Capítulo 19

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Terça-feira, dez de setembro, dez e meia da noite, dormitório feminino do sétimo ano.

Credo, o que é que fizeram com o meu tempo? Sério, ele anda sumindo.

Mas enfim, o dia passa realmente rápido quando você tem alguém esperando por você o tempo todo. É pra ir tomar café (isso mesmo, agora Dough acorda mais cedo só pra tomar café da manhã comigo! Haha), pra ir pra sala, pra voltar da sala, pra almoçar, pra voltar pra aula, pra trocar de sala, pra fazer dever, pra... PRA TUDO. Eu confesso que isso é meio chato, porque eu odeio que grudem em mim. Mãs, segundo as meninas, isso passa logo.

Assim espero.

Bom, depois que eu parei de escrever ontem, o dia passou mais ou menos do mesmo jeito. Eu desci e Dough estava esperando lá no saguão, e nós escapamos para uma sala de aula vazia e ficamos lá um pouquinho, aí o sinal bateu e nós fomos pra aula. Era transfiguração, então nós nos dedicamos ao nosso trabalho, sobre o olhar rigoroso de McGonagall. Depois a gente foi jantar, e Dough agora se senta com a gente. E aí, voltamos para a sala comunal, e depois de fazer os deveres correndo, nós fomos para um canto mais discreto da sala, pra poder dar uns beijinhos, né, sem ninguém reclamar da indiscrição. E aí eu estava morta de sono e fui dormir mais cedo, deixando todo mundo lá em baixo, na sala comunal.

Mas hoje foi um dia cansativo. E estressante.

Eu acordei mais cedo do que o costume, porque ontem eu tinha ido dormir mais cedo e tal. Eu aproveitei e tomei um banho mais demorado, coloquei minha saia de pregas, meu all star, minha camisa, fiz o nó na gravata e desci correndo, porque eu estava morrendo de fome.

Eu entrei no Salão Principal e me deparei com James sentado nos nossos habituais lugares.

- Hey. – Ele me cumprimentou com um sorriso fraco.

- Ah, você ainda fala. – Eu brinquei, retribuindo o sorriso.

Nós tínhamos parado totalmente com as brincadeirinhas e provocações, e agora o clima estava meio estranho, sabe. Porque no domingo, foi tudo muito rápido quando Dough me beijou, e depois disso eu meio que só fiquei com ele, o tempo todo. E em todas as vezes que James estava presente junto comigo e Dough, ele simplesmente emudecia. E eu ainda não tinha ficado sozinha com ele, desde sábado de noite.

Eu comecei a comer, e tive que parar, porque senti que ele simplesmente tinha parado de comer desde a hora que eu cheguei. E ele só me analisava.

- Huum. – Eu comecei, meio sem graça. – O que foi? – eu olhei para minha roupa, pra ver se tinha alguma coisa errada.

Ele riu.

Eu olhei novamente para ele.

- Que houve? – Eu perguntei meio impaciente.

- Não tem nada sujo aí. – Ele falou, acenando na minha direção.

Eu soltei um leve 'ah.' E ele riu de volta.

Eu revirei os olhos.

- Você ainda faz isso! – Ele falou, tirando sarro das minhas reviradas de olhos.

Eu fiz uma cara de quem não entendeu, e ele finalmente tirou os olhos de mim, pegando a jarra e colocando mais suco no seu copo.

- E por que eu não faria...? – Eu perguntei, dando uma dentada na minha panqueca.

- Você é que sabe, estraga prazeres. Desde que começou a ficar com o novato você parou de fazer muitas coisas. – Ele me disse, voltando a me fitar.

A panqueca quase não desceu, tinha se formado um bolo na minha garganta.

Eu tentei disfarçar com uma tosse, e tomei um gole de suco antes de me recuperar.

Mas eu não tinha o que dizer, porque era meio que verdade. Só fazia três dias que eu estava ficando com Dough, e nesse tempo, eu só consegui sentar e conversar mesmo com as meninas umas duas vezes. E com os meninos, então, eu estava totalmente em falta.

- Você podia parar de me chamar assim. – Eu falei, depois de alguns minutos muito incômodos de silêncio.

- Ah, mas por que, estraga prazeres? Esse é um bom apelido. – Ele respondeu me provocando.

Hum, tá.

- Ah, ok, Potter, pode continuar, então. – Eu levantei a minha sobrancelha em desafio.

- Ah! – Ele reclamou. – Tudo bem então, Lily.

Nós rimos e a 'barreira' meio incômoda que tinha se formado entre nós se dissolveu.

