Cigana
Capitulo 7
Nadja/Bella
Eles foram atirados na rua com a advertência de não mais perturbarem ao rei. Nadja se agachou para pegar ao seu pai que caiu de mau jeito enquanto xingava ao enorme e mal encarado capitão da guarda real.
_Dobre a tua língua cigana!
_Ela não é uma cigana, seu nome é Isabella Swan!
O capitão deu as costas para os lamentos do velho mas antes das portas se encerrarem as suas costas ele ainda disse:_Ela é o demônio em forma de mulher, suspeito que o padre tem toda a razão!
Isabella ergueu ao pai com cuidado zeloso e, olhou para a porta que se fechou em seu nariz. Atrás daquela porta enorme e grossa, atravessando as paredes geladas daquele castelo, ela sabia que estava o único homem que resistira aos seus encantos. Nem mesmo o truculento capitão da guarda, com seu ar arrogante e palavras grosseiras resistira a ela, pois que seus olhos não se desgrudaram dos quadris moles enquanto ela tripudiava do padre idoso.
_Venha, meu pai! Devo leva-lo para casa de Alice.
Charles Swan olhou para o rosto pintado de sua filha, ela era linda, mas sem modos, quase uma selvagem. Mesmo assim, ele sentiu que seu peito se inflava de alegria por finalmente ter em seus braços a sua Isabella. Lilih Swan, sua irmã, implorou para que ele a mandasse embora, que o padre iria excomunga-la, bem como, a Alice pela presença de Isabella na casa delas, Charles sabia que eles não tinham para ir.
_Filha, que receio não termos para onde ir! Em minha busca por ti, esqueci-me de viver, nunca mais tive pouso fixo, ou um teto para chamar de lar. Olhe para as minhas mãos, veja, elas estão vazias. Nada tenho para dar a ti, minha Isabella, apenas meu amor, lhe foi negado por tanto tempo.
Nadja olhou comovida para seu velho pai, ela sempre soube o que ia no coração dos homens e, no coração de seu pai ela viu amor, em sua forma mais simples e pura.
_Meu pai! Saiba que eu durmo sob a luz das estrelas, e não sinto falta do luxo ou da regalia, mas tu, que tanto sofreu, não ficará desprovido de um teto e uma cama quente e macia nesta noite, tão pouco nas outras.
_Isabella...
_Sabes que até gosto deste nome? Mas chama-me de Bella, curto como Nadja!
_Minha querida, eu gostaria de ser mais jovem e poder trabalhar para lhe dar a roupas decentes e uma educação condizente com a tua origem.
Nada riu com gosto e começou a andar abraçada ao seu pai, ela via que algumas pessoas passavam por eles, sendo que muitos desviavam-se deles e tantos outros ficavam a cochichar. Ela olhou no rosto de todos eles, e via somente a hipocrisia e a covardia. Sua boca se encheu com o seu veneno, pronto a expeli-lo no rosto daqueles que pouco faziam do velho que ela passou a chamar com carinho de pai.
_Pois saiba que antes que teus olhos se fechem para a eternidade, estarás a viver comigo no palácio do rei e, estas pessoas que caçoam de nós, ainda irão me saldar como sua grande rainha!
Charles olhou surpreso para o rosto sério de Isabella e, sentiu, mesmo não acreditando na veracidade daquelas palavras.
_Não vejo como isto será possível, pois que o rei, por um agrado de Deus, não nos enforcou hoje!
_Creia! Pois que lhe digo, meu pai, o seu rei o grande e impiedoso Edward Cullen ainda há de te chamar de sogro.
_Filha, pois que isto não irá acontecer. O rei Edward tem um acordo firmado com o reino vizinho, ele esta apenas esperando que a sua noiva prometida alcance a idade certa para desposá-la.
Nadja parou e olhou nos olhos marrons e cansados de seu pai, depois ela sorriu largamente e Charles pensou que ela era ainda mais bela sorrindo.
_Pois ouça-me, que o rei irá se casar comigo somente!
_Filha, me diga o motivo de você desejar a isto?
_Pois que o rei me desafiou, além dele não passar de um ladrão e sua paga me será bem vinda com um casamento!
Eles passavam pela feira livre, Nadja colocou seu pai sentando em um banco de pedra e se dirigiu até uma banca, em busca de uma fruta bonita e apetitosa, visto que fazia já há muitas horas que seu pai nada colocava na boca.
_Saia daqui cigana, nada quero contigo!
_Homem tolo, apenas que desejo comprar a este pedaço de melão. Toma cá o dinheiro.
_Não quero teu dinheiro sujo, afasta-se! – o homem deu a um safanão em Nadja que imediatamente puxou de sua fina adaga encostando a ponta na garganta gorda dele.
_Sabes como se sangra a um porco?
_Santo Deus, minha filha! Serás enforcada e desta vez o rei não terá misericórdia. – Nadja riu, pois imaginou-se voltando a encarar o frio daqueles olhos verdes. Mas não seria como assassina e sim, como amante e rainha e, quando isto acontecesse, haveria fogo nos olhos do rei, fogo verde.
Ela deu um pontapé certeiro na barriga flácida do feirante e saiu gingando as suas ancas.
_De certo que estão verdes estes melões e lhe causariam a uma dor nas tripas, meu pai! Vamos que nesta cidade de tolos, alguém há de querer aceitar as minhas moedas.
