Capítulo 24
Domingo, 27 de outubro, nove da manhã, dormitório feminino do sétimo ano.
Bom, digamos que aquele meu surto todo da última vez que eu escrevi, passou.
Porque logo depois que eu fechei o diário e me virei pra dormir, eu ouvi uns barulhos na escada. Barulhos, eu presumi, que fossem de Dough subindo para o dormitório. Aí depois de uns segundos, a porta se abriu novamente e houve mais barulhos na escada. Mais leves. Barulhos esses que eu presumi sendo de Pâmela descendo as escadas.
E aí eu dormi mais tranqüila. Porque sério, ela só tem 15 anos. E tudo bem que James realmente se mostrou legal e não aquele idiota que eu sempre achei que ele fosse, mas cara, ele não deixou de ser o conquistador barato que ele sempre foi. Sabe, mesmo que ele esteja namorando agora. E falando nisso, olha que façanha! James está ficando sério com uma garota há um mês e meio! E olha que além de um prêmio pra conseguir ficar sem pegar outras meninas ele merecia um prêmio Nobel da paciência. SÉRIO. Aquela garota é a coisa mais chata que eu já vi. Ela consegue superar Petúnia!
Tá, acho que talvez não consiga.
Mas sério, ela é incrivelmente infantil, grudenta, chata, irritante, metidinha a besta, e melosa. Eca. Tá bom que agora ela meio que parou de implicar comigo, eu acho. Ou não, mas de qualquer maneira, eu não retruco mais. Eu parei pra pensar e cara, ela é realmente muito, mas muito infantil. E chata, ô guria chata. E aí, quanto mais você dá corda, mas ela te enche o saco, sabe como? Sabe quando a pessoa não se toca que... 'Cara, eu acabei com você, você não tem mais o que falar, dá o fora.' Ela é assim. Você pode deixá-la com a cara no chão e ela sempre, sempre faz a mesma coisa.
'Você vai deixar que ela fale desse jeito comigo, Jay?'
Meu caneco, James é um herói, fato. HAHAHAHA
Anyway, eu também estou namorando há um tempinho, vai. Afinal, daqui a doze dias faz um mês (e dois desde o dia em que ele me beijou no salão principal!) e Dough disse que vai comprar alianças pra gente quando estivermos em Hogsmeade.
Fofo, eu sei.
Só que, hum, ultimamente aconteceram algumas coisas estranhas. Tipo, umas três ou quatro vezes Sirius me olhou de um jeito estranho, parecendo querer falar comigo. E quando eu tentava falar com ele, Dough sempre aparecia e dava um jeito de irmos fazer outra coisa. Eu acho que pode ser ciúmes, o que tem até mais fundamento do que sentir ciúmes de James, uma vez que eu e Pads somos melhores amigos e que a gente já ficou uma vez.
Mas tipo, se Dough está com ciúmes mesmo, vou ter que dar um jeito de levá-lo a um curandeiro, porque GENTE, vocês não sabem o que aconteceu!
SÉRIO, se preparem!
Lene admitiu que gosta dele.
AAAH! E eles se atracaram numa espécie de luta vertical, ou horizontal, já que eles caíram no chão, no meio do jardim. E aw, eles estão felizes. E isso tudo é realmente muito, muito estranho pra gente. Porque sempre que Lene ficava com alguém aqui do castelo, ela era totalmente desapegada. Não que ela não seja ainda, com Sirius, mas ela tipo, nunca sentiu nada de verdade por alguém. E ela sente agora, por ele
E Sirius então, U-A-U.
Se você acha que foi um milagre da natureza James Potter namorar sério com alguém, então você simplesmente BABARIA com o quanto Sirius está sendo fofo com Marlene. Sério, eles são o casal mais legal que eu vi nos últimos tempos. Tipo, eles não são tão grudados quanto eu e Dough, não são tão românticos quando Rem e Bru, não são tão safados quando Sirius era com Yasmin, mas eles são uma espécie de mistura disso tudo. Tem vezes que eles passam o maior tempo juntos e que você tem vontade de tacar alguma coisa neles porque nem parece que aquele ali é Sirius Black e aquela é Marlene McKinnon. E tem vezes que não dá nem pra imaginar como é que eles se agüentam, porque é um mais safado e sem-vergonha do que o outro.
Demais, né? Eu estou radiante. Ver minha melhor amiga e meu melhor amigo juntos, é sei lá... MUITO bom. Eles são tão... diferentes. Tipo, diferentes da gente, e iguais entre si. Sei lá. Aquela teoria dos 'opostos se atraem' está totalmente furada com eles, porque eles têm o mesmo gênio terrível e divertido.
Enfim, eu vou descer porque Dough disse que queria ver o treino dos meninos, já que semana que vem tem o tal jogo da Grifinória contra Sonserina.
Sinceramente? Eles podiam se matar que eu não estaria nem aí. O que é que tem demais? É um jogo.
Mas, ao que parece, agora eu serei arrastada pra toda e qualquer coisa relacionada à quadribol, porque apesar de Dough amar futebol ele descobriu que ama ainda mais quadribol.
Eu mereço?
Argh, nem responda.
Domingo, 3 de novembro, seis da tarde, ala hospitalar.
Por que diabos Lily Evans está na ala hospitalar? Bom, longa história.
O dia hoje amanheceu claro e quente, mas sem sol. Ótimo para o quadribol, segundo Lene. Eu simplesmente fui arrastada para assistir o jogo, porque Dough é homem e tal. E tem toda aquela relação de homem e quadribol, e essas coisas. Bom, normalmente as meninas vão e eu fico, mas dessa vez eu não consegui lutar com alguém mais forte do que eu. Então todos nós descemos juntos para o salão e Sirius e James já estavam lá, tomando café e discutindo alguma tática maluca.
E eles pareciam meio afetados.
- Bom dia, meninos – Alice disse enquanto todos nós nos sentávamos com eles.
Mas ela foi completamente ignorada, porque James simplesmente tinha puxado uma jarra de suco de abóbora para frente dele e fazia algum tipo de esquema com as cestas de pão e as travessas de ovos.
Pois é, veja só.
- Por isso é que eu digo que ser capitão de uma coisa dessas não é lá muito bom pra cabeça – eu disse rindo enquanto começava a comer.
Depois de uns cinco minutos eles saíram do salão principal e, logo depois (tipo... um minuto depois!) Pâmela entrou correndo no Salão.
- Vocês viram o Jay? – ela perguntou para Peter e Remus e quando eles falaram que ele já tinha ido para o campo, ela saiu correndo atrás.
