Capítulo 9

-


Sala comunal da Grifinória, uma e meia da tarde.

Hum, talvez eu realmente tenha sido um POUCO melodramática, hoje mais cedo.

Mas você consegue me compreender não consegue? Tipo, qual é a deles?

Ou melhor: qual é o PROBLEMA deles?

Fala sério, qualquer pessoa ficaria louca. É completamente natural surtar e querer matar todos os seus supostos amigos quando eles armam uma coisa assim pra cima de você.

Não é?

Claro que é. E eu AINDA estou com raiva deles.

Mas é só que... Eu pensei melhor e percebi que talvez eles... assim... DROGA. Talvez eles tenham razão sobre isso.

UGH.

MUITO talvez, ok? E não têm a mínima razão de terem escondido essa discussão de mim. Mas talvez eles estejam meio certos com relação ao funcionamento da minha cabeça. Porque eu sei que ela nunca funcionou normalmente, como as outras.

Quero dizer, que tipo de pessoa come quilos e mais quilos de chocolate quando está em crise?

Crise por se achar gorda, corrigindo.

Viu? Eu disse que minha cabeça não funciona muito bem.

Então quem sabe eles estejam certos nesse ponto. De que essa mania que eu tenho de viver afirmando que o Potter não me "ama"- que ele só faz tudo isso porque eu vivo esculachando com ele, que ele só tá nessa por insistência, pra mostrar que ele é o garanhão e pode tudo - seja inconsciente já. Que eu não faço apenas por implicância, mas porque eu realmente SINTO isso.

Que talvez eu pudesse tentar acreditar se ele realmente QUISESSE demonstrar.

OH MEU MERLIM.

Eu não acredito que eu disse isso.

Eu retiro o que disse, eu NÃO tentaria acreditar, mas ELES poderiam pensar que eu estou tentando, compreende?

Huuuum, isso me deu uma idéia.

Antes eu não sabia o que fazer sobre essa situação toda de falaram-de-mim-pelas-costas.

Mas agora eu já sei.

HÁ.

Vou fingir que eu não vi nada disso, que nada aconteceu. E vou uh, como dizer? Deixar que o Potter acredite que eu vou deixá-lo tentar me fazer acreditar.

HEEIN?

Ok, nem eu entendi.

Reformulando: Vou esperar até que os traidores tenham falado com ele a respeito, aí eu abaixo a guarda e finjo que vou deixar ele tentar me convencer.

HÁ de volta. Um ótimo plano, eu sou genial.

Três e meia da tarde, corredor da Grifinória.

Ai, ai. Eu ainda estou encantada com a minha inteligência. Apesar de estar bem apavorada com o que McGonagall acabou de me dizer, mas ok, eu conto depois, e eu ainda assim estou feliz por ser tão genial. Eles quiseram me passar pra trás, mas quem está na frente sou eu.

HOHO.

Eles nunca vão descobrir que eu sei do plano deles. Eu estou preparada pra qualquer coisa, agora que eu sei que os meus próprios amigos estão armando uma armadilha pra mim.

Bem, de qualquer maneira, eu estou ainda mais surpresa com a minha capacidade de soar indiferente. Quer dizer, nem tão indiferente. Eu até estou mais animada do que o costume.

Não, do que o de costume não. Mas com certeza eu estou parecendo bem mais - MUITO MAIS - animada do que qualquer outra pessoa que estivesse no meu lugar.

Acho que ninguém desconfiou de nada. Porque eu não fui almoçar e perdi os dois tempos de História da Magia, depois do almoço, mas ninguém parece pensar que foi porque eu estava com muita raiva de todos eles que eu não poderia descer, ou eles sentiriam na pele. Acho que eles acreditam realmente que eu simplesmente não estava disposta para dois tempos chatos na sala com Binns.

Na verdade, Sirius parecia encantado quando soube que eu burlei as regras e faltei à aula.

- Mas o que houve, Lils? - Perguntou ele, preocupado quando me encontrou no corredor da sala de Transfiguração.

- Nada, oras. Não estava a fim, só. Binns já torrou minha paciência, preferi dormir lá em cima do que na carteira, só dessa vez.

Ele riu.

- Não acredito! Lils, agora você deu pra fazer essas coisas até quando tá sozinha? E por que é que você não me chamou pra perder a aula com você, sua egoísta?

Ok, eu não estava contando com essa pergunta na hora, mas eu consegui desviar.

