Chapter 3

Lenox Hill Hospital Apto. 603

- Hey! - Castle falava tentando esconder seus pensamentos e sua expressão de dor.

- Hey!- Ela fez uma expressão de dor e então perguntou. -Castle o que esta acontecendo?- Kate perguntava com um aperto no coração, algo dentro dela dizia que alguma coisa estava errada.

Castle sentou-se delicadamente ao lado dela e suavemente tentado se manter calmo e esconder sua imensa dor começou a lhe contar.
Após dar-lhe a triste noticia aquela que nem ele mesmo sabia onde havia encontrado forças para pronunciar aquelas palavras, Kate estava com a olhar distante, perdida em seus pensamentos e na dor de ter perdido mais alguém, alguém que nem pode sentir, mas já o amava só de saber que esteve dentro dela, por saber que era parte dela e do homem que ela amava.·.

Castle aproximou-se, segurou seu rosto com as mãos, enxugou suas lagrimas e só disse uma frase.·.

-I Love you Kate!

Kate não ouviu ou não queria ouvir. Ela se deitou fechou os olhos e começou a chorar.

Castle viu que naquele momento Kate se fechara em um mundo! Seu mundo! e que outro muro se erguera naquele momento.

Longe dali...

Demming e Ryan tiveram que pegar um desvio, pois o trecho que ligava as estradas estava interditado causando uma enorme demora. Quando chegaram lá já era tarde demais.

Eles haviam perdido toda a ação, os policias que estavam pelas proximidades invadiram o aeroporto clandestino, um sequestrador foi morto no local e o outro conseguiu fugir, mas por sorte o bebê foi recuperado são e salvo. Mesmo assim todos se sentiram frustrados já que nunca teriam uma resposta sobre o porquê do crime.

Então eles foram para o hospital mais próximo de lá, o mesmo em que Beckett se encontrava. O bebê foi levado pelos médicos para fazer exames e depois foi entregue ao serviço social para esperar a vinda dos avós paternos já que estes eram os parentes mais próximos da criança, na verdade os únicos parentes ainda vivos, eles ficariam com o bebê.

Sem saber o real motivo do crime, Demming resolveu por o bebê e seus avós sobre proteção a testemunhas. Após tudo resolvido no hospital, se despediu de Ryan e foi embora, ele ainda tinha que preencher os relatórios e tudo mais.

Enquanto Ryan esperava os resultados dos exames sentado na cadeira do hospital ele avistou Esposito e Lanie e foi ao encontro deles, sem perceber que seus amigos estavam visivelmente abalados.

Sem ainda saber de nada, Ryan falou com entusiasmo - Brow já estava preocupado com você, tentei te ligar para te falar...

- Mas ao perceber o estado do amigo ele parou de falar e já imaginando algo grave perguntou sem nem ao menos poder controlar a frase que saia de sua boca

- O que aconteceu?

Imitando o gesto de Castle anteriormente Espo falou - Beckett perdeu o bebê!

Assim como seus amigos o choque toma conta do rosto de Ryan.

- BEBÊ? Como assim? Ela estava grávida e por que ela não contou para gente...? Ryan perguntava repetidamente sem entender nada, ele estava muito confuso e ao mesmo tempo triste pela perda da amiga.

- Ela não sabia ninguém fazia ideia. - Lanie soltou um suspiro e uma lagrima, então começou a colocar Ryan a par da situação e finalizou dizendo.

- E agora Castle esta lá contando a ela...

- Mas e você o que faz aqui? - Esposito perguntava confuso, pois não tinha avisado Ryan desde que eles estavam ali.

- O Bebê foi encontrado, eu estou aqui esperando os resultados dos exames dele. - ele falava sem nenhuma emoção.

- Tudo bem, quando tiver os resultados, me manda que eu quero dar uma olhada neles. - Lanie disse se despedindo do amigo e finalmente ela e Javi foram embora.

Ele não precisava esperar pelos exames, mas esse caso havia mexido com todos, ele achava que tinha o dever de encontrar o máximo de respostas possíveis já que o caso iria ser arquivado e algumas respostas nunca seriam encontradas.

Alguns dias depois Kate recebeu alta do hospital, ela e Castle seguiram para o loft dele, o trajeto pra casa parecia ter triplicado de tamanho, o silencio só estendia a volta pra casa e o transito de NY parecia querer assombra-los ainda mais com congestionamentos e sinais fechados.

Enquanto eles esperavam um dos sinais abrir, ele a sentiu enrijecer ao seu lado, percebeu que lágrimas escorriam pelo rosto dela. Arriscando encontrar o olhar perdido de Beckett ele viu o que pareceu perfurar seu peito como uma bala.
Havia um casal atravessando a rua, o homem estava com um menino empoleirado em suas costas, enquanto a mulher ao seu lado andava pesadamente devido a sua visível gravidez.

