Verdade ou desafio
Harry Potter é somente mais um adolescente problemático com vicio em drogas, porem quando ele encontra com Draco Malfoy, no dormitório da faculdade, sua curiosidade o leva a procurá-lo. Problema sempre atrai mais problema.
Atenção: Essa é uma fanfic não-magica, ou seja nossos queridos personagens de Harry Potter são seres humanos comuns, simples troxas!
Atenção 2: Se você é incapaz de lidar com grandes emoções, não aconselho a leitura desta. Afinal, alem de relacionamento homem com homem, essa fanfic oferece também tremendas doses de tristeza, depressão, drogas, sexo fácil, abusos, e desespero pessoal.
Capitulo 5 – O feriado
Draco tinha finalmente aceitado sua sina e resolvera voltar a conversar com o moreno na quarta-feira no almoço, quando descobriu que não havia ninguém além deles no refeitório. Decidira que seria mais fácil aceitar o pedido de desculpas logo, do que ter que aturar Harry perguntando de minuto em minuto se ele ainda estava bravo.
Os dois se viram realmente entediados à tarde e, por isso, foram até a locadora e pegaram cinco filmes para se distraírem. No fim das contas, Draco descobriu que o moreno tinha um medo absurdo de espíritos, e, somente por isso, três dos filmes foram perdidos. Os outros dois, que eram uma espécie de suspense, acabaram fazendo o loiro dormir no sofá da sala de filme do Centro de Recreação.
Eles também descobriram que nada estava aberto na cidade, e os cinemas só passavam filmes chatos. Por isso, o loiro desistiu de tentar agradar Harry e voltou aos seus desenhos no computador, mesmo tendo que aturar o menino sentado sempre perto dele, querendo conversar.
Somente na sexta-feira à noite, as coisas pareceram se animar.
"Sabe de uma coisa?" Harry se levantou com um pulo. Ele estivera sentado pela última meia hora no chão ao lado de Draco, a cabeça jogada para cima, apoiada na cama de Blaise.
"O quê, Potter?" Mesmo se surpreendendo com o movimento brusco, ele não desviou sua atenção do desenho. Finalmente conseguira terminar o desenho de Harry no banco do lago e partira para outro, que parecia um curioso estudo da musculatura do mesmo.
"Eu me recuso a ficar parado aqui olhando para o nada."
"Que interessante." Ele só murmurou, a atenção ainda toda voltada para o computador, e, por alguns minutos, realmente esqueceu com quem estava lidando. Porém uma fumaça surgiu em sua visão, fazendo-o erguer os olhos. "O que é isso, Potter?"
"Distração." Harry comentou com um sorriso. Ele sentara em seu baú, bem embaixo da janela, tentando soltar a fumaça para fora do quarto. O cigarro mais comprido e de cor diferente indicou que aquilo estava longe de ser um simples cigarro.
"Potter, você não pode usar drogas aqui." Ele disse sentando na cama e deixando o computador de lado.
"E nem em nenhum lugar do mundo. E mesmo assim isso nunca me impediu." Harry sorriu e deu mais um trago. "Não seja chato, não tem nada para fazer de qualquer jeito."
"E quando você está entediado você gosta de se drogar?" Draco se levantou da cama e se sentou no baú logo à frente dele. "Você é definitivamente uma péssima influência." E, para a surpresa total do moreno, ele se esticou, tomando seu cigarro e tragando com maestria. Sabia que seu aprendizado de como fumar com Blaise seriam bem empregados em algum momento.
"Ei!" Harry sorriu, parecendo realmente estupefato com seu ato. "Você já fumou isso."
"É. Muito tempo atrás." Ele comentou devolvendo o cigarro. "Eu estou surpreso; da primeira vez que eu traguei esse troço, queimou bastante."
"A fumaça de maconha é bem mais pesada do que a de um cigarro comum." Ele riu. "Tossi que nem um condenado quando fumei pela primeira vez também."
"Eu me pergunto quando foi isso." Draco comentou, apoiando-se preguiçoso em uma das colunas de sua cama.
"Muito tempo atrás mesmo." Harry riu e, após um breve silêncio, repassou o baseado. "Vamos lá. Verdade ou desafio, senhor Malfoy?"
