Nossa Deh Isaacs só vc me mandou review, que triste...

Bom ainda assim obrigada, vale mais que um sorriso. Pois é um baque enorme para o Harry neh... ter que ficar com aqueles tios horriveis... credo.. mas tudo da certo no final não é... bom aproveite o capitulo

Bjus pessoal, espero seus reviews hein

Capitulo 26 – a volta do comensal

A semana passou muito devagar na opinião de Snape. Não tinha concentração para fazer as poções que estavam em sua lista em cima da mesa, não tinha cabeça para poder ler o livro que estava aberto em seu colo. A biblioteca onde se encontrava não tinha o menor interesse para ele. A única coisa que pairava em sua cabeça era a carta de Harry que chegaria em alguns minutos conforme pedira para Dobby. A cada semana uma carta lhe seria enviada sempre às dez da noite quando ele sabia que os tios de Harry já tinham ido se deitar e Dobby poderia aparecer no quarto do menino sem nenhum problema. Infelizmente o Ministério ainda não tinha lhe dado a permissão para ficar com a guarda do menino e nem ao menos o deixavam chegar perto da casa dos Dursley alegando que isso iria interferir nas investigações de seu passado e que iria demorar mais para poder receber a assinatura de Fudge.

Por esse motivo ele estava andando de um lado para o outro em sua sala de estar na mansão olhando sempre para o relógio na parede. Quando o relógio deu sua primeira badalada indicando ser dez horas Dobby se materializou ao seu lado com um envelope na mão.

Aqui está senhor – Disse o elfo entregando a carta para o professor.

- Como ele está?

- Mestre Harry está um pouco abatido e mais magro, não têm machucados e parece estar um pouco nervoso.

- Certo, pode ir.

- Com licença senhor.

Snape franziu a testa e apertou os lábios antes de abrir o pergaminho e começar a ler

"Severus,

É até estranho dizer isso, mas queria muito estar ai com você.

Meus tios, como sabe, me tratam da mesma forma. Não aconteceu nada demais essa semana, na verdade nunca acontece nada aqui.

Seus bolinhos são uma delicia.

Mantenha-me a par do processo. Quero sair logo daqui.

Harry"

Deram o prazo de quatro semanas para que a guarda de Harry fosse definitivamente passada à ele. Enquanto isso o máximo que Snape podia fazer era controlar a louca vontade de ir até Surrey e arrancar Harry daquela casa. Na segunda semana Dobby trouxe mais uma carta de Harry que dizia que ele estava bem, mas o elfo o contrariava dizendo que Harry estava mais abatido, mais magro e apresentava arranhões e machucados no rosto. Saber que Harry havia mentido e pedido à Dobby que não contasse nada à Snape só o fez ficar com mais raiva ainda e descontar nas vidraçarias da casa, que em menos de um minuto estavam totalmente estilhaçadas no chão da sala.

Durante as duas próximas semanas Snape continuava nervoso e ficava cada vez mais inquieto por Dobby sempre contrariar as palavras vazias das cartas de Harry. Mas seu ápice chegou no final da quarta semana de espera quando Dobby apareceu, não na mansão, mas no escritório de Dumbledore em Hogwarts onde os dois conversavam, sem a carta de Harry.

- Professor Snape senhor, mestre Harry precisa de ajuda senhor.

- O que aconteceu? Fale logo elfo.

- Dobby foi até o quarto do mestre Harry para pegar a carta, mas a carta não estava lá nem mestre Harry, então Dobby foi ver se encontrava mestre Harry na casa. Dobby foi até a cozinha e... foi tão horrível senhor.

Dobby caiu de joelhos chorando muito, as magrelas mãos tapavam-lhe os olhos de onde saiam grossas lágrimas. Snape o pegou pelos magrelos braços e o sacudiu.

- Dobby olhe para mim, não tenho tempo a perder com essa sua choradeira, fale-me logo o que aconteceu com Harry.

- Dobby viu mestre Harry amarrado à uma cadeira. Mestre Harry estava desacordado e sangrava. Dobby ia ajudá-lo senhor, mas o senhor chamou Dobby e Dobby teve que voltar senhor.

Snape estava tão vermelho que Dobby se encolheu de tanto medo.

- ALVO EU QUERO ESSE PAPEL AGORA!

Snape não estava nem ai para o fato dele estar gritando com o diretor da escola ou por ter jogado o conteúdo da mesa no chão.