Castle segurou o choro. Ele abafou sua dor. Ele precisava ser forte.

Não por ele, mas por ela!

Ele segurou a mão dela na intenção de dizer que ele estava ali com ela.

Como uma graça, o sinal abriu e ele arrancou o carro, eles precisavam sair de lá.

Ao chegar em casa, Martha os esperava, eles mal entraram e ela foi em direção a Kate.

- OOH querida, vai ficar tudo bem - disse Martha enquanto abraçava Kate em um abraço mais que caloroso. - Vocês são jovens e podem tentar de novo. - A senhora ruiva falava tentando confortar Kate, mas também sabia que serviria para consolar seu filho, mesmo ele se fazendo de forte, ela o conhecia bem, sabia o que se passava com ele, ele jamais deixaria que sua amada soubesse, mas ele também estava destroçado por dentro.

- Obrigada! Martha! - Beckett dizia com um sorriso que mais pareceu um gemido - No momento eu só preciso descansar.

- Você quer que eu te acompanhe? - Castle perguntou meio hesitante.

- NÃO! A resposta veio rapidamente. - Eu só preciso ficar um pouco sozinha. - Ela tentou ser cordial.

Castle assentiu com a cabeça, ele e sua mãe a acompanharam com os olhos até ela sair de suas vistas com um passo vago e sem pressa, após escutarem o barulho da porta se fechando, caminharam até o sofá.

- Querido! Não fique assim, ela vai superar vocês dois vão. - Martha fez uma pausa, deu-lhe um beijo na testa e acrescentou. - No momento ela precisa que você seja forte.

- Eu sei mãe, mas é que, é... É que eu me sinto culpado de ter feito isso a ela... - Rick disse com um triste pesar, ele a amava e não suportava vê-la naquela situação.

- Richard Castle! Nunca mais repita isso. - Martha repreendeu o filho, como ele podia se quer pensar nisso? - Você não teve culpa, na verdade nenhum dos dois teve! - ela soltou um suspiro e prosseguiu. - Olha meu coração também sangra pelo o que aconteceu, mas infelizmente essa fatalidade acometeu à nossa família, tenho certeza, nós vamos superar. Fique com ela, ela esta precisando de você.

- Mãe, mas eu, eu, eu... - Castle soltou um suspiro de dor, como as palavras podiam lhe fugir tanto? - Eu vou ver a Beckett.

Martha afagou sua bochecha, e ele saiu em direção ao seu quarto, se afastando ainda pode ouvir sua mãe atendendo ao telefone "Oi Jim eles chegaram sim..." Palavras abafadas quando seu olhar percorreu o quarto e ela não estava ali.

- Beckett? - Chamou apenas uma vez, tempo suficiente para ele se dar conta que o chuveiro estava aberto.

Caminhou então até a porta, não bateu, não entrou apenas ficou ali, ouvindo de longe a água que caia sobre ela como toda aquela tempestade caia sobre eles. Só depois de perceber a demora, ele se arriscou a chama-la mais uma vez.

- Beckett? Está tudo bem? - Ele perguntou com uma voz tão baixa e carinhosa que ela quase não conseguiu ouvir.

- Sim! – Sua resposta foi seca. Ele obedecendo ao seu primeiro pedido ao chegar em casa, saiu do quarto para finalmente deixa-la sozinha. Pela fresta da porta do banheiro Beckett ainda o fitou fechando a porta, e com o rosto lavado de lagrimas, ela pensou e assumiu consigo mesmo. "Eu te amo Cas!"

Já havia se passado uma semana desde que chegaram em casa, Beckett ainda se recusava a falar sobre o ocorrido. Ela não comia, não dormia, não sorria, praticamente não vivia mais.

Na tentativa de fazê-la despertar daquele terrível pesadelo Castle explodiu...

- Chega Kate, não aguento mais ver você assim, você não esta só se matando sabia? - Ele fez uma pausa tentando controlar sua raiva.

- De que importa? - Ela deu de ombros. - Essa não é a primeira vez que alguém morre por minha culpa mesmo. – seu tom sarcástico, doloroso e triste era perceptível.

- Você, você... Kate!. - Ele estava chocado com o que tinha acabado de ouvir.

- Kate! O que Castle? - ela continuou rispidamente. - É verdade mesmo, de mais a mais não sei por que você sente tanto, afinal de contas você já tem uma filha mesmo.

Castle não conseguia acreditar no que ele havia acabado de ouvir, como ela pode falar isso? Ela sabia que ele só era bom com três coisas, em escrever livros, com mulheres e em ser pai e mesmo tendo Alexis, ele amaria esse outro filho da mesma forma.

