Capítulo 12

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Quinta-feira, 5 de setembro, onze da manhã, Poções.

EU ESTOU REVOLTADA.

EU ME SINTO SUJA E IMUNDA.

EU QUERO MATÁ-LO, MAS EU FUI OBRIGADA A VIR PRA AULA.

EU VOU SAIR DAQUI A QUALQUER MOMENTO E VOU LÁ MATÁ-LO.

Mas antes de ir pra lá, eu passo no dormitório e tomo um bom banho, porque isso foi nojento demais. ISSO NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO COMIGO. É MUITO RUIM PARA SER VERDADE.

EU DEVIA ESTAR ME SENTINDO TRAUMATIZADA POR SER AGARRADA À FORÇA, MAS SÓ O QUE EU SINTO É VONTADE DE FAZER ALGUMA COISA PARA PREJUDICÁ-LO. Prejudicá-lo fisicamente, de preferência.

Hoje eu acordei toda feliz porque finalmente ia dar um jeito naquela mão idiota DAQUELE IMBECIL ASQUEROSO e podia dar continuidade ao plano e tal, mas UGH, que seja amaldiçoada por toda a vida a pessoa que inventou a audácia e cara-de-pau. Eram oito horas quando eu fui até lá:

- Oi, James. – Eu falei quando pus os pés pra dentro da ala hospitalar, tentando soar o mais natural possível ao o chamar pelo primeiro nome. Isso era essencial para o meu plano.

Mas ele não respondeu. Huh, que legal.

- Hey.

Eu tentei de volta, me aproximando da maca onde ele se encontrava sentado, brincando com o pomo idiota, com a mão-que-não-estava-comprometida-pela-terrível-azaração-que-a-malvada-Lily-Evans-lançou.

– Não sei se você ficou sabendo, mas a eu fui obrigada a achar um contra-feitiço pra te ajudar. – Eu completei, tentando um sorriso.

Seria legal se ele olhasse pra mim e desgrudasse os olhos do bendito pomo. Aí ele poderia dar uma olhada no meu sorriso pseudo-verdadeiro e pensar que eu estou começando a aceitá-lo como amigo, e dar logo chance pro meu plano dar certo. Mas não, ele não estava olhando pra mim. Acho que ele deve ter visto alguma coisa muito interessante na ponta da asa direita do pomo, porque ele definitivamente NÃO tirava os olhos de lá.

Eu sentei com cuidado na cadeira que estava do lado da maca, e olhei pra janela. Já que ele não iria olhar pra mim, ótimo, eu não precisava olhar pra ele. Passou um minuto de pleno silêncio naquela ala hospitalar. E lá fui eu, tentar mais uma vez.

- Tá, eu não fui obrigada, ok? Eu... Quis te ajudar. – Eu falei, meio rápido demais, fazendo uma careta no trajeto.

- Quem você está tentando enganar, Evans? – Ele finalmente tirou os olhos do pomo para olhar pra mim com olhos frios.

Ele deu um sorriso cínico e voltou a olhar para o pomo.

- Hum, tá. Eu não quis. Na verdade eu acho que você teve o que mereceu, mas EU não tive, ok? McGonagall me intimou a arranjar uma solução pra isso aí – eu falei, acenando para a mão dele – e eu não tenho escolha. Ou é isso, ou estou reprovada em transfiguração. E dispensada da monitoria.

- Não seja dramática. – Ele falou, sorrindo um pouco. – Ela não falou isso pra você.

- Não falou, mas tenho certeza que é is- - eu comecei, mas uma coisa me veio subitamente à cabeça. – PERAÍ. Como é que você sabe que ela não me falou isso?

- Talvez porque você seja dramática demais, e sempre faça tempestade em copo d'água. – Ele falou, olhando para mim novamente.

Eu estreitei os olhos para ele e ele deu um sorriso muito significativo.

- JAMES POTTER, EU VOU MATAR VOCÊ! – Eu sufoquei, tentando juntar forças para levantar da cadeira e ir matá-lo.

- O que é isso? – Madame Pomfrey veio rápido até nós. – Senhorita Evans, isso é uma ala hospitalar. Os alunos que aqui estão precisam de repouso.