- Calma Severus, nunca o vi tão nervoso – Dumbledore permanecia sentado e calmo vendo Snape se irritar mais ainda fechando o punho e demonstrando estar no limite de sua paciência – Aqui está o papel – Disse colocando o pergaminho enrolado na mesa – Eu ia entregá-lo ao final de nossa conversa. Agora, o que pretende fazer?

Snape abriu o pergaminho vendo todas as assinaturas em seu devido lugar. Agora a guarda de Harry era sua e ninguém poderá tirá-la dele.

- Farei o que tenho direito de fazer.

Sem mais palavras saiu disparado em direção ao portão. Mal ultrapassou o grande portão e logo aparatou desaparatando em frente à porta com um número quatro em destaque. Assim como fora ensinado quando entrou para o ciclo dos comensais, a melhor arma é a surpresa e a melhor tática é a observação. Snape olhou pela janela da sala, mas esta estava fechada e mostrava um corredor vazio. Devagar e com passos fantasmagóricos deu a volta na casa até a cozinha e olhou pela janela. Dali era possível ver nitidamente Harry amarrado à uma cadeira no meio da cozinha. Seu corpo estava mole e desfalecido, sangue escorria de seu rosto e em seu peito nu podia-se ver arranhões e hematomas.

Era uma crueldade que sempre tinha que ver em seus dias de comensal. Mas nesses dias as pessoas em quem precisava fazer tal atrocidade não eram Harry, nenhuma delas tinha seus olhos verdes, olhos de Lillian, nenhuma delas tinha aquele carisma. Nenhuma era Harry Potter.

- Isso é o que você merece garoto. Acorda – Gritou o homem que acabara de aparecer jogando água em seu rosto para acordá-lo – Eu não dei permissão para dormir. Você vai aprender de uma vez por todas que quem manda aqui sou eu e que nessa casa você não passa de um verme, um menino maldito que aceitamos em nossas vidas, demos comida, roupa, e agora você nos agradece dessa forma? Seu monstro.

Valter Dursley já estava com o cinto na mão quando a porta da cozinha explodiu em mil pedacinhos e Snape entrou parecendo muito mais alto do que já era. Parecia o próprio Voldemort depois de uma derrota. Sua raiva era evidente. Estava não com uma, mas com as duas sobrancelhas levantadas e seu olhar perfurava o homem gordo a sua frente. Cerrou os dentes e mal abriu a boca ao falar.

- Não se atreva a chegar perto dele novamente seu trouxa imundo. Ou não vou me arrepender de sua morte

- Como ousa invadir minha casa e me ameaçar dessa forma? Quem pensa que é?

- Eu sou a pessoa com quem você jamais deveria ter se metido.

- Valter, quem é esse homem? – Perguntou a mulher magrela escorada na parede junto com seu filho.

- Não sei Petúnia. Deve ser um louco qualquer da rua. Exijo que saia da minha casa.

- E eu exijo uma explicação. Por que estava batendo em Harry?

- Do que isso lhe interessa? Ele não é seu filho.

- Não sou o pai dele, mas sou o guardião. – Snape avançou e esfregou o pergaminho na cara de Tio Valter – Quero que me diga o que aconteceu aqui, não sairei daqui até ter uma resposta e agradeça a Harry por eu não matá-lo. Infelizmente ele não gostaria disso, pois ao contrário de vocês, ele é uma boa pessoa. Agora – Todos soltaram um grito ao ver Snape sacar a varinha e apontar para Duda – Vá soltar Harry, com cuidado. Se o machucar novamente vai se arrepender do dia em que sua mãe o pôs no mundo.

- Não faça nada ao meu Dudinha – Disse Petúnia colocando-se na frente do filho.

- Saia da frente mulher, você não me conhece e não vai querer me ver perder a paciência que não tenho. Já disse que não irei matá-los, pois Harry não aprovaria, mas não me force a mentir para Harry dizendo que seus tios morreram queimados em um acidente doméstico.

A mulher engoliu em seco e deixou Duda soltar Harry da cadeira colocando-o no chão. Harry estava desacordado e muito machucado.

- Agora se juntem ali perto da parede – Snape apontou a varinha e lançou um feitiço que fez cordas aparecerem e amarrarem os três.

- Ai. Seu louco, não tem o direito.

- Do mesmo jeito que vocês não têm o direito de maltratar uma criança e cale a boca que estou farto de ouvir suas asneiras.

Com um movimento de varinha as três bocas foram seladas e as cordas apertaram mais ainda os corpos, fazendo os ossos doerem. Snape segurou Harry em seus braços e fuzilou os três vermes à sua frente.

