Verdade ou desafio
Harry Potter é somente mais um adolescente problemático com vicio em drogas, porem quando ele encontra com Draco Malfoy, no dormitório da faculdade, sua curiosidade o leva a procurá-lo. Problema sempre atrai mais problema.
Atenção: Essa é uma fanfic não-magica, ou seja nossos queridos personagens de Harry Potter são seres humanos comuns, simples troxas!
Atenção 2: Se você é incapaz de lidar com grandes emoções, não aconselho a leitura desta. Afinal, alem de relacionamento homem com homem, essa fanfic oferece também tremendas doses de tristeza, depressão, drogas, sexo fácil, abusos, e desespero pessoal.
Capítulo 11
Diante dos olhos de Harry, uma cena muito absurda se desenvolvia a cada segundo; vira Draco sair daquele banheiro, com os olhos tão claramente dilatados e afetados. Era impossível rejeitar aquela verdade, e, não somente contente com isso, o loiro pareceu fazer ainda mais questão de chocá-lo.
Com um sorriso falso ele tinha se retirado do banheiro rapidamente, juntando-se a um grupo de pessoas, deixando Harry com uma cara de assustado.
"Harry..." Gina tinha se aproximado com um tom de voz meigo, mas os olhos dele foram incapazes de deixar a cabeça loira. "Ei, Harryzinho."
"Cai fora, ruiva." Pansy gritara, agarrando o braço do moreno e finalmente o fazendo desviar seu olhar. "Se você continuar encarando ele, vai fazer um buraco no cérebro."
"Pansy." Harry sentia-se confuso, delicadamente chocado. "Draco... Ele estava no banheiro..."
"Sim, eu sei." Ela concordou, o puxando para o meio da festa. "Ele faz isso de vez em quando, quando está... confuso."
"E você deixa?"
"Harryzinho." Ela o chamou zoando o tom de voz que Gina tinha usado. "Ele é um adulto, com completos 22 anos. Você acha que eu tenho alguma voz?"
"Você é a melhor amiga dele."
"E você deveria tentar ser um pouco mais como eu." Ela sorriu, puxando-o até o resto do grupo, que conversava animado. "Deixa ele."
Harry não podia entender como tudo aquilo se tornara assim tão... confuso. Pansy pareceu não se importar, se virando para conversar com o resto do grupo, mas o moreno não se sentia assim tão desapegado.
Draco estava lá, no centro da boate, um sorriso falso e imenso, enquanto conversava com dois meninos gigantes. Meninas o encaravam, e ele parecia tão... seguro de si e diferente.
Gina voltou a se aproximar, parecendo querer chamar atenção do moreno, sem conseguir, porém, um só olhar diferente. Harry tinha se concentrado totalmente em Seamus e Dean, tentando fazer uma estranha história de família se tornar o foco que precisava.
Em algum momento, sua festa tinha se transformado em um inferno total, com a ruiva reclamando e tentando o puxar para algum lugar escuro, enquanto Pansy e Hermione com frequência o chamavam para o lado contrário. Rony e Blaise desapareceram uma meia hora depois, com a desculpa de estarem criando a ideia do ano, e Draco logo entrou uma segunda vez no banheiro, voltando com uma confiança renovada.
Aquilo estava matando Harry, e o único motivo de não ter saído correndo exigindo satisfações fora o desespero de Pansy em segurá-lo todas as vezes. Aquelas luzes coloridas estavam longe de o animarem da forma que sempre fizeram. A música parecia irritante e repetitiva, e nem mesmo as quatro doses de tequila, misturados com copos de vodka e suco, o animaram.
Desesperado por distração, correra até o banheiro, encontrando-se com um extremamente alterado Cedric, que não precisou de nem ao menos duas palavras para ser arrastado para uma das cabines.
O barulho, o álcool e a boca curiosamente experiente de Cedric conseguiram acalmar sua mente, fazendo um pouco da tensão e do aperto dentro da calça diminuir. E, quando finalmente saiu do banheiro, uma Pansy Parkinson alcoolizada o esperava na porta.
"Deus, você não perdoa ninguém!" A garota comentou sorrindo, vendo os dois fingirem não se conhecer.
"Eu não estou fazendo nada de errado, ok!"
"Não posso me importar menos, Potter." Ela disse em um tom azedo quando ouviu a reprimenda dele; Curiosamente, o mesmo tom que Draco tanto usava. "Estava esperando você só para avisar que estão todos indo embora. Vamos para o seu quarto beber."
