Saint Seiya não me pertence. Eu só escrevo para ganhar o meu dia e, eventualmente, o de outras pessoas também.
1) Peço desculpas pela formatação um tanto desleixada dos meus textos! Como vocês sabem, o doc manager do ffnet testa a nossa paciência, e eu sou meio dada à preguiça em se tratando de editar textos aqui.
2) Dei uma sumida, verdade, mas é porque estou tentando equilibrar estudos e lazer (difícil, mas a gente chega lá!). Não abandonei a história, repito: bem ou mal (preferencialmente bem, lógico) pretendo terminar a fic.
3) E responderei a todas as reviews (porque são elas que me movem, claro que pretendo respondê-las!), mas estou com o tempo curtinho. E entre postar um capítulo e responder decentemente às reviews, eu vou postar! Minhas desculpas aos leitores comentaristas (XD), mas eu vou responder as dúvidas que vem me mandando, sim!
Por enquanto é só!
Enjoy your flight!
oOo
Muitas dúvidas
Depois do que pareceram horas, Aldebaran levantou os olhos do monitor. Muu olhava para ele, a expressão um tanto ansiosa tomando seus grandes olhos verdes, e o moreno se questionou como é que um garoto de aparência tão inocente como o tibetano conseguia esconder coisas tão absurdas como aquela que acabara de lhe mostrar.
Por sua vez, Muu observava a reação do amigo.
- Dohko perdeu o visto – Aldebaran afirmou, ainda estranhamente sem emoções.
- Sim, perdeu.
- Aioros... enterrou uma pasta – o maior continuou.
- É o que parece...
- E a irmã de Dohko caiu de uma cachoeira.
- Ãhn... exatamente.
- E por que tudo isso parece uma conspiração? – o moreno finalmente se exasperou, fitando os olhos do amigo, confuso e agitado. No mesmo instante, Muu pulou sobre ele e tapou-lhe a boca com as duas mãos, alerta.
- Fala baixo! – ele pediu, olhando para a porta, que permaneceu tão trancada quanto estivera durante o tempo em que Aldebaran leu o e-mail mais perturbador de todos os tempos – Eu sei que é muita coisa pra absorver de uma vez. Mas eu precisava mostrar isso pra mais alguém, e pensei em você.
- Pra mim tá muito claro o que tá acontencendo aqui – em outras circunstâncias, ele teria ficado constrangido com a proximidade de Muu, mas naquele momento, tirou-lhe as mãos do rosto, perdido – Dohko está louco. Esse e-mail é completamente absurdo. Imagina se isso chega aos ouvidos do diretor!
Os olhos de Muu se arregalaram, e podia-se ver tensão neles.
- Isso não deve chegar aos ouvidos do diretor – o garoto tomou o notebook do amigo e sentou-se na cama de Shaka, que ficava ao lado da sua, encostada do outro lado do quarto – Ainda não.
O tibetano abriu algumas pastas e então virou a tela novamente para Aldebaran, que notou fotos de várias páginas do que pareciam ser documentos diferentes escritos em grego.
- Esses são os anexos?
Muu assentiu com a cabeça, ainda parecendo alerta.
- Não consegui ler todo o material ainda – ele explicou, passando as fotos rapidamente para que o amigo as visse – Mas são três documentos. Um deles é uma ementa de ensino da ISS feita pelo Shion, aparentemente a última que ele fez antes de sofrer o acidente; uma ata da diretoria da ISS, agora sob Saga, revogando a ementa do Shion, bem curta; e o terceiro é um laudo criminalístico que aponta as causas do acidente do Shion há seis anos.
Fez-se um breve silêncio, que Aldebaran quebrou, cheio de dúvidas.
- Devo perguntar por que o Aioros enterraria esses documentos num lixão?
- Pergunte por que esse laudo diz que o carro poderia ter sido sabotado, ao contrário do que foi divulgado, e quem sabe nós não começamos a entender por que o Aioros escondeu essas coisas.
- Meu deus – Aldebaran observava a foto no notebook, em que se liam detalhes técnicos sobre a adulteração do sistema de freios do veículo, a expressão transtornada – Aioros sabia a verdade sobre o acidente do Shion. Será que ele sabia quem sabotou o carro?
