Bônus – Em meio a trevas

POV Edward

Faz mais de um ano que eu havia abandonado meus pais nos Estados Unidos. Sim, Carlisle e Esme são os meus pais.

Por mais que eu os ame não consigo entender o porquê de negar quem realmente somos. Aquele não é o estilo de vida que eu quero para mim. Eu não quero ter que negar a minha sede.

Apesar de me alimentar de sangue humano, não mato qualquer um. Eu não sou tão cruel assim.

Estou sempre à espreita procurando pelas mentes dos humanos alguém que realmente não mereça viver. Assassinos, estupradores, molestadores. Por mais incrível que pareça é extremamente fácil encontrá-los. São tantos.

Às vezes a humanidade me dá nojo.

Eu havia me mudado para a Europa á alguns meses, não queria correr o risco de encontrar os meus pais durante as minhas viagens de caça. Só de imaginar a cara deles se isso acontecesse me magoava. Odiava saber que eles achavam que o modo como eu levava minha vida era errado.

Atualmente eu estava no Reino Unido. Mais especificamente, Inglaterra.

Eu vivia como um nômade. Devido ao meu estilo de vida não poderia ficar muito tempo no mesmo lugar, as pessoas acabariam desconfiando de alguma coisa e eu não quero arranjar problemas com os Volturi.

Estava em uma pequena vila perto de Liverpool, havia achado a minha presa. Um homem de meia idade. Assassino e ladrão.

Eu estava escondido em meio a sombras e a neblina, a espreita como um grande predador. O homem estava nervoso, parecia sentir a minha presença. A cada passo ele andava mais depressa, o som de seus passos ecoava pela rua deserta. Desesperado, ele entrou em uma pequena viela. Estava na hora de me alimentar.

Corri em minha velocidade vampiresca, me tornando um espectro na noite. Cheguei a minha vítima e a segurei pelos ombros virando o meu rosto na direção de sua jugular. Iria mordê-lo, mas o meu instinto de autopreservação estava alerta. Olhei para frente e qual não foi a minha surpresa ao encontrar um humano me encarando. Na verdade, ele poderia ser tudo, menos humano.

Apesar de ter um coração batendo no peito, seu sangue não era tentador, tenha um cheiro estranho. Não era ruim, mais também não era atrativo. Mas o que realmente chamava a atenção eram os olhos, eles eram negros contornados por um fino anel azul, como se as pupilas estivessem dilatadas. Ao redor dos olhos veias se sobressaiam na pele clara, emoldurando os olhos como uma mascara macabra. A sua boca estava entreaberta revelando suas presas afiadas.

É, definitivamente não era humano.

Escutei a minha presa soltar um gemido apavorado e cravei meus dentes em sua jugular sugando todo o seu sangue.

–Quem, ou o que é você? – perguntou o homem calmamente.

Seus olhos se tornaram de um azul profundo, as veias desapareceram e as suas presas retraíram-se, voltando ao tamanho normal.

– Faço a mesma pergunta a você.

– Sou Damon Salvatore – disse fazendo um pequeno aceno com a cabeça – Prazer em conhecê-lo.

(...)

Nós estávamos na casa de Damon em Liverpool, fazia algumas horas que conversávamos e descobri coisas que nunca imaginei existir.

– O que exatamente você é? – perguntou me encarando. Ele estava jogado em um divã de couro negro.

– Eu sou um vampiro – disse como se aquilo fosse obvio, o que realmente era devido à circunstancias em que nos encontramos – Mas o que VOCÊ é?

– Eu também sou um vampiro.

– O que? Você só pode estar brincando – disse descrente. Como assim ele era um vampiro? O seu coração ainda batia contra seu peito, ele tinha sangue correndo nas veias. Tudo o que um vampiro não possuía.

– Na verdade, não estou – disse Damon dando um meio sorriso arrogante que nesse pouco tempo em que o conheci percebi que era típico dele – Apesar de sermos completamente diferentes, eu sou um vampiro também. Por acaso você já leu Drácula? – perguntou irônico e eu apenas levantei uma sobrancelha, inquisitivo, e ele começou a pensar na historia. Era incrível como ele conseguia ocultar parcialmente os seus pensamentos – Eu sou como o Drácula.

– Não vai me dizer que você se transforma em morcego, não é! – disse irônico dando um meio sorriso.

