Verdade ou desafio

Harry Potter é somente mais um adolescente problemático com vicio em drogas, porem quando ele encontra com Draco Malfoy, no dormitório da faculdade, sua curiosidade o leva a procurá-lo. Problema sempre atrai mais problema.

Atenção: Essa é uma fanfic não-magica, ou seja nossos queridos personagens de Harry Potter são seres humanos comuns, simples troxas!

Atenção 2: Se você é incapaz de lidar com grandes emoções, não aconselho a leitura desta. Afinal, alem de relacionamento homem com homem, essa fanfic oferece também tremendas doses de tristeza, depressão, drogas, sexo fácil, abusos, e desespero pessoal


Capitulo 4 – Cicatrizes

"Não, mãe, é óbvio que ele não é meu amigo." Draco repetiu novamente, sentindo que a mãe começava a irritá-lo.

"Ele parece tão adorável." Narcisa disse com um tom de voz que indicava que estava sorrindo. "Você deveria ser amigo dele."

"O cara me jogou na piscina. Eu não quero ser amigo dele." Draco ouviu a mãe rir e suspirou ciente de que a mulher não o escutaria. "Olha, só avise o pai das minhas notas e não comente sobre minha amizade."

"E por quê?"

"Porque ele é o tipo de pessoa com quem Lucius odiaria me ver andando."

"Oh. Ele é tipo aqueles dois namoradinhos do seu quarto?"

"Não tenho idéia, mãe." Ele afirmou. "Mas, com certeza, adora defender esse tipo."

"E são esses que são bons amigos. Incapazes de julgar, não importa como você seja."

"Tenho certeza que Lucius não concordaria contigo."

"Ainda bem que ele não está por aqui então." Narcisa riu, parecendo animada com a conspiração. "Agora, me diga, meu querido. Você realmente não se importa de ficar o feriado por aí?"

"Claro que não, mamãe. Você está assinando um grande contrato; estou orgulhoso." Ele sorriu, sabendo que dizia a pura verdade.

"Oh, ainda bem. Estava preocupada pensando que você ficaria bravo comigo."

"Claro que não, mamãe." A porta do quarto se abriu, fazendo Draco corar e disfarçar a voz. "Tenho que ir agora, nos falamos depois, ok?"

"Claro que sim, querido. Aproveite o fim de semana e o feriado." Ela disse e, sem mais nada, desligou.

Draco voltou a colocar o telefone no bolso e então encarou Blaise, que sorria.

"Sua mãe te contou do contrato?" o garoto perguntou.

"Sim." Ele se permitiu sorrir. "Finalmente ela vai se tornar conhecida."

"Sua mãe já é bem conhecida. A única diferença é que vai virar internacional."

"Ainda bem. E a sua?"

"Também conseguiu o contrato. Por isso que fiquei sabendo antes. Parece que elas estavam listadas."

"E a sua vai fazer a campanha em New York também?" Draco perguntou, cruzando os dedos para que ele o deixasse em paz no feriado.

"Sim, e eu vou com ela." Blaise sorriu parecendo muito animado, e o loiro concordou, sabendo que já estava livre de três no feriado da semana seguinte. Descobrira que Seamus e Dean também viajariam para ficar com a família. "Ah, e mudando de assunto completamente. Harry está vindo aí e está compenetrado em te convencer a ir na festa."

Draco praguejou, fazendo Blaise rir enquanto se dirigia para o banheiro. O loiro cometera um erro ao cair na piscina com Harry, mesmo que tenha sido o momento mais gostoso de sua vida.

Na semana passada, ficara quase quatro horas dentro dela antes que qualquer um aparecesse. Tinha tido a chance de nadar seriamente, ganhando elogios do moreno, e, então, ficar boiando no centro da piscina junto com os outros colegas de quarto, que conversavam sobre coisas sem sentido ou tentavam convencê-lo a tirar a camisa. E, após Draco fugir quando outro grupo de pessoas aparecera, Harry parecia ter enfiado na cabeça que seria capaz de convencê-lo a qualquer situação.

E, para piorar tudo, Draco realmente acreditava que ele conseguiria.

As fotos que as garotas tiraram realmente tinham ido parar no Santo Salazar, e ele ganhara com isso uma ligação de sua mãe no domingo mesmo, para lhe perguntar quem era o 'adorável garoto' que o empurrara na piscina. Narcisa era terrível e, depois de apresentar cinco belíssimas garotas para Draco e não conseguir ver o mínimo de interesse no filho, tinha criado uma espécie de busca pessoal para encontrar um homem que interessasse o loiro. Não que ela tenha ouvido o que o filho realmente desejava.

Aquilo se tornava uma dor de cabeça para Draco. E, além de ter que passar a semana inteira criando uma boa desculpa para convencer a mãe que Harry Potter definitivamente não era o garoto que ela procurava, ele ainda tinha que lidar com o próprio convidando-o para a festa incessantemente.

