Capítulo 17

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Sábado, dormitório feminino do sétimo ano, dez horas da noite.

Eu não consegui terminar de copiar os deveres a tempo, afinal. As meninas acordaram e queriam ir lá pros jardins, então eu peguei os deveres e fui com elas. Elas também foram carregadas dos seus materiais, porque nós ainda tínhamos MUITA coisa pra fazer. E eu estava bem atrasada. Mas ok, eu terminei de copiar os que elas tinham feito ontem, e comecei a ajudá-las com os de poções, transfiguração e DCAT. E eu e Brubs ainda tínhamos que escrever quarenta centímetros sobre as relações entre adivinhação e runas antigas.

Nem é tão ruim assim, já que a gente mais conversa do que faz dever. Nós terminamos tudo até a hora do almoço, e, nos sentindo muito responsáveis, voltamos para a sala comunal.

- Aleluia! – Frank comemorou quando nós entramos.

Eu fiz careta pra ele.

- Ah, é o primeiro fim de semana, Frank! – Lene falou. – Você tem que entender que demorou um pouco porque a gente estava dando baixa em to-dos os acontecimentos até agora.

- Ah, é. – Ele respondeu rindo enquanto abraçava Alice, como se tivesse se esquecido de algo muito óbvio.

Nós fomos almoçar e eu estava me sentindo bem melhor, sem ter nada me prendendo hoje. Nossos deveres já estavam feitos, o dia estava lindo, o grupo estava inteiro reunido... Exceto uma pessoa. Quando a gente estava voltando para o castelo, depois de ficar horas tomando sol e aproveitando o dia lindo lá fora, Bruna fez a pergunta que tentava, de todas as maneiras, escapar da minha boca. Mesmo que eu odeie admitir isso.

- Onde é que o Jay se meteu?

- Ele está treinando. O dia todo. – Disse Sirius meio carrancudo, enquanto andava abraçado comigo, e enchia o saco de Lene.

Treinar. Hum, quadribol. Argh. Um dia perfeito desses, e o garoto lá, suando feito um porco em cima de uma vassoura. UAU, que legal.

Depois do jantar, nós subimos para a sala comunal e ficamos um bom tempo lá, jogando snap e falando besteiras. Quando os meninos saíram falando que iam fazer alguma coisa no castelo, por ser o primeiro fim de semana e tal, eu subi para o dormitório tomar uma ducha rápida e trocar de roupa, porque a que eu estava vestindo parecia dois números menor. Ela grudava no corpo, por causa do suor. Coloquei uma saia de pregas jeans desbotada, que eu usava para ficar em casa durante as férias naquele calor insuportável de Little Whingin. Peguei a primeira camiseta fresca que eu achei, que por sinal era uma regata branca, coloquei meu inseparável all star milenar e desci pra sala comunal de novo, me sentindo bem melhor.

Mas a sensação de bem estar durou pouco. Muito pouco, eu diria, porque quando eu estava no pé da escada, eu me deparei com Potter sentado ao lado das meninas, todo suado naquela roupa de quadribol que definia seus músculos tão bem e- ER.

Ok, respira. Você consegue ser simpática com ele. Você foi simpática com ele ontem.

Completamente normal... Pff, até parece. Garoto estranho, eu hein. Uma hora ignora, outra hora me faz rir.

Eu quero distância.

Eu me aproximei deles e me sentei no braço do sofá, ao lado de Alice.

Todas elas olharam pra mim.

- O que é que você tem? – Bruna me perguntou, do outro lado do sofá. James manteve a cabeça baixa, enquanto futricava num buraco no sofá, mas eu consegui identificar um sorriso ali.

Eu revirei os olhos, controlando a vontade de tacar alguma coisa nele, mas não conseguindo evitar um sorriso. Imbecil. E por que diabos eu estava sorrindo tanto?

Argh, não responde!

- Hum. – Eu fechei os olhos pra raciocinar. – Vocês já sabem. – Eu disse, tentando deixar de ser o centro das atenções.

- Ah. – Elas soltaram juntas.

