Ignorei que Grissom me amava. O que naquele momento não devia ter ignorado, assim como tantas coisas em minha vida. Nunca foi boa em ignora, assim como nunca fui boa em amar. Nunca consegui ignora meu passado, assim como nunca soube amar Grissom de forma que tivesse evitado tudo isto.
Eu conheci a verdade do mundo mais cedo, mas nem assim consegui aceita alguma delas. Só que coisas que eu acreditava que eram verdades eram na verdade mentiras, e muitas vezes essas descobertas eram tarde de mais, e mesmo que eu quisesse aceita-las não sabia mais como. Pode parecer confuso, mas de tantas coisas que já escutei e investiguei não me parece tão incompreensível assim, afinal minha vida é uma verdadeira confusão.
Uma fonte? Tenho varias principalmente a confusão que me meti por causa de Grissom, e depois dela...
Capitulo 3
As coisas aconteceram rápido demais. Uma hora vi meus pés cambaleando pela causada, vi minha cabeça gira diante da quantidade de álcool que ingeri, vi minha visão embaça tentando enxerga algo alem de que meus pés e as luzes da cidade. Já em outros segundos me vi indo para o asfalto, me vi pressa em uma dor que de minha barriga que seguiu para meu corpo inteiro, senti minha cabeça bater contra algo duro e úmido, alem de ter sentindo o cheiro de sangue após um estalo.
Então a escuridão me veio, mas eu tentei lutar contra ela, não sei por que mais senti como se tivesse que me manter acordada, se é que eu estava acordada. Algumas vezes as luzes, não sei se era da cidade ou não, me fugiam deixando tudo escuro, mas em outras vezes conseguia ver uma claridade por mais mínima que fosse e ate ouvir murmúrios de pessoas.
Eu queria levantar tentar disser para alguém me tira dali, queria saber o que estava realmente acontecendo, mas não consegui nada alem de lutar contra a escuridão. O tempo se arrastava e a dor cada vez mais aumentava e os gritos não saiam de minha garganta. De repente ouvi como se alguém tivesse falando comigo.
–Sara! Sara, por favor, me fale alguma coisa. –Sim meu nome é Sara, mas não conseguir identifica a voz...
–Por favor, filha... –A mesma voz pediu e me chamou de filha, mas não pode ser meu pai, ele esta morto eu o vi morrendo pelas facadas em seu corpo, só se eu estou morta.
Mas uma vez a voz me chamou e eu a reconheci, não estou morta, não ainda. A voz é de Brass, ele esta comigo. Queria suspira de alivio, mas era impossível diante da dor, só que Brass esta comigo e eu sei que posso contar com ele.
De repente senti uma pontada em minha barriga como se tivesse me perfurando, então consegui gritar, mas isso não fez um alivio realmente surgi, pois logo depois a dor piorou e eu consegui grita novamente. No terceiro grito e com algo molhado caindo sobre meu rosto senti uma mão me segura e eu não sei como reconheci o toque, mesmo toque que um dia me fez sentir realmente completa e desejada, o toque de Grissom.
–Vai fica tudo bem meu amor. –Ele sussurrou para mim, não sabia como me sentir diante de como me chamou, afinal só sentia a dor, mas tentei confia em suas palavras.
Não gritei mais, fui vencida pela escuridão que me tomou, não há mais luzes, não há mais palavras em sussurro, não há mais o toque, só a dor...
Abri os olhos com dificuldade, parece que não durmo há dias provavelmente estou atrasada para o trabalho. Merda! Nick me pede ajuda e eu fico dormindo, que bela amiga eu sou.
–Sara? –Ouvi Brass me chamar, o que ele esta fazendo na casa de Nick?
–O que faz aqui? –Perguntei conseguindo ver sua imagem. Ele não me respondeu ficou me observando como se eu tivesse dito algo errado, foi ai que percebi que não estou na casa de Nick. –Que lugar é este?
–Você não lembra de nada? –Ele perguntou, eu ai disser não, mas fechei minha boca.
–O que aconteceu exatamente? –Perguntei lembrando-me das luzes, da dor infernal e de...Grissom... Lembrei também da voz de ambos. Olhei ao meu redor e vi que estou em um quarto de hospital, senti tubos em meu nariz e em meus braços. Que ótimo...
