Disclaimer: Harry Potter e todos as pessoas mágicas, lugares, coisas, animal neste Fanfic pertencem a JK Rowling. Apenas Audrey e seus Parentes são meus ... Eu só não consigo imaginar eu pertenço tudo isso.
Mas... pessoal... for favor dos meus peixinhos... comentem senão eu não sei se vocês estão gostando ou não...
Eu gostaria de agradecer a Audrey1947, à Menina Valente, à Mireldis, à Sandra Longbottom, à Vládia2015 e à raposaxereta. Um beijinho à todas!
Severo e Audrey acordaram cedo, tomaram banho e se arrumaram para o café da manhã. Logo depois, eles ouviram que alguém quase derrubava a porta de tanto bater e que Eillen muito irritada foi atender. Abrindo a porta ela disse amargamente:
– Quem é você? Não queremos comprar nada!
– Sou Richard e gostaria de falar sobre Audrey e Severo. Essa é minha esposa Victoria, você já deve conhece–la.
– Não tenho temp... – disse Eillen fechando a porta.
– ESCUTA AQUI MULHER! – gritou Victoria segurando a porta.– Como você pode deixar a besta do seu marido impedir os meninos de irem para Hogwarts! E por quê?
– Não te interessa! Eles não vão... – disse Eillen calmamente.
A gritaria de Victoria chamou a atenção dos irmãos Snape. Escondidos na escada, eles escutavam a briga dos três. De repente apareceu Tobias. Severo disse:
– Se você pensa que a gente tinha alguma chance de ir à Hogwarts, essa chance acabou de morrer...
– Cala a boca, você não conhece a Mamain... – respondeu Audrey.
– O que vocês estão fazendo aqui? Cadê a pensão?
– Só damos a maldita pensão se você chamar as crianças e deixá–las irem comprar o material escolar – respondeu Richard.
Tobias avançou em Richard para dar–lhe um soco e foi imobilizado por ele. Da escada Severo viu a cena e sentiu um calafrio. O pai de Audrey era tão violento quanto o dele?
– Solta o meu marido! – gritou Eillen.
– Vai chamar os meninos. – disse Victoria.
– Não vou.
Richard jogou Tobias longe e ele entrou na casa com Victoria. Eles repararam a condição da mobília e com tristeza perceberam que durante aquele tempo todo Tobias não usou o dinheiro que estava recebendo para comprar um copo para os meninos. Onde ele estava gastando tanto dinheiro?
Eles encontraram os dois no topo da escada. Victoria disse:
– Desçam meninos!
– Vamos Severo. – disse Audrey – Não precisa ter medo...
Os dois desceram e Audrey abraçou seus pais.
– Papai, Mamain que saudade!
– Nós também estamos com saudades minha filha – disse Richard.
– Cadê a Jean?
– Está na casa da sua avó – respondeu Victoria
– Esse é o seu irmão? Vem aqui para a gente ver você... – chamou a mãe de Audrey. – Oi Severo, nós somos os pais de Audrey.
Richard olhou para o menino pálido, com cabelos oleosos e olhar triste na frente dele. Depois ele olhou para as roupas e sapatos que estavam rotos. No início ele sentiu pena do menino, mas depois ele reparou na semelhança dele com Tobias e disse friamente:
– Olá Severo, eu sou Richard Taylor, pai da Audrey e essa é a minha esposa Victoria.
– Bom dia senhor Taylor. – respondeu Severo.
"Mas nem roupas ele compra para os meninos!" – pensou Richard.
– Toma a sua maldita pensão! – gritou Victoria jogando o dinheiro em Tobias. – Só pensa em dinheiro, eu queria saber onde você tá enfiando ele...
– Vamos comprar seus materiais escolares...– disse Richard.
– Vocês não vão usar a rede de Flu – disse Eillen
– Você pega a rede de Flu e... – disse Audrey
– Vamos embora mocinha antes que eu coloque uma barra de sabão na sua boca. – disse Richard saindo da casa e puxando a orelha da filha.
