Capítulo 21

-

Domingo, 15 de setembro, uma hora da tarde, dormitório feminino do sétimo ano.

Pois é. Meu tempo sumiu de volta.

Ontem eu saí correndo atrás da Lene e quando eu cheguei à torre de Astronomia, lá estava ela, socando a parede.

Jeito estranho de descontar a raiva? Não para Marlene.

- Lene. – Eu chamei, segurando os pulsos dela.

Ela olhou pra mim com os olhos marejados.

- Eu gosto dele, Lil. – Ela soltou sem mais nem menos.

Comigo e Lene é assim. Não precisam muitas palavras, nem muita 'preparação de terreno'. O que tem que ser dito é dito, na lata. Sem rodeios, sem meias palavras. E Lene é muito séria quanto a isso. Tipo, 'Lene, séria com alguma coisa?' Pois é. Quando se trata de sentimentos, sim. Ela só fala alguma coisa quando não dá mais pra segurar, sabe, quando fica pesado demais pra ela.

Eu me surpreendi. Não com o que ela disse, porque eu já sabia que isso era verdade, mas com a intensidade com que ela disse isso.

- Ah, amiga. – Eu a puxei para um abraço, e nós ficamos ali por um tempão, conversando coisas à toa. Pelo menos eu consegui fazê-la parar de pensar em Sirius e nas cagadas dele.

Quando a gente voltou para a torre da Grifinória, a sala comunal já estava vazia. Nós subimos, nos trocamos e fomos dormir.

Hoje eu acordei tarde, já eram 9 horas. Uau, que milagre. Eu me arrumei e desci com as meninas pra tomar café, e depois eu fiquei com Dough lá nos jardins, porque os dias continuam bonitos até agora.

Agora eu subi pra usar o banheiro, e já vou descer pra almoçar.

Bom, quanto à Lene... Eu acho que por enquanto, as coisas se aquietaram. Quando eu perguntei como ela estava se sentindo, ela me disse que estava bem melhor. Eu não acreditei, óbvio, mas ela me fez prometer que não ia falar com Sirius sobre isso, porque ela não quer que ele pense que ela se importa.

Eu prometi, mas não sei se consigo cumprir. Ela ainda não parece totalmente bem, mas por enquanto eu ainda não consegui achar Sirius sozinho, então ok, isso vai ter que esperar.


Quarta-feira, 18 de setembro, dormitório feminino do sétimo ano, onze horas da noite.

Hum, tudo muito corrido. Eu estava com Dough até agora, e eu estou completamente podre de sono.

Lene já está melhor, e eu não vou mesmo falar com Sirius. Aliás, nem se eu quisesse. Porque parece que eu e ele simplesmente não nos vimos mais. Ou, pelo menos, não conversamos desde domingo passado.

Aquela tal de Pâmela está me irritando. Sabe o motivo?

Ela me encara.

Pois é. Dia e noite, ela me encara. Eu nunca tinha visto a garota na minha vida, até o dia da festa. Sabe quando passa despercebida? Isso aí, ela era completamente insignificante, uma quintanista qualquer. Mas agora, parece que não importa pra onde eu olhe, ela está lá, me encarando.

Coisa chata.


Sexta-feira, 20 de setembro, minha poltrona, duas da tarde.

Hum, Pâmela continua me estressando, mas agora eu mudei minha tática. Eu comecei a encará-la também.

Mas enfim, eu estou meio alienada ultimamente, é muito Dough Dough Dough.

Mas eu falei com James ontem. E adivinhem? Foi cômico. E eu me senti meio estranha depois. Tipo, uma sensação de poder, eu acho.

Ai, Lily, cala a boca.

- Hey. – Ele disse se aproximando de mim, enquanto eu tentava traduzir um texto de runas.

- Oi James. – Eu sorri para o pergaminho, concentrada.

- Muito trabalho? – Ele perguntou sem esperar uma resposta. – Eu terminei o meu, quer?