- Não sei – Muu respondeu, deixando o notebook sobre a cama e começando a andar pelo quarto – Os últimos que conversaram com Aioros nunca comentaram algo sobre isso, mas o fato é que encomendaram esse acidente e depois maquiaram as suas causas.
O tibetano se voltou para o amigo, a expressão preocupada no rosto.
- Saga – ele disse com a voz muito baixa – Saga mentiu para toda a imprensa, dizendo que a perícia identificou o outro veículo como causador do acidente de Shion. Por que você acha que o diretor faria isso, Aldebaran?
O moreno percebeu a nota de pânico na voz de seu amigo, e de certa forma, isso o acalmou. Ele se levantou, o corpo voltado para o amigo, os braços cruzados e o semblante pensativo.
- Não vamos nos precipitar, Muu – ele disse, como se consolasse o outro – Até onde nós sabemos agora, Saga pode ter escolhido poupar a comunidade e os alunos da verdade por ser chocante demais. Sei que soa ingênuo, mas imagina o quanto não especulariam em cima disso? Não acho que é a postura certa a se adotar nessas horas, concordo com você, mas isso não quer dizer que Saga realmente saiba mais sobre o acidente além disso. Pode ter tomado essa decisão pensando que seria a melhor forma de proteger a escola, sei lá.
Muu parecia pouco convencido.
- Mas e a ementa e a ata? – ele indagou, a aflição voltando – Vou ler de novo, mas não consegui entender a relação delas com o acidente de Shion. Aioros claramente pensou que esses documentos pudessem provar algo, por isso os escondeu.
- O que tem na ata? – Aldebaran perguntou curioso.
- Parece ser algo corriqueiro da administração da ISS – Muu respondeu desanimado, dando de ombros – Nela o Saga revogou a ementa do Shion em que se dizia que a escola iria reduzir, nos próximos anos, a quantidade de bolsas de estágio no governo para os estudantes daqui, nada de mais. As datas da ementa e da ata não deixam dúvida de que são documentos verdadeiros, com as assinaturas e tudo...
Aldebaran franziu o cenho, esforçando-se para entender a relação entre o caso e aquelas fotos – porque isso parecia importante para Muu – mas não conseguiu ligar uma coisa a outra. O que interessavam as decisões administrativas da escola?
- Verdade – ele finalmente disse, com um suspiro – Não consigo ver uma conexão entre isso tudo. Mas pelo menos em uma coisa o Shun tinha razão.
Ele levantou as sobrancelhas para Muu quando este não deu sinais de entender de imediato sobre o que ele estava falando.
- Se o Dohko não estiver louco – ele disse, pensativo e conciliador – E se ele realmente tiver seguido os rastros da pessoa certa, então pode ser mesmo que Aioros tenha sido emboscado, como os meninos sugeriram.
- Só não sabemos ainda por quem – Muu completou, com um pequeno sorriso de alívio por seu amigo finalmente compreendê-lo, e seu olhar sério retornou, eficiente – Mas certamente foi porque Aioros descobriu alguma coisa sobre o acidente de Shion.
Aldebaran meneou a cabeça em concordância, ainda que duvidasse um pouco da insistência de Muu em envolver Saga naquela história. O fato mais preocupante que começava a dominar seus pensamentos, no entanto, era o suposto desaparecimento de Aioros na explosão do cargueiro. Aldebaran, em seu íntimo, desejava que todas aquelas suspeitas se provassem injustificadas o quanto antes, ou então aquela história poderia se tornar cada vez mais perigosa para todos os envolvidos, inclusive para ele próprio e Muu.
Alheio a toda movimentação matinal da rotina da ISS, um garoto praticava lançamentos livres numa das tabelas da Quadra 1. Passava das duas da tarde daquela terça-feira, e portanto a grande maioria dos estudantes se encontrava ou em aulas suplementares ou envolvida nas atividades extra-curriculares dos clubes. O próprio clube de basquete ainda realizava os primeiros testes eliminatórios para o ingresso de novos membros naquela semana, sob a tutela de Aldebaran, e por conta dos testes a céu aberto, a Quadra 1 estava vazia.
Aiolia contava com a atmosfera inóspita do lugar para treinar os arremessos em paz, driblando com técnica oponentes invisíveis em movimentos precisos que seriam páreos apenas para os de Aioros.
