PAPER LOVE
Disclaimer da ManneVanNecker: Os personagens não me pertencen, eles são criação de Stephenie Meyer. A história é minha pelo o qual fica proibida sua reprodução parcial ou total sem meu consentimento.
Disclaimer: A história pertence a ManneVanNecker, que me autorizou traduzi-la para vocês.
Sinopse: Edward é um garoto tímido que sobre de tartamudez, sua gêmea Rosalie o defende diante dos valentões do colégio. Ele se surpreendeu diante da chegada de uma garota que rompe as expectativas do resto e decide conversar, superando o medo do exílio social.
Capítulo 13 – Testemunho
(Tradução: Ju Martinhão)
Edward estava cansado de tanto correr, chegou ao seu Volvo e sentou-se naquele confortável banco de couro. Por mais que quisesse se acalmar, era impossível: ainda não conseguia tirar da sua cabeça as imagens mentais de Wallace ao lado do corpo da sua avó.
Durante anos ele se perguntou o por que de tudo o que tinha acontecido, até que depois de difíceis eventos chegou à conclusão quando era tarde para ele.
A insegurança de Edward era um grande obstáculo em sua vida, e continuava sendo agora, ele não tinha ideia para onde ir e tudo o que desejava era esquecer os pedaços daquelas lembranças amargas que viveu, então ele deu curso à sua fuga indefinida e seguiu para uma das praias vizinhas: La Push.
Bella tirou o casaco e deixou-se cair em sua cama. O dia tinha sido estranho, na verdade, a maneira como Edward agiu com ela era algo que a tinha deixado um pouco desconfortável, sua maneira de falar e de dizer adeus foram algo que não lhe tinham dado uma boa percepção.
Ela evitou pensar naquilo enquanto afundava seu rosto no travesseiro macio e tentava esquecer o resto do mundo, depois de tudo, a vida em Forks era maravilhosa apenas por Edward.
— Bella! — Emmett gritou do primeiro andar.
A exausta garota não respondeu ao seu irmão.
— Bella! — Ele disse novamente.
— O que você quer? – Ela grunhiu enquanto voltava a afundar sua cabeça naquele travesseiro macio.
— Eu vou lavar roupa, mamãe disse para você descer e colocar a sua no cesto. — Emmett gritou enquanto começava a pressionar os botões como louco.
Ele nunca tinha usado uma máquina de lavar e não tinha a menor ideia de como usá-la, mas se ele queria conseguir permissão para sair com Rose no próximo fim de semana, ele teria que colocar todo o seu esforço.
Bella, sem ânimo, levantou da sua cama, pegou seu casaco que havia caído no chão e o levou junto com outras roupas para jogá-lo na máquina de lavar.
As escadas pareciam intermináveis, ou talvez seu ânimo estivesse tão especial que tudo parecia aborrecido.
— Você não vai verificar os bolsos? — Emmett disse ao ver o rosto sonolento da sua irmã.
— Certo. — Disse Bella.
A garota colocou a mão no bolso para tirar dali o seu celular, um par de papéis e um pacote de chiclete, enquanto no outro bolso ela encontrou um papel perfeitamente dobrado. Ela ficou surpresa ao ver aquilo ali, já que não se lembrava de tê-lo, mas subiu sem dizer nada a Emmett, pois era melhor assim.
Ela virou o papel e nele notou a linda letra de Edward, que havia deixado seu nome estampado ali: Bella.
A garota ficou emocionada ao ver que seu amado namorado havia deixado um bilhete para ela, talvez tivesse algo a ver com seu comportamento estranho, talvez explicasse através dele o que havia acontecido...
A ansiedade a levou a rapidamente fechar a porta do seu quarto e sentar na cama para desdobrar de uma vez o papel e preparar-se para ler.
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Bella.
Eu me sinto um covarde em fazer isso, mas o tempo em que estive com você tem sido muito bonito e agradeço a você por isso, de certa forma você foi capaz de me aceitar como eu sou e dar-me forças para eu me aceitar, mas já não posso mais...