Sim houve, o dono de uma estalagem de porte duvidosa, lá ele não enxergava quem seus clientes eram, apenas ao peso do dinheiro e, por aquela noite, Nadja conseguiu a pouso e comida para ela e seu escandalizado pai. Já encerrado em seu castelo Edward acabava de delegar e sentindo-se cansado, pois detestava aquele serviço burocrático, ele deixou-se cair pesado em seu trono real. No enorme salão ainda se encontravam alguns de seus duques e servos mais leais, bem como seu maior homem de confiança, seu capitão da guarda real, Emmett MacCarthy.
_Meu rei?
Edward ergueu aos seus olhos com um ar implorativo, pois não mais aguentaria a outro oficio.
_Diga logo, Emmett...
_Sei que o dia foi longo, mas ainda tem que responder ao oficio real de matrimonio.
_Diabos Emmett! Quem foi o desgraçado que inventou estes arranjos?
_Vosso pai!- Edward olhou impaciente para a face serena de Emmett, que continuou a dizer – Antes dele o pai do pai de vosso pai e antes ainda...
_Cale esta boca Emmett! – Edward pegou ao papel o desenrolando, lá escrito com letra rebuscada encontrava-se o contrato acertado pelo seu pai, quando ele, Edward, ainda nem fora expelido no ventre de sua mãe, com a descendente da casa dos Volturi. A sua noiva não tinha nem quinze anos.
_Que não passa de uma criança! Viste a isto Emmett?
_Não meu rei, não me é autorizado ler aos teus ofícios reais antes de ti.
Edward olhou com sede na boca, sede de esquartejar ao seu capitão da guarda que permanecia com a face de um sonso, ao seu lado.
_Diga a outro despautério deste a mim e puxo de minha espada!
Edward amassou ao oficio, pois que o mesmo não passava de uma cópia do original que deveria ser assinado no dia do casamento e, este era o problema, pois que os ministro do reino Volturi indicavam a data para dali a um mês, logo após a pobre Irina completar seus quinze anos.
_Um Mês? Querem que me case com esta criança daqui a um mês, diabos!
Agora ele estava de fato irritado e ergueu-se de seu trono a caminhar feito um gato acuado pelo salão. Tanto que ele lutara pela paz, estabelecendo acordos, agora seria obrigado a cumprir com um estabelecido antes dele ser concebido, do contrário a guerra se anunciaria sobre a sua cabeça e sobre o seu reino.
_Meu rei?
_Emmett, eu te avisei! – Edward voltou-se para o impassível capitão.
_Sim, mas devo eu também avisar que estaremos recebendo amanhã a carruagem que traz vossa noiva. Já mandei a batedores interceptarem a eles, creio que chegarão com o sol a pino, por volta do meio do dia.
E que o rei não teve a uma noite tranquila, pois que sua inquietação estava a poucas horas, vindo na figura de uma menina, que provavelmente nem seios teria e deveria ser débil e fraca do juízo e saúde. Já se passava da meia noite e ele ainda estava com os olhos abertos, entornando a uma garrafa de vinho, quando ouviu a uma batida em sua porta, era a sua mãe.
_Filho, atrapalho?
_Achas que me atrapalha, minha mãe? – ele entornou a taça de vinho de uma única vez e voltou a enche-la, para depois perceber que fora grosseiro com a rainha, a esposa de seu pai e sua mãe.
_Perdoa-me mãe, que o dia de hoje me veio como os demônios!
_Sabes que pedi a presença do padre hoje?
_Ah! Foste tu? ! Pensei que ele estava aqui por conta da cigana. – Edward voltou a pensar na mulher pequena e audaciosa que o enfrentara. Aliás, seus pensamentos durante quase todo o dia se dividiram entre suas atividades e para cigana, ora com o olhar atrevido dela, ora com o sorriso perfeito ou mesmo com o gingado do seu quadril, detalhe este que foi o mais esquadrinhado em suas idéias, pois o rei tinha a impressão de já haver visto aquele modo de gingar, mas que não se recordava de qual anca de mulher vinha, pois que em sua vida foram tantas...
_Não, apenas que soube que ele viria e aproveite a visita.
_Espero mesmo que a tenha aproveitado, pois a mim apenas me chateou.
_Filho, falei com o padre Newton e julgo que deverias, pelo menos, ter a uma hora por dia de pregação.
Edward riu ruidosamente e entornou a outra taça, a enchendo novamente.
_Poderia parar de beber enquanto eu falo?
_O que mais desejas de teu rei? Sou obrigado a casar-me com uma infante que talvez nem saiba que tem a um buraco no meio da barriga.
_Edward?
_Umbigo minha mãe! Depois queres que eu ouça ao padre que tem ódio de mulheres bonitas, e tudo isto a seco? Pois que assim não aguento!
Enquanto o rei extravasava sua angustia com sua mãe, na estalagem Nadja também não dormia, pois que olhava o brilho das estrelas vendo que a ela algo era escondido.
_Então, que amanhã eu farei ao meu próprio destino.
E a manhã não tardou, mas que veio como um piscar de olhos. E Nadja saiu da estalagem, não antes de deixar a outra diária paga, suas moedas estavam se acabando e ela precisava fazer a algo. No centro ela de tudo viu e sua mente corria livre até que já perto do meio do dia, um anuncio real foi pregado nos muros da cidade. Pois que dali a quinze dias se iria comemorar ao aniversario da princesa Irina Volturi, noiva prometida do rei Edward..
_Noiva é? – Nadja lia o anuncia junto com outras pessoas e soube que era costume aos súditos renderem mimos em ocasiões como aquela.
_Pois que darei eu o meu mimo e, não será para a princesa e sim para o rei!
