Verdade ou desafio

Harry Potter é somente mais um adolescente problemático com vicio em drogas, porem quando ele encontra com Draco Malfoy, no dormitório da faculdade, sua curiosidade o leva a procurá-lo. Problema sempre atrai mais problema.

Atenção: Essa é uma fanfic não-magica, ou seja nossos queridos personagens de Harry Potter são seres humanos comuns, simples troxas!

Atenção 2: Se você é incapaz de lidar com grandes emoções, não aconselho a leitura desta. Afinal, alem de relacionamento homem com homem, essa fanfic oferece também tremendas doses de tristeza, depressão, drogas, sexo fácil, abusos, e desespero pessoal


Capítulo 12

Draco se sentia acabado. Inventar de fazer um estágio tão longe de seu quarto era algo absurdo e, ao mesmo tempo, obrigatório. Todos os dias ele acordava às sete, correndo para a aula, ainda molhado do banho. Seis tempos, divididos em aulas, professores e andares diferentes, tomavam sua manhã até meio dia e quarenta, e então novamente ele saía correndo, dessa vez dentro do carro novíssimo, até o centro de Londres, indo parar num gabinete de madeira escura e de estofados verdes e, para seu desespero, com uma mesa a pouquíssimos metros da de Tom Riddle.

Seu trabalho, sem contar atender telefonemas, era mínimo. Normalmente, só tinha que entregar coisas a outros gabinetes ou acompanhar Tom como um assessor particular. Não havia absolutamente nada de direito ali, e, mesmo quando roubava alguma pasta com alguma possível futura lei, ele tinha pouquíssimo tempo para ler, antes de ela ser tomada. Era irritante e entediante, mas pelo menos, com o local mais sério, Riddle também se tornara mais distante em seu tratamento. Raramente sequer lhe dirigia a palavra.

E quando finalmente se livrava de Londres, ainda era obrigado a correr para pegar as aulas que iam das sete até às onze. Seus desenhos e a sua alimentação eram coisas distantes em sua mente agora. Precisava se focar em prestar toda atenção possível no que era obrigado a fazer, afinal, estava definitivamente na sua reta final de faculdade. No ano seguinte, seria obrigado a apresentar uma monografia completa, e então o mundo real o esperava. Longe de Riddle, Potter, e qualquer outro nome que pudesse sonhar.

Ficar sem saber sobre a vida de Harry parecia, agora, algo que ele teria que se acostumar. Da forma como tinha contado para Pansy que aconteceria, fazer sexo com o menino tinha se tornado a única forma de afastá-lo, já que ultimamente Draco não o via nunca.

Quando fugira para a Itália junto com a mãe, tinha realmente acreditado que ali seria o fim de sua paz, e chegara a cogitar a ideia de desistir de tudo e ficar por lá mesmo, ainda mais quando um dos vários conhecidos famosos de Narcisa tinha o chamado para modelar para algumas fotos, dispostos a pagar milhões pelo que eles chamavam de beleza austera.

Era óbvio que não poderia fugir de seus problemas, e, quando sua mãe finalmente decidiu por dar encerrada sua viagem, curiosamente, a dois dias do início das aulas, Draco teve que engolir seu medo e voltar para Londres.

E agora, voltando para Hogwarts de mais uma tarde de trabalho, Draco curiosamente sentia-se tão assustado como no seu primeiro dia. Era fácil imaginar tantas milhares de maneiras de dar um fora em Harry se ele o perseguisse, mas era impossível fazer sua mente trabalhar do mesmo jeito quando aqueles olhos verdes o encaravam, e ele descobrira isso da pior forma.

Draco estacionou o carro, ainda se lembrando do encontro nebuloso que tivera na boate e o uso de coragem em pó que fora obrigado a caçar. Caminhou devagar até a entrada do dormitório, tão imerso em si mesmo, que não pode conter o grito quando uma cabeça ruiva chocou-se com ele logo na entrada do dormitório.

"Céus, eu não te vi, Malfoy." Rony comentou, pegando do chão as folhas que tinham voado das mãos do loiro. "Desculpa."

