Capítulo 34
- Eu meio que vi quando ela pediu pra conversar com você.
- Eu sei. Percebi seus olhares super furtivos – James riu, sarcástico.
- E você queria o quê? Que eu simplesmente fechasse os olhos praquela louca?
- Ela só veio pedir desculpas.
- O quêêê? Não acredito.
- Ela não é tão ruim assim – ele revirou os olhos para minha expressão de descaso. - Ela só é meio... Carente demais.
- E louca.
- Um pouco louca – ele riu, ficou um tempinho em silêncio e depois soltou uma bomba de repente: - Nós não transamos.
Confesso que, mesmo conversando sobre a pirada da Pâmela, meus pensamentos estavam voltados para outra coisa. No momento, minha mão estava passeando pelo abdômen de James, enquanto estávamos deitados no sofá da Sala Comunal. Mas quando ele falou isso... Uma luz se acendeu na minha cabeça.
- QUÊ?
- Eu e Pâmela nunca transamos.
- Como assim? Quero dizer... Não que eu ficasse reparando, né, mas eu vi com meus próprios olhos quando vocês dois subiram se amassando para o dormitório e-
- E você tem a audácia de dizer que não reparava em mim?
- Ok, não é isso que está em discussão agora – dei risada, mudando de assunto. – O caso é que... Ah, é! Eu lembro de ter ouvido ela descendo naquele dia... Mas eu jurava que vocês já tinham... Cara, que grande vaca. Ela mentiu pra mim! ...
- É... Ela não foi exatamente a menina mais difícil com quem eu já fiquei, né. Mas forçava tanto a barra que chegava a ser irritante.
Tive que rir. Toda aquela imagem de James aproveitador barato, galinha e sem escrúpulos era totalmente uma invenção da minha cabeça. Claro que eu tenho total noção de que ele que ele já traçou boa parte das garotas daqui (traçou, que expressão mais horrível!), até porque ele não nega esse tipo de coisa... Aliás, até chegou a admitir que fazia tais coisas, mas se defendeu da fama de aproveitador e destruidor de corações. Segundo ele, "as meninas sempre souberam o que estavam fazendo". E eu acredito, óbvio, porque... O que não falta nesse castelo é menina querendo dar para algum dos três marotos.
ENFIM.
- Isso é porque ela não via a hora de Hogwarts inteira ficar sabendo que ela tinha perdido a virgindade com James Potter – revirei os olhos.
- Tanto faz – ele imitou o gesto automaticamente. – Só precisava te dizer isso, desde que eu fiquei sabendo que a briga tinha sido porque ela falou aquilo...
- Seu idiota! Você não falou nada até agora!
- Bem, achei que podia usar isso a meu favor – ele riu. – Desculpa.
- Você é muito espertinho, James – sorri, maliciosa. – Está totalmente perdoado.
- Não, é sério. Sinto muito por isso ter te irritado da maneira que irritou. Sem falar que te deixou encrencada com a McGonagall.
- "É sério" digo eu, James, você está totalmente desculpado. Na verdade, eu devia agradecer a Pâmela, porque é graças a ela que estamos juntos agora.
- Na verdade nós estamos juntos porque é o nosso destino e tudo mais, nós já discutimos isso – ele revirou os olhos, zombando.
- Mas se você estivesse com ela ainda... Nossa felicidade estaria um pouco mais distante...
- Mas não foi o que aconteceu, não é? Então sem pensar na minha ex e na burrice do seu namorado por achar que ia esquecer uma pessoa tentando gostar de outra. Por favor, vamos esquecer esse episódio infeliz da minha vida – ele riu.
- Com certeza! Deixa pra lá essa sua bobeira de querer esquecer a idiota que não te dava valor. Porque, graças a Deus, ela caiu em si a tempo de não perder o grande amor da vida dela. E, claro, não tem nada que eu esteja MENOS a fim de falar agora do que da Pâmela ou da McGonagall, então... Podemos voltar a fazer alguma coisa mais interessante, por favor?
Foi assim que a nossa conversa de hoje cedo estava se desenrolando. HAHAHAH
Domingo, 7 de dezembro, onze e quinze da noite. Dormitório feminino do sétimo ano.
Dá pra acreditar que ainda são onze horas e nós já estamos na cama? Sei lá, acho que é a idade chegando, hehe.
