Capítulo 35
Sexta-feira, 26 de dezembro. Cerca de... Oito da manhã? Cozinha dos Potter.
Eu estou exausta, só vim pegar um copo d'água e vou voltar pra cama.
Oito palavras?
Meu namorado é podre de tão rico, beijos.
Ainda sexta, três e meia da tarde.
Sabe onde eu estou? Na piscina dos Potter.
Na verdade, no momento estou na espreguiçadeira em frente à piscina, assistindo Sirius e Bruna tentando afogar um ao outro.
Já comentei que James é muito rico? Puta que pariu!
Quero dizer, eu meio que já sabia que ele vivia muito bem. Além do que Sirius sempre me contava sobre o luxo da mansão deles. Mas eu não imaginava que era mesmo uma mansão. Dessas que a gente vê nos filmes, com quartos de visitas equipados com suítes e armários com toalhas, lençóis e essas coisas. E, tipo, não é apenas um quarto de visita. São três. Sim, você está lendo certo. Além da suíte do Sr. e da Sr. Potter, da do James e da do Sirius (que não é mais o quarto de visitas onde ele sempre ficava, mas sua própria suíte agora que ele veio morar definitivamente aqui), ainda restam três quartos desse tipo, menores do que os deles, claro, mas tão luxuosos quanto.
Mas sabe o que é mais legal? É que eu só estou dormindo aqui há dois dias e me sinto como se estivesse aqui há semanas. Os pais de James são tão queridos! Charles fica fazendo brincadeiras o tempo todo e Dora é tão encantadora que não tenho nem como me sentir desconfortável aqui.
Mas que foi aterrorizante chegar aqui na quarta, isso foi.
Saímos de casa às oito da noite. O pai de Lene nos trouxe, já que a casa de James fica meio afastada e tínhamos três malas além de nós mesmas. Eu estava quase dando à luz filhotes de aliens enquanto as meninas conversavam animadamente no carro. Sim, eu sei, eu sou uma idiota. Onde já se viu ficar nervosa só porque vai a uma festa com toda a família desconhecida do seu namorado? Pff.
Já estava soltando alguns palavrões quando senti que nos aproximávamos. Sabe por que? Porque as ruas estavam cheias de carros estacionados por todas as partes. James é de uma família bruxa muito tradicional, o que significa que se só os parentes e amigos mais próximos viriam, POR QUE DIABOS TINHAM CARROS ESTACIONADOS POR TODOS OS LADOS?
- Lils! – Lene me segurou pelos ombros quando eu repeti pela terceira ou quarta vez os meus pensamentos histéricos. – Você não sabe se as pessoas desses carros vieram para a festa, ok? Aqui é um bairro cheio de casarões, não é, papai?
- Fica fria – o pai de Lene respondeu, mas arregalou os olhos um segundo depois. – Ou não... Acho que é aqui.
Nós três olhamos para fora. Com certeza Lene também estava conferindo o número mentalmente, mas não tinha como estar errado. O portão absurdamente grande e imponente tinha os números na própria forma da grade. Engoli em seco quando olhei para o que tinha atrás do portão.
Um caminho pavimentado, largo o suficiente para dois carros passarem lado a lado, se estendia em uma subida suave, porém longa, o que nos permitia uma visão distante da casa. A "rua" particular fazia uma curva para permitir o embarque e desembarque na porta principal dessa monstruosidade chamada casa e logo formava outra curva, para que os carros pudessem voltar pelo mesmo caminho em direção à saída. Sim, você formou a imagem certa na sua cabeça. O negócio começa em linha reta e forma um círculo próximo a casa, voltando a se fechar na linha reta em direção ao portão. Quando nós chegamos, na quarta, os carros estacionados iam somente até a entrada, mas quando fomos dar uma voltinha lá fora, no meio da noite, os carros mais lindos e chiques estavam parados por todo o círculo.
- Viu? Tudo bem eu ter vindo de carro deixar vocês. Tem bastante gente com carro aqui.
- Pois é – até Lene estava engolindo em seco. – Talvez se nós tivéssemos aparatado eu não estaria me sentindo tão pequena agora. Em todos os sentidos da palavra.
- Oh, cala a boca! – Bruna deu risada. – Não tínhamos como vir aparatando. Ia estragar toda a nossa produção.
- Falou aí senhora Melhor Amiga do cara mais rico da história! – o Sr. McKinnon zombou. – Como é lá dentro, Brubs?
Eu pisquei para me desfazer do meu transe. Tinha me esquecido que Bruna já tinha estado na casa de James várias vezes. (Acho que nunca disse, mas Brubs e James são melhores amigos desde... Sempre, porque suas mães eram meio que vizinhas na adolescência e sempre estiveram em contato).
- É surreal, Bill! - Bruna saiu e estava ajudando Lene com as bolsas. – Obrigada por nos trazer!
- Disponham – ele sorriu de volta. – Filha, não esqueça de ligar pra sua mãe amanhã.
- Beleza. Te amo, pai. Feliz Natal!
- Obrigada, tio. Feliz Natal – fui a última a sair do carro.
- Feliz Natal, Lils. Ei! – ele me chamou quando eu estava me afastando. Voltei e me apoiei na janela aberta. – Boa sorte com os sogrões.
