OIII Meus amoores!.. Estou aqui de novo ebaa!.. Com mais um capitulo desse livro que taaaaanntoo amoo!.. Espero que continuem gostando queridos!.. Miiiil beijoos e vamos a fic! *-*

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— Por que não disse logo? — O capitão sorriu com malícia. — Homens! Levem-na para Inuyasha!

Kagome empalideceu ao ser obrigada a seguir em direção ao barco. Procurou Inuyasha com os olhos e fitou-o, suplicante.

— Não é preciso usar de força — Inuyasha avisou-os. — Ela não entende nossa língua, mas eu lhe explicarei imediatamente que recebemos ordens de conduzi-la a bordo.

O sorriso de alívio de Kagome foi de curta duração quando os homens lhe soltaram os braços. Pensou que desfaleceria ao ser informada de que não poderia mais voltar para sua família.

— Lamento. Tentei convencer o capitão a soltá-la, mas...- Inuyasha não pôde terminar. Em um arroubo de desespero, Kagome tentou correr para Monique.

Inuyasha e os companheiros se entreolharam.

— Eu me enganei — Inuyasha suspirou. — Vocês terão de levá-la à força.

Nunca antes Kagome havia feito um escândalo, mas gritou a plenos pulmões para que a soltassem. Esperneou ao sentir os pés se afastarem da areia. Continuou gritando e se debatendo mesmo depois que um homem a colocou sobre o ombro em uma posição humilhante.

Kagome só parou de gritar quando se deu conta de que estava longe demais da praia para alcançá-la a nado. Foi quando co meçou a rezar.

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— O que sabe sobre o navio que estamos perseguindo? — perguntou o primeiro auxiliar a Kouga que estudava um mapa aberto sobre uma mesa.

— Piratas costumam trocar de embarcação para confundir seus perseguidores, mas se ainda não assaltaram outro navio, nós o encontraremos sob uma bandeira preta com estrelas ver melhas, comandados pelo capitão Riten Dominguez. O res ponsável pelo desaparecimento de Kagome chama-se Inuyasha

Taisho. Eu mesmo o prendi quando tentava negociar suas pi lhagens na ilha de Cuba. Ele é garantia de bom dinheiro. Além do prêmio pago pelo rei, ganhei uma recompensa de um tal Naraku. O pirata já teria pago por seus crimes não fosse a intervenção de nossa linda, mas imprudente, mademoiselle Higurashi.

— Pobre menina — lamentou o tripulante. — Detesto pen sar no que pode estar lhe acontecendo neste instante.

A mera suposição fez Kouga perder o controle.

— Nada! Nada acontecerá a ela, você entendeu? Porque nós a encontraremos antes que aqueles malfeitores a desonrem.

— Não acha que já devem ter feito isso?

— Não! — Kouga tornou a gritar. O outro balançou a cabeça.

— Não será suficiente devolvermos a moça com vida para monsieur Onigumo Peridot?

— Talvez não estejamos tentando salvá-la para ele exata mente — Kouga murmurou, esquecido de que não estava só.

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Kagome foi conduzida para abaixo do deque. Suas mandíbulas estavam cerradas de tensão. Os degraus de madeira chei ravam a mofo pela umidade perene. Uma fumaça fétida vinha da cozinha e o cheiro de animais molhados impregnava o ar. Uma porta foi repentinamente aberta e ela se surpreendeu ao descobrir que a cabine era ampla e estava razoavelmente limpa. No alto, fileiras de redes estavam presas por ganchos. A luz era emprestada por lampiões pendurados às paredes. De dia, as escotilhas trariam a luz do sol para iluminá-los.

— Você disse que eu ficaria livre para ir embora — Kagome se apressou a protestar no momento que ela e Inuyasha ficaram a sós.

— Era o que eu queria. Tentei cumprir minha promessa, mas o capitão se encantou com você. Sinto muito.

— Se o que diz é verdade, por que foram seus amigos, não ele, que me arrastou a este navio asqueroso? Por que é você que se encontra aqui a minha frente, não ele? E não havia necessidade de me machucarem, além de tudo. — Kagome er gueu a manga do vestido para mostrar o hematoma.

Inuyasha tentou examinar o braço de Kagome, mas ao estender a mão para tocá-la, ela afastou-o com raiva.

— Eu tive de dizer a eles que você era minha para o capitão não reclamá-la. Foi a única saída que me ocorreu para prote gê-la quando ele disse que a levaria para a própria cabine.

— Não adiantou muito, não acha? Eu não poderia estar em pior situação do que me encontro agora.

Inuyasha teve de rir da ingenuidade de Kagome.

— É óbvio que não conhece meu capitão ou não diria isso. Por favor acredite em minhas palavras. E melhor estar aqui comigo do que com ele.

— Melhor para quem? Para mim ou para você? — Kagome o desafiou. — Eu o ajudei a fugir. Não intencionalmente, mas com sucesso. No entanto, foi assim que você retribuiu meu favor: fazendo-me sua prisioneira. — Diante do silêncio de Inuyasha, Kagome prosseguiu: — Se o que afirma é verdade, sobre seu capitão querer me fazer mal, como pode ter me salvado trazendo-me consigo a bordo deste navio? Como posso estar mais segura sob sua guarda, cercada por dezenas de piratas famintos de amor, do que nos aposentos de seu capitão?

A acusação irritou Inuyasha. Por vários motivos. Por ela ter insultado os homens do mar como ele, por ter reclamado das condições modestas que ele tinha a lhe oferecer, mas princi palmente por ela não reconhecer seu esforço em salvá-la.

