Capítulo 29

Domingo, 10 de novembro. Minha poltrona, sete e meia da manhã.

Tô meio sem tempo para explicações, porque daqui a pouco tenho que ir falar com McGonagall.

(Sério, alguém acha isso justo?)

Mas vou tentar pelo menos relatar os acontecimentos LINDOS dessa madrugada. (!)

Tudo bem, ignorem meu estado de espírito, porque...

BEM, PORQUE EU NÃO CONSIGO ME CONTROLAR.

Há, estou muito feliz! Mesmo com a perspectiva de ir encontrar McGonagall daqui a pouco, hm. Enfim. Já chego lá. Vamos começar do começo.

Depois de ter feito Dough virar o monstro das bolas de pus, na sexta-feira, eu ainda tinha as aulas depois do almoço e tudo mais, então eu fiquei focada nos estudos e tudo correu bem.

Se nós ignorarmos o fato de que TODAS as pessoas que eu encontrei – desde a hora que eu saí da primeira aula após o almoço até a hora de subir para dormir – estavam me encarando com algum tipo de repreensão e cobrança social... Bem, fora isso, não aconteceu nada demais.

"QUAL ÉÉÉÉÉÉÉ?" foi o que me deu vontade de gritar para todas elas. Mas eu me controlei e pareci super indiferente durante toda a tarde e a noite. Como se simplesmente não fosse comigo, sabe? Esse é um jeito bem interessante de lidar com a situação, porque as pessoas param de parecer vilãs horríveis que estão te encarando e fofocando a seu respeito e passam a ser os idiotas que não sabem nada a respeito da sua vida e que não tem nada mais interessante para fazer do que bisbilhotar e se impressionar com "o-quão-vaca-Lily-Evans-pode-ser-por-trair-o-namorado-e-ainda-transformá-lo-num-verde-e-nojento-monstro-de-pus".

Enfim. Esse foi o resto da minha sexta-feira. As meninas só demonstraram sua aprovação pela minha atitude depois que estávamos no quarto e os meninos... bom, eles não conseguiram esperar tanto. Meio que fizeram um brinde no jantar, o que sem dúvidas deixou uma grande parcela da nossa mesa nos encarando com cara de cu, mas foi só ignorar e pronto. Todos fomos para a sala comunal, conversamos, rimos, brincamos e fomos dormir. Tudo correu perfeitamente bem.

Perfeitamente demais, eu diria. Então, ontem, quando eu estava voltando da Torre de Astronomia, eu cruzei com uma quintanista que me avisou que McGonagall queria falar comigo no domingo, antes que eu descesse para tomar café da manhã. Pra começar, a menina estava me encarando como se a qualquer momento eu fosse me descabelar, começar a gritar, tirar minha varinha do cós da calça e começar a estourar bolhas de pus pelo corpo dela. Depois, ela me deu a notícia como se a McGonagall fosse arrancar meu coro com um aparelho de barbear, me afogar num tanque de firewhisky e depois me jogar para as bestas da floresta proibida.

Devo dizer que não consegui tranquilizar a quintanista. Nem quanto ao fato de transformá-la em um monstro de pus e muito menos quanto ao fato de McGonagall fazer atrocidades com a minha pessoa. Porque, sério... é o que ela vai fazer. Atrocidades com a minha pessoa, quero dizer.

Agradeci o recado e voltei para a sala comunal. Não achei ninguém, então fiz todos os meus deveres e encontrei todo mundo no Salão Principal, no almoço. Depois, todos iam voltar para o lago, onde tinham passado a manhã aproveitando o sol tímido que tinha aparecido. Fiquei com eles o tempo todo, joguei futebol com uns sextanistas corvinais que não estavam me encarando com nenhum tipo de cobrança, nem medo, nem nada.

Resumindo (porque eu realmente tenho que ir logo falar com a professora), eu estava esgotada até o último fio de cabelo quando voltamos para a sala comunal, depois da janta. Subi, tomei banho e desmaiei na minha cama.

E eu tive a impressão de que tinha acabado de sair do banho e me deitar quando de repente acordei com aquela horrível sensação de estar sendo observada.

- Lily – a voz inesperada de James invadiu meus ouvidos.

Legal, eu pensei. Agora, como se não bastasse ficar o dia inteiro pensando no garoto, eu estava sonhando com ele.

- Lily – a voz repetiu.