- Ah Pads, eu pensei que você ia querer fazer algo mais do que só ficar lá em cima perdendo aula, sabe. Quebrar mais algumas regras de uma só vez. Eu só queria dormir um pouco, então eu nem me preocupei com isso. - Eu respondi toda espontânea. Nem estava sendo tão terrível assim mentir. Mas acho que é porque eu não sentia culpa, se tratando de Sirius. - Você me perdoa? - Eu insisti, fingindo falsa preocupação.

Nós rimos de volta, e ok, eu estava me sentindo meio culpada. Mas eu não deveria, porque Sirius estava naquela história toda do plano deles. Mas sei lá, é da minha cabeça que estamos falando, não é? Ela é doida, esqueçeu?

- Ei Lily! - Bru me chamou assim que eu coloquei os pés pra dentro da sala, que ia se enchendo aos poucos.

Eu acenei, me aproximando. Mantive meu sorriso no rosto, e com certeza eu chamei atenção de Lene e Alice com isso.

- Estamos felizes, então? - Ela me perguntou, olhando de canto de olho para Alice, quando eu me sentei ao lado dela. De Marlene, quero dizer.

- Claro. - Eu respondi, respirando fundo.

"Por que não estaria, Lene querida?"

- Por que não estaríamos, Lene? - Eu terminei, como se tivesse achado graça da pergunta dela.

Ela deu de ombros, mas eu podia sentir que ela estava intrigada com o meu desaparecimento, e depois por eu ter voltado feliz.

- O que você esteve fazendo, Lily? - Bru perguntou, se virando pra trás, e apoiando os braços na minha carteira.

- Sono de beleza. - Eu respondi, sorrindo pra ela.

Alice bufou atrás de mim, e resmungou alguma coisa para Déryck, mas eu não entendi o que ela disse.

A professora entrou na sala, e realmente ela não parecia feliz.

E esse, na verdade, não era um bom sinal. Ver Minerva McGonagall brava, quero dizer.

Mas eu estava era mais preocupada com a minha sanidade mental, porque eu não estava mais me sentindo culpada por mentir pra todos eles. Eu estava super leve e confortável, como se eu tivesse uma carta na manga. Na verdade, eu tenho uma carta na manga. E acho que é isso que está me deixando feliz de verdade, fazendo assim com que eu não precise FINGIR felicidade. Porque quase toda a raiva passou.

Sabe o que eu estava - e ainda estou- sentindo? Aquela vontade de rir, sabe? Porque eles não sabem que eu sei o que eles não queriam que eu soubesse. Ah, que seja! Eles não fazem idéia do porque eu estou agindo diferente de como eu estava de manhã, quando eu os deixei falando sozinhos no bilhete. Acho que eles pensam que eu mudei de idéia sobre discutir.

Eles estão achando certo, então.

Só não será do jeito que eles pensam, mas eu - de certa forma - mudei a forma de agir. Ok, voltando pra hora que McGonagall entrou na sala.

Ela parecia estar soltando fogo pelas ventas, de qualquer forma. Eu me encolhi involuntariamente na cadeira. O que quer que seja que nós fossemos fazer hoje na aula, eu tinha quase total certeza de que refletiria o estado de espírito dela.

- Muito bem - Ela começou, alteando a voz, e o silêncio sobreveio na sala. - Vocês já estão com os pares certos?

Eu demorei um segundo pra entender sobre o que ela estava falando. O trabalho em dupla, claro! Eu tinha esquecido total e completamente disso, estando preocupada com o meu plano de arruinar o plano deles.

E eu tinha um problema, porque eu sequer tinha pensado no trabalho durante o espaço de tempo entre uma aula e outra. E eu nem ao menos sabia onde estava o meu parceiro.

- Doug- - Eu comecei a chamar, debilmente, enquanto me virava para observar a sala, vasculhando, mas já era ele quem estava ali, no lugar de Lene.

Hum, muito conveniente.

Isso tinha acabado de me dar uma idéia.

Uma pena que James não estivesse lá.

Ah sim, eu resolvi que vou chamá-lo assim, de agora em diante, sabe. Pra dar mais vazão à minha falsa 'nova postura amigável'.

- Oi, Lily. - Dough cumprimentou com um ar tímido, como sempre.

- Olá Dough. - Eu sorri em resposta. Era muito mais fácil sorrir sinceramente perto de Douglas. O sorriso dele era contagiante, e bem, quando você leva em consideração que ele ainda era uma novidade, e que as meninas AINDA suspiravam por ele... Bem, você não pode deixar se sentir meio alta.