- Obrigada. Você sabe que eu tenho uma vantagem, né? Posso me esconder em um dos 30 quartos caso algo saia do controle.
- Você vai arrasar com esse pessoal – ele piscou e ligou o motor novamente.
- Eu sempre arraso, Bill! – saí dando risada e encontrei as meninas em frente ao portão, que já estava se abrindo depois de Lene ter se identificado.
- Já tá escuro o suficiente pra gente arrastar as malas por magia, certo? – Lene nem esperou resposta e enfeitiçou sua mala para ir flutuando a seu lado, próxima ao chão.
Bruna se aproximou de mim enquanto percorríamos o caminho até a casa.
- Você é muito sortuda, Lily Evans, vá se ferrar.
A empurrei e nós fomos brincando até a entrada. Lene estava imóvel, olhando para cima e encarando as janelas que se estendiam acima de nós.
- Quantos andares isso tem?
- Acho que só três. Mas o primeiro é gigantesco. E tem um pedaço irado, na sala, que é aberto e deixa a gente ver parte do segundo andar. Vamos!
- Tô passando mal – murmurei quando Bruna tocou a campainha.
Ao contrário do que meu subconsciente já estava bolando, não foi um mordomo que atendeu a porta. Foi James.
- Hey! – ele abriu o maior sorriso do mundo. Tem como não sorrir também? Quando o cara que você ama aparece assim, todo lindo em um terno que não podia ficar mais perfeito em outra pessoa?
Marlene se apressou para abraçá-lo e depois ficou esperando Bruna para entrarem juntas.
- Deixem as malas aqui no hall mesmo, alguém já as leva lá para cima. Os meninos estão lá fora... Se vocês quiserem beliscar alguma coisa, só achar uns pinguins com bandejas.
Elas sorriram e desapareceram. Até estava acompanhando-as com o olhar, mas James deu um passo pra frente e fechou a porta, nos encerrando no silêncio lá de fora.
- Tudo bem? – ele se abaixou pra fitar meus olhos à altura.
- Tá – soltei o ar que, por alguma razão, eu meio que estava prendendo desde que chegamos.
- Você parece um pouco...
- Surpresa – soltei uma risada curta, me sentindo mais relaxada. – Desculpa, James, não quero parecer uma caipira nem nada do tipo. É só que... Porra, isso é coisa de filme!
Ele caiu na gargalhada.
- E você acha engraçado, né? – dei um tapinha no seu braço. – Nem pra me avisar que você mora numa mansão!
Ele me envolveu com os braços, ainda rindo.
- Não achei que isso importasse. Mas – ele continuou logo que viu minha cara –, tudo bem, foi mal. Devia ter te preparado.
- Sim! "Eles só convidaram os mais chegados" uma ova! Devia ter soltado logo um "Amor, vá com roupa mais red carpet que você tem, porque nós convidamos toda a elite de Londres para a nossa humilde comemoração".
Ele não conseguia parar de rir. Ele estava achando tudo tão engraçado que até eu tive que dar risada.
- Tudo bem, já me recompus do choque – revirei os olhos. – Tô brincando, tá? Isso aqui é lindo.
- Ah, vá! Pensei que você estava falando sério, ruiva – ele zombou, se afastando, antes de ficar sério. – Pelas barbas de Merlin!
- O que foi?
- Acho que eu estou tendo um AVC.
- James, o que houve? – meus olhos percorreram o corpo todo dele, procurando alguma coisa errada.
- Você é a coisa mais linda que eu já vi na vida!
Respirei fundo, com a mão no coração, antes de bater com força dessa vez, fazendo-o se encolher enquanto soltava risinhos.
- Obrigada – sorri feito uma idiota, agradecendo mentalmente o fato de ter escolhido meu longo coral com detalhes em rendas delicadas. – Tenho que estar à altura do meu namorado, né.
James entrelaçou seus dedos nos meus antes de abrir a porta novamente. Nós fomos entrando e, eu sei que é besteira pensar desse jeito, mas juro que todos pareciam estar olhando para nós. Fiquei pensando se Bruna e Marlene também tinham sido vítimas dos olhares curiosos dos convidados ou se era só eu, a ruiva cor de papel que estava entrando de mãos dadas com o "filho dos Potter".
- Desculpe por isso – James disse baixinho, sorrindo enquanto acenava com a cabeça para algumas pessoas no caminho.
- Sem problemas. Ser monitora meio que me ajudou com a coisa toda de chamar atenção – dei de ombros.
Nós atravessamos a sala gigante onde estava concentrada a maioria dos convidados e passamos por uma parede de vidro que separa o cômodo de um espaço aberto. E eu nem preciso dizer que é enorme. Tem um chafariz! Tem um chafariz, cara, e depois James fica tentando me convencer que a casa dele é quase normal. Quase normal... Que tipo de casa tem um chafariz no jardim lateral? Sim, jardim lateral. Porque ainda tem o dos fundos, no espaço compartilhado com a churrasqueira e a piscina. (!)
- Meu Deus, hein! – Sirius assobiou quando nós nos aproximamos. – Você tá linda, Lils.
- Valeu, Pads – abracei-o e depois passei para Remus, os dois lindíssimos também. – Vocês estão todos muito lindos de smoking.
