Verdade ou desafio

Harry Potter é somente mais um adolescente problemático com vicio em drogas, porem quando ele encontra com Draco Malfoy, no dormitório da faculdade, sua curiosidade o leva a procurá-lo. Problema sempre atrai mais problema.

Atenção: Essa é uma fanfic não-magica, ou seja nossos queridos personagens de Harry Potter são seres humanos comuns, simples troxas!

Atenção 2: Se você é incapaz de lidar com grandes emoções, não aconselho a leitura desta. Afinal, alem de relacionamento homem com homem, essa fanfic oferece também tremendas doses de tristeza, depressão, drogas, sexo fácil, abusos, e desespero pessoal.


Capitulo 6

"Draco, querido." A voz da sua mãe o surpreendeu assim que ele desceu do carro, fazendo-o encarar assustado o lance de escadas.

Não tivera notícias de ninguém em casa desde a ligação de seu pai e, por isso, lidara com a idéia de que chegaria em silêncio, mandaria todos os empregados para o feriado e passaria seu pouco tempo livre se afundando nos desenhos.

"Mãe." Mesmo surpreso, seus braços estavam prontos para o abraço firme que ela lhe deu. Não importava o que acontecia com tudo à sua volta, ela era sempre uma calmaria para seu espírito. "Achei que vocês já estariam viajando."

"Draco." Ela o repreendeu com uma falsa expressão brava. "Você realmente acha que seu pai me faria ir até Londres sabendo que você estaria voltando para casa no mesmo dia?"

O loiro riu. Sim, ele tinha se esquecido de pensar naquele fator. Sua mãe era uma mulher maravilhosa, quase tão alta como ele e com os cabelos loiros claríssimos caídos organizadamente pelas costas. Draco se lembrava de sonhar em ser como a mãe quando era criança. Com aquele rosto delicado, que parecia de uma boneca, e os olhos azuis brilhantes. O jeitinho tão delicado, com braços e dedos finos, a fazia parecer uma pessoa curiosamente doce. E os vestidos compridos e clássicos, sempre em tons nudes ou pretos, afirmavam ainda mais essa idéia. E talvez fosse por isso que realmente todos pensassem nela como somente uma mulher troféu para Lucius Malfoy.

Doce e delicada. E Draco realmente ria das pessoas que pensavam assim. Narcisa poderia ter aquela aparência doce, mas tinha a personalidade de um verdadeiro Black, sua família antes de se casar. E talvez fosse por isso que Lucius a escolhera para ser sua esposa. Bastava somente um olhar para fazer qualquer um calar-se, e, com poucas e baixas palavras, conseguia convencer seu marido a tudo. A raiva dela era algo que fervia em silêncio, e sua manipulação somente era sentida muito tempo após ela deixar os aposentos. E Draco não conseguia pensar em ninguém mais perfeito na face da terra.

"Então, você convenceu papai a ficar?" Ele perguntou enquanto tirava a única mala. Tinha decidido deixar quase todas suas roupas no colégio e somente trouxera o computador e sua pasta de desenhos.

"Ah, eu não chego ser assim tão boa em convencer seu pai, querido." Ela soltou uma risadinha inocente. "Ele está realmente interessado nessa campanha com Riddle, sabe?" E Draco sabia, pelo jeito como ela pronunciava aquele nome, que sua mãe não aprovava ele nem um pouco.

"E Riddle lidou bem com o adiamento da viagem?"

"Como sempre perguntou onde estava a fidelidade de seu pai e fez toda aquela gracinha." Narcisa acenou para uma das empregadas pegar a mala das mãos de Draco. "Você sabe como ele fica quando as pessoas o contrariam, parece uma criança. Que ele não me escute!" Porém ela sorria divertida; era muito difícil vê-la falando mal de qualquer um.

"E sobre minhas notas?" Draco perguntou curioso. Sabia que, para o pai, só isso interessava.

"Você foi bem?"

"Primeiro da sala."

"É só isso que eu preciso saber." Ela sorriu e deu mais um abraço nele, parando na frente da porta trancada do escritório de Lucius. "Mas seu pai vai querer vê-las."

E, com uma breve batida na porta, ela abriu caminho para um dos lugares mais sagrados da casa.