O moreno parecia ter decorado seus horários. E, toda a vez que o via, enchia com promessas de que cuidaria dele para que ninguém tirasse fotos ou coisas piores.

Draco se sentia tentado a aceitar. Não somente para dar fim à ladainha de Harry, mas também porque fazia muito tempo que ele simplesmente não saía para se divertir. Mas havia várias coisas que o impediam. A primeira – e maior delas – seria a dolorosa morte que se seguiria se seu pai descobrisse onde ele estava. A segunda delas, e outro imenso fator, era que simplesmente não poderia beber nenhum tipo de álcool.

Aos 17 anos, a mãe tinha notado que ele parecia extremamente triste com tudo. E, preocupada, ela o enviara para um psiquiatra que lhe dera antidepressivos, mesmo contra a vontade do pai. E, mesmo dois anos depois, Draco parecia ainda mais impossibilitado de largar os remédios, apesar de ter diminuído a dose duas semanas atrás, em um de seus encontros semanais com a psiquiatra, que lhe dissera que ele parecia mais relaxado.

A quantidade diminuíra, mas não o fato de que ele ainda era proibido de tomar álcool, com o perigo de potencializar os efeitos adversos, e, se isso acontecesse, toda aquela depressão que sentira aos 17 voltaria mais forte. E, definitivamente, não desejava aquilo.

Ele suspirou deitado na cama. Sabia que não poderia contar para as pessoas que tomava antidepressivos – isso geraria muitas perguntas. Então não deveria ir à festa mesmo desejando.

A porta voltou a se abrir, porém, dessa vez, Draco não virou o rosto, somente continuou encarando o teto.

"Você tá vivo ainda?" Harry perguntou aparecendo na beirada de sua cama.

"Mais ou menos." Draco disse e sentiu-se realmente cansado pela primeira vez desde que Harry entrara em sua vida. Conhecia bem os sintomas de mais um de seus ataques depressivos. Nunca duravam muito, mas ele não podia ter isso na frente do moreno.

"Então..."

"Eu não vou, Potter." Ele disse sem vida, os olhos cinza encarando o teto. Gostaria tanto de ser normal como todos os outros.

"Draco?" Harry se sentou na beirada da cama e entrou no campo de visão do loiro. "Você está bem?"

"Por quê?"

"Você parece... mal."

"Você é realmente ótimo em definir as coisas." Ele disse desejando que a capacidade dedutiva do moreno não estivesse forte naquele momento.

"Aconteceu alguma coisa, Draco?"

"Não, Potter." Ele forçou um sorriso e levantou-se. Se queria ficar em paz em casa tinha que disfarçar, e anos vivendo com o pai e Riddle o fizeram um ótimo ator. "O que você quer?"

"Vamos na festa?" Harry sorriu de volta, mas parecia meio incerto do real estado do loiro.

"Não, Potter. Já disse que não quero. É minha resposta final." Ele disse bravo e notou que o moreno pareceu meio surpreso, um pouco abalado.

"Ok..." ele disse somente e se levantou, pegando uma muda de roupas e indo ao banheiro.

Draco soltou o ar que segurava. Sabia que não deveria ter se animado com a diminuição da dose do remédio: era óbvio que não duraria tanto, bastava somente forçar sua mente, pensar em tudo aquilo que tinha feito, que tinha permitido, que as memórias voltavam destruindo qualquer força que tinha criado.

Ele apoiou o rosto entre as mãos, ouvindo que os outros garotos entraram no quarto, e, apesar de hesitarem, foram tomar banho também, nenhum com coragem de se aproximar do loiro. Não, ninguém desejava criar intimidade com ele.

"Ei, Draco." A voz de Harry voltou a assustá-lo, e, quando ergueu o rosto, surpreendeu-se por vê-lo sem camisa, ainda molhado e agachado aos joelhos dele.

"O que você está fazendo?"

"Você está caído com a cabeça entre as mãos. Achei que você estivesse mal."

"Dor de cabeça. Louco de desejo de ser deixado em paz." Ele disse azedo.

"Draco, eu sou seu amigo. O que tá acontecendo?" ele perguntou legitimamente preocupado.

Draco hesitou, surpreso que alguém quisesse ser seu amigo. E, então, seus olhos se desviaram para a camisa de Harry, que estava apoiada no ombro, amassada.

"Você precisa passar suas camisas, Potter." Draco comentou e viu que o moreno pareceu meio desapontado com a resposta; ficou feliz que ele não insistiu.

"Eu não encontrei o ferro." Ele comentou se erguendo.

"Está ao lado da máquina de lavar. Você é burro ou algo assim?" Draco perguntou e se ergueu, tomando a camiseta dele e caminhando para fora do quarto.