"Nós vamos jogar com maconha?" Ele perguntou incrédulo, sentindo os efeitos tão relaxantes começarem a atingir seu corpo. "Que tipo de jogo será esse?"
"Maconha, álcool... Tanto faz, os dois deixam você aberto a verdades." Ele riu. "E eu tenho metade de uma garrafa de vodka na gaveta, se preferir."
"Não, obrigado. Não posso beber álcool."
"Ué. Por quê?"
"... Verdade ou desafio?" Ele perguntou incerto e, quando Harry acenou concordando, um sorriso triste brotou em seu rosto. "Eu tomo antidepressivos."
"Sério? Ei, espera. Você não deveria estar fumando então!" Ele se ergueu tomando o cigarro dele. "Espera! Você bebeu naquela sexta."
"Eu deveria me privar de qualquer álcool. E drogas, eu assumo. Mas um pouco nunca fez mal, só que depois eu fico um pouco depressivo, já que corta o efeito do remédio. Mas como será você que vai ter que lidar comigo, eu não ligo." Ele riu divertido e, sentindo-se curiosamente ousado, ergueu seu corpo chegando perto demais de Harry, tomando seu baseado e dando uma profunda tragada antes de devolver prontamente para a boca do moreno.
"Então é por isso que você tava mal semana passada?" Harry perguntou quando conseguiu recuperar um pouco da firmeza.
"Algo assim. Agora, me diga, você ainda não me contou o que você aprontou para chegar em casa às cinco da tarde naquele dia."
"Ah, foi complicado." Ele riu divertido. "Acabei na cama do Cedric, com a namorada dele junto, e fiz uma coisa que eu realmente não gostaria."
"O quê?"
"Tudo que falarmos aqui ficará aqui, então?" Ele perguntou incerto.
"Oh, pelo amor de Deus, Potter. Para quem eu ia contar? Meu psiquiatra?"
"Ok..." Harry riu divertido e, passando o cigarro, ergueu-se e tirou sua camisa. Draco não pode deixar de notar que o maldito ainda conseguia parecer sexy mesmo com os olhos delicadamente caídos.
"Eu pedi para você me contar, Potter, não para me mostrar!" Ele disse meio assustado.
"Deixe de ser tonto." Harry riu da expressão do loiro. "Eu estou com calor. Só isso."
"Você está é fugindo da pergunta." Draco fez questão de manter os olhos baixos. Sabia que, com o efeito da droga, se olhasse para aquela barriga, provavelmente enviaria algum sinal do qual não gostaria.
"Eu sai com Cedric, e ele me ofereceu heroína." Harry comentou voltando a se sentar e, dessa vez, esticou o braço para mostrar a área ainda roxa.
"Você usou?" O loiro o encarou surpreso. "Você é louco, Potter?"
"Eu não me lembro direito das coisas." Ele suspirou, parecendo meio triste. "Eu conversei com
Cedric, ele me ofereceu o quarto dele, então eu resolvi tomar coragem e fui até o banheiro com um pouco de pó. Talvez foi isso que me deixou mais... Fácil."
"Cocaína e heroína. Isso não mata?"
"Não sei. Eu ainda estou vivo, disso eu sei."
"Hm..." Draco o encarou julgando aquela atitude, mas então outra dúvida surgiu em sua mente. "Então, você dormiu com quem ali?"
"Com quem?" Harry riu, divertido.
"Por favor, não me diga que foi com os dois."
"Odeio alimentar seus sonhos eróticos, mas, sim, eu dormi com os dois. Foi bem... Diferente."
"Achei que você já tinha feito de tudo nessa vida, Sr. Potter." Draco ironizou.
"Várias coisas. Duas mulheres, um homem. Dois homens, uma mulher. Vários homens e várias mulheres. Ficar só vendo a cena. Deixar outras pessoas me verem..."
"Ok, chega, Potter! Você me enoja." Draco lhe repassou o cigarro enquanto ele ria.
"Eu fiz várias coisas, mas nunca do jeito que foi esse dia. Eu não sei se eu te contei isso, mas eu nunca tive uma experiência... Com um homem."
"Achei que você tirasse prazer de qualquer lugar."
"Uma coisa é eu imaginar cenas com diferentes tipos de sexo e me masturbar. Outra é realmente fazer. Eu estava sempre chapado e muito louco. Eu fazia sexo com quem oferecia, para ser bem honesto."
