O Casamento de Draco Malfoy

Era irônico que Draco Malfoy, que sempre insistira para ela que datas comemorativas eram tolices e desimportantes, acabasse por se casar no dia dos namorados. Mas, o que Astoria queria, Astoria conseguia, como ela tinha deixado claro no momento em que atraíra os olhos dela para ele. Ginny não disse nada, fingindo que Malfoy era irrelevante para ela, fingindo que nada nunca tinha acontecido, e que era a namorada satisfeita de Harry Potter, quando sabia que não era a verdade. Sua taça não parava de encher-se novamente, sozinha, e não demorou muito para que o champagne enchesse sua cabeça.

Quando Harry pediu uma dança com a noiva, não lhe sobrou o que fazer se não aceitar a mão de Draco, que parecia satisfeito com o casamento.

"Você sempre disse que não gostava do dia dos namorados."

Ela podia ouvir o sorriso no rosto dele na resposta.

"Você sempre disse que não gostava de dançar."

"Eu não gosto. Harry é péssimo."

"No entanto, você está aqui."

"Você está tentando mudar o assunto" acusou. "Você também dizia que não pensava em se casar."

"As pessoas mudam."

"Ou mentem."

Draco riu, e ela sentiu seu rosto queimar de raiva.

"Acho que Potter te deu expectativas erradas sobre as pessoas de verdade, Ginevra."

"O que você quer dizer com isso?"

Ele balançou a cabeça, ainda divertido.

"As coisas não são brancas e pretas. As pessoas mudam. Podem até passar a apreciar o que não gostavam."

"No seu caso, isso só quer dizer que você nunca mudou, que sempre manteve seus ideais puro sangue absurdos e..."

"Você diz tanto que Potter é sem graça, que não te dá valor, que não te ouve. Mas você não é diferente, Ginevra. Você acredita nas suas verdades absolutas e não te ocorre que as pessoas podem não ser tão simples quanto os heróis são. Pare de se enganar. Você quer aventura e se sentir adorada, mas o único homem que você quer de verdade é Potter. E, eu acho que vocês serão muito felizes juntos, afinal, vocês são exatamente iguais."

Ele a deixou na pista de dança, saindo para cumprimentar alguém, e tudo que ficou foi o gosto amargo do champagne em sua boca, e o nó em sua garganta ao lembrar das palavras ríspidas de Draco que mostravam a verdade que ela não queria ver.