Sei que depois disso não merecerei sua compreensão, muito menos o seu perdão, eu só peço que você não sofra por isso, eu sei que cedo ou tarde você vai superar, eu realmente espero que seja mais cedo do que tarde, já que eu não tenho sido capaz de cumprir de nenhuma forma suas expectativas e espero não causar mais danos.
Não posso continuar fingindo que sou feito para você. Não, é claro que não, uma mulher como você merece algo muito melhor do que eu posso dar, acredite em mim que isto é mais por você do que por mim, mas acredito conhecer você o suficiente para saber que você não aceitará estas explicações tão vagas e vai querer saber mais, então eu devo parar por aqui.
Esta é a minha decisão, espero que você a respeite. Eu não sou capaz de abrir o meu mundo tão bem e ainda não entendo como você foi capaz de entrar nele desta forma. Mas devo assumir tudo isso e encarar a mim mesmo, você não pode estar comigo cada vez que eu tenho um colapso porque não é saudável para você e também não é necessário.
Isto não pode continuar, eu realmente não posso duvidar de você a cada segundo só porque eu sinto que não mereço, assim como também não peço que você me entenda, porque sei que isso é algo muito improvável, você nunca poderá se sentir como eu me sinto e poderá estar lá para mim cada vez que eu precisar, eu acabarei consumindo sua vida de maneira egoísta e sem sentido.
Pelo amor que eu sinto por você, eu digo: Procure algo melhor.
Eu te amarei e me lembrarei de você como uma grande amiga, mas eu não posso oferecer mais do que isso.
Edward.
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Bella deixou cair o papel no chão e as lágrimas já não eram contidas pelos seus olhos, aquela dor foi se espalhando por todo o seu peito, impedindo-a de respirar, ela estava se afogando em seus próprios sentimentos e a falta de ar a estava deixando tonta.
Ele não... realmente, ele não.
A pobre garota não conseguia entender nem uma palavra do que Edward tinha tentado expressar e se sentia muito mal com isso. Ela estava absolutamente destruída, como se Edward fosse aquele motivo de vida que tivesse encontrado depois de passar por momentos difíceis e novamente voltava a se sentir assim: completamente sozinha.
Emmett, ao subir as escadas, escutou o choro inconfundível da sua irmã e decidiu entrar no quarto, encontrando-a cobrindo o rosto enquanto continuava gemendo e chorando.
Sem perguntar o por que de tudo, ele a abraçou instintivamente, confortando-a e dando-lhe o apoio que ela precisava naquele momento.
O calor do seu irmão a inundou e, pela primeira vez em anos, ela agradeceu que Emmett estivesse ali.
A tranquilidade do mar havia feito com que Edward retornasse ao seu estado normal, ele podia se sentir confortável com tudo o que o rodeava e se sentia inundado por aquele som requintado de ondas batendo nas rochas.
Bella já tinha lido a sua carta? Era a pergunta que atormentava seus pensamentos agora. Aquela carta tinha sido cruel, mas ele a amava mais do que tudo no mundo e realmente não queria machucá-la, ele tinha uma vida que não merecia ter Bella.
O estigma de ser uma aberração o impedia de estar com ela, realmente desconfiar de quem se ama era injustificável e não levaria a nada de bom.
Edward tinha comprovado que a confiança cega em outra pessoa não era saudável, era realmente destrutiva e ele não queria causar mais danos, muito menos dar asas para algo que ele sabia que acabaria mal, pois ele não poderia ser perfeito.
Ele sentiu a vibração do seu celular no bolso da sua calça, com certeza era seu pai que estava tentando localizá-lo, a esta altura já não era segredo que ele havia fugido do consultório de Jasper, mas ele estava errado, o número que aparecia no seu celular era o de Rosalie. Por um momento ele hesitou em atender, mas depois pensou que seria necessário para evitar preocupações por parte da sua mãe.
— Olá? — Edward atendeu, inseguro.
— O que diabos você fez para Isabella? — Rose disse como saudação. — Ela está chorando trancada em seu quarto, sem querer soltar Emmett, que a está consolando há horas.