"Você é um verdadeiro cavalheiro."
"Mulheres são mais fáceis nesse ponto." Harry comentou, ignorando o comentário do loiro. "Elas simplesmente ficam loucas e pulam em cima de você. Homens são chatos e estão sempre preocupados com quem fica por baixo."
"Você fala isso como se fosse algo fácil de encarar." Draco comentou e roubou o cigarro dele. Tentou evitar encará-lo novamente.
"Eu não sei. Gostaria de experimentar ficar por baixo."
"Então você teve uma experiência com homem?"
"Sim. Mas só nesse ano. Eu não me importava com isso antes."
"Então por que só agora?"
"Achei que estava na hora de aprender." Ele comentou, e, por um segundo, um estranho brilho passou em seus olhos fazendo Draco se arrepiar. "Mas e você?"
"Eu o quê?" Draco sentiu um breve medo de aonde aquela conversa os levaria.
"Nunca te vejo olhando torto em direção a seios ou bundas. Ou homens nus. Ou qualquer coisa, na verdade."
"Classe, Potter, é algo que poucos têm." Ele comentou com um sorriso triunfante, mas soube que Harry ia insistir no assunto.
"Você tem que ter uma preferência. Sei lá, cachorros talvez."
"Oh, Potter, você consegue ficar mais nojento do que você já é?" Draco roubou o cigarro dele, mas novamente aquele olhar o fez hesitar. "Eu não prefiro nada, Potter."
"Não tem como. Você tem 19 anos. Se você não preferisse nada, você seria uma aberração."
"Eu estou te falando. Nada me interessa." Ele comentou baixando o olhar; talvez fosse mais fácil mentir se não o encarasse. "Dormi com Pansy Parkinson no fim do terceiro ano, e foi bem... Sem graça."
"Então você é gay."
"E dormi com Blaise Zabini no meio do ano passado. E continuou sendo sem graça."
"Espera! Você dormiu com Blaise?" Harry o encarou chocado. "Com um menino?"
"Se você contar para alguém, eu mato você."
"Então, você testou ambos os lados."
"Não se atreva a me chamar de bissexual." Draco o ameaçou.
"Nããão." Ele riu da expressão de ódio do loiro. "Então, você não gostou de nenhum?"
"Não." Draco suspirou, sabendo que talvez fosse melhor assim: nem tudo verdade e nem tudo mentira. "Eu nunca me importei muito com o assunto. E com Parkinson foi mais para tirar o maldito estigma de virgem. Meu pai apreciou muito isso, devo dizer. Então eu achei que tinha sido muito sem graça e, por isso, eu pedi para Zabini me tirar essa dúvida. E posso te garantir que eu achei ainda mais sem graça."
"E como funciona isso?"
"O quê?"
"Não ter sexualidade definida."
"Não sei. Por enquanto funciona. Estou mais interessado em terminar logo essa faculdade e continuar desenhando. Não preciso de mais nada por enquanto."
"Mas como funciona?" Harry insistiu na pergunta. "Nenhum sonho erótico? Nenhum desejo escondido? Você nunca se toca?"
"Aí você já está querendo saber demais."
"Então existe uma esperança para você!" Harry comentou alto e riu, levantando-se para pegar a garrafa de vodka.
"Chega de falar sobre mim." Draco deu por encerrado o assunto quando viu o moreno voltar a abrir a boca. "Me conte sobre você."
"O que sobre mim?" Ele perguntou, virando a garrafa na boca. O baseado fora totalmente tomado por Draco.
"Sua vida. Ninguém sabe nada sobre você. Ou, pelo menos, eu não sei."
"Eu também não sei nada sobre você." Ele constatou.
"Mas se você quiser saber sobre mim é só procurar em um site de fofocas."
"Ok." Harry riu e esfregou os olhos. "Eu nasci dia 31 de julho. Era uma noite chuvosa."
"Oras, cale a boca e pule para as partes mais interessantes."
"OK, mandão." O moreno, porém, ria. "Eu vivi com meus pais por somente um ano. Eles morreram em um acidente de carro. Eu fui o único sobrevivente."
"Que terrível!"