Pois bem, sem muitas novidades durante a semana. Tá tudo muito corrido, os professores meio que estão avacalhando com a nossa vida, passando tantos deveres assim! Mas tudo bem. Acho mesmo que é importante ter um bom preparo para os N.I.E.M.s, né? E acho que é por isso também que, em pleno domingo, eu já estou na cama a essa hora!
E, talvez, porque eu acordei cedo também, hm. Pulei da cama antes das sete hoje.
O que tá aí em cima foi a brilhante conversa que eu tive com James hoje de manhã, quando eu resolvi encarar meu medo de encontrar Dough sozinho em algum lugar do castelo e desci para a Sala Comunal, tendo em mente correr para o Salão Principal e trazer meu café com leite para cima, para poder escrever um pouquinho. Quando cheguei ao fim das escadas, descobri meu namorado dormindo no sofá.
- James – me abaixei ao lado do sofá, chamando baixinho.
Ele não acordou. Fiquei ali por alguns segundos, sendo a idiota apaixonada e babante que sou, só admirando como os traços do rosto dele são... Perfeitos. ENFIM. Me enchi de coragem e desci pra buscar o cate, mas Yasmin estava lá. Acabei tomando café com ela para podermos conversar um pouco e depois voltei rapidinho para a Sala Comunal. Fui buscar meu diário lá em cima, mas resolvi que seria mais sensato tentar diminuir a lista de deveres a fazer. Desci com minha mochila e me acomodei no chão, de costas no sofá. Eu já tinha praticado o Feitiço para Conjurar a Vida, de Transfiguração, terminado as 25 linhas de DCAT e estava na metade da minha redação de Poções quando James acordou.
- Hey – ele apertou os olhos para a claridade que estava entrando pela janela gigante da sala. – Bom dia.
- Bom dia – virei meu rosto para sorrir para ele. – Por que dormiu aqui?
- Estou tentando cumprir minha palavra.
- São oito horas da manhã e eu não tenho idéia do que você está falando – dei risada.
- Belinazzo entrou fazendo zona no dormitório, lá pelas três da manhã. Enquanto ele se acomodava eu fiquei lutando contra minha vontade de simplesmente matá-lo naquele instante e, quando eu percebi que não ia dar certo, vim pra cá – ele sorriu de má vontade, como se estivesse me dizendo que merecia um prêmio ou algo do tipo.
Larguei minha caneca vazia e meu pergaminho no chão.
- Hmmmmm, estou orgulhosa – pulei para o sofá para dar um bom dia decente.
- Acho que "orgulhosa" é meu novo estado de espírito preferido – ele zombou da minha animação logo cedo.
- Sério – acomodei minha cabeça no sei peito –, eu sei o quanto tem sido difícil.
Ele deu de ombros.
- Vou falar com Dumbledore hoje. Não dá mais pra esperar.
- É. Tá meio na hora de ele já ter pensado em alguma coisa.
- Mudando de suco de abóbora pra firewhisky... Pâmela veio falar comigo ontem.
E foi assim que eu descobri que ele e Pâmela nunca passaram da pegação. Quero dizer, PUTAQUEPARIU! Que menina doente, né, fala sério. Quando eu me lembro daquele dia em que a gente se pegou na porrada... Bom, eu sinto muita vergonha alheia (além de vergonha própria, claro). Ela deve ter algum distúrbio (claro que tem, nós já sabíamos), porque... Sério, ela fica inventando relações inexistentes.
Louca.
Merlin! Meus olhos estão se fechando sozinhos... Vou capotar nesse exato momento!
P.S: Pretendo escrever antes do Natal!
P.S 2: James nem falou com Dumbledore coisíssima nenhuma. O velho ficou sumido o dia inteiro.
Sexta-feira, 12 de dezembro. Café da manhã, Salão Principal.
AEAEAEAE! Último café da manhã em Hogwarts do ano! Jájá a gente termina aqui, sobe pra pegar as coisas e trazer os malões pra baixo e é isso aí!
- Lene! – Alice gritou para conseguir ser ouvida.
Sério? Esse salão está super bagunçado hoje.
- O que ficou resolvido mesmo? Das festas?
- James ficou de ver se os pais dele vão deixar a gente ir pra casa dele.
- Ah, de boa. Gente, todo mundo já terminou de comer?
- Não, Sirius parece não ter terminado toda a comida da mesa ainda – zombei.
- O que aconteceu com esse povo esse ano, hein? Pelas calças de Merlin, esse lugar tá um inferno! – Remus estava fazendo careta para as reclamações de Bruna.
- Ai, gente, aproveitem! – Lene sorriu. – Nosso último ano, vamos sentir saudades.