- Muito bem - Repetiu a professora, e o silêncio voltou à sala - Podem começar a trabalhar. Eu não quero conversas paralelas, somente os parceiros conversarão entre si. Espero que esteja sendo clara o suficiente.

Muito clara, professora. Ainda mais porque suas narinas não inflavam assim desde que Potter - quero dizer, James - tinha quebrado o crânio antes da final do quadrib-

OPS.

Minha cabeça se iluminou naquele instante. Imediatamente em resposta ao meu último pensamento. "Desde que James tinha ficado na ala hospitalar, sem poder jogar".

Sem poder jogar.

Hum, ok. Acho que agora a raiva da professora estava bastante clara pra mim.

Pra mim, e pra todas as pessoas que sabiam o que tinha acontecido com o Potter. - DROGA! - James, e que tinham percebido o estado de humor da professora.

E Sirius confirmou isso pra mim, meio minuto depois.

Ei, Lils. Você não está com medo agora? - SB

Do quê, Pads? - LE

Da McGonagall, ué! - SB

Uh - LE

Ah, agora você sabe, não é? - SB

Seria bem legal se você parasse de ficar me provocando, Pads. Ou, além de ficar sem apanhador, a Grifinória ia ficar com um artilheiro a menos também! - LE

Isso aí Lily, não dê corda. - RL

Onde foi parar todo o seu bom humor, Lil? - MM

Acho que ele escorregou pro meu estômago, a hora que eu percebi o porquê da McGonagall estar tão irritada. - LE

Eu estava realmente com uma sensação desconfortável no meu estômago. Seria o meu bom humor brincando por lá? Ugh.

Irritada é meio simples, não é, pra descrever a fúria que ela está IRRADIANDO. - DB

Obrigada, Déryck amor. Estou me sentindo bem melhor agora - LE

Desculpe, Lily. O que você acha que ela vai fazer? - DB

Como assim?????

COMO ASSIM?? - LE

Eu fiquei apavorada. Qual era a de Déryck me perguntando O QUE ELA IRIA FAZER? Ela não iria fazer nada a não ser reorganizar o time pro jogo do fim de semana, não era isso?

Não era?

Olha, eu não sei. Mas acho que seria legal você tentar achar alguma coisa que desse resultado na mão do Prongs, porque eu acho que nada do que madame Pomfrey tentou deu certo. Ou McGonagall nem estaria tão furiosa. - RL

Sirius? - LE

Que tem eu? - SB

Agora ele estava na defensiva! Oras, ele TINHA que me ajudar com isso. Foi ele que me ensinou a azaração. Como é que eu ia adivinhar que não tinha nada que fizesse resultado na mão de Potter/James? Quero dizer, eu acho que eu devia ter adivinhado que uma azaração vinda de Sirius não deveria ter efeitos legais e/ou ser facilmente revertida, mas o que era isso agora? McGonagall ia me punir? E eu nem ia poder dizer que eu não fiz nada dessa vez. Porque tinha algumas testemunhas no Salão Principal hoje de manhã...

Aw, droga.

Como assim 'o que tem você'? Você me ensinou a azaração. Você deve saber um contra feitiço! - LE

Na verdade... - SB

SIRIUS BLACK, eu vou matar você! - LE

Ei, não venha jogar a culpa em cima de mim! Eu não pedi pra você azarar o Prongs ou coisa assim! E eu nunca disse que tinha um contrafeitiço! - SB

- Eu pensei ter dito que NÃO queria conversas paralelas, senhorita Evans. - McGonagall interrompeu meu súbito acesso de raiva, enquanto eu virava para trás e mandava um vá se foder' sussurrado para Sirius.

Agora eu só sentia medo. Droga, já ia ser culpada por deixar o apanhador dela impossibilitado de jogar, e agora tinha mais o fato de que eu estava desrespeitando uma regra imposta dentro da sala de aula. DROGA.

Eu não consegui nem responder, tentar pedir desculpas nem nada. Eu abaixei a cabeça, e voltei a falar com Dough, sobre o trabalho.

Passou um tempo e eu pensei que já tava tudo mais calmo, porque a professora nem tinha mais falado nada, só dado umas fungadas de vez em quando.

Mas como eu estava enganada.

Bom, o nosso trabalho já estava muito avançado, porque a gente achou coisas muito interessantes nos livros que tinha no armário da professora. Foi aí que eu realmente tive certeza de que o meu bom humor ESTAVA zoando no fundo do meu estômago.

