O Demônio Atrás da Porta
Capítulo 2: She-Angel
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Às oito ele prometera e às oito ele lá estava em frente à casa dos Strauss, esperando que alguém atendesse a porta.
Enquanto caminhava pela rua em direção à residência, não fora preciso ter a audição apurada dos Dragon Slayers para notar os gritos que vinham do lado de dentro. Palhação Strauss devia ter descoberto quais eram os planos da irmã mais velha para a noite porque as palavras 'homem', 'cretino' e 'não-tenho-como-bater-nele-se-ele-for-babaca' foram facilmente reconhecidas por ele. Uma voz mais baixa e aguda, que Laxus pensava ser de Lisanna, tentava amainar a ira do irmão, mas ele não fora capaz de discernir o que ela estava dizendo.
Quando tocou a campainha, contudo, as vozes se calaram de súbito. Alguns segundos depois, o barulho da fechadura soou e Mirajane se fez presente, deslizando para fora em toda sua altivez, com o semblante neutro.
–Divirta-se, Mira-nee! – Ouviu Lisanna exclamar antes de sua voz ser abafada pela porta se fechando.
Ela passou por ele sem encará-lo, andando uns bons dez metros apressadamente antes de parar e se virar, cruzando os braços. Trajava um confortável vestido longo de verão que se ajustava mais proeminentemente às suas curvas do que os que ela usava habitualmente, e Laxus a achou simplesmente deslumbrante. Não teve a oportunidade de externar esse pensamento, contudo, pois Mirajane lhe lançou seu olhar gélido de Demônio, franzindo as sobrancelhas diante da tranquilidade com que ele andava.
– Você pode ter ludibriado minha irmã, mas se acha que eu vou cair na sua larápia está redondamente enganado. – Sibilou ela quando Laxus estava perto o suficiente para ouvi-la. Apesar de estar calçando sandálias de salto alto, Mirajane batia apenas à altura de seu ombro. – Vamos cortar esse teatrinho aqui e agora e fale logo qual é a sua verdadeira intenção.
Minha verdadeira intenção é domar o Demônio até ele ficar mansinho no meu colo.
– Não há outra intenção, Mira. – Ele respondeu com um meio sorriso. – Não posso simplesmente querer jantar com você?
Ela estava a ponto de cuspir de ódio na cara dele, percebeu.
– Vá para o inferno, Laxus. – Vociferou ela, apontando um dedo acusador na cara dele. – Eu sei muito bem que você não decidiu de uma hora para outra me convidar para sair na frente de todo mundo sem ter outro interesse por trás.
Mirajane pontuou cada palavra batendo com o indicador dolorosamente em seu peito, e o Dragon Slayer sentiu que estava perdendo o jogo. Suspirou em resignação e correu os dedos entre os cabelos, decidindo que talvez verdades incompletas fossem melhores do que mentiras.
– Eu não tenho nada além desse jantar planejado para esta noite, certo? Mesmo que quisesse não poderia, pois preciso pegar o primeiro trem amanhã de manhã para um trabalho. – Disse ele, fitando-a diretamente. – O restaurante é logo ali na esquina e a sua casa não está longe, então você pode ir embora a qualquer momento se não estiver confortável.
Ela voltou a cruzar os braços, cética.
– Além disso, – Continuou ele, sem desistir. – você deveria seguir o conselho da sua irmã e tirar uma folga.
A postura firme de Mirajane oscilou diante da mudança de assunto e ela deixou os braços caírem nas laterais do seu corpo, contrariada.
– Eu tiro folgas. – A voz dela vacilou um pouco ao sair, entretanto, e ele aproveitou a deixa para tomar a dianteira da situação.
– Ora, vamos, todo mundo sabe que você trabalha demais, Mira. – Foi a vez dele de cruzar os braços, revirando os olhos. – Você pensa que Lisanna é muito ingênua, mas acha mesmo que ela teria tido todo o trabalho de te convencer a vir se realmente não acreditasse que você precisa sair mais?
O Demônio a essa altura já tinha esvaecido completamente das feições dela e Laxus a observou mastigar o lábio inferior em busca de outro motivo para contrariá-lo. Não achando nenhum, porém, ela virou a cabeça para não ter que encará-lo e suspirou, derrotada.
– E então? Podemos ir?
– ... Quando eu descobrir o que você está tramando, Laxus, juro que vou fazer você se arrepender amargamente.
Ele ignorou aquela ameaça e ambos retomaram a caminhada em silêncio, mas internamente o ego de Laxus estava urrando de modo triunfal por ter conseguido seguir com o plano. Até o clima estava conspirando a seu favor, a temperatura amena e agradável o suficiente para que ele não estivesse se afogando no próprio suor dentro da camisa social.