- Alguma coisa me diz que em junho estaremos nos desfazendo em lágrimas aqui – sorri, realmente correndo os olhos com carinho pelo salão lotado.
- Tá, senhora sentimental – Sirius revirou os olhos e se levantou. – Terminei. Vamos?
Então... Vamos, er. Escrevo no Expresso, eu acho.
Sexta ainda, meio-dia. Expresso de Hogwarts.
É isso aí, minha gente. Estamos indo para casa. AH! Deixa eu explicar o pequeno diálogo do café da manhã... A família da Lene super resolveu, de uma hora para outra, ir passar as festas de fim de ano numa fazenda de uns vizinhos trouxas que eles conhecem. Dizem eles que é pra mudar um pouco e tudo mais. Beleza. Eles ficaram totalmente tranquilos com o fato de Lene passar comigo, mas não nos deixaram usar a casa para receber a galera.
Então, ontem James recebeu uma carta da mãe dele, dizendo que eles desistiram da viagem porque estão pensando em algo maior, pras férias de verão. Mas também não decidiram se vão chamar a família toda pra casa deles ou se vão passar na casa de algum familiar. Quando ele chegar em casa hoje, vai resolver isso e nos avisar.
É, tipo, nossa última esperança.
Preciso ir, eles estão meio que requisitando minha presença de corpo e alma nesse vagão. "Eles", leia-se "James", porque acabei de olhar pra cima e descobrir que todo mundo se dispersou. O VAGÃO É NOSSO, AEAEAE!
Ok, desculpa. HAHAHAHA
Quinta-feira, 18 de dezembro! Falta uma semana para o Natal!
Faz quase uma semana que estou em casa, nem acredito! Esse trimestre passou tão rápido. Aconteceram tantas coisas num período tão curto de tempo e, apesar de estranhar um pouco, eu estou mais do que satisfeita com isso. É como se eu não conseguisse acreditar no tempo enormemente grande que levou pras coisas se acertarem, pra ficar tudo exatamente no lugar certo.
Ah, deixa eu dizer que falei pra minha mãe que estou namorando! Mas, claro, eu contei com um sutil empurrãozinho conhecido como "chantagem de pai".
Hê.
Acontece que quando eu parei de escrever, na sexta-feira, eu e James ficamos ocupados o suficiente para nem percebermos quando Peter bateu euforicamente na porta da cabine.
- Depois, cara – James respondeu meio que sem desgrudar de mim, abanando ferozmente a mão na direção do coitado.
Mas quando James mudou o alvo da minha boca para meu pescoço, eu percebi que tinha alguma coisa fora do lugar. E realmente tinha. Eu abri os olhos e foi extremamente desconfortável notar que Peter continuava parado atrás da porta fechada, olhando para nós com... ARGH. Sabe-se Deus o que se passa na cabeça de uma criatura como aquela.
Enfim... Na mesma hora, segurei a cabeça de James e a puxei novamente para a altura dos meus olhos. Ele me fitou sem entender até a hora em que fechei os olhos e murmurei: "Peter".
- Porra, Wormtail! – ele se levantou bufando e abriu a porta. – Que foi?
- Não achei o Padfoot nem o Moony, vim ver o que você estava fazendo.
James estava puto e com vontade de rir ao mesmo tempo, me contive pra não dar risada.
- Hum – ele respondeu tentando não ser grosseiro.
- E aí, o que estão fazendo?
Não consegui segurar mais. Soltei uma risada e abafei com uma tosse. James nem fez questão de disfarçar.
- Ai, ai, meu caro... – ele revirou os olhos. – Tá vendo que minha namorada está bem aqui?
- Sim... Oi, Lily!
- E aí, Peter.
- Sabe, eu e Lily moramos um pouco longe e não vamos nos ver exatamente todos os dias... Então nós meio que estamos aproveitando o agora. Na verdade, estamos desperdiçando tempo nesse exato minuto, não é?
- Ah é, com certeza – afirmei solenemente.
- Ah, claro, claro, eu entendo – Peter deu uma risadinha infantil. – Isso quer dizer que Moony e Padfoot estão fazendo o mesmo, certo?
- Grande Wormtail! É exatamente isso, eles estão fazendo a mesma coisa que nós. Por que você não arranja alguém pra aproveitar também?
Peter deu mais risadinhas infantis, numa espécie de ataque de risos. Ele é realmente digno de pena, coitado.