E nós ficamos nos provocando e rindo durante o resto do café-da-manhã.

Dough chegou de repente, depois de uma meia hora, no meio de uma guerrinha de migalhas. Em que James saiu visivelmente perdedor.

- Ah, oi, Dough! – Eu abri um sorriso, mas ele não retribuiu. Ao invés disso, ele olhou feio para James e era quase como se eu pudesse ouvir o "PRIMEIRO ROUND!" sendo gritado no meio do salão.

James sustentou o olhar até eu puxar Dough pela mão, para ele se sentar ao meu lado. Quando Dough sentou, James levantou. E seguindo aquele mesmo padrão de lily-acompanhada-de-dough-não-existe, ele saiu do salão sem dizer nada.

- O que é que você estava fazendo com ele? – Dough perguntou carrancudo.

- Bom dia pra você também, Dough. – Eu respondi irritada.

Sai pra lá com esse lance de ciúmes.

- Desculpe. – Ele falou baixinho, me dando um selinho. – Já terminou o seu? – Perguntou, se referindo ao meu café-da-manhã.

- Hum, vou tomar um pouquinho de café, ainda. – Eu disse, o rosto ainda fechado.

Yasmin chegou depois de alguns minutos, e se sentou ali, conversando com a gente.

E depois, para o meu TREMENDO espanto, Sirius se juntou a nós, também.

- Uau, olha quem apareceu antes das oito por aqui. – Eu impliquei com ele, as sobrancelhas erguidas de surpresa.

- Bom dia, pessoas. – Ele se sentou ao lado de Yasmin e deu um selinho nela, também.

Eu usei a mão para fechar a boca.

Os dois sorriam para mim, os mesmos sorrisos marotos.

- Seus trapaceiros! – Eu gritei me fazendo de indignada! – E a Lils aqui não precisa saber de nada, né?

- Nós estávamos ficando em segredo. – Sirius nos disse, imitando um tom formal.

- Ah... É? – Eu fiz careta. – Por quê?

- Hum, acho que você vai descobrir logo, Lil. – Yasmin respondeu.

Tá, né.

- Uh, tá. – Eu dei de ombros. – Nem estou curiosa, estão vendo? Nenhum pouco.

Todos nós rimos. Aos poucos o salão foi enchendo, e eu deixei um Dough muito entretido conversando com Déryck e subi para escovar os dentes e pegar meu material.

James estava sentado na escada de acesso aos dormitórios quando eu entrei.

- Nenhum daqueles é bom pra você? – Eu perguntei rindo, apontando para os muitos assentos espalhados pela sala.

Ele me olhou e ficou em silêncio.

Huuum.

Eu tentei de novo:

- O que é que você está fazendo sentado aqui, James? - E me sentei ao lado dele.

Mais silêncio, e de repente ele ficou de pé.

- Tá. – Eu falei, o sangue subindo. – Vai começar com a sessão lily-faz-parte-da-decoração de novo? – Eu continuei sentada enquanto olhava para ele. – Eu pensei que a gente já tinha parado com isso.

- A gente. – Ele repetiu com sarcasmo.

Eu contive uma revirada de olhos e passei os olhos pela sala. Estava vazia. Eu procurei alguma coisa pra dizer, mas ele foi mais rápido.

- Não se pode mais ficar sozinho nesse castelo? – Ele perguntou enquanto se sentava no encosto do sofá.

Eu levantei as sobrancelhas.

Então AGORA ele não queria a minha companhia.

Eu afundei meu rosto em minhas mãos.

- Eu não sei o que fazer. – Eu disse, depois de um minuto de silêncio.

Eu o senti se sentando novamente ao meu lado.

- Sobre o quê? – Ele me perguntou com a voz carregada de preocupação.

Eu simplesmente detesto o jeito como ele deixa transparecer tão absurdamente o fato de que gosta de mim.

Eu suspirei.

- Sobre isso. – Eu falei, tirando o rosto das mãos e gesticulando para nós, sentados ali. – Seria tão mais fácil se você me ajudasse.

Os olhos dele eram questionadores.

- Isso – começou ele, fazendo o mesmo gesto que eu tinha feito. – é muito fácil de se resolver, Lily. – Ele disse, sustentando o meu olhar.

Ops, nada bom. Proximidade aumentando, nada bom MESMO.

- Eu não vejo como. – Eu disse num fôlego só, levantando rapidamente.

- Então, eu não posso fazer absolutamente nada. – Ele falou, a irritação assumindo suas feições.