É, acho que essa mania pega.

– Morcego não – ele disse sério.

Conversamos por um longo tempo e descobri muitas coisas sobre a espécie de Damon. Ele não é tão indestrutível quanta a mim, mas é muito mais poderoso. Ele pode controlar peças e manipular os seus pensamentos, consegue controlar alguns dos quatro elementos, e o mais impressionante, ele pode se transformar em um animal, dependendo de quanto poder o vampiro tem, ele pode se transformar até em dois animais diferentes. Damon se transformava em um corvo e um lobo.

– Mas nós também temos limitações – disse bebendo calmamente um copo de sangue – Como o fato de virarmos cinzar em contado com o sol, mas isso já não me afeta.

– E porque não? – perguntei curioso.

– Por causa disto – disse levantando a mão direita mostrando um belíssimo anel de prata incrustrado com um lápis-lazúli (anel do Damon- .) – Por alguma razão que eu ainda não sei ao certo esse anel me protege do sol. Posso andar pelo sol do meio dia e nada me acontece.

– Você me disse que tem características parecidas com as do Drácula, então para te matar basta enfiar uma estaca de madeira em seu peito?

– É por ai mesmo.

– Quantos anos você tem? – perguntei.

– Nasci em 1528 em Verona.

– Você é da época renascentista – disse sem me surpreender. O leve sotaque italiano de Damon não me passou despercebido.

– E você Edward, quantos anos tem?

– Sou muito novo, na verdade – disse – Nasci em Chicago em 1901, então tenho mais ou menos 37 anos.

– Mas o que você veio fazer tão longe de seu país?

– Eu vim para cá, para poder ser um vampiro de verdade.

– Como assim vampiro de verdade?

– Digamos que os primeiros anos da minha "nova vida" eu passei como um vampiro vegetariano – disse fazendo uma cara de nojo. Eu não sei como aguentei tanto tempo – Meus pais são vegetarianos então eu também seguia essa dieta, até que á um ano eu cansei e abandonei tudo.

– Seus pais também são vampiros? – perguntou Damon surpreso.

– Bom, na verdade eles não são meus pais biológicos. Carlisle foi o meu criador e sempre foi como um pai para mim – lembrar- me de Carlisle fez com que eu sentisse falta de casa, mas esse era o preço que eu teria que pagar pela minha escolha de vida – Você também tem família Damon? – perguntei tentando distrair a minha mente.

– Infelizmente, tenho um irmão mais novo – disse sombrio – Mas se depender de mim isso não vai durar por muito tempo. Eu tento pegá-lo a mais de quinhentos anos, mas ele sempre consegue escapar – o ódio era claro e sua voz fazendo-me pensar em o que deve ter acontecido para ele ter tanta raiva do irmão – Mas pelo menos eu tenho o consolo de fazer da vida dele um inferno – ele disse tão baixo que eu quase não consegui escutar essa ultima parte.

(...)

Já havia se passado uma semana desde que Damon e eu havíamos nos conhecido. Com o passar do tempo fomos criando um laço de amizade.

Apesar de aparentemente sermos extremos opostos um do outro, a convivência mostrou que éramos parecidos em certos pontos, como o fato de gostarmos da solidão. O que temos de mais diferente é o fato de Damon ser muito mulherengo e completamente dependente dos prazeres da carne. Já eu, sou um tanto casto. Acho que isso se deve ao modo como fui criado. Quando eu encontrasse alguém que eu realmente amasse seria completamente diferente. Mas, por hora, ninguém chamou a minha atenção.

(...)

Mas um ano se passou e ainda estava longe de casa.

Agora estava morando em Berlin. Minha amizade com Damon estava cada vez mais forte. Eramos como irmãos.

Aprendi tudo sobre a espécie dele e como evitar seus dons mentais.

Damon me disse que havia uma erva chamada verbena, ela agia como um escudo que não deixava a mente ser manipulada, além de a verbena ser um veneno para os vampiros de sua espécie. Se o vampiro morder alguém que tenha a verbena na corrente sanguínea ele perde completamente suas forças sendo impossível se defender.

Me surpreendeu que ele só poderia entrar em casas de outras pessoas se estas permitisse a sua entrada, mas uma vez que entrasse poderia voltar sempre que quisesse.