"Aonde você vai?"

"Passar a camisa, oras. Ou você quer sair com ela amassada assim?" ele perguntou ríspido, sem parar, e ouviu os passos de Harry o acompanhando.

"Você sabe passar camisas?"

"Eu moro em Hogwarts há um ano, Potter. Ao contrário de você, eu já aprendi a passar uma camisa." Ele encarou o moreno ao seu lado, notando a semi-nudez. "Longbotton te mata se te ver andando assim pelos corredores."

"Então sejamos rápidos." Ele sorriu para o loiro, apesar de ainda observá-lo de perto.

Os dois caminharam lado a lado até a lavanderia que ficava bem em frente à cozinha. Hogwarts, apesar de ser uma escola para ricos, prezava que cada um deveria aprender a se virar, e, por isso, instalara diversas máquinas de lavar e secar, assim como ferros, para que os jovens alunos cuidassem de sua própria sujeira.

Harry tinha esticado a mão para a porta quando ela se abriu rapidamente, assustando os dois.

"Oh, olá, Harry." Um garoto de belos cabelos marrons e olhos cinza sorriu, parecendo conhecer Harry bem demais.

Draco o encarou suspeito e notou como ele era bonito, e, um pouco enciumado com isso, passou direto sem se importar com o jeito que fora encarado.

"Olá, Cedric." Draco puxou a primeira mesa, instalada na parede ao lado da máquina de lavar, e ligou o ferro.

"Nós nem nos vimos mais." O loiro rolou os olhos com aquela cantada idiota.

"É, acabei nem indo mais no bar."

"Você vai hoje?"

"Sim, claro. Você vai também?"

"Vou. Me encontre lá que eu te pago uma bebida." Ele disse sorrindo e sumiu. Harry se aproximou de Draco, parecendo meio culpado.

"Que cantada ridícula." o loiro disse começando seu trabalho.

"Não fale assim, Draco."

"Mas foi." Ele hesitou, parecendo meio sem graça, porém achou que a coisa não poderia ficar pior naquela noite. "Não sabia que você era gay."

"Não sou." Harry disse, e Draco lhe enviou um olhar de descrença. "Eu não ligo para coisas idiotas como nomes. Eu gosto de prazer... Se é que você me entende."

"Você é uma vagabunda, se é que você me entende." Draco ironizou.

"Olha, eu nunca tinha ficado com nenhum... Garoto, quer dizer. Foi uma experimentação."

"E gostou?"

"Sim."

"Então você é gay."

"Não, porque eu ainda me sinto atraído por mulheres."

"Então você definitivamente é uma vagabunda." Harry riu, divertido.

"Se um cara não é gay e também não é hétero, você já classifica como vagabunda? Que tipo de classificação é essa de qualquer jeito?"

"As pessoas têm que decidir o que querem. O que desejam. Isso é simplesmente ser um cafajeste que não consegue manter a calça fechada. Como o Blaise."

"Então o que VOCÊ deseja?" Harry perguntou em parte curioso, em parte irritado.

Draco ergueu o rosto, pronto para responder algo bem mal educado, porém foi salvo pela porta sendo aberta, pela qual três garotos entraram, tirando qualquer momento de privacidade que pudessem ter.

Os dois ficaram quietos e terminaram de passar a roupa rapidamente; Harry vestindo-a no mesmo momento. Juntos, eles voltaram para o quarto, e então todos os garotos partiram sem nem insistir mais na presença de Draco.

Ele agradeceu por isso assim que se viu sozinho. E soltou o ar com força, sentindo todas aquelas sensações voltarem, agora muito piores.

Imaginar que Harry era gay mudava toda a situação para Draco. Não que fosse se afastar ou coisa do tipo, mas mudava a situação do seu desejo. Já notara a beleza do moreno e o jeito como ele inconscientemente parecia sedutor, e várias vezes se pegara pensando em coisas perturbadoras sobre ele – o seu computador e vários desenhos do corpo do moreno estavam lá para provar.

Draco pegou o kit de primeiros socorros e, de maneira metódica, caminhou até o banheiro. Quem o visse dificilmente iria imaginar a torrente de desespero que invadia seu peito.

Sua vida parecia de cabeça para baixo agora. Nem mesmo a notícia que ficaria longe de casa no feriado o deixava feliz. Ele suspirou enquanto deixava o corpo escorregar para o chão do banheiro, escondido no último boxe. Não adiantava nada Harry ser gay. E, com certeza, não significava nada ele ter uma atração pelo menino.

O moreno era lindo e, pior de tudo, extremamente simpático, o que fazia todos quererem ficar em volta dele. O exato tipo de homem bom demais para alguém como Draco. Não que fosse feio, mas seus problemas o tornavam assim. O loiro trazia consigo uma quantidade tão grande de segredos e fardos que alguém como o moreno fugiria se soubesse.