"Por que você esta correndo?" Draco perguntou, ciente de que estava mais amigável do que deveria, mas curiosamente com preguiça de ser mal educado.

"Hermione brigou comigo, esqueci uns livros no quarto."

"É sexta à noite, Weasley." Draco comentou, caminhando ao lado do ruivo com calma.

"Você normalmente tem aula todas as noites. Minha namorada prefere usar esse tempo para estudar." Ele comentou com um tom de voz que deixava claro que não achava nenhum dos dois normal.

"Eu tenho aula, porque eu tenho um estágio decente à tarde. Você deveria tentar descobrir o que é isso."

"Haha." Rony riu irônico, entrando no quarto primeiro. "Optar por estágio na prisão não me torna estranho; é um bom local."

"Aquela prostituta gritando pelas vinte libras do programa demonstra isso." Draco ironizou, lembrando uma das milhões de histórias que Blaise lhe contara.

"Ah..." Rony fez uma cara de nojo e, hesitando em pegar o livro, virou-se para o banheiro. "Nem me lembre. Mas ela ofereceu os serviços, se você estiver interessado, Malfoy."

E dessa vez o loiro não pôde segurar a risada, jogando as suas coisas na cômoda ao seu lado, preguiçoso demais para ajeitá-las. Talvez colocasse o pijama e simplesmente fosse deitar-se, sem se importar com as dezenas –

"PUTA MERDA. MALFOY!" O grito do ruivo o assustou, e, com certa pressa, foi até o banheiro, imaginando que aquilo fosse tudo uma piada.

"O que você está gritando... oh, meu deus." Draco respondeu a si mesmo, travando completamente na porta do banheiro diante da cena mais bizarra do mundo.

Rony estava agachado no chão, os braços segurando com firmeza o corpo inerte de um Harry Potter branco como os azulejos à sua volta, mas era uma imensa agulha jogada no chão ao lado de uma mínima poça de sangue que atraía seu olhar.

"Puta merda, Malfoy, me ajuda! Faz alguma coisa!" Rony gritou, acordando-o, fazendo-o finalmente se mover.

Draco escorregou para o tapete, ajudando o ruivo com o peso de Harry.

"Ele precisa vomitar." O loiro disse, nervoso e confuso.

"Ele acabou de enfiar uma maldita agulha cheia de heroína! Do que adianta vomitar?" A voz dele estava esganiçada e desesperada.

"Ok, chuveiro. Vem, vamos carregar ele." Draco ordenou, puxando-o para cima e o levando em direção a um dos boxes. "Água gelada, precisamos acordar ele."

Mesmo sem mais palavras, Rony se esticou, ligando o chuveiro, e ambos os meninos tiveram que se molhar para conseguir que a cabeça de Harry finalmente entrasse em contato com a água gelada. Para a surpresa e alívio de ambos, um murmúrio de reclamação veio do corpo pesado.

"Isso! Harry!" Draco o chamou, virando-se delicadamente, para dar leves tapas no seu rosto, só ficando contente quando o viu abrir os olhos. "Isso! Acorda! Precisamos de você acordado."

"Vomitar..." Harry falou baixo, perdendo levemente a força na cabeça.

"Não se atreva! Eu me recuso a lavar vômito do meu Ralph Lauren!" Draco falou sério, ganhando uma risada meio morta do moreno. "Tire a roupa."

"Você quer meu corpo... de novo." Ele murmurou sorrindo e tentando puxar a camisa em vão.

"Eu não..." Draco corou, encarando Rony, que parecia mais entretido em ajudar Harry com o tecido molhado. "Rony vai te ajudar."

Saindo rapidamente do boxe, ele correu de volta para o quarto, pegando uma toalha e roupas suas para Harry, parando por cinco segundos, para sentir se as suas pernas estavam realmente firmes para encarar aquilo, e, antes que sua mente gritasse algo, se virou para voltar ao banheiro.