A Mansão Malfoy era a maior residência da cidade de Hogsmeade, mesmo oficialmente sendo fora dos domínios da mesma. Possuía quatro mil metros quadrados. A casa mesmo, branca, erguia-se em quatro andares numa área de mil metros quadrados e acomodava treze suítes para hóspedes, duas suítes Master, para seus pais e ele, duas cozinhas, três salas de visitas, duas de televisão e uma imensa sala de jantar. No último andar ainda havia uma pequena piscina com borda infinita, que somente sua mãe usava. Do lado de fora havia mais duas outras casas, essas menores, que eram as dos poucos empregados que moravam lá e uma espécie de casa de jogos, que guardava várias mesas de sinuca e coisa do tipo. Sua mãe mandara também construir um Aviário, para abrigar os pavões albinos favoritos de seu pai, e uma estufa, onde cultivava seus próprios temperos. A piscina, a parte favorita de Draco, estava escondida atrás das duas pequenas casas e era totalmente coberta e aquecida.

Mesmo assim, com esses milhões de cômodos, não existia nada mais assustador do que o único escritório na casa inteira. O escritório de Lucius era grandioso e, ao contrário do resto da casa, conservava as cores marrom escuro, da madeira, e preta, do couro. O ambiente tinha o cheiro dos vários charutos de seu pai. O escritório também possuía um acesso rápido à biblioteca da casa.

Assim que eles entraram, o pai ergueu o rosto do computador e deu um breve sorriso que não era nada amigável. "Draco, é bom revê-lo." Sua voz fria não indicava em nada qualquer sentimento do gênero. Enquanto o loiro sonhava ferozmente em poder se parecer com sua mãe, a vida lhe fizera a exata imagem do pai. O rosto fino, aristocrático, os olhos naquele tom tão claro de cinza. Suas diferenças, porém, eram a felicidade de Draco. Lucius era mais forte e menor, enquanto nesse ponto, ele puxara a magreza e altura da mãe.

"Olá, pai." Ele cumprimentou e, seguindo o caminho da mãe, sentou em uma das poltronas pretas que ficavam em frente à mesa principal do pai.

"Creio que Narcisa já lhe deixou a par do modo como ela me... Convenceu a esperar você." Ele definitivamente não parecia feliz com isso.

"Sim, senhor."

"E como estão suas notas?" Ele perguntou, desligando o computador e o fechando.

"Primeiro da sala novamente, senhor." Sabendo exatamente o que o pai queria ver, ele se esticou deixando o papel com as notas em cima da mesa.

"Hmmm." Ele acenou enquanto lia a página. "Vejo que suas notas diminuíram. Algum motivo em particular?"

"Claro que não, senhor." Sim, havia, e era porque estava ainda semi afetado pelos calmantes do dia anterior. "A diminuição foi de dois décimos pelo simples fato de que Snape estava mal humorado."

"Ainda sim, houve uma diminuição. Espero que não seja influência daqueles seus novos companheiros de quarto. Você sabe que estou disposto a lhe pagar um quarto individual, se esse for o caso."

"A culpa não foi dos meus companheiros de quarto, eles não são meus amigos, e não existe nada de errado com eles. Todas as minhas notas estão entre 9,5 e 10."

"Todas as suas notas poderiam ser 10. E eu já estou ciente com o tipo de gente que você está sendo obrigado a conviver, Draco."

"Eu mal converso com eles." Ele murmurou um pouco temeroso. Odiava aqueles momentos de encontro com o pai.

"Ainda assim. Gays, rebeldes e Weasleys?" Sua expressão de nojo fez Draco se arrepiar, o pai só demonstrava algum tipo de emoção quando estava muito bravo. "Eles são nojentos."

"Eu não sei como o senhor ficou sabendo..." O loiro começou, olhando para a mãe brevemente como em busca de apoio.

"Tom me contou, já que meu próprio filho não diz. Você está indo para o lado deles, é isso?"

"Deixe de ser ridículo, Lucius." Pela primeira vez a mãe veio em seu consolo.

"É isso que eu estou começando a pensar, Narcisa, se meu filho é capaz de conviver no mesmo quarto que gays e não comentar nada."

"Eu desprezo eles, ok?" Draco disse rápido, pensando que, se fizesse isso, talvez fosse mais fácil de lidar com o desespero em seu coração. "Eu os acho nojentos e irritantes, mas minha mãe me ensinou que eu não deveria sair por aí dizendo exatamente o que penso sobre o estilo de vida das pessoas."