Draco tirou do nécessaire um pedaço pequeno de gilete e puxou a manga esquerda de sua camisa.

Anos de miséria, repetiu para si, enquanto olhava suas cicatrizes. Elas haviam começado pequenas, em poucos rompantes de fúria, arranhadas com as próprias unhas, até se tornarem coisas planejadas, coisas feitas para aliviar a dor no peito. Aparentemente, a única coisa capaz de acalmá-lo.

Ele escorregou o dedo pela pele fina, sentindo delicados calombos, quase grato por não ter tendência a formar quelóides. Não, a sua pele se cicatrizava muito bem, deixando vários riscos brancos no braço, os mais altos eram o que estavam ainda se cicatrizando, e não tinha muito deles no momento. Não desde o último dia de aula do ano anterior.

Ele suspirou e puxou a outra manga, ciente de que o braço direito possuía menos cicatrizes e, por isso, sem hesitar, apoiou a gilete na metade do antebraço e, segurando a respiração, deixou ela deslizar.

Um pouco de sangue escorreu, e a ardência o atingiu, fazendo-o gemer brevemente de dor. Tinha enfrentado coisas piores no quesito dor, por isso aquilo o relaxava quase. Havia, em menos de um minuto, quatro novíssimos cortes laterais no centro de seu braço. E, sem se importar muito com o tempo, ele deixou o corpo relaxar, ciente de que todo aquele nervosismo anterior se esvaía.

As doses do remédio poderiam aumentar ou diminuir. As desgraças poderiam piorar ou melhorar. Não significava nada para Draco, não quando ele tinha clara certeza de que tinha o melhor remédio para a cura de seu nervosismo. Não queria se matar. Sentia medo pela mãe, pelo que ela faria se algo lhe acontecesse, mas não havia nada de errado em se machucar, em sentir dor para fazê-lo melhor.

Não importava se as pessoas diriam que aquilo era uma doença, não se importava em passar calor e esconder seu corpo do mundo. Nunca iria casar-se com ninguém ou ter alguém para sequer dividir a cama; não tinha que se preocupar com perguntas. Logo, estaria formado e coordenaria as empresas do pai usando terno o dia inteiro. E a única coisa com que teria que se preocupar é o que faria com todo o dinheiro que ganhasse.

Seria, nem que isso lhe custasse ainda mais cicatrizes, uma pessoa assexuada e incapaz de ligar para os pensamentos do mundo. Seria, finalmente, o filho perfeito.

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Harry sentiu uma mão pesar sobre sua barriga, e foi o contato de pele contra pele que o acordou. Os olhos verdes tentaram se focar em algo, porém falharam quando notou que suas lentes de contato tinham sido perdidas em algum lugar pelo caminho.

Imaginando exatamente que caminho fora esse, ele se ergueu dolorido e encarou a cama. Quantas vezes ele já tinha acordado daquela mesma maneira? Com aqueles mesmos problemas e dores? Ele tinha perdido a conta, por isso sua situação não foi de toda surpreendente, mas os corpos que encontrou, quando foi capaz de divisá-los entre os borrões da sua semi-cegueira, o deixaram surpreso.

Cedric Diggory dormia profundamente, babando no travesseiro, e totalmente nu, de barriga para baixo. Harry não pode deixar de notar uma mancha roxa extremamente parecida com uma mordida em sua bunda. Ao lado dele, Cho Chang também dormia, com muito mais classe, porém sem roupa alguma também, os seios pequenos aparentes.

Ele esfregou os olhos e, o mais silencioso que pôde, pulou da cama, catando todas as suas roupas rapidamente. Lembrava-se de ter chegado à festa no bar gay super animado e de ter bebido tudo que conseguira alcançar. Também se lembrava dos comentários de Blaise acerca de Diggory e sua nova namorada e como os dois estavam vivendo de maneira absurdamente promíscua, dormindo com vários, separados ou ao mesmo tempo. E, na mesma hora, sentira-se tentado a experimentar algo diferente.

Lembrava-se que tinha ido até o banheiro, onde encontrara um traficante que lhe servira uma boa dose de coragem em pó. E, depois disso, tudo lhe parecia muito confuso e borrado. Dormira com ambos, estivera dentro de ambos, e aquilo começava a se mostrar mais perturbador do que ele sequer imaginara.

Harry vestiu-se correndo e atravessou todo o dormitório, já que estava no segundo andar do prédio, onde só havia quartos duplos e únicos. Ele esfregou seu rosto uma última vez, entrando no seu quarto ainda meio atordoado.

Não tinha nem idéia de que horas eram, mas sabia que era um domingo, por isso se surpreendeu quando viu todos os seus companheiros de quartos reunidos em volta de sua cama, parecendo preocupados.