- Eu volto logo.

E aparatou direto na sua mansão. Levou Harry para o quarto que havia preparado especialmente para ele e o depositou na cama. Invocou dois vidros de poções que voaram do laboratório direto para sua mão e chamou o elfo domestico.

- Chamou senhor? – Disse o elfo fazendo uma reverencia.

- Sim chamei, cuide dos ferimentos de Harry e faça com que ele tome essas poções. Cuide bem dele até eu voltar. Ainda tenho uns assuntos para tratar.

- Sim senhor.

Sem mais Snape aparatou novamente na casa dos Dursley. Os três ainda permaneciam no mesmo lugar. Com destreza e movimentos calculados Snape trancou todas as portas e janelas. Pegou uma cadeira e colocou diante deles. Seus passos eram devagar e silenciosos, e seus movimentos, precisos. Tais coisas deixavam os Dursley mais nervosos ainda.

Snape sentou-se, cruzando as pernas e apoiando a mão nos joelhos. Olhava ameaçadoramente para eles, seus olhos brilhavam com uma loucura que poucos conseguiram ver arder em sua pupila. Petúnia e Duda começaram a chorar, mas Valter permanecia petrificado de medo, os seus cabelos da nuca estavam todos em pé. Odiava gente da laia de Harry, como costumava dizer, sabia que eram bruxos e que poderiam fazer muitas coisas com apenas aquele pequeno pedaço de madeira.

-Adoro esse cheiro – Disse Snape inalando o ar ao seu redor – Cheiro de medo. Meu oxigênio

O silêncio que perdurava naquela casa era como um relógio na mente da família Dursley, um relógio que marcava os minutos de sua vida.

- Agora – Disse Snape calmamente despertando Valter de seus pensamentos – O que farei com vocês? Sinceramente não sei. Como já fui um comensal da morte...e ainda sou – Apesar de não saberem o que significa esse nome os arrepiavam – Eu já matei muitos trouxas como vocês. Não, como vocês não, vocês são diferentes. Talvez aquelas vítimas merecessem viver, mas vocês, vocês são a pior escória que já vi. Sabe, eu não nego que sentia um certo prazer ao ver seus corpos suarem de medo, nem quando suas calças ficavam borradas somente pela minha presença. Aquilo é revigorante, ver seus olhos arregalarem e suas pupilas dilatarem enquanto suas mentes mostram-lhes sua vida em alguns segundos, os segundos antes que minha mão crave em seus pescoços. Como eu gosto daquilo, é naquele momento que eu penso que estou vivo, é naquele momento que sinto o sangue correr em meu corpo e meu coração bater, pois apesar de tudo aquele é meu eu completo.

Snape se aproximava aos poucos e seu rosto era a própria máscara de comensal que usava. Relembrar aqueles dias de torturas arrepiava seus pelos. Valter continuava petrificado, mas seus olhos seguiam cada passo de Snape e o encaravam com medo e receio.

- O que eu faria com você, por exemplo, Valter não é? – Disse colocando a varinha na ponta do nariz dele – Será que transformá-lo em um rato, petrificá-lo e colocá-lo no meio da rua para ser atropelado bastaria? Oh não, esqueci que não posso matá-los diretamente, porém posso fazer indiretamente. Posso muito bem lançar-lhe um feitiço que demorará um tempo para surtir efeito, quando começar eu não serei suspeito, pois estarei longe daqui e muitos poucos bruxos conseguem fazer um feitiço assim. Claro que Dumbledore saberia que aquilo foi feito por um comensal da morte e que a probabilidade de ter sido feito pelo comensal que adotou Harry Potter é bem grande. Mas eu gosto de riscos. Não será o máximo? Eu o matarei e não serei culpado por isso, tudo que pode acontecer é Dumbledore ficar no meu pé por um tempo, mas até mesmo aquele velho manipulador irá agradecer o que acontecer com vocês.

Snape estava fora de si, seus olhos estavam arregalados e ele ria triunfantemente. Ele mesmo não se reconhecia mais, nunca havia ficado dessa maneira antes. Normalmente, se ficava com raiva já lançava um Avada Kedavra e ficava aliviado. Mas o fato de pensar em deixá-los morrer lentamente, torturando-os, o deixava com a adrenalina a mil em suas veias e fazia sua mente trabalhar com idéias sobre torturas que poderia fazer com eles.