Nossas conversas quase sempre acabavam em risos. Apesar do jeito arrogante de Damon ser extremamente irritante ás vezes, ele dizia as coisas de um modo frio e debochado que chagava a ser engraçado.

(...)

Era uma tarde chuvosa em Berlin.

Damon e eu estávamos em casa. Ele estava sentado na sala bebendo wisky, sua bebida predileta depois de sangue, enquanto olhava para o nada com uma expressão sombria no rosto.

Eu estava tocando piano, tentando abafar os pensamentos de meu amigo enquanto me concentrava na musica. Apesar de bloquear parcialmente seus pensamentos, eles eram gritantes no memento. Era como se eles estivessem implorando para serem ouvidos. Em um momento de descuido eu li a sua mente, e finalmente soube o porquê do ódio que ele sentia pelo irmão. Em seus pensamentos não haviam rostos, mas a história estava lá.

POV Edward Off

Antes de ser transformado, Damon morava com o pai e o irmão mais novo, Stefan. Enquanto ele vivia a vida do jeito que bem entendia, seu irmão seguia exemplarmente as regras do pai. Apesar de tudo, os dois eram muito amigos.

Isso foi antes da chegada de uma mulher á casa dos Salvatore. Katherine Pierce. Ela era extremamente envolvente e logo os dois irmãos se apaixonaram. Parecia estar enfeitiçados por ela.

Katherine, por sua vez, brincava com os dois, dizendo-se apaixonada.

Depois de certo tempo, ela contou para eles o que realmente era. VAMPIRA. Desde então, passou a se alimentar dos irmãos e dava seu sangue a eles, que durante o ato não sentiam outra coisa a não ser prazer.

O pai dos Salvatores estava desconfiado de que havia algo estranho e Katherine, pois não faro daquele jeito que criara os filhos, eles pareciam enfeitiçados pela mulher e faziam todas as suas vontades.

Devido a isso resolveu tomar algumas providencias. Chamou o filho mais novo para uma conversa particular e o sondou. Suas suspeitas foram confirmadas e, sendo assim, tomou uma atitude. Sem que o filho visse, colocou algumas gotas de chá de verbena em sua bebida e propôs um brinde.

Algumas horas mais tarde Stefan estava com Katherine em seu quarto e ela o mordeu. A verbena entrou pelo seu organismo roubando todas as suas forças. Stefan, desesperado, gritou por ajuda, até que seu pai entrou no quarto juntamente a alguns outros homens. Eles a pegaram e colocaram uma mordaça em sua boca.

– O que vocês vão fazer com ela?

– Ela é uma aberração da natureza, não pode continuar viva – disse seu pai.

Depois que eles saíram Damon chegou.

– O que você fez?

– Ele colocou verbena na minha bebida – disse Stefan nervoso – Eu não sabia Damon, eu juro que não – Damon apenas lhe deu as costas e andou rapidamente pelo corredor em direção as escadas – Para onde você está indo?

– Não posso deixar que a matem – disse descendo rapidamente os degraus de madeira. Stefan o seguiu.

Quando chegaram ao de fora da casa, viram pessoas correndo por todos os lados e algumas sendo carregadas. Eram vampiros.

Damon observou quando colocaram Katherine em uma carruagem. Eles a seguiram até um lugar isolado onde havia uma pequena igreja abandonada.

Katherine estava amarrada perto de uma árvore na parte de trás da igreja. Stefan correu até ela e tentou desamarrá-la, mas escutou um estrondo e uma bala o atingiu no peito. Ele caiu fraco e quase inconsciente.

Damon correu para ajudar o irmão, mas também foi atingido.

Katherine estava caída e de cada lada estavam Damon e Stefan.

– Eu te amo – disse olhando para cima. Nenhum deles soube dizer para quem ela teria proferido essas palavras e logo caíram na inconsciência.

POV Edward

Damon culpava o irmão pelo que aconteceu a Katherine. Como se fosse culpa dele o pei ter o enganado.

Não consegui ver os rostos de nenhum deles, pois essa parte de sua mente estava bloqueada. Vi apenas borrões.

Fiquei tão absorto as lembranças que quando deu por mim havia parado de tocar o piano.

– Você viu, não foi? – apesar de ter sido claramente um pergunta isso soou mais como um afirmação.

– Sim – respondi – Eu vi.

