Fênix diz: Oi, Hyoga!
Fênix diz: Ainda bem que me esperou! Fiquei preocupado de ter demorado demais e que você, cansado, tivesse ido dormir.
Cisne diz: Oi.
Cisne diz: E então? Se divertiu?
Fênix diz: Se eu me diverti? Bom, eu não sei se essa seria a palavra que eu usaria, mas... foi muito interessante.
Fênix diz: Eu conheci você.
Cisne diz: Não, Ikki. A mim você já conhecia. Ele foi amigável?
Fênix diz: Você entendeu o que eu quis dizer. E sim, você foi super amigável e simpático.
Fênix diz: Quero dizer, ele.
Fênix diz: Ok, isso é confuso.
Cisne diz: Diga logo como foi, Ikki. Já temos mistérios demais pra digerir...
Fênix diz: Bom, eu fui com meu irmão, como disse no e-mail. Eu queria chegar mais cedo, porque queria tentar falar com você antes do balé começar, mas não deu muito certo. Pegamos um maldito engarrafamento e chegamos em cima da hora... Os lugares que o Shun conseguiu eram bons, mas eu queria chegar perto da primeira fila, para poder te ver.
Fênix diz: Então, faltando poucos minutos para abrirem as cortinas, e com quase todo mundo sentado e esperando o espetáculo começar, eu larguei meu irmão nos nossos lugares porque precisava ver se você estava lá. Eu não ia conseguir me acalmar se não te visse logo...
Fênix diz: Eu fui pelo corredor central e me aproximei o máximo que pude da primeira fila... E você estava lá, Hyoga.
Fênix diz: Deus; pessoalmente você é ainda mais bonito do que eu poderia imaginar...
Fênix diz: Fiquei estático; não conseguia sair do lugar. Eu estava hipnotizado por você e simplesmente fiquei sem reação. Só fui acordar desse estado quando as pessoas começaram a reclamar do fato de eu estar ali, em pé, atrapalhando a visão de algumas pessoas. Só então me toquei que já tinham aberto as cortinas e que os bailarinos começavam a entrar em cena.
Fênix diz: As pessoas não chegaram a gritar, mas foram audíveis o bastante para você virar para trás e olhar para mim.
Fênix diz: Você olhou para mim e eu não consigo explicar como me senti. Foi tão... maravilhoso. As luzes tinham se apagado, mas os seus olhos, Hyoga... Seus olhos brilham. Sabia disso? Seus olhos brilham e iluminam tudo ao redor.
Fênix diz: Bom, mas você me olhou como quem não entendia o que eu estava fazendo lá e só então me lembrei de que estava atrapalhando a apresentação da sua mãe. Daí, fui me sentar. O Shun estava revoltado comigo, mas não disse nada na hora, porque já eu já tinha atrapalhado demais.
Fênix diz: No intervalo, quando meu irmão quis dar um sermão em mim, nem deixei que ele dissesse uma palavra, porque saí correndo para tentar falar com você. Só que quando cheguei à sua fileira, você não estava lá. Perguntei a uma senhora que estava sentada a seu lado aonde você tinha ido e ela me contou que você tinha ido ver como sua mãe estava, nos bastidores.
Fênix diz: Suspirei resignado, porque compreendi que só poderia falar com você no final da apresentação. Eu fiquei muito agitado durante toda a peça, impaciente e desejando que ela terminasse logo...
Fênix diz: Não me leve a mal, Hyoga. Sua mãe é realmente fantástica; ela é uma bailarina incrível, mas eu não conseguia me concentrar em mais nada, eu só queria ver você. Por isso, quando finalmente acabou, e as pessoas começaram a se levantar para aplaudir o espetáculo, eu não esperei mais. Me levantei do meu lugar e corri até onde você estava. Como todos, você estava em pé, aplaudindo fervorosamente sua mãe. E você estava com um sorriso tão lindo no rosto, Hyoga... o mesmo daquela fotografia que você me enviou, com o Athos. Eu não consegui me aproximar naquela hora; aquele parecia um momento muito seu com sua mãe, para quem você olhava cheio de orgulho. Naquele instante, você só tinha olhos para ela e eu não quis competir...
Fênix diz: Aí, as cortinas se fecharam, as luzes se acenderam e entendi que tinha enfim chegado o momento de conversar com você. Minhas mão estavam suadas de tanto nervosismo... [risos] Não foi fácil me aproximar, porque muitas pessoas ali queriam te cumprimentar, dizer o quanto admiravam sua mãe, essas coisas...
Fênix diz: Você sorria polidamente para todas essas pessoas, mas eu notei que tinha pressa para ir falar com ela. Por isso, eu me apressei. Quando você finalmente se livrou da última pessoa que vinha lhe apertar a mão, e já começava a caminhar a passos largos para os bastidores, eu segurei o seu braço. E, naquele momento, acho que meu corpo todo estremeceu, Hyoga. Eu não podia acreditar que era real; não podia acreditar que finalmente estava tocando em você...
