Cigana

Capitulo 6

Nadja/Bella

A curiosidade do rei ficou aguçada pela figura pequena da mulher que auxiliava ao velho comerciante conhecido como Charles Swan a posicionar-se no meio do salão. Mas ele deixou sua observação para o atrevimento dela que apareceu ante a sua presença coberta por um manto com capuz que lhe escondia a face e, se voltou alarmado para o estado em que se encontrava o velho homem.

Com duas passadas largas o rei parou em frente aos dois e olhou para o rosto abatido e extremamente machucado do homem e viu que os ferimentos não paravam ali, pois que o seu corpo aparentava estar muito ferido também. Na verdade, o rei Edward se admirou do velho Swan não ter os membros quebrados e, por estar em pé, mesmo que apoiado pela braço da pequena mulher que ficara ao seu lado todo o tempo.

_Diga-me velho, me desobedeceu? Foi em busca das respostas para as tuas queixas?

Charles Swan era fraco e sofrido, mas nunca poderiam dizer aos ventos que ele era covarde e erguendo ao seu queixo com sacrifício, pois este gesto lhe repuxou toda a pele machucada ele respondeu convicto:

_Sim, meu rei, fui em busca de minhas respostas!

_Achou a elas?

_Não, meu rei!

Edward olhou para o pobre homem com severidade, pois que lhe havia prometido um castigo e colocando as suas mãos na cintura ele se preparou para dar ordem com o seu verbo, mas, que fora de modo surpreendente, interrompido pelo machucado Swan:_Mas, que o destino se fez presente em minha vida, mandando achar-me na encruzilhada entre a vida e a morte minha filha.

Edward viu a mão tremula de Charles tocar com leveza o braço da mulher que o apoiava e que tinha várias pulseiras o adornando. A irritação do rei foi extravasada quando falou, já com o seu tom elevado, acusando ao velho de tolo desobediente.

_Olhe para ti e veja o resultado de tua imbecilidade! Me surpreende mesmo que esteja de fato vivo, que aqueles ciganos não o tenham esfolado e depois esviscerado a tua barriga! E agora me aparece aqui, quebrado de dar pena e com uma cigana que julgas ser tua filha. Santo Deus, que ainda estou para conhecer homem mais tolo do que ti! Lembra-te que lhe prometi a forca, por certo que sim?

_Talvez, devesse o rei , dar credito ao seu súdito ao invés de querer colocar-lhe a corda no pescoço! – a voz rouca de Nadja elevou-se de dentro do capuz, causando alvoroço em todos ali presentes, incluindo ao velho comerciante. O rei sentiu um vento gelado a dominar o seu corpo, daquele tipo que acaricia a cada pelo os eriçando para depois deixar apenas o tremor a dominar os membros.

_Como ousas me dirigir a palavra e neste tom, mulher? Sou teu rei, me deves respeito! A começar por entrar em meu palácio com o rosto descoberto. Tire imediatamente a este capuz!

Com um gesto rápido e vigoroso, Nadja tirou de sua cabeça o capuz grande e escuro, revelando a sua face para todos os curiosos daquele salão, mas, era para o rei, que ela se mostrava.

_Sou cigana, não tenho rei, tão pouco pátria!

_Filha! – a voz chorosa do comerciante mal fora ouvida por Nadja, que altiva erguia ao seu queixo, onde, homens grandes fraquejariam diante do olhar cortante do rei Edward Cullen.

_Mandarei que coloquem estes dizeres sobre tua lapide, que hei de mandar construir especialmente para ti, mulher atrevida. Não saíras por estas portas com teu pescoço inteiro, tu e este velho que engana, fazendo se passar por sua filha.

_Sou Nadja e este homem é meu pai! Ele procurou-me por vinte anos, sendo desacreditado por amigos e familiares, sem ter apoio de sua gente ou mesmo, já com os cabelos grisalhos, viu ao seu rei virar-lhe as costas!

_Ousa vir até mim e me julgar? – o rei falou por entre seus dentes e deu a outro passo a frente, aproximando-se da mulher que parecia não ter freios em sua língua e, deparando-se com os olhos pintados dela, que tinham a intensidade de um mar marrom e revolto, ele se deu conta da fúria que dominava a alma daquela mulher. Uma força indomada que o estimulava...

Depois, o rei desceu seus olhos até os lábios, bem desenhados e carnudos e conclui que a cigana além de insolente era muito bonita e que enganava ao velho com suas artimanhas.

_De que vale ter rei ou pátria sem poder confiar? Eis-me aqui! Queres prova de que sou eu a filha do comerciante? Então olha em meus olhos e beba da verdade que transborda em minha face, pois somente um cego não vê a herança de meu pai em meus traços. Mas, podes também, cumprir com o teu verbo e quebrar ao meu pescoço.

Dizendo a isto, Nadja de ajoelhou e curvou a sua cabeça a espera da pancada, no que foi seguida pelo tremulo pai, que se abaixou até ela, a abraçando a espera também de seu castigo. O rei vendo aquilo fechou aos seus olhos, para em seguida os abrir novamente, ele virou seu rosto e olhou consternado para o seu capitão da guarda.

_Emmett, leve a estes dois para as masmorras, por desobediência e desacato ao rei!