"Ah... Eu vou..." Harry hesitou, se virando para encarar Cedric, ainda parado ao seu lado.
"Ok, Diggory, vaza." Pansy somente acenou com a cabeça, os olhos queimando com um ódio incomum, e ela esperou até estar sozinha com Harry para se virar e continuar. "Eu vou dizer isso somente uma vez e espero que você escute e decore cada palavra. Eu sei o que você aprontou com Draco, e espero que você nunca mais o faça. Eu não quero você enchendo o saco dele ou voltando a persegui-lo, e, se eu sequer sonhar que você tá aprontando de novo, eu te mato. Entendido?"
"Mas, Pansy..." Ele começou e sentiu todo o seu ar sumir quando uma mão, firme e certeira, o agarrou pelas bolas.
"Você quer manter o seu parquinho de diversões, e eu quero manter Draco são. Vou repetir, estamos entendidos?" Ela perguntou novamente, apertando levemente, e só soltando quando o moreno acenou com a cabeça nervoso. "Muito bem." Ela aceitou, encarando suas unhas, e Harry engoliu em seco diante das unhas finas e compridas. "Eu quero o Draco em paz, então por que você não pega aquele seu... amiguinho e some para o quarto dele?" Ela perguntou, parecendo na verdade dizer o que queria que ele fizesse, e, com um último sorriso, foi embora.
Harry somente pôde encarar surpreso, ainda preso contra a parede, quando ela simplesmente sorriu, acenando para vários amigos como se ameaçar arrancar as bolas de outra pessoa fosse algo comum, e, temendo que ela realmente pudesse fazer isso, decidiu por seguir suas palavras.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.
Draco se ergueu com uma preguiça incomum, sentindo todo o seu corpo implorar para que ficasse o dia inteiro na cama, mas se forçou a levantar. Com cuidado e estralando seu corpo inteiro, caminhou até o banheiro, notando que muitas das cortinas nas camas estavam completamente fechadas, deixando claro que a festinha fora bem mais pesada.
A água quente o acordou, fazendo os leves vestígios de tontura e ressaca escorrerem pelo ralo, enquanto ele se vestia como um novo homem. Tinha voltado da festa da faculdade já na madrugada e encontrara todos os seus colegas de quarto meio caídos pelo chão, rindo e gritando enquanto viravam mais doses diferentes de uísque, e, já afetado pelo seu próprio estado, tinha se juntado a eles, acabando desmaiando no chão do quarto. Sábado tinha passado como uma tortura bem lenta, enquanto sua cabeça e coluna reclamavam de um costume perdido. E, quando seus amigos voltaram de algum tipo de festa na madrugada, Draco acabara se vendo preso em outro jogo de shots e capotando ainda mais bêbado que o possível.
Somente no domingo à tarde é que a falta de uma única pessoa no quarto e nas festas foi notado, e, ciente de como isso pareceria muito estranho, preferiu ficar quieto sobre o assunto. Se lembrava vagamente de adquirir coragem por meios ilícitos e então sair, dando de cara com o menino, com uma conversa sobre ele estar ocupado dando em cima de uma Weasley rodando em sua mente.
Era fácil, Draco tinha notado, fácil continuar com a farsa e as piadas, enquanto Potter não aparecia. Ele podia mentir e ele sabia que ninguém descobriria. Sabia também que podia dormir em paz, e comer, e desenhar, e tantas outras atividades tão comuns que ele nem se lembrava de fazer. O garoto tinha atrapalhado sua recuperação, isso era um fato. Depois de um semestre comum e aquele estúpido ataque de Riddle, ele tinha surtado: tinha tomado mais remédios do que deveria e culpado todos à sua volta pelo seu destino, e alguém tinha ido na dele e ajudado ele a surtar ainda mais rápido com teorias estúpidas de que, de alguma forma, ele pudesse ter algum controle sobre si mesmo.
Isso não existia no seu mundo, pensou Draco, enquanto voltava pra cama com calma. Pelo contrário, tinha que estudar, terminar a faculdade e abrir as pernas por quanto tempo fosse necessário, tinha que ficar quieto, e ser um bom filho, e não ficar correndo atrás de problemas na sua vida, correndo atrás de Potter.