O garoto errou feio o lançamento ao pensar no irmão. Por alguns instantes, ficou parado dentro do garrafão, respirando ruidosamente por conta do esforço do treino, o quicar da bola ecoando pelo ginásio. Uma olhada rápida no relógio de pulso confirmou que estivera treinando já há pelo menos duas horas seguidas, depois de ter cabulado as aulas do período da manhã. O grego caminhou até a mochila e notou que seu celular registrava várias ligações não atendidas e pelo menos duas mensagens de Muu. Displicentemente, Aiolia largou o celular sem responder ao amigo, enxugou o suor numa toalha e correu para apanhar a bola novamente, quicando-a com mais força do que o necessário. O garoto tinha a intenção de continuar treinando sozinho, até que estivesse cansado demais para pensar em qualquer coisa, principalmente em seu irmão.
Aiolia era muito parecido com Aioros, exceto pela cor dos cabelos, que tinha mais claros que os do irmão mais velho. Ademais, o porte físico era o mesmo, e dentro de pouco tempo o caçula igualaria o irmão em altura. O garoto pensou em como estaria a saúde de Aioros na China – se estaria agora tão alto quanto ele depois de tanto tempo sem se verem – e então lembrou-se, com um aperto no coração, do que o diretor lhe dissera na segunda-feira. A embaixada não confirmara ainda, mas, segundo ele, era quase certo que seu irmão estivesse mesmo morto. Os especialistas estavam apenas aguardando os resultados dos exames de DNA feitos em alguns dos materiais humanos encontrados no local da explosão do cargueiro para ter certeza.
Urrando, Aiolia arremessou a bola contra a parede com tanta força que ela voltou em sua direção e por pouco não lhe atingiu. Aquilo tudo era demais para ele.
- Então você é o Aiolia! – uma voz surpreendeu o grego, vinda da entrada do ginásio, de um garoto que ele não reconheceu – Eu queria muito ter te encontrado antes! Meu nome é Seiya, fiz o teste pra entrar no clube ontem!
- E eu sou o Shiryu, não fiz o teste pro clube – disse um segundo garoto, acenando mais formalmente com a cabeça.
Aiolia enxugou rapidamente uma lágrima que escapara de seus olhos e voltou a atenção para os dois pequenos intrusos que interrompiam seu treino solitário, uma ponta de irritação começando a invadi-lo. Tudo o que ele menos precisava era de dois pivetes para lhe encher o saco naquele dia, no auge do seu mau humor.
- Que vocês querem? – ele perguntou, dando a entender que lhes dirigia a palavra muito a contragosto.
- Ah, bem – Seiya balbuciou diante da falta de cerimônias do veterano – Nada de mais, só conversar. É que você é o capitão do time, e o Muu disse que você tem ficado por aqui pra treinar, aí vim te ver.
- O Muu? – Aiolia estranhou o fato de seu amigo conhecer aqueles calouros – Seja como for, se não tiver nada pra dizer, prefiro treinar sozinho.
Shiryu franziu o cenho e Seiya fez cara de indignado.
- Qual é, disseram que você era legal – ele reclamou sem pensar, ao que Shiryu colocou uma mão em seu ombro.
- O Aldebaran disse que você se encontrou com o diretor ontem à tarde – Shiryu disse, a voz controlada e calma – Nós queríamos muito falar com o diretor hoje, mas ele cancelou a reunião que ia ter com o Seiya hoje de manhã, parece que foi viajar. Você sabe dizer quando ele volta?
Aiolia voltou a se surpreender quando o garoto citou o nome de seu outro amigo, mas não fez mais que levantar as sobrancelhas.
- Parece que deram azar – ele disse entre dentes, virando as costas para os dois e arremessando a bola, certeiro – O diretor saiu do país e não acho que vai voltar tão cedo.
- Mas que droga! – Seiya exclamou, como se tivesse se esquecido da presença dos demais – Até parece que ele pressentiu que a gente vinha e fugiu!
- Garoto, não seja ridículo – Aiolia falou, inesperadamente ríspido – Algumas pessoas têm mais o que fazer, ao contrário de você.
- Ah, mas eu espero que você não esteja falando do Saga – Seiya retrucou audacioso, sem absorver a ofensa – Porque eu tenho várias razões pra acreditar que ele anda mentindo pra todos nós!
