Capítulo 30

Mais domingo, nove da manhã. Salão Principal.

Tudo bem, sem desesperos. Ela não pode realmente fazer isso, pode? Quero dizer, claro que é ela é a diretora da casa e tudo mais, mas... sério? Me tirar o distintivo de monitora-chefe?

Isso é absurdo.

Alguém tem que esquentar essa pedra que McGonagall carrega no peito, porque aquilo definitivamente não se parece nada com um coração.

Eu amo ser monitora! Qual é o problema com isso? Qual é o problema com o mundo? Quero dizer... Poxa, que coisa mais injusta! Então eu sou traída pelo suposto namorado perfeito e ainda tenho que ser castigada por dar a ele nada mais do que o merecido?

Bom, chega de reclamar. Já tomei minha decisão, vou falar com Dumbledore mais tarde. É claro que eu não acho legal toda essa coisa de tentar passar por cima da autoridade da McGonagall, mas eu estou indignada! Ela não quis me ouvir! Ela nem sequer me deixou começar a falar. Eu entrei naquela sala calada e com medo do que viria a seguir, e saí de lá sem meu distintivo e com medo de me transformar numa pessoa tão cruel quanto ela.

Mentira. Eu já sou bem cruel, e McGonagall não é tão ruim assim. Eu na verdade gosto muito dela, quando ela não está com suas narinas infladas e gritando comigo ou tirando meu distintivo! Argh.

Mas, mudando de assunto, eu não terminei de contar o lance entre James e eu, certo? Ok, então lá vamos nós.

Depois que James finalmente desgrudou seus lábios dos meus (é sério, aquele garoto tem um fôlego e tanto!), nós ficamos abraçados por algum tempo. Eu sei que isso parece meio patético, mas eu juro que não foi. Foi... Não sei. Foi como falar um monte de coisas sem precisar dizer uma palavra. Enquanto estávamos ali, abraçados, não precisamos nem trocar um olhar daqueles melosos pra dizer tudo que estávamos sentindo. Só o fato de estarmos incrivelmente entrelaçados já bastava. Acho que foi o abraço mais demorado da minha vida. O melhor, claro, e mais... significativo. Ok, acho que vou fazer alguém vomitar aqui, então... Eu acho que já consegui transmitir o que estava acontecendo ali.

Eu meio que pensei que James não ia conseguir falar nunca mais, porque acho que tirando a hora em que ele estava fazendo carinho na minha mão, antes de sairmos do dormitório, eu nunca tinha ficado tanto tempo em silêncio ao lado dele. E, claro, tirando o café da manhã de sexta-feira, quando nós ficamos só trocando olhares maliciosos e tudo mais.

ENFIM.

Depois de alguns bons minutos de silêncio confortável, James finalmente disse:

- Você está errada, sabe.

- Sobre...?

- Sobre o que eu penso de você – ele ergueu uma sobrancelha. – Claro que eu acho que você é uma orgulhosa melodramática e você realmente pode ser cruel com as palavras de vez em quando e... Ouch!

- Estava bonitinho demais pra ser verdade, né – brinquei.

- Mas eu ainda não terminei! Você acertou em algumas coisas, sabe, principalmente quando disse que me divirto com seus dramas e seu gênio forte. Mas – ele ergueu um dedo, antes de utilizá-lo para contornar a lateral direita do meu rosto –, não acredito que você realmente pense que eu te acho chata ou até idiota por não acreditar em mim. E, muito menos, que você pense que estou brincando com você.

- Não penso mais – sorri para ele. – Se tudo o que você disse ou fez não tivesse me convencido, só esse nosso... momento teria sido suficiente.

- Acho bom, porque eu jamais brincaria com você, Lily – ele segurou meu rosto com as duas mãos de novo.

Eu adoro quando ele faz isso, já comentei? Porque, não sei, eu fico tão vulnerável... e não de um jeito ruim! Eu fico me sentindo transparente, como se ele pudesse saber tudo que eu estou pensando ou sentindo só olhando daquele jeito dentro dos meus olhos.