- Como você teve a coragem de dizer isso? - Ele estava incrédulo e realmente magoado.

- Eu sei que você esta sofrendo, mas eu também estou droga! Também era MEU FILHO.- Ele disse aos berros.

Ao ouvir as duras palavras de Castle, Kate desabou a chorar descontroladamente, ela chorava por ter perdido seu bebê sem ao menos saber que o tinha, chorava por perceber que realmente tinha ferido os sentimentos deles, sua mente virava em pensamentos, e se ela tivesse o bebê e esse fosse assassinado igual à menina na cena do crime? E se ao invés do bebê fosse Castle e se seu pesadelo se tornasse realidade? Ela além de perder o amor da sua vida tivesse que ver um pequeno par de olhos chorando pela morte de seu pai...

Ao perceber o quanto ela estava abalada, desequilibrada, triste, com tudo o que tinha acontecido a eles, Castle não segurou o que a muito estava preso em seu peito e deixou aquelas lágrimas abafadas rolarem. Mesmo perdido em sua dor e seu remorso, por que sim ele também se culpava pela perda do seu bebê, não conseguia vê-la naquele estado, ele necessitava consola-la e com um impulso ele a tomou em seus braços e com um forte e muito apertado abraço sussurrava - Calma Kate está tudo bem! - Ele mentiu. - Eu estou aqui... eu te amo você não esta sozinha, eu estou aqui com você...

- Mas Castle... – ela pronunciava em um sussurro quase sem forças para terminar. - E-Eu perdi o nosso bebê, eu não fazia ideia, eu ao menos nem pude senti-lo, eu... –Sua voz era interrompida pelas lágrimas e soluços que se negava a deixa-la.

- Shhhh, eu sei, está tudo bem, não foi sua culpa... - Cas falava na tentativa de fazê-la parar de chorar, mas vendo que era inútil ficou ali em silencio e a deixou chorar.

Ficaram ali! Abraçados, daquele jeito em total estática, talvez por horas, ele apenas sentido o cheiro de seu cabelo, suas mãos apertando sua camisa atrás como que se procurasse apoio, e suas lagrimas que eram aparadas sem sucesso pela sua camisa.

Quando ela finalmente conseguiu controlar o choro ele levantou sua cabeça, em busca de seu olhar e enquanto se perdia naqueles olhos verdes marcados por lagrimas perguntou:

- Então, você se sente melhor? - A doçura em seu tom de voz era evidente, era incrível como mesmo magoado pelas palavras jogadas por ela, ele não conseguiu ficar com raiva por muito tempo, ele a amava incondicionalmente.
Ela não conseguiu responder, apenas acenou com a cabeça que sim, então ele continuou.

- Kate eu sei que é doloroso. - Falava isso agora passando as mãos pelas lagrimas dela que ainda persistiam em escorrer. - Quando menos esperarmos, teremos o nosso bebê em nossos braços e ele será lindo, com o seu sorriso e o meu charme.

- Ele dizia tentando aliviar o clima, e em especial conforta-la, ele já não aguentava mais ver ela naquele estado se sentia impotente ao permitir que aqueles olhos estivessem marcados por sofrimento.

- Castle eu... - Ela já nem conseguia mais completar a frase o cansaço era evidente.
Percebendo isso Castle a puxou para o quarto, lentamente não queria afasta-la de seus braços, fazendo com que ela se sentisse segura e a fizesse entender que ele estava ao lado dela para tudo. Fosse para apoiar, proteger, confortar e acima de tudo sofrer com ela.

Eles deitaram na cama, lentamente ele acomodou em seus braços e somente quando percebeu que ela tinha dormido, depositou um beijo em sua testa, apoiou sua cabeça na dela, e sem se mexer para não acorda-la também dormiu.

Os dias se passaram lentamente e progressivamente, após o fim da sua licença, Beckett e Castle voltaram a trabalhar, eles ainda estavam meio distantes depois dos últimos acontecimentos, mas não haviam brigado novamente, ou algo do tipo, contudo as palavras não ditas os estavam ferindo mais que as palavras ditas.

Castle percebia que a cada dia Kate se fechava, mas sempre estava por perto para apoia-la como havia prometido. Todas as noites ele a esperava para acompanha-la seja para seu apartamento ou para o dela. Numa noite após terem resolvido mais um caso, Beckett esperava Castle que havia ido ao banheiro, ela ouviu passos e virando já falava.

- Ainda bem Castle, eu estava ficando... - Ao fitar o real dono dos passos, uma onda de dor percorreu por toda a sua espinha. Ela recebera uma visita que iria mudar a vida dela para sempre.

"Boa noite Det. Beckett, será que podemos conversar?"