Se a cena não parecesse tão improvável, Aiolia acreditaria ter visto Shiryu bater com a palma da mão na testa, num gesto de clara reprovação à atitude do amigo. Contudo, o grego já estava bastante irritado para continuar a conversa com os dois calouros.
- Não me interessam as suas razões – ele voltou a dizer cortante – Rezem pro Saga ouvir suas baboseiras, mas só vão poder fazer isso quando ele chegar. Até lá, vocês não podem fazer nada.
- Mas você não entende! – Seiya praticamente gritou, sob o olhar escandalizado do amigo – É sobre o seu irmão!
- Muito bem, Seiya, acho que já falou bastante – Shiryu interrompeu, um tanto aflito, mas tarde demais.
Os olhos de Aiolia se arregaralam. Não importava quem fossem aqueles meninos, nem como conheciam Muu e Aldebaran: o grego não podia suportar ouvir gente estranha falando de Aioros daquele jeito tão descarado.
- Cala a boca – ele sibilou, os olhos claros fixos nos de Seiya – Eu não admito que um pivete feito você fale do meu irmão.
- Mas não é isso que eu tô dizendo! – Seiya insistiu frustrado, sem parecer preocupado com o fato de Aiolia começar a caminhar rápido em sua direção – Aioros é uma vítima! Tenho certeza que o Saga sabe disso, por isso que precisamos falar com ele!
- Nós não tínhamos intenção de nos intrometer na sua vida – Shiryu interveio, colocando-se entre seu amigo e Aiolia, que se aproximara o suficiente para chutá-lo na cabeça se assim quisesse – Me desculpa se foi isso que pareceu. Nós vamos embora, certo, Seiya?
- Vocês perderam a noção do ridículo?– Aiolia vociferou, e Shiryu teve de contê-lo com uma mão em seu peito – O meu irmão é um foragido e pode estar morto! É essa a única verdade, pivete, vocês não sabem de nada! Fiquem fora do meu caminho!
- Então você acredita que o seu irmão seja mesmo um foragido covarde, como foi divulgado? – Seiya se esticava para empurrar o mais velho, mas Shiryu o impedia – Qual é, por que você não me ouve: nós queremos ajudar! Nós estamos tentando limpar o nome do seu irmão!
- CHEGA!
Antes que Shiryu terminasse de lamentar algo em um japonês baixo, Aiolia os agarrou pelo colarinho e atirou-os ao chão, com uma facilidade que somente o líder do clube, com toda a sua força, poderia ter. Os dois calouros caíram com um baque, gemendo de dor.
- Quem vocês pensam que são? – Aiolia caminhava ameaçadoramente próximo aos dois, os olhos como se soltassem faíscas – A porra de um detetive profissional? Acham que sabem mais que eu, que sou o irmão dele? Não me façam perder mais tempo, merda.
- Eu tô falando a verdade! – Seiya gritou furioso, ainda no chão – Se você duvida, por que não fala com a Saori? Ela consegue te provar que eu não to mentindo!
Aiolia estava prestes a explodir: não tinham sido exatamente os meses mais fáceis da sua vida e, para piorar, aqueles dois garotos se atreviam a tentar iludi-lo com aquelas falsas esperanças.
- Eu já procurei por toda parte! – ele gritou em resposta, a voz que ecoava desesperada pelo ginásio retumbando como um trovão – Eu fiz tudo que podia, me endividei pra procurar ajuda, mas não adiantou, porque Aioros tá morto! Então não venha insinuar que sabe mais do que eu, porque se ainda tivesse algo que eu pudesse fazer pelo meu irmão, acredite, eu já teria feito!
Seus olhos estavam cheios de lágrimas que vinha tentando conter há semanas, mas não iria derramá-las na frente daqueles calouros intrometidos. O grego controlou a respiração com certa dificuldade antes de acrescentar:
- Já tenho problemas demais – a voz dele era baixa e um tanto desconsolada – Só me resta esperar que encontrem... o que sobrou do meu irmão na explosão, e lidar com as conseqüências dos atos dele. Isso é tudo, não tem mais nada. Vão embora, os dois.
Seiya abriu a boca para dizer qualquer coisa, mas Shiryu o deteve com um toque, meneando a cabeça. O garoto se levantou e deu um passo na direção de Aiolia.