— Se ele a tivesse levado para sua cabine, ninguém poderia resgatá-la quando chegasse a madrugada, por mais que gritasse por socorro, porque ele é o capitão.

Inuyasha pensou que iria vê-la corar diante do relato, mas Kagome manteve-se firme.

— Devo supor que não fará o mesmo que ele?

— Eu não possuiria uma mulher contra sua vontade.- Kagome queria acreditar na sinceridade de Inuyasha Taisho.

Que houvesse um cavalheiro sob a indumentária de pirata. Que voltaria para casa sã e salva, e intocada como embarcara na quela aventura. Mas como poderia confiar em alguém que já quebrara uma vez sua palavra?

— Como fará com que os outros acreditem que sou sua, se não partilhamos uma cama?

— Não será uma cama, mas uma rede. Terá de se deitar comigo para sua própria proteção.

— Posso confiar?

Inuyasha abriu um baú à procura de uma muda de roupa.

— Não tem escolha, não acha? Sou sua única esperança de escapar deste navio.

Kagome notou que Inuyasha estava se encaminhando para a porta com uma camisa branca e uma calça escura nas mãos.

— Aonde você vai?

— Tentar encontrar água para me lavar — ele avisou. — Não saia daqui. Se alguém entrar, coloque-se atrás deste baú, cruze os braços e finja estar envergonhada.

— Por que eu fingiria sentir vergonha? — Kagome perguntou, surpresa.

— Para que pensem que esteve em minha rede na última meia hora.

Vergonha não seria a palavra apropriada caso isso fosse verdade.

Inuyasha encolheu os ombros e não conteve um sorriso.

— Talvez deva fingir cansaço e satisfação. Você escolhe.

— Fingirei raiva, é claro!

— Como quiser.

Ele se foi com um sorriso que fez Kagome se lembrar do quanto o achara bonito no primeiro instante, preso aos grilhões. Talvez pudesse realmente acreditar que ele era seu aliado na quela enrascada em que se colocara. Porque oportunidade de seduzi-la não faltara. Essa era a verdade.

Sozinha, Kagome sentiu-se assaltar pelo terror. No deque, o barulho era enorme. Ela imaginou a multidão de piratas que rendo possuir seu corpo e por pouco não deu vazão às lágrimas. Lembrou-se de casa com saudade e arrependimento pelo que fizera. Os problemas do passado pareciam irrisórios diante do que estava acontecendo. Faria um casamento sem amor, mas ao menos moraria perto de seus pais e de sua irmã e poderia vê-los sempre que desejasse. Sua vida quase não sofreria trans formações. Por que a idéia do casamento lhe parecera tão in suportável a ponto de procurar voluntariamente o perigo? Va lera a pena arriscar sua honra, sua segurança e sua reputação por uma inútil rebeldia? Como fora infantil e imprudente. Sem forças, Kagome afundou a cabeça nas mãos. Daria qualquer coisa para voltar atrás e estar no conforto de sua casa.

Momentos depois, Inuyasha retornou à cabine, mas não veio sozinho. Quatro companheiros o seguiram, todos animados e brincalhões. Kagome reconheceu dois como estarem entre os ele mentos que a carregaram à força para o navio. Pareciam tão contentes com a volta de Inuyasha que não deram sinal de terem notado sua presença. Ao menos no primeiro minuto. Porque um deles, de cabelos e olhos escuros, se apresentou a ela com a mão estendida para cumprimentá-la, como se estivesse diante de um outro homem.

— Olá. Miroku a seu dispor. Quero pedir desculpa pelo mau jeito. Inuyasha disse que nós a machucamos.

Kagome não esperava encontrar delicadeza no comportamen to de um pirata. Admirou-se por ele nem sequer tentar atribuir-lhe uma parcela de culpa por ter se debatido e provavelmente machucando-o também.

— É verdade que seu pai é um escudeiro? — quis saber um outro de cabelos vermelhos que já se acomodara em sua rede de dormir.

— Sim.

— Nós detestamos todos os nobres — ele confessou - Mas vamos esquecer que estamos diante de um membro da aristocracia. A propósito, meu nome é Shippou.

— Miroku e Shippou. Nenhum de vocês usa o nome de família? — Kagome estranhou.

— Não — respondeu Miroku. — Gostamos de ser nós mesmos, sem que nos associem a nossos pais ou a nossa des cendência. O capitão é o único que se apresenta com o nome completo.

— Por que disse isso? — questionou Shippou. — Prefere que a tratemos por mademoiselle em vez de Kagome? - Kagome refletiu por um instante e decidiu se igualar aos ho mens porque seria um erro se dar maior importância.

— Não. Prefiro que continuem a me chamar de Kagome.

— Muito bem. Acho que não será difícil nos entendermos durante sua permanência aqui.

No silêncio que seguiu, Kagome percebeu uma troca de olha res e de sinais entre Inuyasha e Miroku.

— Não é a primeira vez que os vejo fazerem isso. O que significa?

O homem moreno encolheu os ombros.

— É uma espécie de código que inventamos há alguns anos.- Kagome não insistiu, aquilo era como um jogo, ela sabia. Outro detalhe que lhe chamou a atenção foi a elegância de Inuyasha após o banho. De barba feita, calça justa, botas e ca misa marfim de mangas bufantes e gola em V. Era estranho que tivesse cortado a barba quando todos os outros piratas a deixavam crescer.

— Quantos neste navio falam o francês? — Kagome se dirigiu a Shippou.