– Ai, ai, ai, ai.
Os quatro saíram da casa e foram ao carro. Severo ficou olhando para o carro com estranheza.
– Isso é um carro, filho – disse Victoria. – Você nunca viu um?
– Não senhora. – respondeu Severo timidamente.
– Vocês já comeram? – perguntou Richard.
– Não... ai Severo! Mãe, ele me chutou a canela!
– Peça desculpas à sua irmã! – disse Richard
Severo olhou para o rosto sério de Richard. O homem era bem mais alto que ele e como ele conseguiu imobilizar Tobias, o pai de Audrey deveria ser bem forte. Com esse pensamento Severo empalideceu e disse:
– Sinto muito senhor, não me machuque!
Victoria bateu na cabeça de Richard e gritou:
– Richard! Não fale assim com o menino!
A mulher olhou para o menino aterrorizado à sua frente e o abraçou. Ela disse:
– Shh... você não devia ter chutado a Audrey, mas também não precisa ter medo, está tudo bem... – Ela olhou para o marido com raiva e disse: – Em casa a gente conversa!
Richard estremeceu com o aviso da esposa. Ele disse:
– Nós vamos à lanchonete e depois vamos comprar o material. Por falar nisso, onde vamos comprar o material?
– Beco Diagonal senhor... – respondeu Severo.
– Tudo bem... entrem no carro...
Na lanchonete os irmãos tomaram o café da manhã numa lanchonete perto da casa deles, a mesma lanchonete que Eillen costumava vender suas poções. Eles comeram ovos com bacon, torradas e beberam suco de laranja.
– Precisamos saber onde comprar a lista de material, você está com ela Audrey? – perguntou Richard.
– Sim papai. Toma.
O dono da lanchonete chamou Richard na cozinha. Ele foi ao encontro deles e disse:
– Eu ouvi a conversa de vocês. Eu também sou um bruxo e conheço a mãe daquele menino porque ela vem aqui para vender poções para mim e para outras pessoas. Vocês vão comprar o material no Beco Diagonal.
– Mas onde fica esse Beco Diagonal?
– O Beco Diagonal fica em Londres, na Rua Charing Cross, localizado entre uma livraria e uma loja de discos. Vocês vão ao Caldeirão Furado, mas quem vai encontrá–lo vão ser Severo e Audrey porque essa estalagem é difícil de ser encontrada pelos trouxas. Diga à menina que quando vocês chegarem ao Caldeirão Furado, devem ir à parte de trás, a um pequeno pátio com uma lata de lixo e falar para ela bater em três tijolos para cima e dois para o lado a partir da lata de lixo. Seria preciso uma varinha, mas Eillen falou que a menina faz magia sem varinha... a parede vai se expandir e formar um grande arco. Quando vocês chegarem ao Caldeirão Furado não subestimem o lugar, ele está sob um feitiço para enganar os trouxas e vai parecer uma espelunca.
– Entendo...
– Posso te perguntar uma coisa?
– Sim.
– A sua condição financeira é boa?
– É, por quê?
– Você pode comprar os materiais e as roupas novos, mas eles são bem caros ou comprar de segunda mão...
– Vou comprar tudo novo para eles! Se eu pudesse, levaria os dois para a minha casa...
– Outra coisa... se puder, compre roupas novas para o menino... as dele estão uns trapos...
– Tudo bem... vou arrumar umas roupas para ele também...
Richard voltou à mesa, pegou uma agenda de bolso e uma caneta e anotou as informações que acabara de ouvir. Severo olhava para a caneta dele maravilhado, ele escrevia, escrevia e não precisava molhar a pena dele!
– Severo, isso é uma caneta esferográfica. – disse Richard. – A tinta está dentro dela, por isso eu não preciso ficar molhando como a pena...
Richard esperou os irmãos acabarem de comer e disse:
– Nós vamos para Londres, porém antes de irmos para o Beco Diagonal, nós vamos para uma loja trouxa comprar roupas e sapatos novos para vocês.