- Nós somos muito lindos sempre – Remus revirou os olhos.
- Tudo bem, gatão – Lene riu. – Cadê a Alice?
- Deve estar aparecendo por aí...
- Sr. Potter, o telefone – um dos "pinguins" veio até nós.
James se retirou e voltou logo depois, com uma carranca.
- Alice e Frank não vão poder vir.
- Sabia que era ela, com toda essa loucura por trouxas, tinha que usar o telefone! – Lene revirou os olhos, divertida. – Por que eles não vêm?
- Não entendi direito, falou alguma coisa sobre os avós de Frank – James deu de ombros. – Espero que Déryck ainda apareça.
- Ele vem – assegurei-o.
Passamos cerca de uma hora conversando até que uma mulher super elegante viesse caminhando até nós, piscando simpaticamente com um olho só para Sirius antes de abrir um sorrisão para Bruna.
- Meu amor, quanto tempo! – descobri que se tratava da mãe de James. Não só pelo jeito como tratou Sirius e Brubs, mas pela incrível semelhança que se tornou visível quando ela se aproximou.
Os olhos dela têm o mesmo tom castanho esverdeado de James. Quem sabe sejam um pouco mais verdes, mas talvez tenha sido a impressão no momento, pelo vestido esmeralda que ela estava usando. Dora tem os cabelos pretos como os do filho, longos e muito bem cuidados. Ela tem aproximadamente a minha altura e definitivamente poderia caber nas minhas roupas. Fiquei um pimentão quando ela desgrudou de Bruna e seus olhos caíram imediatamente em mim.
- Lily, certo? Sou Dora. Se fôssemos depender de James, nós nunca seríamos apresentadas – ela disse sorrindo ao me abraçar. – Finalmente te conheci, não acredito! Você acredita, Sirius?
Sirius estava negando com a cabeça.
- Juro que pensei que esse momento jamais chegaria – ele riu. – E antes que você reclame, a Lene está bem aqui.
- Mas meu Merlin! – ela se afastou de mim, não antes de me segurar pelas mãos e dar uma boa olhada, os olhos grandes de orgulho ao sorrir de volta para James. – Como é que garotos horríveis como vocês três conseguiram meninas tão lindas?
E assim foi. Ela abraçou Lene, feliz por finalmente conhecê-la também, e por fim parou em Remus, amassando-o todo e murmurando algo como "futuro genro".
- Está faltando gente aqui, não está? – ela parou entre James e Sirius, segurando sua taça de champanhe firmemente e parecendo mais glamourosa do que Audrey Hepburn.
- Déryck deve estar chegando... Frank e Alice não vêm.
- Oras! Por quê?
- Porque são uns bobões – Bruna revirou os olhos. – Vão perder tudo isso aqui.
- Bom, vou dar mais uma circulada – a Sr. Potter disse quando alguém mais adiante acenou para ela. – Aproveitem, depois conversamos mais!
Continuamos conversando e rindo, pegando a todo instante as taças e canapés que apareciam circulando entre nós sobre bandejas de prata. Eu estava com Bruna no balcão do bar, esperando pelos Martinis que tínhamos pedido, quando percebemos uma movimentação entre os convidados. A mãe de James apareceu um momento depois, quando estávamos voltando para o jardim, nos avisando que a gente já podia ir para o salão de jantar.
Atravessamos a sala juntas, Dora estava perguntando sobre a família da Brubs e sobre como as coisas estavam com Remus. De novo percebi aquela coisa no jeito como Bruna estava falando dele que me fez sentir que – mais do que o normal – eles estavam muito amorosos.
- Sua mãe quase deixou escapar alguma coisa que não podia quando estávamos conversando na semana passada.
Bruna deu risada.
- Em breve não será mais preciso todo esse suspense. Remus disse que também deixou Lily curiosa.
- O que ele fez foi mais do que isso – estreitei os olhos. – Foi desumano, estou me consumindo em nervos.
- Espera só até amanhã – ela fez beicinho para nós antes de avisar que já voltava e desviar do caminho.
- Ela é demais, não é? Janeth morre de ciúmes quando digo que Bruna é a filha que eu nunca tive.
- Ela é ótima – sorri. – Sra. Potter...
- Me chame de Dora, por favor.
- Desculpe – dei uma risadinha nervosa. - Muito obrigada pelo convite, Dora, a festa está linda.
- Ah, o que é isso! Nós somos uma grande família aqui – ela sorriu. – Vocês vão ficar até o Ano Novo, não é?
- Vamos, vamos sim. Obrigada por isso também.
- De nada, querida – ela se afastou quando nós chegamos a um salão muito maior do que a sala de visitas. – Bom apetite.
- Obrigada, igualmente – dei uma olhada para ver se achava algum rosto familiar, mas nada.
Uma senhora sorriu para mim e eu retribuí totalmente sem saber de quem se tratava. Enquanto eu estava me perguntando mentalmente se o lugar tinha sido ampliado por magia ou se era mesmo daquele tamanho, James surgiu na porta, olhando ao redor sem me ver.
- Hey – caminhei até ele, nos tirando da entrada do cômodo ao puxá-lo um pouco para o lado.