Afundei minha cabeça no travesseiro com mais força. Se eu quisesse, eu podia mudar o rumo do sonho. Porque, né, todo mundo sabe que não é saudável ficar com uma única pessoa 24 horas por dia na sua cabeça. Então, enquanto eu estava fazendo esforço para interromper meu sonho ou acordar, ou qualquer outra coisa, senti algo tocando meu rosto levemente.

Abri os olhos imediatamente.

- Desculpa! – ele murmurou erguendo os braços. – Não queria te assustar.

- Que bom, hein. Imagina se quisesse – fechei os olhos novamente, soltando a respiração.

- Não seja azeda. Quer ir à Hogsmeade?

Ri, sem conseguir evitar. Achei que na verdade eu ainda estava sonhando. James entrara no dormitório feminino, estava abaixado na frente da minha cama, me encarando e me chamando para ir para Hogsmeade com ele. Típico e idiota. Completamente digno de um sonho sem noção como os que eu sempre tenho.

Cinco segundos depois, percebi que não era um sonho, afinal. Porque ele tinha pegado minha mão e estava brincando com ela. Era uma sensação boa de se sentir e era real, eu estava ouvindo a respiração dele e podia sentir que ele tinha sentado ao lado da cama, porque meu braço estava meio inclinado para baixo.

Passaram-se alguns segundos de silêncio, nos quais eu fiquei acordada o suficiente para aproveitar o carinho que James estava fazendo enquanto desenhava círculos na minha mão, e dormindo o suficiente para não precisar fazer nada além de... bem, não precisar fazer nada além de me manter acordada.

- Vamos? – ele perguntou depois de um tempo, me tirando do meu torpor.

- Aonde, James? - eu ainda não estava pensando com clareza, como você pode ver.

- Hogsmeade, você me ouviu – ele apertou minha mão. – Vamos, antes que as meninas acordem.

- Não vou a lugar algum – murmurei enquanto puxava minha mão e me virava para o outro lado.

Silêncio. Respirei com alívio pensando que ele tinha se conformado e estava se preparando para ir embora. Não me entenda mal, eu estava radiante por dentro por causa da visita noturna, por causa do carinho na mão, dos minutinhos de silêncio e tudo mais. Eu realmente estava.

Porque, né, eu sou uma garota pateticamente apaixonada agora.

Mas mesmo assim... eu estava na cama. E eu nem estava me sentindo descansada. Era como se eu tivesse acabado de me deitar quando James me acordou. Eu estava cansada, com sono e, principalmente, com preguiça de me levantar, me trocar, escovar meus dentes ou fazer qualquer outra coisa que exigisse sair debaixo das minhas cobertas quentinhas.

Mas... Que bobinha eu fui. Em menos de dois segundos senti um peso no colchão. Me virei novamente e James estava ali, sentado perto das minhas pernas, com aquele ar de quem não ia sair dali tão cedo. Bufei no meu já conhecido mau-humor causado pelo sono.

- Você não vai embora né? – revirei os olhos.

- Não – ele respondeu tranquilamente.

- Não vou ser uma boa companhia, já estou avisando – resmunguei enquanto me sentava conformada.

Ele sorriu feito uma criancinha, mas nem se mexeu. Saí da cama, peguei uma calça jeans e uma camiseta e fui para o banheiro, trôpega de sono.

Cinco minutos depois lá estava eu, analisando minha cama vazia e as meninas dormindo, porque James tinha sumido. Estava pensando em qual seria a melhor forma de torturar alguém que te acorda, te faz sair da cama e se arrumar e depois some. Depois analisei a possibilidade de ter sonhado aquilo. E, depois, resolvi descer até a sala comunal e descobrir se eu era mesmo tão patética a esse ponto.

Mas eu não sou, afinal. Porque James estava lá, sentado na minha poltrona.

- Até que isso foi rápido – ele levantou quando cheguei ao fim da escada. – Nem consegui descobrir o que você tanto vê quando fica sentada aqui.

- A paisagem, ué. É bonita o tempo todo por causa das árvores, do lago, das estrelas... Enfim – me aproximei da janela pra ver que estava tudo escuro lá fora. – JAMES! Que horas são?

- Quatro.

Fiquei o encarando com total incredulidade.

- Sério?

- Sim.

- Quero dizer, foi meio que uma pergunta retórica. Tipo... sério mesmo que você me acordou às quatro da manhã pra ir passear?

- Sim – ele repetiu naturalmente. - Aonde você quer ir?