— Apenas nós cinco — ele apontou para Inuyasha, Miroku e os outros dois que não disseram nem sequer uma palavra desde que entraram. — Tínhamos de nos tornar amigos, não acha?

— Ou ao menos fingirmos ser — brincou Miroku. — Inuyasha, você não vai subir para comer? Deve estar faminto.

— Sim, eu vou subir e pegar comida, mas jantarei aqui com ela.

— Por que não jantamos todos aqui? — propôs Miroku.

— Por que ela não sobe conosco? — sugeriu Shippou.

— Perdeu o juízo? — protestou Miroku. — Acha que faria isso no lugar da moça? Esqueceu como se comporta um bando de homens bêbados?

Ficou acertado que os amigos fariam seus pratos e voltariam para a cabine para fazer companhia a Kagome, com exceção de Shippou. Deixada sozinha, Kagome olhou a porta fechar e rezou.

— Que Deus me ajude!

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— Aproveite para se banquetear enquanto estamos pró ximos à praia — aconselhou Miroku. — Em alto-mar, a base de nossa alimentação é carne-seca.

Kagome quase riu ao acreditar que aquilo fosse uma brinca deira. O arroz estava empapado e o gosto do peixe estava forte demais porque a pele não fora devidamente retirada.

Outros homens entraram na cabine enquanto eles jantavam, mas não se demoraram além do tempo necessário para apanharem roupas limpas. Alguns encararam Kagome com malícia, mas Miroku a protegeu ao avisá-los que ela pertencia a Inuyasha.

Enquanto comiam com as mãos, todos sentados no chão, Miroku contou que não esperara mais ver Inuyasha com vida depois de presenciar sua captura.

— Cheguei a perder a esperança de escapar — confessou Inuyasha.

— Meu coração quase parou — disse o mais jovem do grupo e o de barba mais longa.

— Eu segui vocês para tentar salvá-lo, mas o maldito caçador levava demasiada vantagem sobre mim.

Kagome engoliu em seco ao sentir os olhos de Inuyasha fixos em seu rosto. Não entendeu o porquê da hostilidade no primeiro momento, mas logo se lembrou de que ele estava a par de sua amizade com Kouga. De que ele sabia que fora Kouga quem lhe possibilitara a visita à prisão. O fato de ela conhecer o inimigo a tornava culpada perante aqueles homens.

— Não acredito que minha captura tenha sido uma coinci dência — disse Inuyasha para espanto geral. — O caçador não queria qualquer pirata que encontrasse pelas ruas daquele porto. Ele queria a mim.

— Por que tem tanta certeza?

— Porque acredito que Naraku estava por trás da história. - O silêncio foi tão absoluto após a sugestão que Kagome não soube o que pensar. Mais ainda quando viu Miroku tocar o braço de Inuyasha em um gesto de consolo e de camaradagem.

— Não deve ter nenhuma relação com ele, meu amigo. Es queça essa idéia. Ninguém sabe de Naraku há tempos. Talvez até mesmo esteja morto.

A conversa foi acompanhada por Kagome com interesse. Gostaria de saber mais sobre o tal Naraku que poderia ter sido o responsável pela prisão de Inuyasha, mas não se atreveu aperguntar.

Depois de alguns instantes, um outro pirata falou pela pri meira vez. Ele também era loiro, como Inuyasha, e usava um rabo-de-cavalo curto e espetado. Chamava-se Sesshoumaru.

— Todos nós ficamos muito contentes que você tivesse con seguido voltar com vida.

— O capitão queria partir sem esperá-lo — resmungou Miroku. — Dois dias atrás ele disse que você já deveria ter sido enforcado. Se não tivéssemos insistido que a tradição man da prorrogar por uma ou duas semanas a data prevista de par tida, acho que estaríamos longe daqui neste momento.

— Ele não é um bom capitão — decidiu Sesshoumaru.

Ninguém quis alongar a conversa. Todos pareciam preocu pados em devorar a comida, a não ser Inuyasha que olhava para um ponto perdido no espaço em profunda reflexão.

— Ele queria ficar com Kagome.

— Seria lamentável — disse Miroku. — O capitão parece charmoso com as mulheres quando está em público. Ele lhes dá de comer e de beber e se mostra galante, mas depois de algumas taças de vinho ele sente prazer em maltratá-las.

Kagome notou o sinal de Inuyasha para que o amigo se calasse. Em vez de obedecê-lo, Miroku elogiou-o.

— Não tenha medo, Kagome. Você teve sorte. De todos os piratas, Inuyasha é o melhor. Ele não bate em mulheres.

Aqueles homens falavam como se fosse normal terem mu lheres a bordo, trazidas à força.

Deus, ela havia sido raptada e roubada dos seus! Deveria agradecer a sua boa sorte, assim mesmo, por ao menos cinco daqueles homens não serem os monstros que Kouga Wolf lhe descrevera.

Um vozerio interrompeu os pensamentos de Kagome. O jantar deveria ter terminado e o resto da tripulação estava descendo para se recolher.

— Depressa! — chamou Inuyasha. — Deite-se na rede e cubra-se com o cobertor antes que eles criem problemas.

— Não tenha receio, Inuyasha. Ninguém tocará em Kagome porque sabemos respeitar a mulher de um companheiro.

— Eu gostaria que vocês parassem de dizer isso — resmun gou Kagome.

Inuyasha fez um gesto para que ela se calasse.

— Não seja teimosa.

— Eu não posso dormir assim. — Kagome indicou o vestido. — Preciso de algo mais confortável. E por quanto tempo terei de ficar na rede, coberta até o pescoço?