- E você, Petúnia – Snape cuspiu o nome dela com tanto nojo que quase vomitou – Tão nojenta quanto magrela, tão cruel quanto feia, acho que merece um fim parecido com o que você fazia com Harry, consegue se lembrar? - Perguntou batendo a ponta da varinha na cabeça magrela – Lembra-se quando o mandava arrumar toda a casa com apenas sete anos? Fazia uma criança, que mal sabia escrever, esfregar todos os cômodos como se fosse um escravo e o deixava sem comer quando a bola do seu filho sujava algo.

Petúnia chorava de tanto medo, fechou os olhos e rezou pedindo a Deus para ter piedade dela. O que ela não sabia era que quando Snape se transformava em comensal, nem Deus se metia em seus assuntos

- E você, Duda. O grande e medroso Duda. O filho mimado do Dursley, o menino que agride primos por estar entediado e o medroso manda chuva da turma, aquele que se esconde atrás do tamanho tentando fingir ser forte e amedrontador, mas é o primeiro a se mijar quando algo sério acontece. Não devia mexer comigo garoto, dou aula para mais de trezentos alunos e faço muitas meninas mijarem e garotos tremerem de medo. Mas sabe eu estou gostando tanto do castigo que darei à você.

Snape chegou bem perto e sussurrou no ouvido do menino.

- Aprenderá muito com o castigo, porém não aprenderá mais nada depois.

Ele ria enquanto se afastava ouvindo o choro e o lamento da família. Afastou a cadeira onde estava sentado e apontou sua varinha para cada um deles lançando um feitiço em cada um. Permaneceu assim, com a varinha apontada e um sorriso no rosto até que Dumbledore e McGonagall apareceram na porta da cozinha

- Não faça isso Severus – Disse Dumbledore colocando a mão em seu ombro e o fazendo baixar o braço – Não vale a pena jogar no lixo tudo o que você tanto lutou por causa de uma vingança. Eles serão punidos, o ministério está a par de tudo o que a família Dursley fazia com nosso Harry e já estão a caminho para resolverem esta situação.

- Por mim, matava-os agora mesmo Dumbledore, eles merecem isso, merecem morrer. Estou com tanta raiva Alvo, tanta que eu mesmo quebraria o pescoço de cada um aqui.

Minerva, que permanecera à uma certa distância, se assustou por alguns segundos, aquele era realmente o professor Snape que sempre conheceu? Não, não podia ser, Snape era sempre controlado, mas aquela figura à sua frente estava mais que descontrolada, estava louca.

- Eu sei Severus, mas como disse, não vale a pena. Vamos, eu o acompanharei até sua mansão. Minerva ficará aqui com os Dursley até o ministério chegar.

Assim que Dumbledore mencionou a mansão, Snape teve um vislumbre de Harry deitado na cama dele, machucado e desacordado. Tinha que vê-lo, precisava estar ao seu lado naquele momento. Por esse motivo não questionou Dumbledore e baixou sua varinha guardando-a novamente no bolso das vestes. Olhou para Dumbledore e naquele momento ele viu que o velho já sabia o que ele tinha feito, mas que não o julgaria ou o condenaria, só sentia pelo comensal que apareceu em si, o comensal que Snape prometera não mais mostrar para ninguém. O comensal que mata sem piedade, o que ri da desgraça feita e que não se arrepende de nada.

- Tudo bem, eu vou, mas quero saber de tudo que o ministério resolver fazer com essa família.

- Eu não tinha a intenção de deixá-lo no escuro Severus. Vamos embora.

Dumbledore segurou o braço de Snape e os dois aparataram direto nos portões da mansão Snape, o jardim estava escuro e se ouvia o barulho dos sapatos na grama molhada. A porta se abriu quando Snape chegou perto e permitiu que os dois adentrassem à belíssima mansão herdada pelo pai severo que Snape tivera. Dumbledore jamais esteve naquela mansão antes e estava realmente maravilhado com a estrutura e arquitetura do local, mas Snape não olhou para nenhum lugar, só seguiu seu caminho subindo dois lances de escadas até chegar ao quarto onde deixara Harry

Ao abrir a porta viu o elfo doméstico indicar que devia fazer silêncio, pois Harry dormia na belíssima cama de casal com dorsais de mármore. Snape se aproximou devagar e sentou ao seu lado na cama passando a mão em seus cabelos, afastando-os do rosto suado dele. Era visível os machucados em sua boca e olho, assim como os outros hematomas pelo corpo seminu dele.

- Como ele está?