Ai, ai.

- Eu te amo desde que você apareceu na minha vida, sabia? Eu só era muito novo pra entender, mas nós tivemos alguma coisa desde o nosso primeiro diálogo.

- Que foi uma discussão sobre como o meu cabelo parecia estar pegando fogo, à propósito.

- Só pra chamar sua atenção e mostrar como eu era legal por não ter medo de insultar meninas bonitas – ele sorriu. – Depois tudo que você fazia me deixava louco – eu soltei o ar, sem jeito. – É serio, você tinha... alguma coisa que me fazia morrer de raiva por ficar correndo atrás de você como um idiota. Mas mesmo assim eu continuava correndo.

- É porque eu sou irresistível – afirmei, fazendo-o dar risada.

- Somos um casal irresistível, ruiva – ele encostou sua testa na minha. – Vai parar de fugir de mim agora?

- Já parei faz muito tempo – foi minha vez de segurar seu rosto. – Amo você.

Depois disso, nós demos algumas voltas, conversando... e depois fomos para perto da casa onde Remus fica no período de lua cheia. Que é conhecida como Casa dos Gritos, pelos estudantes Hogwarts, já que os sons que vem dali são mesmo de arrepiar. Tinha um gramado bem bom ali, então digamos que nós demos alguns amassos durante um bom tempo, mas tivemos que parar quando percebemos uns garotinhos próximos à cerca que separa o vilarejo da casa.

- Ai, meu Merlim – rolei para o lado, ofegante.

- São só crianças – James deu risada, piscando para os garotinhos que saíram correndo e rindo.

- Crianças acordam tarde – ajeitei meu cabelo. – Já devem ser umas nove horas.

- Nós não ficamos tanto tempo assim e... Caramba! – James ergueu as sobrancelhas ao olhar para o relógio de bolso. – Sete e meia... como isso é possível? Quer dizer, nós saímos do castelo pouco mais de quatro horas e... – ele parou por um segundo.

- O que houve?

- Hoje é domingo! – ele exclamou, sorridente, antes de me deitar novamente. – Temos tempo suficiente e ainda conseguimos tomar o café da manhã com todo mundo.

- Tirando o fato de que eu tenho que ver a McGonagall... antes do café!

Dei risada do seu desânimo instantâneo.

- Vamos, sem reclamar – me levantei e puxei-o comigo.

- O que aqueles pivetes estavam fazendo acordados tão cedo? – James ainda parecia meio indignado enquanto voltávamos pela passagem da Casa dos Gritos.

- Não tenho idéia, crianças são absurdas às vezes – dei risada. – Mas graças a Merlim eles estavam lá, porque se eu não for conversar com a McGonagall logo... sei lá o que ela pode fazer – terminei sombriamente.

- Por que ela quer falar com você?

- Pelo lance do Dough, eu acho. Quer dizer... por que outro motivo ela me chamaria? Né?

- Vai ficar tudo bem – ele bagunçou meus cabelos quando chegamos à saída. – Ei, vou sair primeiro pra parar o salgueiro, tá? Já te chamo.

"O salgueiro?", fiquei pensando quando James desapareceu, mas dois segundos mais tarde ele já estava falando que eu podia sair e quando eu fui para o ar livre e olhei pra cima, eu meio que não acreditei. Estávamos embaixo do Salgueiro Lutador e eu nunca tinha visto aquela árvore tão... tranquila.

- Como achou que nós levávamos Remus para lá todo mês? – ele riu da minha expressão chocada.

- Não fazia idéia, mas não sabia que era possível fazê-lo parar.

- É por algum tempo só, então vamos entrar logo – ele passou o braço pelos meus ombros.

Quando chegamos ao saguão, eu saí de baixo do seu braço e pensei por alguns segundos.

- O que você acha que eles vão fazer?

- Quem?