— Pelo tempo que for necessário. Parece que você ainda não se deu conta do perigo que corre. Se descobrirem que eu menti, cada homem deste navio se revezará em sua posse. Por favor, faça o que eu estou mandando.

— Mas estas roupas...

— Estará mais segura se dormir com elas.

— Nós teremos de dividir realmente sua rede? — Kagome perguntou com um fio de voz.

— Sim. Agora cale-se e deite-se.

O recinto foi invadido um minuto depois. Os homens fala vam inglês, um idioma que Kagome não dominava. Um deles tentou avançar sobre a rede.

— Soubemos sobre a pequena fada que o tirou da prisão. Quero dar uma olhada nela.

Kagome puxou o cobertor até o queixo e virou de lado.

— Lindos cabelos. Por que ela não nos mostra o resto?

— Não perca seu tempo — disse Miroku, ameaçador. — Ela pertence a Inuyasha.

— Nós sempre dividimos as pilhagens, não dividimos? Por que não uma diversão? Em pouco tempo nós a traremos de volta pronta para ser usada novamente.

De olhos fechados, Kagome começou a tremer. Sentia que estava sendo observada e não era apenas impressão. A maioria dos homens dormia do outro lado do porão e eles estavam em condições de observar seu rosto.

Inuyasha enfrentou o olhar odioso com astúcia e humor. Sabia que precisava ser esperto para vencer aquela batalha ou poderia ter quase toda a tripulação contra si.

— Emprestar uma mulher não é como emprestar jóias. Seria mais como emprestar um braço. Depois que você o corta fora, não consegue recuperá-lo.

O homem encarou Inuyasha em silêncio por um instante. De pois se pôs a rir às gargalhadas, imitado pelos outros bêbados que riam sem saber de quê.

— Se ela é sua, ela é sua. Arrumarei outra para mim. - Promovida a paz, Inuyasha subiu na rede.

— Não há mais perigo. Ao menos por enquanto. Feche os olhos porque alguns homens estão se despindo. Eu dormirei vestido, mas muitos preferem dormir sem nada.

Se Inuyasha conhecesse Kagome melhor, teria omitido a infor mação. Porque bastou ele recomendar que fechasse os olhos para ela fazer justamente o contrário. Se antes se rendera à curiosidade de conhecer um pirata de perto, agora ela queria ver um homem nu em pêlo.

Com as pálpebras semicerradas para disfarçar, Kagome pro curou concentrar sua atenção no pirata que lhe pareceu mais bonito. Um de cabelos longos e castanhos. Ela o viu livrar-se da camisa e esperou, ansiosa, que tirasse a calça. Como se adivinhasse que estava sendo observado, ele hesitou e olhou em direção a sua rede. Rapidamente, Kagome apertou os olhos para entreabri-los em seguida. E nesse instante, arregalou-os para tornar a fechá-los. Não podia acreditar que fora capaz. Ela, uma jovem donzela, acabara de ver o que apenas as mu lheres casadas deveriam ter a oportunidade: o membro de um homem.

O que ela não esperava era estar sendo observada por sua vez. Ao virar para Inuyasha seu coração quase parou. Seus olha res cruzaram e ele lhe sorriu e fez um gesto de que merecia uma palmada.

Logo depois, os lampiões foram apagados e Kagome procurou se acomodar na rede. Mas por mais que soubesse que iria di vidi-la com Inuyasha, não pensara que seus corpos fossem ficar tão juntos. Por mais que tentasse não encostar nele, acabava escorregando para cima de suas pernas ou de seu peito. E Inuyasha, para não parecer abusado, lutava para não mexer os bra ços com receio de tocá-la.

— Não adianta — ele sussurrou no escuro. — Temos de dormir assim.

Sei que é desconfortável, mas não há outra ma neira de se acomodar em uma rede.

Inuyasha passara várias noites de pé, acorrentado a uma pa rede, ansiando pelo conforto de sua rede. Agora que seu sonho se transformara em realidade, ele não pretendia dormir feito uma estátua.

— Desculpe importuná-la, mas eu não consigo encontrar uma posição. Posso esticar meu braço e colocá-lo sob sua ca beça? — Inuyasha perguntou por fim.

— Pode — Kagome respondeu baixinho e ele não se moveu. Não era a primeira vez que notava que Inuyasha não ouvia muito bem. Fez que sim, então, e ele sorriu.

Inuyasha não a estava importunando em absoluto. O braço servia-lhe como um travesseiro e ela estava gostando de sentir o cheiro de sabonete que se desprendia daquela pele dourada.

Em poucos instantes, Kagome o ouviu ressonar. Inuyasha es tava realmente exausto. Ela, contudo, não conseguia conciliar o sono, vencida pelas emoções.

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— Não consegue dormir? — ele perguntou após o que pa receram horas para Kagome. Ela fez que não. — Não é de se ad mirar! Uma moça com sangue nobre presa em um navio pirata!

— Não diga mais isso! — Kagome protestou. — Sou um ser humano como outro qualquer e é natural que sinta medo quan do não sei o que será de mim, independente de quem sejam meus antepassados.

Inuyasha mostrou-se sério. Ele parecia um homem de prin cípios. Era difícil acreditar que fosse um malfeitor.

— Confie em mim. Eu disse que poderia voltar para sua casa e não descansarei enquanto não cumprir minha palavra. Poderá levar algum tempo, mas eu a tirarei daqui.