- Merlim – Frank revirou os olhos.
- Eu só não consigo entender como é que, mesmo depois de aturá-la por quatro semanas, ele a pediu em NAMORO ao invés de dar um chute bem grande naquele traseiro rebolante – Déryck disse, fazendo nós todos rirmos.
- O pior é que ele continua com ela! E já estão quase fazendo um mês de namoro – Lene falou fazendo careta.
Nós saímos do Salão em meio a uma multidão que se dirigia para o campo. Sinceramente? Não foi tão ruim. Era divertido ver as pessoas da minha casa fazendo provocação com os Sonserinos e vice-versa. Era legal estar ali no meio daquele povo empolgado, todos cantando hinozinhos irreconhecíveis através do barulho de sei lá quantos alunos se movendo amontoados.
O jogo em si foi uma loucura. Merlim amado, eu nunca vi tantas pessoas berrarem ao mesmo tempo só porque um jogador rebateu uma bola e acertou o outro. Sei lá, eles são doentes. Todos eles. Mas foi legal estar lá no meio e gritar para Sirius ir mais rápido para fazer um ponto, ou ficar vendo James voando atrás de um pontinho dourado, com o apanhador da Sonserina logo atrás. Até que é legal de se assistir, mas juro que essa foi a primeira e última por um bom tempo. Afinal, eu não quero ter minha mente transtornada como tantas pessoas.
Enfim, Grifinória ganhou de 570 a 120, e nós fomos levados pela multidão gritante até a sala comunal, onde tinham aquelas típicas mesas cheias de comida, som alto, bandeiras penduradas por todos os cantos, bebidas rolando soltas e o pior: montes e montes de trabalho para os monitores-chefes.
- Nem vem, Lily – Remus disse quando eu olhei feio para ele, enquanto ele enchia um copo de firewhisky.
- Eu estou brincando, seu bobão – eu disse, pegando uma garrafa de cerveja amanteigada para mim. – Hoje não existem monitores na Grifinória, certo?
Ele sorriu para mim e sumiu no meio desses loucos que se intitulam Grifinórios-felizes-por-uma-vitória-no-quadribol.
Dough tinha sumido desde a hora em que a gente voltou para o castelo e eu fui procurá-lo, mas, eis que eu fui abordada por Sirius. Eu corri para abraçá-lo, sorridente, mas quando a gente se afastou e ele olhou bem nos meus olhos eu vi aquele velho fantasma do Sirius Black triste e angustiado que perturbava-o de vez em quando.
- Que foi, Sirius? – eu perguntei apertando a mão dele na minha, enquanto ele parecia ter uma luta interna.
- Eu preciso muito falar com você, Lils – ele me disse em tom sério. – E não dá mais pra esperar.
Eu fiquei surpresa com a intensidade com que ele disse aquilo, até porque não combinava nenhum pouco com o cenário e muito menos com o clima de comemoração.
- Você tá me assustando – eu murmurei confusa enquanto puxava ele para um canto mais silencioso.
- Lily! Achei você, amor – nós fomos interrompidos por Dough, que chegou sorridente.
Eu já tinha dito que isso tava estranho né? Esse negócio do Dough sempre interromper minhas conversas com Sirius. Mas ok, dessa vez foi estranho mesmo, porque foi como se meu namorado tivesse simplesmente brotado do chão, bem naquele instante.
- Oi, Dough – eu disse meio séria, meio confusa. Talvez eu tivesse arranjado um namorado ciumento demais, mas isso tava me irritando. Eu ia conversar com Dough depois, ele tinha que aprender que eu também tinha uma vida, tinha meus amigos.
- E aí, sobre o que estavam falando? – ele perguntou, sorrindo simpaticamente.
- Você sabe exatamente sobre o quê, Belinazzo – Sirius retrucou estupidamente, enquanto trocavam um olhar um tanto quanto estranho.
- Ahn, alguém me explica? – eu sugeri sorrindo, tentando amenizar o clima.
- É, eu vou te explicar, Lils, porque isso tudo já foi longe demais – Sirius respondeu na mesma hora, e agora sim, ele tinha me assustado.
- Sirius! – Lene chegou até nós, abraçando o namorado e sorrindo para mim e para Dough. – James está totalmente louco atrás de você, ele disse alguma coisa sobre você ter se esquecido do combinado...
- Putz! – ele bateu a mão na testa. – Esqueci mesmo. Ele vai me matar... – ele encarou Dough por um segundo e então olhou para mim e deu um sorriso triste. E saiu, sem dizer mais nada, puxando Lene pela mão.
Dá pra acreditar? Ele me deixou num insuportável estado de curiosidade, confusão, e medo. Medo por causa do jeito que ele estava me olhando e por causa do tom que ele tinha usado. Medo porque Sirius só se importa com coisas realmente sérias e ele parecia mesmo estar se importando. Imediatamente eu pensei em Régulo.
Mas ele sumiu. Ele, James, Remus e Peter e eu fiquei imaginando qual seria a cagada que eu teria que acobertar dessa vez, mas não tive muito tempo porque Dough já me enchia de carinhos.
- Dough – eu chamei quando nós nos sentamos perto de uma das janelas da sala. – O que é que o Sirius tem pra me falar?
- Você acha mesmo que eu sei, amor? – ele perguntou, voltando a me beijar.
É, talvez não tenha nada a ver com ele, afinal. Nós ficamos ali durante algum tempo, ele tentando claramente me fazer esquecer o ocorrido com Sirius, e eu tentando, inutilmente, iniciar uma conversa com ele sobre minha vida e meus amigos.
- Tá, Lily, o que é? – ele me perguntou à contra gosto, depois da quarta vez que eu tentei puxar assunto.
- Não é 'Tá, Lily o que é' – eu respondi, meio indignada. Eu estava querendo conversar sério. – Eu quero conversar, Dough.
- Amor – ele falou carinhosamente, colocando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha enquanto me olhava fixamente. – Você não prefere conversar outra hora? Quando tiver mais calmo, mais vazio...
- Vamos para um lugar vazio, então – eu disse. Isso não era problema, o castelo tinha milhares de lugares que estariam vazios a essa hora. E na verdade, eu podia mesmo adiar a conversa, porque eu estava sendo uma típica namorada insuportável que quer ter uma DR no meio de uma festa. Mas a irritante recusa dele me fazia ter mais vontade ainda de conversar.
- Lily...
- Bom – eu mudei de idéia. – Então você aproveita a festa do jeito que você quiser, porque eu vou procurar meus amigos – ele fez menção de me contrariar. – Ou é isso, ou a gente conversa agora, porque sinceramente eu preciso de espaço, Dough.