- Mestre Harry Potter está muito mal, meu senhor. Tem muitos ferimentos e está em estado febril. Tive que deixá-lo quase sem roupa para que pudesse baixar a temperatura. Mas ele está um pouco melhor, seu rosto já não está mais tão pálido quanto antes e ele não está tão quente.

Snape nada falou, apenas segurou a mão de Harry e continuou a verificar os machucados em seu corpo. Dumbledore, que estava um pouco mais atrás, apenas observava os cuidados e a preocupação de Snape. Mesmo sendo um bruxo e podendo fazer isso com um simples toque de varinha, o professor de poções fez questão de pegar o pano molhado e passar na testa do menino ajudando a baixar a temperatura que sabia, tinha que baixar sozinha sem nenhum auxilio de magia. Não podia negar que mesmo preocupado com Harry sentia uma grande felicidade no coração por saber que seus dois protegidos estavam bem um com outro e que finalmente haviam encontrado um no outro o amor, amizade e companheirismo que tanto precisavam. Mas o tempo estava mudando rápido demais e Dumbledore sabia que algo iria acontecer em um futuro próximo, alguma coisa que envolveria Snape e Harry, e isso era a única coisa que o preocupava.

- Queria eu dizer que acabou Alvo.

- Como assim?

- Eu o tirei da casa dos tios para deixá-lo mais seguro, mas sei que não há segurança para ele nesse mundo e nem no dos trouxas. Não enquanto ele tiver que seguir a maldita profecia. Eu o senti, senti sua raiva. O Lord das Trevas acha que sou um traidor. Durante o ano ele ficou quieto e silencioso, não me chamou para nada, mas essa semana minha marca começou a doer novamente. Ele estava chamando os seus servos, mas eu não atendi. Logo ele chamará novamente e não poderei deixar para lá, terei que ir.

- Entendo o que você teme. Você era o servo mais fiel de Tom, ele confiava todos os segredos a você. Tem medo que você fale algo a mim, mas que tolo não?

- Acontece que se eu não for ele irá me caçar e não descansará até me matar.

- Ora, você nunca temeu a morte.

- E ainda não temo, mas a vida de Harry também está em jogo. Se ele me procurar pode encontrar Harry aqui. Terei que ir e irei, não deixarei que nada aconteça ao menino.

- Se é essa a sua decisão eu não o contradirei. Só peço que tome cuidado. Eu prezo a vida de Harry, mas também prezo a sua.

- Tomarei cuidado

- Então eu já vou indo. Avise-me quando Harry já estiver de pé.

Dumbledore se despediu e aparatou deixando Snape cuidando de Harry. Por um tempo ele ficou ao lado de Harry, mas logo o sono e o cansaço o dominaram. Ele pediu para o elfo ficar observando o sono do menino e o avisar caso ele acorde. Ao chegar ao seu quarto, Snape nem retirou a roupa, apenas deitou e dormiu. No dia seguinte Harry dormiu a manhã inteira e só acordou na hora do almoço. Seus olhos estavam embaçados, o corpo dolorido e a cabeça explodindo.

Assustou-se quando percebeu que não sabia onde estava. Sua mente estava embaralhada e foi difícil entender o que estava acontecendo. A última coisa que se lembrava foi de dizer à seu tio que ele não tinha mais medo dele, depois disso, tudo ficou escuro e dolorido. Será que estava em algum lugar onde seu tio o jogou? Não poderia ser, estava deitado em uma cama grande e confortável, seu tio nunca o trataria assim, nunca mesmo. Então onde estava?

Assim que seus olhos se adaptaram à claridade Harry fez menção de levantar, mas nesse exato momento a porta se abriu e Snape passou por ela com toalhas na mão

- O que pensa que está fazendo? Deve permanecer deitado – Disse fazendo-o se deitar novamente – Como se sente?

- Estou bem. Só com sede e um pouco confuso

Snape entregou-lhe um copo d'água e o ajudou a se sentar para tomá-lo deitando-o novamente quando terminou.

- O que aconteceu?

- Eu estava esperando a sua carta como sempre, mas Dobby apareceu dizendo que você precisava de ajuda, pois seus tios o estavam tratando com seus costumeiros carinhos, para não dizer outra coisa. Nesse momento Dumbledore me deu os papéis que garantiam que eu tinha sua completa guarda. Eu então fui até a casa de seus tios e o tirei de lá.

- Eu não vi você chegar.

- Você estava desacordado no momento. Seu tio tinha te espancado e você não agüentou.

- E o que aconteceu aos meus tios?