Dessa vez, porém, Rony estava em pé ao lado do boxe, encarando com certa preocupação Harry, que parecia colocar até sua alma para fora apoiado na privada, somente de cueca molhada.

"Ele está melhor?"

"Com certeza. Fez piada sobre eu estar molhando e começou a contar uma história erótica sobre você, antes de acabar... aí." Rony comentou cansado.

"Eu.. o quê? Ele devia estar imaginando..."

"Todo mundo sabe, Draco." Rony disse, vendo o loiro estremecer assustado. "Ninguém vai contar nada. É uma promessa."

"Por que fariam isso comigo?" Draco perguntou, incerto. "Digo, ser... 'bacana'?"

"Bom... Eu e Dean não temos interesse nenhum em vocês, Seamus fez Harry prometer que contaria sobre alguns detalhes picantes, e Blaise quase perdeu uma bola para Pansy só de sonhar de comentar algo."

"Me surpreende que ela não ameaçou a todos." Draco comentou, lembrando bem de como a amiga poderia ser protetora.

"Ela ameaçou Harry." Rony comentou inocente, mas antes que pudesse aproveitar a expressão de surpresa de Draco, o moreno optou por cair para trás rindo e batendo a cabeça mais forte do que deveria.

"Ela não..." O moreno tentou falar entre uma risada e outra. "Ela não me assusta."

"Vamos fingir que não. Vem cá agora, precisamos te vestir." Draco comentou se aproximando.

"Hmmmm, você vai me ver peladiiiiiiiiinho." Harry disse, ainda rindo de algo que nenhum dos outros meninos entendia.

"Cale a boca." Rony ordenou, pegando a toalha e roupa dos braços de Draco e indo até Harry. Sem nem se importar em erguer o menino, secou-o rapidamente e arrancou sua cueca.

Draco se virou sem graça e constatou pelo barulho que Rony tinha aquilo sobre controle. Por isso, preferiu fugir para o quarto, onde ajeitou o lençol de Harry para deitá-lo. Somente se virou quando ouviu os dois se aproximando.

"Eu não quero dormiiiiiiiiiir..." O moreno reclamou, mas caiu no colchão sem esforço. "Eu querooo o Draaaco. Draaaaaaaaacooooooo..." Ele cantou com a voz abafada.

"Dormir, Harry." Draco comentou, puxando a coberta.

"Fica aqui comiiiigo..." Harry implorou, e, sem graça, o loiro sentou ao seu lado, sentindo sua mão ser agarrada. "Hmmmm, você é sempre tão gelaado."

"Dorme, Harry." Foi a vez de Rony comentar, sentando em sua cama de frente para Draco. E, antes mesmo que um dos dois pudesse se preocupar, um ronco forte veio do moreno.

"Isso é ridículo." Draco comentou e pela primeira vez pôde notar que seu coração batia com força dentro do seu peito, a cabeça ainda tonta.

"Ele... será que ele tentou se matar?" Rony perguntou incerto.

"Provavelmente ele estava somente experimentando algo. Você sabe como ele tem mania de usar qualquer coisa que possa tirar ele da realidade."

"É terrível isso. Ele realmente poderia ter morrido! Eu sabia que ele estava mal, mas isso... isso é absurdo."

"Ele estava mal?"

"Você. Desde que..." Rony corou, chacoalhando as mãos.

"Sexo, Weasley, não é uma palavra tão assustadora." Draco disse fingindo não se importar.

"Assustador é ter que ficar imaginando essa cena." Ele apertou os olhos, incomodado. "Ele tá assim desde aquele dia. Se arrastou pelas férias, tudo que falava era sobre você. Foi infernal."

"Ele já deveria ter se esquecido disso."

"Como ele é capaz de esquecer depois daquilo?" Rony perguntou meio alto, e dessa vez Draco se viu obrigado a levantar, irritado. "Vocês dois são ridículos, eu não tenho ideia de por que vocês ficam rodando em círculos."

"Ele não gosta de mim."

"Ele é louco por você!"