- Sirius, Lene, Remus, Bru... Quero dizer, é meio que surpresa pra eles, certo?

- O quê? Prefere não contar? – ele parecia desanimado de repente.

- Claro que não – sorri, fazendo o vinco na testa dele desaparecer. – Só estou imaginando como vão ser as coisas a partir de agora.

- Vão ser ótimas – ele me espremeu e me deu um beijo na bochecha. – Vai subir agora pra falar com a McGonagall?

- Vou – desanimei.

- É só contar pra ela o que aconteceu e vai ficar tudo certo, ok? – assenti. – E depois você pode me contar também.

Revirei os olhos, beliscando sua barriga.

- Te encontro depois – mandei um beijo antes de subir as escadas para meu terrível encontro com aquela carrasca.

Digamos que eu tenha percebido que ela não estava de bom humor no exato momento em que eu coloquei os pés dentro do seu escritório.

- Evans – ela disparou, sem se preocupar com o "senhorita". – Se preferir receber a má notícia sentada, fique à vontade.

- E-eu... – desisti de articular qualquer frase. Me sentei no cantinho da cadeira, esperando.

- Eu não irei mais tolerar revoltas como essa, Evans.

- Pro..

- Sem interrupções.

- Desculpe.

- Eu sinceramente achei que pelo seu desempenho exemplar durante dois anos como monitora da Grifinória, você seria a escolha perfeita para cuidar da monitoria do Castelo. Entretanto, percebi que o Sr. Lupin tem desempenhado a maior parte de suas atividades.

Ergui minha mão. Aquilo era TÃO injusto. Quero dizer, eu posso ter milhares de defeitos, mas irresponsabilidade certamente não é um deles. Eu tinha quase certeza de que McGonagall sabia da situação de Remus, então eu podia simplesmente explicar pra ela que o motivo pelo qual ele parecia estar fazendo todo o trabalho é que, na realidade, nós dividimos o trabalho da monitoria. Fica totalmente difícil para ele lidar com qualquer atividade extracurricular poucos dias depois da Crescente, e ele continua cansado até praticamente a chegada da Minguante. E isso é, tipo, metade do mês.

Então durante esse período eu faço todas as tarefas sozinhas. Exceto pelas rondas, já que Remus insiste em não me deixar sozinha. Então, com exceção dessa atividade, todas as outras são realizadas metade do mês por mim, metade por ele.

Por isso era tão injusto que McGonagall estivesse falando aquelas coisas. Eu queria tanto explicar pra ela... mas, primeiro: ela não parecia nem um pouco inclinada a me deixar abrir a boca. Segundo, e se ela não soubesse do caso de Remus? Quero dizer, todos nós acreditamos que ela saiba porque ela é muito próxima à Dumbledore, e também porque ela é a diretora da nossa casa. E se algum aluno dela é um lobisomem e pode ser pego em algumas situações extremas... bom, ela deveria saber.

Então por que ela estava pegando no meu pé com esse assunto?

- Se me permite, professora, eu realmente acho que isso é...

- Sem. Interrupções.

Mordi minha língua.

- Pois bem. Há exatamente uma semana eu estive com você na ala hospitalar. Lembra do que eu havia dito?

- Que estava desapontada com meu comportamento inapropriado.

- Exatamente.

- E adiantou alguma coisa? Eu estou te perguntando, Evans, porque eu realmente não faço idéia do que você está fazendo!

"Eu posso explicar, professora. Eu posso... você me daria razão", eu continua repetindo mentalmente. Mas eu estava quase 100% certa de que se eu abrisse a boca mais uma vez, ela lançaria algum tipo de feitiço em mim.

- Eu acredito na sua responsabilidade, Evans. Acredito no seu desempenho, acredito que você é uma ótima aluna. Eu sei disso, porque tenho lecionado a você durante sete anos – quando ela terminou essa frase, eu meio que já sabia que viria uma péssima notícia. - Acredite em mim quando eu digo que sinto muito, Evans, mas não posso permitir que você continue utilizando seu distintivo e tendo privilégios de monitora-chefe se você não cumpre suas obrigações, está utilizando da agressão física e, além de tudo, azarando colegas da própria casa.