Um breve silêncio caiu sobre o escritório, fazendo Draco desejar não ter feito comentário, porém aquela situação foi logo interrompida por uma breve batida na porta.

"Senhor Malfoy." A governanta da casa, uma sueca linha dura que comandava aquele lugar como se comanda um exército, entrou sem permissão. Ela era a única que teria a coragem de fazer isso. "O Senhor Riddle o espera."

"Obrigado, Maja. Avise os empregados para levarem as malas."

"Já estão dentro do carro."

"Diga que desceremos em pouco tempo." E, quando a porta se fechou, Lucius voltou a encarar Draco. "Não gosto da forma que você vê esse tipo de gente. É para isso que lutamos tanto na campanha de Tom, para que ele seja capaz de fazer as coisas voltarem a ser corretas como antes. Esse tipo de perversão e o silêncio diante disso é o que torna o nosso país um lugar tão deturpado como está."

Draco acenou concordando, sentindo-se incapaz de falar pelo bolo que se formava em sua garganta.

"Agora, se você estiver incomodado, eu posso te tirar de lá."

"É melhor não." Narcisa correu em responder por ele, com um sorriso. "Imagine o que exatamente falariam."

"Sempre podemos usar alguma desculpa."

"Lucius, a campanha de Riddle está a todo vapor, você realmente acha que esse tipo de coisa não iria atrair péssimos comentários?" Ela disse meio brava, mas Draco conhecia a mãe bem demais para saber que ela estava novamente manipulando seu pai. "Essa conversa de qualquer jeito é ridícula, precisamos viajar, e Draco provou que é capaz de manter o bom trabalho mesmo em situações complicadas. Agora, que tal irmos logo?"

Lucius encarou uma última vez Draco e então se ergueu. "Acompanhe-nos até a saída, Draco." Ele somente demandou, saindo com passos largos.

Não havia o que fazer senão acompanhar o pai, e, por isso, ele estendeu o braço para sua mãe, que o segurou com um belo sorriso.

"Você está muito pálido, Draco." Ela comentou baixinho enquanto caminhavam atrás de Lucius.

"Eu odeio quando ele faz isso."

"Você conhece seu pai, ele sempre vai ter em mente que, para ser perfeito, você terá que ser exatamente igual a ele. Ao contrário de mim, que vai te amar de qualquer maneira." Ela sorriu divertida e apertou de leve seu braço. "Agora, eu realmente espero que você não esteja sendo distraído por seus novos amiguinhos. Ou melhor, eu espero que um deles esteja realmente te distraindo."

"Oh, mãe!" Ele a encarou, surpreso por ver uma expressão brincalhona nela. "Deixe de ser ridícula."

"Uma mãe nunca é ridícula. Estou somente interessada nesse tal de Potter. Um belíssimo rapaz, certo?"

"Eu não sei, mãe, eu não fico encarando rapazes."

"Eu gostaria muito de conhecê-lo." Ela continuou, porém, sem parecer ouvi-lo. "Ver se ele realmente é uma boa pessoa."

"Mãe, ele é homem."

"E também a única pessoa capaz de botar um sorriso no seu rosto ultimamente." Ela disse categórica, parando na porta de entrada. "Eu sinto saudade de como você sorria quando era mais novo."

"Mamãe..."

"Não. Eu sei, eu entendo. Eu te conheço melhor do que ninguém. Melhor até mesmo que você. Está na hora, porém, de você abrir seus olhos e se permitir ser feliz de novo. Eu te amo muito, Draco, e pretendo diminuir essa viagem ao máximo que puder. Seu presente está escondido no seu quarto, nada de abrir antes da manhã de Natal, ouviu?"

"Eu nunca faria isso, mamãe." Ele sorriu contente com a mãe. Não importava mais nada, desde que ela sempre se mantivesse ao seu lado.

Abraçando-a uma última vez, ele se encaminhou com ela até o a limusine, que contornara seu muito mal estacionado carro.

"Deixar seu carro no meio da passagem não é educado, Draco." Lucius disse irritado, porém dessa vez seu coração estava a mil por outro motivo.

