voldemort teve muitas perdas, mais da metade de seus comensais caíram e infelizmente alguns dos nossos também morreram.

Os olhos de Harry estavam arregalados, atentos a qualquer movimento, mas era inútil, ninguém se mexia. A mão estava sobre o peito apertando a região onde lá dentro se encontrava um coração angustiado.

- Quem morreu?

- A luta foi dura – Continuou Dumbledore – Voldemort saiu ileso. Não conseguimos derrotá-lo.

- Quem morreu? – Disse aumentando a voz para ver se alguém finalmente respondia.

- Perdemos alguns aurores, Quim e...

- E quem mais?

- Não quer mesmo sentar-se?

- Senhor, com todo o respeito, não me trate como uma criança de oito anos de idade que precisa ser protegida e sim como um adolescente de quinze anos que já passou por coisas que nem mesmo alguns aurores podem imaginar. Me fale logo quem morreu.

Sirius