- Professora, por favor...

- São minhas últimas palavras. Você pode ir agora.

Eu juro que me senti como um grande monte de bosta de dragão. Quero dizer... o quão injusta essa vida pode ser? Mas como eu já disse antes, eu tive a brilhante idéia de ir falar com Dumbledore mais tarde. E eu realmente vou, logo depois de tomar café com meus amigos.

Que já deveriam estar aqui, considerando que já faz mais de meia hora que saí da sala da McGonagall e fui pegar meu caderno para vir escrever:

"Se você sair de cima de mim nesse exato momento, juro que em menos de meia hora estaremos lá em baixo com você", foi a última coisa que Bruna disse antes de eu sair de fininho do quarto.


Domingo ainda, oito da noite, dormitório.

Tudo bem, vou escrever meio rápido porque eu disse pra todo mundo que só iria buscar o violão do James.

Bom, vou começar por aí: James e eu fomos muito bem recebidos como casal. Como se pudesse ser diferente, né, já que a única que era contra essa união era eu mesma. Enfim, quando as meninas apareceram no Salão Principal, eu não contei nada. Não me pergunte porquê, eu só sei que não tinha como explicar o acontecido, então eu decidi deixar pra fazer uma surpresa. Que seria um improviso, na verdade, porque eu também não sabia o que James ia fazer quando descesse.

Então depois de uns cinco minutos contando para as meninas o que a McGonagall tinha decretado, Alice finalmente desceu com Frank, e Déryck surgiu segundos depois. E quando estavam todos super revoltados com a professora, o Salão Principal de repente ficou muito mais quente. E, digo isso num ótimo sentido, porque de repente aquele lugar parecia o melhor lugar para ser habitado. Na face da Terra.

Remus, James e Sirius apareceram.

- Sabe, não tinha percebido que seu humor estava tão bom assim, Lils – Lene me cutucou com o cotovelo. Não importava, porque eu meio que já estava sem ar.

Lembra daquela coisa absurda que aconteceu no primeiro dia desse ano em Hogwarts? Quando eu totalmente surtei porque meus marotos estavam as coisas mais lindas do mundo e tudo mais? E como eu estava odiando ainda mais o perfeitinho do Potter, porque tudo que ele fazia parecia deixar meus hormônios comemorando?

Bem, meio que aconteceu a mesma coisa outra vez.

Só que dessa vez... você sabe, eu não estava com ódio. Nem um pouquinho, na verdade. Eu não sei o que me deu, mas acho que a sensação de saber que aquela beldade toda é só minha, que me ama e que fez questão de me provar isso... bom, aquilo meio que me deixou louca. Então eu estava ali, tendo um frenesi quando eles finalmente chegaram na mesa (juro que eles estavam andando em slowmotion!) e James se sentou do meu lado, passou o braço pela minha cintura, me deu um beijo e sorriu abertamente para mim e para minha cara de retardada, antes de começar a se servir de suco de abóbora.

E aí eu caí na real. Na verdade, fui puxada de volta para a realidade por, tipo, umas 500 vozes diferentes gritando na minha cabeça. Foi um bombardeio, eu juro. Déryck alterado... sério, ele pode fazer estrago com as cordas vocais. E a Bruna... sei lá. Acho que ela se sentiu do mesmo jeito que eu me senti quando vi a Lene e o Sirius juntos, sabe? Ela estava tão feliz... estavam todos tão felizes e Remus estava bagunçando meu cabelo e me xingando porque eu não tinha dito nada, Alice e Déryck ainda estavam gritando porque eu era uma dissimulada, Frank e Marlene estavam surtando e enchendo o saco de James junto com Sirius e eu estava muito, muito feliz.