Eu estreitei os olhos para ele, contendo um sorriso.

- Está tentando fazer com que eu copie seu dever?

- De maneira alguma, monitora-chefe-exemplar. – Ele sorriu maroto. – Só acho que está tendo problemas, porque você está aí há quase uma hora.

Eu abri a boca, me fingindo de indignada.

- Além de ironizar meu desempenho como monitora, você está dizendo que eu tenho problemas com runas antigas e ainda admite que está me espionando!

Ele gargalhou.

- Sério, quer a minha redação?

- Er... O que está esperando, engraçadão?

Ele continuou sorrindo e subiu para o dormitório pegar o pergaminho dele.

- Oi, Lily. – Dough entrou na sala, o rosto suado.

Ele veio me abraçar e eu torci o nariz, brincando.

- O que é que você estava fazendo? – Eu perguntei, analisando a camiseta grudada no corpo pelo suor.

- Jogando futebol com uns garotos da Corvinal. Nascidos trouxas.

Eu sorri.

- Não sabia que você jogava futebol. Eu jogo também.

Ele levantou as sobrancelhas.

- Idiota. – Eu disse fazendo careta. – Você está me subestimando.

- Não, quero é ver você jogando. Vamos? – Ele se levantou, me puxando pela mão.

- Aw, ainda não terminei, Dough. – Ele fez careta para o pergaminho. – James está trazendo dele, eu já termino e desço, tá?

- Potter? – Ele perguntou, fazendo cara feia.

Eu revirei os olhos. Ultimamente, Dough tinha desenvolvido a irritante mania de ter um estúpido ciúme infundado ainda maior.

De James.

Pff.

- Pronto, estraga prazeres, aqui está. – James vinha descendo a escada.

Dough o olhava com uma cara feia e James levantou as sobrancelhas.

- Te vejo depois, amor. – Dough falou, se virando e saindo pelo buraco.

Amor? Argh, meninos são tão bobos com toda essa disputinha.

- Eu não sei qual é o problema de vocês dois. – Eu disse revirando os olhos e pegando o pergaminho da mão de James.

- Seu novato é metido demais. – Ele falou, aliviando a expressão.

Agora ele era o MEU novato. Hum.

Eu ri do que ele disse e sentei novamente, pra copiar a tarefa.

- O que é tão engraçado? – Ele perguntou quando viu que eu ainda sorria.

- Você é realmente uma ótima pessoa para falar sobre ser metido, não é? – Eu falei brincando.

- Ah, eu não sou metido, vai. – Ele falou, se recostando no sofá do meu lado.

- Nãão. – Eu concordei com ironia. – Só um pouquinho. – Eu acrescentei, concentrada em copiar e acabar logo com aquilo.

Nós ficamos lá, conversando enquanto eu copiava o trabalho dele. Depois de uns dez minutos, eu ergui a cabeça passando a mão pelo pescoço dolorido de ficar na mesma posição por tanto tempo. Enquanto eu percorria a sala com o olhar, eu identifiquei Pâmela passando pelo buraco e adentrando na sala.

- Sua quintanista vem aí. – Eu sorri por chamá-la de alguma coisa à altura de 'seu novato'.

Bom, 'sua quintanista' é plausível, já que, desde a festa do Slug, os dois estão ficando.

E olha que já faz uma semana! Pois é, todos nós nos surpreendemos.

James olhou pra mim como se fosse me mostrar a língua numa atitude muito infantil, e sorriu sarcástico.

- Minha quintanista não-metida vem aí, você quis dizer.

- Claro, claro. – Eu ri.

- Oi, Jay. – Ela deu um selinho nele e simplesmente me ignorou.

Argh.

- Olá pra você também, Weitz. – Eu sorri falsamente para ela, enquanto entregava o pergaminho para um James meio boquiaberto.

Weitz é uma palavra legal de se falar. Soa melhor do que Pâmela.