Agarrou com calma seus cadernos e saiu do quarto, não se importando em caminhar lentamente pela faculdade. Aproveitou o café da manhã com paz e silêncio à sua volta, agradecendo aos céus por terem lhe enviado um pouco de sanidade. Quem se importava com prazer pessoal quando se tinha tantas outras coisas para fazer, tanto a atingir em tão pouco tempo. E, para isso, necessitava dessa estabilidade, de correr atrás de aulas e estudar tardes inteiras, não se importando com os outros.
Sem resistir a um breve sorriso, porém, Draco entrou na sala do padrinho, esperando conversar com ele, como todo o começo de semestre, sobre créditos extras para seu curso. O que realmente não esperava era dar de cara com um cabelo loiro, horrivelmente parecido com o seu.
"Pai?" Ele chamou por Lucius, atraindo a atenção do homem. Ele estava sentado em uma cadeira de estudante, logo ao lado da mesa de Snape. Seu olhar parecia irritado e impaciente como sempre, mas foi o olhar desconfortável do padrinho que entregou o problema.
"Oh, vejo que resolveu voltar às aulas depois das...festas." Lucius falou com desprezo, levantando-se como se estivesse com pressa.
"Festa de recepção do semestre, nada a ver com o meu currículo da faculdade." Draco disse, sabendo que milhões de fotos dele tinham sido estampadas no Santo Salazar. Um ato de certa rebeldia que ele calculadamente resolvera ter para irritar o pai, que o abandonara junto com a mãe no meio de Palermo, uma pequena província na Itália.
"Eu realmente espero que isso seja verdade; não gasto milhões nessa faculdade para criar um boêmio."
"Lucius." Snape chamou sua atenção, visivelmente desconfortável com os dois se utilizarem de sua sala como local de discussão.
"Sim, sim, Severus. Não vim aqui para lembrar meu filho sobre como estudar e sim para conversar com ele sobre outra oportunidade."
"Oportunidade?" Draco perguntou, sentindo o corpo arrepiar.
"Bem, como você sabe, nosso candidato, Tom Riddle, foi devidamente eleito para o parlamento britânico." ¹
"Sim, foi quando você saiu da cama da mamãe para correr direto até ele."
"Definitivamente não esperávamos uma vitória tão rápida, mas como você pode constatar, temos outros problemas à frente." Ele continuou, parecendo meio irritado. "Riddle está, porém, em um partido...pequeno, e precisamos de muito esforço para conseguir que esse país finalmente seja liderado por um verdadeiro homem."
"Sim, senhor." Draco concordou, sentindo como seu pai parecia louco com o discurso.
"Bom, conversei com Riddle, obviamente, e te consegui um estágio."
"Como?" Ele perguntou incerto, sentindo o coração parar.
"Riddle precisa com certa urgência de uma pessoa capaz, com conhecimento de leis, para ser seu Assistente Pessoal."
"Ele trabalha em Londres agora."
"Menos de 20 minutos daqui."
"Eu tenho aulas."
"Nos períodos matutinos e noturnos, somente. Já conversei com seu diretor e fiquei sabendo que os estágios do colégio são oferecidos entre às 13h às 18h."
"Estágios dentro da faculdade."
"E para quê ficarmos enrolando, quando seu trabalho é certamente fora dele?" Ele perguntou incisivo e franziu o rosto. "Estou sentindo muita má vontade para um trabalho."
"Só...confusão." Draco apressou-se em corrigi-lo. "Normalmente Dumbledore não permite essas coisas."
"Aquele velho louco não poderia nem sonhar em me negar isso, sou o maior contribuinte daqui, assim como Riddle." Ele remexeu no bolso interno do terno, tirando um papel perfeitamente dobrado. "Como pensamos recentemente na ideia, conversei com seu diretor e o professor responsável pelos estágios, aquele velho estranho e maluco."
"Slughorn."
"Discutimos tudo, e fui atrás de um carro, para você poder ir até Londres." Ele entregou o papel parecendo apressado. "Esse é o documento da compra, você poderá pegá-lo na concessionária quinta-feira. Riddle te esperará na segunda."
"Eu não..."
"Não se atreva a negar." Lucius disse mal humorado. "Tive muito trabalho nesse estágio e espero que você se mostre agradecido a Riddle."
"Sim, senhor." Draco concordou, sabendo que seu fim estava certamente escrito.
"Riddle te ligara até o fim de semana, para te passar o endereço. Tenho que ir, tenho uma reunião agora às oito e meia." Ele fingiu sorrir como despedida, apertando a mão de Snape e a do filho, e fugiu o mais rápido que pôde.