"Não!" Draco gritou e então hesitou um segundo, notando como as vozes de ambos estavam elevadas. "Potter parece que tem interesse em mim, mas a verdade é que não tem. Ele só liga para si mesmo, para a próxima conquista, e é isso que eu fui para ele."

"Ok, talvez você tenha dito uma verdade." Rony assumiu e, envergonhado, pegou os livros da cama.

Draco suspirou e fingiu se preparar para um banho, sabendo muito bem que iria na verdade limpar o banheiro de qualquer droga existente e tentar tirar do peito aquele desespero.

"Sabe," Rony disse parando na porta do quarto – "você pode ter dito uma verdade, mas talvez... talvez, algo tenha mudado, talvez você tenha mudado ele." E, com um sorriso sem graça, se virou, saindo do quarto.

Draco realmente duvidava disso, mas não pôde deixar de hesitar com uma pequena esperança. Obviamente, esmagou ela rapidamente, preferindo virar para suas roupas e repetir mentalmente toda a sua rotina.

o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o

Em Hogwarts, era fácil ver o tempo passar à sua frente como um sonho: as aulas se intensificando, milhões de trabalhos, novos alunos. Era uma rotina comum. Então, com o fim de semana ou algum feriado, o que deveria ser um tempo de estudo se tornava uma zona.

As salas de recreações eram muito frequentadas, principalmente as de cinema, que ofereciam filmes variados, com intervalos de quinze minutos entre um e outro, para que todos pudessem assistir, as academias lotavam e o gramado em volta do lago se tornava ponto de encontro, mesmo com o frio.

Para Harry, acreditar que aquilo tinha se tornado sua vida era, no mínimo, absurdo. E em pensar que há menos de quatro anos estava trancado no antigo quarto de brinquedos do seu primo, completamente alheio a qualquer sonho real que pudesse ter.

Sua vida estava perfeita, e nem mesmo o irritante sumiço de Draco o afetava tanto.

Não, depois de ter levado uma bronca gigantesca de Rony sobre ter desmaiado no banheiro – ele se recusava acreditar que quase tivesse tido uma overdose, como o ruivo gostava de dizer – Harry ajeitara sua vida. Queria Draco, isso era um fato, e ele notava com o tempo que não mudaria sua opinião.

Nem tinha ideia de quando sua mente estivera tão decidida, de quando tivera a certeza que gostava de alguém, mas sabia que ficar enrolando o loiro estava começando a ficar irritante para ambos. Então, dera um passo para trás e ficara somente observando o comportamento assustadoramente obsessivo dele, as milhões de aulas e trabalhos, e não pôde deixar de perceber a forma como Draco ficava cada dia mais e mais nervoso, como se tivesse tão perto de perder o pouco controle e seriedade que mantinha.

Ninguém mais fazia piadas com ele ou sequer conversava com o menino quando ele estava no quarto (o que por si só já era um ato raro), mas, logo que Harry virava as costas, algo parecia mudar, e várias vezes flagrou Draco fazendo comentários mal humorados para alguém e recebendo somente uma risada de volta.

O primeiro mês de aula tinha voado, e nem mesmo a diversão de ver milhões de problemas no estágio na prisão, que escolhera junto a Rony parecia aplacar a ansiedade que estava em não poder sair. Após seu pequeno erro, o ruivo tinha contado a todos a verdade, e, em um ato de proteção, eles tomaram de Harry a chave da moto e agora ficavam entretendo-o durante a noite no salão de jogos, com horas de poker e algumas bebedeiras no quarto único de Pansy, de onde eles sempre acabavam "expulsos" por dois adolescentes extremamente excitados.

Acreditar que passara um mês sem nada no sangue, somente um ocasional baseado nos fundos da sala junto a Blaise, parecia absurdo. Mas, novamente, seu mundo estava perfeito.

Com o fim das primeiras provas do semestre, Harry se pegou encontrando Draco dormindo cansado e relaxado no quarto, entre os intervalos de aula e trabalho, e, com a certeza de Blaise ao seu lado, concluiu que talvez deveria voltar a agir.

