Capítulo 10
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Mais terça, onze horas da noite, sala comunal, minha poltrona.

Pois é, eu estou revoltada, porque McGonagall não tinha o direito de fazer isso. Ou tinha, sei lá, mas não deveria ter feito. Qual é, sou monitora-chefe dela, sabe, merecia mais consideração e tal, mas ok, eu já estou quase me conformando, porque é a minha sina mesmo. Lembra que logo que eu comecei a escrever aqui eu disse que as pessoas me chamavam de melodramática, porque eu sempre falo que a minha vida é injusta? Pois é a verdade, como vocês podem ver agora. Que a minha vida é injusta, quero dizer.

Mas pelo menos o meu plano está indo de vento em popa (como diria minha mãe) porque ninguém desconfia de nada, e estão todos realmente achando que eu MUDEI o meu jeito em relação à Potter/James. Pra melhor, eles pensam Hoho.

Depois que eu saí da sala de Transfiguração, eu parei no corredor pra escrever aqui. E depois eu voei atrás das meninas, porque eu não queria que elas desconfiassem de nada, né, então eu tinha que agir naturalmente. Eram dois tempos de DCAT, então - por Merlim - eu não precisei conversar com ninguém, nem nada, porque sabe, né, as aulas de DCAT ou são muito legais OU são muito chatas, então ninguém fica disposto a conversar em uma aula dessas. Quando acabou, nós fomos comer e eu queria ir correndo pra biblioteca pra procurar um bendito contra-feitiço que desse efeito na mão asquerosa de Potter/James, mas alguma coisa me disse que era melhor eu continuar com elas, ali. A gente chegou na sala comunal, e Remus e Bruna sumiram em um canto perto da escada.

Hum, se eles não iam fazer as lições, ok, ninguém mais iria.

Eu fui pra minha poltrona, e Lene sentou no braço dela. Da poltrona, quero dizer. Alice e Frank foram pra um dos sofás, e Déryck sentou na poltrona do lado.

- Snap? – Perguntou Frank, animado.

- Oook. – Eu respondi animada, convocando o baralho lá no quarto.

Nós jogamos uma partida, e Déryck ganhou, Alice pediu revanche, e lá fomos nós para mais uma. Eu ganhei. HAHAHA. Muito boa em Snap Explosivo, com licença. Mas eu realmente precisava ir à biblioteca, ou eu teria um dia a menos de prazo.

- Amores, eu vou estar na biblioteca, ok? Quero me livrar logo disso. – Eu suspirei, me levantando.

- Te ajudo Lil. – Déryck se manifestou.

- Ótimo. – Eu sorri pra ele – 'té depois – eu disse para Lene, Alice e Frank.

Déryck acenou e nós saímos da sala, conversando animadamente enquanto nos dirigíamos até a odiosa biblioteca. Déryck também estava no plano, mas ok, eu poderia esquecer disso até dar um jeito na situação de Potter. James, que seja.

Nós ficamos duas horas procurando por alguma coisa. E não achamos nada útil. Não para o que eu precisava, claro. Déryck estava me contando alguma coisa sobre a última noite dele com William (última noite que eles se encontraram, e não outra coisa!) quando nós resolvemos voltar pra sala comunal, derrotados, dez horas da noite.

- E aí? – Alice perguntou, quando entramos.

Déryck balançou a cabeça negativamente para ela, cansado.

- Uma merda. – Eu suspirei. – Duas horas inteiras presos naquele inferno silencioso e tudo o que a gente conseguiu foram uns xingamentos da Madame Pince e ataques de renite. Só Merlim sabe quantos séculos aqueles livros têm, e há quando tempo ninguém os retira das estantes. Mofados, embolorados e INÚTEIS. – Eu desabei na poltrona, irritada.

- É, e sabe o que é pior? – Déryck falou, olhando de Alice para Frank – É que nós só conseguimos olhar 10 livros. DEZ, dá pra acreditar? Duas horas lá, e só conseguimos procurar em dez míseros livros. Cada um é enorme, e deve ter mais de cem deles naquele corredor. – Ele falou, sentando no tapete, em frente à poltrona.

- Amanhã nós vamos com vocês. – Frank falou, solidário.

- Uhum – Alice confirmou com a cabeça, sorrindo fraquinho pra mim.

- Onde Lene foi? – Eu notei a ausência dela. – Subiu?

Alice acenou novamente com a cabeça, e eu levantei, seguindo para as escadas.

O retrato girou, admitindo Sirius na sala, que já estava cheia a essa hora. Ele deu um sorriso daqueles típicos dele, e foi até onde nós estávamos, depois de receber alguns risinhos e tchauzinhos de algumas quintanistas.

