28 de dezembro, nove e quinze da manhã, "meu" quarto.
Lene e Bruna passaram a noite aqui no quarto, então vou aproveitar que elas ainda estão desmaiadas sobre os travesseiros e escrever um pouco, correndo o risco de me tornar repetitiva. Porque eu já disse que esses dias estão sendo lindos, não? Os melhores que consigo me lembrar de ter vivido, sem dúvidas. A única coisa que me incomodou um pouco desde que chegamos aqui foi aquele telefonema ridículo de Bellatrix. Quero dizer, o que uma bruxa como ela faz, usando o telefone? O telefone, sério? Para falar com Sirius, na casa dos Potter, em pleno Natal? Ainda deixou o coitado pensando mil e uma besteiras, aquela vaca. Não falamos nada para James. Sirius não quis. Só falou que ela tinha ligado para desejar sarcasticamente um feliz Natal e importuná-lo, como sempre.
Lene também parece ter se incomodado bastante com isso. Anteontem, quando fui até o quarto ver como ela estava se sentindo, me enrolou com algumas frases como "é só o stress", "não gosto de ver Sirius assim" e "talvez tenha bebido vinho demais".
- Stress do quê, criatura? – brinquei. – Não estamos fazendo nada há vários dias, só descansando... E essa casa maravilhosa, com todo esse conforto e todo mundo aqui...
- Eu sei, eu sei... Tá tudo maravilhoso, realmente – ela ensaiou um sorriso antes de contorcer o rosto numa careta que me fez pensar que ela estava se esforçando para não vomitar em cima de mim. – Estou meio preocupada com os N.I.E.M.s e...
- Marlene McKinnon preocupada com provas? Tenha dó, amiga, esse é o meu papel – revirei os olhos, desacreditada. Ela continuou com uma expressão que não me dizia exatamente nada e eu fiquei me perguntando se ela estava mesmo falando sério, mesmo sabendo que era óbvio que tinha outra coisa a incomodando.
- Já vai passar, sério. Acho que aquelas garrafas todas não ajudaram muito, também. Essas bebidas trouxas são muito mais fortes, não? Da onde os pais de James tinham um estoque tão grande assim dessas coisas?
- Eles são da elite, esqueceu? Devem ganhar de presente. Os trouxas gostam de presentear com bebibas caras... Mas isso não vem ao caso – abanei a mão para ela. – O que vem ao caso é que precisamos dar um jeito em você.
- Não tem nada de errado comigo – ela reafirmou e eu, conformada com a derrota, desisti de tentar arrancar alguma coisa dela.
Ontem, no entanto, ela já apresentava melhoras. Todos estávamos muito animados, na verdade, motivo pelo qual eu nem cheguei perto do caderno. Resumidamente, ficamos o dia inteiro na piscina outra vez. Somente logo depois do almoço demos uma saída, porque os meninos queriam dar uma volta. Nos arrumamos e fomos a uma sorveteria trouxa, na qual Lene se divertiu como nunca, rindo dos sabores e coisas assim. Como se os sorvetes trouxas é que fossem esquisitos, mas... enfim. Depois, voltamos pra casa, brincamos de mímica, jogamos conversa fora, demos muitas risadas enquanto ouvíamos Sirius tentando convencer Remus de que casamento é uma fria e, quando escureceu, voltamos para a piscina.
Ainda não sei o que vamos fazer hoje e-
Oh, alguém está batendo na porta... Volto já.
Hey, aqui quem escreve é James Potter. Venho, por meio desta, informar que estou sequestrando Lily Evans por tempo indeterminado.
Último dia do-ano-mais-que-perfeito, onze e quarenta e cinco da noite.
Uau, nem acredito que consegui subir! Vou ter que ser rápida... Desde que James me "sequestrou" aquele dia, ficou cada vez mais difícil chegar perto desse caderno. Ele parece decidido a fazer com que eu viva mais e relate menos. Me aguarde, namorado, eu vou te convencer que escrever não me priva de viver. Não tem me privado, até agora.
Enfim!
Daqui a pouco vamos comemorar a virada do ano em grande estilo! Colocamos luzes brancas lá na área da piscina, fizemos uma decoração super legal e Sirius até lançou um feitiço e projetou um relógio de estrelas no céu, pairando bem acima da casa dos Potter. Como é ano novo e tem fogos de artifício para todos os lados, não acredito que alguém vá desconfiar de alguma coisa.