Depois de ver o loiro passar por uma fase de isolação completa, a ponto de mudar o trajeto para evitar qualquer encontro com Harry, ele finalmente tinha relaxado e se acostumado de certa forma com o moreno entrando e saindo do quarto, sem nunca realmente responder nada.

Estava deitado na cama, pensando em como realmente faria isso acontecer, em um sábado folgado no qual todos os seus amigos estavam fazendo coisas como casais, quando a solução de seus problemas entrou irritado pela porta.

Harry se assustou; normalmente Draco tinha aula até às cinco da tarde, mesmo no sábado, mas hoje não eram nem três, e o loiro já voltara para o quarto.

"Hm, Draco?" O moreno o chamou, levantando-se da cama, porém o loiro somente guardou seus cadernos, mexendo na última gaveta da sua cômoda. "Você saiu cedo da aula." Ele tentou novamente, sem conseguir nada além de um breve olhar sobre os ombros. "Então, você vai realmente ficar sem falar comigo?" Silêncio o seguiu como de costume. "Olha, se você está bravo comigo por causa da história do banheiro, eu já tentei me desculpar, sabe... Você vai realmente fingir que não me escuta?"

Draco somente se levantou, segurando um caderno diferente e grosso e uma estranha caixa marrom e, parecendo realmente não se importar com Harry, largou o celular e começou a se virar para sair.

"Você precisa conversar comigo!" Harry falou, entrando no seu caminho.

"Sai da minha frente."

"Ok, não era isso que eu queria, mas pelo menos você falou." Harry comentou, tentando soar animado, mas o olhar de desprezo de Draco entregou que ele não se importava. "Por favor."

"Eu preciso que você saia da minha frente." Ele voltou a repetir, sem desviar o olhar; aquilo era mais do que Harry esperava, com certeza.

"E eu preciso que você converse comigo."

"Eu não quero conversar com você."

"E então o quê? Você vai catar suas coisas, sentar em um lugar escondido e fingir que você me odeia."

"Eu te odeio."

"Não é bem a verdade."

"Sai, Potter."

"Olha! Eu entendo, fiz merda. Eu não esperava que eu tivesse uma reação tão ruim aquele dia."

"Você usou heroína e esperava que tudo ficasse bem?" Ele perguntou descrente.

"Eu esperava esquecer. Você estava me evitando, e meus amigos me falaram umas coisas que me deixaram em dúvida, e eu só queria paz."

"Parabéns, você quase conseguiu isso para todo o sempre."

"Até mesmo Ron me perdoou. Por que você não pode me ajudar aqui?"

"Porque eu não quero e não vou conversar com você, Potter."

"Draco..."

"Não!" Ele falou irritado, tentando sem sucesso desviar-se.

"Draco! Eu estou falando sério. Vamos só..."

"Quantas vezes você tem que receber um fora para entender?"

"Quantas vezes você tem que fugir até cansar?" Harry virou a pergunta para ele, e isso pareceu afetá-lo. "Eu quero e preciso conversar com você, ok? Por favor, me escute por cinco minutos."

"Não vai fazer diferença, nada do que você disser." Draco deixou claro, cruzando os braços na frente do peito.

"Posso tentar?" E quando Draco ficou quieto, encarando o chão, Harry decidiu que simplesmente começar era melhor. "Olha, eu cometi um erro. Eu estou super acostumado a simplesmente ter que lidar com o problema dentro das minhas calças e, quando eu conheci você, foi basicamente assim que eu pensei que eu deveria agir."

"Eu nunca tive ninguém, Draco." Harry continuou, vendo o loiro se afastar e se sentar na cama. "Eu não tenho memórias dos meus pais, e a única coisa que meus tios sempre me ensinaram foi a limpar a casa. Demorou quase oito anos para eu ser abraçado pela primeira vez, e então, quando eu finalmente conheci meu padrinho, ele tinha outros problemas para lidar. Você não está ciente de como é difícil confiar numa pessoa que passa seis meses fora e um comigo."

"Eu estudava em colégios públicos horríveis e voltava para casa para cozinhar e lavar para a minha tia. As minhas roupas eram todas de segunda-mão, do meu primo gordo."

