Celebrity

Capitulo 2

Isabella

Era quase o horário do almoço e Isabella estava em pé, montada no salto de suas botas de couro preferidas, falando com voz firme e olhar persuasivo. Tudo com o intuito de convencer o corpo de gerentes e acionistas da revista sobre o novo projeto de Marketing, subtende-se, de Alice Cullen, para a nova campanha publicitária. Ela alternava os slides que se projetavam na parede de uma sala que se encontrava na semi escuridão, enquanto detalhava cada parte da nova campanha.

Ao seu lado, a jovem Alice olhava com ansiedade para cada rosto austero presente naquela mesa. Todos da velha guarda. Isabella conhecia cada um com a palma de sua mão, ela sabia dizer, antes mesmo que abrissem suas bocas, o que se passava em suas cabeças. Nada que os seus quase dez anos de trabalho na corporação não a tivessem treinado. Quase no final da apresentação ela já poderia dizer sem sombras de dúvidas que o projeto passaria.

_Srta. Cullen, deve saber que estaremos aprovando a verba para esta nova campanha publicitária, visto que a Srta. Swan estará ao seu lado neste projeto. - Isabella já se encontrava sentada e viu o enorme sorriso que Alice lhe lançara, mas não deixou de pensar que o dela estava na reta.

_Obrigada a todos pelo voto de confiança.

Um a um eles começaram a se retirarem da sala, incluindo Alice. Isabella pretendia permanecer naquela mesma sala. Ela se utilizaria dos recursos de informática lá disponíveis para trabalhar, pois sabia que se voltasse para a sua sala própria, ela não daria conta dos inúmeros e-mails e solicitações que tinha que responder. Já havia passado mais de quarenta minutos do meio dia e ela devorava um sanduíche de carne de pernil, enquanto se dedicava a leitura de um contrato complexo quando a porta da sala que ela considerava seu refugio se escancarou.

_Ah! Aqui está você então! – a voz do homem que era inconfundível e aveludada quebrou o abençoado silêncio. Ela sequer se dignou a erguer as suas vistas para ele, alto e encorpado, que estava parado a frente da porta de entrada fazendo-lhe sombra. Era Edward Cullen, diretor geral da corporação e seu chefe direto.

_Bella? Estou falando com você!

Ela girou na cadeira e cruzou as suas pernas, este ato não passou desapercebido pelos olhos verdes e ligeiros de Edward. Isabella viu com satisfação o olhar decepcionado que ele lançou para as suas botas.

_Se não respondi antes era por que minha boca estava cheia, como foi de viagem?

Edward entrou, sem se preocupar em fechar a porta atrás de si. Ele puxou a cadeira ao lado e sentou-se de forma displicente a frente de sua assistente, na verdade, seu braço direito e esquerdo, sua cabeça pensante.

_Você quer mesmo saber? Um tédio!– ele perguntou e respondeu ao mesmo tempo, erguendo de forma desconfiada uma de suas espessas sobrancelhas. Nestes pouco mais de três anos, muitas coisas Edward aprendera a respeito da mulher a sua frente. Primeiro, ela adorava irritá-lo usando de forma religiosa aquelas botas horríveis, com calças, vestidos ou bermudas. Segundo, nada a emocionava, Edward se perguntava o que havia de errado com aquela mulher? Ele era um profundo conhecedor do universo feminino, não somente pelas inúmeras namoradas, uma ou duas por semana, não, ele tinha o dom de atraí-las e não importava a idade, de 0 à 100 anos, todas se rendiam aos seus encantos, menos ela!

Terceiro, nadando contra a maré e com eficiência, Isabella Swan não se interessava pela vida pessoal dele, então, quando ele lhe perguntou se ela gostaria mesmo de saber como fora a sua viagem era claro que ele esperava ouvir:

_Nem um pouco, apenas perguntei por perguntar, mas tenho certeza de que serei poupada.

_Me diga Swam, qual é o seu problema?

_O quê? Estou atarefada, não vê?

_Eu gostaria de saber por que você é assim?

_Bem, se algo em mim lhe desagrada, podemos resolver. É só me mandar passar no departamento de recursos humanos.

Edward mexeu-se em sua cadeira, ele sentou-se reto e depois inclinou-se para a frente, ela o irritava profundamente.

_Eu arriscaria dizer que você é bonita. Sim, tem um belo formato de rosto, uma pele bem cuidada, mas, péssimos modos. Eu também odeio estas botas que você usa, faça sol, faça chuva e estou a ponto de enfartar com aquilo que você dirige.

Depois ele voltou a recostar no encosto da sua cadeira, eles olhavam-se em silencio, se analisando. Edward viu o brilho audacioso no olhar dela, ele não podia negar, ela realmente mexia muito com ele, de um modo perigoso.

_Vejamos, primeiro você me elogia e depois me deprecia. Conflitante, não acha? - Edward ignorou a provocação daquela pergunta e retomou a palavra.

_Lauren Malory me enviou um e-mail hoje, questionando o segundo aumento de salário que eu lhe dei neste ano, o que acha que devo dizer-lhe?

