Capítulo 33

Ainda domingo, 16 de novembro. Nove e meia, dormitório.

Ok, voltamos ao dormitório. Desci com as meninas pra tomar café e elas nem quiseram esperar os meninos. Estamos todas nos arrumando pra aproveitar o dia em Hogsmeade!

Então vou tentar contar meio logo o resto da história de domingo passado porque, mesmo sendo a última na fila do banho, tenho que me apressar.

Bom, depois do choque que James levou quando percebeu o que eu disse, ficamos um instante em silêncio antes de eu me manifestar de volta:

- Já são mais de onze e meia, então... Vá buscar a capa de invisibilidade e eu te encontro aqui em dez minutos, pode ser?

- Pode – a voz dele estava meio rouca.

Ele levantou do sofá meio travado, estava indo para as escadas e voltou. Ergueu meu rosto pelo queixo e fitou meus olhos.

- O que você está fazendo?

- Só tendo certeza de que você não vai me deixar esperando aqui, feito um idiota.

- Eu não estou exatamente brincando com você, James.

- Eu te amo – ele beijou meu nariz e subiu. Eu estava apavorada. Meu estômago parecia ter triplicado de tamanho e decidido fazer uma festa dentro do meu corpo. Levantei de um pulo. Ok, eu tinha dez minutos para subir, tomar banho e parecer saudável ao invés de suar nervosamente e manter um olhar apavorado no meu rosto. Subi correndo, tentando fazer o menos de barulho possível.

- Nossa, aonde vai com tanta pressa? – Bruna tinha acabado de entrar no quarto, estava quase fechando a porta quando eu passei correndo para dentro.

Segurei o rosto dela entre as mãos, sorrindo e com o coração na boca. Ela só me encarou. Ficamos assim por alguns segundos, até que ela arregalou os olhos também.

- LILS! – ela gritou antes de tapar a boca com a mão, olhando para ver se Alice não tinha acordado. – Oh, meu Merlin! Você vai... Vai...! O que você vai fazer primeiro?

- Tomar uma ducha, eu acho?

- Vai, vai, vai. Eu pego uma roupa, o que você quer colocar?

- Não sei, Bru! Ai, meu Deus... Confio em você, já volto!

Entrei no banheiro desembestada. Liguei o chuveiro e praticamente entrei sem tirar a roupa. Respirei com calma quando senti a água morna na minha pele.

"Calma, Lily. Respire"

Tomei o melhor banho possível, meio que sorrindo o tempo todo. Saí do banheiro enrolada na toalha para o quarto escuro. Bruna tinha separado uma roupa pra mim, exatamente o que eu precisava: simples. Vesti o conjunto de lingerie branco rendado e coloquei a saia jeans de cintura alta.

- Quer a verde ou a branca? – ela estava segurando minhas duas camisetas na minha frente. Peguei a verde e coloquei minha sapatilha.

- Você está linda – Bruna respondeu antes que eu perguntasse. – Não, não, de cabelo molhado é mais sexy – ela tomou a toalha da minha mão e eu revirei os olhos, meu sorriso indo de uma orelha à outra.

Levantei, dei uma volta no mesmo lugar e não consegui avançar para a porta.

- Tô com medo.

Bruna deixou os ombros caírem e me olhou com um sorriso quase maior do que o meu.

- Que mané medo! – ela segurou minhas mãos. – James te ama, já pensou no quão lindo ele vai ser? Eu já – ela riu. – Tô brincando!

- Eu te amo, amiga. Obrigada.

- Eu te amo mais. E amo aquela criatura que deve estar morrendo de ansiedade lá embaixo. Vê lá, hein Lily, não vai magoar meu melhor amigo.

- Bruna... Sua idiota.

Ela gargalhou.

- Vai ser feliz, menina! – ela me empurrou pra fora do quarto e fechou a porta atrás de mim.