– Por favor senhor, nós não precisamos! – disse Severo.
– Precisam sim! – respondeu Victoria. – olha para as suas roupas, estão horríveis! – ela viu o olhar de vergonha de Severo. – desculpe querido, por favor, aceite...
– Eu não quero ser um fardo para vocês...
– Não está sendo um fardo... se você é irmão da minha filha, é como se fosse meu filho também e eu não vou deixá–lo andando nesse estado... – disse Victoria abraçando Severo.
Eles entraram no carro. Audrey foi no banco de trás com Severo.
– Severo, vai ser uma viagem de mais ou menos 4 horas. – disse Victoria. – Algumas pessoas se sentem enjoadas quando fazem longas viagens de carro. Pegue.
Severo pegou uma embalagem com alguns sacos plásticos.
– O que é isso? – perguntou Severo.
– Chama–se saco para vômito. Pode vomitar nele se você se sentir enjoado... – respondeu a mulher.
– Obrigado senhor.
Uma hora depois, os solavancos, acelerações, desacelerações e movimentações que o carro fazia começaram a fazer Severo ficar enjoado.
"Ah não, e agora? Se eu contar para a Audrey ela vai contar para o pai dela e ele vai bater em mim!" – pensou Severo – "Vou olhar a paisagem paga ver se passa..."
Péssima ideia. Severo encostou a cabeça no vidro do carro e Audrey percebeu que havia algo errado com o irmão.
– Se estiver com ânsia de vômito, cuspa no saquinho...
– Por favor... não conte a eles...
– Por quê? Mãe... ai!
Severo deu uma cotovelada nas costelas da irmã e disse com os dentes cerrados:
– Dá para você ficar de boca fechada uma vez na vida? –
"Isso vai dar merda..." – pensou Audrey.
Victoria olhou no retrovisor e percebeu que Severo estava mais pálido e respirava fundo. Ela disse:
– Querido, tem como você parar o carro?
– Sim...
Richard parou o carro no acostamento, Victoria pegou uma garrafa de água, desceu e disse:
– Audrey vá para o banco da frente, Severo venha comigo...
Victoria foi para o lado de Severo. Ele arregalou os olhos e olhou para a mulher e pensou:
"Ela percebeu que eu estou passando mal! O que ela vai fazer comigo?"
– Pode vir, não tenha medo... – disse Victoria estendendo a mão para o menino.
Ele pegou a mão da mulher e saiu do carro. Ela gentilmente olhou para ele e disse:
– Você não está bem, pode vomitar à vontade...
– Isso não é necessá... bleeeeargh!
O menino despejou na grama o conteúdo do seu estômago. Victoria segurou seus cabelos para trás. Quando ele terminou, ela entregou–lhe a garrafa e disse:
– Tome. Lave a boca e beba um pouco de água...
Severo fez o que a mulher disse. Envergonhado, entregou–lhe a garrafa vazia e disse:
– Obrigado, senhora...
– De nada. Melhor?
– Sim...
– Vamos para o carro.
Eles entraram no carro e Severo ficou com medo pois Audrey o deixou sozinho com a sua mãe no banco de trás. Richard virou para trás e disse:
– Aqui Victoria, dê para ele.
– O que é isso senhor Taylor – perguntou Severo assustado.
– Isso é metoclorpropramida, inibidor central do vômito. Tome com bastante água.
Severo pegou o comprimido e tomou–o. Victoria pegou um travesseiro, colocou–o no colo, puxou Severo para um abraço e disse:
– Deite a cabeça no meu colo...
– Por favor senhora, não precisa... – disse Severo tremendo.
– Você tá bem Sev? – perguntou Audrey. – A Mamain não morde, pode deitar a cabeça no colo dela...
– Audrey! – gritou sua mãe. – Não assuste o menino
Severo mostrou o dedo médio para a irmã e deitou sua cabeça no colo de da mãe de Audrey.
– Audrey, preciso de uma toalhinha de mão úmida – pediu Victoria.