- Pensei que tinha fugido – ele brincou.
- Eu não vou a lugar nenhum – o beijei, mordiscando de leve seu lábio inferior. – Não até o Ano Novo.
Pela cara dele, tenho certeza que James estava prestes a falar alguma sacanagem para mim. Mas – entretanto, contudo, todavia – ele não teve oportunidade, porque Sirius chegou nesse exato momento, passando o braço sobre seus ombros.
- Tô morrendo de fome.
- E agora conta uma novidade – zombei. – Me diz aí, quando é que você veio pra cá? Digo, definitivamente?
- Ah, no dia em que chegamos! Fui pra casa mas não aguentei duas horas naquele covil.
- Pegou suas coisas, bateu aqui e disse "oi, posso ficar pra sempre?"
- Mais ou menos – James riu.
- Eh, falei que não aguentava mais aquilo lá e Dora já foi logo enfeitiçando minhas malas e as levando lá pra cima.
- Minha mãe tem algum problema, sabe. Ela é completamente louca pelo Sirius.
- É que ela não ama muito o filho verdadeiro, né, aí sobra amor pra distribuir – ele deu uma cotovelada no "irmão". – Vamos sentar? Lene é mais esfomeada do que eu, ó, já está sentadinha lá.
Fomos nos juntar a ela. Mas Remus e Bruna, que vieram acompanhados de Déryck e William, chegaram antes da comida.
- Finalmente! – Lene afastou a cadeira para dar espaço para os quatro. – E vocês dois, onde estavam?
- Fui procurar o Rem e ele estava esperando Déryck lá na frente.
- Nós meio que nos perdemos – Will revirou os olhos. – Cara, sua casa é animal.
- Valeu – James riu, apertando a mão de Will logo depois de Sirius tê-lo feito.
Depois que todos tínhamos cumprimentado os recém chegados, conversamos por cerca de meia hora até a comida começar a ser servida por inúmeros garçons, cada grupo responsável por uma mesa.
Sério que todos nós comemos muito bem. Sirius definitivamente se esbaldou, como sempre. A comida estava muito, muito boa. Depois do jantar, boa parte dos convidados voltou a se dispersar. Alguns simplesmente continuaram sentados, conversando e degustando suas bebidas. Foi meio que o nosso caso. Nós estávamos confortáveis demais para nos levantarmos, mas depois de alguns minutos a Sra. Potter chamou a atenção para um brinde. Depois de falar algumas palavras bonitas sobre a importância de estarem todos ali, reunidos como uma família, compartilhando horas de diversão e boa companhia, convidou a todos no salão para uma contagem regressiva. Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um...
- Feliz natal! – gritamos todos juntos na mesa. James segurou meu rosto entre as mãos, nossos narizes grudados, e riu. Não um sorriso nem uma gargalhada, mas uma risada deliciosa que me fez rir com ele.
Ainda dia 26, seis e meia da tarde.
Tive que parar porque Sirius e Brubs (que estavam fazendo guerrinha na piscina enquanto eu escrevia) aproveitaram que eu estava distraída e me atacaram. Acredita que eles me jogaram na piscina? Tipo... Por que não pegaram o Remus, né? Que estava na espreguiçadeira ao lado, se divertindo horrores com uma revistinha de palavras cruzadas que eu dei para ele? Não, tinham que escolher a pobre Lily!
E, com o escândalo que eu fiz, James e a mãe vieram conferir o que estava acontecendo.
- Sirius, ela vai se afogar! – Dora gritou, rindo, enquanto eu me contorcia de cócegas dentro da piscina.
- Vai nada, tia. Vaso ruim não quebra tão fácil assim.
- Jam...! – Gritei antes de Bruna se jogou sobre mim, me afundando por segundos. – James!
- Ah, vai chamar o namoradinho, é?
- JAM- Ai, ai, AI, pára. Piedade, por fav- PA-ADS!
- Por favor, Sirius, lindo e maravilhoso, pare de importunar. Por favor, perfeição da natureza... Vai, repete comigo.
Eu não conseguia mais falar, só rir. Minha barriga doía, eu já tinha engolido uns bons dois litros de água e Bruna tinha se engasgado (bem feito, HAHAHA) com a água, o que estava me fazendo rir mais ainda.
- Vamos... Por favor, Sirius, lindo e maravil- EI – ele conseguiu gritar antes de ser empurrado água abaixo por James, que pulou na piscina quase diretamente em cima dele.
- OK, OK, A RUIVA FOI LIBERTADA!
- Por favor, James, seu perfeito...
- Sim, seu lindo, gostoso, tô esvaziando a piscina de tanto engolir água!
- Gostoso, é? – James tirou sarro, aliviando o aperto. – Obrigado, cara.
- Vai se fod-
- Sirius!
Tínhamos meio que esquecido eu Dora ainda estava lá. Mas a presença dela (e o alerta) não impediu Sirius de voar pra cima de James. Ele só não terminou de verbalizar o xingamento, mas os dois se engalfinharam por alguns minutos na piscina.
- Entra aí, dona Dora – James chamou a mãe depois que se acalmaram e nós só estávamos aproveitando a água fresquinha. Dora tinha se sentado onde eu estava antes e fez careta quando James a chamou, mas em menos de cinco minutos estava dentro da água conosco.