Edward suspirou, ele nunca pensou que poderia afetá-la tanto com aquela grosseira decisão, agora realmente parecia grosseira, mas necessária.
— É-é o-o me-melhor. – Ele disse com um fio de voz, que se misturava às ondas.
— Edward Anthony Cullen! — Rose gritou. — Eu exijo imediatamente que você coloque a sua bunda estúpida nesse maldito Volvo e venha aqui para dar uma explicação como convém à Bella!
O garoto de cabelos cobre fechou os olhos e afastou um pouco o telefone do seu ouvido, ele sabia que depois de tudo deixar Rose irritada dessa maneira implicava em surdez por dias.
Ele tentou se acalmar, já que sua irmã realmente estava certa: Não havia sido a melhor maneira e de alguma forma ele deveria corrigir isso.
— E-eu o farei, m-mas n-não a-agora. – Ele sussurrou novamente.
— Olhe, Edward. – Rose disse alterada. — Não há nada que me incomode mais do que ver um idiota com um bilhete falso dizendo: "Isto é o melhor para ambos", e não dê nenhuma explicação adicional a uma garota decente. Seja homem de uma vez e diga a Bella tudo o que passa pela sua mente distorcida, mesmo que você fique três horas tentando. Você o fará! Ela merece isso, pelo menos, e eu não me importo que não saia palavra nenhuma da sua boca, porque eu as tirarei, nem que seja por empurrões, se for necessário. – A loira gritou, ela estava realmente irritada.
Ela sabia que Edward não estava bem, mas não era motivo para terminar com Bella, ainda mais daquela forma. A garota era muito boa com seu irmão e não merecia aquele tratamento, na verdade, seu irmão gêmeo também não agia assim, não regularmente, portanto, as decisões que o levaram a fazer aquilo eram sérias.
Ela não lamentou ser dura com ele e enfrentá-lo, já que ele realmente merecia.
O garoto levantou-se da areia, limpou seus sapatos e calças. Ele se armou de coragem para enfrentar Bella, pensando nisso ele deu partida no Volvo.
Jasper havia contado tudo o que tinha acontecido para Carlisle, com a intenção de que ele pudesse entrar em contato com Edward.
O jovem médico não esperava uma reação tão visceral do mais novo dos Cullen, mas aparentemente ele não o conhecia o suficiente para assumir coisas sobre Edward.
Vendo que Carlisle também não tinha feito contato com seu filho, ele decidiu fazer uma exceção e ligou para Alice para que o ajudasse neste caso.
— Amor. – Ele sussurrou em seu escritório.
— Jazz! Como você está? Você está no trabalho? – Alice perguntou ansiosa, ela estava naquele momento chegando em sua casa depois de uma tarde cansativa.
— Sim, amor. – Ele respondeu desconfortável ao ver o entusiasmo de Alice. – Preciso te pedir uma coisa.
— Diga-me. — Alice sorriu, deixando as sacolas de compras no sofá.
— Eu quero que você entre em contato com Rosalie ou Bella para saber de Edward, ele fugiu da consulta que teríamos e estou preocupado com ele. Você poderia fazer isso por mim, sem contar aos outros?
— Claro que posso. — Alice sorriu. – Ligarei para Rose e verei o que posso fazer.
— Obrigado, docinho. – Jasper soprou-lhe um beijo pelo telefone.
— De nada, nos vemos em breve. – Alice riu ao lembrar que hoje Jasper viria jantar em sua casa.
O caos que havia na casa dos Swan era enorme. Emmett tinha conseguido acalmar Bella, que também decidiu soltá-lo e deixar-se ser levada pelo seu irmão até a cama, enquanto Rosalie, que estava na cozinha, preparava uma xícara de chá de camomila para sua amiga para acalmar seus nervos e poder ficar mais relaxada, especialmente porque ela sabia que seu irmão chegaria em poucos minutos.
Bella sentia seus olhos inchados, sua garganta seca e uma terrível dor de cabeça, causadas pelas longas horas de choro, a força das suas mãos tinha ido embora e agora havia uma espécie de cãibra nelas pela forte pressão exercida nas costas do seu irmão, ela se sentia realmente cansada e a dor era cada vez maior.