Audrey conjurou a toalhinha e Victoria suavemente limpou o suor do rosto do menino.
– Pode pôr os pés no banco, filho... – disse Victoria – Depois a Audrey limpa...
Severo viu pelo retrovisor que Richard fez cara feia, mas Victoria começou a insistir e ele deitou–se no banco e fechou os olhos. Victoria segurou a sua mão e depois de um tempo, percebeu que ele dormiu.
– Ele dormiu? Que folgado! – falou Richard.
– Pai, que é isso, não fala assim do Sev...
Victoria bateu na cabeça do marido. ela falou:
– Para de picuinha com o menino! Ele é uma criança!
– Ele é a cara daquele Tobias...
– Ele tá com a gente, ele é responsabilidade nossa! Você queria que tratassem suas filhas mal?
Richard começou a praguejar baixinho e continuou a dirigir.
Três horas depois:
– Severo... Severo querido, acorde, chegamos – disse Victoria suavemente.
– Huh...que horas são?
– Meio dia e meia. Vamos comer e depois comprar as roupas...
Eles foram a um restaurante. Richard pediu sanduiches para ele, Audrey e Victoria e um caldo de galinha para Severo, pois ele havia passado mal. Depois de comer, Audrey pediu sobremesa ao pai. Victoria perguntou:
– Severo, por que você não vai lá pegar bolo com a sua irmã?
– Não, obrigado senhora...
A menina voltou com um imenso pedaço de bolo de chocolate. A mãe dela falou:
– Nossa Audrey, que gula é essa? Deixa o Sev comer com você!
– Mas Mamain, não tem nem pra mim...
Severo começou a se remexer na cadeira. Richard revirou os olhos e perguntou:
– E agora?
– Nada...
Audrey olhou para o pai e disse:
– Ele quer mijar...
– Então vai, menino! – gritou Richard. Ele chamou um garçom e perguntou onde o banheiro ficava e ele respondeu que era no fundo do restaurante.
Severo foi ao banheiro. Ele entrou, foi ao mictório, mas quando ele tentou abrir o cinto, ele se quebrou e não abria. Um homem que já estava lá começou a olhar para ele de forma estranha e se aproximou dele. O homem começou a fazer carinho na nuca do menino e sussurrou a seu ouvido:
– Deixa que o tio ajuda... – ele abriu o cinto de Severo. – Mas que menino lindo... cadê o seu pai? – Ele perguntou com voz arrastada.
– Lá fora... ele já vai entrar... – disse Severo dando um passo para trás. – Papai!
– Ih, seu pai deve estar bebendo como eu... que bom!
– Me solta! – gritou Severo. – PAI! SOCORRO!
O homem agarrou Severo pelos cabelos e arrastou–o a uma divisória.
– Sente–se! – o homem sentou Severo violentamente no vaso sanitário e começou a desafivelar o cinto.
Severo sentiu um misto de medo e raiva. De repente uma força invisível puxou o homem pelas costas e o arremessou contra a parede. O homem bateu a cabeça no espelho, levantou–se e disse:
– Ah, agora você vai me pagar!
Richard estava comendo o seu sanduiche quando ouviu Severo gritando "Papai" e percebeu que algo estava errado. Audrey se levantou, mas ele a fez se sentar e disse:
– Fique aí! Oh, menino complexado...
– Mas...
– Obedeça!
Ele correu para o banheiro e viu um bêbado com as calças abaixadas, o pênis ereto, a cabeça sangrando e partindo para cima de Severo. O menino estava encolhido num canto, chorando. Ele disse:
– Seu animal! Ele é uma criança!
O pai de Audrey puxou o homem pelos cabelos e começou a socar–lhe o rosto. Como o homem estava bêbado, logo ele caiu desmaiado.
Richard se aproximou de Severo. Ele levou um susto e se afastou. Depois ele percebeu que havia molhado as calças. Ele sentiu–se humilhado e começou a chorar. Ele disse:
– Por favor... me deixe em paz...
Ele tentou sentar–se no chão. Richard segurou–o e disse:
– Não faça isso! Esse chão tá contaminado!