Ficamos brincando até agora pouco e quando minha pele estava mais enrugada do que um maracujá de gaveta, resolvi sair. Em parte, também, porque eu estava querendo dar uma olhada em Marlene. Ela acordou passando mal e ficou o dia inteiro no quarto. Tudo bem que quando nós realmente levantamos já passava das onze, mas ela não saiu do quarto nem por um instante. Dora preparou para ela uma bandeja com algumas torradas e chá. Acho que o fígado de Lene não aguentou o tranco, porque não foi só ontem que nós farreamos, né. Teve a festa do dia 24.
Tínhamos ido nos deitar por volta das quatro e meia da manhã naquele dia. Os convidados, na noite da festa, tinham começado a dispersar lá pelas duas horas e até as quatro ainda restavam alguns grupos animados. Quando só restamos nós, os pais de James e os empregados fixos, nós fomos para os nossos quartos. Déryck e William não puderam ficar. A família de Will está passando por algumas dificuldades e ele teve que viajar para a cidade natal, aqui no interior da Inglaterra. Déryck ficou de viadagem (ah, vá! HAHAHA) e disse que não queria ficar de vela, já que estamos em três casais e tudo mais. Besta.
Enfim. Capotei sobre os lençóis macios e os 50 travesseiros e só acordei às 8, morrendo de sede. Vai bebendo, Lily Evans, vai bebendo. Como eu tenho esse grande problema mental de não conseguir mais dormir a partir do momento que eu acordo, eu levantei, tomei um banho maravilhoso e me troquei. Estava dando uma olhada na vista da janela do quarto quando ouvi umas batidas na porta.
- Bom dia – James estava parado na minha porta. James. Estava parado na porta do quarto no qual eu estivera dormindo. Não que eu nunca tivesse visto meu namorado sem camisa. Mas... Todas as vezes que ele tinha estado à porta do meu dormitório (através de truques que eu ainda não descobri), ele estava completamente vestido. E o dormitório era compartilhado. E nós estávamos numa instituição de ensino.
- Bom dia – ergui as sobrancelhas em sinal de surpresa ao percorrer indecentemente os olhos pelo corpo dele. De pés no chão, samba-canção e sem camisa.
Ok, parada respiratória, faça seu serviço!
- Dormiu bem? – ele foi perguntando enquanto entrava e aproveitava para virar a tranca da porta.
- Maravilhosamente bem, mas posso com certeza afirmar que estar acordada tem se mostrado, até agora, bem mais vantajoso.
Ele sorriu antes de me envolver nos braços e nos mover em direção à cama, que estava mais ou menos recém-arrumada.
- Queria que todo mundo tivesse ficado – ele comentou, deitado sobre mim e brincando com uma mecha mais clara do meu cabelo. – Déryck é um retardado.
- Ah vá – brinquei. – Também queria, mas não estou exatamente reclamando.
- Porque eu estou, né – ele revirou os olhos, voltando a me beijar.
Nós estávamos nessa de conversar tranquilamente e intercalar com beijos e brincadeirinhas, nada muito picante, quando bateram na porta outra vez.
- A Sra. Jeggins sempre bate só duas vezes – James rolou para o lado e se estatelou na cama.
Não acompanhei seu raciocínio sobre as batidas na porta porque eu tinha escutado no mínimo três batidinhas, mas quando abri e vi Dora Potter sorrindo para mim do lado de fora do quarto, captei a idéia das duas batidas.
- Ah, que bom que já se vestiu! O café já vai ser servido.
- Ah, obrigada. Já estou indo – eu sorri amarelo, esperando que ela continuasse sendo simpática e não desconfiasse de nada.
Ela recuou uns passos para voltar para o corredor e eu estava praticamente soltando um "uuufa" quando ela, já em seu caminho de volta, alteoou a voz e disse num tom risonho, porém firme:
- E é bom que você esteja vestido, James!
Eu tive que dar risada, porque ela simplesmente continuou seu curso, como se entendesse que eu estava roxa de vergonha e não quisesse me obrigar a encará-la. Deixei a porta aberta e me virei para chamar James, que já estava rindo ao se levantar da cama e caminhar na minha direção.
- Não precisa – ele me segurou pela cintura e me virou novamente para a saída quando eu fiz menção de voltar e ajeitar a cama. – Ela gosta de você, sabia?
- Quê?
- Minha mãe. Ela gosta de você, ou já teria feito um escândalo.
Pensei por alguns segundos.
- Ou talvez ela confie em mim e não ache que eu seja o tipo de garota que você traria para casa para fazer pouca vergonha e desrespeitar seus pais.
- Ou talvez ela nunca tenha tido motivos para desconfiar de mim e realmente tenha gostado de você.
- Pode ser – sorri mais por dentro do que por fora ao ouvir James dizendo que nunca trouxe essazinhas com quem tinha relações breves para dentro de casa. – É melhor você se vestir, de qualquer maneira.
- Ah, é – ele riu e me deixou no corredor, indo para o próprio quarto.