- Sobrei. – Potter falou, já que todas elas pensavam que eu estava 'estranha' por causa do meu admirador secreto, e ele não sabia de nada.

- Pois é, Jay. Aliás, por que é que você ainda está aqui, mesmo? – Brubs brincou.

Eles começaram uma espécie de lutinha, em que Bruna saiu visivelmente pior porque ela estava descabelada e sem ar quando se livrou das cócegas dele e ressurgiu do meio das almofadas do sofá.

James olhou pra mim, os olhos brilhando.

Duas palavras?

Sai fora.

De repente, ele abriu um sorriso muito maroto para o meu gosto e começou a se mexer.

- Não pense nisso. – Eu disse, sem tirar os olhos dele. Qualquer movimento e eu saía correndo buraco afora.

Ele levantou uma sobrancelha e fez menção de vir pra cima, e quando eu dei por mim, eu estava do outro lado da sala, no meio de alguns primeiranistas que tentavam, sem sucesso, ajuntar as peças de xadrez que eu tinha acabado de derrubar.

James estava rolando no chão, em uma bem-estranha-crise-de-risos e as meninas estavam todas debruçadas no encosto do sofá, olhando pra mim, lá no meio dos calouros. Todas elas estavam com caras bem engraçadas, eu tive que rir.

Elas se entreolharam. Eu odeio quando as pessoas se entreolham assim, cheias de significância. Parece que elas estão concordando que tem alguma coisa na situação toda, que você ainda não descobriu. Ou, er. Droga.

Eu parei de sorrir, pedi desculpas para as pequenas crianças indefesas que olhavam pra mim como se eu fosse um carrasco, e voltei para junto da lareira, passando pelo lado oposto de onde Potter se encontrava ainda no chão.

As meninas se viraram novamente pra frente, enquanto eu me sentava na minha poltrona. Eu evitei olhar praqueles rostos super empolgados que eu estava vendo na minha frente, porque eu odiaria decepcioná-los. Então, eu olhei pra tudo, menos pra elas. E meus olhos foram parar naquele ser que estava no chão.

- Potter, não tem mais graça. – Eu falei, tentando parecer séria.

- Deixa de ser sem graça, estraga prazeres. – Ele se levantou ainda rindo. - Foi muito engraçado, sim, você correndo como se fosse salvar a vida.

- Há-há, idiota. – Eu dei um sorriso falso e taquei uma almofada nele.

- Hum, explicações, por favor? – Lene pediu, e eu rapidamente comecei a me concentrar em amarrar os cadarços do meu all star.

- A Lily terá o maior prazer em contar, não é, estraga prazeres?

- Hum? – Eu perguntei erguendo o olhar, me fazendo de desentendida.

E recebi reviradas de olhos idênticas, de Lene, Alice e Bruna.

- Argh, você são terríveis. – Eu voltei a amarrar meu tênis. – Não tem nada pra contar, seu imbecil. – Eu acrescentei, para Potter.

- Eu conto, então! – Ele se jogou no sofá, se enfiando no meio de Lene e Bruna. – Eu e Lily estamos namorando! – Ele gritou, pra sala comunal inteira ouvir.

Eu me engasguei com a saliva.

Eu levantei e eu juro que ia partir pra cima daquela peste, mas eu não conseguia respirar.

Ele veio pro meu lado e ergueu meu braço, dando leves batidinhas nas minhas costas.

Eu tossia e tentava falar ao mesmo tempo.

- Seu... – Argh, tosse idiota. – Seu ri... - Mais tosse. – ...dículo. – Mais um pouquinho de tosse. – Ai, para de me bater! – Eu gritei, quando eu já tinha parado de tossir e ele continuava com as batidinhas.

Ele me largou e correu de volta pro sofá, se encolhendo atrás das meninas.

- Hum, suponho que seja mentira, então? – Bruna perguntou, rindo.

- Não, não, Bruna. – Eu revirei os olhos. – Vem aqui, seu indecente! – Eu chamei a peste. – Quero ver você gritar pra sala comunal inteira então, que é mentira.

- Ah, qual é, estraga prazeres, a sala tá vazia, só tem calouros aqui. E também, ninguém vai acreditar no que eu disse. – Ele falou, ainda atrás das costas de Bruna.