- O que esse aqui precisa é de uma bela surra! – Eu chiei, dando de dedo na cara do imbecil.

Madame Pomfrey me olhou horrorizada.

- Senhorita Evans, - ela começou, de olhos arregalados – vou ser obrigada a pedir para a senhorita se reti-

- Não será preciso, madame Pomfrey. – Potter/James a interrompeu gentilmente. – A senhorita Evans não irá mais dar seus surtos histéricos aqui, nem ameaçar minha vida de morte, não se preocupe. – Ele falou, sorrindo para mim com escárnio.

Ela voltou para sua sala, balançando a cabeça em descrença.

- Seu idiota estúpido! – Eu o xinguei, controlando minha voz.

- Não entendi essa raiva toda de repente...

- Ah! Não se faça de desentendido! Foi você que pediu à McGonagall para ela fazer isso. – Era uma afirmação. – Você usou esse poder ridículo que tem de enlouquecer as pessoas e conseguiu fazer com que ela me obrigasse a te ajudar! – Eu falei, sentando novamente. – Você é desprezível. Eu fiquei horas naquela biblioteca. Só Merlim sabe como eu odeio aquele lugar. Eu conversei com aqueles traidores por sua causa, eu ri com eles! Isso não estava nos meus planos, você... Você é um babaca, Potter.

- Hum, o 'James' sumiu. – Ele observou, como se o assunto fosse muito interessante. – Ei, Lily, eu te enlouqueço também? – Ele perguntou, olhando pra mim com aqueles olhos castanhos esverdeados convidativos e o sorriso malicioso capaz de deixar qualquer garota com os hormônios à flor da pele. Até mesmo a invencível e cética Lily Evans. Mas eu estava centrada. James Potter tinha jogado sujo mais uma vez, não importava que os olhos dele fossem lindos e o sorriso de dentes brancos fosse arrebatador.

Ele era um idiota.

- Você não ouviu nada do que eu disse? – Eu perguntei, descrente.

- Sim, por isso estou te perguntando: Eu também tenho esse 'poder' sobre você?

- Oh, claro que tem James. O poder de me deixar louca de raiva. ÓDIO é o que eu sinto por você. Seu infeliz. Idiota.

- Não seja rancorosa, Lily. – Ele falou, finalmente colocando o pomo no bolso.

- Rancorosa? Ai, Merlim. Você falou o quê para a professora? Como você fez isso?

- Ela veio me ver. Diferente de OUTRAS pessoas. Ela me perguntou o que poderia fazer pelo aluno preferido dela, e eu pedi que me deixasse pronto pra começar a treinar nesse sábado, porque a gente não pode perder. – Ele explicou, simplesmente.

- Tá, pulando a parte do 'aluno preferido'... Eu acredito. Você se aproveitou do fato de ser o apanhador do time, de ser o 'grande jogador' para jogar sujo com ela. Isso não foi nada justo. McGonagall é fanática pela disputa de quadribol entre as casas, todos sabemos e-

- Claro que foi justo! O que não foi justo foi você ter me lançado uma azaração sem contra-feitiço, só porque eu tentei pegar aquele caderno bobo que você vive pra lá e pra cá e-

- Primeiro, - Eu alteei a voz, interrompendo-o – aquilo NÃO é um caderno bobo, ok? Mas não vou discutir isso com você. Segundo, você supostamente estava magoado comigo, então por que diabos você foi inventar de fazer uma de suas idiotices? Você tinha é que continuar quieto no seu canto, ia ser bem legal. Mas nããão, você teve que bancar o babaca MAIS uma vez e tirar meu sossego. Por que mesmo? Três opções:

a) Você se diverte muito me irritando profundamente; b) Você queria só alegrar o Sirius, que NÃO precisava disso na verdade, porque ele já estava BEM animado com a perspectiva de bolar um plano pra conseguir ficar com a Lene; c) Todas as alternativas anteriores. – Eu terminei, olhando para ele com os olhos apertados de raiva.

- Hum, acho que fico com a C. Mas ei, Lily. Você vai ou não vai curar minha mão? – Ele perguntou, como se lembrasse de um presente que eu estava devendo pra ele.