Respirei fundo. Meu sorriso tinha desaparecido, mas as borboletas continuavam firmes e fortes no meu estômago. Desci as escadas para encontrar James lá embaixo, mexendo no cabelo molhado. Ele também tinha tomado banho, percebi.

Fui andando até onde ele estava, de costas, joguei meus braços na sua cintura e afundei meu rosto no seu pescoço. O cheiro, por Merlin, era muito bom. E, de certa forma, me acalmou.

Ele respirou fundo e se virou para mim. Seu rosto estava sério por um segundo e depois não estava mais.

- Você tá linda, sabia? Adoro essa blusa – sorri, pensando em Bruna.

- Obrigada.

Ele nos cobriu com a capa e saímos da Sala Comunal. Não tinha idéia de onde James estava pensando em me levar. Primeiro pensei na Sala Precisa. Depois pensei em como isso seria clichê. Depois (num pensamento muito sujo, devo dizer), pensei em uma sala de aula vazia e uma mesa só para nós. Quando percebi que nós estávamos indo para os jardins, pensei na Casa dos Gritos. "Pelo amor de Deus", quase bufei. "A Casa dos Gritos não e nada romântica!"

Eu já estava respirando aliviada porque que nós estávamos avançando pelo jardim quando me dei conta de que era realmente para lá que James estava me levando. Paramos a alguns metros do Salgueiro.

- Volto logo – ele me deixou sob a capa e entrou correndo na passagem embaixo da árvore, parando os galhos assassinos com um aceno de varinha.

"Ótimo. Cadê todo aquele romantismo? Calma, respira. Não importa aonde será, vai ser perfeito. O que é que eu estou dizendo? Por Merlin, o que é que eu estou fazendo? Acho que vou voltar... Ai, não posso deixar James sozinho. Socorro, estou passando mal. Já estava tão abafado assim quando deixamos o Castelo? Que horror, estou hiperventilando! Será que James ficará muito desapontado se por um acaso eu amarelar? Não, Lily Evans. Você não vai amarelar. Você não é assim. Você só fez o que fez porque quis fazer. Você quer. Eu quero. Eu quero. É o que eu mais quero, no momento."

Fechei os olhos, respirando fundo. James estava demorando um bocado. Será que ele estava tão nervoso quanto eu? Será que estava pensando em amarelar? Será que não queria que isso acontecesse? E se de repente ele tivesse mudado de idéia? E se na verdade não me amasse? E se agora estivesse sofrendo uma batalha interna para me dizer que, infelizmente, teria que recusar?

Seu olhar me veio à mente. Seus olhos castanho-esverdeados escaneando minha alma. Seu abraço tranquilizante, seu sorriso... Ouvi um barulho e abri os olhos. James estava na minha frente, sorrindo de leve.

Sem dizer nada, me conduziu para a passagem. Quando eu coloquei os pés lá dentro, não acreditei. Tinham velas por todos os lados. Velas vermelhas e pequenininhas, em formatos de flor. O lugar não cheirava a passagem subterrânea. Cheirava incrivelmente bem. Em um ou outro ponto, os tons das velas variavam. Quando chegamos à Casa dos Gritos, meio que prendi a respiração com a surpresa. Havia pétalas de rosa pelo chão e o cheiro ali era dez vezes melhor do que o cheiro pelo caminho. Tinha uma cama gigante no meio do quarto (ou aquilo é uma sala? ou é a casa inteira? Não tenho idéia, acho que a Casa dos Gritos é tipo uma casa de um cômodo só. Enfim). Tinham cômodas dos dois lados da cama, as duas com várias velas de tamanhos e formatos diferentes. As chamas dessas velas, de alguma maneira, não eram tão quentes. Eu sei disso porque o lugar, mesmo cheio de velas, não estava quente. Estava agradável. E cheiroso... E lindo. As paredes estavam limpinhas, o chão também, a casa podia ser o cômodo preferido de Petúnia, se ela gostasse de algum tipo de romance. Me voltei para James, que me olhava apreensivo.

