Certo, desculpem a demora, era para eu postar agora no domingo, mas fiquei com tanta preguiça... ai ai... as vezes precisamos de um bom descanso.
Bom, a preguiça se foi e cá estou para postar a fic novamente.
Entramos agora no capítulo 24, espero que gostem, mas antes preciso agradecer AB Feta, Deh Isaacs e Ana Udinov pelos reviews recebidos, muito obrigada.
Bom vamos ao que interessa
Bjus
Capítulo 24
Demorou um pouco para lembrar-se do por que de estar escutando esse zumbido infernal. Após uns segundos tudo ficou claro, era o feitiço despertador que o estava avisando que Harry havia acordado. Dera-se conta de outra coisa também, Hermione não estava mais ali. Um pouco confuso e sonolento ele caminhou até o quarto e abriu a porta. Harry estava em pé olhando a janela. Não dava para ver nada, mas os olhos verdes se perdiam naquela escuridão.
- Harry? – Chamou baixinho.
- Não se preocupe, eu não farei nada de errado. – Deu uma pausa longa para depois continuar – Desculpe te acordar, tentei não fazer barulho.
- Eu coloquei um feitiço despertador em você, foi ele quem me acordou.
Snape ficou parado na porta do quarto somente olhando Harry na janela. Aquele era mais um momento difícil em que Snape sentia-se deslocado e sem jeito perante Harry. Ainda era difícil para ele expressar sentimentos e naquele momento tudo que Harry precisava era de um consolo amigo. Mas era tudo tão difícil, até mesmo um simples "sinto muito" ficava entalado na garganta. Snape não sentia a morte de Black. Odiava Black com todas as suas forças. A época dos marotos eram seus pesadelos constantes. Aquele cachorro pulguento o assombrava e a morte dele foi até um alivio para si. Mas Harry estava triste por isso, estava acabado e magoado. Ele tinha amigos que poderiam ajudá-lo a melhorar, porém foi a dor de vê-lo triste que o fez mentir.
- Harry, eu...
- Não diga que sente muito quando isso é mentira.
Pego de surpresa. Harry o desmascarou antes mesmo de terminar a frase.
- Desculpe.
- Sabe Severus – Disse sentando na beirada da cama e fitando os pés descalços – Eu sei que você o odiava e não o culpo por isso. Sirius não era nenhum santo, mas era meu amigo – Sua voz saiu engasgada – Ainda que pouco, por ele ser um fugitivo, eu conversava com ele por cartas e algumas vezes ele até ia me visitar na casa dos meus tios em forma de cachorro. Minha tia brigava dizendo que eu fedia a cachorro de rua, mas eu não ligava, eu sempre voltava mais feliz e conseguia suportá-los por um tempo.
Snape sentou-se ao lado de Harry e apenas o escutou. Não havia nada que pudesse falar e talvez ouvi-lo fosse o mais correto no momento.
- Ele se foi, me deixou, como todos que amo.
Aquela fala lhe era familiar, talvez seja por que ele mesmo falara isso várias e várias vezes em sua vida. Sabia como era perder alguém querido, sabia o tamanho da dor. Harry chorava de cabeça baixa assim como ele fizera inúmeras vezes escondido em seus aposentos. Hesitante e temendo estar fazendo algo errado, Snape o abraçou deixando Harry chorar as mágoas em cima de sua camisa branca que novamente ficou molhada. Quando o menino se acalmou, Snape lhe deu uma poção do sono sem sonhos e ficou ao seu lado segurando sua mão até ele dormir.
Ao acordar, Harry ainda segurava firmemente a mão de Snape que dormia sentado ao lado da cama.
- Severus – Chamou balançando a mão para acordá-lo – Severus acorda
- Hummm – Respondeu abrindo lentamente os olhos
- Bom dia – Disse Harry soltando sua mão e sentando-se.
Bom dia. Como se sente?
Bem, mais calmo.
Que bom, pode usar o banheiro primeiro se quiser, eu vou depois. Tome banho que enquanto isso eu mando prepararem o café. O horário do café já acabou e eu não tenho aulas dentro de uma hora então comeremos aqui na masmorra.
- Tudo bem
Harry demorou para sair do banho. Ficou um bom tempo sentado no chão lamentando a perda de Sirius. Ao sair, vestia apenas um roupão preto. Snape o esperava sentado na poltrona de pernas cruzadas lendo um livro. Parecia que já estava de banho tomado.
- Pode ir – Disse Harry sentindo-se mal por ter demorado tanto
Eu já tomei meu banho. Você estava demorando muito então fui tomar um rápido banho no banheiro dos monitores da Sonserina. Confesso que fiquei impressionado com o tamanho. É maior que o meu. Conversarei com o diretor sobre uma mudança em meus aposentos.
Harry riu diante de um Snape inconformável.
- Onde estão minhas vestes?
- Você estava todo molhado ontem, eu tirei e dei para um elfo lavar e secar. Por enquanto pode ficar de roupão ou se preferir eu posso transfigurar uma roupa minha enquanto seu uniforme não chega.