Não demoraram a chegar ao restaurante, pois ele realmente era na esquina da quadra onde Mirajane morava. Ao vê-los se aproximando, o maître o reconheceu imediatamente e se adiantou para recebê-los, sem precisar perguntar pelo seu sobrenome. Havia passado por ali logo após ter deixado a Fairy Tail para conversar com o gerente e garantir que teria a melhor mesa disponível, já preparado para utilizar várias técnicas de persuasão no caso do mesmo alegar que não tinha como fazer uma reserva em cima da hora. O gerente, porém, ao descobrir que um dos magos mais poderosos de Fiore viria acompanhado da modelo de capa da Sorcerer Weekly, ficara mais do que "agradecido por ter a oportunidade de recebê-lo junto da senhorita Strauss em sua noite especial".
Podia jurar que o vira esfregando as mãos como um vilão de cinema e murmurando coisas como "publicidade" e "dinheiro" quando ele achara que Laxus não estava olhando.
– Senhor Dreyar, senhorita, – O maître, um homem esguio de meia idade, os cumprimentou. – Queiram, por favor, me acompanhar.
Enquanto eles o seguiam, Mirajane observava o ambiente com curiosidade. O restaurante não era muito grande, porém a decoração simples e elegante em tons claros o deixava com um ar aconchegante. Foram guiados até uma mesa mais afastada da parte principal do salão, disposta de frente a um pequeno jardim bem cuidado com uma fonte no centro, iluminado por lanternas de papel.
O maître fez a gentileza de puxar a cadeira para que Mirajane se sentasse e ela o fez sem tirar os olhos daquela paisagem.
– Podemos dar uma olhada mais de perto depois, se você quiser. – Laxus comentou distraidamente por trás da carta de vinhos que o maître havia deixado ali antes de se retirar para pegar os cardápios. – O que você quer beber, Mira?
– Como eles podem ter uma azaléia deste tamanho?
– Uma o quê? – Ele a olhou por cima do que estava lendo e percebeu que ela o encarava de volta, indignada.
– A azaléia. – Repetiu ela, impaciente, apontando para o jardim. – Você faz idéia do quanto eu tentei fazer a minha azaléia ficar bonita?
– Err... não? – Respondeu ele, confuso diante da reação dela.
Mirajane começou a relatar em detalhes todas as técnicas de jardinagem e outras porcarias que ela empregara para aparentemente salvar uma planta – ele só descobrira que se tratava de uma planta depois que a surpresa por vê-la subitamente tão revoltada se extinguira – que não dava flor "mesmo com todo carinho e amor empregados para que ela fosse feliz". Estava se esforçando para prestar atenção visto que, se ela percebesse que estava falando com as paredes, o Demônio poderia aflorar, porém era difícil manter o foco quando uma constatação se apoderara de sua mente, deixando-o intrigado.
Não conhecia de fato Mirajane Strauss.
Toda interação que tiveram desde então se dera dentro da guilda ou de um (figurativamente falando ou não) quarto. Laxus nunca fora uma pessoa comunicativa, e Mira, bem, a Mira Negra gostava de atazanar a vida alheia, enquanto que a Mira Branca se preocupava apenas em agradar os outros. Nunca a presenciara falando abertamente sobre seus gostos e hobbies, ou sobre sua vida social fora da Fairy Tail. E aquilo o incomodou, pois, por mais que a tivesse visto crescer e compartilhado momentos íntimos (?) com ela, sentia que naquele momento estava em frente a uma completa estranha.
– ... Aí não deu certo de novo e eu desisti- Ah, obrigada! – Ela exclamou com um largo sorriso quando o maître se aproximou com os cardápios, como se não estivesse falando da afronta que era a mera existência de uma planta aleatória apenas a alguns segundos atrás, e apontou para um vinho qualquer no catálogo. – Uma garrafa desse aqui, por favor.
Laxus, ainda atônico, apenas concordou com a cabeça sem nem saber qual deles ela tinha escolhido, e depois que o homem pediu licença e partiu novamente Mirajane ergueu o rosto para encará-lo, os lábios se partindo prestes a retomar o assunto.
Ela deve ter notado alguma coisa em seu semblante que denunciava a estranheza da situação porque seus olhos se arregalaram levemente e seus ombros se enrijeceram. E o pior de tudo era que ele nem sabia como reagir, pois havia se preparado para tudo – desde um pé provocativo em sua virilha por baixo da mesa até ter que inventar assuntos para que não caíssem no absoluto silêncio porque ela estava se fazendo de difícil –, tudo menos uma Mirajane dissertando sobre a ineficiência de fertilizantes inorgânicos no cultivo de sei-lá-o-quê. Nem ela mesma estava esperando por aquilo, dado que ele pôde perceber um intenso rubor se apoderando da face dela antes que pudesse escondê-la por detrás do menu, disfarçando seu embaraço.
Ele pigarreou, folheando o cardápio distraidamente enquanto pensava em algo para falar, mas ao sentir que as palavras não vinham, decidiu quebrar o silêncio constrangedor com a primeira coisa que lhe veio à mente.
– Vamos destruir a planta antes de ir embora. – Sua voz saiu meio vacilante, e ele teve que limpar a garganta novamente para se recompor.
Mirajane piscou, incrédula, fitando-o por alguns segundos, e por fim riu levemente com o absurdo daquela proposta. Parte da tensão se dissipou depois disso e Laxus relaxou os músculos, inconsciente de seu próprio nervosismo até então.