- Boa idéia, amigão. Vou ver se acho alguém para aproveitar comigo... – ele foi se afastando, repetindo enfaticamente a palavra "aproveitar".
- Coitado! – eu não estava rindo quando James fechou a porta outra vez e desmontou ao meu lado, no banco.
- Né. Eu não sei o que vai ser da vida dele quando terminarem as aulas... Pô, o cara meramente sobrevive porque é um estudante, certo? É tolerável que estudantes sejam... Assim. Mas adultos formados? Pessoas que vão enfrentar o mundo real? Fico meio cabreiro só de pensar no que Voldemort pode fazer com pessoas como ele.
- Credo, James!
- Não, tô falando sério. Eu sei que o Peter não é mal, sabe, todo mundo sabe. Mas ninguém pode negar que ele é pouco inteligente. E inteligência é uma coisa que não falta naquela praga com cara de cobra. Pessoas como o Peter são fáceis de serem manipuladas e passadas para trás. Por isso a gente sempre tenta ficar de olho nele.
- Acho muito legal o que você fazem com ele, porque não é fácil. E ele ama vocês três!
- Pois é. Mas, tem mais alguém que também me ama e que é infinitamente melhor do que o Wormtail. E que estava me entretendo muito mais até poucos segundos...
Voltamos ao trabalho, hehe. E não tivemos mais nenhuma interrupção, a não ser Alice e Frank fazendo palhaçadas através do vidro quando já estávamos quase chegando.
- Boa noite – Frank entrou zombando na cabine. – Quente aqui, não?
- Tão quente quanto onde vocês estavam – James retrucou, rindo e voltando a se sentar de frente para ele.
- Não acredito que daqui a alguns meses estaremos voltando para nunca mais ir!
- Que horror, Lice! Ânimo aí, por favor.
- É, ainda temos as festas pra aproveitar antes de mais um trimestre! E depois ainda tem o feriado da páscoa!
- Bom... Ai, Merlin, já estou sentindo saudades de vocês!
- Gente, alguém segura essa mulher – eu ri. – Lice, acabar Hogwarts só vai significar que estaremos formados, nada mais.
- Tem razão. Acho que estou de TPM pra ficar assim, toda sentimental.
- Vixe – James zombou de Frank.
- Gente, nos vemos na plataforma – dei um beijo em James antes de levantar.
- Onde você vai?
- Trocar de roupa e organizar a saída. Não vou deixar Remus fazer tudo sozinho.
- Bruna me disse que eles estariam lá na última cabine.
Todos nos olhamos, erguendo as sobrancelhas e rindo.
- Isso é que é descrição, hein. Última cabine – Frank riu.
- Eu é que não vou lá chamá-lo, né – dei risada. – Vou adiantando as coisas.
E foi o que eu fiz. Coloquei uma calça jeans, um suéter e meu sobretudo e fui passando de cabine em cabine avisando todos os alunos para se aprontarem. Na metade do caminho encontrei um Remus descabelado vindo na minha direção.
- Ah, por Merlin! Obrigado! Eu...
- Tudo bem, eu sei – dei risada. – Vem, só faltam as cabines de lá.
O tempo todo que eu estive com Remus depois de termos nos encontrado, foi como se a alegria dele estivesse irradiando em proporções gigantescas. Eu estava quase o repreendendo por ficar dando demonstrações públicas (sim, porque ele ficou rindo e fazendo brincadeirinhas com todo mundo que encontrava) de que tinha acabado de ter uma viagem mais do que ótima, suando e sendo feliz, em algum canto escuro daquela última cabine do último vagão.
Mas óbvio que eu jamais o repreenderia por isso, porque o amor que existe entre Bruna e Remus é... Perfeito. Eles são meu casal modelo, minha inpiração. E olha que, mesmo eu achando que o que tenho com James é a coisa mais linda do mundo, eu consigo me surpreender com o quanto aqueles dois foram feitos um para o outro.
E então eu estava lá, toda tentando manter minha compostura e ficar de boca fechada, mas quando Remus disse "E aí, como é que vai essa força? Bom trabalho" para o cara que estava engolindo a cara da Manuela Lembreink, eu não pude mais me segurar. O puxei para uma cabine vazia.
- Vamos com calma, Sr. Hormônios – zombei. – A vida é bela e tudo mais, mas ninguém precisa saber que seu monitor-chefe acabou de transar dentro do Expresso de Hogwarts.