"Qual o carro que você ganhou?" Snape perguntou, quando sozinhos, sem real interesse.
"Mercedes, classe E, coupé." Ele leu o recibo.
"Um bom carro, rápido." O padrinho concordou calmo. "Você queria algo comigo nesse horário?"
"Como?"
"Você veio aqui para me perguntar algo, não?"
"Sim. Mas meio que já não importa mais." Draco forçou o sorriso, sabendo que os anos de prática ainda o tornavam capaz de mentir muito bem, e, com um último aceno cansado, se virou, voltando para o corredor de Hogwarts e ao encontro de seu destino.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
A semana passou com uma lentidão irritante para Harry. Depois de ter suas bolas devidamente ameaçadas por uma garota que ele achava ser sua amiga, tinha passado a noite no quarto de Cedric, e a noite seguinte no de Terence Higgs, um garoto que ele conheceu na mesma boate, e, quando não sabia mais aonde ir, tinha dormido na Sala de TV do complexo.
Suas tentativas de fugir de Draco e de Pansy tinham funcionado, pelo menos até segunda de manhã, quando, sentido dores terríveis nas costas e um mau humor incrível, tinha desistido. Era impossível manter-se afastado, essa era a verdade, ainda mais depois de ver como Draco tinha agido na festa, tão louco e irresponsável.
Só de pensar no loiro seu coração apertava, o assustando. Sabia que tinha se conectado muito com ele com o passar do tempo, mas, diferente do que seu peito dizia, sabia também que só tinha interesse puramente sexual nele. Harry não era do tipo que se apaixonava ou vivia com uma pessoa para todo o sempre. Pelo contrário, ele era louco, rebelde, definitivamente não o tipo de pessoa que acharia um parceiro.
E Draco, ele complicava tudo, ainda mais quando se lembrava da forma como ele se esquivara de seus beijos. Era irritante ter na memória aquele sexo maravilhoso e nenhum beijo. O toque mais simples e sensual, que Draco não permitira.
Harry tinha voltado para o quarto no fim das contas, mas se surpreendeu que não precisava de nenhum esforço para fugir de Draco: ele fazia isso por conta própria. E, quando perguntou para os colegas, acabou descobrindo que o menino agora fazia estágio em Londres, dentro do Parlamento, para um recém eleito Tom Riddle. Como se ter dez matérias no currículo já não complicasse e muito o seu tempo.
Aparentemente, Draco agora se esforçava tanto, que até as poucas aulas de sábado tinham sua presença, quase como se ele tivesse desesperado para o fim da faculdade. Harry não entendia aquilo, aquela necessidade de pegar todas as matérias existentes na faculdade, inclusive aquelas que eram optativas.
Infelizmente, porém, não podia fazer comentários sobre isso; afinal, Pansy lhe dera um único aviso, não se meter mais com Draco, e era isso que ele faria. O loiro era problema, ele tinha chegado a essa conclusão quando o fim de semana chegou, muito problema e pouco ganho. E, ainda sentindo seu peito se contrair, tornou desse o seu mantra contra Draco Malfoy.
Se continuasse repetindo, talvez deixasse de estremecer todas as vezes que ouvia a porta do quarto se abrindo durante a noite, com uma esperança estúpida de que talvez fosse Draco e de que talvez ele viesse atrás dele.
Tinha fugido na sexta à noite, desesperado por deixar a mente muito anuviada, incapaz de manter o pensamento certo e coeso. Assim era bem melhor, ele se lembrava, bem mais fácil de manter uma vida de merda. Seus anos com os Dursleys eram assim, a confusão da vida que tinha era toda apagada naquele momento, e, por uma hora, Harry era um ser humano comum, livre, capaz de qualquer coisa, com qualquer futuro. E ele gostava disso, de deixar a mente longe.
A balada de sexta fora comum a seu ver: tinha bebido muito e acabara, para variar, em um quarto estranho fora de Hogwarts. Sem saber exatamente o que fazer e não encontrando ninguém à sua volta, tinha sumido rapidamente, ido correndo para os fundos do dormitório, afundando em algumas gramas de maconha.
Estava tão concentrado em fumar e deixar a mente acalmar para poder se lembrar da noite anterior, que quase deu um grito quando uma cabeça vermelha se colocou à sua frente.
"Tá acordado?"
"Puta merda, Rony, você me mata do coração." Ele comentou, colocando a mão no peito, assustado.