Depois disso, o jantar correu relativamente bem. Ela não falou mais nada sobre sua vida fora dos compromissos com a guilda e eles conversaram apenas sobre amenidades, tais como o próximo ensaio dela para a Sorcerer Weekly ou então detalhes sobre sua missão anterior. Eles realmente foram visitar o jardim após a refeição, mas Mirajane ficou com dó de machucar a "pobre plantinha", e quando estavam prestes a ir embora ela puxou a carteira de dentro da bolsa.
– Fui eu que te convidei, Mira, é por minha conta. – Disse ele, impedindo-a de olhar o valor cobrado.
– De jeito nenhum. – Ela Insistiu, bufando. – Não quero que pense que estou te devendo alguma coisa, Laxus.
Ele a encarou, verdadeiramente ofendido. Sabia que ela estava falando de homens que achavam que mulheres tinham a obrigação de "retribuir a gentileza" quando não dividiam a conta, e só pelo fato dela sequer considerar que ele poderia ser um desses caras o deixou irado. Tudo bem que Laxus adquirira – de modo totalmente infundado – a fama de garanhão conquistador, mas tentar comprar mulheres? Jamais.
Talvez suas motivações para convidá-la para sair não fossem das mais bem intencionadas, afinal se tratava de uma vingança, mas ele nunca pretendera forçar Mirajane a fazer qualquer coisa que não desejasse. Não, ele faria com que ela deliberadamente pulasse em sua cama, essa era a beleza do plano.
Laxus comprimiu os lábios, contendo o impulso de responder grosseiramente ao insulto como normalmente ocorreria. Porém, retorquir de forma xucra provavelmente atiçaria o Demônio e ele era um homem em uma missão, e aquilo não podia acontecer. Ao invés de fazer o que era esperado dele, então, o Dragon Slayer simplesmente rolou os olhos em descaso.
– Você não me deve nada, Mira. – Replicou, largando o dinheiro dentro da caderneta de couro e se levantando. Ela se preparou para contestá-lo, mas ele foi mais rápido. – Se você quiser pagar a conta, então me chame pra jantar da próxima vez.
Ela não pareceu muito convencida, mas o seguiu sem insistir no assunto. O maître se despediu educadamente ao vê-los passar e eles retomaram o caminho de volta à casa de Mirajane.
– Não foi tão ruim quanto você pensava, admita. – Laxus se dirigiu a ela com um sorriso torto, enfiando as mãos nos bolsos.
– Isso ainda não significa que você não esteja tramando alguma coisa. – Resmungou ela teimosamente. – E eu ainda vou descobrir o que é, marque minhas palavras.
– Saia comigo de novo na semana que vem para continuar investigando, então. – Ele respondeu com astúcia, parando a dois passos de distância quando ela se dirigiu à porta.
– Veremos. – Mirajane remexeu no interior de sua bolsa à procura do molho de chaves e, quando o encontrou, virou levemente para encará-lo, parecendo um pouco incerta do que falar. Laxus apenas acenou com a cabeça, girando nos calcanhares para voltar para o seu apartamento.
– Boa noite, Mira.
Primeira fase concluída com sucesso.
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Ora, ora, quem diria: Laxus Dreyar curte levar tapinha de ninguém mais, ninguém menos, do que a doce e meiga garçonete Mirajane Strauss.
Assim que Bickslow vira o patrão passando diretamente por eles para ir ao bar, ele soube. O rubor na face de Wendy, que estava perto o suficiente para ouvir a conversa que se passava, só servira de confirmação para suas suspeitas. O mau humor, os arranhões... tudo fazia sentido agora.
Ele quisera rir. Céus, ele quisera cair no chão e gargalhar até que seus órgãos internos tivessem virado do avesso. Infelizmente, porém, entre perder a piada e tomar uma bofetada de Laxus ele fora obrigado a escolher a primeira opção.
Alguns minutos após o Dragon Slayer ter se retirado, a notícia se espalhara com a velocidade de um raio. Ao final da tarde, todos os membros da Fairy Tail já tinham conhecimento de que Laxus convidara Mirajane para jantar e esse fora o assunto principal na guilda durante muitos dias. Até uma rede de apostas fora criada – à surdina, é claro, pois ninguém era suicida.
Quando o Mestre Makarov descobrira, trancara-se em seu escritório particular e alguém dissera que o ouvira chorar. E por falar em choro, Freed estava mais insuportável do que nunca, queixando-se de abandono; Evergreen estivera mais quieta do que o usual, provavelmente avaliando como as circunstâncias poderiam afetar suas tramóias particulares em relação à família Strauss, e Lisanna não parava de falar nem por um segundo das suas habilidades casamenteiras.