–Você sofreu um acidente, foi atropelada e... –Percebi que ele ai disser outra coisa, mas perdeu a coragem.
–E... –O incentivei enquanto tentava me lembrar do acidente, mas não consegui.
–Você perdeu seu filho, sinto muito Sara.
–Eu o que? –Perguntei alterando meu tom de voz, nem meu estado de não ter dormido há dias fez meu espanto diminui.
–Você não sabia... –Não foi uma pergunta e sim uma conclusão. De nos dois.
Brass não disse, mas nada, apenas me olhou com uma expressão preocupada. Eu também não emiti som algum, nem que quisesse duvido que fosse conseguir. Fechei os olhos tentando me concentra em mim mesma. Inútil.
Minha cabeça começou a gira diante das informações, eu tenho que concentra tudo, tenho que entender.
–Grissom. –Foi o que consegui fala com uma voz baixa, não faço ideia se Brass ouviu, não foi um pedido e sim uma observação que fez as coisas se encaixarem, e fez uma outra dor surgi. A dois messes estive com ele, dois messes antes de voltar a São Francisco onde tentei recomeça, dois messes que não me sentia bem e não dei a mínima importância.
Um bolo se formou em minha garganta, vários pensamentos surgiam mais não captei nenhum deles, não sei como me senti, nem como agir, a confusão que eu acreditava ser típica de mim aumentou drasticamente e mesmo entendendo eu não aceitava.
A perda me apareceu, a perda que como todas as outras apareceu quando perdi, mas eu perdi o que nem sabia que tinha. O bolo aumentou, fiquei sem reação ate que finalmente consegui chorar.
Chorei por tudo que estava preso dentro de mim e por vai se prender. Chorei por sempre ter sido fraca mesmo muitas achando que eu era forte, chorei por não ter sabido amar, chorei por ter sido tão estúpida. Chorei por ter matado meu filho...
–Eu estou com você. –Ouvi a voz de Grissom, mas não abri os olhos para saber se era mesmo ele, e não foi preciso, pois mais uma vez reconheci seu toque pelo seu abraço delicado em meu corpo. Obriguei-me a tentar me levantar, levantei meus braços, provavelmente fazendo alguma agulha sair do lugar, e os contornei pelo seu pescoço, então me sente protegida.
Grissom não se afastou nem me soltou e eu fiz o mesmo, e apesar de esta reconfortada em seu toque as lagrimas continuaram a sair pela segunda vez a sua frente, só que dessa vez não é uma coisa só minha.
–Você disse que não existiam genes assassinos. –Sussurrei mesmo sendo uma coisa idiota, não sabia o que disser.
–Você não é uma assassina. –Ele me disse nos separando e olhando para meu rosto que estava molhado.
–Eu matei meu filho. –Disse com uma culpa que nunca senti antes me invadindo, é a verdade eu matei meu próprio filho, matei um ser inocente que se gerava dentro de mim, que ano tinha culpa de ser quem sou. O matei e nunca vou ter a chance de segura-lo em meus braços, de olha seu rostinho de chamar de meu.
–Você não teve culpa. –Ele me disse calmamente como se tivesse tentando me fazer acredita, de fato estava, minhas mãos tremiam e provavelmente estou fazendo muito mais do que chora.
–Claro que tenho! –Gritei e tive a impressão que já estava gritando antes. –Eu matei ele! A culpa é minha! Eu sou um monstro!
–Não, não é! –Grissom também gritou sua voz estava diferente como se tivesse segurando uma dor, como eu.
E com ambas as dores de ter perdido o que restava de nos ficamos perto um do outro sem disser mais nada, não é preciso, e a única coisa que queríamos neste momento e ficarmos juntos sem pensar no depois, ficarmos e tentar aceita o inaceitável.
Os dias se arrastaram, eu continuei em Las Vegas ajudando Nick e os outros, já havia passado, mas do que duas semanas só que eu não sei se vou conseguir voltar. Aqui apesar das lembranças serem muito, mas claras tenho minha família, lá eu tenho a mim mesma.