Eu considerei por um segundo. É, ele tinha razão.

Eu voltei a me sentar na minha poltrona e ele saiu de trás das garotas.

- Sabe o que é incrível? – Eu perguntei, provocando.

- Hum? – Todos responderam, curiosos.

- Que Potter já está se achando o tal, só porque trocou algumas palavrinhas comigo ontem. – Eu disse, me sentindo muito má.

Ele estreitou os olhos pra mim, e eu desviei o olhar, porque acho que ele desconfiou que eu não tava falando sério, que eu só tava tentando provocá-lo.

- Uuuuuh. – As meninas soltaram, sentindo o clima de provocação.

- Engraçado mesmo é outra coisa... – Potter disse depois de uns segundos de silêncio.

- É? – Eu perguntei, incentivando.

- U-hum. – Ele respondeu, brincando com a manga da blusa de Marlene, como se estivesse muito concentrado.

- O quê? – Alice perguntou por todas.

- Que a Lily disse aquilo como se a minha felicidade dependesse dela. – Eu ergui minhas sobrancelhas em descrença. – Mas ela se esqueceu de mencionar o fato de que foi ela quem puxou assunto comigo, ontem.

Eu soltei uma risada descrente.

- Hum, e por acaso eu estava errada, quando disse que sua felicidade depende de mim? – Eu perguntei, mas preferi não dar tempo para uma resposta. – E como assim eu puxei assunto? Você se esqueceu de que foi o senhor quem me defendeu? E a partir daí é que eu te disse que não precisava de você e você me chamou de orgulhosa?

As meninas olhavam divertidas de mim para James.

- Não, você não está errada quando diz que minha felicidade depende de você. Todos os seres vivos pensantes desse castelo sabem disso. – Ele disse, me pegando meio desprevenida. Mas eu não me deixei abalar. – Eu não esqueci que te defendi, mas a senhora parece estar esquecendo que interrompeu seu momento de descanso e correu atrás de mim.

- Ah! – Eu soltei em meio a uma risada. – 'Correr atrás de você' é forçar a barra, não?

- Tá, tá. – Ele abanou a mão em indiferença e nós voltamos a rir. E quando eu dei por mim, as meninas tinham sumido.

- Pra onde é que elas foram? – Eu perguntei, como se esperasse que elas brotassem do vão entre as almofadas do sofá, ou algo assim. - Aliás, os meninos também sumiram totalmente.

- Eles foram fazer os deveres, eu acho.

Eu gargalhei.

- Os marotos? Fazendo os deveres? Num sábado à noite? Tenha dó, né.

- Ah, tá, acho que eles estão por aí, no castelo, na verdade.

- E eles nem ao menos chamaram o grande Prongs? – Eu provoquei. Mas eu deveria ter ficado quieta, fato.

- Eles chamaram. – Ele respondeu simplesmente, fitando o meu rosto. E ele realmente não precisava dizer mais nada, porque eu já sabia o que ele estava pensando. "Eles chamaram, mas eu preferi ficar com você." Oh, Merlim. Por que ele não podia aproveitar que agora eu conversava com ele, e ter realmente uma conversa NORMAL?

Eu ficava nervosa quando ele puxava esse tipo de assunto.

- E acho que as meninas sim, foram procurar sossego pra fazer os deveres, já que a monitora-chefe estava atrapalhando, ao invés de ajudar. – Ele continuou, o tom descontraído.

- Elas já fizeram os deveres. – Eu respondi sem pensar.

Uh.

Então elas tinham nos deixado às sós.

Seguiu-se um momento de silêncio, eu sentada de índio na minha poltrona e ele sentado no chão, na minha frente.

E de repente eu percebi que aquilo tudo era MUITO estranho, porque eu nunca tinha passado tanto tempo com Potter. Muito menos me divertindo com ele.

Argh, que bizarro.

- Hum, - Eu falei, o clima meio estranho depois das risadas. – Eu acho que vou procurar as meninas, então, já que elas me abandonaram.