Escorado na limusine preta fosca, estava Tom Riddle. Com a mesma altura que Draco e um físico forte de dar inveja a qualquer homem de quarenta anos, o homem era um dos mais famosos políticos do momento. E um dos mais desejados também. Seus olhos eram verdes escuros e frios, como se analisasse dentro de sua alma. O cabelo preto era penteado com esmero para trás, deixando somente alguns fios caindo sobre os olhos. Seu rosto quadrado era firme e extremamente másculo.

"Draco Malfoy." A voz fria e manipuladora fez o loiro segurar um profundo estremecimento: ele tinha pavor daquele homem. "Bem-vindo de volta para casa."

"Obrigado, Riddle." Ele foi capaz de achar sua voz, ainda que um pouco falha.

"Seu pai acabou de me dizer que você ainda é o primeiro da sala." Draco dessa vez somente acenou. "Você sabe que meu estágio está aberto para você. Prefiro trabalhar com pessoas que eu tenho garantias de serem as melhores."

"E ele é." Lucius entrou na conversa falsamente simpático. "E, é obvio, vai trabalhar com você, Tom, mas agora precisamos correr para pegarmos o avião."

"É claro, Lucius." Ele esticou a mão para Draco. "Um feliz Natal para você."

O loiro fingiu sorrir e apertou a mão dele, sentindo seus dedos serem esmagados. Tom tinha um aperto de mão muito forte, que ele dizia ser necessário para impor confiança. Draco achava aquilo ridículo. Ele apertou a mão do pai também e deu um último abraço na mãe, vendo todos entrarem no carro e partirem.

Draco não ficou parado vendo o carro sumir ou coisa do tipo, simplesmente correu para dentro de casa, avisando a governanta no caminho para o quarto que todos os empregados poderiam ir para suas casas no feriado, e, sem se importar com mais nada, se trancou no quarto.

O lugar era amplo, pintado com um tom delicado de azul. Havia quatro imensas janelas de vidro, sendo que a primeira delas era a única que se abria para a varanda que dava para frente da casa. As cortinas estavam todas abertas, e a claridade iluminava a cama que ficava na parede oposta, os lençóis pretos estendidos com esmero. Havia duas outras portas logo à frente da porta de entrada, que davam para um imenso closet e um banheiro todo em mármore branco. Sua escrivaninha ficava à esquerda da porta de entrada, com alguns livros velhos na estante acima dela, e, no centro do quarto, duas poltronas e uma mesinha completavam o ambiente.

Assim como a mãe tinha dito, seu presente estava "escondido" no quarto, mais precisamente em sua cama, e, sem se importar que ela tivesse lhe dito para esperar, ele correu para abrir o pacote vermelho. Mesmo tentando controlar a ansiedade, seu coração parecia pular à boca todas as vezes que ganhava um presente. Sua mãe dizia que ele ainda parecia uma criança quando se tratava disso.

Com os papéis rasgados e vermelhos jogados ao chão, Draco se permitiu afastar-se e deixar a boca cair. Antes de ir para faculdade, no começo do ano, tinha comentado com a mãe sobre como o nível de seus desenhos tinha aumentado, e estava muito mais do que surpreso de ver uma pequena tela com uma caixa imensa de tintas de todas as cores. Com um sorriso ainda surpreso, ele alcançou a pequena nota da mãe, escrita em letras pequenas e em um papel dourado.

Achei que estava na hora de elevarmos o nível. Estou precisando de um quadro para a minha sala de chá, algo simples e belo. A escolha é sua.

Com amor, mamãe.

P.S. Aposto que você abriu antes da manhã de Natal, não?

Draco não conseguiu segurar a risada dessa vez. Sim, não importava se o mundo desabasse aos seus pés, sabia que a mãe estaria lá para pegá-lo.

o.o.o.o..oo.o.o.o..o.o.o...o.o

Ele ficara a tarde inteira encarando a tela e, então, começara a rabiscar dezenas de papéis na esperança de alguma inspiração surgir. Mas, quando o domingo de Natal chegou, ele se viu desenhando os olhos brincalhões de certo moreno que ele não conseguia parar de pensar.

Queria algo especial para a mãe. E mesmo sabendo que ela se contentaria com qualquer coisa vinda dele, também queria que ficasse perfeito. O único problema era que sua definição de perfeição era também aquela que ninguém podia nem sonhar que fosse.