O buraco do retrato girou admitindo alguns terceiranistas, e ele aproveitou a deixa pra sair da sala.

Eu suspirei mais uma vez, cansada e completamente confusa. Eu queria MESMO dar um jeito na situação. Queria deixar bem claro que eu e ele podemos ser amigos, e nada impede isso. Mas então, se toda vez que nós ficarmos sozinhos, se não ficamos nos provocando, entramos em assuntos delicados... Então talvez fosse melhor eu realmente não tentar fazer isso dar certo.

Eu subi correndo para o dormitório, escovei os dentes, peguei minha mochila e fui direto para a sala, esperar o professor. Infelizmente, Slughorn já estava lá.

- Ora, ora! – Ele disse, a voz trovejando. – Entre, minha aluna preferida.

Eu sorri para ele com toda a simpatia que consegui e me sentei no meu habitual lugar, enquanto me preparava para esperar.

- Empolgada para a festa, sexta-feira? – Ele perguntou enquanto organizava alguns caldeirões na sua mesa.

Sexta-feira...? AH, a festa!

- Oh, claro. – Eu respondi, tentando parecer empolgada. – Estamos esperando ansiosamente, senhor. – Eu acrescentei sem necessidade.

Os outros alunos começaram a chegar assim que o sinal bateu, e as meninas entraram e nós ficamos conversando. Eu falei sobre a festa, e elas também tinham se esquecido completamente. Meu ânimo melhorou durante a aula, e quando eu dei por mim, o sinal tinha tocado.

Eu peguei meu material e fui esperar Dough na porta, mas depois de alguns alunos passarem eu comecei a lembrar que não tinha o visto na aula. Eu corri para acompanhar as meninas, e pensei em contar sobre o ocorrido com James, mas isso só ia me fazer ficar para baixo de novo.

Yasmin nos encontrou no corredor e eu quase consegui sentir a corrente de raiva que saía do corpo de Lene. Eu estaquei.

O problema de Yasmin era com Lene. Yasmin estava com Sirius, Sirius vivia tentando ficar com Lene.

- Oh. – Eu soltei, pondo a mão na boca.

- O que foi? – Alice me perguntou, mas Yasmin olhava pra mim com um sorriso no rosto.

- Nada. – Eu respondi. – Esqueci de perguntar uma coisa da festa pro Slughorn.

Ela murmurou um 'ah' e ela e Lene se despediram e viraram o corredor, enquanto eu, Brubs e Yasmin seguíamos reto para a aula de Runas.

Eu não consegui me conter e mexi os lábios sem emitir som algum enquanto entrávamos na sala e Bruna ia à frente:

- Sua sa-fa-da!

Yasmin riu e nós seguimos Bruna pela sala, sentando no mesmo lugar.

James estava na fileira de cima, como sempre, e eu tentei fingir que ele nem existia. E eu consegui. A aula dupla de Runas exigia muito empenho e tal, então eu nem estava ciente de nada que não fosse a nossa tarefa. Quando o sinal bateu, eu estava completamente morta de fome.

Nós descemos para almoçar e eu encontrei Dough no saguão, e ele me disse que não tinha ido para a aula de poções porque tinha uns deveres atrasados pra fazer.

Eu achei estranho, né, já que nós fizemos todos os nossos deveres juntos, mas fiquei na minha.

Depois do almoço as aulas passaram rapidamente, e eu comecei a ficar desesperada com o tanto de coisa que os professores já tinham nos dado pra fazer. Nós jantamos e eu fui fazer ronda com Remus. Ele estava totalmente animado hoje, e eu sofri muitos ataques de cócegas. Nós voltamos para a torre mortos de cansaço, e eu só agüentei ficar uma meia horinha lá com Dough e tive que vir dormir.

Ele não me pareceu muito feliz, mas ok.

Fazer o quê.


N/A: ooolá :D mais um capítulo aí, espero que gostem. ficou curtinho até, mas foi legal de escrever. principalmente as partes em que James dá uma de Edward e -mesmo no meio de uma discussão- fica todo preocupadinho. IAUHSIDUHSA adoro. enfim, espero que os novos capítulos de DDUL sirvam pra limpar minha consciência sabe, por estar demorando tanto na the evans's. mesmo que as pessoas que leiam lá nem leiam aqui ainda porque estão esperando eu terminar e tal, isso me faz ficar mais tranquila, porque significa que eu não estou completamente travada e me esquecendo dos leitores. (pelo menos era isso que deveria significar u_u)

Então, obrigada Mila e Chastity pelas reviews lindas, eu adoro vocês. :D