- Eu sinto muito por isso. Foi errado da nossa parte nos intrometermos nos seus assuntos – Shiryu disse com pesar, tirando do bolso um pedaço de papel e o entregando a Aiolia – Mas não estamos inventando nada disso. Esse é o contato da Saori da Fundação Kido, eu pretendia dar para o Saga amanhã, mas vou deixar com você. Se quiser, entre em contato com ela ou com o Tatsumi. Eles sabem mais do que a gente sobre... sobre a situação de Aioros, talvez você queira falar com eles um dia. Sei que deve ser difícil de acreditar, mas não somos só dois pirralhos: acreditamos que exista algo mais no desaparecimento do seu irmão – e a Fundação também.
Shiryu ajudou Seiya a se levantar sob o olhar estupefato de Aiolia, cumprimentou-o com um aceno triste e arrastou o amigo para fora do ginásio, deixando o grego sozinho.
Não era a primeira vez que lhe davam esperanças de encontrar mais pistas sobre o desaparecimento de seu irmão. Muitos lhe haviam dito antes que existia até mesmo a possibilidade de Aioros estar vivo, mas em nenhuma das vezes isso havia se comprovado verdadeiro, o que só fazia aumentar sua sensação de impotência e desespero. Fora Saga a única pessoa que tivera a coragem de lhe contar a verdade sem temê-la.
Também não é que ele quisesse que o irmão estivesse morto: é claro que nada o faria mais feliz do que ver Aioros a salvo. O problema era ter de lidar com a angústia da dúvida. Aiolia apenas queria acabar com a ansiosidade que vinha sentindo naqueles meses fatídicos desde o incidente, que passou a consumi-lo aos poucos. Ele não queria mais sentir esperanças de reencontrar Aioros são e salvo, apenas para depois descobrir que tudo não passava de ilusões – ele não agüentaria continuar vivendo dessa maneira. Por isso havia escolhido acreditar na versão que Saga lhe contara, ainda que fosse uma versão direta, triste e desoladora: era algo concreto. O garoto aprendera que a esperança apenas o machucaria, então passou a evitá-la.
Aiolia observou o endereço eletrônico escrito no papel antes de amassá-lo. Ele hesitou em silêncio por alguns instantes, antes de caminhar até a mochila e guardar o pedaço de papel nela, por uma razão que ele preferia ignorar. Ele se sentou no degrau da arquibancada, a testa apoiada nos braços, sem saber em que acreditar ou o que fazer, e desejou que Muu estivesse lá com ele, naquele momento. O tibetano era quem melhor lhe entendia, e talvez pudesse lhe dizer o que fazer. Mas até mesmo dele Aiolia havia se distanciado nos últimos dias, por acreditar que eram as palavras de Saga, ainda que duras, as que curariam seu coração mais rápido.
Aiolia permaneceu naquela posição por longos minutos, chorando silenciosa e copiosamente pelo irmão, depois de várias semanas contendo todas as lágrimas, tristezas e solidão que sentia desde que ele desaparecera.
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Fim do capítulo 6.
Enquanto o Deba tenta entender tudo o que o Muu contou, o Aiolia sofre um pouquinho no isolamento. Ele é um carinha tão de bem com a vida, tadinho. E o Seiya foi um pentelho insensível, fala sério! É que ele fica tão enfiado nos próprios pensamentos que acaba adquirindo esse maravilhoso tato de elefante.
Caso tenha ficado difícil de acompanhar a ordem cronológica: os acontecimentos do capítulo 6 antecedem os do capítulo 5 - a ordem foi trocada, daí o itálico nesse capítulo inteiro. Desculpem a confusão... mas é para o bem maior (assim imaginei que fosse, ao menos). Além de favorecer a "aparição" dos douradinhos na ordem, acabou caindo no meu gosto fazer umas inversões no tempo, mas juro que não farei sempre, haha.
E esses montes de documentos que o Muu trouxe no email, hein? Pra que tudo isso, Aioros?
No próximo capítulo, um pouco de Shaka-prodígio-não-ligo-pra-coisas-mundanas (não que ele esteja arrogante... espero!).
Mais uma vez, obrigada por acompanharem a história! Espero que esteja do gosto!
Até a próxima!