Edward estacionou seu Volvo do lado de fora da casa dos Swan, não ficando surpreso ao ver ali também o carro da sua mãe, certamente Rose havia pedido a ela ao saber da má decisão dele de terminar com Bella.
Rose abriu a porta e ficou surpresa ao ver seu irmão ali, ela não o convidou a entrar, apenas o deixou ali parado com a porta aberta, para Edward era evidente a irritação de sua irmã gêmea, então ele não fez perguntas e fechou a porta atrás dele.
Emmett ao descer e encontrar-se com aquele que continuava sendo seu cunhado não disse nada, apenas deu-lhe um olhar de desprezo que expressava toda a raiva que sentia e sentou-se no sofá.
— V-vou s-subir. – Ele disse ao sentir-se tão ignorado.
Nem Rose e nem Emmett quiseram responder, ambos estavam chateados com ele, então ele subiu as escadas sem mais.
O nervosismo se apoderava do seu corpo de forma esmagadora, ele não se sentia confortável o suficiente para enfrentá-la e a clareza da sua decisão tinha desaparecido, agora ele se perguntava se valia a pena ter feito tudo aquilo, talvez Bella tivesse sofrido muito mais com a sua decisão do que poderia ter sofrido com ele.
Mais uma vez ele se sentiu um idiota indigno do amor de Bella...
Ele detestava sua condição e repudiava a si mesmo quando se encontrou no limiar do quarto de Bella.
A morena estava enrolado na cama, olhando pela janela sem perceber a presença de Edward em seu quarto. Ela soltou um suspiro involuntário e uma espécie de soluço que o fez recordar todo o tempo que ela tinha chorado.
— B-Bella. — Edward sussurrou ainda parado a metros da cama da garota.
A garota sentiu como seu coração acelerava e pensou mais uma vez que sua mente estava brincando com ela, ela se virou em seguida para encontrar-se com Edward ali.
— A-acho. – Ele sussurrou. – Q-que t-te d-devo e-expli-plicações. – Ele gaguejou.
Bella não podia acreditar que ele estava ali, corando e olhando para baixo, ela não foi capaz de mencionar nenhuma palavra, apenas com a mão apontou a cama para ele se sentar ali.
Depois de alguns minutos, Bella decidiu quebrar o silêncio desconfortável.
— Estou te ouvindo. – Ela sussurrou ao ver que Edward não dizia nada.
O coração de ambos batia ruidosamente. Bella estava impaciente, ela realmente não queria ouvir a mesma coisa que tinha lido naquele papel, ela não seria capaz de suportar da boca dele, mas ainda assim ela calou todos os seus medos e deixou Edward falar.
— N-não s-sei p-por o-onde c-começar. – Ele hesitou. – M-mas a-acho q-que n-não s-serei c-capaz de f-falar. – Ele sussurrou nervoso.
Ele não se sentia capaz de expressar em voz alta, ele sabia que isso era mais difícil do que chegar e soltar tudo. Edward não podia falar sem pensar no que havia acontecido e sentiu-se terrível.
— Escreva. – Bella o incentivou.
A garota entregou-lhe um caderno com um lápis.
— Será melhor. – Ela sussurrou ao ver que Edward tinha aceitado e suas mãos haviam roçado, produzindo um efeito elétrico por todo o seu corpo.
Com as mãos trêmulas, Edward escreveu no papel por um longo tempo, sem dar trégua à sua mão, esgotando até o último pensamento que cruzava sua mente, ele havia decidido abrir seu interior para Bella, era a única maneira de apresentar um pedido de desculpas que fosse capaz de absorver todo o dano que havia causado.
A garota estava atenta a Edward, olhando com certa curiosidade aquele papel, mas vendo que teria um longo tempo de espera, ela voltou a se apoiar na cabeceira da cama.
Assim que Edward terminou de escrever, ele o entregou a Bella e continuou sentado à espera de uma resposta.