"Você quer que eu sinta pena de você?" Draco perguntou, ainda meio revoltado.

"Eu quero te contar minha história." Harry disse simplesmente. "Quando eu completei dezesseis anos e pude fazer a escolha diante de um tribunal sobre onde eu queria ficar, Sirius não aceitou que eu ficasse com ele. E uma psicóloga estúpida disse que eu não estaria preparado para me mudar para tão longe." Dessa vez, não pôde segurar a risada azeda. "Foi a primeira vez que eu senti muito ódio. E foi também a primeira vez que eu usei alguma droga. Eu simplesmente fugi, sai dos Dursleys e corri até uma boate, bebi tudo em que eu consegui colocar minhas mãos, dei em cima de uma garçonete, e ela acabou me levando para casa. Heroína. Minha primeira vez."

"Eu não conseguia me lembrar de nada no dia seguinte, só sei que eu acordei às duas da tarde, completamente sem roupa e acabado. E que aquilo foi o mais vivo que eu me senti em muito tempo." Harry suspirou e sentiu uma ponta de esperança diante do silêncio e atenção do loiro. "Eu acabei amigo da Lisa, a garçonete, e ela acabava me fornecendo Meth¹, algumas vezes um pouco de baseado, coisas assim. E ela meio que me adotou. Cuidava de mim, me ensinava as coisas e acabou me apresentando à Faculdade Publica de Londres e ao verdadeiro namorado dela, o Teezer."

Harry começou a andar, notando que Draco o acompanhava com o olhar. "Ele era um vendedor. Fazia Direito, quarto ano, e vendia tudo que você imaginar em drogas. Nós três ficamos melhores amigos. E entrar na faculdade foi só o que precisava."

"Não tenho a mínima ideia de como terminei aquele ano. Raramente ia na aula, passava dias e semanas na casa de Lisa, sem meus tios nem notarem, e comecei a compensar meu tédio com sexo. Era o dia inteiro e muito fácil, já que eu era amigo íntimo de um traficante. Lisa também sempre estava no meio, Teezer aparentemente adorava ver ela dormindo com outras pessoas. Então, esse era meu trabalho naquele círculo... Sem contar as milhões de festas e orgias..."

"Como você veio parar aqui?" Draco perguntou, traindo seu silêncio pela primeira vez.

"Foi do meio para o fim do ano... Eu conheci esse cara, John, maravilhoso, e meio que curtia as mesmas coisas que eu. Teezer me disse para tentar algo com ele, e foi a primeira vez que eu conscientemente resolvi fazer algum movimento. Estava chateado com Sirius na época e acabei fugindo para casa de Lisa enquanto ele estava na cidade. Eu nunca fazia isso, porque eu sabia que ele ia me encontrar e me afastar de tudo aquilo."

"Passei a tarde inteira flertando com John, com medo de tentar alguma coisa mais, e, quando deu a noite, Teezer apareceu com Lisa e com um saco do que ele chamava a mais nova sensação. Era uma mistura qualquer de crack. Algo novo. Ele insistiu que nós tentássemos e, depois de preparar tudo, começou a aplicar. John foi o primeiro, nossa..." Harry hesitou diante da lembrança. "Eu me lembro como se fosse hoje. Ele ficou branco, começou a rir e caiu duro no chão. Estávamos todos muito alterados, então nós só rimos e achamos graça daquilo. Com Lisa foi a mesma coisa, e ficamos só eu e Teezer sóbrios; ele raramente usava qualquer coisa, e eu estava com quilos de cocaína no sangue. Ficamos conversando e esperando um dos dois voltarem à consciência, ter alguma reação, qualquer coisa. Ficamos umas duas horas sentados lá até notarmos que tinha algo errado..."

"Teezer... entrou em pânico, gritou e tentou acordar Lisa, mas nada acontecia, eles estavam super roxos, e quando ele notou que nada ia dar certo, simplesmente levantou e fugiu. Eu fiquei sozinho lá, sem saber o que ia acontecer, o que eu deveria fazer... Acabei chamando uma ambulância, desesperado."