- As duplas que já obtiveram algum progresso, podem sair. - Ela disse, e depois voltou os olhos pro pergaminho que ela estava lendo. - Você não Sr. Black. - Ela concluiu, sem tirar os olhos da mesa.

- Mas eu já obtive avanços professora! - Sirius se defendeu.

- Acredito que sim, embora o senhor esteja sem dupla hoje - Ela me fulminou com os olhos nessa hora, eu não estou mentindo. - Mas eu observei também que o senhor estava muito ocupado gracejando para cima da senhorita Folkies durante a maior parte do tempo.

Ah, dá um tempo Sirius! Folkies? Evanna Folkies? Cruz credo, a mulher é um canhão.

Eu fiquei tão abismada pelo fato de Sirius ter dado em cima de Evanna Folkies que eu até perdi o medo da professora. Marlene pigarreou um pouco atrás de mim. Acho que ela TAMBÉM estava abismada. Enquanto eu guardava o meu material pra sair voando dali e ir procurar algum contrafeitiço praquele inferno de azaração que eu tinha jogado em Potter/James, a professora me chamou.

AI. QUE. DROGA.

- Senhorita Evans - Ela assobiou por entre os dentes

- Sim senhora? - Eu respondi, sentindo um peso anormalmente grande na minha barriga.

Qual é? Eu nunca recebi 'chamadas' de nenhum professor até hoje. ALOU, eu sou monitora CHEFE. Eu sou bajulada pelos professores, e não castigada por eles. Eu adoro tanto transfiguração... DROGA.

- Você faria o favor de permanecer na sala, após todos saírem?

Uh.

- Claro, professora - Será que ela entenderia meu sorriso de culpa? Ou ela pensaria que estava zombando dela? Oh, não. Eu não deveria ter sorrido.

Eu sentei novamente na cadeira pra ficar esperando bendito sinal tocar.

- Hum, quer que eu fique com você, até o sinal bater? - Dough perguntou, meio inseguro.

Eu olhei pra professora, mas ela não estava mais prestando atenção, ela tinha voltado a ler.

- Ok.

Ah, ele é tão fofo gente. Acho que se ele não fosse tão inseguro, tímido e sem graça, eu até me sentiria atraída por ele.

HOHO, quem vê até pensa.

Ele não é nem um pouco sem graça, eu admito.

Mas realmente é um pouco tímido e inseguro demais. Peraí, quando você é lindo, forte e todas as garotas olham com desejo pra você, e os garotos querem te matar por isso, você deveria ser um pouquinho mais seguro. Não acha? Eu acho que sim. Mas enfim, é uma pena que Potter/James não estivesse lá, porque eu estava com uma idéia brilhante.

Quer dizer, eu ESTOU com uma idéia brilhante, porque na hora acho que eu nem conseguia pensar direito, com pavor do que a McGonagall ia fazer comigo.

A idéia é a seguinte, eu vou realmente dar uma 'chance' A Potter/James. Quer dizer, vou fingir que vou dar uma chance. Vou ser mais maleável e tal, mas PUXA VIDA, infelizmente, eu me sinto incrivelmente atraída por Dough, sabe...

HOHO, sou muito má.

Perdeu James querido, você devia ter mudado sua tática para me convencer há algum tempo atrás.

E aí pronto, ele vai acreditar que estou caidinha por Dough, e vai desistir de me atentar.

Eu não vou estar usando Dough, vou? Eu não acho que vou, porque ele não precisa realmente SABER dessa história. Oras, quase todas as garotas se sentiriam atraídas por ele, não? Só a minha cabeça é doida, mas a da maioria das garotas é normal, então acho que todos vão engolir a história e me deixar em paz de uma vez por todas.

Voltando à história.

O sinal bateu. Oh meu Merlim, eu não sabia o que fazer.

Dough se despediu com um beijo na bochecha. HÁ, realmente UMA PENA que Potter/James não estivesse lá, porque ele teria quebrado a mandíbula, de tanto escancarar a boca, assim como Alice e Déryck quase fizeram.

Enfim, todos saíram e eu me encolhi ligeiramente na cadeira, esperando... Aí quando a sala ficou vazia, só eu e a professora, eu me levantei e fui até a mesa dela. Eu juro que eu queria sair falando pra ela que eu não fiz de propósito, que Potter - JAMES! - é um idiota, que ele pegou uma coisa minha sem autorização, que eu usei a primeira coisa que me veio na cabeça, e que infelizmente era uma azaração que eu tinha ouvido da boca de Sirius... Mas eu não consegui. Eu estava completamente travada.