- Como assim aonde eu quero ir? Eu não quero ir a lugar nenhum, você é que quer.

- Se você não quer ir a lugar nenhum, então não vamos.

- Cala a boca, James. Você já me tirou da cama, agora vamos.

- Então você quer ir, né... – ele me provocou. – Senão, não tinha saído do dormitório.

- Tá – bufei. – Estou morrendo de vontade de ir. Podemos andar logo antes que eu durma de pé aqui?

- Repita.

Encarei-o com a maior cara de bunda.

- Está falando sério?

- Claro – ele abriu um sorriso gigantesco, me provocando.

Me provocando! Como é que ele podia ficar tão... tão tentador me provocando?

- Falta um tantinho assim pra eu voltar lá pra cima – ergui minhas sobrancelhas enquanto aproximava meu dedo indicador do dedão.

- Só repetir algumas palavrinhas... "Estou morrendo...?"

- Estou morrendo de vontade de ir a Hogsmeade com você, James Potter.

Falei em bom tom, pausando a cada palavra, aproveitando para ver a expressão de felicidade brotando no rosto dele. Garotos são tão infantis. E podem ser tão... absurdamente lindos fazendo esses joguinhos e provocações.

Muito injusto.

- Agora podemos ir? – revirei os olhos, tentando parecer irritada sem muito sucesso.

- Calma – ele ergueu a mão como se estivesse querendo silêncio para ouvir alguma coisa.

- O que foi? – tentei escutar.

- O som da vitória, consegue ouvir? – ele respondeu normalmente e esperou até minha ficha cair para explodir numa gargalhada.

- Ha ha ha. Você é tão engraçado, Potter. Se você não vai se mexer, estou voltando para o dormitório.

- Não seja assim, Evans – ele parou de rir, se aproximando. – Só estou aproveitando as suas maravilhosas palavras, saindo da sua maravilhosa boca, com a sua maravilhosa voz, saudando a minha maravilhosa pessoa.

Quando terminou de falar, ele já me tinha nos braços. Ou nas mãos, melhor dizendo, que estavam firmemente coladas à minha cintura.

- Você é patético, sabia?

- E é exatamente por isso que você não consegue viver sem mim.

- Isso não foi uma pergunta, eu acho – sorri. James estava grudado em mim, sua testa apoiada na minha.

- Não, não foi – ele abriu um sorriso enorme e me beijou.

Como da última vez em que tinha me dado um selinho, no dia em que saí da ala hospitalar. Tirando o fato de ter sido um beijo de verdade, com um ritmo perfeito. Totalmente natural, como se fosse uma coisa que nós fizéssemos todos os dias, como se pertencêssemos um ao outro e fosse tudo simples assim.

E é. E eu estava tão feliz constatando isso que quase nem percebi o barulho de uma porta abrindo lá em cima. E logo em seguida, fechando com um barulho abafado, como se quem estivesse ali não quisesse ser ouvido.

- Droga – murmurei. – Aquela sua capa da invisibilidade seria ótima agora.

- Ela está aqui – ele apalpou o bolso do moletom. – Não estava nos meus planos sair daqui sem ela, mas por que você quer usá-la agora? Estamos na sala comunal e...

Coloquei minha mão sobre a boca dele, me soltando do seu abraço e ficando ao lado dele. Quem quer que fosse, não precisava nos ver ali. Na verdade, tinha a ver com toda aquela história de não querer me meter em algo sério até resolver algumas coisas...

Ficamos esperando os passos que estavam se arrastando pela escada transformarem-se em uma pessoa. E... adivinhem quem era?

Um doce pra quem chutou Sr. Belinazzo-cheio-de-pus.

- Ah, esse feioso? – James riu, indignado. – Eu não tinha visto que ele tava lá em cima, o que ele está fazendo fora da ala hospitalar?

Puxei a capa no mesmo segundo que vi o pé dele aparecendo na sala. Como nós estávamos perto da lareira, tenho certeza que deu tempo de nos cobrir antes que ele pudesse olhar ao redor.

- Ei! – James ficou me encarando sob a capa.

- Shh!

- O quê? Vai dizer que tá com medo que ele veja a gente? – ele sussurrou enquanto Dough rondava pela sala, aproximando-se do sofá como um cão farejador.

Ótimo. Brilhante.