- Ei, Lils. – Ele chamou, olhado pra mim. Eu recuei, voltando para onde eu estava.

- Hum?

- Prongs me pediu para pedir a você que fosse lá.

- Pffffff. – Eu cuspi. – Ops, sorry. – Eu disse, segurando o riso e limpando os perdigotos que eu fiz voar na manga da blusa dele.

- Lil, por favor? – Ele pressionou.

- Nãozinho, Pads. Ele realmente pensou que adiantaria alguma coisa? Claro, né, estamos falando do James. Besta. – Eu dei um beijo estalado na bochecha dele e voltei a subir as escadas até o dormitório. Mas eu percebi que ao deixar o andar de baixo, eu era a única que achava a situação engraçada.

Que pena.

- Oooi. – Eu falei, surgindo na porta do dormitório.

Marlene estava autistando na sua cama, deitada de barriga para cima, de olhos fechados e murmurando a letra de alguma música ininteligível. Na hora que ela ouviu minha voz, ela abriu os olhos, virando a cabeça na minha direção.

- Ah! Até que enfim! – Ela sorriu. – Não agüentava mais esperar.

- Ah, engraçado. Era só ter ido até a biblioteca, se estava tão ansiosa pra me ver. – Eu falei, enquanto ia até a minha cama e sentava. - Aliás, estava ansiosa pra me ver? – Eu me perguntei o porquê, caso ela afirmasse.

- Sim. – Ela falou, mexendo nas unhas.

IIH, aí tinha. Quando Lene mexe nas unhas enquanto fala, pode esperar, lá vem bomba.

- Por...? – Eu indaguei, me perguntando se eu realmente gostaria de saber.

- Nós estávamos pensando... – Ela começou, mas parou, repensando as palavras. – A gente precisa conversar. – Ela concluiu, ainda mexendo nas unhas, alteando os olhares. Da mão para mim, de mim para a mão.

- Tá. – eu respondi, revirando os olhos – Isso eu entendi. 'Nós' quem? – Eu me fiz de desentendida. Eu já sabia o que ela queria falar, mas eu não ajudaria. Era óbvio que Lene é quem ficara encarregada de tratar o assunto pessoalmente comigo, nós duas conversávamos muito mais abertamente e sobre tudo. Mas eu já sabia o que ela ia tentar dizer, e eu ia esperar, me divertindo, que ela fosse adiante. Sem nenhuma ajuda da minha parte.

- Nós, Lils.- Ela também revirou os olhos, com a pergunta tão óbvia. – Seguinte, - Ela alteou a voz, parando de mexer nas unhas e olhando diretamente pra mim – Nós chegamos à conclusão de que não vamos mais interferir, ok? A gente sabe o quanto isso te irrita, e decidimos parar.

- Sobre o quê...? Parar com o quê, Lene? – Eu perguntei, no meu mais puro tom de incompreensão.

- Sobre você e James. – Ela falou, simplesmente.

Eu ergui uma sobrancelha para ela, esperando que ela viesse com mais uma de suas frases "Er, Lils, é brincadeira sua idiota." Ou "Não acredito que você pensou que eu tava falando sério!" Porque eu realmente não estava esperando escutar isso. O plano deles era falar com James/Potter para que ele mudasse a 'abordagem' comigo. E eu já tinha todo o meu plano arquitetado para contra-atacar. Ele iria tentar me convencer de que me ama mesmo, ou seja lá o que for, e continuaria me cercando, independente da sua 'diferente estratégia'. Eu fingiria ser amigável, e parar de tratá-lo mal, só para ele não sacar meu plano, quando eu dissesse que infelizmente ele tinha mudado de estratégia tarde demais, porque eu estava irremediavelmente apaixonada por Dough. Eu até poderia dizer que era um sentimento mútuo, não poderia? Eu acho que sim. Dough sem dúvidas me lançava olhares bem significativos.

E agora Lene me vinha com essa de 'decidimos não interferir'? Só podia ser brincadeira... AH, é isso. Ela está mentindo. Hoho, danadiiiinha. Ok, sem problemas porque eu também mentiria bastante durante meu plano. Mas isso ia enfraquecer nossa amizade, não ia? Entre todos nós. Hum, eu não gostaria que isso acontecesse.

- Não faça essa cara! – Lene repreendeu minha sobrancelha erguida em descrença. – Eu estou falando sério. Não vamos nos meter. Mas hein, vocês acharam alguma coisa útil? Nos livros? – Ela desconversou.