Mirajane, por sua vez, se comportava como se nada houvesse mudado, servindo a todos com a mesma graça e delicadeza de sempre. Algumas das garotas a interpelavam de vez em quando para tentar arrancar dela alguma informação, mas ela prontamente desconversava, mantendo o sorriso sempre presente em seu rosto. A resposta para a pergunta que estava entalada na garganta de todos, entretanto, veio alguns dias depois do misterioso primeiro encontro, quando um serviço de entregas deixara um vaso enorme de flores brancas para a maga. Os olhos de Mirajane se arregalaram como pratos e seu rosto ficara tão afogueado que Bickslow achou que ela fosse explodir.
E assim, tornou-se oficial o fato de que algo estava acontecendo entre eles.
Laxus, como já era de se esperar, agia naturalmente – assim como todo o resto da guilda quando ele estava presente porque ninguém era louco o suficiente para mencionar qualquer coisa na frente dele, nem mesmo Natsu, que ainda sustentava a cicatriz de uma lâmpada que despencara em sua cabeça e suspeitava de que Laxus tinha algo a ver com o fato e talvez não mantivesse o espírito esportivo se fosse desafiado.
O Dragon Slayer estava passando menos tempo na Fairy Tail ou até mesmo na companhia do Raijinshuu, embarcando em missões solo rank-S com frequência. Bickslow não entendia exatamente o porquê, mas era incapaz de racionalizar sobre, pois Freed choramingava incessantemente em seus ouvidos. Ele não teve alternativa senão socar a cara dele repetidas vezes para lhe dar um motivo real para chorar. Por um milagre divino, funcionou.
Algumas semanas se passaram e o algo entre Laxus e Mirajane permanecia firme e forte sem ninguém saber ao certo em que pé estava, já que ambos nunca se pronunciaram a respeito. A garçonete sempre saía mais cedo do serviço quando ele estava na cidade, e olhos mais perspicazes diriam que naqueles dias ela ficava levemente agitada. Laxus continuava praticamente o mesmo, com a exceção de que sua carranca havia sumido, e seu fã clube recuara em seus avanços na guilda, tendo algumas garotas alegado que sentiram uma presença demoníaca quando pensavam em se aproximar dele.
O único que não estava gostando nada da situação era Elfman, que se mostrava mais calado do que o usual, por vezes se sentando sozinho em algum canto mais deserto. Não entrava mais nas brigas de Natsu e Gray e parara de bradar 'homem' em voz alta a toda hora. Ele era a única pessoa que tinha a audácia de lançar olhares ameaçadores na direção de Laxus – que, por sua vez, não percebia ou fazia questão de ignorar –, mas nunca havia partido de fato para um confronto direto.
Isto é, até aquele momento.
– Dreyar! – Grunhiu ele, parando ao lado da mesa onde o Raijinshuu estava acomodado, os punhos fechados com força.
– Elfman. – Laxus respondeu sem tirar os olhos do jornal que estava lendo.
Um homem comum certamente se assustaria com a muralha de músculos que era Elfman Strauss, mas não Laxus, obviamente. Apesar de Elfman ser uma cabeça e meia mais alto e vários quilos mais pesado que o Dragon Slayer, ele ainda poderia ser facilmente derrubado se resolvesse arranjar briga. Mesmo assim, a aura hostil que emanava do corpo do mago de Take Over fez com que Bickslow se endireitasse em seu assento – não que Laxus precisasse de alguma ajuda, mas Freed insistia para que eles agissem como guarda-costas.
– Precisamos conversar. – Continuou Elfman, e Freed fez menção de interromper a discussão, mas Evergreen pousou uma mão em seu braço como aviso, impedindo-o.
– Estou ouvindo. – Ele obviamente não estava.
Elfman arrancou o jornal das mãos dele e Laxus levantou a cabeça para encará-lo lentamente, mas tão lentamente, que se não estivesse traçando a irmã do indivíduo, ele com certeza já teria sido morto.
– Você não merece Mira-nee! – O brutamonte Strauss estava rugindo a esse ponto, atraindo a atenção de outras pessoas.
– Elfman! – Mirajane também percebeu o alvoroço e chamou pelo irmão com um tom repreensivo, mas era incapaz de ir até lá para impedir a iminente briga pois estava sozinha no bar e a guilda estava lotada naquela noite.
– Eu não sei o que você quer, mas não pode ser boa coisa. – Elfman não deu atenção a ela, no entanto. – Mira-nee não é uma dessas fãs que você pode usar e depois jogar fora. Eu não vou deixar você machucá-la, então fique longe da minha irmã.
– E o que você vai fazer se eu disser não, Elfman? – Laxus ergueu uma sobrancelha em desafio, cruzando os braços. A falta de um sorriso irônico em sua face significava que ele estava seriamente irritado, Bickslow reparou. – Vai me bater?
– Posso não ser tão poderoso quanto você, mas pode ter certeza que antes de você conseguir me parar eu vou arrebentar a sua car-
– Ah, pel'amor! – Evergreen gritou indignada, batendo as mãos na mesa, e se levantou. – Cale a boca, Elfman!
Houve um segundo de silêncio antes que todas as cabeças se virassem em direção a ela, algumas mais surpresas do que outras.
– Quem você acha que é para falar com quem sua irmã deve ficar ou não? – Ela prosseguiu, pondo as mãos na cintura. – Mirajane não é sua propriedade e não precisa nem de você, nem de qualquer macho para defendê-la.