O homem olhou para o menino. Ele soluçava, tremia e isso o fez se sentir um carrasco. Afinal de contas, como ele mesmo havia dito, o Severo era uma criança. Ele perguntou:
– O que foi? Ele tocou em você?
– Não... como o senhor soube?
– Eu ouvi você gritar e vim correndo para cá. Vamos para fora.
Os dois começaram a sair. Richard percebeu que o menino estava com as pernas bambas. Ele pegou o menino no colo e Severo sem graça disse:
– Coloque–me no chão... estou imundo...
– Calma, depois de um susto desse é até normal você ter feito na roupa... vamos reclamar para o gerente e ir a um hotel. Lá você vai tomar um banho e descansar um pouco...
– Do que o homem tava te acusando?
– Eu fiz... magia acidental... joguei o homem na parede...
– Bem feito pra ele!
O homem saiu do banheiro levando Severo nos braços. Ele encostou a cabeça no ombro dele para que ninguém visse o seu rosto. Richard reclamou o ocorrido para o gerente do restaurante que pediu desculpas, deu–lhes a refeição e chamou uma ambulância para o bêbado do banheiro. Quando chegaram no carro Richard pediu para Audrey executar um feitiço de limpeza em Severo e para a esposa dirigir para que ele pudesse ficar de olho no menino.
No carro Audrey pediu desculpas por não ter ido atrás do irmão:
– Severo, me desculpe... eu não fui atrás de você porque o papai já estava indo... ele faz aulas de boxe e sabe se defender bem...
– Tudo bem...
– Agora nós vamos para um hotel e enquanto o Severo descansa um pouco comigo, você e a sua mãe vão à casa da Tia Charlotte e depois fazer umas compras... – disse Richard.
– Ah, que saco meu a Tia Charlotte é muito chaaaaata! – disse Audrey.
– Por que eu não posso ir junto? – perguntou Severo.
– Você precisa descansar um pouco depois do susto...Além disso, a Victoria e a Tia Charlotte vão ao shopping e mulher quando vai lá é um saco, elas passam em todas as lojas e compram um pingo de roupas...
– Richard! – gritou Victoria. – Pare ou você vai dormir no sofá quando chegar em casa!
Eles chegaram ao hotel. Enquanto os adultos faziam o check–in, Audrey e Severo foram para o quarto.
– Sev, você vai ficar com o papai, mas não precisa ter medo, ele gostou de você... – disse Audrey – tire suas roupas para que eu possa executar outro feitiço de limpeza e vai tomar um banho.
– Tudo bem... – respondeu Severo apreensivo.
Severo foi ao banheiro. Enquanto tirava as roupas, ele pensava:
"Gostou de mim o caramba! Ele vai aproveitar que a gente vai ficar sozinho e fazer miséria comigo..."
Ele deu as roupas para a irmã limpar, porém elas estavam tão feias que ela resolveu jogá–las fora. Enquanto isso Richard entrou no quarto com as malas, colocou–as no chão, abriu uma delas e pegou um livro. Audrey pegou umas roupas do pai, encolheu–as para caberem no irmão e foi ao saguão do hotel para acompanhar a sua mãe nas compras. Quando Severo saiu do banho ele viu o pai e Audrey sentado na cama lendo um livro. Richard falou:
– Aqui estão as suas roupas. Eram minhas e a Audrey as encolheu para servir em você. Enquanto você se troca eu vou aparar a minha barba... Ainda bem que a gente ficou aqui, aquelas duas vão demorar um século! – disse Richard
Severo vestiu–se e sentou–se na cama que ele iria repartir com Audrey. Ele se encolheu, fechou os olhos e pensou:
"É só eu ficar quieto que ele não me percebe..."
O homem mais velho entrou no banheiro e Severo ficou escutando–o aparar a sua barba. Quando ele saiu do banheiro ele viu que Severo estava encolhido ao lado da cama com seu livro na mão. Ele ficou olhando para ele por um momento e refletiu. Que vida ele estaria tendo naquela casa? Como ele pôde ser tão rude com ele? Ele se aproximou do menino e perguntou:
– Por que você está sentado no chão? Sente–se na cama...