Fênix diz: Você me olhou interrogativo e eu senti que todas as palavras me faltavam naquela hora. Não consegui dizer muito, mas o desespero me fez soltar essas poucas palavras: "Preciso falar com você". Você deve ter achado que sou louco, para chegar dizendo algo assim... [risos] Mas apesar dos seus olhos demonstrarem dúvida, você me respondeu um "Tudo bem". Apenas isso.
Fênix diz: E a sua voz... Meu Deus, Hyoga. De tudo que imaginei, de todas as minhas tentativas de imaginar como deveria ser a sua voz, ela nunca poderia ser tão perfeita como é, de fato! Eu devo ter ficado com uma expressão boba no rosto, porque você então sorriu. Você sorriu o sorriso mais lindo do mundo. E aí, você completou dizendo "Me espera no café lá fora". Compreendi que você iria falar com sua mãe e não podia privá-lo disso. Mas acenei positivamente como resposta e me dirigi para o café do teatro, me sentindo nas nuvens. Eu não podia acreditar que aquilo estava sendo real.
Fênix diz: Hyoga, você está muito calado.
Cisne diz: E o que eu deveria dizer?
Fênix diz: Eu... não sei. Não tem nada a comentar até aqui?
Cisne diz: Não, eu não tenho nada a comentar.
Cisne diz: Vocês conversaram no café?
Fênix diz: Conversamos.
Cisne diz: E?
Fênix diz: Bom, você demorou uns vinte minutos pra aparecer. Fiquei com medo de que você não aparecesse, mas me lembrei de que você não faria isso comigo. E, realmente, você apareceu.
Fênix diz: Quando eu vi você se aproximando, eu me senti um adolescente bobo, com as pernas bambas, garganta seca... [risos] Você se sentou de frente para mim e sorriu. Céus, Hyoga! Você não pode sorrir desse jeito para as pessoas! Não sabe o tanto que o seu sorriso é fatal? [risos]
Fênix diz: A primeira coisa que me disse foi "Você não era o cara que estava de pé quando o espetáculo começou?" E aí eu ri, de nervoso. Que péssima primeira impressão eu devo ter dado a você. Respondi que sim, então você balançou a cabeça e sorriu de novo. Pedi desculpas e você foi gentil, dizendo que tudo bem. Mas então me perguntou por que eu estava lá. Eu disse que queria falar com você.
Fênix diz: Você ficou mais sério e me perguntou se fui também eu que tinha ido procurá-lo no intervalo e, mais uma vez, respondi positivamente. Aquela senhora contou isso a ele e, a essa altura, você devia estar achando que eu era algum tipo de psicopata. Se bem que não; lembra que na nossa primeira conversa você foi tão ingênuo a ponto de se abrir inteiramente comigo sem me conhecer? Até brinquei dizendo que eu poderia ser um psicopata... [risos] Mas enfim, você me indagou sobre o motivo de eu querer tanto falar contigo. Foi só nessa hora que me toquei de que não tinha pensado no que iria lhe dizer! Quero dizer, tinha pensado numa imensidão de coisas, mas não havia definido nada! O resultado é que falei a primeira coisa que me veio à cabeça. Perguntei se você era escritor.
Fênix diz: Você arregalou os olhos, como se estivesse surpreso. E então me revelou que sim; mas que não tinha publicado seu livro ainda. Contou que estava terminando de escrever seu primeiro livro e que em breve pretendia lançá-lo. Nesse momento, eu resolvi arriscar e disse que tinha ouvido falar a respeito, que tinha lido em algum lugar, em algum site na internet. Bom, você pareceu aceitar bem esse meu comentário, porque perguntou se eu gostava de ler e eu respondi que era um hábito que planejava começar a cultivar com mais dedicação. Isso foi o bastante; você não me cobrou mais explicações sobre o motivo de eu tê-lo buscado e começamos então a falar sobre o seu livro.
Fênix diz: Tenho certeza de que o livro é excelente, mas eu devo confessar que não prestei muita atenção ao que você dizia. O seu perfume é inebriante, Hyoga. Sabia disso? Era impossível me concentrar...
Fênix diz: De qualquer jeito, acho que ficamos ali conversando por uns quarenta minutos. Você só foi embora quando seu celular tocou. Era sua mãe e então você se desculpou dizendo que precisava ir. Eu fiquei desolado quando disse isso, não queria que você fosse embora nunca... Não sei se percebeu ou o que foi, mas então você disse que gostaria de conversar comigo novamente. E me deu seu telefone; dizendo que poderíamos marcar alguma coisa algum outro dia... Eu abri um sorriso imenso e você retribuiu com o seu. Aí você foi embora e eu vim para casa...
Cisne diz: Eu fico feliz por você, já que tudo deu certo. Bom, eu já vou indo... Tenha uma boa noite, Ikki.
Fênix diz: Ei, espera! Aonde você vai?