"Eu notei que você tava longe, sabe, você não me respondia."
"Eu não ouvi você." Harry olhou à sua volta. Tinha sentado nos fundos do dormitório masculino, entre a parede e o lago, o que lhe dava pouco mais de cinco metros de espaço livre para se esconder.
"É, bom, você deve estar fumando aqui por horas, então..."
"Isso não me torna surdo. E você?" Harry perguntou, vendo o amigo se acomodar ao seu lado, parecendo que ia ficar.
"Fugindo de Hermione." Ele apontou para o dormitório feminino, do qual se via somente metade.
"Não me parece muito esperto. Por quê?"
"Ela está infernal ultimamente. Tudo o que fala o dia inteiro é sobre as escolhas de estágio."
"Estágio?"
"Temos que pegar um esse semestre, Harry. Obrigatório e acompanhado por algum professor."
"Ahh, bem que eu ouvi algum comentário do gênero."
"É. Nós de Direito não temos muitas áreas, para ser bem honesto, somente o presídio da cidade, para acompanhar casos, e Nuprajur, que é mais aconselhamento."
"Parece chato. Todos nós somos obrigados mesmo?"
"Com certeza. Hermione conseguiu uma das vagas no conselho da cidade, o melhor, Dean e Seamus pegaram aconselhamento de empresa, que fica aqui mesmo, e Blaise pegou administração da faculdade."
"E você está em dúvida?"
"Eu quero presídio, Hermione diz que Nuprajur dá mais futuro, esse tipo de problema."
"Parece complicado."
"Bem mais do que você acha." Rony comentou sorrindo. "Então, quer me contar o que tá acontecendo?" Ele se virou para encará-lo com certeza. "E nem adianta mentir."
"Não tem nem como eu mentir. Só existe uma pessoa de quem eu poderia estar fugindo."
"Você e Draco brigaram, para variar."
"Pansy pegou nas minhas bolas." E Harry não pode deixar de sorrir quando Rony quase se engasgou. "E me ameaçou."
"Ela te ameaçou com a mão nas suas bolas?"
"Sim. Foi a coisa mais assustadora da face da Terra." Harry disse honestamente.
"Deus, e como deve ser..." O ruivo se arrepiou. "Aquelas unhas."
"São mortais!" Harry concordou, feliz que mais alguém tinha notado aquilo.
"Mas, por que ela fez isso?"
"Eu... Talvez eu tenha feito uma caca."
"Caca? Essa é a palavra?" Rony esperou confirmação antes de continuar "Deixa eu adivinhar, você contou que estava louco por ele? Beijou ele?"
"Draco e eu fizemos sexo." Aquilo pareceu calar o ruivo, que somente se virou, a boca abrindo e fechando numa estranha tentativa de fazer sua voz sair. "Eu meio que desafiei ele, tentei seduzi-lo, e funcionou."
"Ok..." Rony disse com calma, como se recuperasse a voz, mas não a sanidade. "Não querendo saber dos detalhes... Mas tem algo que eu deveria saber?"
"Meio que... Sei lá, foi maravilhoso, sem querer entrar em detalhes." Ele adicionou no fim, vendo Rony se remexer desconfortável. "Mas... Ele não me beijou e não me deixou beijá-lo de maneira alguma, ficou reclamando quando eu tentei. E, depois, foi só terminar para ele se levantar correndo e fugir."
"Quando isso aconteceu?"
"Fim do semestre passado. Depois ele passou a me evitar e passar o dia estudando, e então, quando eu achei que finalmente poderia invadir a casa dele, forçar uma conversa, sei lá, ele me foge para a Itália."
"E você ficou quieto, só olhando para ele de longe, com esse maldito segredo?"
"Segredo?" Uma terceira voz chamou a atenção dos dois, que se surpreenderam ao ver um Blaise descolado, com óculos de sol escuríssimos e um Ovolmatine em mãos.
"Acho que cheguei na hora exata."
"E eu achando que esse lugar era o melhor esconderijo..." Harry comentou, sem se dar ao trabalho de se afastar para Blaise se sentar.
"Há. Piada." Blaise fingiu rir, jogando-se ao lado de Rony, inabalável. "Todos sabem desse lugar. Aliás, Hermione disse que você vai ter que enfrentar ela em algum momento."
"Ó deus, não me diga que ela mandou você vir aqui para me ameaçar também..."