— Não é uma questão de confiança, mas de ser realista. Temo que você não consiga. Por maior que seja sua vontade de me tirar daqui, não vejo nenhuma saída para minha situação.

— Eu a levarei de volta.

— Assim como prometeu que não me traria a bordo?

— Não foi minha culpa que o capitão se sentisse atraído por você.

— Exatamente o que estou tentando dizer. Por melhores que sejam suas intenções, não está em seu poder me libertar. E esse pensamento me apavora.

— Não acredita que eu seja capaz de salvá-la? — Inuyasha perguntou mais frustrado do que zangado.

— Por mais que se esforce você não é onipotente. - Inuyasha se sentou com tanto ímpeto que eles quase caíram da rede. Estava zangado. Zangado pela capacidade de dedução de Kagome. Porque era verdade que ele queria protegê-la, que estivera tentando convencê-la de que era capaz de salvá-la de qualquer perigo, mas ele sabia, no fundo, que grande parte de sua atitude devia-se ao desejo infantil do fundo de seu coração de conquistá-la.

Era duro admitir, mas ele não se lembrava mais da última vez que não medira esforços para impressionar uma mulher. Tolo que era, estava correndo o risco de se apaixonar e não ser correspondido. Porque uma nobre, mais do que as outras, não iria aceitar as atenções de um pirata. Muito menos de um pirata com dificuldade de audição que fora abandonado quando criança.

Inuyasha parou de respirar ao sentir a face macia roçar em seu peito. Queria que Kagome parasse de se mover e torturá-lo, mas não tinha coragem de acordá-la. Sua sorte era ter jurado nunca mais se envolver com mulheres ou não resistiria à ten tação. Porque sabia muito bem o que aconteceria se ele tocasse nos seios que descansavam no corpo dele, se erguesse a cabeça e pousasse seus lábios nos dela. Rejeição. E a última coisa de que ele precisava na vida era mais uma cicatriz em seu coração.

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— Não consigo acreditar que minha própria mãe me chamou de covarde — Onigumo se lamentou. Ninguém parecia entender sua decisão de esperar em casa até que os caçadores de piratas encontrassem sua noiva. Ele não sabia pegar em um arma. De que forma poderia ajudá-los?

— De que outro nome eu deveria chamar um homem que busca consolo nos braços de outras mulheres enquanto a noiva está à mercê de piratas?

— Cada um procura consolo para sua desgraça da maneira que acha melhor — Onigumo protestou. — Eu preciso me dis trair para aliviar minha dor.

— Que dor, que nada! Um noivo decente tentaria ao menos descobrir o paradeiro de sua futura esposa.

— E arriscar a vida no mar para encontrá-la?

A mãe de Onigumo se levantou da cadeira com a pose de uma rainha ao deixar seu trono. Não era alta, mas parecia maior que o filho em sua altivez.

— Não se envergonha de humilhar seus pais? Como acha que seu pai e eu nos sentimos quando monsieur Higurashi bateu a nossa porta para saber quais tinham sido nossos procedimen tos na localização de sua filha? Como acha que eu me senti quando ele perguntou o que você pessoalmente estava fazendo para trazê-la de volta e eu tive de dizer absolutamente nada!

— Que diferença faz o que o pai de Kagome pensa? Ele vive como um camponês e...

— Ele é um nobre! — a mãe exclamou. — Algo que nosso dinheiro não pode comprar! Você é nossa única chance de con seguir um título. Eu confiaria essa missão a um outro filho se o tivesse, mas infelizmente você é a única esperança desta fa mília e se os Higurashi decidirem que você não é digno de receber a mão da filha deles em casamento, passaremos mais uma ver gonha por sua causa.

— Mais uma vergonha? — Onigumo repetiu, indignado. — Ah, está se referindo ao episódio em que fui enganado quanto à idade daquela criatura? Não tive culpa se ela mentiu para merecer minha atenção e meus presentes.

A mãe fechou os olhos e balançou a cabeça.

— Tome juízo, meu filho. Comporte-se como um homem disposto a lutar até a morte pela honra de sua noiva. Clame vingança contra os piratas. Mostre-se furioso pelo que está acontecendo e jure que não descansará enquanto não tiver sua noiva de volta em segurança.

— O mundo não é justo com os homens — Onigumo recla mou. — As mulheres não precisam se preocupar com nada. Caminham ao sabor da brisa na certeza de que terão os homens sempre a seus pés para mimá-las e protegê-las. A carga ficou inteira para nós. Temos de sustentá-las e não podemos medir esforços se queremos que elas nos aqueçam o leito. E o que ganhamos se não queremos arriscar nossos pescoços para tirá-las de uma encrenca? Críticas e mais críticas. Às vezes eu de sejaria ter nascido mulher. A preguiça para elas é uma virtude.

— O que você faz, meu filho, para ganhar a vida? - Ele pensou por um instante e encolheu os ombros.

— No momento nada. Mas a maioria dos homens...

Fosse a conversa da mãe ou a esperança que acalentara de ter uma moça bonita como Kagome todas as noites em sua cama, mas Onigumo passou a se sentir realmente mal com a situação. Ele preferiria que Kagome fosse loira ou morena, em vez de ter aqueles cabelos entre o fogo e a canela, mas seus olhos azuis eram deslumbrantes e mesmo a cor dos cabelos combinava com sua pele alva e acetinada..

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Quando acordou, Kagome estava sozinha na rede e em todo porão. Todos os homens haviam se levantado para cuidar do navio. Dava para ouvir suas vozes e as canções que canta vam enquanto limpavam o convés e lidavam com as velas.