Cisne diz: Não deveríamos mais fazer isso. Não há sentido algum em continuar conversando comigo agora... Sabe, agora eu compreendo perfeitamente porque você não queria que eu procurasse por você aqui na minha realidade. Eu não vou suportar isso, Ikki, então é melhor pararmos por aqui.
Fênix diz: Não, Hyoga! Calma, espera um pouco! Ignora o que eu disse daquela vez; eu estava errado! Você tinha razão, vocês são a mesma pessoa, você não pode ficar bravo comigo! Por favor, não saia agora!
Cisne diz: Era eu que estava errado! Esse cara por quem você está encantado é outra pessoa, não eu.
Cisne diz: E é por isso que vou sair dessa história e deixar você ser feliz.
Cisne diz: Cada vez que vocês conversarem, não sou eu que vou escutar a sua voz; eu não vou saber como é o seu toque, como é o seu beijo, como é tocar o seu corpo, mas ele vai. Quando vocês dois engatarem um romance, o que é certo que aconteça, não sou eu que vou viver uma história de amor contigo, Ikki. É ele quem vai fazer isso. Enquanto vocês se divertirão juntos, eu vou continuar aqui... Solitário, carente e sem você. Enquanto ele estará nos seus braços, eu vou estar chorando na frente desse maldito notebook, lendo elogios que você faz a ele, achando que está agradando a mim... Então não, nós não somos a mesma pessoa, porque ele tem você e eu não passo de um... Droga, eu nem sei o que eu sou...
Fênix diz: Hyoga, você é a pessoa mais incrível que eu já conheci! Não fale de si mesmo nesse tom, por favor...
Fênix diz: Que droga, me desculpa! Eu... Eu não sabia o que estava falando, eu não sei o que estou fazendo...
Fênix diz: Meu Deus, Hyoga... Me perdoa! O que eu faço pra você me perdoar? Por favor, continua falando comigo; não vai embora, não me deixa aqui sozinho...
Fênix diz: Por favor...
Cisne diz: Ikki, talvez eu seja apenas uma ponte, uma forma para que você encontrasse o Hyoga da sua realidade. Pode ser que o Hyoga destinado a você seja ele, não eu... Sendo assim, agora que vocês se encontraram, não há mais nada que eu deva fazer na sua vida. Você já se abriu para o amor, agora é só correr atrás da pessoa que você quer. Por que você continuaria conversando comigo durante as madrugadas, se pode passar todas essas noites ao lado dele? Se ele tiver os mesmos hábitos que eu, a essa hora está acordado, escrevendo... Ligue para ele e seja feliz! Eu não tenho mais função alguma em sua vida, vou deixar a tarefa de cuidar de você nos ombros do "Hyoga". Ainda é estranho pensar assim, eu jamais pensei que algum dia sentiria ciúme e inveja de mim mesmo; mas é exatamente o que estou sentindo agora.
Cisne diz: Eu não tenho que perdoar nada, você só está seguindo sua vida, experimentando o que eu mesmo te incentivei a experimentar... Não se sinta culpado por minha causa.
Fênix diz: Você não é uma ponte nem nada do tipo, Hyoga! Deus; eu não percebi o que estava fazendo... Hyoga, por favor, eu te imploro, não desaparece da minha vida! É você que eu quero, é você que eu preciso ter comigo! Eu me confundi, eu não sei; eu estava tão desesperado, eu quero tanto você, eu necessitava tanto te ver que não pensei no que estava fazendo!
Fênix diz: Eu não queria te magoar, eu não devia ter ido atrás de você... Quero dizer; eu não devia ter ido atrás dele, mas... Eu confundi tudo, eu sei... Por favor, Hyoga...
Fênix diz: Hyoga, eu estou chorando de desespero já... E eu não choro, Hyoga... Meu Deus, por favor, me fala que você vai ficar... Eu faço qualquer coisa... Eu nunca mais vou atrás dele, eu juro...
Cisne diz: Eu não posso te pedir que nunca vá atrás dele, não tem cabimento eu te pedir isso. Ikki, pensa comigo: Se você pode facilitar a sua vida, por que raios irá complicá-la? Se ele está ao seu alcance e eu não, já está bem claro quem você deve escolher. Olha, eu sei que ele não te ama ainda, mas se passou o número do telefone é porque realmente gostou de você. Ele sequer teria ido ao tal café te encontrar se não tivesse sentido algo a mais... Ele tem a minha aparência, pensa como eu, age exatamente como eu... Vocês se darão muito bem juntos! O que eu não posso é te proibir de vê-lo, quando sei que você seria feliz com ele, entende? Eu não posso te privar de um toque real, de um beijo de verdade, de colocar em prática tudo o que eu escrevi ontem; não quando está tão acessível para você... Por favor, não fique chateado comigo, apenas siga a sua vida.
Cisne diz: Amei cada palavra que trocamos, você iluminou minhas madrugadas... Seja feliz, tá?
Cisne saiu da conversa.
CONTINUA...