Cheguei à copa quase junto com o Sr. Potter, que estava vindo de outro corredor, onde eu suponho que fique a suíte deles e mais alguns cômodos reservados. Nós tínhamos trocado apenas algumas palavras na noite anterior, quando James nos apresentou, então aproveitei que estávamos sozinhos para puxar assunto. O que foi incrivelmente fácil, assim como é com Dora. Charles é muito simpático, gentil e engraçado, e nosso papo ameno sobre Hogwarts e o Ministério se estenderam até quando Remus apareceu, poucos minutos antes de James. O café foi servido quando estávamos todos sentados e conversando animadamente. Dora nos contou que ela e o marido viajariam no dia seguinte (por falar nisso, acho que eles sairão daqui a pouco) e que provavelmente não nos veríamos mais, porque eles voltam só... Depois do dia 15 de janeiro, eu acho. Não prestei muita atenção porque na hora em que ela falou "estou confiando em vocês, hein, aqui sozinhos...", eu senti aquele típico calor vindo do pescoço e fiquei pensando que precisava me explicar com ela sobre o que tinha acontecido minutos antes, pra que ela não ficasse pensando que sou uma vadiazinha qualquer.
Então quando todos estávamos satisfeitos e a Sra. Jeggins começou a tirar a mesa, os meninos se deslocaram para o living e a Sra. Potter rumou para a cozinha, levando a jarra de suco vazia para a pia, aproveitei para pegar o cesto de pães e ir para a cozinha atrás dela. Antes que eu piscasse, Lene e Brubs estavam do meu lado, cada uma levando alguma coisa nas mãos.
- Meninas, podem deixar tudo aí – Dora abanou a mão para nós, num falso olhar reprovador. – A manutenção da piscina foi feita ontem mesmo, estávamos com um probleminha no aquecimento. Por que não vão se arrumar?
- Eba, vamos sim – Bruna deixou a leiteira na bancada e sumiu da cozinha.
- Pega tuas coisas e vamos nos arrumar no quarto da Brubs, tá? – Lene percebeu que eu queria falar com Dora e se mandou atrás de Bruna.
- Dora – chamei, tentando não soar como se eu estivesse morrendo de vergonha. – Sobre o que aconteceu...
- Ora, Lily – ela sorriu, meio que me interrompendo. – Vocês realmente não me devem explicações.
- Não, não. É que... Bom, eu considero falta de educação você ficar fazendo, bem, você sabe, você ficar farreando descaradamente assim, na presença dos pais. Eu, bem, eu nunca faltaria com o respeito com você, nem com o Charles, então...
- Lily – ela terminou de passar tudo que estava na bancada para a pia e fez um leve carinho no ombro da Sra. Jeggins antes de passar o braço pelos meus ombros e me conduzir novamente para o corredor. – Eu confio plenamente no meu filho, sabe? Não que eu esteja querendo me gabar, mas James é realmente o filho que toda mãe deveria ter. Confio nele e nas escolhas dele, o que significa que confio em tudo o que ele faz e em todas as pessoas que ele julga dignas de trazer até aqui.
Sorri, meio encabulada, mas feliz com a declaração.
- Namorar é perfeitamente normal e – ela deu uma risadinha –, graças a Merlin vocês finalmente se acertaram. Você não sabe o quanto nós todos aqui nessa casa torcíamos para isso acontecer. E não precisa ficar com vergonha! É ótimo mesmo que esteja aqui, porque você faz um bem danado a James. Eu admiro sua atitude e fico feliz que você seja muito bem-educada e tenha noção do que está fazendo, viu?
- Obrigada, Dora – apertei sua mão sobre o meu ombro. – E não é que eu esteja querendo me gabar também, mas meu namorado é realmente muito gentil, educado, engraçado e, apesar do que eu pude pensar por tantos anos, tem muito boa índole – foi a vez dela sorrir, orgulhosa. – E finalmente consigo ver de onde isso vem.
- Vocês dois tem muita sorte – ela me deixou na porta do quarto. – E eu também, não é? Estou vendo que já ganhei mais uma filha!
Trocamos sorrisos e nos separamos, eu entrei no meu quarto e ela seguiu pelo corredor, que dá sabe-se Deus aonde. Peguei meu biquíni e fui para o quarto de Brubs, a porta mais próxima da minha.
Nós três ficamos um bom tempo sentadas na cama, conversando freneticamente sobre a festa, sobre nossas suítes lindas e sobre o encantamento de Dora e Charles, sobre nossos namorados lindos e coisas assim. Acho que já passava das dez e meia quando Remus bateu na porta.
- Ah, achou que ia encontrar a namorada sozinha, né? – zombei.
- O que vocês estão fazendo?
- Conversando – Bruna deu de ombros. – E vocês, o que estavam fazendo?
- Também. E decidindo o que vamos fazer de tarde.
- E decidiram?
- Charles sugeriu churrasco... Já que amanhã eles vão estar se preparando para viajar. O que vocês acham?
- Ótimo – Lene sorriu. – Por mim eu não saía dessa casa jamais.
- Acho uma ótima idéia também – levantei e puxei Remus pela mão. – Então, se nos dá licença, vamos nos trocar. Amo você – empurrei-o de leve para fora do quarto e fechei a porta atrás dele.