- Tudo bem – ele disse, a expressão ainda contrariada. Eu me levantei e saí à procura de Lene, quando a avistei junto com Bruna, Déryck, Alice e Frank, no sofá.
- Nossa, a que devemos a honra, Sra. Belinazzo? – Déryck brincou quando eu cheguei e me sentei entre Lene e Alice.
- Hum, digamos que tenha muita massa na minha refeição – eu fiz uma piadinha infame e ri junto com eles.
- Ãh? – Bruna perguntou. – Não entendi.
- Novidade – Frank tirou sarro. – Ela quis dizer que ela precisa de um tempinho sem Dough.
- Ah, tá – ela sorriu para mim antes de acrescentar para Lene: - Você tinha entendido?
Nós explodimos em risadas, tirando sarro do fato da Bru ser lerda e nunca entender as brincadeiras, e ela acabou caindo na risada também, depois de tentar se fingir de ofendida.
Depois de algum tempo conversando e rindo, eu levantei.
- Vou pegar alguma coisa pra beber, no meio desse povo todo é meio perigoso convocar uma garrafa dessa distância.
- É mesmo – Lene concordou. – Mas eu não ia me importar se uma garrafa pegasse na cabeça daquela cocozinha – ela falou, indicando alguém com a cabeça. Nós seguimos o olhar dela e vimos Pâmela, próxima à mesa de bebidas.
- Ih, nem eu – todos nós falamos em coro.
- Ainda bem que James deu um corridão nela – Bru falou, se levantando também. – Vamos, - ela acrescentou para mim - eu preciso ir ao banheiro.
- James deu um corridão nela? – eu perguntei, não contendo um sorriso. – Não acredito, aleluia! – nós rimos. – Por isso ela tá tão apagadinha hoje? – eu acrescentei, olhando para ela novamente. Bem que eu tinha reparado que ela tava muito pra baixo.
- U-hum – eles concordaram.
- Vamos – eu peguei a Bru pela mão e nós saímos dali, nos separando quando ela chegou à escada e subiu para o banheiro e eu segui até a mesa. Pâmela ainda estava lá, mexendo no ponche, perdida em pensamentos.
Eu fui até a mesa de comidas, peguei um salgadinho de queijo e enfiei de uma vez só na boca, assim, super elegante. Eu estava morrendo de vontade de comer essas coisas que engordam, sabe, porque desde que eu comecei a namorar eu estou maneirando. Não que eu precise, óbvio, porque eu sempre me empanturrei de porcarias e nunca tive problemas com o peso. Mas.. ninguém quer ficar gorda pro namorado, né. Então, eu vi o salgadinho ali e não resisti.
- Nossa, não sabia que era bulímica, Evans – Pâmela me provocou, só porque eu estava mesmo fazendo uma cara de satisfação, de olhos fechados, enquanto saboreava o salgadinho.
- Mais uma coisa, então, pra você adicionar na sua vasta lista de 'coisas que sei sobre Lily Evans' – eu sorri cinicamente para ela. – Quantas coisas você já anotou, Weitz? Espero que todas as que você já descobriu, por favor, eu não quero ter que repetir.
- Está atacada hoje, não, Evans? – ela perguntou, meio ofendida. Ela queria o quê? Que eu ficasse quieta? Então essa não era a Pâmela infantil que sempre me provocava.
- Ah, desculpe, querida – eu acrescentei, fingindo um leve arrependimento. – Eu esqueci que você está na fossa hoje.
- Quem é que está na fossa aqui, Evans? – ela perguntou, parando finalmente de mexer no ponche.
- Bom, pela sua cara de trasgo com cólicas intestinais, eu simplesmente previ que você estava na pior, sabe, já que você foi chutada pelo seu glorioso namorado-de-longa-data e tal – sorri abertamente para ela. – Aliás, - eu emendei antes que ela me respondesse. – Você sabe onde o Jay se meteu? Eu preciso mesmo falar com ele.
- O que é que você tem pra falar com ele? – ela perguntou rápido demais. Ciúmes. Eu sempre soube que ela pensava que eu quisesse algo com o namorado dela.
- Coisa nossa – eu disse, piscando para ela. Fazia tempo que eu não a provocava, porque, como eu já disse, eu descobri que ela é muito mais infantil do que eu pensava e tal. Mas ali, naquela hora, foi um impulso.
Ela olhou para mim, de cima a baixo, me medindo como sempre, e parou pra ficar analisando meu rosto. Por um tempo longo, devo dizer.
- Que foi? – eu perguntei fazendo-a me encarar novamente. – Perdeu o cu na minha cara? – eu perguntei baixando totalmente o nível.
- Claro que se eu tivesse perdido eu poderia desistir de encontrá-lo, não é? – ela revidou, levantando tanto as sobrancelhas que elas pareciam sumir debaixo dos seus cabelos vermelhos. (Vermelhos falsos, devo dizer.) – Ele se camuflaria totalmente aí.
Eu senti meus olhos se estreitarem automaticamente.
- Sua... sua... – eu não encontrava uma palavra suficientemente boa. – Sua fulaninha metida à besta!
- Tsc, tsc, Evans. Você já teve um vocabulário mais rico... – ela zombou.
Ela zombou. Zombou de mim. Quando era ela quem tinha sido chutada. Ela é que era o motivo de chacota, não eu. E, mesmo assim, aquela vaquinha estava zombando da minha cara.
- É que eu desisti de desperdiçá-lo com você, Weitz.
- E desculpas menos esfarrapadas também.
CARA, ela estava conseguindo me tirar do sério.
- Tá, que se dane meu vocabulário e minhas desculpas! Como se eu precisasse mesmo, pra tratar com umazinha como você. Na verdade, eu já perdi muito tempo com suas futilidades, com licença.
- Fútil é você, sua falsa! – ela gritou, mas mesmo assim tive certeza de que só eu podia ouvir. O barulho era muito grande na sala. – Sua santinha do pau oco! Fica aí, desfilando esse seu distintivo de monitora-chefe, mas vive matando as aulas. Fala e fala dos casais que ficam se agarrando de noite, mas você também fica pelos cantos com seu ficantezinho. Fala que eu te provoco mas não perde uma oportunidade!