"Não, bati com ela no corredor, aparentemente o nosso quarto foi inutilizado por um casal homossexual eufórico por sexo, então ela pediu para enviar o aviso."
"Dean e Seamus estão fazendo sexo barulhento de novo?"
"Sempre estão." Blaise riu, porém se virou para encarar Harry. "Então... Segredo...?"
"Eu meio que acho que você vai me matar por isso."
"Ow. Você esta falando do sexo com o Malfoy?"
"Você sabe?" Harry perguntou surpreso.
"Eu meio que tô sempre com a Pansy. Ela me contou e me disse que você tem bolas deliciosas de serem destruídas, não me pergunte o que isso significa."
"Deus, o que eu fiz de errado!"
"Se tornou obcecado pelo Malfoy, para começar." Rony disse como se fosse óbvio.
"Eu não... Eu não entendo o que acontece! Draco parece desesperado por alguma coisa, e quando eu faço o movimento, quando eu me interesso por ele, de repente eu sou o errado."
"Draco é problema, cara." Blaise comentou.
"É óbvio que é problema! Mas eu queria, sei lá, ajudar." Harry soltou todo o ar, frustrado, finalmente mostrando como realmente se sentia.
"Olha, cara, eu realmente não deveria estar contando isso pra você. E, pior ainda, para o Weasley." Blaise disse encarando o ruivo, porém hesitou um segundo antes de contar. "Eu adoro o Draco, me entenda, mas eu não sei o que vocês dois estão fazendo. Você fala como se amasse ele, e ele fala como se tudo que você quisesse é sexo."
"Ele fala sobre mim?"
"Pouco, Draco não é de falar, mas ele se sente frustrado com você..."
"Eu que deveria estar assim."
"Draco já tem problema demais na vida dele, Potter. Talvez seria melhor se afastar."
"Desde quando ser rico, inteligente e bonito é problema?" Rony comentou incerto, porém corando achou melhor adicionar logo em seguida. "Não que eu ache ele bonito."
"Olha, eu realmente espero que essa conversa fique entre nós. Mas Draco não tem essa vida mole que vocês acham."
"Aposto que Lucius deve espancar ele." Harry comentou, lembrando-se como o loiro parecia abalado no dia que ambos sofreram o acidente.
"Não, nunca. Mas a governanta faz por ele."
"Como?" Rony perguntou, roubando as palavras de Harry.
"Só entre a gente, né?" E Blaise esperou eles concordarem antes de continuar. "Eu cresci com o menino, e Lucius contratou essa governanta que era professora de etiquetas e era uma carrasca. Passava o dia inteiro chamando atenção dele e sempre batia nele quando ele errava. Na mão obviamente, para não ficar marca."
"E Narcisa concordou com isso?"
"Outro problema, os Malfoys fizeram questão de manter a sete chaves, mas Narcisa teve câncer logo quando Draco nasceu, e passou uns bons cinco anos deitada na cama, com dores, e depois cansaço do tratamento e depressão. Foi complicado, então ele não tinha muito em quem confiar, nem mesmo em mim e em Pansy, que sempre estávamos pertos."
"Nossa, eu não imagino Narcisa desanimada."
"Eu também não e, graças a Deus, nem me lembro direito." Blaise amassou o copo de isopor, parecendo estar longe. "Depois disso, quando a mãe dele melhorou, as coisas ficaram mais calmas, mas ainda certos ensinamentos não eram supervisionados. Aquela mulher era assustadora."
"Ok, sinto pena dele, mas como isso se torna uma desculpa para ele ficar fugindo de Harry?" Rony perguntou meio sem graça.
"Eu não estou dando desculpas, estou explicando o que eu sempre vi. Draco sempre foi fechado, quieto, talvez seja culpa da louca que gostava de espancar ele, talvez da própria personalidade. Só que, quando ele entrou no colegial, parece que meio que piorou; ele não fazia nada, falava somente com a gente, mantinha-se sério e longe."
"Nós achamos que era só timidez, mas..." - Blaise continuou - "bom, ele é bonito e atraía muita atenção de muita gente. Os caras sempre vinham oferecer cartões para convidar ele para ser modelo, as meninas do colégio passavam o dia inteiro perseguindo ele. E quando se tem quinze anos e se é tímido, as pessoas perdoam. Mas as coisas mudam bastante quando você tem dezessete e nenhum interesse romântico ou sexual."
"Malfoy nunca aproveitou a chance?" Rony perguntou, parecendo legitimamente interessado na história.