O dia estava escuro. Kagome sentiu um arrepio ao espiar pelas escotilhas e descobrir que chovia. Voltou à rede e pegou o cobertor para jogá-lo sobre os ombros. Pensou nos homens expostos ao vento frio e à chuva e lamentou-lhes falta de sorte, em bora fossem piratas.

Um pano branco no chão despertou sua curiosidade. Ela se abaixou para pegá-lo e viu que estava cheio de biscoitos. Inuyasha colocara-o ali para ela.

Kagome andou de um lado para o outro na tentativa de se aquecer. Gostaria de um banho e de roupas limpas, mas entre o querer e o poder havia uma grande distância. Por outro lado, era preciso ter coragem e reconhecer que sua situação poderia estar pior. Todos aqueles homens haviam se levantado cedo e estavam trabalhando expostos às intempéries enquanto ela con tinuara dormindo em uma rede.

Ela quase deu um pulo de susto quando a porta abriu. Mas era apenas Inuyasha, molhado de chuva, trazendo-lhe mais al guma coisa de comer.

— Almoço? — Kagome espantou-se. — Eu estava prestes a tomar o desjejum que você me deixou.

— É meio-dia — Inuyasha informou. — Só acordou agora?

— Sim.

— Imagino que seja difícil calcular as horas quando o dia amanhece nublado. — Inuyasha esfregou os braços. — Está fazendo frio.

Kagome precisou conter um súbito impulso de ir até ele e enxugá-lo com o cobertor.

— Obrigada por me alimentar.

Ele sorriu e pareceu ainda mais bonito.

— Não me agradecerá depois de provar. Por que não se senta? Eu lhe farei companhia.

Ele era gentil e delicado para um foragido da lei. Estendeu o pano para servir de toalha e colocou sobre ele a carne-seca e um pedaço de pão.

Ela se sentou sobre as pernas com feminilidade e tentou entabular uma conversa.

— Por que usa seus cabelos tão curtos? .

— Não foi por minha vontade. Eles foram cortados na pri são. Acho que fazem isso para nos humilhar, mas eu confesso que gostei e que passarei a conservá-los curtos.

Kagome também preferia. Detestava a moda de perucas até os ombros.

— Por que corta sua barba? Não gosta de usá-la longa? - Inuyasha fez que não com a cabeça.

— Dá coceira.

Era a primeira vez que ocorria a Kagome que barbas realmente deveriam incomodar os homens.

— Foi o carcereiro quem cortou seus cabelos?

— Não. Foi o caçador.

A resposta deixou Kagome perplexa.

— Kouga?

— Sim, seu querido amigo.

Kagome percebeu um brilho de animosidade nos olhos de Inuyasha e se apressou a contar a verdade.

— Ele não é meu amigo querido.

— O que ele é?

O que ela poderia responder se não sabia? Se nunca pensara a esse respeito?

Admitia que se sentira atraída por Kouga e que se entregara a fantasias para dar vazão ao aborrecimento de um noivado que não desejava. E Kouga correspondera a seu interesse, apesar de sua indisponibilidade. Mas se era pre ciso descrever o relacionamento que existia entre eles, a res posta era nada. Kouga Wolf não significava nada em sua vida. Ele não era seu amigo, nem seu amante, nem seu noivo.

— É apenas um morador da ilha de St. Pierre como eu. Somos meros conhecidos.

Inuyasha não acreditou em Kagome. Ela era bonita demais para ter um envolvimento platônico com um homem. Porque qual quer que fosse a camada social a que um homem pertencesse, era sempre a atração física que o levava a procurá-las. Talvez fosse verdade que Kagome não o queria, mas ele não tinha ne nhuma dúvida de que Kouga Wolf a desejava.

— Eu teria mais cuidado com minhas amizades em seu lu gar. Um sujeito que ganha a vida prendendo e matando pessoas que nunca lhe fizeram nenhum mal em troca de algumas moe das de ouro não deveria fazer parte da lista de relacionamentos de uma pessoa decente.

O que Kagome poderia responder? Kouga sentia orgulho por seu trabalho de livrar inocentes de vilões. O problema era que ela estava nas mãos de um daqueles chamados vilões e não fazia nenhuma questão de julgar quem era o certo na situação.

— Como você se tornou um pirata?

— Nasci em um palácio, mas me cansei de viver confinado, atado às regras, sem nunca saber se as pessoas gostavam de mim pelo que era ou pelo meu título. Então decidi buscar aven turas e tentar descobrir meu verdadeiro eu. — Inuyasha não conseguiu concluir a frase.

— É claro que é mentira. Minha família era muito pobre e não conhecia meios honestos de ga nhar por seu sustento. — Ele se deteve e olhou para Kagome. — O que esperava que eu dissesse?

— Que a primeira versão era real — Kagome respondeu e os dois se puseram a rir. Estavam tão alegres, de repente, que antes que Inuyasha se desse conta, ele havia tocado a mão de Kagome.

Ela parou de rir instantaneamente. Suas faces enrubesceram. Inuyasha ficou fascinado ao vê-la assim. Kagome estava adorável, ele gostava de ver uma mulher acordar, ao natural, com os cabelos soltos, sem artifícios.

— É verdade que está noiva? — Inuyasha perguntou em se guida. — Ou disse isso apenas para se proteger de meus su postos avanços?

— Sim, é verdade — Kagome respondeu com um suspiro. — Ele se chama Onigumo. É o homem mais rico da ilha.

A confissão fez Inuyasha refletir. Kagome não parecia ser do tipo que casava por dinheiro.