Voilà. Ela estava mentindo mesmo. Ah, mas talvez eu estivesse exagerando. Porque, pensando bem, seria só um tempo ruim. A hora que finalmente eu conseguisse mentir pro Potter/James que eu estava apaixonada por Dough e ele estava fora, então tudo voltaria ao normal. Eu espero.

- Não, nós não achamos. – Eu falei, fazendo uma carranca. – Aqueles livros empoeirados e fedidos da biblioteca não têm nada sobre contra-azarações para casos como o da mão daquele encosto. Amanhã Alice e Frank vão com a gente. – Eu falei, tentando me sentir um pouco mais animada com a perspectiva de mais um dia na biblioteca. - Você vai também. – Eu a comuniquei.

- Ah, vou? – Ela riu. – Bom saber.

- Oi meninas. – Bru abriu a porta, sorrindo.

- Oi Brubs. – Nós respondemos juntas. – Onde é que você estava, hein moçinha? – Lene perguntou, se fingido de acusadora.

- É, não pense que não percebemos que você NÃO estava mais camuflada com Rem na sala comunal. – Eu falei, rindo.

Bruna riu e se jogou na cama, olhando para nós.

- Rem vai falar com Dumbledore. – Ela falou, como se nós soubéssemos do que se tratava.

Eu e Lene olhamos para ela, esperando.

- Sobre a monitoria! – Ela esclaresceu. Ah, tá. É que er, com o probleminha que Remus tem, fica difícil cuidar de todas as tarefas de monitor quando chega a lua cheia. Então ele estava sempre receoso de ir falar com Dumbledore sobre isso, porque o diretor já sabia, claro, do problema dele, mas mesmo assim o tinha nomeado monitor. Então ele não sabia se pedia ou não dispensa das atividades, ou o que ia fazer. Porque acima de tudo, Remus não queria decepcionar o diretor. Ele era eternamente grato por Dumbledore estar dando a chance para ele estudar e levar a vida como qualquer outro adolescente da idade dele, sem alardear a condição dele, apoiando sempre.

- Que bom. – Lene sorriu para Bru. – Assim ele para de se torturar pra dar conta de tudo ao mesmo tempo. Sinceramente eu ainda não consigo entender como é que ele consegue ter controle pra agüentar realizar todas as tarefas de monitor pra depois sair do castelo. – Lene falou, com um tom sombrio.

- Uhum. – Eu concordei. – Rem é muito forte, cara. E já imaginou se ele não pudesse contar com a ajuda daquela poção que ele toma? Tipo, ele agüenta com aquilo, e depois sai. Mas mesmo com esse 'controle' físico, isso acaba com o emocional dele.

- É por isso que eu existo! – Bruna respondeu alegre, levantando os braços, claramente querendo dissipar a nuvem de pensamentos sombrios de perto de nós. Ela era muito boa em lidar com toda essa situação do Remus. Eles eram feitos um pro outro, fato.

- Alice ainda está lá em baixo? Quero dizer, os meninos ainda não foram fazer nada? – Eu perguntei, estranhando que desde que nós voltamos para esse semestre, os marotos ainda NÃO tinham aprontado nada.

Lene riu da minha expressão indagadora, e eu e Bru a seguimos.

- Acho que eles amadureceram. – Lene disse, pensativa.

Foi a vez de Bruna cuspir com o seu 'pfff' bem sonoro.

- Na verdade, acho que não. – Ela falou, com ar de riso. – Não, brincadeira. Sim, eles amadureceram.

O silêncio sobreveio.

- Muito pouco. – ela completou.

Mais risadas.

- Uma hora tinha que acontecer né? - Lene disse. - Mas eles ainda são os mesmos marotos. Acho que só estão esperado ficar mais puxado para os professores ou algo assim. Tipo, dar mais trabalho pra eles, sabe.

- Ééé. – eu e Bru concordamos.

- Mas convenhamos que o único que não amadureceu foi o Peter. Aquele ali se deixar, vai comer e pagar pau pros três o resto da vida. – Eu falei, pensando em como nós sempre falávamos do Peter com esse desgosto na voz. Ele era tão criança, tão sem objetivos, tão... Insignificante. Credo, que horror pensar assim de alguém, mas ele realmente era merecedor de pena.

- Uhum. – As duas concordaram, cada uma perdida em pensamentos de pena de Peter também.

Mas pela sorriso que se abriu no rosto de Bruna, acho que os pensamentos já tinham voltado para Remus.

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N/A: Oi pessoas! :D Bom, mais um cap aí, espero que gostem. Esse ficou curtinho, mas sei lá. Eu sei que eu disse que ia responder todas as reviews quando att de novo, mas hoje não vai dar, really. Correria só aqui, então por favor, entendam D: beeeijos!