–Ever-
– Aliás, é você que precisa da proteção dela, então cale a sua maldita boca, seu machista idiota. Homens de verdade não tratariam mulheres como objetos. – E com isso, Evergreen saiu pisando duro e saiu do salão da guilda, espumando de raiva.
Elfman, que até então a encarava embasbacado, olhou para a figura da maga andando, depois para Laxus, e por fim para ela de novo. Toda a aura de violência que o circundava segundos antes havia se esvaecido.
– Ever, espere! – Ele chamou, decidindo finalmente por ir atrás dela.
Bickslow relaxou em sua cadeira, dando a discussão por encerrada. Uma veia ainda pulsava no pescoço de Laxus, entretanto, e ele se levantou e seguiu para o segundo andar da guilda, incomodado com os olhares alheios provenientes das mesas próximas. Freed fungou, mas não fez mais objeções porque sabia que ia apanhar.
O que Elfman diria, pensou, se eu lhe dissesse que sua irmãzinha supostamente pura é muito mais malvada do que parece?
Ele seguiu com os olhos o abobalhado Elfman ir atrás de Evergreen desesperado, nem parecendo a pessoa ameaçadora de alguns momentos atrás, e gargalhou alto, imaginando a cara que ele faria se descobrisse o que estava realmente acontecendo.
Era uma pena, concluiu, ser o detentor da melhor piada do mundo e não poder contar para ninguém.
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Em todos os cenários possíveis e imagináveis, nunca passara pela cabeça de Laxus que seu plano daria tão incrivelmente certo.
Depois daquele primeiro jantar, é claro que ele ainda estava com dúvidas, então decidiu enviar flores junto de um convite formal para um próximo encontro. Sim, era brega, tinha que admitir, mas estava apelando para toda a cafonice que sabia que a Mira Branca gostava. E sua idéia funcionara brilhantemente pois, assim que pusera os pés na guilda depois de completar sua missão, olhos azuis ansiosos o acompanhavam para todos os lados esperando por uma confirmação.
Não era difícil agradar Mirajane, na verdade. Bastava observá-la com atenção para saber o que a interessava, como da vez em que a pegara encarando com certo interesse um urso gigante de pelúcia naquelas barracas de prendas comuns em festivais, cujos prêmios maiores eram impossíveis de se conseguir – mas não para o invencível Laxus Dreyar, possuidor de uma exímia pontaria e dinheiro suficiente para que a argola que não encaixara no alvo fosse sumariamente ignorada.
A parte mais difícil do plano era manter suas mãos longe dela. A cada vez que saíam juntos, Mirajane parecia ainda mais deliciosa e não tomá-la em seus braços e beijá-la estava se provando uma das tarefas mais árduas que já havia enfrentado. Contudo, precisava perseverar principalmente por duas razões.
A primeira era que ele não queria arriscar a ira do Demônio. Já estava tomando todas as precauções para não sofrer emboscadas ao retornar à cidade apenas em horários em que a maga estaria trabalhando. Além disso, ele vinha realmente – realmente mesmo – se controlando para não dar "motivos" a ela. Não fumava mais. Não entrava na guilda com os sapatos sujos. Não arranjava briga com ninguém – Paspalhão Strauss quase arruinara essa parte do plano, mas Evergreen milagrosamente o salvara.
A segunda era que a iniciativa deveria partir dela. Laxus a queria literalmente implorando para tal. A única exceção à regra ocorrera quando o ar condicionado do cinema estava muito forte. Como o dia estava bem quente, nenhum dos dois havia levado casaco e, apesar do Dragon Slayer não estar incomodado, Mirajane tremia como uma vara, então ele não teve alternativa senão passar o braço ao redor dos ombros dela para esquentá-la... o que, no fim das contas, havia servido como uma espécie de incentivo, pois a partir daquele dia ela estava sempre arranjando desculpas para tocá-lo, ora arrumando algum fio rebelde dos seus cabelos, ora ajeitando a gola de sua camisa.
Aquilo ainda não era o suficiente para ele, portanto suas mãos ficavam muito bem guardadas em seus bolsos a todo momento. Quando ela "acidentalmente" resvalava seu braço no dele, fingia que não percebera. Quando ela o olhava com expectativa ao ser deixada na porta de casa, simplesmente se despedia e saía andando. Quando havia várias opções de trabalhos diferentes, ele optava pelo mais demorado para deixá-la com saudades de propósito.
Não era fácil, mas a situação se tornara praticamente inexequível quando a própria Mirajane resolveu responder à altura e chamá-lo para jantar na residência dos Strauss. Ele havia recusado todas as vezes em que ela o convidara a entrar para tomar um chá, mas dessa vez não havia como escapar, e sua provação teve início antes mesmo de passar pela porta, quando a maga o recebeu com a roupa mais provocante que ele já a havia visto usar. Perfeição era uma palavra que não fazia mais jus à Mirajane por ser simplória demais.