"Não. Ele carregou até as fofocas sobre a homossexualidade dele, simplesmente ficou quieto e deixou falar o que quiserem. Pansy não aguentou como ele e meio que aproveitou o fato do ex ter acabado de trair ela, para poder dar o troco e ajudar Draco. Isso pelo menos fez os rumores darem uma acalmada."
"O Malfoy já dormiu com a Parkinson?" O ruivo perguntou com certo nojo.
"Queira saber que eu durmo hoje com a Parkinson." Blaise o lembrou.
"Nada contra! Mas a cena do Malfoy com ela me deixa meio... sei lá."
"É. Eu também achei muito estranho no começo. Mas Pansy foi de boa, afinal, ela tava ajudando um amigo. Isso, e os remédios começarem a fazer efeito, foi o que fez ele ser um pouco mais normal no primeiro ano de faculdade."
"Espera. Remédios?" Rony perguntou se virando para Harry.
"Ele toma alguns." O moreno respondeu, vendo como até Blaise se virou surpreso.
"Eu pulei essa parte da história. Na verdade, Pansy foi à casa do Draco e lá, conversando com Narcisa, ela meio que ficou sabendo sobre os remédios. Foi quando ela entrou em desespero por querer ajudar. Me surpreende que você saiba, Potter..."
"Ele me contou."
"O que o Malfoy tem?"
"Se chama Transtorno de Borderline." Harry respondeu, vendo Blaise hesitar. "É um transtorno de personalidade, meio que deixa ele mais cansado e triste, isso sem contar possíveis alterações de humor, e impulsividade e mais uns dez problemas diferentes..."
"Você pesquisou." Blaise comentou surpreso.
"Eu queria ajudar..."
"Espera, ele não vai se matar por causa disso né?" Rony perguntou com medo.
"Não." Blaise disse categórico. "A médica dele disse que ele tem mais problema de rejeição, e, como ele sempre foi meio quieto, é um pouco difícil realmente notar a impulsividade... Não que eu deveria saber o que a médica dele realmente pensa."
"Nossa, isso definitivamente explica muita coisa."
"Que tipo de coisa?" Harry perguntou curioso.
"O tipo que envolve a outra parte da história." Blaise sorriu, parecendo divertido por estar contando. "Draco entrou no colégio com seus recém completados dezoito anos, ganhou um carro, caiu no mesmo quarto que Crabbe e Goyle e tinha uma imensa interrogação na cabeça sobre não ter sentido nada no sexo com Pansy."
"Ele não sente nada? Como não sente nada?" Harry perguntou, novamente lembrando da forma como o menino agira com ele, a falta de interesse que deixara clara.
"Ok, com perdão da forma que eu vou falar, mas colocar os documentos dele num buraco quente é obviamente bom, mas Draco disse que para ele não fazia diferença, ele não sonhava com isso à noite, e, quando a coisa ficava complicada, ficar só na mão não lhe diferenciava. Não é que ele não sinta absolutamente nada, mas é como se não chamasse a atenção dele de verdade."
"Dizer que ficar na mão é melhor que sexo é definitivamente absurdo."
"Com certeza, Weasley, mas... Ele estava assim. Então, ele começou a colocar quilos e mais quilos de cocaína dentro do corpo. Ia para as festas, tomava um monte, cheirava mais um monte e então sumia. Os meninos do quarto diziam que ele estava dormindo por aí, meio que espalhando rumores. Mas na verdade ele sempre acabava no meu quarto ou de Pansy, passando mal, vomitando, chorando. Terrível."
"Sério? Talvez eu tivesse acreditado um pouco nesses rumores." Rony comentou sem graça.
"Todos acreditaram. Foi numa dessas que ele pediu para mim...para ver se ele realmente era..."
"Espera! Você dormiu com ele também?" Rony gritou corando violentamente.
"Foi uma chupada, nada demais." Blaise disse, porém riu quando o ruivo desviou a cara. "Bom, de qualquer jeito, o primeiro ano foi um lixo para ele. E, quando chegou o Natal, ele meio que surtou. Foi trabalhar com Riddle na campanha estúpida, começou a evitar eu e a Pansy, passou a frequentar bares longe da cidade, onde sempre acabava bêbado e expulso. O que deveria servir para ajudar na sexualidade dele acabou só piorando, porque ele continuou sem se importar e então, para piorar tudo, ele começou a se meter em brigas de bar."