- Tsc, tsc. – Ele soltou enquanto eu me dirigia até a escada. – Você não percebeu que elas não querem a sua companhia, estraga prazeres? – Ele zombou.

Eu me virei pra responder de um jeito nada educado e provocativo, como tinham sido todas as coisas que eu tinha dito pra ele até agora, mas ele não estava olhando, então eu simplesmente subi as escadas, desconcertada, e entrei no dormitório.

E aí eu fui derrubada no chão e 'amordaçada' por uma mão, e levada até minha cama.

Minhas amigas são estranhas? Imagina.

- O que é que... ? – Eu me sobressaltei, quando elas me colocaram na cama.

- Vai, desembucha. – Marlene falou, em um tom meio ameaçador, e eu não tive escolha, senão contar tudo o que tinha acontecido, desde a hora que elas me deixaram sozinha lá nos jardins, ontem.

- Huuuuum. – Bruna soltou, olhando para as meninas, com certa significância.

Eu já disse que odeio isso, né? Pois é.

- Ah, podem parar. – Eu me levantei da cama e marchei até o banheiro.

Elas só riram.

- Sério meninas. – Eu pedi, olhando sério para elas. – Eu não decidi fazer nada disso, simplesmente aconteceu. Eu não estou 'dando uma chance' pra ele, não viagem na maionese. Eu só nem percebi que estava falando com ele. Quando dei por mim, nós já estávamos rindo.

Elas evitaram se entreolhar, mas foi como se o tivessem feito.

Eu revirei os olhos.

- Uma piadinha sequer, e eu juro que volto a tratá-lo como antes. – eu falei, me sentindo realmente ameaçadora agora.

As meninas se entreolharam sombriamente dessa vez.

- E parem com os malditos olhares, por Merlim! Vocês sabem que eu odeio isso.

- Sabe de uma coisa... ? – Alice começou.

Eu olhei para ela, exigindo a continuidade.

- Acho que essa amizade vai fazer muito bem pra você. – Ela disse, fitando meu rosto com uma certa vitória.

E de certa forma, ela realmente era vitoriosa. Todos eles eram. Eles tinham armado tantas coisas durante esses cinco anos, pra nos ver juntos, que mesmo uma simples tarde de conversas e uma brincadeirinha no dia seguinte era o suficiente para deixar todos eles num estado soberbo de euforia.

Eu não consegui evitar um sorriso vencido.

- Vocês são a minha vida, sabiam disso? – Eu falei, olhando pra cada uma delas, sentadas ali. Eu senti falta de Déryck. Há dias eu não falava direito com ele.

– Mas, - Eu voltei a falar depois que todas voaram pra cima de mim com um 'aaw, que lindo. Você também é nossa vida, te amamos.'- Por favor, não se esqueçam de que eu tenho um admirador secreto E que eu estou muito animada com isso. Então, se vocês puderem, por favor, não ficar me enchendo o saco com essa coisa toda de Potter Potter Potter, ok, eu posso mesmo continuar falando com ele.

Elas concordaram com a cabeça e eu fui para a porta novamente.

- Onde é que você vai? – Lene perguntou.

- Huuum, - Eu não sabia aonde eu ia. Eu só não ia ficar ali em cima, sem fazer nada. – vocês vão tomar banho, não vão? – Eu perguntei, apontando para as mudas de roupas limpas espalhadas em cima das camas.

Ela soltou um 'ah' e eu abri a porta, indo para a escada.

- Como se nós não soubéssemos que você está louca para voltar a conversar com o seu novo amiguinho! – Bruna falou alto quando eu já estava na metade da escada, e eu tive que rir, depois de xingá-la quase gritando, pra ela poder ouvir lá do dormitório.

- Está mesmo? – Potter virava a cabeça na minha direção, sentado no sofá.

Eu me limitei a revirar os olhos. Ele riu.

- O que foi? – Eu perguntei, começando a me irritar com as eternas risadinhas.

- Você faz isso inconscientemente, eu acho.

- Isso o quê? – Eu franzi as sobrancelhas.

- Isso também. – Ele falou apontando para o meu rosto.