- Obrigada, Jay. – Eu falei rindo sarcástica enquanto ele ria e deixava o pergaminho de lado.

A garota me olhava como se fosse me fuzilar com os olhos. Essa guria me dá medo, fato. Fora todas as vezes que eu a peguei me encarando, agora eu descubro que ela tem tipo um ódio mortal de mim.

E eu nunca fiz nada pra ela!

Quer dizer, nessa hora eu fiz, mas foi incontrolável. Eu simplesmente não consegui resistir a provocá-la, chamá-la pelo sobrenome e imitar sua vozinha chata chamando James de 'Jay'. Hilário. James pareceu achar engraçado também, depois de meio que se recuperar do choque de eu tê-la tratado com um humor negro. Mas acho que ela não gostou mesmo, porque ela me olhava com uma cara muito feia.

- De nada, estraga-prazeres.

Mas disso ela pareceu gostar. Coitadinha. Ela deve achar que tipo, James estava me xingando ou algo assim.

Eu dei um sorrisinho amarelo para ela, peguei meu material e subi para o dormitório, para guardar as coisas.

Quando eu desci novamente, eu estava vestindo um shorts preto de ginástica, uma camiseta braça de alcinha e o meu inseparável all star.

- Abandonou a típica roupinha, então? – Uma voz no sofá me perguntou.

Eu fui até lá para conferir quem era, e se realmente estava falando comigo, porque pra mim a frase não fazia sentindo nenhum. Eu simplesmente gostava de usar saia de pregas com regata e all star quando estava quente. Mas essa não era minha típica roupinha, tenha dó.

- Ah, Weitz. – Eu murmurei revirando os olhos, quando meio que comprovei QUEM estava me provocando.

Cara, sai fora.

Eu só fui meio sarcástica com ela, né, mas não quero comprar briga com uma quintanista psicopata que fica me encarando e que está se achando por bater o record de 'mais tempo junto com o cara mais gato e popular do colégio'.

De maneira nenhuma.

E eu estou me sentindo muito irônica ultimamente, hoho.

- O nome é Pâmela. – Ela disse com cara feia, se levantando e me encarando.

Lá vamos nó-ós. Faz teeempo que eu não tenho uma discussãozinha com alguém, vai. O meu ex-inimigo agora se tornou meu amigo, então, er, vale a pena encarar. Afinal, quem é a ruiva mais pavio curto de Hogwarts? Lily Evans, claro.

Mas não foi com essa intenção que eu discuti com ela, ontem. Foi mais por diversão, eu queria - por algum motivo que eu ainda não descobri - provocá-la. Meus olhos brilharam.

- Eu sei o seu nome, queridinha. – Eu disse enquanto amarrava meu cabelo num rabo-de-cavalo. Eu queria era jogar futebol, fazia tempo que eu não jogava. Mas o jogo podia esperar mais uns cinco minutinhos. – Eu só não gosto de intimidades com desconhecidos.

- Vamos Pam... ? Er, Lily? – James tinha acabado de descer do dormitório, onde eu acho que ele tinha ido guardar o dever de runas. Ele olhava de mim, parada amarrando o cabelo, para Pâmela, na minha frente, com as mãos na cintura. Ela com cara de quem comeu e não gostou, e eu com cara de quem achava graça.

E eu estava achando, na verdade.

- Ah, vocês já vão? – Eu perguntei, me sentindo mais estranha a cada momento. Parecia que eu estava agindo sem controle, a minha língua simplesmente não tinha freio, e eu falava tudo o que pensava, sem o menor pudor. E a ironia sempre presente, parecia que eu era aquelas gurias de filme americano. Só que não tipo Manuela Lembreink, ECA. Era mais algo como a garota que sempre tem resposta pra tudo, e te deixa com a cara no chão.

Só que sei lá, pensando agora, esse não é lá um papel tão legal.

Enfim, James nos olhava totalmente perdido, e Pâmela franziu o cenho para minha pergunta.

- O que é que vocês estão fazendo? – Ele perguntou meio desconfiado.