Draco respirou fundo mais uma vez, sentado no sofá que ficava aos pés de sua cama. Tinha instalado a tela logo em frente num cavalete (que estava escondido no seu closet junto a outras telas) e jogara todas as tintas na mesa de centro. Resistira ao impulso quase infantil de desenhar o garoto de cabelos negros e esconder para si, decidido a ter um belo presente para a mãe assim que ela voltasse. Precisava, porém, de pelo menos uma idéia!

Ao seu lado, sentiu o celular vibrar, e, preguiçoso, somente encarou a tela brilhante, antes de voltar sua atenção ao quadro. A vibração tinha sido única, o que indicava uma mensagem, e, como ele não imaginava ninguém querendo falar com ele, chegou à conclusão que era algum aviso de operadora. Porém se surpreendeu quando, cinco minutos depois, sentiu a vibração novamente.

Talvez fosse a mãe, pensou consigo mesmo e, somente aí, se esticou e pegou o aparelho. O aviso de duas novas mensagens brilhou, e ele se pegou franzindo o rosto.

Feliz Natal. Mesmo você preferindo ficar sentado encarando o nada. P.

Era de Potter. Draco fechou ainda mais o rosto. O número era desconhecido, mas com certeza não conseguia pensar em mais ninguém para querer lhe dar uma felicitação de Natal. Porém, foi a próxima mensagem que o deixou intrigado.

Você nunca responde suas mensagens? Ou sequer olha para elas?

Hesitou, temendo responder, porém os dedos foram mais rápidos.

Quem é?

O brilho de mensagem enviada nem tinha sumido quando a resposta chegou.

O espírito do seu Natal passado, vindo lhe trazer felicidade e diversão.

Draco não pode segurar o sorriso. Sim, somente Potter mandaria aquele tipo de mensagem.

O que você quer, Potter?

Atenção e talvez uma lareira quente. Você sabia que a temperatura hoje é de 5 graus?

Draco voltou a franzir o rosto.

Por que exatamente eu iria querer saber isso?

Você talvez não. Mas eu estou sentindo.

"Que merda você tá falando, Potter." Draco murmurou para si mesmo, deixando o celular de novo no sofá, porém não demorou muito para voltar a vibrar.

Por favor, eu tô congelando, abre a janela.

Draco franziu o rosto e quase respondeu, porém seus olhos se ergueram para sua janela.

Parado com um imenso sorriso no rosto e uma pequena caixa de presentes embrulhado debaixo do braço, estava ninguém menos que o garoto que nunca saía de sua mente. Harry Potter usava o seu casaco de couro cobrindo uma camiseta vermelha com gola V, suas calças sempre caídas deixavam a cueca quadriculada à mostra.

Draco estava chocado. Como exatamente ele pulara toda a segurança e subira um andar para chegar à varanda dele? Harry acenou novamente, e, acordando do estupor, o loiro levantou-se para abrir o caminho para o amigo.

"Está realmente um frio terrível lá fora!" Harry comentou rindo assim que pulou para dentro. E o vento que entrou com ele comprovou a sua frase.

"O que você está fazendo aqui, Potter?" Draco perguntou, cessando rapidamente qualquer corrente de ar.

"Ei. Feliz Natal!" Ele sorriu e puxou Draco para um estranho abraço do qual ele escapou rapidamente. "Vim trazer seu presente!"

"Presente? Como você sequer me encontrou?"

"Uma casa gigante com o nome Mansão Malfoy na frente. Acho difícil alguém não achar." Ele riu e estendeu o presente. "Abre."

"Potter, eu não comprei nada para você e eu não acho..."

"Cale a boca e abre." Ele sorriu grandioso.

Draco abriu a boca para rejeitar mais uma vez, porém Potter somente empurrou ainda mais o presente na direção dele, fazendo-o se chocar com sua barriga.

"Ok, pessoa pentelha." Draco comentou pegando o presente e indo sentar-se no sofá. A caixa era pequena e parcamente enfeitada com um papel vermelho com renas brincalhonas.

"Foi o namorado do meu padrinho que me mandou embrulhar." Ele comentou jogando-se ao seu lado, fingindo descaso.

Draco acenou e, sem se importar, abriu o pacote com um só puxão e, pela segunda vez no fim de semana, sentiu o queixo cair.

A caixa retangular e de madeira era aberta, e dentro dela cinco tons diferentes de tintas verdes para quadros repousavam intactos.