- Ah. – Eu entendi. – O negócio de revirar os olhos?

Ele fez que sim com a cabeça

– Na verdade, depende muito da pessoa com quem eu estou lidando. – Eu não perdi a chance de alfinetá-lo.

- Você não cansa? – Ele me perguntou de um jeito intenso de repente, me pegando desprevenida.

- De...? – Eu tentei entender antes de perguntar, mas 'você não cansa?' era muito vago.

- De tentar provar pra você mesma que eu não sou o cara certo pra você. – Ele respondeu, sem tirar os olhos dos meus.

Eu ofeguei e não consegui reagir por um minuto.

- Huum. – Eu tentei. – 'ser o cara certo pra mim' é meio... forte, não acha? – Eu perguntei, fazendo careta.

Não, ele não acha. Porque eu não obtive resposta.

– James... – Eu comecei de novo, porque eu queria esclarecer algumas coisas, já que nós íamos conversar daqui pra frente.

Mas eu fui obrigada a parar, porque eu o chamei de JAMES. Pois é. E ele percebeu. E tipo, nem era uma provocação, ou algo assim. Eu simplesmente o chamei assim, sem perceber.

- Uau. – Ele ergueu as sobrancelhas em deboche.

Eu estreitei os olhos. Eu precisava deixar algumas coisas claras, e as brincadeirinhas teriam que esperar.

- Hum, Potter, então. – Eu falei, tentando não dar muita importância ao jeito como eu ia chamá-lo.

- Ah não! – Ele me interrompeu bruscamente. – Você não pode mesmo me chamar pelo primeiro nome? – Ele perguntou fazendo cara de cachorro sem dono.

E eu simplesmente tive que soltar um risinho. Porque era muito injusto comigo, que Potter fosse a coisa mais linda naquele castelo, e a que eu achava a mais idiota há 24 horas atrás. Não que eu não o achasse idiota ainda, mas sei lá, eu tinha percebido que, de uma hora pra outra, nós começarmos a conversar de um jeito estranho e sempre tinha esse tipo de vontade-de-rir envolvida

Eu revirei os olhos, divertida, incapaz de me conter, e finalmente continuei.

- James, – Ele sorriu radiante. Patético. - 'ser o cara certo pra mim' é muito forte. – Eu afirmei, sendo bem clara. - Você não pode acreditar que eu possa pensar em algo assim. – "Não quando você é o cara mais idiota que eu conheço" eu pensei em dizer, né, mas ele estava sendo legal comigo, afinal, então eu tentei ser o mais sutil possível: - Não quando eu acabei de deixar de te odiar.

Ele pensou por um tempo, parecendo pesar a resposta.

- É. – Ele disse, por fim, a cabeça baixa. E depois de uns segundos abriu um sorriso de criança que ganha presente adiantado.

- O que foi agora? – Eu perguntei cautelosa. Essas mudanças de humor dele me deixavam meio confusa.

- Então quer dizer que você deixou de me odiar? Nossa, que grande avanço. – Ele continuava sorrindo.

Eu quase falei: 'É, mas posso voltar atrás rapidinho.', ou 'é, mas não se anime, isso não significa nada.', ou 'é, mas seus sorrisos estão me deixando com raiva'. O que não era verdade. Eu estava era começando a ficar com raiva de mim mesma, porque eu estava me permitindo ficar tempo demais com ele.

De repente, eu caí na real. Ele tinha me agarrado à força! Duas vezes. Ele tinha me beijado quando eu não queria. Quando ele sabia que eu o odiava. Ele tinha tomado essas atitudes ridículas, e eu simplesmente o odiava por isso, mais do que por qualquer outra coisa. Ele tinha conseguido me fazer odiá-lo mais ainda, mais do que durante todos esses anos. Ele tinha provado o quão babaca podia ser, machista, idiota e troglodita, fazendo essas coisas com uma garota.

Eu até comecei a formular umas frases na minha cabeça, eu estava prestes a explodir com ele por ter me lembrado do quão imbecil ele era, mas não consegui. Porque, ao mesmo tempo, não havia sinais daquele cara agora. Não ali, com esse Potter que tinha me feito dar boas risadas ontem e hoje à tarde. E isso me deixava confusa.