- Eu não os matei se é isso que quer perguntar, na verdade não fiz nada a não ser falar umas poucas verdades para eles, Alvo chegou a tempo e me impediu de explodir a cabeça dos três. Agora seus tios estão na mão do Ministério da Magia. Pelo que sei, eles serão ouvidos e as testemunhas do caso também, no caso eu e Dumbledore. Seus tios serão julgados e daqui a alguns dias sai o resultado, ai saberemos o que será feito com seus tios. O que eles fizeram é algo sério, primeiro que eles espancaram uma criança, e não faça essa cara, perante as autoridades você ainda é uma criança. Segundo porque eles espancaram justo o menino que sobreviveu.

Harry ficou em silêncio por um tempo. Seus tios haviam sido muito maus para ele, mas mesmo assim não desejava a morte deles. Não conseguia sentir vontade de matá-los, ou que eles morressem, só queria estar longe

- Onde estamos – Perguntou tentando mudar de assunto.

- Na mansão Snape, mais precisamente no seu quarto.

- Meu quarto? – Harry parecia surpreso demais para o gosto de Snape – Mas, é grande demais, eu até pensei que era seu.

- O meu é a suíte ao final do corredor. O seu era um quarto de hóspede vazio, a maioria dos quartos são vazios aqui, achei que esse era o mais ideal. Tentei arrumá-lo de uma maneira que fizesse com que se sentisse em casa. Mas não vá pensando que tenho cobertores vermelhos no meu armário.

- Acho que isso seria muito Grifinório para você.

- Quem diria que eu um dia teria um Grifinório petulante morando comigo. Onde esse mundo vai parar?

- Para de reclamar.

- Eu parei, mas seu estômago não. Está com fome?

- Um pouco.

- Vou pedir ao elfo para trazer seu almoço. Hoje você deverá ficar em repouso aqui no quarto, amanhã poderá comer na sala de jantar e andar pela mansão, sem fazer muitos esforços, claro.

- Aqui parece ser bem grande. Você é o que? Rico, milionário?

- Digamos assim que eu sou bem de vida. Ganho bem em Hogwarts, tenho a herança de meus pais e não gasto, então acabo tendo uma grande quantia no banco. Não tão grande como a dos Malfoy, mas quem sabe um dia.

- Herança? Pensei que seu pai estivesse vivo.

- Ele morreu esse ano.

- Sinto muito – Disse Harry baixando a cabeça e se culpando por ter falado algo inconveniente.

- Não sinta– Respondeu Snape sentando. – Ele não era uma boa pessoa, não merecia seus pêsames, nem o meu. Quando me comunicaram sobre sua morte, eu não soube nem o que estava sentindo, só sei que não era tristeza, talvez alívio.

- Mas... – Harry tentava ao máximo escolher as melhores palavras. -...Não foi ruim saber que agora você não tem mais pai?

- Na verdade não. Se você for ver, eu nunca tive pai, ele nunca me tratou como um pai deve tratar um filho, nunca tive qualquer outro sentimento por ele a não ser o ódio.

- E você não tem mais ninguém na família?

- Não. Meu pai nos afastou do restante da família. Dizia que eles não mereciam nossa presença.

- Eu sei como é ser afastado de todo mundo. Meus tios sempre me trancavam no armário quando alguém ia em casa, nunca conheci ninguém, só que meu tio dizia que eu é que não merecia a presença deles. Sempre estive sozinho, assim como você.

- Mas assim como eu, você não está mais sozinho, e agora você não ficará mais trancado em nenhum armário. E assim como eu, você está morrendo de fome e precisa se alimentar. O elfo trará sua comida e logo depois você deverá tomar essas poções – Snape entregou dois vidrinhos na mão de Harry, um era verde e o outro transparente – Você deverá dormir bastante para poder ficar bom.

- Então se eu comer e depois tomar essas poções poderei sair do quarto amanhã?

- Sim.

- Está bem então.

Snape já ia saindo quando Harry o chamou de volta.

- Sim?

Harry mexia muito as mãos e abria e fechava a boca, mas nenhuma palavra saia. Era incrível como sempre falou com Snape sobre tudo, já agradeceu Snape muitas vezes, já abraçou e chorou com Snape, mas agora que sabia que tudo era verdade, que Snape estava realmente cuidando dele, que estava realmente querendo que ele fizesse parte de sua vida, agora estava tão difícil sair um simples obrigado. Estava tão difícil dizer que ele agradecia por tudo que Snape estava fazendo, que estava feliz e que sentia-se seguro ao lado dele.

- Eu sei. – Disse Snape dando um sorriso e saindo.