Nos arrumamos e fomos para a piscina. Que é de babar, deixe-me dizer. A área fechada é climatizada, como o resto da casa, claro. Motivo pelo qual estávamos todos bem fresquinhos andando pelos cômodos. As espreguiçadeiras estão dispostas lado a lado em uma das margens da piscina comprida e, do outro, as paredes de vidro deixam a gente ficar observando o jardim, a churrasqueira, as mesinhas para refeições ao lado de fora e tudo mais.
Ficamos até as duas horas na água, quando o cheiro de carne ficou insuportavelmente delicioso até mesmo dentro do salão da piscina e tivemos que ir dar umas beliscadas. Antes de o almoço ser realmente servido (porque a Sra. Jeggins cozinhou um banquete antes de ir passar o Natal com a família), nós trocamos abraços de Feliz Natal e presentes (que não cabem aqui e agora, porque estou com um pouco de pressa pra escrever, Um dia, em uma aula sem graça, eu faço uma lista dos nossos presentes, hehe). Por volta das três, quando estávamos sentados nas mesinhas do jardim, comendo ainda os últimos pedacinhos de carne que Charles estava assando, Bruna pediu que todos se reunissem.
Eu e Dora só nos olhamos, eufóricas. Finalmente, nossa curiosidade teria um fim. Eu estava olhando para Remus de olhos apertados, tentando antecipar a surpresa. Mas por nada nesse mundo, nem em qualquer outro mundo, eu teria adivinhado.
- Vamos nos casar em julho! – Remus disse alegremente, segurando a mão de Brubs e olhando para ela logo depois de encarar todas as nossas expressões incrédulas.
Charles foi o que se recuperou mais cedo.
- Meus parabéns! – ele esbravejou, apertando a mão de Remus e dando tapinhas em suas costas. – Isso é ótimo!
- Ai meu Deeeeeeeus! – Lene e eu gritamos juntas.
- Vocês são muito lindos, fala sério – me esgoelei.
- FALA SÉRIO – Marlene estava surtando.
- Quando vocês decidiram isso? – Sirius estava com a mesma expressão de James, ambos pareciam meio verdes.
- É, quando...? Quero dizer... Como assim? – James emendou na pergunta do outro.
- Estamos conversando sobre isso desde o Natal do ano passado – Bruna disse com um sorrisão.
- E não me falaram nada! – atirei um pedaço de carne neles, passada minha reação inicial.
Sério, um pedaço de carne! Atirei um pedaço delicioso que estava a caminho da minha boca, tamanha foi a minha indignação de perceber que fiquei (todos nós ficamos, na verdade) alheia a esse assunto durante o tempo todo.
- Tia, fala alguma coisa – Bruna colocou a mão no ombro de Dora, que estava sentada ao seu lado, enquanto Remus olhava reprovadoramente para mim e arremessava de volta o pedaço de carne.
Maduro, Rem, muito maduro.
- Desculpa, estou em choque – ela apresentou a mão, estendida com a palma quase na cara de Bruna. – Sua canalha! – ela gritou segundos depois. – Como é que vocês contam um negócio como esse desse jeito? Ai, Merlin – puxou Bruna para um abraço, quase a afogando de tanto apertar.
E o que se seguiu foram vários cumprimentos e sinceros parabéns. Bom, eu já disse o que acho do relacionamento dos dois, então eu meio que estou sem palavras agora. Meio que estou sem palavras desde a hora em que eles contaram, porque... Eles vão se casar! Isso é muito surreal!
Depois de passado o impacto inicial, mesmo que nós ainda não tivéssemos assimilado totalmente a idéia, voltamos a conversar e os ânimos meio que se normalizaram. Quando nós já estávamos na piscina outra vez, por volta das cinco da tarde, Sirius protestou indignado:
- Grande besteira essa coisa de casamento!
- Ih, isso tá cheirando sabe o quê? Medo – provoquei.
- Medo de quê? – ele já estava na defensiva.
- De se amarrar, óbvio – pisquei para Remus.
- Ah, isso é mesmo, hein. Ninguém vai amarrar o cachorrão aqui.
- Tá bom – zombei. – Pois eu acho que você será o próximo.
- Sim, só falta achar a louca, digo, a noiva – James foi interrompido no meio da risada.
- Filho, seu pai está te chamando lá na churrasqueira... Sirius, sua prima está no telefone.
- Minha prima? – todos nos entreolhamos sombriamente.
- Bella, é – Dora revirou os olhos.
- Merlin, lá vem... – ele e James se levantaram e deixaram a área juntos.
Bom, digamos que depois disso eu e Lene ficamos enchendo a paciência de Brubs e de Remus até eles nos mandarem para lugares nada bonitos. Ficamos nos divertindo na piscina e James não voltava nunca, nem Sirius. Quando saímos de lá já passavam das sete e encontramos Sirius sentado no sofá do living. Pela parede de vidro, vi James e Charles limpando a churrasqueira juntos, rindo e conversando.
- Estava no telefone até agora? – Lene foi se sentar ao lado dele, encolhendo suas pernas sobre o sofá.
- Não, nos falamos só por alguns minutos – Sirius deu de ombros, como se não fosse nada.