Ele passara aquela noite suando em bicas, se esforçando para se manter impassível e torcendo para que ela não percebesse o que o membro entre suas pernas – que funcionava de forma totalmente independente do seu cérebro – estava de fato planejando. A confirmação de que o restante da família Strauss só voltaria no dia seguinte só piorou a situação, e ele estava a ponto de mandar todo o plano para os infernos e agarrá-la ali mesmo.
Mas ele não o fizera.
Ele insistira. Ele era um homem em uma missão, repetia para si mesmo, um homem em uma missão, um homem em uma missão.
De alguma forma, o Dragon Slayer conseguira sobreviver a mais uma noite de tortura – porque aquilo definitivamente se enquadrava em outra das muitas categorias de tortura em que ela o submetia – sem encostar um dedo sequer em Mirajane. O semblante de decepção no rosto da maga era incontestável quando ele anunciara sua partida, e aquela imagem perdurara em sua consciência durante todo o caminho de volta para o seu apartamento, fazendo com que ele chegasse a uma decisão.
Quando retornasse, Laxus partiria para a próxima fase do plano. Aliás, que se explodisse o plano. Não importava mais se ela ainda não havia se atirado nos braços dele, pois assim que completasse seu próximo trabalho, ele iria diretamente ao encontro dela para resolver esse problema. Se o Demônio porventura ressurgisse, então ele estava fadado a conviver com isso pelo resto da sua miserável vida e pronto.
Foi com esse pensamento em mente que, seis dias depois, o Dragon Slayer marchou em direção à Fairy Tail para decidir o seu destino, mas antes que tivesse a chance, fora interpelado por Makarov, que fez um movimento com a cabeça para que ele o seguisse. Laxus franziu o cenho, já antecipando o tópico de conversação.
– Velho, se é para me encher o saco sobre Mirajane, pode parar aqui mesmo porque não estou com paciência para isso hoje. – Grunhiu ele, acompanhando-o mesmo assim.
– Por mais que não exista nada que me traga mais desgosto do que pensar sobre você e Mira-chan juntos, há questões mais urgentes a serem resolvidas. – Dito isso, o Mestre abriu a porta para seu escritório particular e Laxus constatou que outras pessoas já estavam ali.
Sua careta automaticamente se desfez ao perceber a tensão dentro da sala. Erza estava encostada em uma das paredes com os braços cruzados, olhando para o chão. Mirajane mordia o lábio inferior, gesto que ela fazia sempre que estava apreensiva, e assim que eles entraram, ela parou de remexer as mãos nervosamente e se virou para encará-los.
– Mestre, eu ainda acho que não é uma boa idéia, Laxus mal voltou e- – Makarov a interrompeu com um movimento de mão, e se dirigiu à mesa de mogno perto da janela, desenrolando as pontas de um grande mapa que se encontrava estendido ali.
– Infelizmente, não há outra alternativa melhor no momento, minha cara. – Ele fez outro gesto com a mão para que Laxus se aproximasse. – Há cerca de duas horas, descobrimos que um membro do Conselho era, na verdade, um infiltrado de uma guilda ilegal e roubou documentos que comprometem toda a organização militar em Crocus. Depois de Jellal e o Etherion, não podemos dispor de outro escândalo envolvendo corrupção no Conselho.
Erza se remexeu desconfortavelmente, mas não se pronunciou.
– Não precisa dizer mais nada. – Laxus respondeu, sério, entendendo perfeitamente o que era esperado dele. O Mestre lhe entregou a ficha do indivíduo contendo fotos e outras informações necessárias. – Onde eu tenho que interceptá-lo?
– Nossas fontes indicam que o alvo conseguiu se desvencilhar da Lamia Scale ao seguir pelas montanhas e foi visto pela última vez nas proximidades de Kunugi. Ele provavelmente deve estar se dirigindo a Clover Town para atravessar a fronteira com Bosco, e se isso acontecer-
– Não temos como extraditá-lo, eu sei. – Completou o Dragon Slayer, se virando para partir. Pelo visto, Mirajane teria que esperar mais um pouco.
– Laxus, – Chamou Makarov, dando uma rápida olhada em Erza, que enrijeceu os ombros. – seja discreto.
– Foi para isso que você esperou que eu chegasse, não? – Retorquiu ele, já passando pelo batente da porta. Era óbvio que Erza seria a pessoa mais adequada para tratar de assuntos urgentes, visto que era capaz de usar veículos para se transportar, mas a inaptidão da Titania em cumprir missões de forma sigilosa era palpável até mesmo para a própria, que não protestara uma única vez para ir no lugar dele, mesmo sendo clara sua indignação.
O tempo era essencial quando se tratava de perseguições e Laxus não podia se demorar, por isso andou em passos apressados para fora da guilda e olhou o céu. Nuvens negras se formavam no horizonte na direção em que ele estava seguindo, e com sorte poderia cortar caminho pela tempestade algumas cidades à frente. Estava prestes a tomar o percurso para a estação de trem quando mãos femininas circundaram seu braço, impedindo-o de continuar.