E aí uns sonserinos do sétimo ano entraram no Salão e me fizeram lembrar de Dough. E quase no mesmo instante, McGonagall apareceu e se dirigiu rigidamente para a mesa dos professores.

- Como foi a conversa? – James olhou empolgado para mim.

- Não foi bem uma conversa, pra falar a verdade...

- Não fica assim, amiga – Bruna segurou minha mão. – Ela vai voltar atrás.

- Não vai não – dei de ombros.

– Ela disse "são minhas últimas palavras"? – Frank perguntou e eu assenti.

- Vish, então pode esquecer – Déryck fez careta. – Desculpe, Lily, mas acho que realmente não vai ter como conseguir seu distintivo de volta.

- O quê? – Remus e James perguntaram ao mesmo tempo.

- É, ela disse que estou fora da monitoria.

- Ela não pode fazer isso! – Sirius estava indignado. – Ela pode?

- O pior é que pode – Remus respondeu com a mesma indignação. – Ela é a diretora da casa, foi ela quem indicou, então..

- Mas ela só indicou, certo? – James tentou me animar. – Ela indicou vocês dois, mas os outros diretores tiveram que aprovar! Principalmente Dumbledore...

- Você já falou com ele?

- Ainda não. Mas vou falar, Sirius – lancei um olhar para a mesa. – Acho que vou aproveitar que a McGonagall está comendo e vou agora.

Eu já tinha ido até a sala dele algumas vezes, por ser monitora desde o quinto ano, e as gárgulas da entrada sempre foram muito gentis comigo. Mas parece que elas ficam sabendo de tudo o que acontece nesse castelo com uma rapidez inexplicável, porque elas meio que tornaram minha entrada mais difícil. Mas consegui convencê-las de que a professora McGonagall tinha acabado de falar comigo e ordenado expressamente que eu fosse conversar com o diretor.

- Oh, Srta. Evans – a voz de Dumbledore me surpreendeu quando eu estava abrindo a porta. – Entre, por favor.

- Bom dia, professor. Desculpe por vir assim tão cedo... tem uma coisa sobre a qual eu gostaria de falar.

- Claro, sem problemas. Fique à vontade – ele indicou a cadeira em frente à sua, com a cabeça.

- Eu... eu sei que, quero dizer, provavelmente o senhor já está sabendo que a professora McGonagall me dispensou das atividades da monitoria.

Ele não falou nada, ficou apenas me olhando.

- Olha, professor... eu não quero parecer rebelde ou alguma coisa do tipo – ele sorriu brevemente. – E de maneira alguma quero contestar a autoridade da professora McGonagall.

- Então por que está aqui, minha querida? – ele perguntou gentilmente, parecendo interessado.

- Eu concordo que eu tenho me metido em mais encrencas do que deveria, esse ano e...

- E não é para menos, uma vez que é grande amiga dos cavalheiros que auto intitularam-se Marotos e que vêm divertindo-se muito nesses sete anos que estiveram em Hogwarts.

- Sim. Eu sinto m..

- Oh, não diga isso, Srta. Evans – ele ergueu um dedo. – Jamais se arrependa do que traz felicidade ao coração.

Respirei aliviada.

- Tudo bem, eu não sinto. O caso é que eu nunca fiz nada realmente errado, senhor. Eu sempre cumpri minhas funções da monitoria e eu fui uma ótima monitora durante os dois últimos anos.

- Com toda certeza, caso contrário o corpo docente de Hogwarts não teria nomeado a senhorita como monitora-chefe.

- Sim, diretor. Eu fico muito grata, de verdade. Eu adoro monitorar, por mais brega que isso pareça... e eu tenho ótimos momentos fazendo o que eu faço, sabe, eu ajudo muitos calouros e os professores, e cuidar das reuniões dos monitores das casa, servir de exemplo... tudo isso é muito legal. As rondas são ótimas, quero dizer, estamos sempre alerta para caso algo aconteça, mas tirando a vez que pegamos o... Bom – pigarreei –, o que eu quero dizer é que acho totalmente injusta a decisão da professora de me tirar o distintivo. Eu sou uma ótima monitora-chefe, professor Dumbledore.