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"Não é fácil o que vou lhe contar e não peço o seu perdão com isto, só peço a sua compreensão. Eu sei que agi como um tremendo idiota ao escrever aquele bilhete, mas estarei à sua disposição depois disso, será sua decisão fazer o que lhe convém com o que existe dentro de mim. Desde que assumi meus sentimentos por você, que pertenço a você de uma maneira estranha e, apesar de eu negar isso e tentar ficar longe do que certamente será um final ruim, não atinjo meu objetivo, eu retorno a você como se fosse um alfinete a um ímã poderoso.
Todos os problemas da minha gagueira se desenvolveram quando eu tinha sete anos.
Meus pais haviam saído uma noite para um jantar de médicos fora de Forks, minha avó, a quem carinhosamente nós chamávamos de Nona, tinha decidido ficar conosco para cuidar de nós. Rose e eu adorávamos compartilhar nossos dias com ela. Ela cuidava de nós e nos mimava muito, eu tinha um grande amor pela minha Nona e acho que essa é uma das coisas que eu valorizo como uma das poucas memórias felizes da infância.
Nessa noite eu não conseguia dormir, tínhamos ficado brincando com uns fantoches e, talvez, tanta felicidade me impedia de adormecer, então eu desci as escadas e fui para o quarto da minha Nona para ela me mimar um pouco mais. Rose dormia no mesmo quarto que eu, mas ela tinha conseguido dormir muito mais cedo.
Minha Nona me levou para a cozinha, sentou-me em uma cadeira enquanto cantarolava uma canção que sempre cantava para nós antes de dormir, agora lembro-me com prazer e de fato consegui criá-la no piano para ela.
Toda vez que eu não conseguia dormir, minha Nona preparava um leite morno com raspas de laranja e conseguia adormecer em questão de instantes, enfim, era isso o que ela estava fazendo para mim naquela noite.
Ao virar para entregar-me o copo, ele caiu das suas mãos, ela imediatamente levou a mão ao peito e caiu. Naquele momento eu não entendi o que estava acontecendo, eu não sabia que o que tinha acontecido era uma parada cardíaca, mas como meu pai sempre me ensinou que em caso de emergência deveria ligar para o 911, assim eu fiz.
Gritei muitas vezes para Rose, mas ela dormia profundamente e eu não queria me afastar da minha Nona sob quaisquer circunstâncias.
O médico que chegou para atendê-la me disse para confiar nele, que ele salvaria a minha avó, enquanto a enfermeira me perguntou se eu estava com outra pessoa em casa e me pediu para buscar Rose.
Quando nós três descemos, vi que o médico estava ali ao lado da minha avó, ele tinha deixado de fazer a massagem cardíaca e a enfermeira foi para o lado dele. Não me lembro bem o que foi que ela disse a ele, mas sei que sugeriu a ele uma medicação para estabilizar a minha Nona, o médico recusou e respondeu que ele sabia o que fazia e para que ela não interferisse em tais assuntos. Lembro-me claramente que ele a tratou mal e até a empurrou, foi então que eu vi que ele injetava uma solução diretamente na veia dela.
Eu gritei, chorei e esperneei até que consegui chegar até onde estava a minha avó, que ainda estava quente, ainda mantinha o seu calor, mas isso a estava deixando, agarrei-me com força ao corpo sem vida da minha Nona, não entendendo então o que havia acontecido.
Depois disso eu me senti excluído do resto, eu não conseguia olhar as pessoas nos olhos, não conseguia entrar na cozinha, não aceitava leite e não era capaz de suportar pessoas. Desenvolvi esse quadro de gagueira que é evidentemente por causa desse trauma e que deveria ter desaparecido com o tratamento que me foi dado, mas claramente isso era impossível.
O médico charlatão que tentava me curar da minha gagueira era amigo do meu pai, um amigo próximo da faculdade, mas esse cara era o mesmo que havia atendido a minha avó e que eu tinha certeza que a tinha matado.