Ele ficou em silencio por um tempo, e pela primeira vez, eu vi a expressão de Damon desmoronar.

– O mais difícil, é não saber para quem foi aquele último "Eu te amo" disse com as mãos no rosto.

Apesar de nunca ter amado ninguém, eu o entendia. Eu sentia sua dor através de seus pensamentos.

Damon havia se tornado sanguinário e arrogante por culpa da raiva e do ressentimento que o dominavam.

Isso o tornou o que ele é.

(...)

Com o passar do tempo, fui percebendo o quanto eu mudei. Peguei até algumas manias de Damon, como o sorriso torto, é claro que o meu não era tão irônico, mas mesmo assim. Me tornei tão sanguinário quanto ele apesar de nunca matar inocentes.

Contudo, eu já não me sentia tão bem fazendo isso quanto antes.

Estávamos de volta a Inglaterra depois de nove anos.

Estava sem caçar a semanas e a minha sede estava no limite.

Depois de muita busca achei minha presa no subúrbio de Londres. Era uma mulher. Examinei a sua mente e vi o que ela realmente era. Golpista e assassina. Todo o dinheiro que tinha ganhou aplicando golpes em homens ricos e velhos.

Andei lentamente em sua direção e ela sorriu a me ver.

Sorri também me aproximando mais. Seus pensamentos eram extremamente sujos para uma mulher.

Cheguei até ela e a segurei pelo pescoço.

– A sua hora chegou – a mordi fortemente sugando todo o seu sangue. Apesar disso ainda sentia sede. Virei-me para ir embora quando um cheiro saboroso invadiu meu corpo. SANGUE.

Fiquei sego pela a sede e não vi mais nada. Fui guiado pelos meus instintos. Só pararia quando bebesse até a última gota desse sangue.

Quando tomei consciência de meu corpo m vi segurando o corpo de uma pequena garotinha.

Sua garganta estava dilacerada pela marca dos meus dentes.

Senti nojo de mim mesmo. Do que eu havia me tornado.

Sai de lá o mais rápido que eu consegui. Chegando em casa rapidamente.

Damon me olhou interrogativamente.

– Não dá mais Damon. Não posso continuar com essa vida. Eu sinto nojo de mim mesmo pelo que eu sou. Como eu pude matar todas aquelas pessoas.

– Edward, elas mereciam morrer.

– Não importa o quanto elas sejam erradas. Eu não sou ninguém para julgar isso. Eu me tornei sanguinário e um assassino. Sou tão baixo quanto eles. – disse com o rosto enterrado em minhas mãos – Eu vou voltar para casa. Implorar perdão aos meus pais. Não posso continuar nessa vida Damon. Já deu para mim.

– Edward, se essa é a sua escolha eu não vou contestar. É a sua vida e você faz o que bem entender.

– Fico feliz por saber que esta do meu lado.

– Apesar de sermos muito diferentes Edward, você é o meu melhor amigo. É algum que eu sei que eu vou poder contar para o resto da minha existência. E se agora, você precisa do meu apoio, você o terá.

– Obrigado meu amigo.

(...)

Estava de volta aos Estados Unidos. Sabia onde Carlisle e Esme estavam morando pela ultima carta que ele havia me enviado.

Eu corria rapidamente pela floresta, até que encontrei a casa. Carlisle e Esme estavam do lado de fora da casa, pareciam estar prestes a sair. Assim que me viram pararam estáticos me encarando. Até que Carlisle saiu do estado de choque e veio em minha direção.

– Que saudade meu filho – disse, me abraçando – Sentimos a sua falta.

– Também senti saudade de vocês.

– Mas o que você veio fazer aqui filho?

– Eu voltei pai. E dessa vez é para ficar.

– Fico feliz por isso meu filho – disse Esme me abraçando também.

– Só quero pedir uma coisa –disse e eles me olharam interrogativos – Nunca mais m deixem fazer uma coisa daquelas. Eu não quero mais ser um monstro.

– Você não é um mostro meu filho – disse Esme carinhosamente – Apenas fez algumas escolhas erradas.

Em fim eu estava em paz novamente, apesar de ainda me sentir um lixo, as palavras de minha mãe me fizeram compreender que mesmo vivendo em meio a trevas, eu sempre teria a minha família comigo. E isso é tudo o que preciso a partir de agora.