Nós ficamos nos olhando por um tempo... E aí caímos na gargalhada. Acho que são os hormônios mesmo, sabe, ele tinha acabado de voltar do rala-e-rola, eu tinha estado até poucos minutos me amassando com James na cabine...
- Foi mal, estou sendo uma vaca.
- Claro que não! Eu é que tô sendo indiscreto – ele riu. – É que eu tô tão feliz, Lil! – ele me abraçou.
- Tuuuudo bem, eu entendo isso – sorri, afastando-o devagar.
- Não por isso. Quer dizer, óbvio que por isso também, mas enfim... Você vai ter uma surpresa em breve!
E saiu correndo na direção das cabines restantes.
E ME DEIXOU LÁ, ARDENDO EM CURIOSIDADE.
Fui atrás dele o mais rápido que minha capacidade mental permitiu, depois de ter ficado alguns segundos refletindo sobre qual será a tal surpresa. Mas Remus só ficou lá, dizendo que eu teria que esperar porque não seria justo contar primeiro para mim.
Então eu estava totalmente pensando em mil coisas ao mesmo tempo quando nós desembarcamos. Na tal surpresa de Remus, no fato de que meu namorado estava conversando com Pâmela Weitz novamente – e eu não podia surtar feito uma louca ciumenta – e no total desaparecimento de Marlene.
- Relaxa, ela deve estar numa dessas cabines isoladas e... Ou não. EI, Pads! – Bruna saiu gritando em direção a Sirius.
- Hey – James chegou me enlaçando pelas costas enquanto eu estava supervisionando a fila de calouros que ia aparecendo da parede para a plataforma dos trouxas.
- Hey – respondi num tom ameno.
- Que houve? – ele me virou para ficarmos de frente um para o outro.
- Suas conversas com a Weitz estão se tornando meio frequentes, né? – mantive meus olhos nos calouros, mas não aguentei muito tempo e voltei a fitá-lo.
Ele estava me encarando com um sorriso besta no rosto.
- Que foi?
- Nada – ele deu de ombros. – Só estou apreciando o fato de que Lily Evans finalmente é minha, não está mais fugindo dos seus sentimentos e ainda declara abertamente seus ciúmes pelo namorado lindo.
Dei um soco no seu braço.
- Você é ridículo.
- Tanto faz – ele aumentou o aperto na minha cintura e nós estávamos nos separando depois de um beijo todo cheio de risinhos quando vi a imagem paralisada do meu pai, cerca de quinze metros atrás de James.
- Droga.
- Que houve? – ele nem se arriscou a olhar para trás, mesmo percebendo que meu olhar estava travado em algo além das suas costas. – Me diga que não é...
- Meu pai – contorci meu rosto em uma careta.
James virou-se na mesma hora, acenando para a figura ainda paralisada do meu pai.
- O que você está fazendo? – perguntei de dentes cerrados, apavorada.
- Ué, sendo educado! Acho melhor você ir falar com ele, ele parece meio doente.
Dei um sorrisinho de deboche.
- Ele acabou de ver sua filhinha beijando um marmanjo. É claro que ele parece doente!
James deu risada.
- Vou trazer nossas coisas e ficar esperando com Remus – ele o indicou com a cabeça. – E quero conhecer o sogrão – ele falou baixinho enquanto beijava o topo da minha cabeça.
Dei um tapinha em seu braço e me afastei revirando os olhos.
- Oi pai – sorri amarelo para ele.
- Oi, pequena – ele me abraçou e eu tinha certeza que os olhos dele estavam em James, atravessando a parede. – Como foi de viagem?
- Bem – meu sorriso ainda estava lá firme e forte, e eu não parava de me perguntar quando será que tocaríamos no desconfortável assunto de eu ter sido pega no flagra.
Não que eu estivesse com medo do que iria acontecer. Quero dizer, namorar é uma coisa perfeitamente normal. Meu pai sempre foi muito meu amigo e nós sempre conversamos sobre coisas do tipo. Mas não posso negar que tenha sido meio estranho saber que meu pai estava me observando brincar e beijar um garoto que ele nunca viu na vida.
Mentira, ele já viu o James algumas vezes, assim como o resto do pessoal. Mas, né.
- Mamãe está em casa?
- Fazendo o jantar – ele finalmente aliviou a expressão, como se tivessem tirado uma cortina da frente de seus olhos. – Está com fome?
- Morrendo. Vou lá me despedir e já vamos, ok?
Voltei para a multidão de alunos e olhei para meu pai. Os olhos dele não estiveram me acompanhando, e sim um certo rapaz de cabelos bagunçados que tinha reaparecido. Dei risada antes de contar tudo pro Déryck.