"Olá?" ele disse incerto quando ninguém pareceu notá-lo. E se arrependeu na mesma hora, quando todos viraram em direção a ele.

"Onde você estava, Potter?" Draco foi o primeiro a se aproximar, encarando-o de cima a baixo com nojo.

"Hã, dormi fora... Por quê?"

"Você sabe que horas são?" Blaise perguntou dessa vez, parecendo mais calmo.

"Não tenho idéia." Ele murmurou, passando por entre os colegas e jogando os tênis no chão. Sentindo que realmente estava sujo, tratou de pegar roupas limpas e seus produtos de banheiro.

"São cinco horas da tarde, Potter!" Draco chamou sua atenção novamente, parecendo realmente bravo. "Os moleques disseram que você sumiu no fim da festa, e você não apareceu por um dia inteiro! Eles estavam preocupados!" O loiro disse, porém Harry somente riu, ciente de que ele parecia mais perturbado que os outros. Perturbado demais para quem tinha o enxotado do quarto no dia anterior.

"Olha, minha cabeça tá doendo. Eu acho que perdi minhas lentes e eu tô fedendo. Deixa só eu me ajeitar e eu converso com você." Ele disse ríspido e viu os olhos do loiro crisparem em ódio.

Ciente de que não poderia realmente fazer nada naquele momento, ele se afastou até o banheiro, onde quase gemeu de tanta satisfação ao sentir a água quente limpando suas dores. Ele se sentiu quase como outra pessoa quando saiu do banheiro e, de maneira curiosa, pegando os óculos que usava somente em casos de emergência, inspecionou o seu corpo por marcas.

Encontrou leves roxos que se assemelhavam a mordidas em sua barriga, mas o que realmente chamou sua atenção foi a imensa mancha em seu braço, na parte interna do cotovelo. E não precisou de mais nada para entender por que parecia tão difícil se lembrar da noite anterior.

Sabia exatamente os efeitos da heroína em seu corpo, a sensação de bem estar, o sexo que ficava mais desesperado e, então, o esquecimento total de tudo que fizera. Tinha usado aquilo somente duas vezes (três contando com agora) e tinha odiado aquilo. Não se importava em usar drogas, gostava na verdade, porém havia algumas que ele se recusava, não por moralidade, mas por odiar o efeito. Heroína era uma delas.

Sabia que o pó que tinha cheirado antes provavelmente o tinha deixado mais propenso a aceitar, mas sabia também que não seria fácil encontrar as agulhas prontas do jeito que vagamente se lembrava, o que significa que ou Diggory ou sua namorada teriam aquilo com eles. Suspeitava mais do garoto, já que estava no quarto dele.

Harry bufou e terminou de se vestir, encontrando seus amigos ainda sentados perto de sua cama. Porém, havia uma cabeça loira a menos.

"Onde está Draco?" ele perguntou curioso, enquanto jogava as roupas sujas no seu cesto embaixo da cama.

"Ele está puto com você." Rony comentou rindo. "Saiu daqui bufando. Nunca tinha visto o Malfoy tão bravo."

"Eu vou ter que ir falar com ele."

"Depois de nos explicar o que aconteceu." Blaise disse, o impedindo de sair. "De qualquer jeito, Malfoy não quer te ver nem pintado de ouro no momento."

"O pior é que eu não sei direito." Ele suspirou e jogou-se na cama, os amigos todos ainda em volta dele.

"Você não sabe?" Blaise perguntou rindo. "Garoto, você se agarrou com Diggory no meio da pista de dança e, então, simplesmente sumiu."

"Eu me lembro disso..." Ele esticou a mão pegando o colírio, já que sentia os olhos arderem mesmo com os óculos. Teria que encomendar outras lentes. "Fomos para o quarto dele. Cho Chang também estava lá."

"E você dormiu com os dois?"

"Sim." Ele bufou e apertou os olhos. "Meu Deus. Eu estava muito mal."

"É obvio que estava." Seamus comentou parecendo preocupado. "Você tá ciente de que você apareceu no SS?"

"SS?"

"Santo Salazar." Ele explicou e, então, abriu o celular e entregou ao moreno. "Tem uma foto de você beijando Cho. Ela só de sutiã, e Diggory no fundo."

Harry abaixou a tela, sentindo um pouco de dificuldade com o touch screen, porém encontrou a tal foto. E sentiu que sua boca caiu, surpreso. Realmente, assim como Seamus dissera, ele beijava Cho com aquela ferocidade que sabia que adquiria quando estava alto. Diggory estava no fundo, parecendo muito mal, mas uma mancha roxa no seu braço lhe dava a explicação que ele precisava. Definitivamente, quem lhe oferecera aquilo era ninguém menos que o garoto queridinho da escola.

"E aí?" Seamus perguntou, parecendo temeroso pela primeira vez. "Você dormiu com um? Ou com os dois?"