Eu me recusei ao tratamento, mas por mais que eu sofresse com isso, meu pai insistia que conseguiria me curar de tudo isso. Eu me vi obrigado a comparecer àquelas traumatizantes sessões em que escutava uma e outra vez que eu era o único culpado pela morte da minha avó, que eu não merecia uma cura para o meu problema e que eu tinha sido um garoto estúpido em acreditar que ele havia assassinado a minha Nona, que ninguém acreditaria em mim e logo meu pai me abandonaria em um hospital psiquiátrico por ser um completo idiota. Isso era o que eu escutava em cada sessão com Joseph Wallace, um insulto após o outro, cada ameaça produzindo um efeito na minha cabeça que bloqueava todo o meu ser, era como se, de alguma forma, a voz dele conseguisse penetrar em mim e fosse repetida diariamente sem para na minha cabeça.
Ele me ameaçou milhares de vezes de machucar eu e Rose se eu falasse sobre o que ele me dizia, foi então que ele pediu ao meu pai que ele queria que Rose também fosse comigo na próxima sessão.
Pedi uma e outra vez ao meu pai que não fosse assim, que Rose não precisava ir, mas ele, talvez cego pela amizade de anos e pela confiança cega em Wallace, concordou em levar a minha irmã. Ambos fomos deixados sozinhos nessa sala enquanto meu pai falava com aquele maldito. Quando ele entrou no escritório, ele se aproximou de mim, amarrou minhas pernas e mãos à cadeira em que eu estava sentado, colocou um adesivo na minha boca e foi para a minha irmã, que olhava para mim apavorada e certamente não entendia o que estava acontecendo.
Ele então colocou suas mãos sujas nela e também colocou um adesivo na boca dela para evitar que ela gritasse enquanto ele corria o minúsculo corpo dela com aquelas mãos nojentas, ele a despiu enquanto Rose tentava gritar com todas as suas forças, sem poder emitir um som suficiente que fosse capaz de alertar o que acontecia ali, enquanto eu estava sentado ali sem poder fazer nada, impotente uma vez mais por ser o idiota mais inútil do mundo.
Aquele homem baixou as calças uma vez que tinha despido a minha irmã, com todas as minhas forças eu tentei me soltar daquela maldita cadeira, eu queria gritar, mas era impossível.
Foi horrível ver como ele sussurrava coisas para a minha irmã, como ele a tocava e a olhava. Eu tinha perdido a esperança e me sentia o ser mais miserável do mundo por causar tantos problemas, por ser a fonte do sofrimento daquela família, por ser um estúpido inútil, culpado de tudo.
Naquele momento eu não soube como se abriu aquela porta que estava trancada e a secretária de Wallace entrou junto com o meu pai naquela sala, encontrando ali aquele idiota miserável prestes a consumar o ato.
Então eu percebi que, dado o atraso da sessão, meu pai resolveu avisar que logo viria nos buscar, então ele pediu à secretária para avisar Wallave imediatamente para ver se ele poderia nos levar para casa, a confiança do meu pai chegava a este ponto com aquele homem que ele considerava como um irmão. A secretária, ao ver que estava trancada e conhecendo a relação entre Carlisle e Wallace, decidiu excepcionalmente abrir a porta, encontrando-se ali com aquilo.
Depois disso eu não podia sequer confiar no meu próprio pai, vê-lo me dava nojo, saber que ele poderia ser um deles foi um tormento por um par de anos.
As declarações da enfermeira que estava lá, na morte da minha avó, foram úteis na determinação de que ele tinha sido o assassino dela, injetando potássio na veia, produzindo então hiperpotassemia*, um efeito letal em uma pessoa que já teve uma parada cardíaca. Para os médicos e o legista havia sido inocente, já que não havia nenhum vestígio do seu crime, se não fosse por aquela enfermeira que falou após sentir-se segura de poder falar, já que ela também esteve sob ameaça, então assim foi possível elucidar a verdade.
*Hiperpotassemia: excesso de potássio, cuja principal manifestação é a debilitação da atividade cardíaca.
Meu pai foi encarregado de todos os assuntos jurídicos pelo que aconteceu, pela tentativa de estupro de um menor de idade, por me extorquir e ameaçar, por ter ameaçado a enfermeira de morte e pelo assassinato da minha avó.