- E aí?

- Você fez isso tudo agora? – quero dizer, eu sei que eu estava enfrentando uma guerra interna lá fora, mas... Puxa, não demorou tanto assim!

Ele assentiu com a cabeça. Preciso aprender alguns feitiços com James, porque ele é tão bom nessa coisa de transformar lugares! Cheguei a essa conclusão.

Ficamos um momento em silêncio e eu juro que quase abri a boca e soltei um "estou com medo", novamente. Ao invés disso, pedi pra ele sorrir pra mim.

- O quê? – ele franziu o cenho.

- Quando eu comecei a perceber que você é um cara legal – fui me aproximando –, ficava irritada comigo mesma porque pensar nos seus sorrisos me fazia sorrir.

Coloquei os braços em volta do seu pescoço.

- E desde que a gente se acertou... Eu não sei o motivo, mas eu meio que me sinto a pessoa mais feliz do mundo quando você sorri pra mim.

James curvou o canto dos lábios.

- Eu sei o motivo – ele falou, me puxando para perto e firmando suas mãos na minha cintura. – Você se sente feliz quando me vê sorrindo pra você porque finalmente parou de inventar desculpas e sinceramente acredita que eles são seus sorrisos.

- Acredito?

- Deveria acreditar – ele sorriu o "meu sorriso". – São todos seus.

Em um momento nós estávamos sorrindo um para o outro e dizendo palavras bonitinhas, em outro nós estávamos ferozmente envolvidos. Nunca senti a boca de James tão urgente na minha, suas mãos tão ávidas na minha pele e, bem, você sabe. Quando dei por mim, estávamos na cama. Minha saia estava no chão, junto com a camiseta de James. Respirei fundo. Eu não estava mais nervosa. Mas estava incrivelmente feliz e ansiosa pelo que viria a seguir.

James parou de repente.

- Lily, não posso fazer isso.

"O quê?"

- P-por quê? – deixei minha cabeça tombar no travesseiro, respirando pesadamente.

Ele tombou para o lado e ficou me fitando profundamente enquanto falava.

- Você passou por uma coisa horrível hoje, eu... Eu nem posso imaginar e eu sei que você não quer que eu fique irritado, mas você não precisa fazer nada disso e-

- James – ele suspirou. – Eu não estou fazendo isso pra te distrair ou tentar esquecer o que aconteceu. O que Dough fez... Eu jamais vou pensar naquilo enquanto estiver com você. São coisas totalmente opostas. Estou fazendo isso porque eu quero. Porque eu quero mais do que qualquer coisa agora.

Ele engoliu em seco.

- Você não sabe o quanto eu quero e o quanto eu esperei por isso. Eu sinto muito, Lils, mas eu simplesmente não consigo pensar em outra coisa. Eu sei que isso não é nada romântico e tudo mais, só que só tem uma coisa na minha cabeça desde que entramos na Torre de Astronomia.

Suspirei. Eu entendia, era mais do que óbvio. Na verdade, fiquei meio frustrada na hora. (qual é! James é finalmente meu e quando a coisa toda vai acontecer...!)

- Acredite em mim quando eu digo que ninguém quis alguma coisa na vida mais do que eu quero ter você, mas eu não quero fazer isso desse jeito. Você merece muito mais do que isso, Lily. E você pode jurar por tudo que quiser que você não está fazendo isso pra me distrair, mas eu não consigo acreditar.

Eu soltei um riso fraquinho.

- É uma ótima distração, acredite – ele beijou meu pescoço. – É só que... Acho que você já passou por muita coisa hoje. Não que eu não queira te compensar, mas...

- Ei – segurei seu rosto. – Você não está tentando se justificar, está? Porque... James – eu ri de volta.

- Que foi?

- Você é de longe a pessoa mais incrível que eu já conheci – achei que podia explodir de felicidade ali na cama. – Acho que eu não te mereço.