A resposta deveria ser "claro, James, porque não quero ter que aguentar choramingos dele e ficar irritada e acabar falando sobre o que aconteceu, já que você vai querer matá-lo e tudo mais". Ou, quem sabe, "sim, porque idiota do jeito que Dough é, ele vai achar que você já sabe de tudo e vai começar a falar besteiras".

Mas o que eu respondi foi:

- A gente pode simplesmente ir embora?

James deu de ombros e passamos pelo retrato da mulher gorda, deixando um Dough monstruoso e intrigado para trás.

Saímos do castelo sem maiores problemas. James conhece um monte de passagens secretas, então nós entramos em uns lugares que eu nunca tinha visto e – tcharam! – lá estávamos nós na estrada para Hogsmeade.

- Ok, não aguento... Vou ter que perguntar! – ele estava sorrindo enquanto tirava a capa de cima de nós.

- Hm.

- Por quê fez aquilo com o Belinazzo?

- Não queria que ele nos visse ali, só isso – dei de ombros, tentando não dar continuidade ao assunto.

- Não! Porque transformou ele naquele monstrengo cheio de pus? Não sei se os meninos já tinham te perguntado, mas de qualquer maneira não ouvi sua resposta... Você não estava se sentindo idiota e tudo mais, por que agora virou o jogo e deixou ele todo nojentão?

Dei risada. Era engraçado o fato de estar ali, caminhando às quatro da manhã até Hogsmeade com James, conversando sobre ter azarado meu ex-namorado ridículo. Era como se ele realmente se importasse comigo, como se quisesse saber o que se passa na minha cabeça.

- Digamos que eu tenha descoberto umas coisas que não me deixaram contente... Você estava lá? Na sala comunal?

- Quando você o azarou? Não, eu perdi esse momento incrível! – ele fez uma cara de desolação. – Eu, Sirius e Remus estávamos enchendo o saco de uns quintanistas babaquinhas no salão principal.

- Vocês não tem jeito – soltei um "tsc". – Ei! – lembrei de uma coisa que queria perguntar há algum tempo. – Como é que você consegue entrar no nosso dormitório? No feminino, quero dizer.

- Tenho minhas cartas nas mangas.

- James, por favor! – fiz biquinho. – Até onde eu sei, só Déryck tem a permissão de Dumbledore... por ser o único gay assumido da história de Hogwarts, que teve coragem de ir pedir privilégios ao diretor.

- Eu também.

Gargalhei.

- É sério, contei isso para Dumbledore e ele me concedeu permissão do mesmo jeito que fez com Déryck.

- Aham. E por isso você nunca aparece em circunstâncias normais no dormitório, certo? Só na calada da noite, ou quando eu estou sozinha...

- Claro! Imagina que inconveniente eu ir entrando assim, sem ser convidado. Posso pegar vocês trocando de roupa ou algo assim, seria terrível! – ele riu, parecendo se divertir mais com as minhas risadas do que com o que estava dizendo.

- Sério, como você faz?

Ele ficou quieto.

- Vamos fazer assim... você me responde e eu te respondo.

- Tá...

- O que seu novato fez que não te deixou contente?

- Ugh, não o chame desse jeito – fiz careta.

- Ah, foi mal. O que o Belinazzo fez, hein? Vou arrebentar a cara daquele desgraçado se ele fez alguma coisa pro seu lado e-

- Nada – falei meio rápido demais. – Não fez nada. Não foi nada, você não tem com que se preocupar.

- Hmmmm – ele passou o braço pelos meus ombros, chegando mais perto de mim. Agradeci internamente, porque mesmo com meu sobretudo de lã eu meio que estava congelando ali. – Então eu finjo que acredito na sua resposta e você finge que acredita na minha.

Ri, sem graça. Eu realmente queria contar. Queria que ele soubesse o que tinha acontecido. De quebra, queria falar o quanto ele estava sendo importante pra mim, o quanto eu estava arrependida por não acreditar nele durante esse tempo todo me dizendo que me amava e queria, acima de tudo, que ele ficasse comigo pra sempre e mantivesse longe todas as idiotices e pessoas asquerosas como Dough.

Ficamos em silêncio por algum tempo, até chegarmos à entrada do vilarejo. Seria sombrio estar ali sozinha, mas eu não estava nenhum pouco preocupada, estando com James. Ok, eu meio que estava pensando no que fariam conosco se nos descobrissem ali, mas depois de andarmos um pouco pelas ruas desertas, minha preocupação desapareceu.

- Por que você acha que ele não está na ala hospitalar? – James perguntou depois de um tempo. – Dough.