— Um noivado de conveniência?

— Sim. — Ela tornou a suspirar e dessa vez Inuyasha segu rou-lhe a mão entre as dele.

— Por quê?

— Porque é meu dever como filha. — A lembrança trouxe rigidez ao semblante de Kagome. — Minha família é sagrada para mim. Eu faria qualquer coisa por eles.

Ele já sabia que Kagome não amava o noivo. O que não con seguia entender era o papel de Kouga Wolf na vida dela.

— Ao menos ele será um bom marido?

— Tenho certeza de que não.

— Mas não faz sentido...

— O problema é nossa situação financeira. Apesar do título, meu pai não tem dinheiro nem sequer para comprar sapatos para minha irmã ou ração para os cavalos. Quero lhes dar con forto por tudo que fizeram por mim e quero ser um exemplo para minha irmãzinha. Rin é uma boa menina, mas às vezes desobedece nossa mãe. Temo que sua personalidade lhe traga dificuldades no futuro. Ela tem o espírito livre e sofrerá se não aceitar a idéia de que não está em seu poder escolher seu des tino. Eu quero lhe provar que é possível ser feliz apesar dos deveres que temos a cumprir.

A cada minuto, Inuyasha sentia que respeitava e admirava mais a jovem que salvara sua vida. Porque além de linda e inteligente, ela era uma pessoa de caráter e de bom coração. Qualidades que ele poucas vezes testemunhara nas pessoas. Ela não percebia mas era capaz de trazer luz em meio às sombras. Era lamentável que uma pessoa sensível como Kagome tivesse de casar por razões erradas.

— A vida é uma só. Tem certeza de que deve entregá-la a alguém que não merece nem ao menos seu respeito?

— Quero o bem de minha família.

— Não há outra maneira de ajudá-los?

— Eu me tornar uma pirata e lhes oferecer um tesouro? — Ela sorriu, tentando desesperadamente mudar de assunto. — E você? Quantas mulheres deixou a sua espera em cada porto?

— Nenhuma.

O tom e a fisionomia de Inuyasha endureceram. Parecia im possível de ser verdade, mas Kagome acreditou em sua palavra. Gostaria de dizer que ele era bonito demais para não ter ne nhum amor, mas não podia dar demonstrações de interesse.

— Não é o que corre pela ilha a respeito dos piratas — Kagome confidenciou. Mas ao desconforto de Inuyasha com re lação à conversa, resolveu não insistir. — Você tem família?

Pelo modo abrupto como ele negou com a cabeça, Kagome entendeu que havia tocado em um assunto ainda mais delicado. Penalizada, tocou-o no braço e isso foi a perdição dele. Porque entre a dor do abandono em um orfanato e a atração pela moça mais bonita e gentil que ele havia conhecido, não resistiu ao impulso de provar aqueles lábios rosados. Adivinhou que o receio, senão a surpresa, a faria recuar e segurou-a rudemente pelos cabelos, enquanto tocava rapidamente os lábios dela com o seu.

Kagome fitou-o, assustada. Estavam tão próximos que ela sentiu o calor da respiração acelerada. Não sabia se Inuyasha iria tornar a beijá-la. Ele poderia tornar a puxá-la pelos cabelos e depositar um outro beijo em sua boca. Inuyasha poderia fazer o que quisesse porque ela não tinha para onde fugir. Estava ansiosa por saber o que ele faria, quando o viu cerrar os dentes, estreitar os olhos e se levantar.

Ela pestanejou, aturdida. Ao vê-lo apoiar a mão no trinco da porta, levantou-se por sua vez.

— O que deu em você? — Inuyasha não respondeu e nem sequer se virou para encará-la. Indignada, Kagome atirou-lhe um sapato. — Não se atreva a sair daqui! E não se faça de surdo!

Em outras circunstâncias ele teria rido, mas estava tão frus trado por não poder se entregar ao desejo que Kagome lhe des pertara, que reagiu como nunca reagira antes.

— Acontece que sou surdo ou quase.

A revelação foi tão inesperada que Kagome ficou sem voz por um minuto.

— Mas você entende tudo que eu falo. Você também con versa com o capitão em espanhol e com seus companheiros em inglês! Como consegue?

— Eu leio os lábios.

— Deus, como você é inteligente! — Kagome exclamou, ad mirada. Mas em vez de agradá-lo com o elogio, deixou-o ainda mais zangado. — Não vá! Fique comigo — ela pediu, dessa vez.

— Não posso. Não quero ser consolado. Estou nervoso.

— Por causa do beijo? — Kagome era sempre direta. Não pretendia mudar seu comportamento. — Eu não fiquei zangada com o que você fez.

— Por causa de tudo — Inuyasha desabafou. — Você é filha de um escudeiro e está noiva de outro homem. Não faz nenhum sentido.

Kagome olhou nos olhos dele.

— Não foi por causa de seu problema que eu não o beijei.

— Talvez não...

— Mas foi a primeira coisa que lhe passou pela cabeça. - Uma sensação estranha se apoderou de Inuyasha. Um ardor se instalou por trás de seus olhos e ele teve a impressão de que ficaram molhados, não resistindo mais aos sentimentos que voltaram a assombra-lo desabafou.

— Tive uma infância tenebrosa. Fui entregue a um orfanato, espezinhado e maltratado. Fugi quando alcancei idade suficien te para sobreviver pelas ruas.

— Nunca ninguém o amou? — Kagome perguntou baixinho. Ele tentou sorrir, mas foi mal sucedido em sua intenção.