Eu me levantei calmamente da cadeira e comecei a seguir para a porta da ala hospitalar.

- Hum, - eu o imitei – acho que não. – Dei um sorriso vitorioso e me virei para ir embora, meus cabelos chicoteando atrás de mim.

Hoho, otário. Fique com a sua mão apodrecida, então.

- OK. – Ele gritou, para que eu o ouvisse, do corredor – Acho que não teria problema, então, de falar para McGonagall que alguém não conseguiu realizar a tarefa com a qual tinha se comprometido. – Ele terminou a frase e eu podia visualizar o sorriso idiota de zombaria no rosto dele.

- Merda. – Eu murmurei.

- Que foi que disse? – Ele perguntou de novo, alto.

Eu voltei um passo atrás, para poder encará-lo da onde eu estava.

- Que você é um encosto na minha vida. Que faz com que ela seja uma merda. Que isso é uma merda, que essa situação é ridícula e injusta. Que eu te odeio e que você é idiota, desprezível, abusado, cínico e prepotente. E que eu gostaria muito que você me esquecesse e esquecesse essa sua neura que você tem comigo, porque eu não agüento mais. Eu gostaria de poder ter deixado você com essas bolhas de pus no corpo todo, e principalmente nessa sua cara idiota, pra ver se você parava de dar esses sorrisos bestas que tiram o ar de qual-

Eu parei.

E corei.

MERDA MERDA MERDA. Falei demais.

Eu tinha esperanças de que ele estivesse distraído, ou até mesmo assustado com o meu discurso, e não tivesse captado esse meu pequeno deslize de admitir que o sorriso matante dele deixa as garotas sem ar. Mas antes mesmo de eu conseguir fechar a boca, eu já tinha certeza de que ele tinha captado. E eu desejei não ter dado aquele passo para trás, de ter continuado lá no corredor, longe da vista dele. Porque ele me veria corar, com certeza. Por que como é que eu poderia negar que ele causa algum tipo de atração em mim (mesmo que seja só culpa dos meus hormônios!) se ele me viu corar? Como? Ele não ia me deixar em paz, aah, não mesmo.

- Como é? – Ele perguntou, o sorriso maior do que eu já tinha visto esse semestre.

Maior até do que quando eu o abracei sem querer, no primeiro dia letivo desse semestre.

Eu não respondi, mas levantei a cabeça. Eu não ia me deixar abater por esse pequeno deslize.

- Não se faça de desentendido, eu NÃO vou repetir nem que me paguem. Então, se você me permitir, eu quero curar logo sua maldita mão. – Eu falei, tomando cuidado para deixar meus olhos fixos em sua mão. Não olharia novamente pra ele hoje. Nem amanhã. Ou talvez pelo resto da semana, do mês, do ano. Ou talvez... Pelo amor de Merlim, ele já devia saber que ele faz isso com todas as garotas, então por que eu ficaria de fora? Não, ele já devia saber que eu também me sinto atraída pelo seu sorriso arrebatador e seu rosto perfeito e tal, e eu não ia deixar isso interferir no meu plano. Ele continuava sendo um idiota, e não me importava que agora ele tivesse presenciado uma gafe minha. Eu é que não ia ficar me martirizando por causa disso.

– Eu estou com pressa, Potter. – Eu acrescentei, porque ele continuava olhando pra mim, e eu podia sentir que ele ainda estava sorrindo e se divertindo horrores com a minha falha.

- Eu deixo você a curar. – Ele falou, ainda olhando pra mim. Eu ainda estava olhando para a mão dele, esperando. – Mas com uma condição. – Ele terminou, e eu senti que ele tinha ficado sério novamente.

AI, MEU MERLIM. Estou nas mãos de James Potter? ISSO MESMO? NO MAU SENTIDO? TIPO, COM O RABO PRESO? MERDA de novo.

Um momento de silêncio reinou na sala enquanto eu aguardava com pesar a condição maldosa que ele iria impor. No mínimo ele me pediria... Não, ele não faria isso. Pff, Lily Evans, sua ridícula. E se ele fizesse? Por que eu estava me preocupando? Quem era o Potter pra me obrigar a fazer qualquer coisa?