"Normalmente," - Blaise continuou - "por eu estar em volta, eu meio que conseguia salvar ele, mas quando entramos de férias mesmo, ele sumiu para Deus sabe onde e voltou com a boca cortada, as costelas machucadas e o olho roxo. Lucius quase matou ele, e a imprensa caiu em cima, já que todos os bares disseram que não tinham visto ele, e ele falava que tinha brigado em bar."
"Foi quando ele exigiu mudança de quarto."
"Sim, Weasley. Eu pedi para ficar num de seis e para ficar com ele, como ajuda, e os quartos foram resorteados, aproveitando que Seamus e Dean tiveram que trocar também por motivos idiotas."
"Então, todo esse tempo que eu tava achando que Draco estava ficando louco..." Harry começou, irritado.
"Ele só está voltando às raízes."
"E vocês vão deixar isso acontecer?"
"Não podemos fazer nada..."
"É óbvio que podem." Ele grunhiu. "E Pansy ainda me ameaça por estar tentando ajudar."
"Draco não precisa de ajuda. Ele precisa que você se decida e então fale com ele."
"Como?"
"Você precisa entrar em termos com você mesmo, descobrir o que você quer de Draco e só então correr atrás." Blaise disse sério.
"Eu quero ser amigo dele."
"Você é louco por ele, Harry. É impossível que você ainda esteja negando isso."
"Eu não posso negar o que não existe."
"Você é louco, apaixonado por ele e pretende convencer nós dois que é só uma amizade?"
"Eu não... Eu não sirvo para relacionamentos."
"Talvez você sirva para ele."
"Ou definitivamente eu não sirva para ele!"
"Potter. Você só fala dele, corre atrás dele e aposto que você fica com frio na barriga todas as vezes que você acha que vai ver ele."
"Eu não... Não..." Harry sentiu suas palavras se perderem ao se lembrar de como se sentira quando o vira ao longe na biblioteca. "Ele nunca teria nada comigo."
"Ok, você já aceitou definitivamente que você gosta de Draco?"
"Eu... Eu gosto dele. Ele é...brilhante. E eu... Droga! Odeio ficar falando essas coisas." Harry comentou corando.
"Quando você fala em voz alta, fica mais fácil de fazer sua timidez ou nervosismo ir embora. Foi assim que eu me convenci de que precisava namorar a Hermione."
"Acontece que eu não posso ficar namorando ou esperando que ele tenha algo assim por mim."
"Claro que você pode. Draco tem no mínimo um certo interesse por você." Blaise sorriu, o acalmando. "É meio problemático, mas um relacionamento entre vocês talvez...ajudasse. Ambos."
"Mas Pansy vai destruir minhas bolas, cara."
"Pansy só vai atrás de você com aquelas medonhas unhas, se você fizer algo para machucar Draco, tipo fazer sexo e então não correr atrás dele por mais."
"Novamente, ainda bem que eu não sou o único a notar as unhas da Pansy!" Rony comentou, parecendo curiosamente aliviado, e Harry não pode segurar o sorriso. "Eu não sei como você consegue, cara..."
"Assustadoras na vida real, maravilhosamente sexys na cama." Blaise comentou com um sorriso.
"AI! Eca!" Rony reclamou, enquanto batia no braço de um divertido Blaise. E, dessa vez, Harry não pôde deixar de pensar que talvez estivesse na hora de começar a lidar com a verdade e correr atrás do cara que, literalmente, o deixava louco.
¹ para maiores conhecimentos sobre o governo britânico ( que é muito complexo) segue o link.
pt . wikipedia wiki/ Reino_Unido#Administra.C3.A7.C3.B5es_nacionais_descentralizadas
N.A. Sim, enrolei muito, e me desculpem, mas pesquisar sobre todos os sistemas de governos, e sobre drogas e coisas do gênero tomou mais tempo do que a escrita em si. =D
Espero que tenham curtido o episodio, já que ele ficou muito grande precisei dividir em dois, mas eu juro que o próximo chegara mais rápido do que esse.
Obrigado a todos por lerem, e deixem review sobre a nova decisão de Harry. ;D
N.B. : Gente, milhões de desculpas. De todo esse tempo que vocês ficaram esperando por esse capítulo novinho, eu sou responsável por duas semanas de atraso. Sorry! :(
Bem, os planos da Nathy estão geniais; mal posso esperar. Então, vocês já sabem: comentem, comentem, comentem e torçam para que o próximo capítulo venha voando!