"É. Bom. Eu não me lembro muito. Cresci com meus tios. Irmã de minha mãe. Eles eram bem estranhos. Até os oito anos, eu dormia num quartinho debaixo da escada."
"O quê?" Draco perguntou chocado. "Eles não podem fazer isso. É contra as leis."
"Ninguém se importava muito com leis. Não dentro daquela casa. E eu sempre achei comum. Fiquei naquele quartinho até meus oito anos, que foi quando meu padrinho apareceu."
"Apareceu?"
"É. Eu não conhecia ele direito. Ele era um dos melhores amigos de meu pai. Sirius me contou depois que ele, na verdade, tinha fugido um pouco antes do meu nascimento, por causa de um outro amigo dele."
"Por que ele fugiria?"
"Meu padrinho era super apaixonado por esse cara. E não era, bem... Recíproco."
"Então seu tio é gay?"
"Sim."
"O que está acontecendo com o mundo, eu me pergunto." Draco ironizou, recebendo um leve chute do moreno.
"Acontece que Sirius fugiu sem avisar ninguém. Então ele não soube que eu nasci e que meu pai morreu. Quando ele surgiu, oito anos depois, estava essa loucura."
"E aí você foi morar com ele?"
"Quem me dera. Meu padrinho tinha construído uma carreira lá fora. E, aqui, ele não tinha nada, nem mesmo Remus queria ele."
"Espera. Remus? Remus Lupin?" Draco perguntou curioso e, quando recebeu uma breve aprovação, não pôde impedir sua boca de cair. "Meu professor de latim é gay?"
"Oh, é mesmo, ele dá aula aqui." Harry mordeu a boca pela mancada. "Você não pode contar para ninguém."
"Eu te digo de novo: para quem exatamente eu vou contar?"
"Deixa de se fazer de solitário. Bom. Meu padrinho acabou indo embora, mas voltava tipo todos os feriados e férias e o que mais fosse para que eu me acostumasse com ele, assim como Remus."
"A sua custodia...?"
"Estava nas mãos de Sirius." Ele terminou a frase de Draco. "Mas ele não queria me tirar daqui. Então ele teve que trabalhar lá, pelo menos até conseguir algum nome aqui em Londres."
"E você morou com seus tios esse tempo todo?"
"Sim. Até esse ano. Quando meu padrinho finalmente conseguiu mudar de vez e ganhar o coração de Remus, ele me chamou para morar com ele."
"Seus tios deveriam ser terríveis."
"E eram. Mas eu sempre conseguia fugir de lá. Correr até a festa mais próxima, ficar muito louco e voltar cedo para a aula. Era realmente fácil."
"E agora você mora com marmanjos em um dormitório. Foi realmente uma boa troca?" Draco perguntou honesto.
"Claro. A faculdade que eu ia era terrível. Fiquei o ano todo sem dar as caras lá e passei direto. Com ótimas notas. E, outra, se eu tivesse ficado, eu nunca teria conhecido você."
"E é por isso que eu me pergunto se foi uma boa troca." Meio pesaroso, Draco de uma última tragada no cigarro e, apagando com cuidado, o deixou apoiado na janela, sabendo que teria que se livrar dele depois.
"Exagerado, como sempre. E a sua vida?" Ele perguntou oferecendo a bebida, que Draco negou.
"Que vida?"
"A sua, oras. Eu te contei a minha, você conta a sua."
"Céus, bom, eu nasci, estudei dentro de casa até os quatorze anos. Aí fui para um colégio só para pessoas privilegiadas. Terminei. Entrei aqui. Nada de agitações."
"Ah, deve ter alguma coisa interessante na sua vida."
"Potter, você foi a coisa mais interessante na minha vida." Ele comentou e então, no silêncio que se seguiu, sentiu a burrada que tinha feito. "Quer dizer... Eu nem tive amigos ou alguém que sequer falasse comigo."
"Ninguém nunca se interessou em falar com você?"
"Não. Eu também não me interessaria se fosse outra pessoa." Draco se levantou, bocejando. Sabia que maconha lhe dava um sono muito forte, por isso caminhou lento até sua cama e, sem se importar em desligar propriamente o notebook, fechou a tela e o deixou em cima da cômoda.
"Você é muito exagerado." Harry comentou, e o loiro notou que, após um último gole, ele abandonou a garrafa e se aproximou da cama na qual Draco quase dormia.