- Eu não contesto sua afirmação, você de fato é uma grande monitora-chefe. Acontece que, antes de monitora-chefe, Lily.. posso te chamar assim, certo?

- C-Claro.

- Antes de ser uma monitora-chefe, Lily, você é uma estudante. Você não pode atacar uma quintanista e uma semana depois azarar um colega do seu ano e esperar que nada aconteça.

Céus, falando daquele jeito parecia realmente muito ruim!

- É exatamente sobre isso que vim falar, senhor. Sobre os meus motivos para fazer o que fiz. Eu sei que de forma alguma eu tenho razão em utilizar agressão ou azarações contra meus colegas, mas eu gostaria de pelo menos explicar o que aconteceu... para não passar por louca ou delinquente juvenil ou qualquer coisa assim.

Dumbledore pareceu adorar meu discursinho.

- Absolutamente – ele sorriu. – Estou curioso sobre seus motivos, já que ouvi dizer que você o Sr. Belinazzo estavam relacionando-se muito bem ultimamente.

- É...

Corei um pouco, mas respirei fundo. Eu ia ter que contar, certo? Então pro inferno com a vergonha!

- Eu não sei exatamente por onde começar, professor... mas...

- Por que não começa explicando o que houve na semana passada, entre você e a senhorita...

- Weitz.

- Exatamente. Por que não começa desse ponto?

- Certo – respirei fundo outra vez. – Eu sei que o senhor vai achar isso tudo ridículo e tudo mais, mas...

- Só fale, Lily – ele riu.

- Ok. Bom... parece que todo mundo nesse castelo sabia que um dia eu ficaria com James Potter, menos eu. Bom, não sei onde os professores se encontram nesse quesito de informações dentro desses muros, mas tenho quase certeza de que também sabem de muita coisa que acontece aqui dentro. DE QUALQUER MANEIRA, o que aconteceu é que James estava namorando a Pâmela... Weitz, a senhorita Weitz, quero dizer, e ela tinha ciúmes de mim, o que eu considerava ridículo. Mas ela não. Nem o resto do mundo ou... tanto faz. Ela estava com ciúmes e nós discutíamos quase todos os dias, mas eram coisinhas bobas daquele tipo em que... bem, daquele tipo de briguinha no qual eu me metia até o quinto ano e que já me trouxe até sua sala algumas vezes – ele piscou generosamente. – O que importa é que dessa vez eu não estava me importando, sabe? Eu estava meio entediada, então sim, eu estava brincando com ela, eu estava fazendo um joguinho. Mas sem me machucar ou algo assim. E aí, quando a Grifinória ganhou na semana passada e nós estávamos comemorando... – fiz uma cara de culpada, mas Dumbledore continuava sereno e eu presumi que não tinha problema nenhum contar. - ...Bom, essas festas de comemoração que ocorrem nas casas, eu tenho certeza que apesar do senhor nunca interferir... tenha total consciência delas, e de que... bem, de que seus monitores tiram o resto do dia de folga para aproveitar e tudo mais.

- Sim, tenho total consciência delas. E as considero completamente saudáveis para vocês, ainda mais pelo motivo pelas quais são oferecidas. Prossiga.