- E seu boy? Não vem te buscar?
- Tá atrasado – ele respondeu com uma cara de bunda. - Já encontraram a Lene?
- Não – olhei em volta, preocupada. – Acho que vou voltar lá e procurá-la.
- Vai lá, estarei aqui.
Atravessei a parede e entrei novamente no trem. Não precisei andar muito para encontrá-la, saindo apressada de uma cabine dos fundos. E nem precisei andar até ela porque, quando me viu, veio correndo na minha direção.
- Nossa, que houve?
- Nada – ela deu de ombros, com cara de "por que alguma coisa teria acontecido?". – Vamos logo – me puxou quase que violentamente pela mão em direção à saída.
- Arre! – Bruna estava entrando quando saímos. – Onde você estava?
- Procurando minha blusa! – percebi Lene dando uma olhadinha rápida para dentro do vagão antes de pularmos pra fora. – Acho que a perdi.
- Mas você está de blusa – franzi o cenho.
Ela olhou para si mesma por um segundo antes de rebater:
- A de lã, que eu estava usando por baixo. Er.
Fiquei preocupada por alguns segundos. Até olhei para o vagão esperando ver alguma coisa estranha lá dentro, mas nada. Parecia vazio. Quando voltamos para a plataforma trouxa e os meninos se juntaram a nós, eu já tinha deixado a preocupação de lado.
- Onde você se meteu, mulher? – Sirius enfiou as mãos nos cabelos de Lene, puxando-o delicadamente para perto.
- Estava procurando minha... Blusa – ela sorriu fraquinho para ele, antes de se beijarem rapidamente.
- Tá tudo muito lindo mas tenho que ir embora, meu pai tá me esperando. Deixa um beijo pro seu namorado – abracei Déryck com força.
- Vou deixar você dá-lo pessoalmente no Natal – ele apertou minhas mãos.
- Sim, darei – respondi, abraçando Alice e Frank ao mesmo tempo antes de passar para Sirius, que sutilmente me tirou do chão e esmagou todas as minhas costelas.
- Juízo, cachorrão – beijei sua testa. – Vê se não perde sua mulher de vista outra vez. E você, Lene – a abracei e murmurei baixinho no seu ouvido – não pense que engoli sua história da blusa. Vai ter que me contar o que houve.
Ela revirou os olhos e me empurrou de leve, quase me jogando em cima de Bruna.
- Brubs, não esquece meus sapatos nude no Natal. Precisarei deles. Remus – tentei emitir algum som enquanto ele terminava de esmigalhar minhas costelas –, se eu morrer de curiosidade, a culpa é toda sua.
Finalmente parei na frente de James.
- Preferia ficar até ter certeza de que os caras do hospício vieram buscar a Weitz, mas... – ele riu. – Tenho que ir.
- Por falar em Weitz, eu a vi atacando compulsivamente o carrinho de doces hoje – ouvi Déryck contando enquanto me despedia de James.
- Certo, se você quiser desgrudar um pouquinho e lembrar que meu pai não desgruda os olhos de você... Vai ser bem legal.
- Não tô fazendo nada demais – ele se fez de desentendido. – Vamos, te ajudo a levar as coisas.
- Manda um beijo pra sua mãe! – Lene gritou. – E, James... Boa sorte, o Sr. Evans é um carrasco!
Lene é tão pouco escandalosa e tem uma voz tão abençoada que meu pai, sem fazer esforço algum, escutou e estava rindo quando chegamos até ele.
- Boa noite – ele disse seriamente quando eu e James paramos na frente dele.
- Boa noite, Sr. Evans – eles se cumprimentaram apertando as mãos.
Juro que pensei que eles estivessem fazendo aquela coisa de homens em filmes, quando nenhum dos dois quer ser o primeiro a desviar o olhar e então ficam naquela cena infinita.
Mas não estavam. Meu pai olhou pra mim logo em seguida, sorrindo de canto.
- Ah, sim – acordei to meu transe. – James, pai. Pai, James. OK, APRESENTAÇÕES FEITAS, vamos?
Os dois caíram na risada. Legal. Você acha que seu namorado vai ficar tão ou mais desconfortável do que você quando o terrível momento de ser apresentado à família chega, mas aí ele totalmente trai sua confiança e em menos de um minuto está rindo com seu ente querido e tirando sarro da sua cara.
- Lindos – sorri com deboche. – Já vi que vão se dar muito bem.