"Seriamente, Potter? Quem se interessaria por alguém que toma antidepressivos e não tem vida social?" Quase que automaticamente, ele se afastou, deitando com a barriga para cima, e deixando espaço para que Harry se deitasse ao seu lado.
"Muita gente." O moreno comentou, e Draco sentiu a cama afundar com seu peso, e, então, o calor de Harry estava muito próximo. Também tinha esquecido que as drogas provavelmente o deixariam com mais vontade de tocar o menino, por isso fechou os olhos e se concentrou em dormir. "Você parece gritar 'problema' sabe?" Harry continuou. "E tem muita gente que gosta disso. Eu gosto."
"Hmm..." Draco murmurou e pôde sentir o moreno apoiar seu queixo em seu ombro. Ele se perguntou se Harry estava ciente de como aquilo era irritantemente excitante.
"Draco? Você já dormiu?"
"O que é, Potter?" Ele perguntou mal humorado e, como reflexo, virou o rosto para a voz, se arrependendo quase instantaneamente. Harry tinha tirado os óculos, e seus olhos estavam novamente naquele tom de verde tão vivo e brilhante. Seus lábios entreabertos e vermelhos. Apesar do leve cheiro de álcool que sentia em sua respiração, ainda era mais notável seu perfume, com tons de madeira forte. Um cheiro de homem de verdade.
Naquele breve segundo que esteve parado, Draco não pôde deixar de se perguntar por que não esticava seu pescoço, preenchendo aqueles dois centímetros de distância, e finalmente realizava seu desejo de sentir aquela boca que tanto consumia seus sonhos. Não saberia dizer o que o fez hesitar e, então, encarar o teto, mas de alguma maneira soube que aquele momento não era o certo. Não com eles bêbados e chapados.
"Você me odeia, Draco?" A voz rouca de Harry perguntou quando seus olhos se desviaram.
"Por que a pergunta, Potter?"
"Sei lá." Ele murmurou e se ajeitou como se fosse dormir. "Você tá sempre bravo com todo mundo e foge de todos, e, então, chega um louco querendo se enturmar. Eu imaginei que você fosse me odiar."
"Não odeio, Potter." Ele comentou e viu pelo canto dos olhos que Harry estava muito próximo de dormir profundamente. "Mas concordo com a parte do louco."
"Ei, Draco."
"Que é, Potter?"
"Se algum dia eu fizer algo que te irrite, você pode me socar. Mas, por favor, não me odeie..." E, então, sua respiração ficou firme, e Draco soube que ele tinha dormido.
"Acho que não sou capaz de te odiar, Harry Potter." Ele murmurou, sentindo o sono também o alcançando. E nem se importou com o fato de que o moreno se agarrava ao seu braço como se tentasse mantê-lo junto a ele para sempre.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Draco não saberia dizer em que ponto exatamente tinha finalmente aceitado a perseverança de Harry em ser seu amigo, mas, se tivesse que dar um palpite, provavelmente seria naquele estranho feriado.
Após se drogar junto ao moreno, ele se surpreendeu por acordar tão abraçado a ele, suas pernas encaixadas com perfeição. E, meio assustado, fugira do quarto para desenhar na paz do lago.
Tentou se convencer de que se afastaria depois daquilo, que voltaria a ser o antigo Draco obsessivo com seu espaço pessoal, distante de todas as pessoas, e se viu até cogitando pedir transferência para o quarto único. Porém, antes que essa idéia se formasse, um caloroso Harry lhe entretivera com um café e com as constantes conversas.
E, mesmo com o fim do feriado e a volta dos seus companheiros de quartos, aquela sensação de que eles dividiam algo não desapareceu. Sim, Draco já observara que tinha tendência a achar corpos masculinos muito mais interessantes que os femininos, mas de longe isso significava alguma coisa. Era somente um estudo. Afinal, era um ser assexuado, ele repetia a si mesmo.
Harry, ao contrário do loiro, não parecera criar nenhum tipo de dúvida pessoal. Pelo contrário. Suas saídas na semana aumentaram ainda mais, assim como o número de garotos e garotas que se interessavam por ele. Draco se perguntava se ele realmente tinha todo esse charme, mas dentro de si sabia a resposta.