- Agora chega – eu falei num tom cortante, alto o suficiente para interromper o fluxo de palavras dela. De ofensas. Nada do que ela dizia era verdade. – Eu tenho orgulho de ser monitora-chefe! Eu desfilo com meu distintivo porque eu fiz por merecer. Nada do que você disse é verdade e você sabe muito bem disso, Weitz! – eu resisti ao impulso de pular em cima dela e socar aquela cara estúpida. – E, pro seu governo, eu não me agarro pelos cantos com meu ficantezinho. Eu aproveito o MEU tempo com o MEU NAMORADO. Coisa que você não tem! – eu cuspi as últimas palavras na cara dela. Ela me olhava de olhos apertados e eu sabia que estava se preparando para falar mais coisas, gritar mais ofensas. – E sabe por que você não tem, Weitz? PORQUE NINGUÉM AGUENTA VOCÊ. VOCÊ É INSUPORTÁVEL. METIDA, INFANTIL, MIMADA, ARROGANTE E ASQUEROSA! – eu me virei, ofegante, para sair dali, mas senti alguma coisa muito gelada descendo pela minha espinha.
Aquela putinha tinha virado o ponche em cima de mim. Na minha cabeça.
E eu achando que tinha baixado o nível antes.
Eu me virei devagar e de olhos fechados, procurando respirar fundo.
Eu passei minha mão pelos cabelos gosmentos pela bebida e coloquei uma mecha para trás da orelha, calmamente.
- Você vai se arrepender de ter feito isso – eu disse com todo o autocontrole, apontando o dedo na cara dela.
Ela me olhava com uma cara vitoriosa que se tornou cética quando a ameacei.
- Ora, não ficou nada mal, Evans – ela guinchou com a voz estridente. – Agora sua roupa combina com o seu maravilhoso cabelo!
Eu olhei pra as minhas roupas e, realmente, minha regata branca parecia ser alaranjada, e num passado distante, ter sido esquecida junto com água sanitária. Porque ela era de um alaranjado insosso com umas manchas brancas ainda visíveis.
- Bom, você deve achar maravilhoso mesmo, já que vive tentando atingir o mesmo tom, com esse seu cabelinho ridículo!
- Hum, - ela começou em tom despreocupado, ainda me mandando aquele olhar cético insuportável. – pelo menos meu cabelinho ridículo não me impediu de ir pra cama com James.
Ok, confesso que NESSA hora eu fiquei como se tivesse sido atingida por um balaço. E então eu tive certeza que ela realmente só implicava comigo por causa de James. Durante todo esse tempo, ela só ficava me provocando porque tinha ciúmes. Ciúmes porque, exatamente como Bruna tinha dito há alguns dias, ela sabia que há pouco tempo James arrastava um caminhão por mim. E ela não tinha acreditado, nem por um minuto, que isso tivesse sido superado.
E aí, como uma revelação, eu percebi que realmente isso não tinha sido superado. Por todos os climas estranhos que pintavam quando a gente tava junto. Eu e James, quero dizer. Quando nós dois ficávamos sozinhos. Todas as indiretas, insinuações. E aí minha mente clareou e eu fui atingida por uma coisa muito semelhante à culpa, embora eu não tivesse certeza na hora:
James não tinha me superado.
Ele tinha ficado ainda mais esperançoso quando comecei a falar com ele naquele dia em que ele me defendeu de Snape, mas logo em seguida veio Dough e atrapalhou os planos dele. Não que eu realmente FOSSE seguir os planos dele, de qualquer maneira. Mas era isso que ele pensava. Ele pensava que estava perto de conseguir o que queria. Mais perto do que ele já esteve um dia e isso, de um jeito ou de outro, era verdade. E aí viu que eu, mesmo que tivesse parado de tratá-lo com desprezo e descoberto que ele era um cara legal, não ia dar uma chance pra ele. Não quando eu tinha Dough ali. E aí ele arranjou uma garota pra não ser deixado pra trás. Mas como James amadureceu de uns tempos pra cá, então ele realmente levou a sério o lance de namorar. Pensou que pudesse me esquecer se gostasse de outra garota. TENTOU gostar de outra garota, mas infelizmente essa garota era Pâmela. E agora eu estava molhada de ponche, da cabeça aos pés, com uma vadiazinha me afrontando e descontando, EM MIM, a raiva por ter sido chutada por um cara que ela sabia gostar de mim.
COMO SE EU TIVESSE CULPA.
- E o que é que isso tem a ver? – eu consegui dizer depois de um tempo pensando, espantada com minha revelação.
- O que é que tem a ver? – ela gritou, e eu achei que ela parecia meio alterada, sabe, histérica. - ORA, EVANS. A quem você tenta enganar? Você gosta tanto de James quanto ele gosta de você!
Eu parei por um segundo, indignada. A menina estava ali, pensando que podia falar sobre o que EU sentia? Como se ela soubesse alguma coisa sobre os meus sentimentos!
- Depois que eu digo que você é uma falsa, cínica, você fica aí, se fazendo de ofendida! ENGANA AQUELE SEU NAMORADO BUNDÃO E FICA SE DIVERTINDO ÀS CUSTAS DO SOFRIMENTO DOS OUTROS...
Foi demais pra mim. Eu não sei o que me deu, só sei que eu voei pra cima dela, com toda a minha força e raiva. E, apesar do barulho alto ao nosso redor, eu consegui ouvir o barulho de alguma coisa quebrando.
E vou te dizer que parecia muito, muito mesmo, com um OSSO quebrando.
Eu realmente nunca tinha batido em ninguém. Tirando Petúnia, claro, porque altas vezes nós nos pegávamos na porrada. Mas era uma coisa de irmã, sabe, então tinha mordida pra cá, beliscão pra lá, puxão de cabelo aqui... nada muito grave.
E ali, em cima de Pâmela, eu nem queria ter puxado o cabelo dela. Mas ela fez isso primeiro comigo, então eu não tive escolha.
- Saia de cima de mim! – ela gritava, puxando meus cabelos com tanta força que eu conseguia ouvir os estalos que eles faziam ao se soltar do meu couro cabeludo. – SAI, SUA LOUCA!
- LOUCA É VOCÊ, SUA VADIA! – eu também estava meio alterada, devo dizer. Eu puxei os cabelos com ódio e foi gratificante ver que, mesmo que ela estivesse me deixando careca, eu também estava tendo um resultado satisfatório.