Ele inclinou a cabeça para o lado e encontrou Mirajane, ainda transbordando de aflição. Essa era a clássica Mira Branca, sempre se preocupando com os membros da guilda quando a situação ficava séria, por vezes perdendo noites de sono quando eles não voltavam no prazo – se existisse um. Laxus não queria que ela sofresse daquela forma, não por ele.
– Mira-
– Eu sei. – Ofegou ela. – Só... tome cuidado, está bem?
– E desde quando eu dou motivos para você achar que eu não tomo? – Ele lhe lançou um meio sorriso irônico para tranquilizá-la, mas ela apenas desviou o olhar.
– Bem, você também nunca emendou duas missões rank-S e se esse homem foi capaz de se infiltrar no conselho-
– Mira. – O Dragon Slayer segurou a face dela pelo queixo e a obrigou a fitá-lo diretamente. Algo na fragilidade que a maga exibia o incomodava profundamente, e ao notar os grandes olhos azuis dela prestes a ficar marejados, seu estômago se revirou. Preferia mil vezes sofrer o castigo do Demônio do que vê-la chorar, ainda por cima por sua causa.
Mirajane fechou os dedos nas bordas de seu casaco, parecendo se acalmar um pouco quando ele acariciou sua bochecha, e Laxus baixou o rosto apenas o suficiente para que seus lábios se encontrassem em um beijo lento e profundo, descobrindo ser uma sensação completamente diferente do que aquela que sentia quando suas bocas viravam uma completa zona de guerra.
Poderia ficar ali, beijando-a por horas e horas a fio, mas infelizmente tinha que correr contra o tempo, então relutantemente se afastou dela para impedir a si mesmo de se atrasar mais.
– Vou voltar tão rápido que você nem vai sentir minha falta, Mira. – Ele lhe lançou uma piscadela e partiu.
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O "tão rápido" na verdade durou dezessete dias.
O fugitivo era ardiloso. Ao invés de seguir pelo caminho mais rápido e fácil em direção a Bosco, ele optara por se embrenhar entre as montanhas para diminuir suas chances de ser capturado. Laxus contava com o faro apurado dos Dragon Slayers para persegui-lo, mas o maldito sabia cobrir bem seus rastros. O ar gélido e rarefeito das altitudes mais altas também não estava colaborando para os seus esforços.
O fugitivo sabia que alguém estava em seu encalço porque ele utilizava as rotas mais arriscadas, conseguindo até mesmo enganar e atrair Laxus para um covil de demônios (ah, a ironia). Não lhe restara outra opção senão derrotá-los antes de continuar e fora naquele momento que sua lacrima de comunicação se quebrara, impossibilitando-o de atualizar Makarov sobre o status da busca. Três dias depois, seus suprimentos também foram perdidos graças a uma besta gigante cuspidora de fogo, e quando achava que nada poderia ficar pior, outra criatura monstruosa aparecia e o atrasava mais.
As noites definitivamente eram a pior parte, pois o frio piorava e suas horas de sono eram quase nulas, já que precisava se manter sempre alerta para possíveis perigos. Era geralmente nesse meio tempo em que ele se permitia aspirar o cheiro de baunilha que ficara impregnado em seu casaco, ansiando por poder voltar logo para casa.
Céus, como queria fazer o alvo pagar caro por tudo que estava passando. Detê-lo não fora fácil, entretanto, pois além de astuto, o indivíduo também era extremamente habilidoso. Laxus lutara com cautela por causa da discrição exigida e seus movimentos limitados tiveram como consequência alguns ferimentos – além dos muitos que já haviam se acumulado ao longo dos dias –, o que só servira para que sua raiva aumentasse, e longos minutos depois a batalha finalmente havia terminado.
Ele arrastara o cretino até o vilarejo mais próximo e tivera o cuidado de escondê-lo antes de procurar por uma nova lacrima de comunicação. Avisara o Conselho e Makarov de sua localização, sentara no chão duro da floresta, sujo e com fome, e esperara até que a maldita guarda do Conselho viesse buscá-lo – com sorte trazendo um mago com poderes de cura, pois se aparecesse na guilda estropiado daquele jeito Mirajane teria um infarto.
Só depois de tudo isso é que ele pôde tomar um banho, comer alguma coisa e partir para Magnolia. Estava tão cansado que mal sentira o enjôo da viagem de trem, embarcando em um estado de letargia profunda assim que encontrara uma cabine livre.
Sentia-se ainda tão exausto quando chegara em casa que fora direto para a cama, despindo-se no caminho da entrada até o quarto. Não fazia a menor idéia de quanto tempo havia dormido até que batidas na porta o despertaram. Laxus esfregou o rosto com as mãos e se levantou, vestindo a primeira bermuda que pôde encontrar, e cambaleou sonolento em direção à sala.
Mirajane trajava apenas seu vestido habitual, mas para ele, parecia um anjo que havia acabado de vir diretamente do céu, seus olhos brilhando como duas grandes pedras preciosas e seus cabelos caindo por sobre os ombros como se feitos de seda. Seu cheiro – mais inebriante do que nunca – estava mesclado a um odor de comida vindo da sacola que ela segurava, fazendo seu estômago roncar, mas ele o ignorou, focando-se em necessidades mais pertinentes do que fome.