- Eu acabei de negar fogo aqui e você me acha incrível? Devia ter feito isso antes!

- Isso aqui – me referi a toda a decoração – não está nem perto de negar fogo. Eu não sei de que mundo você é, mas você sabe exatamente como ser perfeito.

Ele só estava ali, apoiado no cotovelo, me olhando e passando a mão pelo meu cabelo.

- Agora é a hora em que você fica todo convencido e diz alguma coisa idiota – sorri.

- Ah, é? – ele me olhou com indignação. – Pois eu vou dizer a coisa mais séria de toda a minha vida.

- Estou esperando.

Ele fez suspense por alguns segundos, depois sorriu o meu sorriso mais lindo de todos e escaneou minha alma com aqueles olhos castanho-esverdeados perfurantes.

- Eu só sou perfeito com você – ele aumentou o sorriso -, porque nós somos perfeitos um para o outro.

Mais uma vez, eu suspirei apaixonada. E, mais uma vez, eu não conseguia entender como James conseguia falar essas coisas na maior naturalidade e continuar ali, sorrindo e sendo a coisa mais encantadora do mundo enquanto eu estava hiperventilando e tendo arrepios gigantescos da cabeça aos dedos dos pés.


Sexta, 21 de novembro. Sala Comunal, nove da noite.

Então, ontem tive que parar de escrever porque Bruna liberou o banheiro mais rápido do que eu imaginei. O que aconteceu naquele domingo, dia 9, foi que depois de eu ficar toda derretida com a atitude linda que James tomou, nós passamos o resto da noite conversando.

Posso dizer? Não me achem louca ou algo do tipo (Marlene me disse que isso é papo de virgem, HAHAHHAHAHAH), mas eu realmente acho que aquela noite foi muito melhor aproveitada do que poderia ter sido, caso as coisas tivessem saído como inicialmente planejadas. Porque, sério, eu e James estávamos ambos eufóricos e tudo mais, só que passar a noite inteira rindo, conversando, brincando, abraçando e, claro, namorando, foi muito mais proveitoso, sabe? Finalmente a gente tá tendo (eu finalmente estou me permitindo!) a chance de nos conhecermos melhor, de passar o tempo juntos, de aprender coisas sobre o outro. Acho que isso é super importante e, apesar de as meninas terem ficado decepcionadas por não ter rolado nada mais picante, eu não pude deixar de notar os olhinhos brilhantes delas enquanto eu contava sobre as horas lindas que eu passei acordada ao lado de James.

Então é isso aí. Meu namorado é a coisa mais perfeita do mundo inteiro e apesar de eu me xingar abertamente por ter adiado minha felicidade por tanto tempo... Eu não me arrependo da maneira como elas aconteceram. Tô achando tudo muito lindo, com exceção do fatídico acontecimento com Dough. Mas... Graças a Deus ele se afastou. Eu e James, naquele dia, fizemos um acordo. Até Dumbledore tomar uma decisão, ele vai fingir que não sabe de nada. Ele não vai tomar atitudes precipitadas e não vai fazer nenhuma besteira. Ele concordou comigo quando eu disse que estamos pisando em ovos, lidando com Dough... (porque eu acho que nunca vou esquecer aquele olhar sombrio dele e a hipocrisia enquanto ele cumprimentava Fabrício, logo após ser pego no flagra!). Desde então, Douglas age como se nada grave tivesse acontecido. E tirando o fato de que James praticamente ferve de raiva e que eu tenho vontade de sair correndo quando o vejo fazendo babaquices com o pessoal da Sonserina pelo castelo... Bom, nós estamos tentando fingir que ele não existe.