Eu me levantei de repente, meio dura, tentando raciocinar direito. Ele me seguiu com o olhar.

Eu fui até perto da escada, sentindo os olhos dele em mim, mas mudei de idéia. Estava voltando para o sofá quando também mudei de idéia e fui em direção ao buraco do retrato. No meio do caminho, eu me virei para ele, pra explicar onde eu estava indo, mas cheguei à conclusão de que eu não devia explicações a ele. Afinal, a gente só tinha conversado um pouco nesses dois dias.

- Lil... – Ele me chamou, se pondo de pé.

Eu virei para respondê-lo, mas minha cabeça estava confusa. Eu não sabia o que fazer, porque o cara que esteve comigo essa tarde era legal demais pra ser o cara que eu odiei durante tanto tempo.

Eu levantei o dedo na minha frente, tentando organizar uma frase decente.

Eu abri e fechei a boca umas duas vezes, sem emitir som algum.

- Você está bem? – Ele me perguntou com uma cara meio estranha.

- Não muito. – Eu admiti. – Acho que eu vou... dormir. – Eu terminei, voltando a rumar para as escadas. – Boa noite, James. – Eu falei por educação, enquanto subia as escadas, perdida em pensamentos.

- Ué... Já? – Lene perguntou assim que a porta se abriu.

Eu olhei pra elas com um sorriso que eu esperava ser simpático e segui para minha cama, com os três pares de olhos em mim. Eu me vesti para dormir e entrei em baixo das minhas cobertas sem dizer nada. Eu puxei a cortina que me isolava na minha cama e dei um 'boa noite' em voz alta para elas.

E agora eu estou aqui. E eu preciso dormir. Dormir e tentar raciocinar direito.

Realmente não tinha foi ruim, conversar com ele. Passar o tempo com ele é uma coisa fácil, flui sem problemas, exceto quando ele fala coisas muito profundas pro momento. Eu ainda estou completamente intrigada com a mudança tão repentina de humor dele. Não só ontem à tarde, quando nós discutimos, mas o tempo todo. E o pior: do meu humor também. Porque eu não estou mais com raiva, nenhum pouco. Apesar de ele ter dito que eu só sei o xingar, que eu não o conheço, sendo que faz cinco anos que eu tento me livrar daquele chiclete em forma de Deus grego e-

Oh, Merlim, eu disse isso? Droga.

DOUGH DOUGH DOUGH DOUGH.

Cadê você?


N/A: oooi gente! nossa, eu bati o record essa semana, HAHA. att uns 3 capítulos, mas ok. é que eu já estou quase terminando de escrever, sabe, já éstou no cap25, e quero que vocês acompanhem tudo *-*

estou um pouco mais feliz, nesse cap eu tive três reviews. IUASHDIUASHDIUSAH muito pouco T.T mas melhor do que uma só *-* então, por favor, preciso de mais reviews, senão desanimo D':

gente, você ficaram surpresas por lily ter ficado com Sirius, mas em vários capítulos eu já tinha citado isso :O mas ok, pra quem não lembrava, eles ficaram sim. eu nunca cheguei a explicar direito, mas se vocês relerem vai dar pra perceber. foi no fi do quarto ano, em um baile de hogwarts, e foi depois disso que lily e pads viraram melhores amigos :D bom, eu vou indo. espero mesmo que gostem desse cap. a fic começa a ficar melhor a partir desse capítulo, na minha opinião *-* beijos, até o próximo!

Respondendo as reviews:

Niick: haha, nem me fale, já tava na hora. ;D obrigada! continue lendo, 1bj

ChastityKeat: noffa, babei no seu nome vampírico -q IAUHSDIUAHSDIUHASD o meu é sarah keat *-* enfim, obrigada pelo carinho! euri com tua última review IAHSDIUAHIDUH beijos Melyssa!

Mila Xavier: AAAAAAAAAH, você voltou *--* senti sua falta D: mas te perdôo, IUAHSDIUHASIUDH obrigada pela review super fofa, se divirta com esse cap, beijos!