"Ambos participaram." Harry disse, devolvendo o celular com um suspiro. "Não entrarei em detalhes."

"Ah! Sem graça!" Seamus comentou.

"Você está bem, Harry?" Rony perguntou, o rosto franzido.

"Não muito. Eu acho..." Ele hesitou pensando se deveria contar, mas chegou à conclusão de que seus colegas não espalhariam a 'fofoca', então, talvez pudesse confiar neles. "Cedric está usando drogas..."

"Harry... Não somos tão caretas aqui..." Blaise comentou, parecendo se divertir.

"Não. Eu não digo uma coisa do tipo baseado. Eu me lembro dele injetar. Heroína." Harry explicou, vendo todos os amigos o encararem mais do que surpresos.

"Você está brincando!" Seamus disse alto. "Cedric Diggory, o queridinho da escola. O menino prodígio. Ele usa Heroína?"

"Sim. Mas não é para comentar com ninguém." Harry disse sério. "Não quero que fiquem espalhando fofoquinhas por aí."

"Claro..." Blaise concordou e riu diante do bocejo que o moreno deu. "Ei, Harry, vai dormir. Provavelmente você não vai conseguir jantar direito no refeitório com a quantidade de história que caiu na rede. Arrumamos o jantar para você."

"Eu preciso encontrar Draco." Ele comentou sem muita força.

"Ele saiu daqui extremamente puto com você. Ele quase surtou quando você não atendia os telefonemas dele." Rony comentou, vendo os outros dispersarem. "Provavelmente, ele te odeia agora e quer que você se mantenha longe. Vamos, Harry, ele é um Malfoy, está na hora de você notar que ele não é boa coisa."

"Ele só é mal entendido." Harry comentou, deitando-se na cama e já se sentindo meio irritado com as mangas compridas.

"Ele tem tudo na vida dele. Todo o dinheiro do mundo, e nem venha me dizer que isso não compra felicidade." Rony se sentou na beirada da cama do moreno e diminuiu o tom de voz. "Ele sempre foi estranho, Harry. Sempre tratou todos mal e fez questão de jogar todo seu dinheiro na nossa cara."

"Ele não é assim comigo."

"Não, e eu tenho minhas suspeitas quanto a isso."

"Suspeitas?" Harry perguntou nitidamente curioso. Viu, de longe, Blaise entrar no banheiro, enquanto Dean e Seamus conversavam em outro canto, também em voz baixa.

"Ele nunca ficou com ninguém, Harry, nunca sequer chegou perto de garota alguma, sem contar Parkinson, mas ela é amiga da família, assim como Blaise, então não creio que ele tenha conseguido algo."

"Você acha que ele é gay."

"Eu acho que ele é estranho. O bastardo não olha de maneira cobiçosa para ninguém. Ele tem 19 anos e mais parece um manequim: frio e duro."

"Vai ver ele realmente não se interessa em sexo."

"Pouco provável. Quem com 19 anos não se interessa?" Harry abriu a boca pronto para responder, porém Rony continuou rápido. "Não quero irritá-lo ou ficar dando idéia pra sua cabeça, mas a verdade é que Malfoy é de longe a pessoa mais estranha e deslocada do colégio. E eu estou falando de uma faculdade imensa, com mais de três mil alunos. E quando um garoto que tem muito dinheiro se torna assim, algo errado tem ali."

E, sem mais palavras, o ruivo levantou-se e saiu do quarto, deixando um Harry sonolento, mas realmente curioso quanto às suas palavras. Sim, Draco era estranho, mas realmente nunca pensara que seria nada sério.

Decidiu-se por ir conversar com ele assim que acordasse, sabendo que, no momento, Draco estaria bufando em algum canto escuro.

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Draco era ótimo em se esconder. Obviamente. E, durante os três dias que esteve brigado com Harry, tinha fugido dele como o diabo fugia da cruz. E quase levantou as mãos aos céus quando não viu o nome dele na lista de pessoas que ficariam em Hogwarts no feriado que começava na quinta.

Havia somente mais doze pessoas que ficariam, sendo que oito delas eram garotas e o restante um quarto em que todos os garotos decidiram ficar por companhia. Draco achou aquilo ridículo, ciente de que no atual estado de fuga, adoraria estar em sua casa. Uma coisa que achava que nunca desejaria.

Dormira no domingo no seu quarto, chegando bem tarde, tarde o suficiente para que Harry não o visse. Porém, na segunda, assim que chegou encontrou ninguém menos do que o próprio dormindo em sua cama, como se esperasse o confronto. Ficara muito irritado com isso e fugira para o quarto de Parkinson, já que ela dormia num dos quartos únicos do dormitório feminino. A cama era boa, ao contrário da presença tagarela da garota.