Dia 16 (domingo passado), fomos passar o dia em Hogsmeade. Eu acho que comentei sobre isso, né? Passamos um dia agradabilíssimo, comemos horrores, nos entupimos de cerveja amanteigada e voltamos para Hogwarts mais altos do que nunca. O resto da semana passou normalmente... Na verdade estou meio sem novidades. James e Sirius têm treinado bastante, embora o próximo jogo seja só depois das férias de inverno e Remus e Bruna andam cheios de amor pra dar, como sempre, mas – se isso for possível – eu diria que eles estão MAIS apaixonados do que nunca. Ah! Falando em Remus... Eu conversei com ele ontem, sobre a monitoria. Falei que mesmo sem meu distintivo eu vou ajudar no que eu puder. Vou fazer as rondas com ele. Como é que eu posso deixá-lo sozinho se ele nunca me deixou? Mesmo estando super destruído ele sempre me acompanhou, então nada mais justo, eu acho. E vou continuar fazendo os planejamentos das reuniões, já que ninguém vai saber da minha participação. Só não me dispus a fazer as atividades que exijam que eu fique andando sozinha pelo Castelo, porque o medo infernal que Dough provocou em mim ainda continua firme e forte. Além do mais, não adiantaria muita coisa porque eu não poderia exercer meu papel de Monitora caso me deparasse com alguma situação que pedisse por isso.

Ele agradeceu, mas ficou meio atravessado com a história das rondas.

- Vai dar tudo certo, Rem. A gente quase nunca acha ninguém mesmo, só alguns alunos aqui e ali. Ninguém pego fazendo coisa errada vai questionar a autoridade de uma monitora-chefe. Ou ex, enfim – ele riu. – O máximo que pode acontecer é encontramos um professor, mas a gente dá um jeito. Somos os queridinhos.

- Só com a McGonagall isso não vai funcionar, né.

- A gente nunca encontrou a McGonagall nas rondas. Seria o cúmulo do azar se meu carma resolvesse fazer isso comigo justo agora.

Enfim. Depois de falar com ele, fomos pra ronda. E não encontramos nenhum professor, HÁ. Nenhum aluno também, então ficou tudo bem. Se desconsiderarmos o fato de que, num momento de silêncio, Remus perguntou o que tinha acontecido na semana passada, o porquê de eu estar diferente e o que Dough tinha realmente feito pra James estar com tanta raiva.

- Olha, não é que eu não queira contar pra vocês... Só não contei ainda porque acho que não tinha necessidade mesmo. Mas, como você está perguntando e eu jamais vou mentir pra você – dei um sorrisão – vou falar. Mas, ó, é constrangedor e extremamente desconfortável, agressivo e indignante. Nem fique aí esperando meu típico draminha porque... Remus, vou te contar. O negócio foi feio.

- Ok, mesmo com esse seu tom de brincadeirinha, eu percebi que o negócio é sério desde domingo. O que houve? – ele perguntou mais uma vez, sério.

- Dough tentou me estuprar – falei, com mais naturalidade do que eu pensei que fosse conseguir.

O caso é que eu percebi que, apesar do meu medo absurdo, eu não posso ficar chorando pelos cantos. Eu confio em Dumbledore, então eu só estou esperando que alguma coisa terrível aconteça logo com Dough. E eu sei que toda a situação é muito horrível e realmente agressiva aos ouvidos de qualquer um (além de soar totalmente surreal pra quem caiu no teatrinho daquele dissimulado), mas eu já estou sentindo tanta raiva dele que quase consigo pensar no que aconteceu com distância. Eu procuro sempre mentalizar que Fabrício apareceu, não aconteceu nada pior, Dumbledore já está sabendo, James e Sirius estão cientes e não vão deixar nada acontecer novamente e Dough vai ser punido.

Essas coisas meio que me tranquilizam, mas é só vê-lo na sala de aula, no Salão Principal, na Sala Comunal ou nos corredores que meu sangue congela.

- O QUÊ? – ele gritou, baixando a voz logo em seguida. – Lily, como... Como assim? Você já falou com Dumbledore? E James? E, MEU MERLIN, COMO ASSIM?