Minhas mãos estavam com uns tufos do cabelo curto dela e de repente eu fui pega desprevenida. E quando eu vi, eu estava por baixo, e a louca estava esmurrando a minha cara. No começo, só o que eu senti foi uma dor terrível, mas depois eu senti o gosto férrico do sangue na minha boca. Eu dei uma risada meio fanha, pensando que ela devia ter mirado no nariz, né, e não na boca. Eu senti uma coisa passando pela minha garganta e cheguei, com horror, a uma conclusão: eu tinha engolido meu próprio dente. Mas pelo menos era um só e, se eu tivesse sorte, conseguiria arrancar todos os dentes da frente dela. Ela ainda agarrava minha cabeça e eu sentia uma dor bem desagradável dos lados, onde as unhas dela estavam fincadas. Eu já estava começando a pensar se uma joelhada na virilha dela doeria a ponto dela me largar, quando ela levantou um pouco minha cabeça do chão e eu percebi que ela tinha intenção de bater com ela novamente. BATER MINHA CABEÇA NO CHÃO. Ela é realmente doente. Não sei da onde eu consegui forças pra sair de baixo dela e ficar por cima novamente e aí segurei os punhos dela com uma mão (foi difícil, mas consegui!) e com a outra eu mirei exatamente no nariz dela.
- Era aqui que você deveria ter acertado em mim, Weitz – eu disse sentindo a língua entrando pelo buraquinho ocasionado pela falta do dente e consegui descobrir que ela tinha conseguido arrancar o meu canino superior esquerdo. Não me pergunte como, mas ela conseguiu essa façanha.
Mas, digamos que o resultado do meu soco não foi lá MUITO positivo, porque eu senti uma dor lancinante na minha mão. Eu acho que tinha ouvido, há muito tempo atrás, Sirius me falando sobre ter um jeito certo de dar socos. Acho também que eu não dominava essa técnica.
E enquanto eu largava os punhos dela para ver o que tinha acontecido com a minha mão, ela me esmurrou de novo. E dessa vez, eu tenho que admitir que ela mirou certo. Acertou meu olho direito, e agora além de estar cuspindo sangue eu também sentia que meu olho tinha afundado no crânio. É óbvio que ele não tinha, mas enfim.
- Sua vagabunda! – eu gritei de novo e, tentando não ligar pra dor no meu rosto, eu peguei a cabeça dela de novo em minhas mãos, dessa vez segurando pelas orelhas.
Eu não sei se esperava arrancá-las ou quê, porque tenho certeza de que estava puxando com bastante força, só sei que a próxima coisa que eu fiz foi usar a idéia dela de bater a cabeça no chão. Sério. Eu bati umas duas vezes a cabeça dela no chão e depois ela estava berrando e eu tive que parar porque eu não queria matá-la, afinal. Na verdade, eu queria. Mas não daquele jeito, né, eu ia ficar com as mãos sujas do sangue dela e tal. Não que eu já não estivesse, de qualquer maneira. Sei que quando eu parei de bater a cabeça dela no chão, eu soltei de leve as orelhas e fui arranhando o rosto dela. Não sei da onde eu tirei essa idéia, mas eu acho que eu merecia um prêmio, porque eu realmente fiz um bom trabalho. Eu consegui perceber que o nariz dela tinha começado a inchar, então talvez ele estivesse quebrado também.
E quando eu estava franzindo as sobrancelhas para o nariz torto e inchado dela, ela me deu um tapa na cara. Tipo, depois de tanta coisa, ela me deu um tapa! Um mero tapa. E eu fiquei meio sem reação, não sei, só sei que ela foi levantando, me levantando junto com ela e começou a me esbofetear. E aí eu fiquei nervosa mesmo e dei um chute nela. Eu sei que se ela fosse um garoto, ela teria parado por ali mesmo e eu sairia vitoriosa. Mas como ela não é um garoto, afinal, ela só se curvou sobre o corpo (né, porque devia ter doído pra caramba!) e me olhou como se EU tivesse ultrapassado uma linha invisível que dizia: 'sem chutes'. Ou sei lá, não faço a mínima idéia do que estava passando pela cabeça dela, só sei que eu aproveitei que ela estava curvada e fui cambaleando até a mesa, que estava a uns dois passos da gente. Eu peguei a primeira garrafa que eu vi, e era um pouco mais pesada do que eu pensava, então deveria ser de whisky e não de cerveja amanteigada. Consegui me virar novamente e ela ainda estava meio curvada, meio tentando se endireitar, fazendo careta e se recuperando da minha bicuda nas suas partes íntimas. Eu sorri para ela, na minha recente banguelice, e quebrei a garrafa na sua cabeça, com toda a força que eu ainda tinha. Ela berrou. E berrou alto mesmo, porque sabe, deve ter doído. Porque eu já tinha batido tanto na cabeça dela e ainda os cacos de vidro... sei lá. Só sei que ela berrou tão alto que não levou um segundo pra se fazer um silêncio comunitário na sala. Sério, todo mundo ficou em silêncio. Os que estavam mais próximos das mesas e – conseqüentemente – de nós, foram os que perceberam mais rapidamente o que estava acontecendo. Levou alguns segundinhos básicos até as pessoas que estavam mais distantes também percebessem, ao ver nosso estado lamentável. Incluindo, nesse último grupo, Lene, Bruna, Déryck, Alice e Frank. Mas eu confesso que eu nem liguei pra nada e voei pra cima da Pâmela de novo, e ela foi com tudo com a mão na minha cara. Sorte que eu virei o rosto, senão ela tinha fincado aquela unha comprida no meu olho já roxo. Mas como eu tinha virado a cara, a unha dela pegou num ponto entre minha orelha e a minha testa e eu quase pude sentir sangue saindo dali. Verdade! Ela tem garras, não unhas normais.
E de repente eu ouvi alguém gritando meu nome no meio da multidão e ergui a cabeça pra ver quem era. Que grande merda eu tinha feito. Sério. Ela se aproveitou da minha distração e me passou uma rasteira, a infeliz. Assim, na cara dura. A Grifinória inteira devia estar assistindo e a imbecil me passa uma rasteira! Na frente de todo mundo, acabando com a minha dignidade! Mas na hora eu nem liguei. Sabe por quê? Porque eu não conseguia respirar. Eu tinha caído em cima do meu próprio pé. Mas eu já tinha torcido o pé outras vezes e NUNCA tinha doído tanto assim. Então eu não sabia o que tinha acontecido, só sabia que a dor era tanta que estava até me faltando ar. E eu tinha começado a ficar com um pouco de ânsia. A louca começou a tacar uns salgadinhos em mim e como eu ainda estava tentando me recuperar da dor, eu não consegui me proteger e levei alguns salgadinhos na cara. Quando eu consegui me levantar, apoiando todo o peso no pé direito, eu voei pra cima dela de novo, tendo mais sucesso dessa vez.