"Eles sobreviveram?" Draco perguntou diante do silêncio do moreno.

"Não... A mistura era letal no fim das contas, eles foram levados em sacos pretos para o IML, e eu algemado para a delegacia de polícia." Harry suspirou. "Eles não poderiam me acusar de nada, é claro; eu estava limpo, não vendia nada, a casa não era minha, não tinha sido eu que tinha aplicado, mas a vergonha de estar lá, de ver meu padrinho ter que ir me buscar... Foi horrível."

"Quando cheguei em casa, simplesmente morri. Passei uma semana escondido debaixo de um edredom, sem comer e sem reação. Foi nesse meio tempo que Sirius notou que precisava ser uma autoridade. Tirou meus papéis de transferência da faculdade, pegou minhas coisas nos Dursleys e levou para a casa dele e, finalmente depois de milhões de anos, foi conversar com Remus. Foi quando eles fizeram as pazes... E conseguiram uma vaga para mim aqui." Harry sorriu. "Sirius me deu uma bronca horrível, me mandou reagir e começou a me levar em vários lugares. Comprou roupas novas para mim, minha moto, móveis para meu quarto, me levou em bares. Como um pai, me ensinando a entrar devidamente na fase adulta."

"Eu não entendo por que você tá me contando isso, Potter."

"Porque eu preciso, porque eu quero. Eu quero ver você reagir também, e está na hora de eu assumir minha responsabilidade. Eu sou louco por você, Draco, desde o primeiro dia." Harry revelou, sentando-se ao lado dele na cama. "E... eu não consigo me importar com essa sua mania de me convencer que é errado, porque não é."

"E foi por isso que você quis dormir comigo?"

"Essa é a única maneira que eu sei lidar com minhas vontades, Draco. Se eu quero algo, eu tomo; é assim que me ensinaram a ser, e você me intriga e me irrita. Você dá em cima de mim e foge, começa a ser meu amigo e foge, dorme comigo e foge."

"Eu não tenho o mesmo interesse por você que você tem por mim..." Draco mentiu, sem graça.

"Então por que você continua jogando esse jogo comigo? Por que você continua me encarando dessa maneira?"

"Oh... Eu não sabia nem que eu tinha uma maneira de encarar, Potter." Draco suspirou, confuso e nervoso. "Eu não sei o que eu deveria estar te dizendo. Nem se eu realmente quisesse isso eu poderia fazer algo..."

"Mas você me quer?"

"Potter..." Draco abriu a boca pronto para ditar aquele discurso decorado de como o problema não era ele e de como as coisas eram mais complicadas do que pareciam, mas, quando ergueu o seu rosto, firmando seus olhos naqueles verdes, ele hesitou. E então Harry estava se aproximando, e ele não podia fazer nada.

Harry tinha a boca firme, quente; uma boca que conhecia cada canto de seu corpo, mas que definitivamente não deveria tentá-lo em um beijo. Draco estremeceu, pronto para escapar, mas dessa vez foram as mãos morenas que o alcançaram, segurando seu rosto, enquanto mordiscava seus lábios.

"Draco..." O moreno murmurou, tentando seus lábios selados. "Me diz a verdade. Você me quer?"

E, dessa vez, não havia como fugir. Sim, Draco o desejava, muito, e cada centímetro de seu corpo gritava contra sua consciência. Harry mordeu seus lábios uma última vez, e então o loiro abriu passagem.

Era como se não houvesse tempo para correr atrás do prejuízo. Harry o envolvia, prendendo língua com língua, fazendo-o estremecer e buscar por apoio. Draco gemeu, se amaldiçoando por deixar tão claro que aquilo o destruía, e, aproveitando que sua mão estava apoiada abertamente no peito do moreno, o empurrou para longe de si e de qualquer chance de destruir com sua sanidade.

"Draco?" Harry perguntou, e o loiro ficou feliz em vê-lo arfando, também levemente descompensado.