Reencontrá-la após tanto tempo o fez perceber o quão cansado estava de joguinhos. Desde que saíram pela primeira vez, não houvera uma noite sequer em que a maga demoníaca não rondara seus pensamentos, e cada vez que passavam tempo juntos, ele ansiava por desvendar outro dos pormenores sobre Mirajane, como se estivesse juntando as peças de um quebra-cabeça. Longe dela, o Dragon Slayer se sentia incomodado e irritadiço, ansioso por voltar logo à Magnolia.
Alguma coisa se remexeu dentro de seu peito, algo que ele sentia que vinha ignorando há muito tempo.
– Hey, só vim deixar isso aqui porque pensei que talvez voc- – Mirajane arfou quando os olhos dela se depararam com seu torso coberto de cortes e hematomas. – Você está bem?
Já sofri coisa muito pior nas suas garras, diaba, ele pensou em responder. Em vez disso, puxou-a para dentro de seu apartamento, fechando a porta atrás dela, e a prensou de modo semelhante ao que ela fazia quando invadia sua residência.
Agradeceu mentalmente por ela não ter resistido quando Laxus uniu seus lábios aos dela, beijando-a com o mesmo fervor de sempre, e quando se deu conta eles estavam completamente atrelados um ao outro, a sacola no chão há muito esquecida. Mirajane estava com tanta pressa quanto ele, percebeu, e não demorou para que peças de roupa começassem a voar para todos os lados e eles se dirigissem aos tropeços para o quarto, já completamente nus.
A maga enlaçou sua cintura com as pernas quando eles caíram juntos sobre o colchão macio e o Dragon Slayer fez questão de beijar e mordiscar absolutamente todas as partes do corpo dela que lhe foram negadas por tanto tempo. Os sons que ela fazia enquanto arranhava sua nuca e ombros com unhas compridas estavam fazendo com que faíscas percorressem sua espinha em direção a todos os seus membros, deixando-o louco.
Ele foi descendo e descendo, as mãos nunca parando de se mover, até que sua língua encontrou a parte interna das coxas dela e Mirajane arquejou, puxando-o novamente para cima pelos cabelos.
– Laxus. – Pediu ela, suplicante, pressionando-se contra seu quadril. Ela estava tão úmida que algo dentro de si rugiu com voracidade. Sua vontade era recusar o alívio que ela tanto queria e torturá-la até que ela implorasse, e então virá-la de bruços e tomá-la exatamente como um animal faria. Porém, vê-la tão entregue em seus braços, tão surpreendentemente dócil, não estava o ajudando a conter sua própria impaciência. Assim, ele fechou as mãos fortemente ao redor da cintura dela e a penetrou com rudeza, fazendo-a gemer contra seu ouvido em resposta.
Mirajane começou a acompanhar seus movimentos, murmurando seu nome em meio a suspiros, implorando para que ele não parasse. Cada vez que o fazia, Laxus era incapaz de conter seus próprios grunhidos, se movendo cada vez mais rapidamente até que ambos não conseguissem mais se segurar e explodissem juntos em um frêmito de prazer.
Laxus sentiu os remanescentes da sua energia se esvaindo completamente de seu corpo segundos depois e, ofegante, rolou para o lado, adormecendo não muito tempo depois. Acordou após algumas horas, sentindo um dos braços dormente como se houvesse alguma coisa em cima dele, e ao abrir os olhos constatou ser Mirajane, que ressonava tranquilamente com as costas contra seu peito. Ele soltou um longo suspiro, deslizando a mão do braço livre sobre a lateral do corpo dela com cuidado para não despertá-la.
Seu plano enfim fora concluído com sucesso, mas ainda sentia que algo estava errado, então recapitulou tudo que havia acontecido desde que decidira domar o Demônio... e a compreensão o atingiu em cheio como um balde de água fria. Era verdade que tinha conseguido fazê-la implorar – mesmo que tenha sido por livre e espontânea vontade dela já que ele mandara tudo para os diabos na reta final –, mas não tinha saído de graça.
Ele pagara com seus charutos, suas mulheres, sua pose de machão – porque machões não fazem piqueniques no parque, não andam com bichos de pelúcia na rua, não mandam flores e definitivamente não dormem abraçadinhos –, a possibilidade de bater em Natsu quando estivesse de mau humor e mais uma infinidade de outras coisas que nunca mais poderia fazer por conta do risco de ser punido e todo seu trabalho duro ter sido em vão.
No fim, era ele que parecia ter sido domado, e não o contrário.
Huh.
Olhou novamente para a figura tranquila de Mirajane com uma careta de indignação, mas que não durou muito tempo. Ela se encaixava tão perfeitamente bem em seus braços que todo o resto parecia não ter lá tanta importância quanto antigamente.
Aquela coisa que ainda não havia sido capaz de identificar voltou a se remexer em seu peito, mas ele decidiu que pensaria naquilo depois. Por hora, voltaria para sua conchinha.