Nós caímos no chão outra vez, enquanto eu ouvia meu nome sendo gritado de novo. Mas dessa vez eu não fui tão inocente a ponto de olhar pra cima. E eu nem precisava olhar, na verdade, pra saber que James estava dando um jeito de chegar até nós, gritando sem parar. Eu nem tirei os olhos dela. Ela conseguiu voltar a puxar os meus cabelos, eu não sei o que essa garota tem contra os meus cabelos, sério. Só pode ser inveja, porque ela simplesmente estava acabando com eles. Mas eu aproveitei que as mãos dela estavam ocupadas e também comecei a esbofeteá-la. Bati tanto... Merlim! Bati de todos os jeitos que eu consegui. Dei tapa, soco, arranhei, puxei a pele, fiz tudo o que consegui fazer, até ela tirar as mãos do meu cabelo e agarrar as minhas mãos. Ela começou a puxar meus dedos pra trás e eu voltei a sentir aquela dor horrenda na minha mão direita. Eu tinha quebrado o dedo, só podia. E a vadia ainda estava mexendo nele, forçando-o pra trás.
Eu aproveitei que a força dela tava toda contra as minhas mãos e fiquei de pé, e agora eu podia ouvir meu nome sendo gritado por mais de uma pessoa. E o nome da Pâmela também. E o som parecia mais próximo, também. Eu fiquei de pé, tentando não pisar firme com o pé esquerdo, totalmente curvada sobre o corpo dela, já que ela ainda tentava quebrar todos os meus dedos. E eu meti mais um chute, com a perna que estava boa, bem no meio das pernas dela, e ela finalmente soltou meus dedos quando caiu no chão. E aí eu pisei, com toda a força que consegui, no joelho dela. E levantei a perna. E pisei de novo. E levantei a perna. E pisei de novo. E aí na terceira vez eu pisei de mau-jeito e a perna dela meio que virou de lado e eu senti a rótula do joelho saindo do lugar. Eu fui obrigada a parar de pisar, porque me deu uma agonia muito grande. Ouvir aquele barulhinho e ver a rótula do joelho dela ao lado da perna, e não no lugar que deveria estar... foi asqueroso.
E aí eu fui agarrada por alguém. Eu não sabia quem era, só sabia que era forte. Eu já estava acotovelando quem quer que fosse que estivesse me impedindo de voltar a brigar, quando meus braços foram travados nas minhas costas e eu não podia fazer mais nada, já que a única coisa que me sobrava era a perna direita. E que eu tentava me manter firme no chão com ela. Eu virei meu rosto pra trás pra ver quem era, e me deparei com Dough. 'Grande traidor!', eu pensei, mas quando voltei a olhar pra frente, Pâmela também estava na mesma situação que eu, sendo segurada por James. Eu fiz uma careta pra ele. Por que é que ele tinha que segurá-la? Eu queria ver é se ela ia continuar me batendo, se soubesse que ele estava olhando. Queria ver se ela ia escolher continuar a brigar ou fingir que tinha sido atacada, como ela sempre fingia na frente dele. Aí ela soltou um grito de horror logo depois que James prendeu os braços dela atrás do corpo, porque alguma coisa ali tinha estralado. E aí, com mais horror ainda, nós duas descobrimos o que tinha feito aquele barulho quando nós caímos no chão pela primeira vez: uma das clavículas dela. Ela voltou a olhar pra mim com desprezo e eu me mexi no aperto de Dough, tentando me desvencilhar, mas ele já estava me arrastando para longe.
- O que... Dough, volta! Volta lá, eu quero acabar com aquela vadia! – Eu comecei a gritar, mas de repente James e Pâmela também estavam ali, novamente perto de nós.
- Pare quieta, Lily – Dough ordenou na minha orelha, enquanto eu ainda tentava me desvencilhar, ignorando totalmente a dor que eu sentia no meu tornozelo. E a ânsia voltava.
- Jay, me ponha no chão! – Eu olhei para o lado e vi que James estava carregando-a como se fosse um saco de batatas, nos ombros. As pernas pendiam na barriga dele, e a cabeça nas costas. – O meu joelho está doendo! ME PONHA NO CHÃO, VOCÊ DESTRUIU A MINHA PERNA!
- Eu não destruí sua perna, Pam, eu coloquei a rótula de volta no lugar – James disse, revirando os olhos.
- SÓ ESQUECEU QUE ELE NÃO É UM BALAÇO, NÃO PRECISAVA TER BATIDO COM TANTA FORÇA!
Ele ignorou essa última parte e Pâmela ficou quieta.
- Onde é que você está indo? Pra onde é que vai me lev- - eu tentei perguntar depois de um tempo, mas James me interrompeu.
- Pra ala hospitalar, primeiro, vocês estão péssimas – ele disse enquanto nós quatro passávamos pelo retrato.
- Eu estava perguntando para o meu namorado! – eu de repente me dei conta que estava sentindo uma raiva descomunal de James. Acho que era mais por ele ter sido "o motivo da briga".
Ele não me respondeu, só me encarou e depois desviou o olhar enquanto eu gemia por causa do meu tornozelo.
- Dough, por favor, tá doendo! – eu choraminguei enquanto ele ainda me arrastava pelo corredor.
- Ah, desculpe – ele murmurou e me pegou no colo, como se eu fosse uma princesa adormecida, e continuou andando.
Eu revirei os olhos, mas fiquei quieta. Era melhor do que ter que firmar meu pé no chão.
- Eu vou te matar, Evans! – Pâmela gritou, olhando rancorosamente pra o carinho com que Dough me levava no colo.
- Não tenho culpa se seu namorado prefere te levar dessa maneira, Weitz – eu falei sarcasticamente, contendo a inesperada vontade de rir. – Ops, EX namorado – completei, e podia sentir o veneno escorrendo pelo canto da minha boca.
- Sua vadia... JAMES ME PONHA NO CHÃO, EU VOU ACABAR COM ELA! – ela gritou novamente, os pés batendo no estômago do ex-namorado.
- Parem! Vocês duas! – James e Dough falaram ao mesmo tempo. Eles se encararam por um tempo, um mais ameaçador do que o outro, mas se deram conta de que eu e Pâmela ainda estávamos ali, então cada um voltou a olhar pra frente.
O silêncio permaneceu até a gente chegar à ala hospitalar, às vezes interrompido por resmungos da Pâmela.
- Mas o que é isso? – Madame Pomfrey perguntou assim que chegou até nós, vinda da salinha dela.
- Essa louca me atacou – eu disse apontando meu dedo da mão boa para Pâmela, enquanto Dough me colocava deitada em uma das macas.
Ela riu histericamente.
- Você me atacou, Evans.
- Eu não quero saber quem atacou quem – Madame Pomfrey se manifestou antes que eu pudesse revidar. – Isso é uma coisa que vocês terão que explicar diante dos professores.