- Senhorita Evans - Ela começou. Ó Merlim, isso não ia acabar bem.

Eu nem me arrisquei a responder, antes que eu me denunciasse pela minha voz. Não que eu precisasse me denunciar, né, de qualquer maneira. Eu já estava encrencada mesmo.

Oh, céus, e eu nem podia fingir que não era minha culpa dessa vez!

- Senhorita Evans - Ela repetiu, e respirou fundo uma vez. - Eu estou muito interessada em saber o porquê de você ter lançado uma azaração daquelas na mão direita do apanhador do nosso time, justamente quando nós estamos a menos de duas semanas para as eliminatórias! - Ela terminou, respirando fundo, realmente aparentando estar QUERENDO manter a calma. Mas eu podia jurar que a voz dela tinha aumentado no mínimo umas duas oitavas até o fim da pergunta.

E ah! Ela registrou muito bem o uso do "nosso" time na frase pro meu gosto. Não que eu não goste de quadribol sabe, mas eu não ligo assim pra isso. Não como a maioria das pessoas liga. Mas enfim, eu admito que é o time da MINHA casa. E daqui há algumas semanas será o jogo de eliminatória. E agora Potter/James está lá, impossibilitado de garantir a vitória da Grifinória. E vam'bora botar a culpa em cima de Lily Evans.

- Hum... - Eu comecei.

O que é que eu podia falar? "Me desculpe, professora"?

- Me desculpe, professora...

- Mas certamente não é a mim que a senhorita deve desculpas! Potter é quem está lá na ala hospitalar. - Ela me interrompeu.

PERAÍ. Ela não ia brigar comigo então? Ela só ia fazer muito pior, e me humilhar, me obrigando a pedir desculpas à Potter? James, que seja!

- Mas professora - Eu comecei, e parei pra ver se ela ia deixar eu continuar. Ela não interferiu. - Professora, eu não estou, eh... Dizendo que eu tenho razão. Mas é só que, bem, Potter pediu por isso. Ele... Roubou uma coisa de mim.

- Como? - Ela pareceu surpresa

- É. Quer dizer, ele tomou da minha mão, entende.

- E o que era, eu posso saber? Para exigir medidas tão drásticas. - Perguntou ela, severa novamente.

- Meu...

UGH

- Meu diário, professora.

Sério que eu pensei que ela estava rindo. Eu quase fiquei com raiva dela, porque pensei que ela estava RINDO de mim. Mas não deu tempo pra raiva, só o que eu consegui sentir foi alívio.

- Senhorita Evans - Ela falou pela qüinquagésima vez, mas aparentava estar bem mais calma. - Eu compreendo que um diário é muito promissor e não deve ser "roubado". Mas azarar Potter não era a melhor saída. Ainda assim, - Ela pausou, ela realmente tinha conseguido aquietar os nervos (acho que ela se divertiu mesmo com as palavras "meu diário" saindo da boca da sua monitora-chefe, mas ok, eu nem estava brava, porque pelo menos ela não estava mais aparentando tirar meu coro com as próprias mãos, nem nada do tipo.) - acho que a senhorita deveria ter lançado nele uma azaração que tivesse uma contra-azaração existente e fácil, e não o contrário. Mas, - Ela até forçou um sorriso pra mim! - Eu farei o seguinte: - Ela deu a volta na mesa, e ficou de pé na minha frente.

Ai, meu Merlim. Lá vem bomba.

- A senhorita é quem vai ficar encarregada de achar uma solução para essa situação. O nosso jogo é no sábado que vem, mas os treinos têm que começar o quanto antes. Então eu darei a você quatro dias. Quatro dias, no máximo, pra deixar Potter novinho em folha.

- E se eu não... - Eu comecei, apavorada.

Peraí. Não são exatamente 4 dias. Já passava das 3 horas da tarde, então são só 3 dias e MEIO. E se eu não achasse um contrafeitiço, um antídoto ou algo assim?

- Oh não, a senhorita VAI conseguir, Evans. - Ela respondeu, inteiramente ameaçadora.

Hum, acabo de descobrir que ok, a azaração não foi nenhum erro grave. Mesmo eu sendo monitora-chefe e tal, McGonagall não estava nem ligando se eu picasse Potter em pedaçinhos. Contanto que eu conseguisse reconstituir o corpo e deixá-lo intacto até os treinos começarem.

Legal, o alívio também tinha ido embora.


N/A: oooi pessoas! mais um cap. aí, espero que gostem. No próximo, eu respondo todas as reviews, tá? Até! :*