- Não tenho idéia – balancei a cabeça. Era estranho mesmo o fato de ele estar dormindo na Torre da Grifinória ao invés de estar com Madame Pomfrey. – Por falar nisso, fiquei sabendo que a Pâmela saiu de lá na quinta-feira.

- É, também fiquei – ele revirou os olhos.

- O que houve?

- Nada. É só que ela fica me olhando como se eu tivesse destruído a vida dela ou algo assim – ele fez careta. – Pra começar, nem fui eu quem a deixou na ala hospitalar por alguns dias!

- Você já devia ter se acostumado com meninas te lançando esses olhares, não? – dei risada.

- Por quê? – ele perguntou todo inocente.

- Oras! Porque... porque você fica por aí, iludindo as garotas e depois jogando-as fora.

- O quê! – ele ficou indignado. – Da onde você tirou isso?

- Ah, vai dizer que é mentira, então? Que você já... bem, que você já pegou meia Hogwarts.

- Claro que é mentira! – ele estava rindo, meio indignado ainda. - Foram só umas... sei lá, umas quinze...

Gargalhei outra vez. Tá bom, James Potter só ficou com 15 garotas em Hogwarts? Desde o quinto ano vejo o garoto com uma menina diferente por fim de semana. Tirando os anos anteriores, as festas, os fins de semana em Hogsmeade e... Bem, parei pra pensar no quanto eu me importava com isso, desde sempre. Ri internamente.

- Tá, um pouco mais do que vinte, quem sabe – ele riu, sem graça. – Mas eu não sou assim! De pegar e jogar fora!

- Ah, claro. Você aproveita primeiro. Por cerca de uma semana. Aí sim, joga fora.

- Ah, Lily, não seja injusta! – ele estava na defensiva e eu estava me divertindo. – Nenhuma das garotas com quem eu fiquei até agora esperavam algo sério. Tirando a Pâm, é claro.

- Ah, claro.

- É sério! Todas elas... bem, todas elas sabiam no que estavam se metendo, sabe. Não é como se eu fosse um príncipe encantado ou algo assim, todas elas só queriam a mesma coisa que eu. Só queriam aproveitar.

Fiquei o fitando enquanto falava. Ele não era um príncipe e sabia disso... Como ele podia dizer uma coisa dessas?

- Que foi? – ele perguntou quando viu que eu estava quieta, olhando-o fixamente.

Meneei a cabeça.

- O que você acha que eu penso sobre você? – perguntei de repente.

- Que eu sou um irritante persistente, que te persegue desde que você se conhece por gente... que eu só sei brincar e que sou infantil na maior parte do tempo, mas você gosta disso porque te faz sorrir quando está por perto – ele parou e se virou para ficar de frente para mim. – Tirando as vezes que você não está com o humor tão bom assim, e aí ao invés de sorrir você me xinga. Ou tenta me ignorar. Ou fala coisas que você mesma inventou sobre como me odeia.

Eu baixei os olhos, rindo sem graça.

- E, ultimamente, você deve ter começado a pensar que eu sou um belo de um bom partido, porque está superando seus próprios limites e ficando tempo demais com o cara que mais te irrita no mundo. Ou, você simplesmente não resiste aos meus beijos e desistiu de ficar tentando me provar que não gosta de mim.

Ele terminou de falar, sorrindo. Mas seu tom era de quem falava sério. Eu estava meio paralisada. Quero dizer... porra, James, por que você tem que ser tão perfeito? Tudo bem foi de uma forma que eu jamais utilizaria, mas ele conseguiu resumir o que se passava com relação a nós dois. A primeira parte sofreu algumas mudanças ultimamente, mas, à princípio, era isso mesmo. Soltei o ar, rindo sem acreditar.

- Acertei? – ele perguntou, abaixando o rosto e buscando meu olhar baixo.

- James Potter me conhece melhor do que eu mesma – foi só o que eu disse.

- Há! – ele riu.

- Então quer dizer que você não é um príncipe encantado – ele assentiu. – E quer dizer que o que estamos fazendo aqui é... aproveitar. Só isso. Para, daqui aproximadamente uma semana, eu sair por aí me gabando porque fiquei com o apanhador da Grifinória.

- Lily - eu estava esperando ele negar, mas não foi preciso. Porque a expressão dele dizia tudo. – Vou ignorar sua suposição, ok?

- Tô brincando, bobinho – sorri antes de olhar ao redor. Tinha um gatinho mexendo em alguns latões de lixo próximos a uma loja.