Passara dois dias ouvindo a garota contar os detalhes da vida sexual de simplesmente todas as garotas que estavam na faculdade, e, então, resolvera contar sobre a daquelas que ainda não estavam. Draco começava a se arrepender daquela decisão, quando as novas cicatrizes começaram a arder ao leve movimento, fazendo-o lembrar o porquê de estar ali.

Harry nunca se atrasara, e, apesar de sentir que exagerara um pouco, sabia que estava certo em brigar. Ele não estava lá quando acordara pela manhã, e, então, não apareceu para o almoço. Nem mesmo aparecera quando a foto de sua noite foi publicada naquele site ridículo de fofocas, e foi aí que começou a ficar preocupado. O moreno não era de sumir, não, ele era do tipo que estava sempre por perto cuidando de tudo. Draco era o que fugia.

E, sentado na cama imensa de Pansy, aquilo era a única coisa na qual conseguia pensar. A garota arrumava a mala para poder voltar para casa, enquanto tagarelava sobre como o tempo confuso estava arruinando sua pele. Draco nem fingia estar prestando atenção. Jogara a cabeça para trás, encarando o teto branco e pensando exatamente quanto tempo mais faria esse papel ridículo ao qual se submetera.

O dia acordara gelado na terça-feira, obrigando todos a vestirem seus melhores casacos, e, claro, Draco não fora um deles, já que resolvera evitar Harry a todo custo. Se pelo menos tivesse a chance de correr para o quarto e pegar seu casaco, provavelmente não se importaria em continuar escondido, mas, sim, era improvável que o moreno saísse do quarto um minuto sequer.

Irritado que o moreno já conhecia muito bem seus horários, e ele não tinha idéia de qual eram os dele, chegara à conclusão de que estava ferrado e aproveitou-se de sua derrota mental para continuar enrolado entre suas cobertas o dia inteiro.

Somente até amanhã de manhã. Ele repetiu o mantra que dera início com a chegada de Pansy ao quarto e continuou encarando o teto.

"Você realmente deveria parar com isso." A voz de Blaise foi o que o fez acordar de seu estado de torpor, erguendo a cabeça assustado.

"Zabini?" Ele perguntou incerto, vendo que a porta do quarto estava aberta, e Pansy tinha saído.

"Você realmente acha que se esconder no quarto de Pansy é a melhor coisa a se fazer?" O moreno perguntou, se jogando na cama.

"Como você soube...?"

"Pansy me contou. Ela me disse que você estava dormindo com ela na verdade, mas achei pouco provável."

"Ei." Draco registrou isso como um insulto.

"Então me diz, como está a estada?"

"Descobri que Granger abriga o namorado no quarto, que Bulstrode está ficando com uma das gêmeas Patil, desisti de identificar qual." Ele hesitou, mas, ciente de que Blaise não levaria nada a sério, resolveu adicionar "E que minha vida é miserável."

"Eu já sabia da última notícia, mas você nunca me escuta." Ele riu. "Agora, você está aqui por causa daquela estupidez do Potter?"

"Sim. Não. Ah, sei lá, eu só não quero falar com ele."

"Olha, Draco, você não pode ficar fugindo dele. E não existe um motivo de verdade para você ficar bravo com ele."

"Eu sei, mas o Potter... Ele, sei lá, me dá nos nervos!

"Você sabe como eu chamo isso?"

"Não tenho idéia e não tô interessado." E, para demonstrar isso, ele se afundou ainda mais dentro das cobertas.

"Você é realmente maduro de vez em quando." Blaise sorriu para ele e levantou-se. "Sabe, você já pode voltar para o quarto, acho que só sobrou o Weasley naquele quarto e ele tá só esperando a namorada."

"Achei que vocês só iam amanhã de manhã."

"Você realmente não escuta Pansy, né? Ela disse que ia levar as malas para o carro antes de sair do quarto."

"Ah... Ok. Tchau." Ele murmurou, vendo Blaise sorrir e sumir se despedindo.

Draco chegou a hesitar por um segundo, querendo continuar misturado com aquelas cobertas tão quentes, porém chegou à conclusão de que poderia muito bem parar de evitar seu próprio quarto. Afinal, Blaise dissera que todos já tinham ido embora.

Catando seus sapatos, ele caminhou rápido por entre as meninas, recebendo alguns olhares de reprimenda, e quase se sentiu exultante ao chegar à praça central da faculdade, quando viu que todos estavam realmente indo embora. Esquadrinhando o lugar, não conseguiu ver nenhum garoto que se parecesse com Harry e tinha até um belo sorriso quando alcançou seu quarto.

O silêncio foi a primeira coisa que notou. Não havia ninguém ali. As camas de todos arrumadas, os objetos organizados e nenhum ser humano. Draco sorriu e escolheu roupas limpas e decentes (tinha dependido de algumas camisetas masculinas que Pansy tinha, e, mesmo meio enojado, só deu graças a Deus que fossem de manga).