–Pode fica quando quiser Sara. Sabe que eu adoro ter você aqui. –Nick me disse quando falei que não queria volta. Fiquei quase feliz com sua resposta, mas não totalmente. Já fez tempo que não consigo sorri, dês que Brass disse o que eu fiz. Também não falei mais com Grissom dês que compartilhamos nossos sentimentos no hospital.
Ninguém comentava nada, pelo menos não na minha frente, o máximo que perguntavam era se eu estava bem e eu respondia qualquer coisa, eles entendiam que eu não queria falar nada, que tinha que supera sozinha. Mas não tem como eu superar, o que ocorreu é algo que vou levar a minha vida inteira como o pesadelo que eu criei. Que eu cometi...
Vai fazer um mês que estou de volta e depois de muita insistência e de minha própria vontade decidi que ficaria de vez aqui em Las Vegas e que voltaria como CSI definitiva no laboratório que por sorte me aceitou. Já consegui um apartamento e me mudarei em menos uma semana.
As coisas não mudaram só pioraram. Não queria fica sozinha para não lembrar daquele dia, não queria mais alisa meu ventre vazio e pensar num jeito de acabe de vez com minha vida. E ao mesmo tempo não queria fica perto das pessoas...
Os casos não me abalavam mais, não ate este. Mãe solteira assassinou o filho para pega a herança do ex-marido e fugir para o mundo. Matou o filho de apenas cinco messes. Encarei a sala da necropsia em minha frente, Greg ficou de fazer esta parte, mas ficou preso no engarrafamento e estamos correndo contra o relógio.
Tentei fazer minhas mãos empurrarem a porta e entra para fazer meu trabalho, de repente desejei que alguém estivesse comigo que me desse forças para entra, desejei Grissom a meu lado, mas errei com ele, errei com nos dois e com meu filho.
Empurrei a porta para afasta os pensamentos e percebi que não devia ter feito isso. Mal olhei para o pequeno corpo e minha vontade de sair dali correndo surgiu e eu a acatei, sai daquela sala o mais rápido que pude pelos corredores.
Encostei-me na parede deixando que as lagrimas rolassem pelo meu rosto, não consegui mais continua o caso, não conseguia continua mais nada, ouvi seus passos em minha direção mais não tive coragem de olhá-lo.
–Sara o que houve? –Não o respondi, não consegui. –Por favor, me conte... –Grissom implorou, não nos falamos há muito tempo e ele estava o mesmo.
–Eu errei, eu fiz a escolha errada, me perdoa? –Implorei deixando que meu corpo caísse contra o chão demonstrando toda minha fraqueza, então ele se abaixou e me abraçou aumentando ainda mais minha dor e culpa.
–Vai fica tudo bem, eu vou fica com você.
–Não, não vai. –Como alguém pode fica comigo depois de todas as escolhas erradas que eu fiz? Mas não posso negar que sinto sua falta, e que ainda sim o amo, e muito e desta vez sinto que é um verdadeiro amor, mas não posso achar que vou acerta, eu nunca acerto.
–Eu te amo.
–Eu errei, eu erro e sempre vou erra. Como estou errado agora. –Expliquei.
–Errando agora?
–Estou querendo você mais perto, eu te amo e te ama só me destrói, me mata aos poucos, mata quem eu amo e quem eu não pode ter a chance de amar.
–Eu te eu imploro, me perdoe.
–Como posso te perdoa se eu que peço perdão? E perdão não existe para o que eu fiz. Não existe perdão para as escolhas erradas, para as minhas escolhas. –Declarei me levantando e antes que pudesse decidir o que fazer o ouvir:
–Para as nossas escolhas.
"A vida não é um mar de rosas ate para quem tem noção disto. Mesmo que a gente racionalize cada ato para impedir que certas coisas aconteçam falhamos, pois elas acontecem. Mesmo aqueles que deixam que a vida os leves sofrem com a caixinha de supressas que é colocada em seu caminho..
Não importa o quanto à gente tente ou que tentamos não tentar, certas coisas acontecem e só nos cabe escolher o caminho que queremos seguir diante delas. É uma questão de sim ou não, e não há uma escolha que nos machuque menos, ambas tem a mesma dor seja ela de tristeza ou alegria. Mas não podemos fugir, temos que escolher, porque é disto que a vida é feita... De escolhas.
Letícia Paixão.