E, conforme o ano chegava ao fim, a idéia de ter que enfrentar seus pais e Riddle no natal lhe parecia ainda mais terrível do que lidar com sua confusa sexualidade. Suas unhas e a forma com que foram roídas logo se tornaram uma evidência clara do seu nervosismo.
A temível ligação de seu pai chegou na última semana de aula, enquanto ele tentava se concentrar para uma terrível prova de Cálculos.
"Espero que não esteja atrapalhando seus estudos." A voz fria e sem emoção de seu pai o fez esticar o corpo e se afastar da mesa no mesmo momento. Mesmo distantes, Draco ainda se via arrumando toda sua postura.
"Estava somente dando uma pausa. Pode falar, pai."
"Sua mãe acabou de me informar que suas provas terminarão até terça-feira que vem."
"Sim. As notas de fim de semestre saem na sexta."
"Desde quando Hogwarts segura os alunos até dia 22?" Ele perguntou meio bravo, porém não deixou Draco responder. "Você provavelmente não nos alcançará. Eu e sua mãe iremos para Londres com Riddle, passaremos o feriado de natal lá, para uma campanha, e então voltamos dia 27."
"Ah... Então você quer que eu vá junto?" Draco perguntou, cruzando os dedos para que ele negasse.
"Não. Avisaremos às empregadas que você estará aqui. Não se preocupe com nada."
"Obrigado... Pai." Ele disse meio incerto.
"Certo. Comentei com Riddle também que suas notas continuam altíssimas, e ele foi muito educado de lhe oferecer outro estágio nesse feriado." E era exatamente isso que Draco temia. Tentando prestar atenção nas palavras de seu pai, ele respirou fundo em silêncio. "Riddle me disse que necessita de secretários pessoais para reorganizar as fichas de doações para a campanha, e é obvio que eu sugeri que fosse você, afinal contará muito para a sua carreira."
"Eu entendo, pai. Porém minhas aulas começam dia cinco."
"Você está com má vontade para trabalhar, Draco?" E ele soube que tinha cometido um erro.
"Claro que não pai. Só estou avisando que talvez não dê tempo. E não gosto de deixar nada pela metade..."
"Entendo. Creio que você e Riddle possam conversar e ajeitar seus horários da melhor forma possível. O estágio começa dia 28. Espero você em casa dia 22, então?"
"Claro, pai. Assim que pegar minhas notas, estarei de volta." E, sem mais nenhuma palavra, ouviu o celular ficar mudo, indicando que Lucius desligara sem mais palavras.
Draco suspirou mais uma vez e encarou seus cadernos. Quantas milhões de vezes tinha lido aquelas mesmas linhas? Já tinha decorado todas as contas, as fórmulas, as regras. E somente por isso se permitia surtar. Odiava ter que enfrentar a hora de voltar para casa. Ter que lidar com seu pai e sua absurda obsessão pela perfeição, ter que trabalhar para Riddle.
Sentindo-se extremamente cansado, esfregou os olhos e, guardando o material, fugiu da cabine particular da biblioteca, correndo para seu dormitório. Sabia que estava muito próximo de surtar, por isso talvez fosse preferível voltar para o conforto de seus remédios.
Correu rápido até o seu quarto, mal registrando a presença de Harry sentado em sua cama. Ele sabia de seu segredo, e, por isso, não se importou em abrir a primeira gaveta e descer dois comprimidos calmantes pela garganta sem ajuda nenhuma de água.
Sentindo-se mais calmo só por ter tomado o remédio a tempo, ele se sentou na cama e observou que Harry sentara na cama de Blaise à frente dele.
"Algum problema?" O moreno perguntou calmo, e Draco não pôde segurar a risada irônica.
"O de sempre." Ele respondeu baixo. Seus olhos fugiram daqueles verdes tão firmes, e o loiro notou que segurava o caderno com muita força.
"O que você tem realmente, Draco?" Ele perguntou, se aproximando.
"Como?"
"O que você tem?" Ele repetiu a pergunta e, dessa vez, se ajoelhou apoiando os braços nas pernas de Draco, buscando seu olhar. "Você me falou que tomava antidepressivos. Mas você sempre tem surtos."
"Eu tenho... Isso não pode sair daqui." Ele disse objetivo. E não pôde se segurar em checar para ver se o quarto estava realmente vazio.