– Desculpe–me senhor! – disse Severo.
– Está tudo bem Severo. Olha, eu acabei de aparar a barba... ficou bonito?
O menino olhou para o homem e não viu nada diferente, mas ele respondeu:
– Ficou... lindo...
– Ah que bom que você gostou... – disse Richard sentando–se na cama e pegando um livro. – Olha, estou lendo um livro sobre câncer na garganta...
– Esse é o seu serviço? O que é o câncer? – perguntou Severo pegando o livro e aproximando do rosto para ler.
– Filho, o câncer quando ocorre o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos. Quando elas se espalham, nós chamamos de metástase. Essa doença ainda é cercada de preconceitos e as pessoas ainda privam os doentes do convívio social, por isso que as meninas não vão ao hospital... Deixe–me perguntar... você enxerga direito?
– Sim...
– Então por que você estava com o rosto tão perto do livro?
– Nada não senhor... eu tava lendo as figuras...
– Severo, esse livro não tem figuras...
O menino deitou–se na cama com a cabeça no colo de Richard e ele começou a ler o livro em voz alta para o Severo ouvir. Logo depois Audrey e Victoria chegarem repletas de sacolas. Victoria ficou indignada com a cena e gritou:
– Eu não acredito que você tá lendo esse livro em voz alta para o menino ser obrigado a ouvir!
– Não querida, ele demonstrou interesse pelo livro depois que eu saí do banheiro, eu juro...
– Não fique brava com ele senhora, a leitura está boa... – disse Severo bocejando.
– Tudo bem, desculpe pela cena Severo. Agora é a sua vez... vamos!
– Onde nós vamos senhora?
– Nós vamos ao shopping comprar roupas para você.
Quando eles chegaram ao shopping Severo nunca tinha visto um lugar tão grande e com tantas lojas. Os pais de Audrey compraram muitas roupas e sapatos para ele, pois eles sabiam que ele não teria mais roupa por um bom tempo. Severo percebeu que Richard pagava as comprar com uma coisa pequena que ele aprendeu que era um cartão de crédito*
Já era 19:00 horas quando os quatro foram comer na praça de alimentação. Victoria reparou nas feições de Severo: junto deles o menino voltou a ser uma criança inocente e livre de preocupações como ele deveria ser.
– Papai, podemos ir à pista de patinação? – perguntou Audrey.
– Ótima ideia! Você sabe patinar Severo?
– Não senhor...
– Ele aprende logo, menino esperto! – falou Audrey batendo levemente no ombro do irmão
Eles foram à pista de patinação. No começo Severo levou alguns tombos, mas depois pegou o jeito e gostou da brincadeira. Às 22:00 horas quando eles foram embora, Victoria percebeu contente que Severo estava sonolento.
Richard parou o carro no estacionamento do hotel e pegou Severo nos braços. O menino assustou–se com o gesto do homem e ele disse:
– Calma filho, você está com sono e eu estou te levando para o quarto.
Severo aconchegou a cabeça no ombro de Richard e acabou de dormir. Enquanto Audrey e Victoria colocavam seus pijamas, Richard colocou o pijama em Severo e disse:
– Audrey você pode dormir com a sua mãe? Eu durmo com o Severo...
– Tá bom, pai...
– Boa noite minha filha.
– Boa noite papai, boa noite mamãe...
O homem colocou o menino adormecido na cama e vestiu o seu pijama. Apesar de ser alto para a sua idade (1,55m), Severo quando dormia adquiria um ar puro e frágil. Ele acariciou os cabelos do menino; ele queria tanto ter tido um filho, não achava justo o modo que Tobias tratava seu filho.
– Boa noite filho, durma com Deus... – disse Richard
*O cartão de crédito foi criado no ano de 1950 vindo de uma jogada esperta de um cliente de um restaurante.