"Como... Como você sabia que eu pintava?" Draco o encarou surpreso e não pode deixar de olhar para as outras tintas que sua mãe comprara. Tinha mais de 36 cores e nenhum quadro pronto.

"Você está sempre desenhando por aí." Ele comentou como se fosse óbvio e se esticou para analisar as outras cores, parecendo ficar feliz por não ver nenhuma repetida.

"Eu tô sempre desenhando, mas nunca pintei, Potter."

"Nunca?" Ele pareceu ficar surpreso, então encarou o quadro. "E isso?"

"Acabei de ganhar da minha mãe."

"Ah..."

"Você supôs que eu pintava?"

"Na verdade, foi o Blaise." Ele comentou e, diante do olhar curioso do loiro, sorriu. "Eu fui perguntar para ele o que deveria te dar de presente, e ele comentou que você sempre foi apaixonado por quadros e desenhos. Ele tinha quase certeza que você tinha feito um curso de pintura quando era criança."

"Aí você resolveu arriscar e comprou somente tinta de cor verde?"

"Eu fui na loja e perguntei que tipos de cores poderiam ser usadas para pintar a cor dos meus olhos."

"Por que eu iria pintar os seus olhos, Potter?" Mesmo a sua voz estando indiferente, seu coração não foi capaz de segurar uma batida mais rápida.

"Ah, Draco, eu sou seu amigo. Eu sei que você adora desenhar todo mundo o tempo todo." Ele sorriu. "Só queria ser mantido como seu favorito na pintura a óleo."

"Então você compra todas as cores verdes do mercado."

"Imaginei que preto e vermelho você teria."

"Vermelho?"

"Minha cor favorita."

"Ah... Você é ridículo, Potter." Porém Draco riu.

"Se quiser eu posso posar para você."

"Você não presta, Potter. Agora me diz, como você conseguiu chegar na minha janela?"

"Longa história."

"Me conte então, Potter."

"Seu muro é alto, mas tem aquelas plantas grudadas que fica fácil de escalar. Parei minha moto na entrada e vim até aqui andando. Só subi nessa varanda por acaso."

"E por que você tava me caçando?"

"Não estava te caçando. Só queria te ver, entregar seu presente, essas coisas."

"Hm. Potter, você sabe que não pode ficar vindo aqui o tempo todo, né?" Draco comentou, tentando ser educado. "Meu pai te mataria."

"Seu pai me conhece?"

"Meu pai sempre sabe de todos que estão perto de mim. E, antes que você pergunte, ele te considera uma péssima influência."

"É, as pessoas tendem a sentir isso perto de mim."

"Então, por favor, me avise a próxima vez que quiser invadir minha casa."

"Não se preocupe, já terei que ir." Harry comentou sorridente, se erguendo.

"Já?"

"Eu iria sugerir servir de modelo para você, mas, sabe, lugares a ir, pessoas a conhecer." Ele sorriu e se dirigiu para a porta de vidro.

"Você nunca pára quieto?" Draco perguntou, vendo ele abrir a porta.

"Não se eu puder evitar." Ele deu uma breve piscada com um olho e então se virou e partiu, descendo pela lateral.

Draco ficou tentado em se levantar e tentar descobrir como o menino tinha feito para subir um andar, mas resistiu ao impulso, sentindo que pareceria muito mais apaixonado do que curioso. Então, manteve-se sentando, desviando sua atenção para o quadro e, antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, a imagem do que queria exatamente desenhar surgiu em sua mente, e ele correu para satisfazê-la.

o.o.o.o.o.o..o.o.o.o..o.o.o

Narcisa retornou da viagem antes do esperado, e Draco agradeceu aos céus por ter tido a idéia logo. No dia 26 de dezembro, o loiro a presenteou com um maravilhoso, porém ainda um pouco tosco, quadro. Nele se via o desenho de dois garotos sentados em uma cadeira à beira do lago. O primeiro, loiro, era claramente visível, e Draco imaginou que a mãe ficaria feliz por ganhar um retrato do filho. O outro, porém, apesar de ter cabelos escuros, estava escondido em suas sombras, deixando somente um cigarro entre seus dedos visível.

Ela ficou mais do que feliz em ganhá-lo e incentivou prontamente o filho a continuar seu trabalho. Draco não hesitou quanto a isso.