Ele já estava falando alto novamente. Antes que eu pudesse responder, ele me abraçou e beijou o topo da minha cabeça e logo em seguida me bombardeou de perguntas como "Você está bem?", "Ele te machucou?", "Como foi que você saiu dessa?", "Por que ele ainda está em Hogwarts?" e "O que Dumbledore falou?"

- Dumbledore disse que ia conversar com a tia dele e depois com o corpo docente de Hogwarts antes de falar com o próprio Douglas. E que ia nos avisar depois, mas até agora não obtivemos resposta. James está quase colapsando, não sei quanto tempo ele vai aguentar antes de explodir.

- Aquele desgraçado... Eu percebi que ele anda só com os caras da Sonserina agora... Quer dizer, quem não percebeu? Fica fazendo gracinhas no Salão Principal e tudo mais... E na frente dos professores é sempre um cara exemplar...

- Uhum.

- Filho da puta! Lily... Argh!

- Tá tudo bem, Rem. Acho que ele tem sérios problemas mentais, mas ele me deixou em paz agora.

- Mesmo?

- Mesmo. Desde aquele dia, nem olhou mais na minha cara. Filho da mãe, você não sabe o medo que eu sinto de ficar sozinha em algum lugar ou de esbarrar com ele no caminho para o banheiro ou algo assim.

- Eu imagino. Mas... Lils, ele não chegou a fazer nada?

- Bom, ele deixou uns arranhões e uns hematomas, mas não conseguiu atingir o objetivo – estremeci. – Lene me ajudou no dia, a tirar as manchas e tudo mais.

- Eu sabia que tinha alguma coisa errada quando você chegou no jardim aquele dia.

- Eu queria tanto ter te contado, sério. Eu queria voar pra você e ficar chorando nos braços de alguém que gosta de mim, só pra sentir que apesar de existirem criaturas horríveis como Douglas, existem pessoas que amam, sabe.

- Por que não contou? – ele estava com os olhos cheios de pesar. Sério, eu tenho os melhores amigos do mundo todo!

- Desculpa. Eu tava me sentindo tão mal... Fiquei com vergonha, com raiva, com medo, com tudo. E, sei lá, não queria preocupar vocês, nem me sentir mais constrangida e humilhada ainda. Mas ao mesmo tempo eu queria abraçar todos vocês e ficar ali, sendo reconfortada.

- Que vontade de matar esse desgraçado – os dentes dele estavam cerrados! Eu nunca achei que fosse ver Remus de dentes cerrados!

- Não esquenta, tenho certeza de que ele vai ter o que merece – respirei fundo. - Vamos voltar?

- A Bru não sabe disso, sabe? Porque a gente meio que conversou sobre você estar diferente desde aquele dia, mas depois ela não tocou mais no assunto.

- Eu acho que Lene deve ter falado alguma coisa pra ela, só pra não deixá-la preocupada. Mas pode conversar com ela, você vai me poupar de repetir isso outra vez.

Ele me abraçou de volta.

- Eu sei que você já deve ter ouvido isso algumas vezes agora, mas... No que depender de mim, esse filho da puta não encosta nem mais um dedo em você. Nunca mais.

- Obrigada, Rem – beijei sua bochecha antes de tentar dar um abraço esmagador.

(Claro que só o que eu consegui foi um músculo distendido, porque eu realmente não sei o que há com esses marotos! Eles estão cada dia mais fortes e, bem, você sabe... HAHAHAHA)

Ok, estamos indo para a Sala Precisa. Os marotos super resolveram que querem passar a noite lá hoje. Então lá vamos nós, enquanto ainda podemos sair sorrateiramente sem precisar da capa da invisibilidade.


Quarta, 26 de novembro. Dez da manhã. Poções.

Aff, o Slughorn está me irritando. Ele acha que eu estou super agradecida por ele ter me mantido no Clube mesmo sem meu distintivo (já que sou e sempre vou ser sua aluna preferida e todas aquelas baboseiras). Acredita que ele está me sobrecarregando com atividades extracurriculares? Supostamente eu tenho tempo, agora que não cumpro mais todos os meus brilhantes afazeres da monitoria, então não existe problema algum em ajudar o professor favorito a organizar a festa de natal!