- É bom conhecê-lo oficialmente, James.
- Digo o mesmo, senhor. Ah, desculpe – ele pediu quando ouvimos Sirius gritando "EI, PRONGS" –, vou ver o que Sirius quer antes que ele chame ainda mais atenção.
- Vai lá, ainda tem gente saindo da plataforma 9 1/2.
- Estou esperando no carro, Lils. Até logo, James.
- Até logo.
- Não esquece do que a gente combinou... Vou estar na Lene a partir do dia 20, até lá, Lyo vai te fazer visitas frequentes.
- Não vá morrer de saudades, ruiva – ele sorriu de lado, fazendo meu coração perder algumas batidas, antes de me puxar para perto e beijar meu nariz.
- Eu é que vou morrer de saudades, né... – zombei.
- Claro, eu sou acostumado com a ausência. Você é que tá mal acostumada.
Senti meu coração apertado com as palavras dele. Sério? Não importa quanto tempo passe, eu nunca vou me perdoar por ter o magoado tanto.
- Boa janta – nós nos separamos. – EI! – ele gritou quando eu já estava me afastando. – Tem um presente dentro do malão!
- Amo você! – formei as palavras sem emitir som algum antes de me virar e marchar para a saída.
Não tenho feito nada muito útil durante essa semana. Mandei dois bilhetes para James, o que é pouca coisa, não? Estou conseguindo me controlar muito bem. Ah, tenho assistido bastante TV, que é praticamente a única coisa do mundo trouxa da qual eu sinto alguma falta.
Por falar nisso, assisti filmes trouxas com meus pais hoje, comendo pão de queijo e chocolate e tomando café com leite, enquanto minha irmã empacotava o quarto inteiro para sua viagem de um mês.
Hoje é um dia feliz.
EEEI! Sabe o que James me deixou de presente no malão? Um pomo!
Como eu odiei pomos de ouro por tantos anos, pelo simples fato de que o Potter não os largava por um segundo! Sempre o tirando do bolso e o jogando pelos ares sem necessidade alguma, só para capturá-lo novamente e ficar espalhando um pouco de charme pelos cantos do castelo.
Eu ri comigo mesma quando o peguei dentre as minhas roupas e juro que estou dando risada agora. Como eu era idiota, por Merlin! Cega, é o que eu digo... Tsc, tsc.
Argh, Petúnia está batendo na porta outra vez. Juro que essa é a terceira vez, desde que me sentei aqui para escrever.
Talvez hoje não seja um dia tão feliz assim.
Quinta ainda, oito da noite.
Petúnia foi-se!
O leão marinho passou aqui há uns vinte minutos e finalmente se foram. Vão passar o Natal e o Ano Novo sabe-se Deus onde e voltarão só no final de janeiro. Mamãe me obrigou a deixar minha irmã levar meu vestido verde. Ela me obrigou!
Isso é a coisa que se faça com uma filha? Eu digo que não é.
Quero dizer... É o meu vestido verde. Eu e ele temos uma história juntos. E, além do mais, por que diabos minha irmã vestiria aquela beldade? Petúnia tem cerca de vinte centímetros a mais do que eu (tudo no pescoço, digo logo). Além do mais, o loiro aguado do seu cabeço não combina com aquele tom de verde.
Ela vai arruiná-lo, eu tenho certeza!
Minha mãe está me chamando lá embaixo. Já volto.
OH, MEU DEUS!
LENE LIGOU! Lene acabou de ligar! Presenciar Marlene utilizando o telefone é no mínimo engraçado, mas o melhor de tudo é que... TARARAN! Deu certo! Nossos planos de passar as festas juntos deram certo! Nem acredito que vamos casa dos Potter!
MEU MERLIN, QUE VERGONHA.
Ok, respira Lily Evans. Respira. Meus pais aceitaram super bem a idéia de estarmos namorando. Tirando o fato de minha mãe estar quase me deixando louca porque quer conhecê-lo, eles estão lidando muito bem com a situação toda.
Vai ficar tudo bem.
Enfim. O caso é que tudo se resolveu. Pelo que entendi (tenho certeza, pelo histórico de Marlene, que ela estava segurando o telefone a uns bons vinte centímetros do rosto), os pais de James não vai mais viajar e a festa vai ser pra família toda. E amigos e vizinhos e conhecidos. E nós.
Ela me disse que James deve ter mandado a carta pra todo mundo ao mesmo tempo, mas que ela tinha que ligar mesmo assim, pra contar a novidade. Vou socar Lyo quando ela aparecer por essa janela.