- Lily estava me dizendo que estava indo lá pra fora... Aproveitar o dia bonito. E eu pensei em fazer o mesmo. Vamos? – Ela perguntou para James, com cara de desentendida.

Merlim, que garota doente. Ela queria que ele pensasse o quê? Que nós tínhamos feito amizade? Eu, hein, tenho medo.

- Claro que não. – Eu disse rindo muito, mas muito falsa, enquanto abanava a mão, como quem diz 'deixa disso!' – Nós estávamos aqui discutindo sobre como eu sempre uso as mesmas roupas, não é, Weitz? – Eu terminei com o rosto mais sério, mudando o tom.

Se um dia eu vi James confuso, isso não era nada perto da cara dele naquele momento.

E a da Pâmela então, era impagável. Acho que ela descobriu que eu também sei jogar esse tipo de joguinho. Só que, permita-me dizer, eu tenho mais experiência, porque foram muitos e muitos anos de coisas desse tipo com Manuela até eu decidir que não valia a pena e largar mão.

Enfim.

- O quê? – Eu perguntei olhando pra cara espanto dela. – Esqueceu o que ia dizer sobre a minha típica roupinha? Ou só não quer falar na frente do seu grande-compromisso-de-uma-semana-Jay?

Eu tentei não rir. A cara deles era demais. James estava de pé a alguns passos de nós, e agora nos olhava com cautela, mas um sorriso nascendo no canto do rosto. Ele já tinha sacado o espírito da coisa. Pâmela parecia ter engolido um caroço de manga e devia estar pensando em uma resposta, porque demorou demais pra responder.

Então eu resolvi mudar de tática.

- Ahhhhh tá! – Eu gritei, sobressaltando os dois. – Agora eu entendi. – Eu disse, tentando não parecer tão estupidamente falsa, mas não me importando tanto assim. – Hum... – Eu fingi me lembrar de alguma coisa. – Minha roupa é típica sim, Pâmela, é porque eu vou jogar futebol com os garotos, lá em baixo.

James tinha se assustado com o meu grito, e agora me olhava confuso, e Pâmela estreitava os olhos, mas pareceu entender que agora eu estava fazendo exatamente o joguinho dela.

- Desculpa pelo mal entendido. – Eu sorri olhando dela para ele. – Eu realmente pensei que você tinha dito outra coisa.

- Imagina. - Ela sorriu para mim, como se nada tivesse acontecido.

- Dough está me esperando lá em baixo, tchau James, tchau Pâmela. – Eu disse sobre o ombro, enquanto me virava e saía da sala, sorrindo comigo mesma.

Ai, ai.


N/A: oooi :D só eu achei o fim do capítulo muito aleatório? whatever, espero que gostem *-*

Respondendo as Reviews:

m.: aaaaah, pois é, acho que no fim vai ter mais de 30 capítulos. veremos. IUAHSIDUHASID eu sabia que alguém ia reclamar do excesso de dough! é que é pra ver se vocês enjoam dele rápido, o que - pelo visto - já aconteceu. xD e siiiiiim, vou mostrar o namoro l/j *---* obrigada, beijos!

ChasityKeat: que review pequeeeena! IUASHDIUAHDIUAHS comoassibial, cadê suas histórias gigantes? :D obrigada, mel, e calma. James logo logo acaba com o barato de dough ^^

Luu Prongs: aaaah, leia mesmo! *-* e que bom que vocês gostou. :D beijos, obrigada.

Mila Xavier: AAAAAW, adorei seu comentário *----* fiquei super feliz de saber que consigo atingir meus objetivos :D:D pois é, né. james e pâmela, tsc, tsc. e iiiiiixi, tem muita coisa pra rolar ainda, essa vai ser outra que vai irritar todo mundo! IUAHDIUAHSDIUHASD e calma, sirius não foi tão canalha assim, as coisas vão ser resolvidas. obrigaada, mila, beijos!