_Que sou eficiente, coisa que ela não é!

_Eu gostaria de dizer que os aumentos de salários, são condizentes com a sua posição dentro desta corporação. Eu esperava sinceramente que você se sentisse agradecida com o reconhecimento e trocasse de uma vez por todas aquela lata velha de quatro rodas.

Dito isto, Edward se põem em pé nervoso. Enquanto ouvia pela enésima vez mais uma desculpa dela, para continuar a irritá-lo.

_Não tenho motivos, estamos enfrentando uma alta no preço dos automóveis e meu CARRO, funciona muitíssimo bem, obrigada!

_Santo Deus Isabella! Você faz de tudo para me contrariar.

_Não diga isto, eu trabalho até mesmo nos finais de semana para garantir o sucesso da sua empresa. Cuido de você, pagando seus gastos astronômicos, enrolando as suas namoradas que, alias você precisa me falar o nome da última, para eu mandar o anel ou colar e, aquele pedido de desculpas. Voltando, mando suas roupas para a lavanderia, cuido para que seu apartamento fique limpo e equipado, entre muitas outras coisas.

_Pode muito bem delegar estas tarefas para as secretarias e quem sabe não arranja um tempo para ir ao cabeleireiro, a manicure e as lojas de sapatos para proveito próprio? Poderia, quem sabe, arranjar tempo para aceitar os meus presentes também.

_Um Porcher não é um presente, é um assédio! – Edward gargalhou pela primeira vez no dia! Isabella tinha o poder de levá-lo do inferno ao paraíso em questão de segundos.

_Assedio? São apenas bonificações, digamos. Incentivos para você evoluir.- Depois ele se aproximou dela, com as mãos nos bolsos ele se inclinou para baixo, até atingir o nariz dela, assim de perto, ele notou o quão perfeita era a pele clara de Isabella. Depois disse sussurrando e controlando a rouquidão da sua voz:

_Faz alguma idéia de como me senti quando desci do helicóptero e vi aquilo estacionado ao lado do meu carro? Com certeza você fez de propósito! – rapidamente Edward voltou a se erguer, ele não era como Isabella, insensível.

_Não fiz, sou modesta, não tinha vagas nos outros andares. Acha mesmo que gosto de vê-lo olhando para a minha Chevy? Edward, francamente, eu gostaria de voltar a trabalhar, temos uma reunião logo após o almoço, não tenho tempo para isto. Já lhe disse, se algo em mim lhe desagrada me mande embora!

_Sabe que jamais faria isto! E, se você aceitar a proposta de emprego de Aro Volturi, vou caçá-la sem sossego. Não terá paz Swan!

Isabella viu o homem a sua frente enérgico. Desde que Carlisle anunciara a sua aposentadoria o seu concorrente Aro Volturi, assediava Isabella com propostas de emprego cada vez mais vantajosas, tanto em salário, como em benefícios. Mas o coração dela pertencia às corporações Cullens. Ela apenas não o declarava para Edward, pois como o mesmo havia lhe perguntado, sim, ela adorava provocá-lo, por um motivo que ainda desconhecia. Isabella analisava esta particularidade e sempre se perguntava o porque? Não haviam duvidas da beleza e magnetismo daquele homem, que fora eleito várias vezes, ela diria que anos seguidos, como o homem mais bonito ou sexy por várias revistas femininas. Ele era alvo certo das socialites ansiosas em arranjar um bom casamento para filhas, amigas, sobrinhas ou elas mesmas.

Por anos ela cansou de vê-lo desfilando com atrizes, modelos e celebridades. Ele era jovem ainda, vinte e sete anos. Em pleno vigor físico e maturidade. Mas nada daquilo a afetava, pelo contrário, Isabella, apesar de trabalhar no meio de comunicação, em uma revista top de linha e campeã de vendas para artigos esportivos, ela tinha verdadeiro horror ao glamour e holofotes.

Ela o viu batendo na mesa e se retirando da sala, depois voltou-se tranquilamente para o seu sanduíche que estava pela metade e com gula o devorou para depois complementar bebendo uma latinha de coca-cola, sua paixão.

_Ainda bem que você não tem tendência a engordar! – Claro que ela não iria conseguir concluir seu trabalho com sossego, era Alice agora.

_Pelo menos nisto eu fui abençoada! Nenhuma celulite!

Dizendo isto ela se põe em pé e ergue a saia de seu vestido dando um tapa vigoroso em uma banda carnuda e bem torneada de suas nádegas e depois apalpando com vigor a musculatura de sua coxa.

_Preferia morrer a viver sem coca-cola!

_Isabella, você é doida! Tantas mulheres gastando rios de dinheiro ou morrendo de fome para ter este corpo perfeito e você escondendo.

Isabella em um verdadeiro ato infantil ergueu um pouco mais seu vestido e imitou as dançarinas da Moulin Rouge, dando um vigoroso chute para o ar. Ela somente não contava que ao abaixar sua perna, toda satisfeita, desse de cara com Edward que estava com a boca escancarada e olhos vidrados.