Por que diabos ela ainda não me trouxe essa carta?
Oh- chegou.
Hey, ruiva.
Boas notícias! Vamos poder passar o Natal juntos. Não só nós dois como todo mundo. Minha mãe mudou de idéia e quer ficar em Londres, meu pai sugeriu que a festa fosse aqui em casa e agora os dois estão empolgados em convidar a cidade inteira.
Brincadeira, só a minha família e alguns amigos mais próximos. Mas como eu já tinha comentado sobre receber vocês aqui caso eles fossem viajar, eles fazem questão que todos estejam aqui.
E sabe qual é a melhor notícia? Minha mãe sugeriu que vocês fiquem até o Ano Novo. Não, eles não vão fazer uma festa de Ano Novo também, eles vão para a casa da minha tia. Mas a casa vai ficar livre para nós.
Só o Pads sabe disso até agora, óbvio, porque além de estar morando aqui agora, usufruindo de todos os confortos da minha casa, ele está pescoceando para conseguir ler a carta. HAHAHAHA
Deixei pra você dar a melhor notícia pessoalmente para as meninas. Vamos contar para o Remus quando ele chegar aqui, amanhã.
p.s: Passeio completo na festa, ok? Vou estar de smoking e não quero me sentir idiota sozinho.
Te amo, sua boboca.
James.
Gente! Eu tô muito feliz. Eu estou... Eufórica, eu diria. Quero dizer, vou passar o feriado na casa dele! Vou passar... Ai, Merlin. Vamos passar. Só nós, só a nossa galera, sem regras de Hogwarts, sem pais, sem dormitórios compartilhados...
HM.
Hehe, vou me acalmar até lá, vocês vão ver. MAS SACA SÓ! Vou passar o feriado inteiro com meus amigos! Que coisa linda. Vou avisar minha mãe. Pretendo escrever de volta só quando estiver lá na Lene.
Quarto da Lene bobona, 24 de dezembro. Dez da manhã.
"Jingle bells, jingle bells
Jingle all the way
Oh, what fun it is to ride
In a one horse open sleigh"
É Natal, minha gente! Ou véspera, né, tanto faz. Os dois dias são mágicos mesmo! Sim, eu pareço uma criança feliz. Mas só porque eu estou na casa da Lene há dois dias, porque Bruna chegou hoje pela manhã, porque meus pais estão felizes e eu estou feliz de estar com meus amigos, de finalmente estar aproveitando a vida com quem eu mereço, por Dough nunca mais ter me incomodado e porque vou passar o feriado INTEIRINHO com meus amores!
Mas falando sério, eu quase nem acredito que esse pesadelo terminou. Agora quando eu o vejo, sinto só alguns calafrios. Raiva eu só tenho um pouco, sabe? Acho que é por causa do medo. Não consigo sentir duas sensações fortes ao mesmo tempo. E talvez seja também porque eu realmente acho que Douglas tem problemas sérios. E, óbvio, estou me sentindo muito mais segura aqui do que em Hogwarts! Nada de maníacos sexuais por aqui! Nada de lições de casa (mentira, estamos cheios de deveres para o feriado) e nada de stress!
E, hoje à noite, estamos indo para a casa dos Potter.
E, apesar de eu estar praticamente trincando de nervosismo, eu sei que vai dar tudo certo. Mal posso esperar por esse feriado!
Ok, vou parar de escrever antes que Bruna e Lene tenham ataques aqui. Elas estão me ameaçando de cócegas, dá pra acreditar? Duas contra uma é totalmente injustiça.
SOCOR-
N/A: Hey! Nem acredito que terminei esse capítulo, AEAEAEAE.
ps: Na minha fic, Sirius sai de casa e é acolhido pelos Potter em dezembro de 1978, como vocês puderam ver, e não aos dezesseis anos.
Repostas das reviews:
Pam Potter: Nunca nunca nunca nunca deixe de ler minhas coisas, sua linda! HAHAHAHA te amo, pâmela. obrigada *-* (e não estou te devendo NADA, ok? isso se chama vingança MUAHAHAHAHAH. preciso de never alone e todas as suas outras histórias, hunf)
Mila Pink: siiim, esse natal com certeza será histórico! *-* né, esse James é um fofo, mas realmente foi frustrante, desculpe. HAHAHAHAHAH vai rolar sim, aguaaarde :b obrigada, flor. beijos!