- Ei – ele buscou meu olhar outra vez. Não pareceu acreditar que eu só estava brincando. - O que você acha que eu penso de você?

- Que eu sou uma chata orgulhosa que não acreditou em você durante anos, já que só teve tempo de ficar enganando a si mesma e te fazendo se sentir mal com as coisas que dizia. Que eu sou temperamental e dramática demais, mas que isso é engraçado na maior parte do tempo... – revirei os olhos –, a não ser quando eu abuso e acabo dizendo coisas estúpidas e desnecessárias.

Ele fez que sim com a cabeça, zombando de mim. Depois sorriu e piscou, como se dissesse "tudo bem, nós já superamos isso".

- Que eu te chamei atenção porque ao invés de ficar me arrastando aos pés do cara mais lindo de Hogwarts, eu fugi dele com todas as desculpas possíveis – eu continuei. – E que o que você mais acha engraçado nisso tudo é que não resolveu de nada, porque no fim das contas eu acabei fazendo o que você queria.

- Que é...? – ele me olhou indagadoramente.

- Me apaixonar por você.

Eu nunca vou conseguir explicar o que aconteceu naquele momento. Sim, eu posso falar que a expressão de James era de choque, incredulidade, felicidade e êxtase ao mesmo tempo. Eu posso dizer que é óbvio que ele já sabia que eu estava afim, mas que com certeza não estava esperando que eu dissesse com todas as letras que estou apaixonada por ele. Eu posso dizer que logo depois que a ficha dele caiu, ele sorriu abertamente, me deu um abraço super apertado e delicioso que me tirou do chão, depois segurou meu rosto com as duas mãos e ficou olhando nos meus olhos por alguns segundos, antes de me beijar com o que eu realmente chamo de amor. Eu posso dizer tudo isso. Mas ainda assim não é o suficiente pra alguém entender o que aconteceu ali.

Eu simplesmente percebi que não preciso de mais nada, só disso. De amor, quero dizer. Não que eu esteja toda melosinha e esse tipo de coisa, como se James fosse minha vida e eu fosse morrer caso fiquemos longe um do outro por alguns minutos. É... um sentimento que eu não sei explicar. É mais do que estar apaixonada, eu diria.

Incrível como eu posso imaginar a voz da minha mãe dizendo claramente na minha cabeça: "Você está amando de verdade, querida".


N/A: Vocês já sabem que eu desisti de pedir desculpas pela demora, né? O pior é que eu nem posso falar que foi porque tava muito corrido e tudo mais, porque... Ok, na realidade tá corrido. Mas o caso é que eu estava sem inspiração. Aí o capítulo ia ficar só na encheção de lingüiça, aquela coisinha podre com 5/6 páginas, e daí eu preferi deixar pra postar só quando conseguisse escrever direito.

Não que eu esteja me gabando (hê), mas tentei fazer uma coisa bonitinha aqui. Então, espero que vocês ainda leiam, ainda deixem reviews e ainda se divirtam com tudo aqui. Eu sei, ainda não postei Sirius/Lene. Calm down, uma coisa de cada vez.

Resposta das reviews:

Mila Pink: Marlene sempre arrasa, né. Incrível, adoro essa mulher! :D no próximo capítulo, vou ver se incluo umas cenas dela com o Sirius pras coisas darem uma esquentada. Obrigada por continuar fiel, Mila. Beijos!

Ritha Black E.C Prongs Potter: Pode apostar que Dough ficou muito feio! HAHAHA

Pam Potter: Atendendo a pedidos, o capítulo foi um pouco maior dessa vez. Adoro saber das suas reações lendo a fic, sério. Já disse também que adoro que você goste e devore todos os capítulos e me estimule a continuar escrevendo :D sim, todos na sala ouviram a discussão, vou colocar alguém pra comentar sobre isso no próximo capítulo. Sim, Lene é muito poderosa e eu também faria a mesma coisa, minhas personagens são muito dignas, diz aí. UASHDIUAHSD

Emily: Awn, que ótimo! adoro fazer a felicidade das leitoras! (: só preciso de uns puxões de orelha de vez em quando, pra não esquecer de atualizar isso aqui. Espero que goste desse capítulo também. E pode ficar tranquila, porque até eles se assumirem... muita coisa vai rolar! beijo!

Kay McNell: Leitora nova? AEAEAE. Aproveite, beijos!