Depois ele deu as costas não mais esperando ouvir a nada, pois que a imagem do velho abraçado a mulher a espera da punição sobre as suas cabeças fora por demais. Se fosse em outra época, talvez ele tivesse motivos para usar desta barbárie ante tamanho atrevimento. Mas não seria hoje que o rei iria fazer isto, nem com a língua solta da cigana a instiga-lo.

_Sim, meu rei! - ele viu Emmett pegando de modo brusco ao velho machucado que não reclamou das dores que deveriam ter-lhe assolado o corpo com a mão pesada do capitão e, antes que o velho, juntamente com a cigana, fossem arrastados de sua frente ele questionou.

_Diga-me velho, porque não foi embora com esta mulher que diz ser tua filha?

_Pois que este é meu reino, e tu é meu rei. Vim aqui, diante de tua presença com o desejo somente de mostrar-lhe a minha filha que nasceu nestas terras, sob a regência do grande rei Carlisle, vosso pai. Não vim afrontá-lo, mas apenas mostrar a minha felicidade por finalmente encontrar a minha outra parte que me foi arrancada e poder, finalmente, descansar em paz.

O velho falava em meio às lagrimas e os olhos do rei sempre recaiam sobre o olhar turbulento da cigana que lhe sustentava o olhar com audácia.

_Perdoe se minha Isabella o aborrece, pois que não teve a educação que deveria ao me ser roubada quando criança. Mas ela é minha filha, pois que sei! E depois os próprios ciganos confessaram a ela a sua verdadeira origem.

_Esta mulher é a enviada do reino das trevas, eu lhe digo, meu rei! – Edward olhou impaciente para o padre que a um canto resolveu manifestar-se sem o seu consentimento.

_Padre? Que nos encontramos novamente... – a voz rouca e penetrante de Nadja chamou a atenção de todos sobre ela, que sorriu mostrando seus dentes brancos e bem feitos, sentindo que seu domínio sobre os homens se alastrava ali também. Gingando ao seu corpo ela deu um passo a frente e colocou uma mão sobre a sua cintura fina antes de voltar a tripudiar sobre o ancião:

_Vejo que sentiu saudades de mim. Se hoje não me encontrar com a morte, dançarei novamente para ti, homem "santo"!

_Meu rei, imploro-te que haja com rigor e expulse a esta criatura das trevas de teu reino! – havia um desespero incontido na voz do padre que ajoelhou-se imediatamente a clamar aos seus santos, ao mesmo tempo em que se ouvia a risada jocosa da cigana, cadenciada e envolvente.

_Já chega, estão a transformar meu palácio em um circo. Tu padre, levanta-se de imediato e vá rezar em tua igreja. – depois, o rei Edward se voltou para Nadja que estava com as mãos na cintura a rir alegremente.

_Mulher, digo-te que nunca conheci a outra mais descarada do que tu.

_Asseguro-te, rei, que neste mundo não existe uma sequer a comparar-se a mim! Sou fogo, sou vento, devasto por onde passo. Mas também sou bonança, feito a brisa fresca em uma tarde quente de labuta e, cumpro com a minha palavra.

_O que queres me dizer?

_Que prometi em praça publica que uma dança especial ao rei faria, então, se não morrer por ordem tua nesta noite, lhe renderei a esta oferenda com imenso prazer. – pela primeira vez, desde que colocara a seus pés no palácio do rei Edward, Nadja curvou-se em reverência ao grande soberano.

_És ardilosa mulher!

_Tens medo de Nadja? – ela olhou altiva para o rei, ciente de sua audácia e insolência.

_Se o que teu pai me diz, for de fato a verdade, atenta que teu nome é Isabella Swan, minha súdita. – Edward aproximou da cigana que continuava a gingar com seu quadril e a segurou pelo pulso fino o apertando de tal modo que ela exclamou ante a dor repentina, e muito mais pelo choque que se espalhou por todo o seu corpo, o arrepiando da raiz de seus cabelos em sua cabeça até aos seus confins obscuros, enquanto ele falava baixo, muito perto de seu rosto, tanto que ela sentia ao hálito quente bater em sua face.

_Muita coisa já vi neste mundo, e tu, não se compara nem a sombra da bestialidade mais frívola delas. Agora escuta-me, que muito lutei pela paz que reina além de minhas terras e meus domínios. Fora destes muros existem aqueles que desejam a volta do caos e da desordem e, tudo farei para que isto não aconteça! Então não será uma mulherzinha, incapaz de enxerga algo além do que o seu próprio umbigo a me tirar o sossego e prestigio. Vai-te embora de minhas vistas e goze de sua vida enquanto pode. Não ouse mais me afrontar!

Edward soltou de uma vez o pulso de Nadja que deu um passo atrás, sentindo a fúria dele, contida sim, mas poderosa e feroz.

_Emmett, não quero estes dois em minhas masmorras, esta mulher é capaz de causar um desastre entre os meus guardas e meus presos. Jogue a ela e ao velho comerciante na rua, deixe-os à própria sorte.

Nadja foi empurrada juntamente com seu pai para fora da grande sala de audiência do rei e, antes de sair ainda o olhou uma ultima vez, alto, forte e determinado. O rei se encaminhava para a mesa com os diversos papeis os retomando em suas mãos grandes, sem se dar conta que agora ele era o objeto de atenção dela, que antes de ser expulsa da sala, fascinada com o brilho do cabelo bronze de Edward, único em todo o reino, jurou que o faria se curvar aos seus pés.