- Você volta a me chamar de James. – Ele falou, procurando meu olhar.

UFA.

- E... – Ele continuou.

AH NÃO. Esqueça, chega. No way. Não.

- ... Me dá um beijo. Só.

- Ha. Ha ha ha – Eu repeti – Como você é hilário, nossa, morri de rir. Me dá logo sua mão, quero sair daqui. – Eu falei, fechando os olhos para conseguir paciência extra, e estendendo minha mão para ele, esperando.

UM... DOIS...

- Já impus minhas condições, - ele falou, me olhando com cara de quem esperava que eu fosse realmente ceder. – Você não cura minha mão a não ser que me dê um beijo.

TRÊS.

- Ok, eu escolho deixar sua mão do jeito que está. – Eu falei, me virando novamente para deixa a ala hospitalar. – Quando resolver me dar a maldita mão sem impor condições, peça pra me chamarem. Tchau, Potter.

- Tsc, tsc. – ele se manifestou. – Acho que não, Lily. Acho que você deveria repensar...

- E eu acho que você deveria calar a boca e me dar logo sua mão. – Eu parei, a meio caminho da porta.

- Não. Eu quero um beijo, aí dou a mão. Do contrário, eu vou falar para McGonagall que você não fez o que ela pediu, e conseqüentemente, eu não poderei treinar. – Ele fez uma cara pensativa – É, realmente ela não vai ficar nada contente.

- Dane-se o estado de humor dela. – Eu falei, me virando para ele. Ele não iria esticar a mão? Pois bem, eu tentaria a mira então. Eu apontei a varinha para a mão dele e murmurei o feitiço, mas ele foi mais rápido e desviou. Ele levantou a mão, e a colocou atrás da cabeça.

- Lily! – Ele pestanejou, como se eu tivesse feito uma coisa muito grave. – Isso foi ridículo! Venha até aqui, me dê um beijinho e você pode curar minha mão e ir embora. – Ele falou como se estivesse instruindo uma pessoa com atraso mental.

RESPIRE, Lily Evans, respire. Se acalme, ele é só um garoto idiota com suas fantasias idiotas. Que irritam profundamente, mas ok, controle-se.

- Hum, tá Potter. Vamos fazer um acordo? – Eu perguntei, meio sem saber o que fazer. Mas não dei chance para ele responder, continuei: - Eu volto a te chamar de James, só. Você me dá sua mão, eu a curo, vou embora e nós dois ficamos felizes. Que tal? – Eu perguntei, demonstrando esperança.

Ele pensou por um minuto, avaliando a proposta como se fosse uma negociação milionária.

- Tenho uma contra-proposta.

Eu revirei os olhos. É claro que ele NÃO iria simplesmente aceitar. Imbecil.

- Huh? – Eu incentivei. Tudo para NÃO ser obrigada a tocá-lo.

- Você vai comigo à Hogsmeade semana que vem. – Ele propôs, um sorriso se formando por antecipação em seu rosto.

Sair com James Potter? Coisa que eu nego desde o terceiro ano? Coisa que todos queriam que eu fizesse? Não.

AAHHH. Uma coisa que todos queriam que eu fizesse... Isso daria uma boa imagem de Lily aberta a relacionamentos amigáveis, não daria? Seria bom para meu plano, não seria? Claro que eu não iria só com ele, mas eu poderia também aproveitar essa ocasião para deixar escapar em voz alta a minha suposta 'louca atração' por Dough e meu plano seguiria em frente, para o brilhante desfecho de 'potter-SEM-lily'. Huuum. Talvez.

Potter/James pareceu perceber que eu estava inclinada a aceitar a proposta. Ele até esticou a mão para mim.

HÁ. Ele esticou a mão pra mim. HOHO, tolinho.

Talvez eu não precisasse aceitar. Ele achava que eu estava pensando, então talvez estivesse devaneando sobre o nosso (im)possível passeio em Hogsmeade e nem percebesse se por acaso eu inclinasse um pouco minha varinha desse jeito...

- Pratics Deniosir! – eu murmurei, enquanto ele olhava atentamente para meus olhos, esperando uma resposta.