"Não tem ninguém aqui, Draco." Ele disse baixinho, e o loiro notou que ele sentara entre suas pernas. "E você pode confiar em mim."
"Minha mãe notou que eu estava estranho..." Ele começou, notando que não poderia resistir àquele olhar. "Foi quando eu tinha dezesseis anos. E me mandou para uma psiquiatra..." Ele hesitou, e Harry somente acenou com a cabeça. "Ela me diagnosticou com Transtorno de Boderline."
"Transtorno de Boderline? O que é isso?"
"É complicado. É um transtorno de personalidade. Me torna mais suscetível a mudanças abruptas de humor, dependência afetiva e impulsividade, entre tantas outras coisas."
"E você toma remédio para isso?"
"Sim. Controladores de humor, antidepressivos e tranqüilizantes." Ele suspirou e esfregou os olhos, sentindo-se extremamente envergonhado. "Sem contar que sou obrigado a ir em psiquiatras."
"Mas isso tem cura?" Harry perguntou e se levantou para sentar ao seu lado na cama.
"Eu vou ser sempre mais... suscetível a isso. Mas eu posso melhorar um pouco." Ele se afastou de Harry apoiando suas costas na parede. "Isso é ridículo."
"Isso não é ridículo, Draco. É quem você é."
"Como se isso fizesse eu me sentir melhor."
"Se você não fosse assim, eu provavelmente não gostaria de você." Harry comentou sorrindo. "Escute, Draco, pode parecer ruim tudo isso, mas você está se tratando. E não sou somente eu que gosto de você, os meninos do quarto também. Então, por mais que seja uma doença terrível, se você tem amigos que te aceitam, as coisas não se tornam tão terríveis assim."
"Eles só estão perto de mim por sua causa." Ele disse sério e bocejou fortemente. Tinha esquecido como os tranqüilizantes lhe davam um sono terrível.
"Não diga isso. Eles gostam de você. Certeza. É só que você sempre prefere se manter afastado, por isso você nunca tem a chance de notar a verdade." Ele comentou e se afastou, notando que Draco começava a se deitar sonolento. "Eu gosto de você, Draco. Mesmo você sendo essa adorável e estranha pessoa."
"Cale a boca, Potter." Ele murmurou, se ajeitando preguiçosamente na cama. Sentiu vagamente quando Harry lhe tirou o tênis e começou a fechar a cortina. "Ei, Potter..."
"Oi?"
Draco hesitou por apenas um segundo, encarando aqueles lindos olhos verdes e registrando vagamente que Harry lhe dissera que gostava dele. Seu cérebro meio lento se perguntou o que significaria aquilo. "Talvez... Talvez eu precise que você me acorde amanhã."
"Sério? Você confiaria em mim?" Harry perguntou brincalhão.
"Nós dois temos provas amanhã, Potter. E os tranqüilizantes dificultam o despertar." Ele comentou, fechando os olhos. Assumir sua doença e encará-lo ao mesmo tempo era muito difícil.
"Não deveria ter tomado dois comprimidos então, esperto." Harry disse com uma voz meio brava, porém, para a surpresa de Draco, sentiu quando ele pousou um leve beijo em sua testa. "Eu te acordo amanhã, não se preocupe."
E, sem conseguir responder mais nada diante do carinho do moreno, Draco se deixou levar pelo seu sono forçado.
Transtorno de Borderline: www . mentalhelp . com / Borderline . htm
N.B.: Certo, pessoal. Estou aqui postando esse capítulo, porque a nossa querida Nath está impossibilitada de fazê-lo. Ela disse que ama vocês!
Depois dessa declaração, eu comentava se fosse você...
Agora, minha nota:
A cada capítulo eu me sinto mais feliz em ser a Beta dessa fanfic maravilhosa. Eu e a Nath conversamos muito sobre o enredo e nos divertimos MUITO. Vocês não podem imaginar cada papo que eu tenho com ela. Simplesmente hilário.
O que vocês acharam das indiretas do Harry? Ai, quero um moreno assim para mim. E o beijo, gente? Tem coisa mais fofa?
Se vocês querem uma sugestão, leiam mais sobre o Transtorno de Borderline. Pode ser que ele seja relevante. Ou não. HAHAHA Eu=malvada.
Beijinhos