"Você não pode fazer isso comigo." Draco murmurou com o pouco de coragem que ainda possuía.

"Eu não poderia ficar sem te beijar por ainda mais tempo." Harry disse honestamente.

"Pare! Pare como isso!" Draco o repreendeu.

"O que custa tentar?" Ele perguntou. "Qual o problema em querermos ficar juntos? Em tentarmos?"

"Você esquece quem é meu pai, para quem eu trabalho..."

"Eles não precisam saber!" E isso pareceu calar Draco. "Ninguém nesse quarto precisa saber. Nós nos escondemos, mentimos, e daqui a dois anos estaremos formados, tendo nosso próprio dinheiro."

"E isso nos isenta de precisar da aprovação de todos?"

"Isso nos torna donos de nós mesmos. Eu não vou me importar com mais ninguém, se eu tiver você."

"E a garota Weasley?"

"Céus, Draco, nós nos beijamos uma vez, e isso porque eu estava cansado de sentir minha própria mão no meu pau. Por sua culpa."

"Potter..." Draco hesitou e, respirando fundo, não pôde deixar de sentir o coração bater mais rápido: talvez aquilo desse certo, talvez fosse bom, mas até que ponto ele estaria arriscando sua vida boa, sua família e seu futuro por aquele garoto? "Você acha que nós daríamos certos?"

"Eu acho que nós nunca vamos descobrir se não tentarmos..."

"Ninguém..." Ele respirou fundo, deixando seu coração calar de vez sua razão. "Ninguém ficará sabendo?"

"Não por mim, nunca!" Harry disse, mas tinha um delicado sorriso em seu rosto.

"Pode... pode ser." Draco disse, e, antes que conseguisse pensar, o moreno já estava pulando em cima dele, beijando-o de um modo carinhoso e feroz. Suas mãos caçando o fim da camisa do loiro, e ele sabia o que exatamente Potter estava querendo naquele momento. "Espera! Espera..."

"Sim?" Harry se afastou brevemente, curioso com a interrupção.

"Se vamos realmente fazer isso... pra valer, eu tenho algumas regras."

"Ok...?"

"Nada de invadir minha cama quando alguém mais estiver olhando. E se você por um caso dormir aqui, terá que se esconder de manhã para ninguém ver."

"Claro."

"Nada de perseguição, ou brigas na balada, ou drogas."

"Álcool é droga?"

"Não."

"Então está certo."

"E..." Draco corou, desviando o olhar. "Eu quero que você tome as coisas... devagar. Nada de pularmos naquela bagunça que fizemos."

"Ei..." Harry o chamou, erguendo seu rosto "Você dita nosso ritmo. As regras são suas."

"Obrigado."

"Agora... podemos nos beijar escondidos na sua cama enquanto ninguém aparece?" Ele perguntou levemente ansioso.

"Curiosamente, eu não esperava nada mais desesperado de você..." Draco disse, porém teve que morder a boca para segurar o riso.

E então, novamente, Harry o atacou, o empurrando contra a cama, enquanto fechava as cortinas rapidamente. Quando suas bocas se encontraram, Draco se perguntou como tinha se negado aquilo por tanto tempo.


N.A. E o premio de pessoas mais enroladas vão para! EU E RAFA! Ahahha... ok, isso não é brincadeira e eu sei que vocês me odeiam... mas em nossa defesa, somos jovens estudiosas. Ou algo do gênero.

Mas assumo que tava com medo de publicar esse chappie, um pouco de fofura.. e sorte para Harry, ainda tem muuuuuito mais por vir. Não esquentem, e bom, agora que minhas férias já acabaram, eu prometo que eu volto a escrever com mais frequência!

E por favor, me digam se gostaram desse chappie, pq ainda tenho duvidas =x

N.B.: Nada a comentar, porque esse capítulo me deixou sem palavras. Mas, vale lembrar, que reviews são sempre bem-vindas e, com certeza, fazem o capítulo vir mais rápido. As eventuais demoras são culpa minha, admito. *se abaixa*

Comentem? *.*