Tinha adorado a diferença da tinta, a delicadeza com a qual o carvão fluía na tela para se fazer um esboço e da necessidade da concentração e perfeccionismo para os detalhes. Adorou também o presente de Potter, que se fez necessário quando, prometendo para si mesmo esconder o quadro depois, pintou seu rosto sorridente com o cigarro entre os lábios. Notou-se rabiscando vários quadros, não necessariamente com Potter como tema principal, mas sempre com pessoas nas suas mais variadas maneiras.

Fora obrigado, porém, com a volta de seus pais, a ir atrás do estágio de Riddle, portanto começara a acordar às oito da manhã e somente voltar para casa às quatro da tarde. Então, suas pinturas eram criadas de maneira lenta.

Na terça-feira, dia 27, apareceu para o trabalho pela primeira vez e novamente pôde se deixar sorrir quando notou que Riddle estava muito ocupado para ele, deixando as indicações necessárias serem repassadas por Bellatrix, tia de Draco e assessora particular. Seu trabalho consistia basicamente em fazer os cálculos de doação e despesas da campanha e atender ao telefone. Ele sentia-se agradecido pelo trabalho, mesmo sabendo que Riddle deveria estar pagando uma firma para fazer isso.

Draco passou uma semana trabalhando em silêncio, quando se surpreendeu com o telefonema de Potter.

"Vamos todos sair, hoje à noite." A voz animada de Potter o fez se afastar dos papéis e esfregar os olhos, cansado.

"Quem são todos?"

"Ahh, os meninos. Rony, Dean, Seamus, Blaise. O de sempre."

"Ah, Potter, não tenho interesse em sair hoje."

"Você não tem interesse em sair nunca." Potter disse rindo. "Eu conversei com Blaise, parece que teremos uma pequena festa de recepção nesse sábado em Hogwarts e, dessa vez, estamos dispostos a te convencer."

"Eu não gosto dessas coisas, Potter."

"Hoje iremos num barzinho." Ele continuou como se não tivesse sido interrompido. "Só conversar, desejar feliz ano novo. Coisa simples."

"Eu não bebo, Potter, e não desejo ficar vendo todos vocês bêbados enchendo o meu saco."

"Ahhh, pare de ser chato. Normalmente só eu fico bêbado."

"E enchendo o meu saco."

"Achei que fazia isso sem precisar estar bêbado."

"Você diz a verdade." Draco comentou segurando a risada em sua voz. Nunca deixaria que Harry percebesse o quanto um pouco de atenção lhe deixava feliz.

"E aí, você pintou um quadro pra mim?"

"Óbvio que não. Não fui pago para fazer nada."

"É, tanto faz. Vou invadir sua casa e tentar descobrir de qualquer jeito."

"Nunca ouse fazer isso." Draco disse fingindo ferocidade.

"Humm. Parece que temos coisas escondidas, né?"

"Cale a boca."

"Então, posso contar com você hoje à noite?"

"Potter..."

"Por favor. Eu juro que não fico assim tão bêbado."

"Pedido impossível para alguém como você."

"Prometo que não bebo nada, se você aparecer. Para te fazer companhia."

"Quem você quer enganar?"

"Eu juro!"

"Pode ser, ok?" Draco disse sorrindo. Talvez estivesse na hora de ceder em alguma coisa. Ficar perto de Harry por uma noite não destruiria o trabalho de uma vida inteira de assexualidade. "Não te garanto nada, vou conversar com minha mãe, ver o que rola."

"Isso já é uma grande vitória!" Harry riu animado. "Ok, iremos no Três Vassouras às oito. Só vou ficar sóbrio por uma hora, então apareça logo."

"Achei que você iria ficar sóbrio para me acompanhar."

"Só se você aparecer. Eu já te avisei." Ele riu e, com uma breve despedida, desligou, deixando um sorridente Draco.

Potter era um mistério total para ele. Não somente muito animado, como o único capaz de fazê-lo sorrir.

"Pensando em sair hoje?" Uma voz fria o fez dar um pulo assustado e erguer o rosto para a porta, onde Riddle estava escorado, com um sorriso maligno.

"Não exatamente." Draco comentou rápido, voltando a atenção para as folhas.

"E quem era esse? Potter?" Ele perguntou falsamente inocente.

"Um amigo do colégio."

"Harry Potter." Riddle disse, e o barulho da porta da sala se fechando deixou Draco tenso.