Argh.

Eu já disse que gosto do Slugue, certo? Estou até pensando no que comprar de presente para ele e tudo mais. Afinal, ele tem todo esse jeito dele, mas realmente é atencioso e gentil comigo. Além de ensinar a melhor matéria do mundo todo. Mesmo assim, ele não deixa de ser irritantemente cansativo, com essa história toda do Clube do Slugue.

- Lily, minha querida – ele veio até mim antes do começo da aula. – Como andam os preparativos para a nossa festa de arromba?

- Eh... – sorri amarelo. Qual é! Faz menos de três dias que ele propôs que eu ajudasse e já está me deixando louca! – Na verdade, não tive tempo de pensar em muita coisa, professor.

- Ah, eu entendo, eu entendo... Muitos deveres, N.I.E.M.s, namorados... – ele terminou com ênfase na última palavra. – Tenho certeza de que vai pensar em algo grandioso, Lily! – ele me esmagou com um dos braços, numa espécie de abraço.

Continuei dando meu melhor sorriso de "com certeza, senhor" e fui para a minha bancada, esperar o restante da turma. Como se não bastasse ter que aguentar os idiotas da sonserina zombando de mim na hora das refeições, as aulas de Poções também são meio que um inferno. Mas como Dough ainda finge muito bem que é um santo super cheio de caráter, ele não entra na brincadeira com os outros babacas. O que não os impede de me importunarem o tempo todo e ficarem soltando indiretazinhas e alfinetadas.

Mas adivinhem? Eu não estou ligando. Agora mesmo aquela idiota da Yara Klarr acabou de insinuar que talvez minha ingenuidade, que já me fez tão mal, me arruíne na hora de saber se o antídoto para estrunchamento está no ponto ou não, uma vez que ele pode ter um efeito totalmente contrário caso não esteja totalmente correto.

James arremessou um pouquinho da poção dele na roupa dela E eu posso garantir que aquilo não estava nem perto de ser o antídoto correto.

Pena que não pegou na pele. Enfim. Slughorn fingiu não ver! HAHAHAHAHAHA. Adoro meu professor. E meu namorado.

Ok, estou ficando com náuseas. (Sirius feelings).

Então é isso aí. Ele fingiu não ver as cutucadas de Yara e nem meu namorado defensor, mas agora ele está definitivamente vindo checar minhas anotações. Fui.


Quinta, 4 de dezembro. Transfiguração, duas da tarde.

Gente! Reunião aqui e agora – MM

Chora, McKinnon – SB

Ah, claro. Todos menos o Black – MM

HAHAHAHAHAHAHAHAHHAA – SB

HAHAHAH Besta. Lils? – MM

Só deixa eu terminar de copiar o que tá no quadro – LE

Beleza. Pode ir falando, Lene – AH

Então... Eu estava aqui, viajando enquanto a McGonagall explicava... A gente simplesmente TEM que passar as festas do Natal juntos esse ano! – MM

Lene, amiga, desiste dessa idéia. Nunca dá certo – DB

Porra, quanto otimismo e força de vontade, hein – RL

Né! Conta aí teus planos, Lene – BH

Vou mandar uma carta para minha mãe, no sábado, perguntando se vocês podem ir pra minha casa no dia 24 e já ficarem por lá para o dia de Natal – MM

Mas não era isso que você queria ter feito no ano passado? E que por algum motivo, você desistiu? – JP

É que minha vó tava doente no ano passado e aí tinha muito confusão com a família. Nem valia a pena perguntar pra minha mãe. Mas esse ano as coisas estão super calmas. Não acho que vá ter problema – MM.