Wallace está na cadeia, foi condenado a três prisões perpétuas, meu pai se arrependeu repetidamente por tudo o que causou sua extrema confiança naquele desgraçado.
Anos mais tarde, Wallace pediu para ver meu pai e ele concordou apenas porque o Dr. King, que se tornou o meu médico anos mais tarde, disse a ele disse que tinha algo muito importante a declarar, foi assim que entendemos as razões daquele canalha, tudo isso foi fundamentado na inveja.
Meu pai foi o primeiro da sua geração desde o primário até a universidade, ele tinha conseguido entrar na área de mestrado em Harvard, minha mãe havia decidido se casar com ele e era a garota mais popular da universidade, foi-lhe oferecido o melhor emprego em um hospital reconhecido onde Wallace foi aceito porque meu pai pediu, com o tempo Wallace cobiçava o cargo de Diretor do Hospital, cargo que foi dado ao meu pai, isso aumentou mais o seu ódio e ele decidiu se vingar por ter uma vida injusta, segundo ele. Descobriu-se que Wallace tinha sido abusado desde a infância pela sua mãe e, ao ver que minha Nona era extremamente gentil com meu pai, ele decidiu se vingar através dela quando lhe foi apresentada aquela oportunidade naquela noite.
Minha irmã conseguiu superar tudo isso mais facilmente do que eu, ela precisou de tratamento, que foi mediado pelo meu pai, que não deixou de participar de nenhuma das nossas sessões com o Dr. King. Eu consegui perdoá-lo ao longo do tempo e agora, apesar de tudo o que passei, eu não consegui me perdoar por tudo o que, de alguma forma, causei, afinal de contas, Rose nunca teria sido enfiada nisso se eu não tivesse mostrado as minhas suspeitas sobre aquele cara.
Esta é toda a verdade, eu realmente espero que agora você me entenda, que entenda que eu atraio problemas, que a desconfiança é natural em mim e que amar você poderia ser mais prejudicial do que benéfico, você poderia sair machucada e eu realmente não consigo imaginar isso. Não outra vez, eu não quero de forma alguma machucá-la assim como fiz com Rose. Você é muito importante para mim para chegar e, de maneira egoísta, ser atraída para o meu grande buraco negro, você é melhor que isso e eu sei que há alguém melhor do que eu esperando por você.
Eu te amo, Bella, mas isso não tem futuro de maneira nenhuma".
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Enquanto Bella lia, as lágrimas não deixaram de cair pelo seu rosto, aquelas experiências deixaram sua alma em choque, ela nunca pensou que algo assim poderia ter acontecido. Ela se sentia tão egoísta por ter pensado nela e em seu seu sofrimento, em vez de no sofrimento de Edward.
Ela ergueu o olhar para encontrar o do seu amado.
O tremor das mãos de Edward era evidente e ela, em uma tentativa de mostrar a ele o que sentia, pegou suas mãos e as beijou carinhosamente.
— Nunca decida algo assim por mim, sou eu quem deve decidir se quero ou não ficar longe de você. – Ela sussurrou, uma vez que sua voz foi capaz de sair.
Edward, cujos olhos verdes derramavam lágrimas marcando seu rosto, levantou os olhos para encontrar os de Bella, então viu nela uma bondade infinita.
A garota, que tinha tentado controlar suas lágrimas, levantou da cama e, deixando de lado o caderno, abraçou Edward, tentando fechar aquele buraco negro que sua alma possuía, ela não pensava em se afastar, pois ele era tudo o que ela desejava, agora com ainda mais força.
Sem pensar e com o desejo de mostrar o seu apoio, ela aproximou-se dele com cuidado, levantou o rosto de Edward, eles novamente conectaram seus olhares e, gentilmente, ela colocou seus lábios sobre os dele, fundindo-se então com um beijo de sabor amargo, um sabor salgado que não só veio das suas lágrimas, mas também da alma de Edward.
Nem preciso dizer o quanto a história do Edward me deixa de coração partido né? Ele sofreu muito com tudo isso que aconteceu, tomara que agora ele pare de tentar afastar a Bella.
Obrigada pelos comentários e até semana que vem
Beijos
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