Eu estreitei meus olhos para Pâmela.
- Você. – ela olhou para Dough. -Vá chamar a professora McGonagall. – ela ordenou antes de parar por um instante, analisando nosso estado crítico.
- Ótimo, Weitz – eu disse com rancor. – Agora por sua causa nós vamos levar uma mijada da McGonagall.
- Ela já não está muito contente com você, não esqueça – James completou, olhando zombeteiro para mim.
Eu estreitei os olhos e lancei a ele um olhar fulminante.
- Você trate de ficar bem quietinho, antes que as coisas fiquem feias pro seu lado! – eu disse ameaçadora, mas tenho certeza que minha voz tremeu um pouco quando Madame Pomfrey mexeu no meu pé esquerdo, arrumando minha posição na maca.
- Fique quieta agora, Srta. Evans – ela disse rispidamente, e eu tive a ligeira impressão de que tínhamos atrapalhado as horas de descanso dela. Afinal, não tinha mais ninguém ali.
Pâmela soltou uma risadinha, mas Madame Pomfrey acabou com a felicidade dela quando mandou um 'E você também, moçinha'.
Eu gemi um pouco, eu acho, e fiz careta enquanto Madame Pomfrey cuidava dos meus machucados. Ela primeiro limpou meu rosto, depois cuidou do meu olho. Eu procurei NÃO dar sinais de que estava doendo de fato, mas tinha horas que eu não conseguia agüentar. Ela olhou minha boca e me disse que só poderia concertar aqueles dois dentes, que o outro teríamos que esperar crescer de volta.
- O que a senhora quer dizer com "esses dois"? – eu perguntei cautelosamente, enquanto Pâmela fazia uma cara vitoriosa às costas de Madame Pomfrey e James segurava o riso.
- Ora, esses seus dois dentes aqui ficaram bem prejudicados, sabe, mas o canino com certeza caiu.
- É, eu engoli ele – eu disse fraquinho.
- Pois é, esse aí só nasce de volta com Esquelesce, então não vá reclamar. Mas nesses outros dois, um feitiço resolve. Fique quieta, antes que eu acerte outra coisa.
Depois de ter concertado meus dentes quebrados, ela me deu uma coisa pra fazer bochecho e tirar todo o sangue. Ela fez curativos e, enquanto ia pegar um espelho que eu tinha pedido, McGonagall e Dough apareceram na porta.
Eu dei uma risadinha abafada.
- Tá rindo do quê? – Pâmela perguntou meio desesperada.
- Pelo menos eu já estou apresentável – eu disse entre dentes enquanto olhava seriamente para a professora.
- Não sei o que você chama de apresentável, Evans, mas seu cabelo certamen-
- Muito bem, o que temos aqui? – McGonagall interrompeu-a, suas narinas inflando gradualmente à medida que ela reconhecia sua monitora-chefe por baixo do olho roxo e emaranhado de cabelos.
- Bom, aqui está o espelho, Srta. Evans. E ah, Minerva! Que bom que chegou. Essas duas chegaram aqui sendo carregadas pelos cavalheiros ali. Brigaram, como pode perceber.
- Professora, eu não tive culpa, ela voou pra cima de mim! – Pâmela começou a se desculpar, como era óbvio que ela faria.
Eu me limitei a revirar os olhos e tentar evitar o olhar matante que McGonagall lançava para mim.
- Eu não quero ouvir desculpas, Srta. Weitz – ela falou rispidamente. – Não interessa qual foi o motivo, duas garotas brigando como rapazes! – ela parecia indignada mesmo.
Eu ia falar alguma coisa. Ia mesmo. Mas achei bem difícil achar minha voz.
- Você acha isso correto, Srta. Evans? – ela me olhou severamente. – Uma monitora-chefe nesse estado? – ela olhou significativamente para o meu rosto e depois para minha roupa. – Quando deveria ser o exemplo!
- Não senhora – eu falei, sustentando o olhar. – Mas também não acho certo levar desaforo pra casa – eu acrescentei rapidamente.
- O que quer dizer?
- Quero dizer que não estou tentando tirar o meu da reta. Que não vou pedir desculpas mesmo, porque não tenho do que me desculpar.
- Ora, mas...
- Professora, ela está tentando fazer parecer com que eu começ- - Pâmela começou.
- E não foi, sua vadia?
- OS MODOS, EVANS!
- Desculpe professora – eu segurei o riso. Não sei o que estava acontecendo, mas eu estava tendo umas vontades inesperadas de dar risada...
- Ah, você está achando graça? Realmente, Evans!
- Não professora – eu recompus minhas feições. – Nenhuma graça. Eu estou é indignada que nem na frente de um professor essa maníaca consiga assumir a culpa!
- Eu assumiria, Evans, se você não tivesse voado pra cima de m-
- Ah, cala a boca, sua imbecil. Não fui eu quem te atingiu primeiro. Muito menos pelas costas, sua vagab-
- Evans!
- Foi mal. Ô, professora, será que a gente podia conversar numa outra hora? – eu perguntei, percebendo os olhares indignados de Madame Pomfrey em mim. – Não, com todo o respeito, mas é que eu acho que essa louca quebrou meu dedo. E meu tornozelo também dói bastante, então... não, foi mal. Péssima idéia, eu sei. Desculpe – eu mudei de idéia quando McGonagall me olhou de um jeito nada amigável.
- Papoula... – ela desviou os olhos de mim para olhar para Madame Pomfrey. – Trate dessas duas, por favor, e amanhã eu volto para conversarmos – ela completou, olhando de Pâmela para mim, e de mim para Pâmela. – Quando puderem falar sem ofender os ouvidos dos outros presentes.
Eu prendi o riso novamente (que diabos era essa vontade de rir?) e assenti para a professora.
McGonagall deu um último olhar feio para nós duas e saiu da ala hospitalar.
- E não me venha com essa cara feia – eu repreendi Pâmela antes que ela pudesse formular a frase. – Eu não quero mais papo com você, garota, fica na tua.
- Ah, como seu você realmente pudesse dizer o que eu vou ou não fazer! – ela retrucou, mas eu puxei um assunto com Madame Pomfrey, sobre o que ela achava do meu estado, e Pâmela desistiu, bufando.
Dough se aproximou da minha maca e ficou conversando comigo enquanto Madame Pomfrey dava uma geral no meu corpo, pra ver se não tinha mais nada de errado. Ela me deu Esquelesce pra tomar e eu quase vomitei, como era de se esperar, já que meu estômago já tava fraco.