Não até o relógio começar a contagem regressiva automaticamente quando faltarem dez segundos, claro!
P.S: Já disse que esse é o melhor ano de todos?
2 de janeiro, Expresso de Hogwarts, 11 e meia da manhã.
Bom, acabamos de sair de King's Cross – com um atraso de trinta minutos, graças a um terceiranista cabeçudo.
Os meninos resolveram ficar numa cabine só deles, como de costume, então estamos livres para termos nossos momentos de menininhas, também. Já surtamos (sim, mais uma vez!) sobre o casamento e agora Bruna está tentando fazer com que Lene se abra a respeito do que está sentindo pelo Sirius, e o porquê de ter ficado tão mal com a ligação de Bellatrix. Pelo que estou ouvindo, ela não está tendo mais sucesso do que eu mesma tive, dias atrás.
Bom, queria aproveitar esse momento pra contar que – ALÔ, UNIVERSO – eu e James acordamos juntinhos no primeiro dia do ano.
Se é que vocês me entendem.
Acontece que, depois da nossa contagem regressiva, da comilança e dos muitos assuntos, risadas e lembranças na noite de réveillon, nós acabamos por nos acomodar. A ideia era não dormir, estender a festa até o dia clarear e tudo mais, mas como estávamos em três casais (os pais de James tinham ido viajar, lembra?), "acendeu-se o fogo da paixão", nas palavras carregadas de amor de ninguém mais, ninguém menos que Sirius Black.
E aí, você pode imaginar. Vou dizer que, quando estávamos abraçados na cama, James me fitava com tanta... ternura. Não sei se essa é a palavra. Só sei que, pela primeira vez, senti que sou a pessoa mais importante da vida de alguém. Sensação grande, eu diria. Maravilhosa, incrível, arrebatadora!
- Você é incrível, ruiva - ele disse quando estava sobre mim, passando a mão pelo meu rosto.
- Você que é! – soltei uma risada, incrédula. – Escuta... eu sei que você me disse que não quer mais ouvir meus pedidos de desculpas... mas não consigo ficar quieta quando penso em todas as coisas horríveis que eu te disse, sem acreditar que você estava levando a sério – ele balançou a cabeça, negativamente. - Foram horríveis, sim, James. E eu sinto muito. De verdade.
Ele fechou os olhos, e foi a vez dele soltar uma risada fraca.
- Desta vez, aceito suas desculpas, se isso te ajuda a se sentir melhor. Mas não quero mais ouvir, mesmo, Lily. Essas coisas estão no passado, sabe, não precisamos ficar remoendo o que já aconteceu. Eu já te disse que acredito que todas essas coisas entre nós tinham que acontecer, pra gente poder chegar até aqui, e ficarmos ligados desse jeito, nos sentindo...
- Livres e completos – completei a frase que ele tinha me dito há alguns dias. – Eu concordo com você – acrescentei, antes de concluir debilmente: - Desculpa.
Ele revirou os olhos e caímos na risada. Beijei suas têmporas, seu nariz, suas bochechas...
- Prometo que não vou mais te dar razões pra me ouvir pedindo desculpas! – beijei sua boca. – Sinto muito por isso ter demorado tanto.
Depois disso, bom, nós voltamos ao trabalho. HAHAHAHAHAHAHAHA. E não, eu não vou ficar escrevendo aqui porque me sentiria muito patética tentando descrever coisas indescritíveis. James é a coisa mais linda que aconteceu na minha vida. Ele prova isso todos os dias, o tempo todo. Mas aquela noite... bom, aquela noite foi muito especial. E, sinceramente, foi indescritível. E, mesmo que eu pudesse fazê-lo (descrever, quero dizer), eu não o faria em um simples diário que pode cair em mãos alheias, né? Certas coisas não foram feitas para se compartilhar, acredito eu.
E... atenção! Parece que Marlene vai abrir o coração! E vocês bem sabem como isso é raro, então essa é a minha deixa. Escrevo quando chegarmos em Hogwarts!
N/A: Eu sei, esse capítulo é tão curto que é praticamente um pecado atualizar! Mas como eu não sei se existe alguém que ainda lê isso aqui ou - melhor dizendo - se existe algum leitor antigo que vai se animar com essa att, então...
Na verdade, o capítulo é meio que uma mensagem de 'viu, a autora não desistiu da fic!'.