"Você o conhece, então."

"Eu sei de muita coisa, Draco. Se é isso que você está se perguntando." A voz dele se aproximou, e o loiro pode sentir o calor do homem logo atrás dele. "Agora, você vai realmente sair com esse tipo de gente?"

"Claro que não, Riddle." Draco disse rápido e sentiu a mão do homem pousar em seu ombro.

"Espero que você não esteja mentindo para mim." Riddle comentou, e então a respiração do loiro foi interrompida; aquela mão fria desceu prontamente pelo seu peito. "Você sabe que eu odeio quando você mente para mim."

"Eu não me atreveria, Riddle." Draco disse largando o lápis. Conhecia bem a situação e sabia exatamente como agir.

"Vire-se, Draco." A ordem do homem foi clara, e ele não pôde fazer nada.

Seus movimentos tornaram-se automáticos, e, dentro de si, ele desligou-se completamente de si mesmo, de suas emoções. Era fácil para quem tinha feito aquilo por tanto tempo.

A cadeira rodou, e Draco esteve de cara com aquilo que menos apreciava. Riddle não se importava, nunca se importou, simplesmente segurou seus cabelos com força e fez o loiro tomá-lo com a boca. Fechou os olhos, segurando as lágrimas, e repetiu em sua mente que nada que acontecia naquela sala era importante.

Estremeceu mesmo assim e foi posto em pé para encarar aqueles frios olhos verdes. "Algum problema, Draco?" Ele perguntou baixo. O loiro somente acenou com a cabeça, negando, mesmo sentindo aquela terrível vontade de gritar.

Riddle riu e, então, empurrou Draco contra a mesa, de costas para ele. E a única coisa que o loiro pôde fazer foi fechar os olhos e rezar para um Deus que ele não acreditava.

Sentiu suas calças serem arrastadas para o chão, e então as mãos de Riddle o alcançaram o preparando de uma forma que sempre o enojava. E quando Riddle o invadiu, Draco só pode segurar a respiração e esperar pelo fim.

Os gemidos o fizeram morder a língua, e, para a felicidade de Draco, ele não demorou em terminar.

O loiro travou, sentindo a respiração pesada e desesperadora de Riddle em seus ombros, aquelas mãos nojentas segurando sua cintura, e então estava tudo acabado. O homem saiu de perto, liberando-o daquele contato, e Draco o ouviu ajeitando suas calças rapidamente.

"Não quero ser obrigado a ter uma briga com você." O homem comentou como se nada tivesse acontecido. Draco subia as calças meio lento, sentindo as pernas vacilarem pela dor. "Não quero lhe ver saindo com tipos que nem esse tal de Harry Potter. Não quero que você e esse comportamento julgável tornem a minha campanha um erro."

Riddle somente o encarou uma última vez, esperando pelo aceno de concordância do loiro, e então se virou, saindo.

"Te espero amanhã cedo." Ele disse encarando-o sobre a porta e então sumindo.

Draco tentou relaxar o corpo. Pediu para si mesmo que mantivesse a calma e a frieza que fora criado para ter, mas, em sua mente, a única coisa que foi capaz de sentir era o tormento e o nojo pelo trabalho e por aquilo que tinha se tornado.


N.A. Me desculpem muito o atraso, mas vocês podem ver como esse chappie me cansou terrivelmente. Draco lindo sofre, sim, mas agora vocês entendem porque! Eu juro que tudo tem um motivo, e que mesmo Riddle sendo um filha da puta desgraçado, ele tera o que merece.

Agora, o mais interessante, é que eu tenho aula amanha, e novamente to aqui postando só para vocês! Entao, sorry, não agradecerei a todos particularmente, mas ainda, sim, sintam-se muito amados! E espero realmente uma grande quantidade de reviews eiin!

Beijos a todos.

N/B: Ai, gente. Que dó do Draco. Mesmo. Não tenho muito o que falar sobre isso, fiquei triste. Mas quem já sabia/desconfiava que isso acontecia? Tô louca pra saber.

E a Narcisa, hein? Vocês não amam ela? "Ou melhor, eu espero que um deles esteja realmente te distraindo." HAHAHA ADOREI!

Certo, comentem bastante. Acho que a Nath querida merece por finalmente nos revelar o grande mistério do Riddle, né?

Beijinhos