- Obrigado, acho que ficarei de roupão mesmo.
- Se é assim que quer. – Disse Snape colocando o livro na mesinha e levantando – Está com fome?
Harry estava prestes a dizer não, mas seu estomago deu um grande ronco que o denunciou.
- Vejo que seu estômago respondeu por você. Venha, a mesa está pronta.
Snape o guiou até a sala de estar e abriu uma pequena porta que ficava escondida atrás de uma tapeçaria com o brasão Snape. Ali dentro havia uma pequenina, mas aconchegante, cozinha. Assim como os outros cômodos era clara e arejada. Tinha um fogão a lenha, uma pia, armários e ao centro, uma mesa repleta de comida.
- Sente-se – Disse Snape apontando para uma cadeira.
- Não sabia que havia uma cozinha em seus aposentos.
- Não era para haver e muito menos para você saber. Eu construí essa cozinha, pois tenho certas manias trouxas e estamos comendo aqui porque é mais higiênico.
- Manias trouxas?
- É, eu gosto de... cozinhar – A última palavra saiu tão baixinha que Harry não foi capaz de ouvir.
- Desculpe, eu não entendi, você gosta de...?
- Cozinhar.
- Não ouvi de novo, fala mais alto.
- Eu gosto de cozinhar – Dessa vez foi quase um grito. Instintivamente virou o rosto como se sentisse vergonha.
- Nossa! – Exclamou Harry impressionado. Nunca pensaria que o mestre de poções de Hogwarts teria uma mania tão típica de um trouxa, ainda mais um sonserino. – Que legal. O que você sabe fazer?
- Tudo
- E o que você mais gosta de fazer? Comida preferida?
- Mousse de maracujá, bolo de maracujá, suco de maracujá, qualquer coisa que tenha maracujá.
- É, você gosta mesmo de maracujá.
- Me deixa calmo.
- Entendi agora. Normalmente você briga com os alunos e os assusta, mas está sempre se controlando.
- Tenho que me controlar, mas alguns grifinórios me tiram do sério. Agora pare de enrolação e coma sua comida.
- Foi você que fez?
- Não. Pedi aos elfos que trouxessem da cozinha.
- Que bom. Assim saberei que não tem veneno.
- Não o salvei de um afogamento para matá-lo envenenado senhor Potter – Disse parando em frente à cadeira de Harry e inclinando-se em sua direção – Eu usaria minhas próprias mãos em seu pescoço para tirar-lhe o ar.
Harry estava apreensivo, Snape estava muito perto de si e fazia uma cara de dar medo, seus olhos estavam duros e seus lábios franzidos. Snape avançou para o menino, mas para surpresa de Harry ele não estava tentando enforcá-lo como havia pensado. Ele estava... Fazendo cosquinhas nele?
Harry se debatia de tanto rir, seus músculos doíam. Snape o prendia com uma das mãos e com a outra atacava seu pescoço, suas axilas e sua barriga proporcionando-lhe ataques e ataques de risos.
O barulho da risada de Harry entrava como musicas nos ouvidos de Snape. Fazia tanto tempo que não fazia cosquinhas em alguém, fazia tanto tempo que não via Harry rir desse jeito, e fazia tanto tempo que ele mesmo não ria. Aquele momento era uma delícia, ele voltou a ser criança, Voltou as suas brincadeiras infantis. Sentiu-se bem e pela primeira vez em muito tempo estava feliz. Quando Harry já estava chorando e não conseguia mais respirar de tanto rir, Snape o soltou. Surpreendeu a si mesmo com um largo sorriso nos lábios, um grande sorriso. Aquele menino o transformava em outra pessoa quando estava perto.
- Eu...nunca pensei...que você pudesse fazer isso – Disse Harry ainda rindo e tentando respirar.
- Sua mãe fazia em mim, mas ficava frustrada por eu não ser tão sensível assim, mas ela era e eu sempre a fazia rir.
- Acho que puxei a sensibilidade da minha mãe.
- Parece que sim, não somente a sensibilidade Harry, você se parece demais com sua mãe, tem os mesmos olhos dela eu sei, mas também tem o mesmo caráter e as mesmas qualidades, os defeitos e as feiúras você puxou do seu pai. – Snape fez uma careta que fez Harry voltar a rir.
- Obrigado.
- Por quê?
- Por me fazer rir, por cuidar de mim, por se preocupar comigo. Sirius era assim – O sorriso sumiu de repente – Mas agora ele não está mais aqui. Mas o que passou passou não é? Não dá para mudar os acontecimentos. Então o que posso fazer a não ser aceitar e me adaptar rapidamente?