— Digamos que nenhum pai quis entregar uma filha para mim. — Quando se sentia muito só, Inuyasha contratava uma mulher para lhe fazer companhia, mas não era algo que ele pudesse contar a uma moça como Kagome.

— Como conseguiu escapar daquele lugar horrível?

— Um mercador precisava de mão-de-obra barata para tra balhar em seu navio e me tirou e a alguns outros meninos do orfanato onde vivíamos.

Kagome se lembrou da conversa sobre o homem chamado Naraku.

— Ele se chamava Naraku, não?

— Sim.

— A vida com ele foi melhor? - Inuyasha suspirou.

— Ele nos surrava por tudo e por nada.

— Estou certa ao deduzir que Miroku, Sesshoumaru e os outros dois estavam entre esses meninos?

— Sim. Nós escolhemos nos tornar piratas quando o navio de Naraku foi pilhado. Não quisemos morrer como os outros.

Um estremecimento sacudiu Kagome. Então era verdade. Os piratas matavam aqueles que se recusavam a segui-los. Não havia saída. Não podia culpá-los. Estivesse no lugar de Inuyasha, ela teria feito o mesmo.

— Você gosta desta vida?

— Foi a melhor que conheci.

— Nunca teve ninguém que o amasse? Ninguém? - Ele negou com a cabeça.

— Eu apenas vivo. Um dia de cada vez. Procuro não pensar.- Kagome recordou os momentos ao lado dele na prisão e o modo como fora usada como um mero instrumento de escape. Mas recordou também que ele vinha tratando-a quase como um cavalheiro quando isso estava ao seu alcance. Um ser que fora criado sem amor, sem família. Que fora obrigado a se transformar em um pirata. Deveria ser algo inato. Uma bon dade interior que não precisara ser ensinada.

Kagome estendeu a mão e tocou-o no rosto. Era algo que sentia que devia fazer.

— Kagome, não quero sua piedade — ele murmurou com tanta tristeza no olhar que ela se viu corrigindo-o.

— Não é piedade, é admiração.

Kagome não sabia beijar, mas se aproximou para que Inuyasha a ensinasse. Ele entendeu o convite, mas não se deixou, arre batar pelo instinto.

— Você tem certeza?

Kagome sentiu o ar ficar preso em seus pulmões. Jamais sen tira tanta atração por um homem. De corpo e de alma. Sorriu e ele sorriu também. Inuyasha queria acreditar que sua sorte poderia mudar algum dia. Kagome estava despertando uma nova esperança em seu coração. Uma tola esperança em vista de quem ela era e de quem era ele.

— Você sabe o que está fazendo? A que seu convite pode levar?

Os joelhos de Kagome tremeram.

— Não exatamente — respondeu sincera. — Mas prefiro que seja você, não Onigumo, a me ensinar.

Como um homem poderia resistir a um convite como aque le? Inuyasha inclinou-se e pousou os lábios nos dela em um beijo longo e suave, mas ao mesmo tempo ardente.

OoOoOoOoO

MEEOOO.. Eu sou apaixonada por esse Inu! Tão frágil e fofo.. Tem coisa mais linda da tiia?! Haha.. Kagome sempre Safadhenha em minha opinião.. Kouga mostrando as asinhas, o passado de Inu e um pouco mais sobre nosso maravilhoso herói!.. Espero que estejam gostando hein?!.. Miil beijos e continue comiigoo!

LEMBRANDO 6 REVIEWS CAP NOVO NA HORA!

Manu Higurashi

Uiii.. vão esquentar messsmoo.. Próximo cap hot hot hot! Hahaha!.. Espero que continue gostando queriida!.. Miil beijos

Evelyn

Espero que tenha gostado.. O capitão aceitou bem até, você não acha?!.. Ele vai brigar com ela.. OOH se vai, mas não necessariamente com Riten!.. Miil beijoos queriidaa! E continue comigo!

Pri

O Inu a quer muuiiiito hahaha!.. Vai esquentar mesmo amigaa!.. Proximo cap hot hot hot!.. Espero que tenha gostado.. Miil beijoos

Carol

Oii, queriida.. Obrigada por ler e comentar a fic!.. Espero ter saciado sua ansiedade com essa cap.. Pelo menos um pouco neh?! Haha.. Tomara que tenha gostado desse cap também queriida.. Miil beijoos

Flor do Deserto

Oii review numero 12 haha!.. Postei hein! Que ótimo que gostou da história, espero ter atendido seu pedido, uma história de época!.. O capitão aceitou muito bem.. "Apenas o capitão" haha!.. Miil beijos querida e continue comiigo!

Taty

Oii querida seja bem vinda, espero que continue a gostar da fic ok?!.. Miil beiijoos

Jekac

Oii queriida, que ótimo que gostou, e espero que tenha curtido esse cap também..! Miil beiijoos!.. E que a coragem não falte nunca haha!

Neheneria

QUE ÓTIMO MEOOO! *-* Pois é, apesar de safadhenha, ela é beem bobinha.. Achei esse Kouga super parecido com o Kouga do anime, o jeitão convencido é idêntico! MENINA!..A primeira vez que eu li também imaginei que ele fosse o capitão, que seria uma daquelas histórias de piratas, em que o capitão a deixa confinada em sua cabine, e a vai conquistando apesar de ser rude (como todo capitão).. Mas nesse cap você descobriu o fofo que o Inu é, e que a história não é bem assim.. Espero ter acabado com sua curiosidade queriida!.. Miil beijos e continue comiigo!