Ele levou meio segundo para perceber que o movimento dos meus lábios formavam a contra-azaração, e não uma possível aceitação de proposta alguma, como ele esperava.

Mas eu certamente demorei bem mais do que um segundo para perceber que, antes que eu pudesse colocar meus pés no sentido da porta, ele já estava de pé na minha frente, juntando nossos corpos, segurando meu rosto com a mão recém-curada e apertando contra si a curva das minhas costas com a outra, de um jeito nada suave, e me beijando no meio da ala hospitalar.

AI, MEU MERLIM. Eu estava sendo beijada à força por James Potter, O IDIOTA.

Eu me afastei imediatamente dele, colocando toda a minha força contra ele. ECA, NOJENTO. Isso foi, sem dúvidas, a pior coisa que aconteceu comigo em anos! Incluindo até aquela vez que eu tropecei no gramado da chácara do meu tio avô, e caí com a cara no meio de um monte de estrume FRESCO.

Bom, não. Talvez o beijo não tenha sido pior que isso.

Mas com certeza foi bem nojento. Nojento pelo fato de eu estar consciente de que eu estava sendo agarrada à força pela pessoa que eu mais evitava no mundo, e que eu sabia que ia sair se vangloriando desse beijo pelo castelo todo, e que estava me beijando só para provar que quando ele queria uma coisa, ele a conseguia, não importava como. Pelo fato dele ser um idiota nato, que já havia beijado uma parte bem grande da população feminina de Hogwarts, e que estava realmente me segurando tão grudada a ele que eu não conseguia NÃO pensar nos nossos corpos grudados, e me segurava com tanta força que estava me machucando. Nojento porque eu o odiava mais que tudo, porque ele era estúpido e porque ele estava provando isso, me agarrando desse jeito.

Mas ele não me soltou. Não importava o quanto de força eu aplicava, ele não me largava, embora a minha cabeça estivesse o mais longe quanto os braços dele permitiam.

E aí eu parei de tentar.

Eu fechei meus olhos, relaxei meus ombros e deixei meus braços penderem ao lado do corpo. Uma hora ele teria que me soltar.

Eu senti o olhar de estranheza dele, quando viu o meu comportamento e desgrudou sua boca da minha. Ele hesitou por um momento e então eu senti a respiração dele mais próxima de mim novamente.

- Não ouse fazer isso. – Eu falei em um único fôlego, com o tom mais ameaçador que eu consegui. – Se você preza sua vida, James Potter, eu estou te avisando: Não. Ouse.

Acho que alguma coisa na minha expressão deve ter o alertado, porque, ainda de olhos fechados, eu consegui sentir ele afastando o rosto novamente, e estudando minha cara.

Ele soltou um riso baixo pela garganta, meio... Derrotado? E me largou, ainda hesitando.

Eu abri os olhos, e me deparei com ele a uns três passos de distância de mim, procurando meu olhar. E dei o meu pior sorriso de escárnio possível.

- Então o famoso James Potter ficou com medo do tom de voz de uma garota. – Eu falei, pausando em cada palavra para ele entender direito. Ele era retardado, afinal. - Interessante. É bom saber que você gosta de todos os seus membros nos lugares certos, Potter. – Eu disse, cuspindo a última palavra. Milhares de coisas estavam passando pela minha cabeça naquele momento, desde ameaças para ele NÃO mencionar o ocorrido até matá-lo ali mesmo, mas meu subconsciente me dizia para me virar e ir embora. Então, mais uma vez, eu segui a tal voz na minha cabeça. O deixei mastigando as minhas palavras, porque contar sobre o beijo ele com certeza iria, então, de que adiantavam ameaças? Eu só iria me irritar mais ainda. Eu me virei calmamente, e dei passos firmes até a porta.

- Lil- - Ele começou. Ou só chamou, não sei.

Eu não me dei o trabalho de virar para ele novamente. Eu não queria ver aquele rosto por um bom tempo. Eu simplesmente ergui a mão com a palma aberta, ainda de costas para ele, e fui embora.


N/A: HÁ. mais um capítulo. lol espero que gostem. *-* beijos!