Harry pegou uma torrada com geléia e a levou até a boca. O gosto era maravilhoso, diferente das geléias do banquete. Sabia que aquela ali tinha sido feita pelas hábeis mãos de um legitimo mestre de poções. Um mestre que saboreava uma fatia de bolo de chocolate bem à sua frente. Snape ficou em silêncio durante o restante do café, só comeu uma fatia de bolo de chocolate e observou o menino a sua frente. Vendo-o ali com o rosto sujo de geléia e os olhos brilhando Snape começou a pensar na decisão que tinha que tomar e naquele momento quando o sorriso de Harry se abriu ele teve certeza que aquela decisão era a certa.
- Continue tomando seu café, eu já volto – Disse levantando e indo até o quarto onde pegou o documento que Dumbledore lhe deu para assinar a três dias atrás.
Voltou à cozinha rapidamente e ficou em pé encostado ao balcão. Viu Harry comer bastante e se perguntou para onde ia tanta comida. Ao final da refeição, Harry estava todo lambuzado de chocolate.
- Tome – Disse Snape passando o guardanapo – Eu me recuso a ficar na presença de uma pessoa que tem mais sujeira no rosto que no guardanapo.
- Obrigado – Disse limpando a boca – O que foi? Por que está com essa cara?
- Infelizmente é a única que tenho. Mas deixando essas besteiras de lado, eu queria falar com você sobre uma coisa séria.
- O que é?
- O diretor me pediu um grande favor, um favor que há um tempo atrás eu não pensaria duas vezes antes de recusar, mas que agora eu não pensaria duas vezes antes de aceitar fazê-lo de bom grado.
Harry ouvia atentamente cada palavra, aquilo o deixou curioso e preocupado. Snape respirou fundo antes de continuar.
- O diretor sabe dos maus tratos que seus tios fazem e tomou providências para que você tivesse a guarda retirada deles e dada à outra pessoa. Mediante a situação de fugitivo de seu padrinho e ainda mais agora que ele faleceu, Alvo escolheu outra pessoa para ser seu guardião.
Um silêncio enorme ecoou pela cozinha. Harry estava tentando arquivar tudo em sua cabeça. Teria um novo guardião, uma nova casa, nova família, tudo novo. Será que sofreria mais ainda, ou será que seria feliz. Quem seria esse guardião?
- Quem é essa pessoa? – Perguntou Harry
Snape hesitou um pouco, antes de falar.
- Eu – A apreensão em sua vóz era visível, tinha medo que Harry o rejeitasse e se recusasse a morar com ele, que não o quisesse como seu guardião legal – Alvo me escolheu por causa de nossa aproximação recente e pela forte ligação que criamos no dia em que o Lord das Trevas apareceu na floresta proibida. Ele acha que sou a melhor pessoa. Eu disse à ele que você poderia ficar com os Weasley, mas ele recusou dizendo que eu queria ficar com você e assim é como deveria ser.
- E isso é verdade?
- Como pode ver – Disse entregando o papel à ele – está tudo legalizado. Só falta a sua assinatura para a conclusão do processo. Mas isso pode levar um certo tempo, só não sei quanto tempo.
- Eu entendi essa parte. O que quero saber é se é verdade que você quer ser meu guardião?
- Como eu já disse, Alvo...
- Eu não quero saber o que Dumbledore disse – Atravessou – Eu quero saber o que você quer. Quero saber se você quer mesmo ser meu guardião ou está fazendo isso a mando de Dumbledore.
- Faria diferença para você?
- Mas é claro que faria, faria toda a diferença. Se você me disser que quer isso, que é essa a sua vontade, eu assino esse papel sem pensar duas vezes. Mas se você me disser que está fazendo isso por que o diretor pediu eu rasgo o papel sem pensar duas vezes também.
- Você é bem direto às vezes.
- Responde Severus.
- Harry. Dizer à você que estou fazendo isso porque o diretor mandou seria mentir para você. Eu quero muito ser o seu guardião. E...
- Não precisa falar mais nada. Eu assino.
- Espera Harry. Sei que já estamos muito mais amigos do que fomos durante todos esses anos, mas pense um pouco antes de fazer qualquer coisa. Você passou por grandes choques esse ano na sua vida. Uma situação dessas tem que ser pensada corretamente. Você não irá assinar um formulário de visita à Hogsmead ou autorização para usar o campo de Quadribol. Isso é o processo que passará sua guarda para mim, serei seu responsável, toda a sua vida estará na minha mão, você se mudará para minha mansão e morará comigo. É uma situação diferente e delicada. Eu tenho algumas coisas para fazer agora, fique aqui até o almoço, depois vá para as suas aulas.
Harry ouviu calado. Snape estava certo, não podia assinar um papel sem pelo menos ler antes. Aquilo era a sua vida e o seu futuro
O professor já se encontrava na porta quando ouviu Harry o chamar.
- Severus.
- Sim.
- Você tem uma mansão?
Sua cara de impressionado fez Snape rir e sair deixando claro que ao menino que ele tinha bem mais que uma mansão.
Harry pegou mais uma torrada e foi para o quarto, se jogou na cama e leu o processo em suas mãos. Ele tinha duas opções, tinha que escolher a certa e ele já sabia qual era.