Mas se realmente não fosse nada, por que ele não voltou para a piscina? Por que ficou sozinho, pensando a respeito? Fiz uma careta. Eu odeio Bellatrix de todo o meu coração. Ela é praticamente a única integrante da família Black que realmente consegue mexer com a cabeça de Sirius e deixá-lo pensando abobrinhas.
- O que foi que ela disse, Pads? – me acomodei numa das poltronas, Remus foi para outra e Bruna sentou no chão entre suas pernas.
- Besteiras sobre Régulus estar fazendo um bom trabalho para o adorado lorde dela, sobre ter ficado chateada quando soube que saí definitivamente de casa e sobre... – ele parou e olhou aflito para as imagens meio distantes de James, Charles e Dora, que tinha ido até lá e estava rindo com eles.
- Sobre o quê, cara? – Remus acompanhou seu olhar antes de voltá-lo para nós.
- Ah, disse abobrinhas sobre os efeitos que isso pode ter sobre os Potter – ele terminou e fechou os olhos, bufando e recostando a cabeça no sofá. Lene ficou passando a mão pelo cabelo dele enquanto ficamos em silêncio. Ninguém tinha nada pra dizer. Eu ia falar que achava que Bellatrix tinha dito aquilo só para deixá-lo pensando que seria um fardo para a família de James. Mas pelo olhar no rosto dele e de Remus, percebi que talvez ela realmente estivesse querendo que ele pensasse nisso como uma ameaça ou algo assim.
Revirei os olhos e me levantei bufando depois de alguns minutos de silêncio.
- Por Merlin, né! Estamos aqui para aproveitar e não ficar pensando nessa vaca – puxei Bruna pela mão. – O que vamos fazer hoje de noite?
Finalmente conseguimos fazer Sirius esquecer, ou pelo menos deixar em segundo plano, a conversa com a prima idiota. Depois que James voltou para dentro de casa, nós ficamos um bom tempo decidindo o que íamos fazer, até que chegamos à conclusão de que cozinharmos em grupo seria a melhor coisa possível. Porque estávamos quebrados demais para sair de casa (não parece, mas ficar na piscina o dia inteiro cansa! HAHAHA) e a Sra. Jeggins ficaria fora até o Ano Novo, então era nossa chance de tomar a cozinha só pra gente e fazer a festa.
E foi o que fizemos. Dora e Charles fizeram apenas um lanche e se recolheram mais cedo. Nós seis ficamos conversando na cozinha mesmo por um bom tempo, apoiados sobre a bancada de mármore ou sentados nas banquetinhas altas e decidindo o que faríamos para comer, já que somos todos esfomeados e nada sairia antes das onze horas mesmo. Resolvemos fazer macarrão e vários molhos, já que de carne bastavam os oito quilos que tinham sido devorados no almoço. E nossa previsão meio que se provou certa. Abrimos alguns vinhos e fomos esvaziando nossas taças enquanto cozinhávamos. Na verdade bem verdadeira, só as meninas cozinharam. Os meninos só opinaram bastante e arrumaram a mesa improvisada que montamos sobre a bancada mesmo. Cozinha é um lugar tão bom de se estar, não? Ainda mais com pessoas tão amadas. Ontem foi ótimo. Acho que foram umas oito garrafas de vinho (sem brincadeira!) e muitas horas, muitas risadas e muita conversa. Os meninos lavaram e secaram a louça, nós guardamos e demos uma ajeitada da cozinha. Estávamos todos exaustos quando fomos para os nossos quartos, por volta das cinco da manhã.
Acordei perto das oito de volta para ir tomar água porque... Bom, as oito garrafas de vinho fizeram seu trabalho. Só escrevi aquelas palavrinhas e voltei para a cama, sendo acordada por Bruna umas duas horas e meia depois, quando ela apareceu no meu quarto para surtar sobre seu casamento, agora que o segredo todo já acabou.
E foi aí que eu descobri que Lene estava passando mal, porque Brubs tinha passado no quarto dela antes, recrutá-la para nos reunirmos no meu quarto, mas ela não estava com uma aparência saudável e disse que queria vomitar em Bellatrix. Tudo bem, né, pessoas em péssimo estado de saúde podem falar coisas aleatórias de vez em quando, hehe.
E agora que já tomei meu banho para tirar o cheiro de cloro e meus cabelos já estão devidamente hidratados, eu vou até o quarto da minha amiga ver como ela está.
Talvez eu escreva amanhã.
PS: Esses dias estão sendo os melhores da minha vida toda.
N/A: Argh, as aulas mal começaram e já estou com toda essa putaria de não ter tempo pra escrever! bom, espero que vocês gostem desse capítulo, foi legal de escrever *-* e na verdade, ele devia contar com mais algumas coisas, mas preferi deixar para o próximo MUAHAHAHA
Mila Pink: que booom te ver empolgada assim! me dá mais ânimo pra escrever! sim, remus é hilário, dumbledore é uma bicha louca que demora pra tomar decisões e lene pode ser qualquer coisa, mas não é uma vadia! então... aguaaaaarde! HAHAHAHAH beijo!
Flávia Rosal: viu, mais uma vez que tu nem precisou pedir pra atualizar! :D o mistério do fogo todo de remus foi desvendado... é só empolgação! HAHAHAHA vem cá MESMO. te amo, sis! 3