Seu banho foi rápido, e logo estava dentro de uma calça de moletom preta meio apertada e camisetas de manga comuns. Com movimentos preguiçosos, sentou-se na cama, apoiando o computador em seu colo enquanto remexia na pasta de desenhos.

Talvez fora isso que ele sentira mais falta em seu 'retiro' e, por isso, queria compensar o tempo perdido, mesmo sabendo que tinha o feriado inteiro para fazer isso. Instalando o seu mouse, ele conseguiu encontrar ainda mais rápido o desenho que deixara inacabado.

Ironicamente, a única pessoa que ele não queria ver o encarava de maneira despreocupada no computador. Os olhos verdes brincalhões, o sorrisinho contido no canto da boca como se soubesse de uma piada única e o cigarro queimando entre seus dedos. Começara aquele desenho no caderno, quando encontrara o moreno fumando maconha na beira do lago, e, apesar de ter feito somente um esboço na hora, ficou surpreso ao ser capaz de lembrar todos os detalhes de luz.

Trabalhara a noite inteira naquele desenho, porém desistira quando chegara ao corpo. Incrivelmente, sua memória não esquecia o jeito como Harry o encarara, mas a maldita roupa dele parecia incapaz de surgir na sua mente. E não se contentaria com nada mais do que a imagem real.

Ele afastou o computador e sentou-se na beirada da cama, fechando os olhos com força e massageando a testa, numa estranha mania. Precisava se lembrar da cor, dos detalhes, de tudo. Precisava...

"Draco?" Pela segunda vez no dia, o loiro pulou assustado diante de uma voz familiar e sentiu o choque atingir seu estômago quando se viu encarando os mesmos olhos verdes do desenho.

"O que você está fazendo aqui?" Ele perguntou ríspido e não foi capaz de segurar seu olhar, que se desviou para os pés que calçavam meias e chinelos, a calça jeans rasgada nos joelhos e o imenso moletom preto. Também notou que os olhos verdes estavam mais apagados, tudo graças a uns estranhos óculos arredondados que usava.

"Eu moro aqui. Você passou tanto tempo me evitando que até esqueceu, é?" Ele perguntou rindo e se aproximou.

"Blaise disse que todos tinham ido embora."

"Oh. Sobre isso. A banda que meu padrinho produz teve um enorme acidente com os CDs e DVDs. Parece que alguém estragou tudo nos computadores, e uma zona que eu não fui capaz de entender. Ele teve que viajar para Los Angeles e aproveitou para levar Lupin junto."

"O que isso significa, Potter?"

"Significa que o quarto é somente nosso esse feriado." E, mesmo diante da súbita palidez do loiro, não pôde deixar de abrir um imenso sorriso.


N.A. Gente, que lindeza, que maravilha, que beleza! Taí agora vocês descobriram o grande mistério dos braços de Draco Malfoy (TCHAN TCHAN TCHAN!). hahahahahha.

Bom, eu só quero agradecer pelos reviews a Kimberly Anne Evans Potter (Demorei, mas continuei. =D) Totosay de cueca (Harry é malvado, mas eu acho que ele só jogou ele na água para analisar melhor o seu corpo =x) SamaraKiss (hahaha, minha atenção 2 só serve para que ninguém me denunciar! Creio que será drama, mas não tããão dramalhão. =x) themarilyn (Sim, o Draco é uma grande duvida. Aos poucos, graças ao doce Potter, ele irá se revelar!) Lis Martin (não fui capaz de te alcançar querida. Sorry) Lari SL (Ahhhhh, obrigada! *-* Continue sempre lendo, garanto que me esforço para mante-las sempre animadas para vocês.) vvriacho (E aqui está mais.) Thamiinha – (Prontinho! Agora você descobriu alguns dos segredos de Draquinho) AB Feta (Thnks, por ler.)

Bom, para quem não notou, aqui vai. A partir de hoje, minhas fanfics serão todas betadas! Sim! Agora as coisas será corrigidas, para que nenhum erro ocorra. Minha beta, é a lindíssima, gatissima, e muito santa para me agüentar nas madrugadas Rafaela R. Quero uma salva de palmas para ela! ;D

E prometo que as atualizações ficam bem mais rápidas se vocês me mandarem um tantãããão de reviews.

Beijo da Nath.

N/B. Olá, todo mundo. Só vou falar uma coisa para vocês: morram de inveja. Eu tenho acesso a todos os capítulos antes E ainda sei de toda a história. MUHAHAHAHA.

Hm, acho que essa coisa de beta me subiu a cabeça...

Ah, claro. E um agradecimento especial a Nath, autora linda e maravilhosa, que me deu a oportunidade de betar essa ótima fic. Obrigada, querida!

Espero que o meu (nada) humilde trabalho tenha agradado. Beijinhos.