- Puta troço ruim! – eu gritei assim que consegui botar pra dentro, mas só o que Madame Pomfrey fez foi me lançar um olhar reprovador.
- Os modos, Lily – James riu, se aproximando da minha maca também, assim que Madame Pomfrey se inclinava sobre Pâmela, começando a tratar dela agora.
- Cale a boca, James, já te disse.
- Nossa, tá tão nervosa assim comigo por quê? Não fui eu quem te deixou nesse estado. – ele riu.
- Ei, 'nesse estado' parece que ela ficou bem melhor do que eu! – eu retruquei, pensando em como ela ficaria depois de tratada.
Será que ela realmente ficaria melhor? Não era possível, afinal, eu tinha me esforçado tanto! Mas pelo menos uma coisa me deixava vitoriosa: ela estava com raiva e eu não. Incrível, mas eu não sentia raiva. Eu estava achando tudo muito engraçado, afinal. Eu sentia desprezo por ela, mas não estava com a raiva que ela parecia sentir.
- É, veremos – ele respondeu, prendendo o riso.
- EU NÃO VOU FICAR PIOR, EVANS – Pâmela gritou, aparecendo por baixo dos braços de Madame Pomfrey.
- Ah, vá se ferrar, garota – resmunguei e voltei a encarar o teto.
- Você ainda não me respondeu.
- O quê? – eu perguntei secamente. Eu não estava com raiva, mas isso não tirava o fato de que eu estava irritada com ele.
- Por que é que você está brava comigo. Se eu não te fiz nada.
- Escuta, qual é a tua, Potter? Ela não quer falar com você, não consegue entender? – Dough se manifestou, largando a minha mão e partindo pra cima de James que estava no pé da cama.
- EI, EI, EI! – eu gritei, sentando na cama para encará-los. – Não precisamos de mais uma briga hoje! – repreendi, olhando feio para os dois. – Dough, volte aqui, por favor – eu estiquei meu braço para ele, a mão que estava sem atadura aberta para receber a mão dele novamente. – James, eu não quero falar agora, ok? – respondi, ainda sentada e olhando pra ele enquanto Dough voltava para o meu lado. - Digamos que sua ex-namoradinha me irritou bastante hoje e você tem um bocado a ver com isso.
- Tuuudo bem – ele respondeu, um sorriso malicioso nascendo no canto da boca.
Merda.
- Como assim ele teve a ver, Lily? – Dough estreitou os olhos pra mim.
- Ah, Dough – eu soltei um muxoxo desanimado, me deitando novamente. Eu não queria explicar.
- O fato é que eu falei que fui pra cama com James e ela não agüentou e voou pra cima de mim – Pâmela falou e eu percebi que Madame Pomfrey tinha ido até a salinha dela de volta, buscar alguma coisa.
James levantou as sobrancelhas e olhou feio para a ex-namorada, mas logo eu vi o seu sorriso crescendo e Dough largou minha mão.
- Ótimo, sua vaca. Que parte do 'fica na tua' é muito complicada pra você entender? – eu perguntei, me sentando na mesma hora e me virando para Dough. – Dough, não é verdade. Ai, merda, falando assim parece até que é verdade e eu estou querendo dizer que não é – revirei os olhos, mas Dough parecia cada vez mais intrigado. E James continuava me olhando com aquele sorriso idiota. – Pare de sorrir desse jeito, James, você parece um débil mental. Douglas, olhe pra mim. Isso não é verdade. Ela falou muitas outras coisas e foi por causa DESSAS outras coisas que eu perdi a paciência.
Mas Dough já tinha virado de costas e saía bufando de perto de mim.
- Dough! – eu gritei, sentindo lágrimas nos olhos. Lágrimas de raiva daquela imbecil. AGORA eu estava com raiva. Ela não estava satisfeita em armar confusão? Ela também tinha que botar meu namorado contra mim?
- Lily, pra cima de mim? – ele perguntou, o rosto meio resignado.
- Dough, era só o que me faltava você acreditar nessa ridícula e não em mim! – eu me indignei. Qual era a dele, afinal?
- Não estou acreditando nela, Lily. Tô tendo uma confirmação de tudo o que eu já sabia.
Eu deixei meus ombros caírem, relaxando. Revirei os olhos e gritei, enquanto ele já passava pela porta:
- Quando você quiser parar de bancar o idiota eu te explico algumas coisas! – e deixei minha cabeça cair no travesseiro novamente.
- O que houve aqui? – Madame Pomfrey voltava para a maca de Pâmela, que me olhava vitoriosa.
Eu bufei e virei de lado, dando as costas para as duas. James estava bem na minha frente, e mesmo que eu só fitasse a cintura dele eu sabia que ele ainda me olhava com aquele sorriso.
- Pode fazer um favor pra mim? – perguntei de mau-humor.
- Qualquer um – ele disse, não do jeito profundo como ele costuma dizer essas coisas. Foi natural e eu sabia que ele ainda estava pensando sobre como ele tinha sido o motivo da briga.
- Eu quero meu caderno. Preciso escrever antes que eu fique louca.
- Quer que eu traga até aqui? Sem o medo de eu ler e tal? – ele riu.
- Lancei um feitiço nele, depois daquela sua tentativa idiota de roubá-lo. Jamais abrirá pra alguém que não seja eu – sorri vitoriosa.
- Estraga prazeres – ele bagunçou meus cabelos que já estavam mais do que bagunçados e saiu da ala hospitalar, a tempo de ouvir Pâmela gritando por ele.
Mas ela não precisou ficar reclamando por muito tempo, porque ele voltou logo depois. Ele chegou, me entregou, e foi para perto dela, porque Madame Pomfrey pediu, já que Pâmela não a deixava em paz pedindo por James. Eu escrevi tudo isso aqui e agora vou simplesmente me deixar levar por esse sono absurdo que estou sentindo.
Acho que Madame Pomfrey trocou alguma das minhas poções por sonífero, hum.
N/A: Ok, eu não venho aqui desde abril. Mas deixa eu dizer uma coisa... ESTOU DE FÉRIAS! (: da faculdade e do estágio, então ontem eu resolvi reler a fic inteira. Esse capítulo já está pronto faz muito tempo, hoje eu reli, mudei algumas coisas e dividi no meio, porque ia ficar muito cansativo comprido do jeito que estava. Espero que tenha ficado bom.
Mila Pink: Guria, você me animou! vi suas 984375983479 reviews e pensei "porra, ainda tem gente que lê minhas besteiras" HAHAHAHA obg, tá? muito bom saber que você tá gostando. não vou abandonar não, nem esquente. beijo!