- Bom, eu meio que fui tirar sarro porque ela tinha terminado com James... sabe, não é pura maldade. Eu não sou o tipo de garota venenosa... mas ela realmente me tirava do sério por ficar se gabando que estava com James há mais de um mês. Quero dizer... quem se importa, não é mesmo? Pois é, eu me importava – Dumbledore ergueu as sobrancelhas – Mas até aquele dia, eu não sabia disso. Então eu não fui escorrer meu veneno em cima dela, eu só fui... bom, eu só fui pegar a droga de um salgadinho e aproveitar pra dar uma zombada de leve nela... E ela começou a me ofender de verdade, a falar coisas que agora eu admito que foram até boas e importantes para eu descobrir algumas coisas... mas naquela hora... bom, naquela hora me magoaram de verdade. Então eu despejei algumas verdades em cima dela também e estava me retirando quando ela surtou e despejou aquele pote em cima da minha cabeça. Um pote de ponche, professor. Eu fiquei grudenta, fedendo a álcool e aí.. Ah, esquece. Eu não deveria ter vindo. Eu sei que parece muito que sou pirada agora... mas eu realmente tinha uma coisa pra dizer quando eu quis vir até aqui...

- Pode continuar, Lily – Dumbledore tentou me chamar, mas eu já estava na porta, me sentindo muito idiota por ficar contando besteiras da minha vida para o diretor!

- Eu só queria dizer que eu não tenho deixado o Remus fazer todas as atividades da monitoria. McGonagall, digo, a professora McGonagall foi injusta utilizando isso como um dos argumentos mais pesados a favor da minha exclusão. Eu não consegui dizer isso para ela porque, bem, porque ela não parecia nenhum pouco disposta a me ouvir, mas tenho certeza de que, como o senhor, ela sabe muito bem das dificuldades pelas quais Remus passa e pelas organizações que nós fazemos por causa disso. E – parei para respirar, as sobrancelhas de Dumbledore estavam quase tocando seu chapéu, de tão levantadas – E... eu posso ter perdido os limites quando eu lancei a azaração no James no começo do ano, eu estava nervosa com ele! E quando briguei violentamente e estraguei alguns ligamentos idiotas do joelho da Pâmela... eu estava nervosa com ela, porque ela estava com o cara que eu descobri que amo e...

Eu abri a porta e suspirei.

- E eu posso ter feito algumas coisas erradas, professor. Mas eu tenho certeza que entrar como um calouro no sétimo ano, encantar todo mundo com a boa educação e o bom porte, apostar com alguns sonserinos que você pode seduzir uma garota boba e romântica, fingir ser o melhor namorado do mundo por alguns meses e depois tentar levar você para cama só para provar para uns babacas que você é mais babaca ainda... eu acho que isso é errado. E eu acho que eu não deveria perder o direito de servir de exemplo para algumas pessoas, senhor, só porque eu tentei mostrar a um retardado que não se pode mexer com os sentimentos de alguém como ele mexeu com os meus e sair por aí, como se fosse o máximo e todos devessem respeito a ele.

Eu não sei o que Dumbledore achou de tudo o que eu falei. Eu só sei que eu estava chorando, porque lembrar do que Dough fez parecia ter me deixado vulnerável e eu não queria ter perdido o meu distintivo. E quando eu saí da sala e fechei a porta atrás de mim, eu dei de cara com alguém.

- James, o qu-?


N/A: AEAEAEAEAE! sim, eu sei. eu disse que teria lene/sirius nesse capítulo entendam, por favor, que demorou demais pra lily e james se acertarem e estou aproveitando pra colocar todo meu romantismo e mimimi nesses capítulos HAHAHAHAH no próximo, vou variar um pouco :x

Respostas das reviews:

Mila Pink: Se gostou do cap. passado, espero que surte com esse! NÉ, eu iria voando com James pra qualquer lugar. IUASHDIUASHD

Flávia Rosal: Só tava esperando tu sair do msn pra att. MENTIRA! AUSDHIASUHDIUAHDIUH espero que tu goste, sis. fiz só pensando na sua depressão (e na minha D:) somos duas forever alones. AUSHDIUAHSD te amo, pow!

Emily: Né, adoro esse estilo Sirius. Na minha outra lily/james, o James é mais parecido com Sirius do que nessa. HAHAHAH beijos!

Ritha Black E.C Prongs Potter: Fique calma, tem algunnnns capítulos ainda. *-* obrigada!