Ah é, sua vó... Bom, por mim tá ótimo. Eu provavelmente vou ficar na casa do Pads porque meus pais resolveram passar o Natal e o Ano Novo viajando – JP

E por que você não vai junto? – BH

Ele acha que os pais tão querendo uma segunda lua de mel. E é óbvio que estão, né, então... – LE

HAHAHHAHAH entendo. Ah, por mim também tá ótimo! Vou ter que convencer minha mãe a me deixar passar o Natal longe dela, né, mas é só isso – BH

O que nem deve ser difícil, né, Brubs, já que ano passado você já passou o Natal com o Rem – SB

Foi o Ano Novo! No Natal, eu é que passei com a família dela... Putz, minha mãe vai chiar. Mas de boa, concordo com a Lene. A gente tem que passar o feriado juntos esse ano! – RL

AEAEAEAEAE – MM

Isso aí, também concordo! E acho que meus pais vão ficar felizes de ficar sozinhos. Vão poder ter uma segunda lua de mel também, porque minha irmã vai passar as festas com o noivo – LE

Alice? – JP

Ah, por mim tudo bem. Já tinha avisado que ia passar com o Frank mesmo, então tudo certo! – AH

Isso aí galera, esse fim de ano será épico! – FB

UHUUUUUUUUUL. Posso levar meu boy? – DB

Não vou nem responder, Déryck – MM

Yay! – DB

Ela quis dizer que não – SB

Vai se ferrar, Sirius – DB

HAHAHAHAHAH bobinho – SB

Então é isso aí? Vamos finalmente passar o feriado juntos? Esse definitivamente tá sendo o melhor ano da minha vida! – LE

PUTA QUE PARIU, MARLENE!

Tinha que ser justo na aula da McGonagall? Aff. Sabe o que essa anta fez? ELA GRITOU.

- SUA LINDA!

- Srta. McKinnon! – juro que pensei que os olhos da professora fossem saltar das órbitas.

Não só eu, né, porque Mindy, que estava sentada na primeira fileira, se contorceu inteirinha na cadeira.

- O que a senhorita pensa que está fazendo?

Preciso falar que Lene estava com aquela típica cara de bunda misturada com vontade de rir e de enfiar a cara num buraco e morrer? Não, né.

- Sinto muito, professora – ela respondeu, segurando o riso, e tenho certeza que pisou no pé de Sirius por baixo da mesa, porque ele estava rindo e olhando indignadamente para ela, ao mesmo tempo. – Escapou.

- Escapou? Oh, escapou! – toda a sala estava prendendo o riso agora. – Pois bem... A senhorita vai escapar diretamente para a sala de troféus, depois do jantar. CONTINUANDO...

E voltou a explicar.

EEEEEEEEEEEER, SUA ANTA – LE

Escapou mesmo, cara. Você foi tão fofa! Ver você fazendo declarações públicas de que está totalmente feliz e apaixonada é tão bonitinho que eu tenho vontade de te esmagar, amiga! – MM

OK, não quero dizer nada, mas McGonagall está olhando pra você novamente, Lene. E pra você, Lils – RL

Não, tá tudo bem, relaxa aí e- LE

- SENHORITA EVANS!

Prendi a respiração.

- Sim, senhora.

- Você também está querendo lustrar alguns troféus para fazer a digestão hoje?

- Não, senhora.

- Pois então termine seu dever.

"Eu já terminei, senhora", pensei em dizer. Mas fui mais sensata, claro.

- Sim, senhora.

James riu baixinho do meu lado.


N/A: AEAEAEAE! Consegui postar antes do final do mês, palmas! Espero que gostem, esse capítulo foi bonitinho de escrever *-* Por favor, se tiver ficando chato e cheio de mimimis, só me avisem =D

Mila Pink: né? estou me superando com meu romantismo e minha capacidade de criar James cada vez mais lindos. IUASHDIUASHDIUASHIDUHASIHD e coitado do Dumbledore, dá um desconto, ele vai resolver as coisas. Beijos, guria!